Ah, pensou que o Senhor Lopes Cardoso era caso único? Pois pensou mal... Ele é louvores a torto e a direito. Só este ano, se a aritmética me não falha, já foram louvados mais de quinhentos e trinta e tal. Só me espanta, no meio de tanto brilho e desempenho, como é que os canadianos não vieram pedir desculpa e cancelar a deportação dos portugueses.
31 julho 2006
Proverbial sabedoria
"Pedro, nem tê-lo, nem vê-lo, nem querê-lo, nem à porta da casa consenti-lo...mas sempre é bom na casa havê-lo"- (Popular) Passei anos a ouvir este provérbio, por força do meu próprio nome. Nunca o entendi e continuo sem vislumbrar nele algum ensinamento. E também fui melgado até à exaustão pelo texto inicial da Cartilha Maternal João de Deus, o inefável "Oh Pedro, o que é do livro de capa verde que te deu o avô?".
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Biografia
30 julho 2006
28 julho 2006
Rosário hype
Havia de facto qualquer coisa de eléctrico no ar quando mergulhei hoje manhã cedo no circuito do comércio tradicional da aldeia onde moro. Muita euforia, muito entusiasmo, alguns penteados produzidos. Pouco versado como sou na análise das esfusiantes manifestações de gáudio feminino, nem me importei muito com o assunto até ter chegado a noite. No café local um grupo ruidoso de homens combinava uma surtida aos mais conhecidos bares da região, o que não sendo raro entre os mais novos é absolutamente inusitado entre os mais velhos... Indaguei dos motivos de tanta liberdade. "Amigo Pedro, estamos todos solteiros. Há um concerto do Tony Carreira hoje nas festas da Baixa da Banheira". Compreendi-te.
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Are you feeling lucky?
Ele tinha muita sorte. Tinha mesmo muita sorte. Casou com uma miúda lindíssima, indiana, de ar misterioso e exótico. Um dia reparou naquela pinta vermelha na testa dela. Raspou-a. Como seria de esperar, para um tipo com tanta sorte, saiu-lhe um BMW.
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27 julho 2006
Customer service
Hoje fui a uma grande superfície de bricolage em busca de uma rede mosquiteira que queria aplicar numa moldura que construí durante a tarde. Como não encontrava o que queria, fui ao balcão de informações perguntar se havia de facto a dita rede, uma vez que no expositor só encontrava os tubos vazios. "Tem redes para mosquitos, dessas de aplicar nos caixilhos?", Temos sim, está lá ao fundo no expositor das redes. "Olhe que não, está tudo vazio, queria era saber se têm mais em armazém". Humm, espere um pouco que eu vou buscar um pedaço para ver se é isto que pretende. Voltou, voltou pouco tempo depois com um pedaço de rede plástica com buracos de dois por dois centímetros. "Que belos mosquitos que a senhora deve ter na sua zona...". Ela não percebeu e eu não lhe quis explicar.
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Biografia
Humor Municipal
Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses
Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro, eleitor nº 6 da freguesia de Soalhães, vem expor e requerer a V. Exa o seguinte:
1. Na reunião da Assembleia Municipal do passado dia 29, ouvi V. Exa afirmar que, a partir desta semana, iria passar a dispor de um Audi a6.
2. E percebi, das suas palavras, que não se tratava de um acto de vaidade pessoal, mas uma forma de melhorar a imagem do município, pois que a viatura estaria ao serviço do município e não do seu presidente.
3. Reflectindo sobre o assunto, lembrei-me de que o Audi do município poderá resolver-me um problema logístico que tenho em mãos.
4. No próximo dia 13, é o casamento da minha prima Ester (jovem médica) com o David (jovem médico).
5. Pediu-me a minha prima que a transportasse à Igreja, ao que eu anuí.
6. Lembrei-me, depois, que o meu carro só tem duas portas o que, convenhamos, não é muito operacional para o efeito, sobretudo para entradas e saídas, já que o vestido poderá ficar agarrado e eventualmente rasgar-se.
7. Foi desta forma que me lembrei que, sendo eu munícipe do Marco, e estando o Audi ao serviço do município, seria um acto da maior justiça que eu pudesse transportar a minha prima ao casamento no A6.
8. Ainda pensei que talvez pudesse requerer a utilização do jeep Toyota, mas temo que os convidados possam gozar a noiva por se deslocar em em tal veículo.
9. Opto, pois, pelo Audi, com a promessa de que o entregarei lavado e com o combustível reposto.
10. Dispenso o motorista.
Face ao exposto, requeiro a V. Excia se digne emprestar o A6 para utilização deste modesto munícipe no próximo dia 13, durante todo o dia.
Pede deferimento
Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro
Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro, eleitor nº 6 da freguesia de Soalhães, vem expor e requerer a V. Exa o seguinte:
1. Na reunião da Assembleia Municipal do passado dia 29, ouvi V. Exa afirmar que, a partir desta semana, iria passar a dispor de um Audi a6.
2. E percebi, das suas palavras, que não se tratava de um acto de vaidade pessoal, mas uma forma de melhorar a imagem do município, pois que a viatura estaria ao serviço do município e não do seu presidente.
3. Reflectindo sobre o assunto, lembrei-me de que o Audi do município poderá resolver-me um problema logístico que tenho em mãos.
4. No próximo dia 13, é o casamento da minha prima Ester (jovem médica) com o David (jovem médico).
5. Pediu-me a minha prima que a transportasse à Igreja, ao que eu anuí.
6. Lembrei-me, depois, que o meu carro só tem duas portas o que, convenhamos, não é muito operacional para o efeito, sobretudo para entradas e saídas, já que o vestido poderá ficar agarrado e eventualmente rasgar-se.
7. Foi desta forma que me lembrei que, sendo eu munícipe do Marco, e estando o Audi ao serviço do município, seria um acto da maior justiça que eu pudesse transportar a minha prima ao casamento no A6.
8. Ainda pensei que talvez pudesse requerer a utilização do jeep Toyota, mas temo que os convidados possam gozar a noiva por se deslocar em em tal veículo.
9. Opto, pois, pelo Audi, com a promessa de que o entregarei lavado e com o combustível reposto.
10. Dispenso o motorista.
Face ao exposto, requeiro a V. Excia se digne emprestar o A6 para utilização deste modesto munícipe no próximo dia 13, durante todo o dia.
Pede deferimento
Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro
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Cidadania
That was close!
O senhor Ayman Al-Zawahiri, supostamente o número dois da Al-Qaeda. apareceu hoje numa gravação na televisão Al-Jazeera num apelo ao levantamento do mundo muçulmano contra as acções israelitas em território libanês. Expectável esta reacção, mas surpreendente num detalhe. Al-Zawahiri declara que "todo o mundo é um campo de batalha à nossa frente e que a guerra santa é em nome de Deus (what's new?) e essa mesma guerra acontecerá até que a religião islâmica prevaleça, desde Espanha ao Iraque". Haja uma vez em que a ignorância geográfica nos favoreça e ainda bem que o Afonso está fechado numa caixa que ainda por cima não deixam abrir...
Um dos adeptos deste senhor Al-Zawahiri, o senhor Bakr, um (o nome poderá não ser este mas falta-me a paciência para ir investigar), deu há uns tempos uma entrevista ao Público onde afirmava que os mortos não o impressionavam minimamente e que era tudo uma questão de guerra entre crentes e não crentes. Conforme seria de esperar, o Foreign Office britânico não perdeu tempo a mandar o prelado fazer as malinhas e pô-lo fora dos domínios de Isabel II o que ele parece ter feito alegremente, tendo arribado uns meses depois no Líbano onde continuou a fazer uns discursos cativantes. Há dias, os oficiais de uma fragata inglesa que embarcava refugiados em Beirute, negou o embarque ao dito Bakr, que se apresentou com passaporte britânico...
Um dos adeptos deste senhor Al-Zawahiri, o senhor Bakr, um (o nome poderá não ser este mas falta-me a paciência para ir investigar), deu há uns tempos uma entrevista ao Público onde afirmava que os mortos não o impressionavam minimamente e que era tudo uma questão de guerra entre crentes e não crentes. Conforme seria de esperar, o Foreign Office britânico não perdeu tempo a mandar o prelado fazer as malinhas e pô-lo fora dos domínios de Isabel II o que ele parece ter feito alegremente, tendo arribado uns meses depois no Líbano onde continuou a fazer uns discursos cativantes. Há dias, os oficiais de uma fragata inglesa que embarcava refugiados em Beirute, negou o embarque ao dito Bakr, que se apresentou com passaporte britânico...
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Faits Divers
26 julho 2006
Crítica literária
Pego num livro (?) de Arlinda Mestre e folheio despreocupadamente. À salta-pocinhas pico cinco parágrafos em diferentes zonas do tomo. Ao quarto parágrafo, aquilo que era uma sensação torna-se uma certeza: É demasiado fina a zona de separação entre o roubo e a prostituição. A cinco palavras por linha (fonts grandes aumentam o número de páginas), duzentas e dezanove páginas de lixo escrito. "No caminho do Amor" perdeu a batalha comparativa contra "O meu livro de aprender a ver as horas" da Editora Girassol.
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Faits Divers
25 julho 2006
Hermínio Loureiro
Hermínio Loureiro é um pândego. Ao apresentar a sua candidatura à Presidência da Liga Portuguesa de Futebol, num discurso tão belo quanto oco, declarou com ar veemente "Procederei a uma análise aos custos de estrutura da Liga com vista à sua diminuição". Pois eu cá acho muito bem, como acharia que Hermínio Loureiro devia pensar antes de abrir a boca. Se não conhece os custos da Liga (porque tem de proceder a uma análise), como é que sabe que são excessivos?
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Faits Divers
Acto de contrição

Vem a gerência deste estaminé pedir publicamente desculpa por ter zombado da originalidade do sinal de trânsito referido neste post. Avisado por um estudante rodoviário, candidato à licença de condução, fui prevenido da existência desse sinal nas listas de sinalização prevista na lei.
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Cidadania
24 julho 2006
½(d + 2h + w)² = 2(w + h)²
Santos. Sara Santos. É portuguesa, matemática na Universidade de Manchester e não tendo descoberto a pólvora, permitiu à Amazon economizar uns larguíssimos milhares de Libras evitando o desperdício de fita-cola e papel de embrulho na embalagem de compras na popular loja online, definindo a fórmula perfeita para o cálculo correcto do papel de embrulho que um qualquer computador há-de cortar. Para mim, o último dos embrulhadores de presentes, a quem os clientes de uma loja de informática pediam por favor para que eu não embrulhasse as compras, é uma benção! A todos os que sofrem em silêncio, Natal após Natal confidencio o segredo: " d é igual à profundidade da caixa, h a altura e w a largura).
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Faits Divers
Tangerina Azul
Finalmente alguém faz um spot publicitário que toca na corda mais sensível do mercado alvo. (A locução podia ter sido mais trabalhada...)
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Benfica
Escolhas infelizes
A escolha de um nome para registo de domínio Internet sempre foi uma actividade complicada e pode até dizer-se que é uma arte. Um nome fica para a vida e pode fazer a diferença entre o sucesso da memorização global e o desastre total. Por ter, digamos, alguma sensibilidade nessa matéria já fui responsável pelo baptismo de três empresas e por um domínio internet, mas previno sempre os proprietários de que todas as interpretações devem ser testadas antes da escolha final. Não vá acontecer uma desgraça como a que sucedeu a estes dez casos...
E se querem um exemplo fresquinho, o site "Ninguém Pára o Benfica" é um belo exemplo de uma escolha infeliz. Retirado o acento do "Pára", o sentido muda por completo...
E se querem um exemplo fresquinho, o site "Ninguém Pára o Benfica" é um belo exemplo de uma escolha infeliz. Retirado o acento do "Pára", o sentido muda por completo...
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Faits Divers
22 julho 2006
Um dia vou pensar nisto...
Porque é que a generalidade das mulheres acha que tem um rabo demasiado grande, mas quando se aborrece com outras mulheres, estas são sempre descritas como tendo um rabo escanzelado?
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Faits Divers
21 julho 2006
Cenas da vida campestre
Uma ovelha "cansada" (diz-se cansada de um ovelha cujos níveis de produção tenham descido para valores próximos da produção média mensal de um assessor ministerial) custa, a preços reais de mercado, dez euros. Contudo, a chamada de um veterinário para emitir uma guia de abate num matadouro (obrigatória) custa trinta e oito euros. Se a ovelha falecer por razões desconhecidas a guia de abate não é necessária. Deve ser por isto que milhares de ovelhas têm vindo a falecer subitamente e a serem enterradas em diversos congeladores por este país fora...
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Faits Divers
20 julho 2006
Travelled the world and the seven seas
"Senhor Pedro Aniceto?" Sim, apeteceu-me dizer Oui, c'est moi, mas quando me tratam por Senhor eu começo logo a desconfiar, tal e qual como me sinto ameaçado quando dizem Pedrinho ou Anicetozinho. "Fala da Portugal Telecom e queria falar-lhe de uma promoção..." Com a boca cheia de pedaços de uma gulosa fatia de melão, apeteceu-me dizer Pfale, Pfale, mas pareceu-me de extrema má educação, lá engoli o melão, pondo em risco a própria vida, só eu sei como odeio que me liguem à hora de almoço ou jantar, dói-me a glote do esforço, diga lá minha senhora. "A Portugal Telecom oferece-lhe agora a possibilidade de instalar uma segunda linha telefónica..." E para que quero eu uma segunda linha telefónica, penso eu enquanto procuro alcançar o guardanapo sem partir o fio do telefone que está demasiado longe da mesa onde jantava. "Na sua segunda casa pode agora instalar uma linha telefónica sem assinatura mensal..." Alto! Alto e pára o baile! Segunda casa, mas estamos a brincar com a modalidade? Olhe lá, eu já me vejo grego para dar conta desta, quanto mais de uma segunda. "Ah, mas aqui nos meus registos..." Quais registos, senhora, quais registos? Nunca tive duas casas... "Ah, sendo assim..." Não! Não é sendo assim, ou me dizem onde é que está a minha segunda casa ou resolve-se a coisa de outro modo. "Qual modo Senhor Aniceto?" Oferecem-me a assinatura desta linha e passa a vossa segunda casa a ser a minha primeira casa... "Ah, mas isso não posso fazer..." Pois é pena.
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Biografia
19 julho 2006
Hotter than July
H. escreveu-me fornecendo informações que lhe pedi mas também se queixa do tórrido calor alentejano na cidade onde vive e trabalha. Não fecho o mail sem me rir da mais velha anedota que conheço, a de dois compadres que morrendo vão para o Inferno onde aguardam na recepção para o inevitável check in. Suando em bica no interior dos seus capotes um não se contém e comenta: "Ah, compadre, s'isto aqui tá 'ssim ê faço idêa em Beja!"
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Faits Divers
17 julho 2006
In hoc utero vinces
É absolutamente fascinante o conteúdo do pequeno papel que a Maternidade Alfredo da Costa fornece às suas pacientes sujeitas a cirurgia. No intuito de estabelecer alguma ordem e organização ao internamento pré-cirúrgico, alguns pedidos são feitos às pacientes. São vários, mas destacaria dois: a) Tome banho b)Traga escova de dentes, pasta e copo, revistas e jornais ou outras formas de entretimento (sic).
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Faits Divers
14 julho 2006
13 julho 2006
Keep up with the Joneses
Acordei extremamente mole, hoje... Pode ser do calor tórrido que se tem feito sentir. E também não ajudou nada ter lido um livro de Steve Jones em que este me disse que partilhamos todo o nosso DNA com os caracóis...
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Faits Divers
Long and winding road...
Há-de concordar que temos em Portugal algumas estradas assustadoras. São-no cada vez menos, é certo, mas depois de ver estas imagens, há-de concordar comigo que o IP2 cheio de neve é uma Auto-Estrada!
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Faits Divers
Every woman, every man, join the caravan
Eu sei que é extremamente difícil, quiçá impossível que a pessoa a quem dedico estas linhas me venha a ler, mas queria deixar aqui um grande abraço ao infeliz que hoje, durante o dia meteu numa busca de Google a expressão "Cão Roti Vale" e veio parar aqui...
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Faits Divers
12 julho 2006
Turning japanese, I think I'm turning japanese
Ora experimentem lá os vossos nomes com os fonemas do alfabeto Katana.
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Faits Divers
11 julho 2006
Zizou
A fiel equipa de assessores das Reflexões de um cão com pulgas afiançou-me (eh pá, que eu seja ceguinho, pá!) conhecer o teor do insulto dirigido por Materazzi a Zinédine Zidane que levou à expulsão do francês. "Para o ano vais jogar no Sporting!"
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Faits Divers
Lavoisier comia Donuts?
Nada como uma pessoa acordar cedíssimo para se aperceber de algumas das rotinas do mundo. Hoje descobri que a empresa que distribui Donuts recolhe as unidades não vendidas. O que lhes faz é para mim um autêntico mistério (por enquanto, que eu sou um rapaz deveras curioso...), mas tenho cá para mim que é melhor não saber...
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Faits Divers
Fazia tempo que não ouvia
"Vou ali empar uns feijões". Empa: Estaca que permite a uma planta o seu desenvolvimento na vertical. Empar é também amiúde substituído por emparreirar.
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Sudo, pois, isso...
Fanáticos de Sudoku, vocês não sabem as oportunidades que andam a perder. Quem é amigo, quem é?
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Faits Divers
10 julho 2006
Honorários
Antes de expirar, Salomão, o velho e sábio Rabi, chamou os seus filhos para uma última conversa familiar. Depois de testamentadas as suas últimas vontades, levantou um braço pedindo silêncio e com voz arrastada mas segura declarou "...E nunca, mas nunca deixem de pagar os honorários dos vossos advogados. Nunca!" Espantada, a assistência quis saber das razões de tão invulgar pedido e Salomão narrou a seguinte história: "Amit era um alto funcionário da corte do Rei Akbahr. Há muitos anos que Amit nutria um incontrolável desejo de chupar os voluptuosos seios da Rainha, uma vez que fosse, mas até se saciar. Algumas vezes tentou atingir o desiderato, mas sempre sem sucesso.
Um dia, Amit revelou o seu desejo a Birbal, o principal advogado do reino e pediu-lhe ajuda para esse objectivo que ameaçava levar Amit à loucura. Depois de muito pensar, Birbal prometeu estudar o assunto na condição de Amit lhe pagar mil moedas de ouro. Amit concordou no pagamento que, todavia, não foi formalizado por escrito por conveniência das partes.
Alguns dias depois, Birbal preparou um líquido que causava comichões de enlouquecer e derramou-o no soutien da Rainha enquanto esta se banhava. Conforme era suposto, a inacreditável comichão começou a produzir os seus efeitos, deixando a Rainha desesperada e o Rei deveras preocupado.
A corte consultou os melhores médicos do reino, sem qualquer sucesso, até que Birbal comunicou ao Rei que apenas uma saliva especial, se aplicada continuamente durante quatro horas, curaria o mal. Birbal, como seria de esperar, comunicou ao Rei que essa saliva apenas se encontraria na boca de Amit.
O Rei Akbahr ficou felicíssimo e mandou de imediato chamar Amit que, pelas quatro seguintes horas, saciou o seu desejo, deliciando-se com o fartíssimo peito da Rainha. Chupou, beijou, afagou, enfim, fez tudo o que sempre ansiara.
Satisfeito, encontrou-se no dia seguinte com o advogado Birbal. Com todas as suas fantasias alcançadas e a sua líbido satisfeita, Amit comunicou ao advogado que não lhe pagaria as combinadas mil moedas de ouro. Amit sabia que, naturalmente, Birbal jamais poderia contar ao Rei toda a trama.
Mas Amit subestimou o advogado. No dia seguinte, enquanto o Rei se banhava, Birbal derramou o mesmo líquido nas cuecas do Rei. O Rei mandou de imediato chamar Amit..."
Um dia, Amit revelou o seu desejo a Birbal, o principal advogado do reino e pediu-lhe ajuda para esse objectivo que ameaçava levar Amit à loucura. Depois de muito pensar, Birbal prometeu estudar o assunto na condição de Amit lhe pagar mil moedas de ouro. Amit concordou no pagamento que, todavia, não foi formalizado por escrito por conveniência das partes.
Alguns dias depois, Birbal preparou um líquido que causava comichões de enlouquecer e derramou-o no soutien da Rainha enquanto esta se banhava. Conforme era suposto, a inacreditável comichão começou a produzir os seus efeitos, deixando a Rainha desesperada e o Rei deveras preocupado.
A corte consultou os melhores médicos do reino, sem qualquer sucesso, até que Birbal comunicou ao Rei que apenas uma saliva especial, se aplicada continuamente durante quatro horas, curaria o mal. Birbal, como seria de esperar, comunicou ao Rei que essa saliva apenas se encontraria na boca de Amit.
O Rei Akbahr ficou felicíssimo e mandou de imediato chamar Amit que, pelas quatro seguintes horas, saciou o seu desejo, deliciando-se com o fartíssimo peito da Rainha. Chupou, beijou, afagou, enfim, fez tudo o que sempre ansiara.
Satisfeito, encontrou-se no dia seguinte com o advogado Birbal. Com todas as suas fantasias alcançadas e a sua líbido satisfeita, Amit comunicou ao advogado que não lhe pagaria as combinadas mil moedas de ouro. Amit sabia que, naturalmente, Birbal jamais poderia contar ao Rei toda a trama.
Mas Amit subestimou o advogado. No dia seguinte, enquanto o Rei se banhava, Birbal derramou o mesmo líquido nas cuecas do Rei. O Rei mandou de imediato chamar Amit..."
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Faits Divers
Nuvens
"Sabes se hoje vai estar mau tempo?". Ponho a mão em pala sobre os olhos para poder encarar de frente aquela curiosa pergunta. Não, nada disso, não vês o sol que está? "Coitados! Ai coitados que se vão cansar...", Não te percebo, porquê coitados? Coitados de quem? "É que a minha avó me disse que quando há nuvens os anjos podem sentar-se..."
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Faits Divers
09 julho 2006
Coriandrum Sativum
Erva glabra cheirosa da família das umbelíferas e sub-família das apióideas. É original da Europa Oriental e da Ásia temperada. Estive a separar sementes e tenho um fedor a coentro nas mãos que não se pode. Dizem que tem propriedades afrodisíacas e é bem capaz de ser verdade que já dei com o meu cão a olhar para mim de lado...
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Faits Divers
Action Figures
"Oh pá, o que é vais dar ao miúdo nos anos?". Olha, não sei bem, estou indeciso entre um lançador de freiras, ou um Cristo desaprovador. "E achas que o puto ainda tem idade para isso?" Pá, pois, é complicado, mas é ainda cedo para um Action Man do Carl Jung".
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Faits Divers
08 julho 2006
Benfica 3 - Stade Nyonnais 0
Ufa! Ainda bem que começou oficialmente a nova época futebolística, que isto de estarmos todos unidos em absoluta paz e concórdia à volta do mesmo símbolo estava tornar-se um pedacinho inquietante.
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Mão de vaca à Lobo Antunes
E ali estava eu, mão chapada no curvo vidro do balcão do talho quando me voltei a lembrar de ti, de outro ti que não tu. Por culpa de umas mãos de vaca (ou seriam pés?), lá estás tu a gozar-me, a desmanchares-me (salvo seja) e dizeres-me "Deus me livre se alguma vez cozinho essa porcaria". E eu a rir-me de mim e das minhas próprias perversões retorcidas sem te poder responder à letra brejeira, tão fria como este vidro curvo em que chapo as mãos. E elas, as mãos, ali a rirem-se de nós, duas unhas separadas, a pele branca, são como que luvas de pelica numa montra da Baixa. (Desculpei-te só te teres rido três dias depois do alguma vez cozinho), fique Deus fora disto que não nos parece próprio. Viste como a pele é branca e sem rugas? Viste como as unhas estavam limpas e lisas? E nunca me perdoaste ter-te dito que não conseguias nunca que as tuas ficassem assim. E tu sem perdão, a retorcer as contas do colar de pérolas falsíssimas, tão falsas como a minha frase do "Não faz mal, Helena, um dia destes eu peço à minha mãe que faça uma tachada disto". Alguns dias depois (não que tivesse uma coisa a ver com a outra), tu foste-te embora. Que ias às compras, até logo. Eu devia ter desconfiado quando disseste que faltava grão em casa. Se calhar percebi mal (se calhar). Mas não faz mal, um dia destes eu peço à minha mãe que me faça uma tachada. E vou tirar a barriga de misérias. Quem sabe um jogo do Benfica na TV, sopinhas de pão no molho. (Quem sabe?).
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Biografia
E já eram portugueses
...El-Rei partiu de Coimbra uma segunda-feira com as suas tropas, sem as informar do seu destino. Chegados perto de Santarém, com cujos líderes mouros havia um acordo de tréguas, Afonso mandou um emissário à cidade avisar que elas ficavam suspensas por três dias. Era assim a tradição na época: havendo tréguas, era preciso avisar o inimigo, se o queríamos atacar. Isto passou-se na terça-feira, pelo que os mouros fizeram as suas contas: quarta, quinta ou sexta viria um ataque dos cristãos. Como não veio, no sábado foram todos dormir. Afonso Henriques atacou a cidade de Lisboa na noite de sábado para domingo...
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Cidadania
07 julho 2006
'tadinho...
A mim, a este mim que me incomoda é impossível passar por cima de um corpo deitado, ali à torreira do sol. As pessoas saltam, literalmente, por cima do homem. Há quem nem olhe o corpo imóvel, a cozer a bebedeira que o deixa quieto, tão quieto que me assusto quando nem o tronco vejo inchar de ar. Ninguém dá mostras de se importar. Ninguém. Excepto a mim, a este mim que me incomoda. Baixo-me, baixo-me e assusto-me com um som, um som que parece vir de dentro da sombra que faço contra o chão quente. Ninguém se aproxima, ninguém quer saber. Fico absolutamente espantado. Chamo uma ambulância, não é a primeira vez que sou censurado por chamar uma ambulância para um bêbado imóvel. É um cachorro! Um cachorro no bolso do homem. O bicho luta para se libertar do peso bêbado que o comprime. Ajudo-o, puxo-o para fora daquele forno e tento acalmá-lo do pânico em que parece estar. Não me falta companhia nesse instante. Surge tanta gente enternecida por um pedacinho de cão castanho enquanto o bêbado ali permanece, imóvel e quente... "Tadinho!", ouço. Isso, minha senhora, 'tadinhos de nós.
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Biografia
06 julho 2006
Política Agrícola (In)comum
Senhor Comissário Europeu da Agricultura:
O meu amigo Robert, que vive na Bretanha, recebeu um cheque de 100.000 EUR da EU para não criar porcos este ano. Por essa razão eu estou a pensar entrar no programa de não-criação de porcos no próximo ano. O que eu gostaria de saber era qual é a melhor quinta possível para não criar porcos e também qual a melhor raça a não criar. Gostaria de não-criar Javalis, mas se eles não forem uma boa raça para não-criar, fico igualmente satisfeito se puder não-criar uns Landrace ou uns Large White. O trabalho pior neste programa parece-me ser manter um inventário preciso do número de porcos que não criámos. O meu amigo Robert está muito entusiasmado quanto ao futuro do seu negócio. Criou porcos durante mais de 20 anos e o máximo que tinha conseguido ganhar foram uns 35.000 EUR em 1978... até este ano, que recebeu o tal cheque de 100.000 EUR para a não-criação de porcos. Se eu posso receber um cheque de 100.000 EUR para não-criar 50 porcos, então receberei 200.000 EUR por não-criar 100 porcos, certo?
Proponho-me começar por baixo para depois chegar a não-criar uns 5000 porcos, o que significa que receberei um cheque de 10.000.000 EUR para poder comprar um iate e para outras necessidades urgentes. Mas há outra coisa: os 5000 porcos que eu não criarei deixarão de comer os 100.000 sacos de milho que lhe estão destinados. Entendo, portanto, que irão pagar aos agricultores para não produzir esse milho. Isto é: receberei alguma coisa para não-produzir 100.000 sacos de milho que não alimentarão os 5000 porcos que não-criarei?
Pretendia começar o mais cedo possível, porque parece que esta altura do ano é a mais propícia à não-criação de porcos.
Com os melhores cumprimentos,
(Assinatura ilegível)
O meu amigo Robert, que vive na Bretanha, recebeu um cheque de 100.000 EUR da EU para não criar porcos este ano. Por essa razão eu estou a pensar entrar no programa de não-criação de porcos no próximo ano. O que eu gostaria de saber era qual é a melhor quinta possível para não criar porcos e também qual a melhor raça a não criar. Gostaria de não-criar Javalis, mas se eles não forem uma boa raça para não-criar, fico igualmente satisfeito se puder não-criar uns Landrace ou uns Large White. O trabalho pior neste programa parece-me ser manter um inventário preciso do número de porcos que não criámos. O meu amigo Robert está muito entusiasmado quanto ao futuro do seu negócio. Criou porcos durante mais de 20 anos e o máximo que tinha conseguido ganhar foram uns 35.000 EUR em 1978... até este ano, que recebeu o tal cheque de 100.000 EUR para a não-criação de porcos. Se eu posso receber um cheque de 100.000 EUR para não-criar 50 porcos, então receberei 200.000 EUR por não-criar 100 porcos, certo?
Proponho-me começar por baixo para depois chegar a não-criar uns 5000 porcos, o que significa que receberei um cheque de 10.000.000 EUR para poder comprar um iate e para outras necessidades urgentes. Mas há outra coisa: os 5000 porcos que eu não criarei deixarão de comer os 100.000 sacos de milho que lhe estão destinados. Entendo, portanto, que irão pagar aos agricultores para não produzir esse milho. Isto é: receberei alguma coisa para não-produzir 100.000 sacos de milho que não alimentarão os 5000 porcos que não-criarei?
Pretendia começar o mais cedo possível, porque parece que esta altura do ano é a mais propícia à não-criação de porcos.
Com os melhores cumprimentos,
(Assinatura ilegível)
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05 julho 2006
E por falar em coisas tristes...
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Faits Divers
Não chores, Portugal
Não chores, Portugal. Não há vergonha nenhuma em cair de pé.
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A mim, os físicos!
Porque é que três garrafas de cerveja, de volumes e marcas diferentes congelam com velocidades diferentes quando sujeitas às mesmas condições de frio? Porque é que duas horas depois de metidas no mesmo ambiente a garrafa mais pequena (Sagres Mini 20 cl.) está em estado liquido enquanto as restantes (Sagres e SuperBock 33 cl.) estão em estado sólido? Não deveria ser ao contrário?
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Li algures...
Esta noite a minha mulher e eu estávamos sentados na sala falando de alguns aspectos da vida, da morte e da eutanásia... E eu disse-lhe veementemente: "Nunca me deixes em estado vegetativo, dependente de uma máquina e de líquidos de uma garrafa. Se me vires nesse estado, desliga os artefactos que me mantêm vivo!". Ela levantou-se, desligou a TV e tirou-me a cerveja!
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Faits Divers
04 julho 2006
Toma lá que é bom para a azia...
Absolutamente desusado o tráfego de críticos de gastronomia na minha caixa de correio. Apesar das zangas, dos choros e dos lamentos de quem se sentiu ofendido, nenhuma das missivas veio desmentir o que escrevi, o que se por um lado não me espanta, por outro me honra a velocidade com que os textos se transmitem nos dias que correm. No meio de todo o entulho, algumas pérolas. Como esta, do Manuel Pata, da qual gostei bastante, embora enferme também de alguns tiques.
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Le Coq Sportif
Os portugueses que mais torcerão pela França durante o jogo de amanhã devem ser os responsáveis da companhia de seguros que celebrou o negócio "Se Portugal for campeão os seus móveis custam zero" com a Associação Empresarial de Paços de Ferreira...
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03 julho 2006
Tomai e comei todos (Hoje há conquilhas)
Existe uma palavra que me arrepia quando leio críticas gastronómicas e a palavra é "amesendação"... Deve haver alguma lei não escrita que impõe aos críticos gastronómicos com devaneios de prémio Nobel de literatura que os obriga a usar vocabulário neo romântico para definir uma mesa posta. E de repente, qual doença transmissível, todos os que escrevem sobre comida parecem infectados por este vírus. As mesas dos críticos gastronómicos nunca estão postas, bem ou mal, estão amesendadas. Isto provoca-me um certo desconforto, superior até ao facto de na mesa não encontrar o meu próprio guardanapo no local próprio. Imagino o crítico nessa ocasião, "desculpe não se importava de me trazer o guardanapo que aqui falta porque que a amesendação não era a mais correcta?". É claro que o bom senso manda que o crítico não diga nada disto, sob pena de perder uns vinte precisosos minutos a explicar ao empregado que há-de ter a desdita de o servir o que é essa tal amesendação. Irrita-me a prosápia dos críticos. A tendência para complicar as descrições. Hoje almocei um bife, não era nada de especial, era um bife. Olhei para a prateleira da despensa e vi uma lata de cogumelos. Quem conhece a minha inabilidade natural para as artes culinárias pensará (e muito bem) que aqui o escriba almoçou um bife com cogumelos. Certíssimo, caro leitor! Porém um crítico chamar-lhe-ia outra coisa, e o termo que usasse para descrever a gaita do bife que almoçou levaria mais tempo a ser descodificado que o bife, lui même, a ser comido. Estava a meio da fritura do bife (um crítico diria que estava a envolver o bife nos calores oriundos do fundo da sertã - que não, frigideira deve ser um termo desactualizado), quando descobri que me esquecera de trazer o pão da padaria. É muito triste um tipo chegar a estas conclusões quando já tem as natas no ponto. É por estas e por outras que a minha cozinha não consta do Guia Michelin embora eu não duvide que os compradores de pão dos restaurantes da moda sejam tipos muito conscenciosos. Para mim, não ter pão a uma refeição, mesmo que o não coma, é uma tragédia. Para um crítico seria uma benção. Abre mundos maravilhosos para os termos franceses, outra moda que me irrita de sobremaneira. Almocei, sem saber, é certo um "Steak Rôti à l'absence du pain aux champignons" o que só me fica bem.O que me vale é que o cliente médio de um restaurante português diria apenas "Fosga-se, não há pão?"
Pequeno glossário de crítica gastronómica:
Serviçal: Pessoa amável e coradinha que serve no espaço de restauração alvo da crítica. Se o serviço não for do agrado do crítico, o serviçal será despromovido a "empregado". Os serviçais nunca têm direito a ver mencionados os seus nomes nos textos das críticas gastronómicas, nem que tenham uma performance profissional absolutamente excepcional. Em compensação, fica muito bem ao crítico dizer que a Dona Rosinha gere os seus domínios (a cozinha, para leigos) com maestria e nível incomum. Na maioria dos casos a Dona Rosinha, proprietária do restaurante, não põe os pés na cozinha (porque isso lhe engordura o cabelo) deixando o serviço a uma loura oriunda de Kiev cujo nome termina em ov.
Cristalaria: Recipiente de vidro onde os críticos bebem. O comum mortal bebe por um copo (os críticos também, mas é muito bem usar termos que deixem o leitor a pensar que estão acima do comum dos mortais).
Degustação: Os críticos gastronómicos nunca comem, degustam. Não confundir com gostar, que é um termo que um crítico tem imensa dificuldade em usar. A grande diferença entre degustar e comer é que isso permite que o leitor pense que um cliente típico de um restaurante consiga comer dezasseis entradas, três pratos de peixe, cinco de carne (um dos quais estará SEMPRE intragável porque esteve demasiado tempo ao lume, mesmo que o escriba não sonhe sequer quanto tempo é que aquela gaita esteve de facto ao calor...) e depois de ainda depenicar oito sobremesas ainda escrever três colunas de texto sobre a refeição.
Isenção: Primeiro dever de um crítico gastronómico. A prova dessa isenção é conhecida, mesmo depois de ter debitado textos eloquentes sobre as dezanove marcas de vinhos que fez descer pelo esófago, está para nascer o primeiro crítico gastronómico que nomeie a marca de café que ingeriu (já deveria saber que um crítico não bebe...) no final da dura tarefa da crítica.
Pequeno glossário de crítica gastronómica:
Serviçal: Pessoa amável e coradinha que serve no espaço de restauração alvo da crítica. Se o serviço não for do agrado do crítico, o serviçal será despromovido a "empregado". Os serviçais nunca têm direito a ver mencionados os seus nomes nos textos das críticas gastronómicas, nem que tenham uma performance profissional absolutamente excepcional. Em compensação, fica muito bem ao crítico dizer que a Dona Rosinha gere os seus domínios (a cozinha, para leigos) com maestria e nível incomum. Na maioria dos casos a Dona Rosinha, proprietária do restaurante, não põe os pés na cozinha (porque isso lhe engordura o cabelo) deixando o serviço a uma loura oriunda de Kiev cujo nome termina em ov.
Cristalaria: Recipiente de vidro onde os críticos bebem. O comum mortal bebe por um copo (os críticos também, mas é muito bem usar termos que deixem o leitor a pensar que estão acima do comum dos mortais).
Degustação: Os críticos gastronómicos nunca comem, degustam. Não confundir com gostar, que é um termo que um crítico tem imensa dificuldade em usar. A grande diferença entre degustar e comer é que isso permite que o leitor pense que um cliente típico de um restaurante consiga comer dezasseis entradas, três pratos de peixe, cinco de carne (um dos quais estará SEMPRE intragável porque esteve demasiado tempo ao lume, mesmo que o escriba não sonhe sequer quanto tempo é que aquela gaita esteve de facto ao calor...) e depois de ainda depenicar oito sobremesas ainda escrever três colunas de texto sobre a refeição.
Isenção: Primeiro dever de um crítico gastronómico. A prova dessa isenção é conhecida, mesmo depois de ter debitado textos eloquentes sobre as dezanove marcas de vinhos que fez descer pelo esófago, está para nascer o primeiro crítico gastronómico que nomeie a marca de café que ingeriu (já deveria saber que um crítico não bebe...) no final da dura tarefa da crítica.
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02 julho 2006
Argyope
O macho da aranha Argyope é centenas de vezes mais pequeno que a fêmea da mesma espécie. Cuidadosamente, antes do acasalamento, o macho prova as patas dianteiras da fêmea, pois, se a mesma for virgem haverá menos hipóteses de esta o devorar. O que tem a sua graça contraditória...
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The Gipsy King complex
Sabemos que estamos com um sério problema de imagem quando visitamos uma feira e temos de aguardar junto a uma banca, os clientes nos começam o perguntar o preço das T-Shirts contrafeitas.
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01 julho 2006
Do we?

O Independent coloca hoje aos seus leitores vinte questões sobre o Mundial de Futebol, sendo que uma delas é "Do we like the portuguese?". O editor parece ter notórias dificuldades para responder, e acaba por concluir que a resposta é sim "porque não são espanhóis".
Actualização: Já têm mais uma razão...
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We can dance if we want to...

Se o leitor tem quarenta anos ou mais, se nomes de cantores ou bandas como Musical Youth (Pass the Dutchie), Kim Carnes, Vapors (I think I am turning japanese), Travelling Willburys, The Proclaimers (I'm gonna be 500 miles), Communards, The Christians, Bangles, Talking Heads, Stranglers, Pretenders, Murray Head, Midnight Oil, Men without hats, Indeep, Juan Luis Guerra, John Parr, Danzig, Edie Brickel, Dead or Alive, Europa, Alphaville, Clannad e muitos, mas mesmo muitos outros lhe provocam comichões e vontade de vestir camisas ridículas e fatinhos brancos ESTÀ A TEMPO DE PARAR e fechar o seu browser. Clicar no link que está escondido aqui debaixo vai dar-lhe acesso gratuito ao maior acervo de videoclips dos anos 80 que já me foi dado observar. Você foi avisado, depois não se venha queixar que ficou a noite toda agarrado ao computador! (O facto de serem quatro e vinte da matina deve ter alguma coisa a ver com este aviso...)
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