30 maio 2008

Words of mouth

E já no final de um dia enervado, algo há num diálogo escutado que em lugar de me irritar me embevece. "Continuo a não conseguir fazer aquilo de que falámos" diz ele suavemente. E ela, tão suavemente como podia, respondeu-lhe: "O script? Mas colocámozio ontem online".

29 maio 2008

Tens um hard disk no teu bolso...

Imagem: João Tiago Calviño do Balanço de Brancos

Expressa-te

Macacos me mordam se isto não é uma das coisas mais ternurentas que já vi...

28 maio 2008

Meu querido...

Desculparás se uso este meio para te fazer uma mensagem, mas se foste suficientemente esperto para cá vir uma vez, é provável que voltes, o que é próprio dos curiosos e das más consciências. A mensagem é simples: São quinze dias (15) para se fazer a reposição de bens subtraídos e não vou enumerá-los porque me era fastidioso e porque acabei de o fazer ao Ministério Público (e fartinho de saber do que falo estás tu...). Quinze dias, capisce? Antes de eu fazer seguir os trâmites normais e de te entenderes com um Meretíssimo.

PS: Ficaste lindo nas fotografias e pagarás caro a subtracção de uma das minhas videiras favoritas (ainda estou a pensar no valor patrimonial de uma videira de estimação). Este prazo que agora te concedo não é por mim, é por dois que tendo já partido, se por acaso estiverem a ver este triste espectáculo devem estar a pensar que mal fizeram para te merecer.

Surpreende-me que eu gosto

Não sei se foi a primeira vez que ouvi mas são tão raras as oportunidades que é motivo de festa e celebração quando acontecem. É verdade que a palavra é proferida amiúde mas bastas vezes a despropósito ou fora do seu contexto real. Quando hoje terminei uma reunião cujos objectivos serão, a seu tempo, deveras importantes e praticamente dei por terminada a minha missão de bastidores, a palavra soou e aqueceu-me a alma. "Obrigado" disse ele e por uma vez saí daquela sala de alma cheia e contente.

E é assim


Se um dia eu tiver de enlouquecer e andar por aí, que já ando por aí só que ainda não tenho a absoluta certeza de ter enlouquecido, queria ser um louco simpático a quem as pessoas não quisessem nem fizessem mal. Que se rissem de mim mas me acarinhassem, que me convidassem para um copo e me orientassem em direcção a casa. Que as velhinhas me fizessem uma festa na cara como me fazia uma tia minha que já não me ouve nem conhece. Queria ser, caso pudesse escolher, um louco feliz. Não é pedir muito. Vá lá.

Liqui, quê?

Roubado no Escrevo porque sim

Foi um gás que lhe deu

A zona residencial onde me escravizo a pagar IMI vai mudar o tipo de gás que é abastecido aos fogos. De butano por via de um depósito centralizado passaremos ao gás natural, coisa que obriga a uma série de requisitos técnicos como devereis saber ao nível dos bicos e dos queimadores. Foi-me marcada um "levantamento de necessidades" para a tarde de ontem, coisa que se me varreu por completo. Fiquei naturalmente chateado comigo mesmo, mas nada que se não desvanecesse quando hoje de manhã percebi que oitenta por cento da vizinhança nem sonha sequer com a data da mudança do tipo de gás. A verdade, verdadinha é que com o mal dos outros posso eu bem e hoje pelas nove da manhã comecei a inquirir a Gásfomento sobre a possibilidade de me marcarem nova visita. Que sim, com certeza, é claro que lhe telefonamos, deixe-me só passar aqui os seus dados à minha colega que tratará do seu assunto. Ligaste-me tu? Claro que não. Acabei de abrir uma carta recepcionada hoje. "Informamos que no dia 4 de Junho o seu fornecimento de gás será interrompido às 8.30" diz o cabeçalho.

Tenho um mau pressentimento sobre isto, mas principalmente sobre a temperatura do meu banho de dia 4...

Words of mouth

E a palavra mais bonita que ouvi hoje (e ainda o dia vai a meio), foi: "TRAUSEENTES". Uma bica para quem adivinhar a palavra que deveria ter sido proferida.

Sanitas

..."O material ser-lhe-á entregue com uma periodicidade quatorzenal." Era assim que rezava a proposta de produtos de limpeza sanitária. As minhas lentes queixaram-se logo e reagiram de espanto. Não conhecia a palavra e as primeiras buscas não revelavam nada de bom para a mesma. Os meus dicionários desconhecem-na, mas diz-me a prática que os meus dicionários nem sempre são reis e senhores nesta matéria. Alguém decidiu interrogar o fornecedor. "De quinze em quinze dias" dizem-me. Eh pá, muito bom, deveras criativo, mas alguém tem alguma coisa contra a expressão "o material ser-lhe-á entregue com uma periodicidade quinzenal"?

27 maio 2008

Diário de Aveiro


Quando deixar mensagens ao seu editor, tome nota dos locais e reveja a matéria...
Imagem via: José Carlos Catarino

5 Euros cor de rosinha

Quando meti os dois dedos dentro do bolso da camisa para tirar de lá de dentro o dinheiro necessário para pagar a matinal portagem da Ponte 25 de Abril, estava longe de imaginar que a nota de 5 Euros a quem coube a sorte de cumprir a função fosse criteriosamente escrutinada pelos olhos, mãos e unhas da portageira de serviço. "Pode facultar-me outro meio de pagamento?". Estive, por breves instantes, à beira de retorquir (um tipo a quem pedem que lhe faculte algo nunca responde, retorque...), mas em vez disso ocorreu-me um singelo "Mas o que é que tem a nota?". "A nota tem uma cor estranha e eu não a aceito." Puxei de outra de valor diferente e paguei. Eu cá não sei a cor de uma nota de cinco euros (e das restantes é melhor nem me lançar a adivinhar...). Só quando cheguei ao escritório e a comparei com outra sua semelhante é que lhe dei razão, eu nunca aceitaria uma nota cor de rosa.

Pois

Hipócrates

Primeiro cortei os M&M porque era demasiado açúcar... Depois cortei com os amendoins porque era demasiada gordura e demasiado sal. Os tremoços quase foram banidos porque eram indigestos e as pevides de abóbora igualavam o sal dos amendoins. Agora, acabei de ver no House que uma dieta rica em sementes de girassol provoca uma subida da B6 que pode provocar impotência. Guardei o pacote das sementes e anotei num Post It "Comprar Maltesers"...

En passant

26 maio 2008

Jô Soares e uma demo de Oh my Bod

Disclaimer: O conteúdo deste link pode ser susceptível de ofender/abalar o leitor pois contém material de cariz explicitamente sexual. Você foi avisado. (Mas não serviu de nada, pois não?)

Install happens

Sabem o que é que sucede quando uma pessoa tem de correr aplicações que só existem para sistemas operativos "Iznogud"? É isto... (Faculdade de Ciências Médicas - Dep.de Saúde Pública)

Foto via: Socialíssimo

Snowflake Demo

Gentileza de Lourenço Medeiros (obrigado Lourenço), que depois de ouvir os testes feitos ao Snowball, usou o seu Snowflake para uma gravação que pode ser escutada aqui.

O Risquinho

Não lhe conheço o nome próprio, é óbvio que o terá mas nunca lho quis saber ou se mo disseram nunca me interessei por ele, pelo nome, é do nome de que falo e nada mais. De alcunha "O Risquinho" é um dos muitos personagens que ajudaram a compor as ilustrações do meu livro de páginas de vida. Conheci-o numa ilha onde estive uma temporada em trabalho na montagem de uma bilheteira de uma sala de espectáculos, e era por mim, sempre por mim por quem ele passava de manhã cedo direito ao seu posto saudando-me com um sotaque ilhéu cerradíssimo que aprendi a admirar e a imitar. "'B'Dia Anicête!" ao qual eu retorquia com um aceno de cabeça e meia dúzia de imprecações por ele me obrigar a interromper a centésima contagem de registos que eu bem tentava levar a bom termo antes que o edifício fosse invadido por dúzias de operários de balde e pá, martelo e um cortejo de latas de tinta que faria inveja a um desfile carnavalesco. E sempre que eu reiniciava a ingrata tarefa de ter um sistema de bilhética afinado, era garantido que o Risquinho, depois de ter pendurado delicadamente o casaco por cima do canhão da lente da sua nova máquina de projectar, "a 'nha menâina", descia a escadaria de basalto polido de anos e me batia com os nós dos dedos no grosso vidro, num toc-toc que me sobressaltava quase sempre. "Vai um risquinhe, Anicête?". Levei três dias a resignar-me à minha sorte, eu já o esperava e restava-me aguardar serenamente o ritual do casaco e do "risquinhe" para continuar a trabalhar tão sossegadamente quanto possível. Talvez nunca ninguém vos tenha explicado que é absolutamente impossível trabalhar descansado numa bilheteira de cinema. Estar ali é como estar num aquário com a diferença de que ninguém pergunta coisas aos peixes e uma bilheteira é o primeiro ponto de um cinema onde quem entra vê alguém, pelo que um tipo rapidamente se especializa em informações de carácter genérico e tenta atender, pacientemente, sempre pacientemente, quem quer que por ali entre, do homem dos gelados à senhora surda que quer saber quando começam a "passar fitas". Ao quarto dia, já livre das minhas obrigações informáticas procurei tradução para aquela pergunta do "risquinhe". Aconselharam-me que o acompanhasse, que acedesse ao convite d'um "risquinhe" para perceber ao que íamos. Tens de ir com ele, diziam-me, só assim te tornas um "irmão" do Risquinho. E fui, recordo que eram nove e meia da manhã de um dia névoa em Ponta Delgada. Virada a esquina, conduziu-me à porta do bar/taberna e ordenou com voz imperativa para dentro do balcão que pretendia "Um risquinhe p'ra mim e outro p'ró Anicête!". O taberneiro, solícito e com um ar absolutamente natural aviou duas canecas monstras de 40 centilitros de verdelho que me iam causando (só pela surpresa) um ataque cardíaco. Foi quando peguei no copo que encontrei a origem da alcunha, o bordo do monstruoso copo era decorado por uma inocente risquinha azul...

Where in the world is Rainer Brockerhoff?

..."Visitamos Barcelos, fomos a Tibães em Braga (espantosamente, fecha para almoço! como pode?), depois assassinamos um leitãozinho na Mealhada, vimos Batalha (um espanto), depois dormimos em Colares. Tudo, infelizmente, com mau tempo.Hoje, felizmente, o tempo melhorou e estamos de volta a Lisboa, amanhã partimos para Hamburgo. Um abraço a todos e obrigado pela acolhida!"

God speed, meus amigos, God speed!