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05 novembro 2012

A origem das expressões (Salvo pelo gongo)

Fulano foi salvo pelo gongo" é uma expressão que muitas vezes associamos a combates de boxe, onde a indicação do final do round (ou assalto) é indicada pelo toque de um gongo. A expressão contudo não tem origem nesta imagem, a de alguém que vê interrompido um ataque ou um problema pelo toque metálico do instrumento. A sua origem, crê-se estar nos tempos medievais ingleses, onde os funerais eram executados em caixões reutilizáveis. Muitas das vezes, os supostos mortos não o estavam e era frequente encontrarem-se caixões com marcas e arranhões, de pessoas sepultadas ainda vivas. Tal facto levou a que fosse amarrado ao pulso do "defunto" um fio ligado a uma campainha, que, à superfície, se fosse accionada, se fazia ouvir, permitindo salvar o infeliz enterrado. Da expressão "Saved by the bell" veio então o "Salvo pelo gongo".

07 fevereiro 2011

(Charivari) A origem das expressões

"Charivari", uma expressão incomum nos usos e tempos modernos perdura ainda na memória dos mais antigos ou eruditos. "Fazer um enorme charivari" significa produzir algazarra, barulho ou manifestação tumultuosa. Longe de ser uma invenção onomatopaica, a palavra charivari (que consta dos dicionários actuais da língua portuguesa), deriva directamente do latim caribaria (dor de cabeça) e tem uma forte raiz social em manifestações populares de desagrado onde, inclusivamente, os alvos de desagrado eram humilhados publicamente nessas manifestações. Esses gestos de desagrado com alguém ou com alguma situação estão documentadas desde a época medieval, mas foi em França que se popularizaram como manifestações sociais em casamentos em que os membros possuiam idades consideradas demasiado diferenciadas. O uso estendeu-se à América do Norte onde a corruptela de charivari passou a ser o topónimo shivaree, para a condenação de adultério ou de outros actos socialmente menos aceitáveis e como manifestação de censura. O charivari passa na sua essência por uma manifestação ruidosa de cânticos ou percussões desalinhadas com objectos de metal.

22 julho 2010

(Serrar presunto) A origem das expressões

Diz-se que alguém está "a serrar presunto" quando um assunto está demorado ou se torna repetitivo e chato, por exemplo numa conversa que parece não ter uma conclusão à vista. A expressão, que só será desconhecida de um ponto de vista prático por quem nunca tenha efectivamente tentado serrar um presunto, deriva da tarefa propriamente dita que se torna verdadeiramente maçadora e parece nunca mais ter fim. Os dentes da serra, por acção da gordura da carne, embotam e não produzem o rendimento esperado. Embotar os dentes da serra será porventura exagero meu, mas as fibras gordurosas que se acumulam por entre os dentes da serra não são expelidos para o exterior da peça (como estamos habituados a verificar que acontece no acto normal de serrar algo sólido) e não permitem a progressão da lâmina no corte, tornando a tarefa muito mais lenta do que seria de prever.

24 junho 2010

(Santa Engrácia) A origem das expressões

"Isso demora tanto tempo que parece uma obra de Santa Engrácia" é a expressão tipicamente utilizada em Portugal para designar uma tarefa ou empreendimento cuja conclusão se arrasta no tempo sem dar sinais de algum dia vir a ser completada. Santa Engrácia dá nome a uma igreja (já desaparecida), cuja localização em Lisboa estava construída no exacto local onde hoje está edificado o Panteão Nacional. Esta igreja, que foi construída por decisão da Infanta D.Maria, filha de D.Manuel I, veio mais tarde a ser fortemente danificada por um temporal, que motivou a sua completa reconstrução. A primeira pedra do actual edifício de estilo Barroco que alberga o Panteão, foi colocada em 1682, mas as obras demoraram tanto tempo que o edifício só viria a ser terminado em 1966, dando origem à expressão "Obras de Santa Engrácia".

03 junho 2010

A origem das expressões

Diz-se de alguém que executa uma mesura, reverência ou vénia exagerada que pratica um salamaleque. A origem desta palavra portuguesa, perfeitamente integrada na língua é de origem árabe. A expressão "Salam Aleikum" (a paz esteja contigo), que é nos costumes árabes acompanhada de uma vénia de saudação ao interlocutor é genericamente aceite como base para a adaptação ao português.

28 abril 2010

A origem das expressões

"Muita merda!", é uma expressão bastante conhecida dos meios artísticos que é utilizada como forma de expressar sucesso e felicidade a um profissional de espectáculo. Diz-se mesmo que é mau hábito desejar "sorte", por ter efeito contrário ao pretendido. Apesar de existirem várias versões para a origem desta expressão, a mais encontrada nas minhas referências prende-se com o facto de nos Séculos XVI e XVII a maioria dos frequentadores de salas de espectáculo pertencer a uma classe social que se deslocava em carruagens puxadas por cavalos. De facto, parece razoável pensar-se que quanto maior fosse a assistência, mais carruagens circulariam na rua do teatro, gerando assim uma maior quantidade de excrementos de animal nas ruas. Uma maior assistência proporcionaria aos actores maiores receitas, sendo assim instituído o hábito de desejar "Muita merda" a um artista que se prepare para entrar em cena.

03 abril 2010

A origem das expressões

"É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha que um rico entre no Reino dos Céus". Esta frase, bíblica, mais concretamente constante do Novo Testamento (Livro de S.Mateus), não é mais do que um clamoroso erro de tradução que foi efectuado por São Jerónimo e que redunda numa frase sem qualquer sentido, pois este interpretou a palavra original "Kamelo" como o animal cuja palavra é homófona, quando na verdade, "Kamelo" no original grego é um cabo grosso com que se amarram os barcos ao cais.

06 março 2010

A origem das expressões

Diz-se que alguém "fez o diabo a quatro" quando produziu uma grande quantidade de tropelias ou provocou inúmeros desacatos de vária ordem. A expressão provém da época medieval francesa e do termo "faire le diable à quatre", onde em espectáculos teatrais existia um número comum, uma cena onde entravam em palco o Diabo Lúcifer e e três diabos, seus lugar-tenente, provocando enorme algazarra e provocando enorme confusão. Há ainda resquícios desta encenação nos espectáculos portugueses de "Robertos" onde a figura do Diabo é muitas vezes presente com o fito de espalhar a desordem. "Ter o diabo no corpo" é uma expressão similar e induz a mesmíssima ideia de confusão e desordem.

14 fevereiro 2010

A origem das expressões

"Tens ouvidos de tísico" diz-se de alguém que é capaz de escutar algo que julgávamos que não fosse possível ou capaz. A tísica é uma doença que teve em Portugal uma forte percentagem de incidência na década de 30, não é mais do que aquela que hoje conhecemos como tuberculose. A forma de tuberculose mais mortífera é a tuberculose pulmonar e os doentes atingidos por esta tornam-se especialmente sensíveis a sons, aumentando a sua capacidade auditiva a níveis muito acima da média. É exactamente por isso que se usa a expressão "ouvidos de tísico", ou seja, alguém que sofra de tuberculose.

08 fevereiro 2010

A origem das expressões

Pede-me o leitor Carlos Dias que lavre um "A origem das expressões" muito específico. No caso o leitor pretende saber a origem da composição "Doutor da mula ruça". Esta expressão. usada regularmente em Portugal, é dirigida em tom sarcástico e pejorativo às qualificações académicas do visado. Tem exactamente a mesma carga irónica da popular expressão "Engenheiro de obras feitas", desqualificando as habilitações de um profissional. Verdadeiramente saboroso e não menos sarcástico é que o "Doutor da mula ruça" existiu na realidade. Em 1534, o livro da Chancelaria de El Rei D.João III refere explicitamente a sua existência. António Lopes, que exercia medicina na cidade de Évora, cidade onde aliás D. João era visita frequente, terá alegadamente estudado medicina em Alcalá de Henares de onde transitou para Portugal. Sem conseguir exibir uma prova factual do respectivo curso, era frequentemente contestado pelos então denominados físicos diplomados que o tentavam desacreditar profissionalmente. Dirigiu então António Lopes uma petição ao Rei, pedindo-lhe que o seu médico principal pudesse testar os seus conhecimentos de ciência médica, facto que terá efectivamente ocorrido segundo o extracto do livro da Chancelaria que mencionei há pouco:

"Dom Joham 3º a quantos esta minha carta virem faço saber que o doutor António Lopes, físico de Évora, me apresentou ua carta do doutor Diogo Lopes, meu físico moor, de que o theor de verbo é o seguinte: O doutor Diogo Lopes, comendador da Ordem de Christo e físico moor del Rey Nosso senhor em seus regnos e senhorios, faço saber a quantos esta minha carta de doutorado virem como por António Lopes, físico da mula ruça, morador em esta Évora, me foy apresentado hum allvará dellRey nosso senhor, por sua alteza assygnado e passado per sua chancelaria do qual o trellado he o seguinte: Eu ell Rey faço saber a vós Doutor Diogo Lopes seu fisico moor, que António Lopes, físico da mula ruça, morador en esta cidade, me dice por sua petiçam que elle estudou nove ou dez annos no estudo de Alcala de Henares."

A origem das expressões

"Aquele empreendimento veio a revelar-se um verdadeiro elefante branco da Economia". A expressão "elefante branco" é aplicada quando se quer designar algo (normalmente um bem imóvel) cujo custo de manutenção é avultado para o seu proprietário. A expressão tem como origem o hábito dos Marajás indianos, presentearem súbditos ou altas entidades estrangeiras com um exemplar do alvo paquiderme. Os elefantes de cor branca, raros e distintos na fauna, tinham a particularidade de não serem animais de trabalho, caça ou de uso militar, o que obrigava o ofertado a praticamente só tirar dele algum deleite visual e nenhum proveito, cabendo-lhe os custos de alimentação e a obrigatoriedade de lhes providenciarem meio de subsistência e abrigo. Em muitas destas situações, proibido de utilizar um elefante branco como instrumento de produção e na impossibilidade teórica de se ver livre do presente envenenado, o infeliz ofertado acabava por se arruinar com os custos oriundos da posse do animal.

01 fevereiro 2010

A origem das expressões

"Despedir-se à francesa" ou "Sair à francesa" é uma expressão usada pelos portugueses para descrever uma ou mais pessoas que abandona um local sem se despedir ou fazer anúncio da intenção de abandono do local. Esta forma de proceder foi mesmo instituída entre a alta sociedade francesa do século XVIII, sendo inclusivamente considerada de má educação saudar alguém na despedida e o hábito denominava-se "sans adieu". Em Espanha, a expressão existe, tal como em Portugal e designa-se "Despedir-se a la francesa". Também é usual a expressão "Sair sem dizer água vai", mas a origem desta, apesar de pretender figurar a mesma ideia, provém da falta de aviso para uma intenção. Na falta de saneamento básico nas cidades europeias, onde os despejos sanitários eram efectuados directamente das janelas para as ruas, era hábito gritar-se aos transeuntes a frase "Água vai!" antes de despejar os recipientes, por forma a evitar atingir involuntariamente quem passava debaixo das janelas.

26 janeiro 2010

A origem das expressões

Fazer "morder o pó", expressão que tem por significado a derrota ou a humilhação de alguém a que a tal seja obrigado, não é uma expressão de origem portuguesa. Provém de um costume medieval saxónico em que o cavaleiro, quando se sentia mortalmente ferido em combate ou em justa, tomava por sua mão um punhado de terra que mordia por sua própria boca. Era assim um ritual de despedida da terra em que vivera e pela qual fora sustentado e que o mesmo sentia ou figurava nela ir repousar.

18 janeiro 2010

A origem das expressões

"Vira-casacas" é por norma o apodo popular que designa aquele que muda de opinião segundo a conveniência momentânea. A origem desta peculiar expressão é originária da estratégia militar do século XVII onde era comum que em campanha, os soldados virassem a casaca envergada do avesso para que a cor do uniforme (por norma bem claro e de uma só cor de casaca) não fosse reconhecido ou causasse dúvida, permitindo alguma vantagem e efeito surpresa quando em refrega directa.

06 janeiro 2010

A origem das expressões

"Para inglês ver" é uma expressão portuguesa usada como significante de mostrar algo apenas pela aparência, algo que não se deve levar a sério pois é fabricado ou encenado para uma dada ocasião. Dizem os entendidos que existem várias possibilidades para a origem do dito, uma no Brasil, outra em território na altura sob domínio português (S. Tomé e Príncipe), mas ambas relacionadas com a época final do tráfico de escravos. Quando a Inglaterra promulgou o fim do tráfico esclavagista fez acompanhar a promulgação da lei de algumas directrizes económicas tendentes a embargar o comércio com países que ainda adoptassem a prática. No caso português, a empresa Cadbury, a maior compradora da noz de cacau São Tomense, chegou mesmo a suspender as suas aquisições desta matéria-prima em virtude de nas plantações ser utilizada mão de obra escrava. As inspecções formais da Cadbury, pré-anunciadas, levavam os fazendeiros a encenar o emprego de população não escrava, possivelmente "para inglês ver" com o efeito tranquilizador do comprador assegurar ele mesmo que cumpria os requisitos exigidos. Algumas leis brasileiras emitidas pelo Governo da Regência em 1831, que nunca chegaram a ser levadas à prática, que proibiam "para inglês ver" o tráfico de escravos acabaram por ser letra morta para a realidade económica. Uma segunda lei, datada de 1852 e promulgada pelo Imperador D.Pedro II veio erradicar definitivamente o uso ecnómico da escravatura.

15 dezembro 2009

A origem das expressões

Escreve-me o leitor João Pires, enviando-me uma imagem de uma busca Google, busca que incidia no termo "Dicionário". A peculiaridade da imagem, que a esta hora já os mais argutos leitores lobrigaram, é a expressão "Significado de caralho". Usado vulgarmente no calão da língua portuguesa, a expressão "caralho" assume um carácter extraordinariamente multi-facetado, pois acaba por ser um palavrão genérico utilizado nas mais diversas situações e usos. Todos nós, e não preciso de o exemplificar, conhecemos expressões diversas com o uso da palavra. Dizer "O Reflexões de um cão com pulgas é um blog do caralho" além de ser um exemplo prático desse uso desabrido (e que não deixa de ser verdade) serve-me assim de rampa de lançamento para o significado e origem desta expressão vernacular portuguesa que tanta gente procura, ao ponto de figurar entre as questões mais comuns de dicionários online, bem como de diversos Fora (plural latino de Forum) linguísticos. O termo "caralho" provirá da designação popular dada pela marinharia medieval e subsequente ao cesto da gávea das embarcações portuguesas. O cesto da gávea, situado perto do ponto mais alto do mastro principal de naus e caravelas, local de maior visibilidade a bordo de um navio e ao mesmo tempo um dos mais ingratos postos que um marinheiro poderia ocupar a bordo de uma embarcação. Desprovido de abrigo das inclemências atmosféricas, fossem elas elas sol, chuva, frio ou vento, o lugar tomado no "caralho" era muitíssimas vezes provido de marinheiros em pena disciplinar. "Ir para o caralho", ou tomar posto no cesto da gávea era assim mal visto e pouco pretendido, sinónimo de castigo ou provação. Local de castigo e ao mesmo tempo de enorme responsabilidade, tendo em vista a segurança da embarcação face à aproximação de navios inimigos ou em navegações de descoberta, a possibilidade de avistamento de terra. A expressão ganhou hoje um uso quase universal no que a sentimentos e estados de alma diz respeito. É bem provável que depois deste post a minha reputação no Google, quase imaculada até hoje, tenha ido precisamente para o caralho... (Esta explicação da origem da expressão não é consensual. Se alguns oficiais de Marinha consultados para este efeito me forneceram esta origem, alguns historiadores navais e docentes da matéria náutica não concordam com a mesma).

30 novembro 2009

A origem das expressões

"Enfiaram-te a carapuça" ou mais correntemente "Enfiaram-te um barrete" é uma expressão típica de quem constata que outrém foi ludibriado. Profundamente utilizada na língua portuguesa, esta expressão é também bastas vezes utilizada pelo próprio ao assumir o engano ou a trapaça que sofreu. Os estudiosos parecem estar de acordo quanto à origem popular da mesma. Nos julgamentos da Inquisição portuguesa e espanhola (Nobody expects the Spanish Inquisition!), os acusados compareciam perante os tribunais religiosos vestidos com um poncho (O Sambenito) e um chapéu longo e pontiagudo (em castelhano "carepuza"), sinal para o tribunal da aceitação da culpa perante o Santo Ofício. Este barrete, sinal da "aceitação" da expiação da culpa ou pecado não deixou de transitar durante os tempos para outras formas, sem contudo nunca perder o sentido original. Basta que nos recordemos das tradicionais punições escolares do início do século onde os castigos físicos foram gradualmente sendo substituídos pela humilhação do aluno perante a turma ter muitas vezes de envergar um chapéu cónico. Esta expressão idiomática portuguesa também utiliza de forma comum os sinónimos de carapuça, barrete, gorro ou garruço.

Obrigado ao leitor Nuno Saraiva pela sugestão

A origem das expressões

"Beber uma Imperial" designa o acto de beber um copo de cerveja tirada por sistema de pressão. Embora a expressão seja utilizada sobretudo na área de Lisboa, tem-se generalizado no país com excepção da zona norte, onde a designação é outra (fino). Chamar Imperial a um copo de cerveja de pressão provém do facto de no início do século XX um dos primeiros produtores nacionais dar pelo nome de Fábrica Germânica Imperial, instalação fabril lisboeta na zona da Almirante Reis. Generalizou-se o uso da expressão Imperial para denominar cerveja de pressão em copo pequeno. Com a entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra, foram nacionalizadas as companhias alemãs e a Fábrica Germânica viu alterado o seu nome para Portugália. A fábrica de cerveja com o mesmo nome funcionou em Lisboa no mesmo quarteirão da conhecida cervejaria lisboeta até à sua deslocalização para a localidade de Vialonga. O nome, esse, permaneceu nos hábitos de linguagem.

A origem das expressões

"Foi resvés Campo de Ourique" significa na linguagem comum algo que não aconteceu por muito pouco, à tangente ou muito perto. A origem da expressão é proveniente do terramoto que destruiu parcialmente a cidade de Lisboa em 1755, cuja onda de destruição sísmica não afectou com gravidade a área que hoje ocupa o bairro de Campo de Ourique. Dizer "Foi resvés Campo de Ourique" denota uma expressão de alívio por algo que não nos afectou.

10 novembro 2009

A origem das expressões

"Armar ao pingarelho" é uma expressão utilizada pelos falantes de português para designar alguém que quer atrair sobre si as atenções ou que pretende parecer mais do que realmente é em determinada situação. Expressões portuguesas similares que implicam o uso do verbo armar são também comuns nas expressões "Armar aos cucos", "Armar aos cágados" ou "Armar em carapau de corrida". Na expressão hoje em análise, incide a curiosidade sobre o substantivo "Pingarelho", uma armadilha utilizada para a caça de pássaros. Pingarelho tem sinónimos regionais como "Lousas", "Costelas" ou "Piscócias", todas designativas de armadilhas para aves. O pingarelho é um elemento central da armadilha, composto na maioria dos casos por um arame fino dobrado num nó, que permite que a haste metálica da armadilha, impulsionada por uma mola, cumpra a função de aprisionar mecanicamente a ave a capturar. Esta operação, delicada, pois dela depende o grau de sensibilidade da armadilha, requer que o caçador se esmere e que vá além dos limites de habilidade e paciência.