Imagem enviada por Ricardo Antunes
31 março 2011
28 março 2011
27 março 2011
É parva, mas ri-me...
Num frio dia de inverno, chega Joaquim no armazém do seu compadre Manuel. "Manuel, quero uma dessas bolsas de borracha que se põe água quente dentro para aquecer e manter os pés quentinhos".
"- Que azar, Joaquim; hoje de manhã vendi o último saco de água quente à Dona Maria."
"- Mas está um frio de rachar, pá! O que é que eu faço com esse frio do diabo que faz à noite?
"- Calma, posso emprestar-te o meu gato...".
"- O teu gato?"
"- O meu gato é gordinho, colocas o bichinho aos pés da cama quando te fores deitar , e vais ver como ele vai te aquece a noite toda... Na próxima terça-feira chegam mais sacos de água quente, vens cá buscar um e trazes-me o gato de volta..."
Joaquim pega o gato e vai pra casa.
No dia seguinte, volta, mas com a cara toda coberta de adesivos, desfigurado, coberto de arranhões.
"- Manuel, vim devolver esse gato do diabo. Olha o que ele me fez!
"- Mas como?? O que aconteceu?? Ele é tão mansinho!!"
"- Manso? Manso o caraças, pá!"
O funil no cu ele ainda aguentou, mas quando comecei a deitar a água quente...
"- Que azar, Joaquim; hoje de manhã vendi o último saco de água quente à Dona Maria."
"- Mas está um frio de rachar, pá! O que é que eu faço com esse frio do diabo que faz à noite?
"- Calma, posso emprestar-te o meu gato...".
"- O teu gato?"
"- O meu gato é gordinho, colocas o bichinho aos pés da cama quando te fores deitar , e vais ver como ele vai te aquece a noite toda... Na próxima terça-feira chegam mais sacos de água quente, vens cá buscar um e trazes-me o gato de volta..."
Joaquim pega o gato e vai pra casa.
No dia seguinte, volta, mas com a cara toda coberta de adesivos, desfigurado, coberto de arranhões.
"- Manuel, vim devolver esse gato do diabo. Olha o que ele me fez!
"- Mas como?? O que aconteceu?? Ele é tão mansinho!!"
"- Manso? Manso o caraças, pá!"
O funil no cu ele ainda aguentou, mas quando comecei a deitar a água quente...
26 março 2011
Vais fardar-te, Zé?
Uma corrida em Vila Franca, dia aziago, má fortuna e um segundo ajuda que fraco fora. Que lá não estava quando foi precisa a função. Houve homens pelo ar, coisa comum em Vila Franca e nem sempre apenas dentro das tábuas da praça, o forcado da cara sem arte para se encaixar na cara do touro e ele ali à mercê dos cornos, enrolado no chão como um bicho de conta, à reboleta disseram-lhe mais tarde na enfermaria quando recuperou os sentidos, uns mais que os outros porque as dores eram bastas, mais bastas que os cheiros ao sangue de touro e forcado, confessou-me agora entre dois tragos de algo que levemente se assemelhava a vinho e com palavras mais simples que estas. Teve sorte. Teve a sorte de não ter mais rasgões na carne que na jaqueta. Uma pisadela do touro, a dor excruciante, teve sorte, diz ele. Quinze dias de hospital a ver a vida megera a andar para trás, o negrume na perna a subir, a subir, negro como carvão, como uma pedra de carvão, confessou-me ele ao fim do quarto copo, sem que eu me importasse já com a qualidade do néctar.
Quiseram todos os sete cortar-me a perna. Quem?, perguntei eu já um pouco toldado e tão perdido como uma vaca choca. Os médicos, pá! Sete especialistas, sete, todos a dizerem-me que a perna estava podre, perdida. "Rezei. Rezei bastante e Nossa Senhora (ou alguém por ela que pode perfeitamente nestas coisas subestabelecer-se o poder miraculoso), trouxe-me um anjo. Pensei que fora do vinho, mas não, respirei fundo e fiquei ali à espera do resto do drama. Três meses, pá! Três meses que aquele homem a quem chamavam o Pimpão, curandeiro de fama e que bem podia ser Doutor, me tratou. Recuperei também eu os sentidos, Respirei fundo e aguentei sereno a investida, sim, que os narradores, tal como os homens, não são de ferro. Não estou a perceber. Como é que ele te salvou? Não sei, sei que durante três meses ele usou uma tigela de banha. Ia perguntar "Uma tigela?" mas não tive tempo, já o touro investia e não havia tempo senão de me confiar à Virgem del Rocio. Sim, ele barrava-me a ferida, mais funda que este maço de tabaco. E se aquilo cheirava mal! A ferida? perguntei eu a medo, sentindo já o bafo do animal. Não, pá! A banha. Três meses. E depois de me tratar com aquilo, vinha uma velha e com um ramo de salsa e fazia uma reza. Interessei-me pela terapia. Definitivamente. Não sabia pormenores, o que sai deste episódio de ambulatório é que o negrume diminuía. De dia para dia, pá! E eu a sentir-me melhor e o cabo do grupo a dizer-me "Zé, daqui a uns dias vamos pegar em Las Ventas e tu não podes pegar…".
Prometi-lhe cem contos, e olha que isto foi no tempo em que cem contos era dinheiro! "Ponha-me bom. Ponha-me bom e arranjo-lhe os cem contos e dois convites para a corrida". Pimpão perdeu a corrida, não a de Las Ventas mas a do contra-relógio. Não podes ir pegar assim. Que não, que tinha de ser. Tenho a namorada nas bancadas. Houve ali dias de farpa. O senhor enrola-me a perna bem enrolada, eu sinto-me melhor, eu vou à cara! "Vais fardar-te, Zé?" Foi. O Miura embolado partiu cedo, cedo demais, o segundo ajuda aos costumes não estava pronto, levou pelos vistos uma tareia de touro, ali no chão outra vez enrolado como um bicho de conta. A perna haveria de ficar ali num bloco operatório espanhol, rota como a esperança da glória em praça. Ela era linda. Haveria mais tarde de casar com outra que me deu um filho também forcado. E hoje quando o coxo, em pleno largo da aldeia perguntou ao filho "Vais fardar-te, filho?" os olhos brilhavam-lhe mais que o alumínio das muletas. Das ortopédicas. Mas podiam ser das outras que acompanham o estoque.
Quiseram todos os sete cortar-me a perna. Quem?, perguntei eu já um pouco toldado e tão perdido como uma vaca choca. Os médicos, pá! Sete especialistas, sete, todos a dizerem-me que a perna estava podre, perdida. "Rezei. Rezei bastante e Nossa Senhora (ou alguém por ela que pode perfeitamente nestas coisas subestabelecer-se o poder miraculoso), trouxe-me um anjo. Pensei que fora do vinho, mas não, respirei fundo e fiquei ali à espera do resto do drama. Três meses, pá! Três meses que aquele homem a quem chamavam o Pimpão, curandeiro de fama e que bem podia ser Doutor, me tratou. Recuperei também eu os sentidos, Respirei fundo e aguentei sereno a investida, sim, que os narradores, tal como os homens, não são de ferro. Não estou a perceber. Como é que ele te salvou? Não sei, sei que durante três meses ele usou uma tigela de banha. Ia perguntar "Uma tigela?" mas não tive tempo, já o touro investia e não havia tempo senão de me confiar à Virgem del Rocio. Sim, ele barrava-me a ferida, mais funda que este maço de tabaco. E se aquilo cheirava mal! A ferida? perguntei eu a medo, sentindo já o bafo do animal. Não, pá! A banha. Três meses. E depois de me tratar com aquilo, vinha uma velha e com um ramo de salsa e fazia uma reza. Interessei-me pela terapia. Definitivamente. Não sabia pormenores, o que sai deste episódio de ambulatório é que o negrume diminuía. De dia para dia, pá! E eu a sentir-me melhor e o cabo do grupo a dizer-me "Zé, daqui a uns dias vamos pegar em Las Ventas e tu não podes pegar…".
Prometi-lhe cem contos, e olha que isto foi no tempo em que cem contos era dinheiro! "Ponha-me bom. Ponha-me bom e arranjo-lhe os cem contos e dois convites para a corrida". Pimpão perdeu a corrida, não a de Las Ventas mas a do contra-relógio. Não podes ir pegar assim. Que não, que tinha de ser. Tenho a namorada nas bancadas. Houve ali dias de farpa. O senhor enrola-me a perna bem enrolada, eu sinto-me melhor, eu vou à cara! "Vais fardar-te, Zé?" Foi. O Miura embolado partiu cedo, cedo demais, o segundo ajuda aos costumes não estava pronto, levou pelos vistos uma tareia de touro, ali no chão outra vez enrolado como um bicho de conta. A perna haveria de ficar ali num bloco operatório espanhol, rota como a esperança da glória em praça. Ela era linda. Haveria mais tarde de casar com outra que me deu um filho também forcado. E hoje quando o coxo, em pleno largo da aldeia perguntou ao filho "Vais fardar-te, filho?" os olhos brilhavam-lhe mais que o alumínio das muletas. Das ortopédicas. Mas podiam ser das outras que acompanham o estoque.
25 março 2011
22 março 2011
21 março 2011
O intruso

O leitor Ricardo Galope detectou um intruso no grupo de equipas de futebol que disputa a Segunda Divisão, Zona Sul. A Bola Online. Tenho de avisar o António Boronha...
Alerta de blog
De quando em vez os jornais dão eco deste homem, um português que tem por profissão ser embaixador. Li dele algumas respostas tão fulminantes quanto inteligentes, a última das quais a colocar nos eixos esse imbecil brasileiro que dá pelo nome de Políbio Braga. (quem não conhece a história do meu desamor por Políbio Braga pode começar por aqui, depois aqui e só depois ali.). Francisco Seixas da Costa é actualmente Embaixador de Portugal em Paris e pela mão de João Vasconcelos Costa, descobri-lhe um blog que passou a constar das minhas leituras periódicas. E nele já descobri histórias deliciosas.
20 março 2011
18 março 2011
Pedro, o Evangelista
Está no código genético da minha profissão, o facto de fazer parte integrante da mesma uma altíssima quota de Evangelização dos possíveis consumidores sobre os produtos que ajudo a vender. Nem em todas as profissões isso é cómodo, por vezes em algumas é quase uma violação de consciência e regozijo-me mesmo de não ser esta a situação. Poucas vezes me senti desconfortável em "espalhar a palavra" mesmo quando já sabes de cor os monólogos do teu argumentário. Mas ontem estremeci. Quando peguei numa folha de jornal ilustrada por uma mini-fotografia de péssima resolução e levei dois dedos à imagem no intuito de lhe fazer um zoom para a ver melhor. Soaram as campaínhas de alerta, Suspirei e pousei a folha. Algo se modificou dentro de mim e eu não tenho consciência de ter autorizado.
17 março 2011
Das palavras homófonas
Foto por Gonçalo Pereira. Diz-se de ou palavra que se pronuncia da mesma forma, apesar de escritas de forma diferente. Como "Acordam" e "Acórdão".
16 março 2011
A menina do Rádio
Não sei que idade ela tinha. Não sou bom a adivinhar, nem tento, que os resultados são quase sempre desastrosos. Tinha os cabelos brancos a espreitar por debaixo de um louro falso e interessou-se por mim ou pelo que eu fazia nas lides com uma dock de iPhone. Perguntou-me, enquanto eu apertava as goelas ao som de Linkin Park (Burning in the skies), algo que eu não percebi. Rodei o botão, diminuindo a torrente sonora e disse-lhe que não tinha entendido o que me fora questionado. "Essas coisas", disse ela. "Essas coisas também tocam outras músicas, não tocam?". Sorri, condescendente. Da minha Playlist discorri um faduncho. O do Estudante. Ela sorriu. Sorriu muito enquanto ecoava um glorioso "Ahhhh!" de satisfação. E falou. Falou muito. De um rádio enorme (com botões grandes) que lá tinha em casa. Que todos tivemos em casa. "Daqueles que é preciso esperar um bocadinho, sabe?". Sei. E lembrei-lhe António Silva e da onda que bate na lâmpada e recua. Trecho que ela sabia até melhor do que eu. Rimo-nos. Rimo-nos enquanto repetíamos o diálogo encenado de trejeitos do actor original. Mãos, muitas mãos. E risos, que é sempre importante. Despedi-me dela com um abraço. Há dias assim, em que tudo está negro mas de quando em vez rompe um raio de sol.
15 março 2011
Vê-se e não se quer crer...
Durante toda a manhã de ontem os portugueses foram autenticamente bombardeados com informações sobre um projecto governamental de redução da taxa de IVA para o Golfe. Todos? Não! Uma pequena aldeia gaulesa ali para os lados da Marechal Gomes da Costa não sabe bem a diferença entre Golfe e Golf.
O caçador de pérolas

Psssst! Aquele bonequinho verde é o logótipo de "outro" sistema operativo. Capisce? Primeira página do Catálogo Worten Mobile do mês de Março.
14 março 2011
13 março 2011
José Mourinho
Por razões que por agora para aqui não são chamadas fui confrontado com a necessidade de visualizar um generoso conjunto de peças de video com declarações de diversos empregados do Chelsea F.C. de jogadores a managers, passando pelo CEO. Nunca tinha visto um conjunto de declarações tão afinadas pelo mesmo tema: Mourinho, é um Deus. Ponto final. E se isso não surpreende vindo de jogadores como Drogba ou Lampard, é absolutamente comovente perceber a emoção com que um Administrador de um clube fala de um seu subordinado. Fiquei com a sensação de que qualquer uma destas pessoas faria o que fosse possível para ter Mourinho de novo como seu chefe. Qualquer uma. E perceber isto de um CEO, é obra.
11 março 2011
10 março 2011
09 março 2011
05 março 2011
Assumindo
A suspeita de que o responsável da Protecção Civil tenha desviado fundos poderá muito bem tê-lo deixado em estado de cheque.
03 março 2011
O caçador de pérolas
..."Aconselha-mos a visualização do seguinte vídeo para melhor entenderem o valor do nosso evento"
01 março 2011
O caçador de pérolas

Todos, mas mesmo todos, devem concorrer. Principalmente porque se trata do ÚNICO Optimus San Francisco do mundo que corre iOs, o sistema operativo do iPhone... Pérola caçada por Henrique Macedo
Verde Rubro
O próximo Benfica x Sporting, uma das meias-finais da Taça da Liga, jogo que será transmitido pela SIC na próxima Quarta-Feira, contará, como habitualmente, com uma vasta equipa de profissionais e mais um elemento que nunca esteve neste tipo de andanças, aqui o mocinho.
Ahn? Por esta não esperavam vocês! E o que é que lá estarei a fazer? Pois bem, vou levar à SIC Online e à emissão, um conjunto de apreciações e relatos do que se for passando nas redes sociais a respeito deste sempre apaixonante jogo e sobretudo levar ao Twitter e ao Facebook alguns aspectos laterais do encontro que raramente encontram ecos e relatos numa transmissão televisiva. Directamente do coração do Estádio da Luz, um conjunto de apontamentos que, se bem conheço a minha plateia Twitter, não deixará de ter retorno ao nível da interactividade, numa intervenção que começará bem cedo e se prolongará por quase todo o dia, até ao rescaldo do encontro.
Para tal, siga no Twitter a conta @pedroaniceto ou no site da SIC, onde os comentários e análises, videos e fotografias estarão englobadas na "hashtag" #tliga.
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