18 julho 2011
17 julho 2011
Down memory lane
Acabei de apreciar uma extensa colecção de autocolantes, propriedade do meu caro amigo Amílcar Messias, onde constam algumas preciosidades tais como esta versão "juvenil" de Cavaco Silva. A seu tempo irei publicando algumas fotos.
16 julho 2011
Um imenso amor azul
(Nova publicação de um original de 2005)
C. mora desde que se conhece, e já se conhece há quase sessenta anos, à sombra do Estádio do Restelo, couto sagrado aos seus olhos e consciência belenense. C. era, nos seus anos mais viçosos um "pardal" de Alcântara, no tempo em que Alcântara mais não era que um imenso quintal dos quintais de Lisboa. Pelas palavras de C. sou levado a montes e valados, quintas e casinhas, pomares e pedreiras, como se tudo não fossem já águas passadas, levadas e lavadas por um Tejo ali a dois passos. Ouvir C. falar dos seus tempos de criança é uma imensa viagem e apesar de o já ter ouvido muitas vezes, nunca se cansa a canseira de o fazer.
"Não sei porque sou belenense, não se explica, aliás Pedro, tu sabes que nessas coisas não se deve insistir, um tipo é o que é e pronto, cada barco tem a sua carreira, a minha parou em Belém e está tudo dito, não é?". Pronto, eu percebo, bebamos mais um copo aqui nesta esplanda em que transformaste a varanda do prédio onde vives e onde estamos. E estamos muitíssimo bem, em frente o azul das bancadas despidas a esta hora (e mesmo durante os jogos, acrescento eu mentalmente, porque não teria coragem de to dizer na cara, embora o saibas e isso te desgaste e desgoste), o relvado a gozar as delícias de uma rega de fim de dia, as balizas ali, brancas e impávidas a recuperar momentos nervosos de um e de outro lado. "Sou sócio desde os 18 anos, mas nunca vi um jogo sentado naquelas bancadas". Não me admiro. Aquela varanda vale por uma tribuna VIP, tem lugares marcados e sítios próprios para as crenças de quem ama o futebol, o vaso que tem de estar ali senão dá "galo", o guarda-sol que é arrumado para que o vizinho do lado possa gozar da vista toda, um conjunto de tradições que o teu filho já segue, ainda que se esqueça de um ou de outro preceito de quando em vez.
"Daqui da rua ao Vale de Alcântara não era propriamente perto, hoje um tipo apanha um eléctrico e está lá em dez minutos, mas antes não era assim...". Eu sei, também fui um viajante pedestre de Lisboa nos tempos em que o dinheiro não era para ser esbanjado em bilhetes de carro eléctrico. "O meu pai era serralheiro na Carris, e era eu que lhe levava o almoço. A minha mãe dava-me a lancheira dele pelas onze e eu ia levar-lha às Oficinas da Carris." Também conheci o ritual, não durante muito tempo é certo, mas também por aí passei.
"Almoçava muitas vezes por lá, eles tinham um autocarro velho que servia de refeitório, tinha mesas e cadeiras, aquilo era giro, era diferente e havia sempre uns mimos e umas buchas que me davam. Quando tocava para pegar ao serviço da parte da tarde, eu arrumava a tralha e vinha por aí fora a corta-mato, depressinha para ir para a escola". "Foi por essa altura que fiz a minha profissão de fé Belenense". Como? Conta lá essa que nunca ouvi.
"Espera, acho que poucas vezes contei isto, mas tu percebes-me com toda a certeza...". "Um dia houve em que os colegas me perguntaram qual era a minha equipa... Aquilo era tudo lagarto e lampião, até o meu pai torcia pelo Atlético, que Deus o tenha em descanso que ao Atlético já pouco falta, ai se ele me ouvisse!". "Eles tinham comprado um melão para a sobremesa, quer dizer, não sei se compraram, mas que ele estava lá, estava, amarelinho a rir-se para mim e se eu me pelava por uma talhada de melão. Percebi logo que tinha que dar a resposta certa, senão não cheirava sequer o melão... Aquilo custou-me muito, Pedro, custou-me muito. Quando o tipo me fez a pergunta eu quase estremeci, ia ter de dizer uma grande mentira. Não era pela mentira, era pela traição, percebes? Logo aquele, o Costa nunca mais me esqueci do nome do gajo, que não gostava do Belenenses nem um bocadinho... Mas enfim, lá fui enrolando, enrolando e acabei por comer o melão sem ter traído a consciência, pensei até que ele se tivesse esquecido.
O problema é que ele não se esqueceu. Estava eu a arrumar as coisas para me vir embora, já eles tinham saído todos do autocarro, quando vi que tinham fechado a porta, e eu ali, aflito para me ir embora, que a minha mãe dizia-me das boas quando me atrasava... Eu bem que a tentei abrir, mas aquilo tinha um fecho pelo lado de fora e as janelas tinham rede... E lá estava ele, encostado à porta a perguntar - Qual é o melhor clube do mundo? Qual é o melhor clube do mundo? E eu nada, nem tugia nem mugia e ele a rir-se, o cabrão, sem parar com a pergunta - Qual é o melhor clube do mundo? Qual é o melhor clube do mundo? e eu sem saber o que fazer. Então, mas como é que resolveste o problema? "Então, lá tive de dizer que era o Benfica, mas disse baixinho para ninguém ouvir..." Como é? Não ouvi nada! Benfica. Mais alto, mais alto que não ouço!" Benficaaaaa!. "Mas fiquei lixado, fiquei mesmo muito chateado, aquilo foi uma violência...! Assim que me apanhei livre, corri para o portão, desatei a fugir pela Junqueira abaixo, direito ao Altinho, sabes onde fica, não sabes, acho que nunca mais quis saber da lancheira e quando entrei nas Salésias, senti assim uma coisa pela espinha abaixo, fui ao meio campo, aquilo já estava um bocado decrépito, já nem tinha balizas nem nada, mas procurei o meio do campo, pus as mãos em concha à volta da boca e gritei o mais alto que pude:
"BELÉÉÉÉÉM! BELÉÉÉÉÉM! BELÉÉÉÉÉM! "
C. mora desde que se conhece, e já se conhece há quase sessenta anos, à sombra do Estádio do Restelo, couto sagrado aos seus olhos e consciência belenense. C. era, nos seus anos mais viçosos um "pardal" de Alcântara, no tempo em que Alcântara mais não era que um imenso quintal dos quintais de Lisboa. Pelas palavras de C. sou levado a montes e valados, quintas e casinhas, pomares e pedreiras, como se tudo não fossem já águas passadas, levadas e lavadas por um Tejo ali a dois passos. Ouvir C. falar dos seus tempos de criança é uma imensa viagem e apesar de o já ter ouvido muitas vezes, nunca se cansa a canseira de o fazer.
"Não sei porque sou belenense, não se explica, aliás Pedro, tu sabes que nessas coisas não se deve insistir, um tipo é o que é e pronto, cada barco tem a sua carreira, a minha parou em Belém e está tudo dito, não é?". Pronto, eu percebo, bebamos mais um copo aqui nesta esplanda em que transformaste a varanda do prédio onde vives e onde estamos. E estamos muitíssimo bem, em frente o azul das bancadas despidas a esta hora (e mesmo durante os jogos, acrescento eu mentalmente, porque não teria coragem de to dizer na cara, embora o saibas e isso te desgaste e desgoste), o relvado a gozar as delícias de uma rega de fim de dia, as balizas ali, brancas e impávidas a recuperar momentos nervosos de um e de outro lado. "Sou sócio desde os 18 anos, mas nunca vi um jogo sentado naquelas bancadas". Não me admiro. Aquela varanda vale por uma tribuna VIP, tem lugares marcados e sítios próprios para as crenças de quem ama o futebol, o vaso que tem de estar ali senão dá "galo", o guarda-sol que é arrumado para que o vizinho do lado possa gozar da vista toda, um conjunto de tradições que o teu filho já segue, ainda que se esqueça de um ou de outro preceito de quando em vez.
"Daqui da rua ao Vale de Alcântara não era propriamente perto, hoje um tipo apanha um eléctrico e está lá em dez minutos, mas antes não era assim...". Eu sei, também fui um viajante pedestre de Lisboa nos tempos em que o dinheiro não era para ser esbanjado em bilhetes de carro eléctrico. "O meu pai era serralheiro na Carris, e era eu que lhe levava o almoço. A minha mãe dava-me a lancheira dele pelas onze e eu ia levar-lha às Oficinas da Carris." Também conheci o ritual, não durante muito tempo é certo, mas também por aí passei.
"Almoçava muitas vezes por lá, eles tinham um autocarro velho que servia de refeitório, tinha mesas e cadeiras, aquilo era giro, era diferente e havia sempre uns mimos e umas buchas que me davam. Quando tocava para pegar ao serviço da parte da tarde, eu arrumava a tralha e vinha por aí fora a corta-mato, depressinha para ir para a escola". "Foi por essa altura que fiz a minha profissão de fé Belenense". Como? Conta lá essa que nunca ouvi.
"Espera, acho que poucas vezes contei isto, mas tu percebes-me com toda a certeza...". "Um dia houve em que os colegas me perguntaram qual era a minha equipa... Aquilo era tudo lagarto e lampião, até o meu pai torcia pelo Atlético, que Deus o tenha em descanso que ao Atlético já pouco falta, ai se ele me ouvisse!". "Eles tinham comprado um melão para a sobremesa, quer dizer, não sei se compraram, mas que ele estava lá, estava, amarelinho a rir-se para mim e se eu me pelava por uma talhada de melão. Percebi logo que tinha que dar a resposta certa, senão não cheirava sequer o melão... Aquilo custou-me muito, Pedro, custou-me muito. Quando o tipo me fez a pergunta eu quase estremeci, ia ter de dizer uma grande mentira. Não era pela mentira, era pela traição, percebes? Logo aquele, o Costa nunca mais me esqueci do nome do gajo, que não gostava do Belenenses nem um bocadinho... Mas enfim, lá fui enrolando, enrolando e acabei por comer o melão sem ter traído a consciência, pensei até que ele se tivesse esquecido.
O problema é que ele não se esqueceu. Estava eu a arrumar as coisas para me vir embora, já eles tinham saído todos do autocarro, quando vi que tinham fechado a porta, e eu ali, aflito para me ir embora, que a minha mãe dizia-me das boas quando me atrasava... Eu bem que a tentei abrir, mas aquilo tinha um fecho pelo lado de fora e as janelas tinham rede... E lá estava ele, encostado à porta a perguntar - Qual é o melhor clube do mundo? Qual é o melhor clube do mundo? E eu nada, nem tugia nem mugia e ele a rir-se, o cabrão, sem parar com a pergunta - Qual é o melhor clube do mundo? Qual é o melhor clube do mundo? e eu sem saber o que fazer. Então, mas como é que resolveste o problema? "Então, lá tive de dizer que era o Benfica, mas disse baixinho para ninguém ouvir..." Como é? Não ouvi nada! Benfica. Mais alto, mais alto que não ouço!" Benficaaaaa!. "Mas fiquei lixado, fiquei mesmo muito chateado, aquilo foi uma violência...! Assim que me apanhei livre, corri para o portão, desatei a fugir pela Junqueira abaixo, direito ao Altinho, sabes onde fica, não sabes, acho que nunca mais quis saber da lancheira e quando entrei nas Salésias, senti assim uma coisa pela espinha abaixo, fui ao meio campo, aquilo já estava um bocado decrépito, já nem tinha balizas nem nada, mas procurei o meio do campo, pus as mãos em concha à volta da boca e gritei o mais alto que pude:
"BELÉÉÉÉÉM! BELÉÉÉÉÉM! BELÉÉÉÉÉM! "
15 julho 2011
Parabéns Twitter!
A propósito do quinto aniversário desta extraordinária ferramenta que dá pelo nome de Twitter. No Sapo, onde haveria de ser?
13 julho 2011
Et tu, Brutus?

A prova de que o Latim não é uma língua morta é o facto da Direcção Geral do Ensino Superior o utilizar no seu website... Imagem via Emanuel.
12 julho 2011
11 julho 2011
10 julho 2011
A origem das expressões
"Deveria ser incentivado um boicote", diz-se quando alguém individualmente ou em grupo decide ostracizar uma pessoa singular ou colectiva, não utilizando os seus serviços ou bens. A expressão boicote, que em português possui verbo (boicotar) é um anglicismo perfeitamente integrado na língua portuguesa e é oriundo do nome de família de um capitão inglês, Charles Cunningham Boycott, administrador das terras do Conde de Erne, no Condado de Mayo na Irlanda. Em meados do século 19, um grupo de arrendatários de terras do Conde de Erne, organizou-se na Irish Land League para requerer ao senhorio uma baixa dos valores das rendas. Charles Boycott expulsou das terras os rendeiros reivindicantes e exerceu sobre eles uma forte acção repressiva que resultou num protesto não violento dos rendeiros. Esse protesto, que fez com que os operários agrícolas deixassem de querer trabalhar nas propriedades, no comércio que deixou de fornecer produtos ou no próprio carteiro que deixou de entregar correspondência na casa do proprietário, haveria de conseguir ter êxito, com o Capitão Charles Boycott a abandonar a Irlanda em 1880, dando origem à generalização do termo "Boycott".
O caçador de pérolas
..."A Drive&Cash informa que todos estes dados são passivos de ser alterados"...
06 julho 2011
Grandes momentos do Comércio
Grandes momentos empresariais

A leitora Teresa São Miguel confessou-se "deslumbrada" com este avistamento em Albufeira. Eu não diria melhor.
05 julho 2011
04 julho 2011
O pior postal do Verão 2011 (FAQ)
Posso concorrer com postais que já tenham estado a concurso na edição 2007?
Sim, pode. A organização não obrigará os concorrentes a rever todos os postais dessa edição, e deve haver uma qualquer Convenção que proíba um tamanho castigo psicológico.
Até que data posso concorrer?
Pode concorrer até 15 de Setembro (data de carimbo dos CTT).
A organização devolve-me o postal (ou postais) enviados?
Não. A organização não suportará qualquer custo de devolução de postais enviados, mas estará disposta a permitir que os concorrentes que o pretendam os venham a recolher em local a combinar.
Já é conhecida a lista de prémios e a quantidade de postais a premiar?
Não. Ainda decorrem conversações com alguns patrocinadores e disso dependerão os prémios e quantidade a eleger para o receber.
O que sucede se dois ou mais concorrentes enviarem postais iguais?
Todos os postais recebidos integrarão a Galeria de exposição pública. Contudo, iniciado o processo de votação, os duplicados serão retirados e apenas o postal que tiver sido recebido mais cedo integrará o lote dos postais a serem votados.
A identidade dos remetentes dos postais será conhecida?
Não e apenas enquanto não forem escolhidos os vencedores. Este passatempo tem por objectivo escolher o pior postal do Verão de 2011. Os postais na Galeria terão apenas um número único para cada postal e apenas o destinatário (eu) conhecerá a respectiva identidade. Apenas no final do processo de votação será conhecida a identidade dos premiados.
Sim, pode. A organização não obrigará os concorrentes a rever todos os postais dessa edição, e deve haver uma qualquer Convenção que proíba um tamanho castigo psicológico.
Até que data posso concorrer?
Pode concorrer até 15 de Setembro (data de carimbo dos CTT).
A organização devolve-me o postal (ou postais) enviados?
Não. A organização não suportará qualquer custo de devolução de postais enviados, mas estará disposta a permitir que os concorrentes que o pretendam os venham a recolher em local a combinar.
Já é conhecida a lista de prémios e a quantidade de postais a premiar?
Não. Ainda decorrem conversações com alguns patrocinadores e disso dependerão os prémios e quantidade a eleger para o receber.
O que sucede se dois ou mais concorrentes enviarem postais iguais?
Todos os postais recebidos integrarão a Galeria de exposição pública. Contudo, iniciado o processo de votação, os duplicados serão retirados e apenas o postal que tiver sido recebido mais cedo integrará o lote dos postais a serem votados.
A identidade dos remetentes dos postais será conhecida?
Não e apenas enquanto não forem escolhidos os vencedores. Este passatempo tem por objectivo escolher o pior postal do Verão de 2011. Os postais na Galeria terão apenas um número único para cada postal e apenas o destinatário (eu) conhecerá a respectiva identidade. Apenas no final do processo de votação será conhecida a identidade dos premiados.
O pior postal do Verão 2011

Resisti durante quatro longos anos, mas a pedido de várias famílias decidi, com a ajuda de alguns amigos, promover nova edição do Concurso "O pior postal do Verão". Em 2007 este concurso teve um grande êxito entre quase três centenas de concorrentes com postais a concurso oriundos de quase todos os pontos turísticos do país e uma assinalável quantidade de postais do estrangeiro. (Quem não faz ideia da galeria de horrores que publiquei, pode visitar o acervo da Edição 2007).
Em que consiste afinal o Concurso "O pior postal do Verão de 2011"?
Suponho que lhe possa já ter sucedido. Quando visita um local que venda postais ilustrados, de preferência com um daqueles expositores rotativos, já encontrou certamente um rectângulo de cartolina que o fará pensar para com os seus botões (ou para com os seus velcros...) "Uau! Como é que é possível imprimir-se uma coisa destas?". A mim acontece-me com frequência, tenho inclusivamente alguns que são autênticos ícones da confusão artística e dignos de figurar numa galeria de horrores gráficos. Estou a lembrar-me de um Cristo Rei de plástico que tem como legenda "Em Fátima rezei por ti", ou uma bela Torre de Belém num postal que diz "I Love Newark". Enfim, dá para ter uma ideia...
Postais estranhos, mais concretamente "O pior postal do Verão 2011", vai ser o tema de um passatempo que vai decorrer até ao final do Verão. Quando for de férias (ou quando quiser), tudo o que tem de fazer é procurar "aquele postal" e endereçá-lo para:
Pedro Aniceto
Rua Luís de Camões, 27A
2860-633 Gaio Rosário
Os postais recebidos serão colocados online para apreciação pública, sendo no final do prazo de recepção escrutinados por um júri especialista em cães de louça e serão premiados os "piores" (quantidade a premiar a ser anunciada), que poderão ser futuramente expostos publicamente (Eat your heart out, Joe Berardo!). Pode enviar quantos postais quiser e não se esqueça de inscrever nome e endereço de email para futuros contactos. Serão considerados todos os postais ilustrados recebidos até 15 de Setembro. Apenas serão válidos para concurso postais ilustrados em papel, sendo ignorados quaisquer versões electrónicas ou propositadamente fabricados para este passatempo.
A organização está ainda a trabalhar nos apoios e na elaboração da lista de prémios. A mecânica de votação pública da Galeria de Horrores recolhida será anunciada em breve. Quaisquer dúvidas poderão ser esclarecidas no Twitter em @pedroaniceto ou por email neste endereço
Não deixe de consultar as FAQ (em actualização permanente)
Este passatempo tem a ajuda das seguintes pessoas e entidades:
Dário Costa
Vereda Tropical
Esta tarde, estava eu tranquilamente a atravessar a Avenida Duque de Ávila, em Lisboa, quando um um som diferente me chegou aos ouvidos proveniente da copa das árvores. Para meu espanto, tratava-se de um generoso bando de papagaios. Sim, papagaios. Quando fiz circular esta informação, recebi vários relatos de avistamentos deste tipo de aves em Lisboa, nomeadamente em Telheiras, zona em que mais pessoas informam haver quantidades apreciáveis destes bichos a crescer em estado selvagem...
O caçador de pérolas
..."Vendo também produtos de beleza para masculino e feminino e crianças de todas as idades de todas as marcas."...
Social Media Day (Porto, Exponor)

Tenciono escrever um artigo mais alargado sobre este evento (e também sobre a First Lego League), mas fica a nota de que foi uma experiência "diferente", (com alguns aspectos que deverão ser tidos em consideração em edições futuras) e que poderá vir a dar os seus frutos. Como disse, fica prometido um post mais alargado a ser incluído no novo site pessoal que lançarei e que incluirá este blog, bem como uma miríade de outras actividades pessoais e profissionais. Não deverá faltar muito tempo. (Foto de Carlos Gonçalves)
03 julho 2011
01 julho 2011
"Sempre à morte, Vanessa?"
Um excelente artigo sobre a atleta de triatlo Vanessa Fernandes e o seu ocaso aparentemente motivado por problemas de ordem psicológica. Aqui. Repórter, Paulo Moura.
Nunca tinha dedicado muito tempo à carga psicológica de responsabilidade de um atleta de alta competição em véspera de um importante evento. Até uma noite, no Verão de 2004, em que em passeio nocturno com um atleta de alto rendimento, no dia anterior a um jogo tremendamente importante, lhe desejei boa sorte. A resposta fez-me pensar que as coisas nem sempre são o que parecem. "Obrigado pelo boa sorte, mas mais importante que isso é que amanhã à noite, por esta mesma hora, pode não estar aqui ninguém para conversar comigo. Amanhã podem estar ali umas centenas de pessoas para me querer comer vivo...". Dessa vez correu bem, correu lindamente e no dia seguinte estive lá para lhe dar um abraço. Boa sorte, Vanessa. Os meus votos de rápida recuperação. E a partir de hoje não exigirei medalhas e louros, apenas ficarei contente com as que já nos proporcionaste.
Nunca tinha dedicado muito tempo à carga psicológica de responsabilidade de um atleta de alta competição em véspera de um importante evento. Até uma noite, no Verão de 2004, em que em passeio nocturno com um atleta de alto rendimento, no dia anterior a um jogo tremendamente importante, lhe desejei boa sorte. A resposta fez-me pensar que as coisas nem sempre são o que parecem. "Obrigado pelo boa sorte, mas mais importante que isso é que amanhã à noite, por esta mesma hora, pode não estar aqui ninguém para conversar comigo. Amanhã podem estar ali umas centenas de pessoas para me querer comer vivo...". Dessa vez correu bem, correu lindamente e no dia seguinte estive lá para lhe dar um abraço. Boa sorte, Vanessa. Os meus votos de rápida recuperação. E a partir de hoje não exigirei medalhas e louros, apenas ficarei contente com as que já nos proporcionaste.
Grandes localidades portuguesas
28 junho 2011
A origem das expressões
"Fulano arranjou uma estrangeirinha" ou "Arranjaram-lhe uma estrangeirinha" é sinónimo de que alguém sofreu um ardil, um logro ou uma velhacaria. Não sendo uma expressão de uso alargado em termos nacionais, é uma expressão arreigada a Lisboa e não é completamente inocente. Fizeram furor as coristas estrangeiras em Lisboa no início do Séc.XX, nomeadamente as de origem espanhola (estrangeirinha ainda hoje é reconhecido nos dicionários de língua portuguesa para definir uma mulher oriunda de Alicante). Tais coristas, conhecidas pelos seus hábitos e gostos mais liberais do que era normalmente aceite como prática da sociedade de então, eram cortejadas e disputadas por muitos homens da sociedade lisboeta, levando muitos deles a "loucuras" mais ou menos censuráveis pelos hábitos de então. Arranjar uma estrangeirinha era sinónimo de arranjar problemas de vária ordem. Terminadas as épocas teatrais ou tournées, estas coristas deixavam a cidade, levando consigo as promessas de amor eterno e em muitos casos partes significativas das fortunas dos seus galanteadores.
A origem das expressões
"Podes tirar o cavalinho da chuva" é uma expressão que nos nossos dias significa que alguém está a informar o interlocutor de que não valerá a pena insistir em determinado assunto, indicando-lhe que deve desistir do seu intento. Não terá sido sempre esse o respectivo significado. Na era pré-atutomóvel, as deslocações maiores ou mais difíceis faziam-se maioritariamente a cavalo. Nas estalagens ou pontos de descanso, existiam como ainda hoje é visível nas construções mais antigas, locais específicos para se amarrarem os cavalos (argolas) enquanto o respectivo cavaleiro se ocupava no interior da construção durante uma breve paragem. Se a estada fosse mais prolongada era normal que o cavalo fosse abrigado dos elementos num estábulo destinado a repouso e alimentação do animal. "Podes tirar o cavalinho da chuva" implicava aconselhar o cavaleiro a resguardar o animal em virtude do tempo que ia eventualmente demorar.
Podcast Praia das Maçãs (Making of)
Não sei quantos anos depois, eis que alguém se lembra (finalmente!) de fazer um brilhante "making of" deste não menos espectacular Podcast chamado Praia das Maçãs. Sim, é verdade que o camera é um valente Brassica rapa, mas o resultado não deslustra a categoria dos intervenientes. Para quem estava constantemente a perguntar sobre como é que fazíamos o Praia das Maçãs, aqui fica para vosso viewing pleasure.
Praia das Maçãs from Vasco Casquilho on Vimeo.
27 junho 2011
26 junho 2011
22 junho 2011
Última hora!
A expressão popular "Dar às de Vila-Diogo" passa de ora avante a grafar-se com dois éles em "Villas-Diogo".
A origem das expressões
Diz-se, quando de uma aquisição de baixo custo ou valor que se comprou algo "ao custo da uva mijona". Ora, pergunta a leitora Maria João Nogueira qual o significado e origem da expressão "uva mijona", resposta que tentarei dar de seguida. A uva mijona é, como o nome indicia, um tipo de uva de qualidade muitíssimo inferior ao normal, devido principalmente ao seu tamanho e ao facto dos seus bagos possuírem mal-formações ou desenvolvimento e maturação inferiores ao resto do cacho, que possam contribuir para que o pericárdio do bago não seja íntegro tendo o interior do bago contacto com o ar ou com o solo. Estes bagos não íntegros tendem a deixar escapar o sumo, seja pela referida falta de integridade física, seja por esmagamento na colheita e/ou transporte. Esta uva tem por norma um sabor desagradável devido à oxidação da polpa que altera as características organopléticas do fruto e que invalida o seu uso para a produção de vinho. No entanto, essa uva apesar de se ver fortemente desvalorizada do ponto de vista comercial não deixa de ter aproveitamento industrial para destilação. O engaço, o residuo da polpa da uva e da respectiva estrutura vegetal de suporte, depois de esmagada em lagar, é cozido em caldeiras de alambique onde o vapor produzido é obrigado à mudança do estado gasoso para líquido dando origem à destilação de álcool de elevado teor. O engaço, sendo um sub-produto da transformação da uva enquanto matéria-prima, quase não tem valor comercial à semelhança da uva mijona que é afastada do processo de produção vinícola devido ao seu sabor alterado por factores orgânicos. No entanto, no processo de destilação esse factor não é relevante.
Nota: Algumas das fontes confrontadas tendem a equiparar as expressões "ao preço da uva mijona" à "ao preço da chuva" como tendo o mesmo significado. Tendo a não concordar. Existem, em matéria de gradação de preços, diversas expressões na língua portuguesa que permitem elencar diversas nuances. "Negócio da China", "uva mijona" e "preço da chuva", considerando eu este último como "Grátis", coisa que para mim tem diferente avaliação da expressão agora explicada.
Nota: Algumas das fontes confrontadas tendem a equiparar as expressões "ao preço da uva mijona" à "ao preço da chuva" como tendo o mesmo significado. Tendo a não concordar. Existem, em matéria de gradação de preços, diversas expressões na língua portuguesa que permitem elencar diversas nuances. "Negócio da China", "uva mijona" e "preço da chuva", considerando eu este último como "Grátis", coisa que para mim tem diferente avaliação da expressão agora explicada.
21 junho 2011
O caçador de pérolas

O primeiro leitor a dar-me a explicação lógica para a construção frásica da pérola "você pode dar-lhe alta para livre", tem direito a um café... Excepção feita a Rainer Brockerhoff que me enviou a imagem e me deu a explicação possível.
20 junho 2011
And destroy all copies!
Épico! A leitura do End User License Agreement (EULA) do iTunes por Richard Dreyfuss.
19 junho 2011
Da minha varanda à tua...
Da minha varanda à tua, vão dois passos de distância, ao saltar da minha à tua, escorreguei numa casca de "melância". Imagem via Airdiogo


O caçador de pérolas
17 junho 2011
15 junho 2011
11 junho 2011
Apagar chamadas "coiso" no iOS5

Uma das características do novo iOS5 é o facto de permitir apagar chamadas inconvenientes do registo de chamadas recebidas ou feitas. Isto teria dado jeito a algumas pessoas, não faz assim tanto tempo.Imagem Apple, cortesia de Francisco Delgado
09 junho 2011
08 junho 2011
Steve Jobs na Assembleia Municipal
Esperem... O homem vai à Assembleia Municipal de Cupertino e é um espectáculo dentro de outro espectáculo!
07 junho 2011
De um aperto de mão selado
Reparei neles à saída da carruagem, naquele preciso instante em que as portas se abrem e se processa o encontro das marés. Aquele preciso momento em que as pessoas apenas parecem alimentar-se em compita na babugem, quando se entreolham como cavaleiros numa justa de lança em riste, precisamente antes delas se tocarem, as lanças e as pessoas. Havendo dias em que me sinto capaz de encher o peito e avançar de viseira baixa, não era um desses dias. Deixei sair a primeira onda, deixei o refluxo da maré encher a porta da carruagem e só aí saímos. Sim, disse saímos. Foi aí que reparei neles, já tinha dito, pois é, é próprio das urbes nós dizermos as coisas e ninguém parecer tomar nota. Ela, de tailleur castanho e brincos de pérola, desajustados, os brincos e eles, que de num boné de padrão difuso pareciam assustados demais para perceber o que se estava a passar, como se fosse difícil perceber a estupidez dos rebanhos em estampido e Deus sabe como é realmente complicado. Ela, retorceu a pequena alça da mala de ver-a-Deus, que Ele me perdoe mas é assim mesmo que o desenho foi feito na minha memória e saiu atrás dele que por sua vez saiu atrás de mim, é a tática dos cardumes que o instinto de sobrevivência nos embute no ADN desde que somos alguém. Não sei onde perdi a minha pressa naquele dia, a verdade é que a não tinha (ou por qualquer razão a não queria ter). Estávamos ali os três, como que suspensos de algo, parados na plataforma que como por magia se tinha esvaziado, um vento apenas soprando a encher o vazio do comboio que entretanto partira. Virei à direita, eles ficaram. Dei dois passos e nessa pequena distância arrependi-me de não ter ficado também ali, suspenso, como que flutuando frente a um cartaz luminoso que para a maioria de nós é banal, mas que para outros é como um mapa do tesouro. Voltei atrás. Não era difícil de perceber que estavam atarantados, coisa que acontece a qualquer ser humano um ou dois segundos antes de tomar consciência de que estavam perdidos. "Precisam de ajuda?". Ela sorriu mas não disse nada, como que esperando a autorização do marido para o confessar. Foi ele que me dirigiu a palavra. "O senhor sabe para que lado fica o Saldanha?". Sabia. Sabia mas estávamos longe, nas entranhas de uma estação que agora tem dois Saldanhas. "Para que sítio do Saldanha querem ir?". Foi ela que puxou de um envelope amarrotado com a morada de um consultório médico. "Venham comigo, é mais fácil do que explicar e é fácil que se percam daqui até lá". Percorremos em silêncio absoluto as galerias, escadas e plataformas. No local onde os nossos caminhos se separavam, disse-lhe apenas "Agora vá em frente, o prédio fica mesmo defronte da escada quando chegarem à rua". Ele percebeu naquele instante que era ali que ficaria de novo dono do seu destino, ela sempre na sombra protectora da imagem dele. "Tenham uma muito boa tarde". Foi então que ele teve aquele gesto que os estranhos nunca têm. Apertou-me a mão com firmeza, não sem antes colocar a outra mão por cima de ambas, aquele aperto que sabemos querer dizer alguma coisa. E disse. "O senhor é de Lisboa?". Respondi que sim, embora pense sempre que não. "Sou sim.". Não foi suficiente, ele parecia desapontado. "Os seus pais são de Lisboa?". Não, não são, embora pense sempre que sim. "Bem me parecia! Bem me parecia!".
Hit the road, Jack!
Problema: Transportar um escadote de dimensões consideráveis num veículo de passageiros conjuntamente com uma pessoa sentada no banco da frente da viatura.
Solução: Colocar o escadote longitudinalmente dentro do automóvel e sentar o passageiro com a cabeça dentro de um dos intervalos dos degraus do escadote.

Problema: Transportar um escadote de dimensões consideráveis num veículo de passageiros conjuntamente com a sua sogra sentada no banco da frente da viatura.
Solução: Colocar o escadote longitudinalmente dentro do automóvel e sentar a sua sogra com a cabeça dentro de um dos intervalos dos degraus do escadote. Dirigir-se calmamente a uma via rápida e fazer a viatura atingir uma velocidade de cruzeiro na ordem dos 120/130 klms/h. Apoiar os dois pés subitamente e com grande força no pedal do travão enquanto exclama a frase "Who's your daddy now?"

Imagens (Lisboa) enviadas pelo leitor Bruno Espada
Solução: Colocar o escadote longitudinalmente dentro do automóvel e sentar o passageiro com a cabeça dentro de um dos intervalos dos degraus do escadote.

Problema: Transportar um escadote de dimensões consideráveis num veículo de passageiros conjuntamente com a sua sogra sentada no banco da frente da viatura.
Solução: Colocar o escadote longitudinalmente dentro do automóvel e sentar a sua sogra com a cabeça dentro de um dos intervalos dos degraus do escadote. Dirigir-se calmamente a uma via rápida e fazer a viatura atingir uma velocidade de cruzeiro na ordem dos 120/130 klms/h. Apoiar os dois pés subitamente e com grande força no pedal do travão enquanto exclama a frase "Who's your daddy now?"

Imagens (Lisboa) enviadas pelo leitor Bruno Espada
06 junho 2011
A origem das expressões
Diz-se que alguém "está a dourar a pílula" quando está a tentar tornar mais suave uma má noticia ou a alterar o impacto de algo que se preveja desagradável. A expressão nasce do facto de os primeiros medicamentos orais (os antepassados das actuais pílulas) não possuírem o revestimento que hoje lhes conhecemos e serem extremamente amargos porque o contacto com o medicamento se dava directamente com o palato. Avicena, um famoso filósofo persa que entre outras matérias também professava a medicina, teve a ideia de envolver esses medicamentos desagradáveis em folha de ouro no intuito de os tornar mais apetecíveis.
A Liga dos penúltimos
Não me é fácil explicar. O drama, o horror, a tragédia, o fumo do assador dos couratos. Estamos num campo de futebol. O leitor imaginará, mas dê o devido desconto, aliás, dê mais que o devido porque a causa é nobre e promete. Estamos num campo de futebol, pois, já tinha dito, é dos nervos. Estamos na decisão do Campeonato. Não é bem, mas quase. Um pequenino clube de aldeia, a lutar pela sobrevivência na Primeira Divisão Distrital enfrenta o último jogo de um longo e martirizante campeonato. Ali ninguém ganha milhões.Nem cêntimos. Nem uma bifana e um Sumol de laranja. Nada. Puro suor e amor à camisola amarela que uma das equipas enverga. É um jogo dramático, há insultos. Muitos. Nervos, onde é que já vai a franja. É dramaticamente simples. A equipa amarela precisa de um empate para evitar a descida aos infernos, sendo que os infernos dão pelo pomposo nome de Segunda Divisão Distrital. Dito assim não parece muito mau. Mas se deixar de dourar a pílula e disser que é a última divisão de um campeonato nacional de futebol, mesmo o leitor mais distraído compreenderá que abaixo disso só um jogo de matrecos. Está dito. Assim, à bruta. A equipa amarela joga em casa. Se chamarmos casa às suas instalações desportivas. Adiante. É a vida dos pequenos clubes e nos tempos que correm, dispor de um campo já é um luxo, luxo asiático que sai da pele dos jogadores (literalmente) e da dos Directores que pagam mais do que o que conseguem obter em troca.
Já decorreram oitenta e cinco minutos do tempo regulamentar de jogo e há lágrimas ao redor do campo. Não há bancadas mas há amor. Muito amor pelo pequeno clube que está à beira do precipício. Os da casa perdem por 2-3 e estão, aparentemente, condenados à descida. Já pouca gente acredita no milagre. Insulta-se o árbitro. Os fiscais de linha estão ali à mão de semear e as respectivas mãezinhas devem ter as orelhas a arder. Não é todos os dias que naquele campo se pode insultar um árbitro de renome. Quis o destino e a Federação que aquele fosse considerado um "jogo de risco". Veio um árbitro da primeira categoria. Eu disse da e não de. Quer parecer-me que em casa, a perder por 2-3, nem Pierluigi Collina deixaria de ser insultado até à quinta geração de antecessores. Ninguém está contente. Há um efectivo policial absolutamente anormal para um jogo deste campeonato. Seis soldados da GNR tomam posição em locais estratégicos. Se o pior acontecer há que prevenir a saída em segurança da equipa adversária e do trio de arbitragem.
Cumprimento um dos Directores e dou-lhe uma palmada solidária no ombro. Pura compaixão pelo momento amargo que está a viver, rodeado das pessoas da terra e de alguns forasteiros que querem bem aos que equipam de amarelo. Estranho, mas não comento, que este Director leve pela trela um dos seus cães. Pessoa amiga dos animais, não me admira que o passeie, mas ali é estranho, fora de comum, vá lá, absolutamente bizarro ver um homenzarrão na companhia de um dálmata gordo e anafado, que preferira decerto uma sombra e uma malga de ração.
Por razões de horário e de cruel destino, vejo-me forçado a sair dali. A cinco minutos do final, convicto de que não quero assistir ao choro que se prenuncia, meto-me no carro e vou-me embora lamentando que na primeira vez em que assisto ao vivo a um jogos dos amarelos, estes percam não só o jogo mas também a honra. É triste e não quero e posso testemunhar.
Mas deu-se o chamado milagre. Um minuto para lá dos noventa, uma substituição. O jogador que entra corre para a área, pontapeia e desdita e a cuja e o esférico atinge a glória. Chorou-se de novo, dizem-me, não vi, mas desta vez de alegria. Faltam apenas dois minutos, o que são dois minutos para conquistar a felicidade? Aguenta! Aguentaram. Dois longuíssimos minutos em que muita coisa aconteceu e muitas mais poderiam ter acontecido. Dizem-me que uma das mais importantes foi a ordem de abrir o bar...
Ninguém mais se lembrou do árbitro, da mãe do árbitro, das avós do árbitro e de toda a família mais directa dos fiscais de linha. Depois do apito final, a invasão de campo, a invasão do bar (sempre mais concorrido) o enxugar das lágrimas, e o afogar da alegria. Tudo mudou num pontapé.
Horas depois, em pleno largo da aldeia hei-de interrogar o dono do cão. Chama-se o canino, Júnior, para umas festas enquanto me são contados os pormenores que eu perdi por meros cinco minutos. Hei-de. a dado passo, perguntar o que raio fazia lá o cão. Não acho nada normal. É -me explicado que o cão faz parte de um plano secreto. Que está ali, bem treinado. Que à ordem de um sonoro "Vai Júnior!", saltará o pequeno muro que delimita o campo e correrá para a marca de penalty e ali se sentará até que o dono o chame. "Sempre ganhávamos uns minutos se preciso fosse...". Rio-me. Rio-me mas pergunto o que sucederia se um adversário aviasse um valente chuto no cão. "Cartão vermelho, Pedro! Cartão vermelho!". Estou sempre a aprender.
Já decorreram oitenta e cinco minutos do tempo regulamentar de jogo e há lágrimas ao redor do campo. Não há bancadas mas há amor. Muito amor pelo pequeno clube que está à beira do precipício. Os da casa perdem por 2-3 e estão, aparentemente, condenados à descida. Já pouca gente acredita no milagre. Insulta-se o árbitro. Os fiscais de linha estão ali à mão de semear e as respectivas mãezinhas devem ter as orelhas a arder. Não é todos os dias que naquele campo se pode insultar um árbitro de renome. Quis o destino e a Federação que aquele fosse considerado um "jogo de risco". Veio um árbitro da primeira categoria. Eu disse da e não de. Quer parecer-me que em casa, a perder por 2-3, nem Pierluigi Collina deixaria de ser insultado até à quinta geração de antecessores. Ninguém está contente. Há um efectivo policial absolutamente anormal para um jogo deste campeonato. Seis soldados da GNR tomam posição em locais estratégicos. Se o pior acontecer há que prevenir a saída em segurança da equipa adversária e do trio de arbitragem.
Cumprimento um dos Directores e dou-lhe uma palmada solidária no ombro. Pura compaixão pelo momento amargo que está a viver, rodeado das pessoas da terra e de alguns forasteiros que querem bem aos que equipam de amarelo. Estranho, mas não comento, que este Director leve pela trela um dos seus cães. Pessoa amiga dos animais, não me admira que o passeie, mas ali é estranho, fora de comum, vá lá, absolutamente bizarro ver um homenzarrão na companhia de um dálmata gordo e anafado, que preferira decerto uma sombra e uma malga de ração.
Por razões de horário e de cruel destino, vejo-me forçado a sair dali. A cinco minutos do final, convicto de que não quero assistir ao choro que se prenuncia, meto-me no carro e vou-me embora lamentando que na primeira vez em que assisto ao vivo a um jogos dos amarelos, estes percam não só o jogo mas também a honra. É triste e não quero e posso testemunhar.
Mas deu-se o chamado milagre. Um minuto para lá dos noventa, uma substituição. O jogador que entra corre para a área, pontapeia e desdita e a cuja e o esférico atinge a glória. Chorou-se de novo, dizem-me, não vi, mas desta vez de alegria. Faltam apenas dois minutos, o que são dois minutos para conquistar a felicidade? Aguenta! Aguentaram. Dois longuíssimos minutos em que muita coisa aconteceu e muitas mais poderiam ter acontecido. Dizem-me que uma das mais importantes foi a ordem de abrir o bar...
Ninguém mais se lembrou do árbitro, da mãe do árbitro, das avós do árbitro e de toda a família mais directa dos fiscais de linha. Depois do apito final, a invasão de campo, a invasão do bar (sempre mais concorrido) o enxugar das lágrimas, e o afogar da alegria. Tudo mudou num pontapé.
Horas depois, em pleno largo da aldeia hei-de interrogar o dono do cão. Chama-se o canino, Júnior, para umas festas enquanto me são contados os pormenores que eu perdi por meros cinco minutos. Hei-de. a dado passo, perguntar o que raio fazia lá o cão. Não acho nada normal. É -me explicado que o cão faz parte de um plano secreto. Que está ali, bem treinado. Que à ordem de um sonoro "Vai Júnior!", saltará o pequeno muro que delimita o campo e correrá para a marca de penalty e ali se sentará até que o dono o chame. "Sempre ganhávamos uns minutos se preciso fosse...". Rio-me. Rio-me mas pergunto o que sucederia se um adversário aviasse um valente chuto no cão. "Cartão vermelho, Pedro! Cartão vermelho!". Estou sempre a aprender.
Usabilidade (for dummies)
Há já muito tempo que ando a remoer esta questão, mas ontem, dia de acto eleitoral, a urgência de chamar nomes feios a alguém ressurgiu-me quando um eleitor me disse que estava a tentar enviar um SMS mas que não conseguia obter como resposta outra coisa que não fosse um erro. Acontece que o cidadão eleitor estava a ignorar a imposição do formato da data de nascimento em AAAAMMDD (Ano, mês, dia) digitando no SMS o formato "natural" (porque nele impresso) de DDMMAAAA. E eu interrogo-me porque razão, um iluminado qualquer decidiu impor este formato, contrário ao que está grafado no próprio cartão. Era assim tão difícil aceitar como "natural" o formato Dia/Mês/Ano? Era muito complexo, não era? E se não era, poque é que o "dono da obra" não obrigou o teimoso implementador a seguir o formato mais óbvio? Ou porque diabo não escolheu um formato de conversão inversa do raio da máscara? Porque é que nós, os ceguinhos, vemos estas coisas que mais ninguém consegue ver?
BEPA Lda.
Um electrodoméstico que avaria, no caso uma máquina de lavar (Indesit) que deixou de funcionar por culpa de um fecho de porta que não goza da possibilidade de salvação. Uma treta, portanto. Extraio, com a ajuda de um amigo (Saravá, Amílcar!) o aro interior do óculo e elegemos o culpado: Dois suportes de fecho que entregaram a alma ao Criador. O drama habitual: Onde comprar, como referenciar, o não sei se temos, isso vai ser muito difícil, sabe como é, oh se sei. São 8:58 de Segunda Feira e arrisco o Google para a primeira busca. Não só o telefone é atendido antes da hora "normal", como a simpatia e o interesse são absolutamente fora do comum. A casa é em Queluz, local que não conheço por aí além. Disponibilidade, simpatia e toda (mas mesmo toda) a informação que pretendo. Tudo o que é preciso para dar com o local à primeira (Quem me conhece sabe como isso é uma raridade...) e o reconhecimento imediato "do senhor que ligou hoje de manhã". O Multibanco não funciona, azar dos Távoras, mil pedidos de desculpa pelo facto. Pago a dinheiro e trocamos umas graças sobre o tempo. Agradeço pessoalmente a eficácia e o carinho. Fica agora a recomendação: Bepa Lda. Acessórios para electrodomésticos". Bem-hajam.
P.S.- Você é uma besta e não fotografou a peça antes de a desmontar e depois não sabe como raio é que aquilo devia estar montado? Sem stress
P.S.- Você é uma besta e não fotografou a peça antes de a desmontar e depois não sabe como raio é que aquilo devia estar montado? Sem stress
A origem das expressões
"Pareces um pau de virar tripas" é uma expressão utilizada para designar alguém extremamente magro. O pau de virar tripas é um tronco fino de madeira, devidamente embotado nas extremidades que servia para introduzir numa das pontas do intestino animal para que se procedesse à inversão do tubo pelo avesso para mais fácil limpeza do mesmo. As tripas (nome popular para intestino) eram utilizadas no fabrico de enchidos, sendo lavadas em água corrente já viradas do avesso. A introdução do pau servia para facilitar o trabalho com as mesmas. Actualmente a industrialização já quase matou a utilização da tripa animal para a confecção de enchidos, sendo as mesmas de origem sintética. A expressão, essa, ficou.
Gaio-Rosário (Eleições Legislativas)
05 junho 2011
Momentos
Há, nesta tarde pegajosa de calor e votos, um momento de ternura na voz de uma eleitora que me sopram ser quase centenária. Faço questão de tratar os eleitores pelo nome próprio quando deles me despeço e devolvo os cartões necessários à burocracia eleitoral. "Aqui estão os seus cartões Dona Maria Francisca. Obrigado". Meneou a cabeça enquanto eu pensava para com os meus botões que ela dificilmente me conseguiria ouvir. Ledo engano. Rodou o corpo apoiado na bengala finíssima como o seu próprio corpo e encarou-me de frente nuns olhos cinzentos profundos. "E como é que o menino sabe o meu nome?". Não cheguei a ter tempo de articular uma resposta, de tão óbvia que era... "Toda a gente conhece os olhos da Maria Francisca". Não a contrariei. Pareceria mal.
04 junho 2011
Lição de liderança
Que enorme lição de liderança. Seja ela de um tipo que dança ou de outra área qualquer...
03 junho 2011
02 junho 2011
Grupo Turim Hotéis (Manual para trouxas)
Caro Grupo Turim Hotéis:
Eu percebo que uma jovem a quem a fortuna não sorriu possa ter de ganhar a vida honradamente num call center a fazer chamadas em vosso nome. Percebo, compreendo e fiz questão de lhe dizer que a culpa não era dela, mas de quem lhe manda fazer aquele triste papel em vosso nome. Percebo que o Grupo Turim Hotéis queira publicitar as respectivas unidades hoteleiras, anunciando ao destinatário que acaba de lhe ser oferecida uma estadia de sete dias completamente grátis numa unidade no Algarve. Percebo, entendo e não vim ontem das berças (mas vocês pensam que sim...) e ouvi pacientemente a jovem explicar-me que a estadia era minha e que só teria de reservar com trinta dias de antecedência. Faz parte do script dela citar o nome Grupo Turim Hotéis bastas vezes durante o telefonema e é isso que ela diligentemente faz enquanto eu não pergunto, "Mas onde é que está então o catch?". Ela não percebe, ou finge que não percebe e explica-me tudo. Tudo! Até aquela parte em que me diz que uma reserva no Grupo Turim Hotéis, ao abrigo desta fantástica promoção de sete dias inteiramente grátis numa unidade algarvia tem um custo de 25 Euros por noite. Já nem me consegui rir, percebem? E continuo sem entender como é que vocês pagam a alguém para, em vosso nome, fazer este papel. Ou há por aí trouxas a nascer nas árvores (o que não duvido um só instante), ou o retorno destas "campanhas" é tão grande que vale a pena continuar a fazer estes papéis de imbecil.
Este call center faz chamadas com um dos números em aberto: 913281150
Eu percebo que uma jovem a quem a fortuna não sorriu possa ter de ganhar a vida honradamente num call center a fazer chamadas em vosso nome. Percebo, compreendo e fiz questão de lhe dizer que a culpa não era dela, mas de quem lhe manda fazer aquele triste papel em vosso nome. Percebo que o Grupo Turim Hotéis queira publicitar as respectivas unidades hoteleiras, anunciando ao destinatário que acaba de lhe ser oferecida uma estadia de sete dias completamente grátis numa unidade no Algarve. Percebo, entendo e não vim ontem das berças (mas vocês pensam que sim...) e ouvi pacientemente a jovem explicar-me que a estadia era minha e que só teria de reservar com trinta dias de antecedência. Faz parte do script dela citar o nome Grupo Turim Hotéis bastas vezes durante o telefonema e é isso que ela diligentemente faz enquanto eu não pergunto, "Mas onde é que está então o catch?". Ela não percebe, ou finge que não percebe e explica-me tudo. Tudo! Até aquela parte em que me diz que uma reserva no Grupo Turim Hotéis, ao abrigo desta fantástica promoção de sete dias inteiramente grátis numa unidade algarvia tem um custo de 25 Euros por noite. Já nem me consegui rir, percebem? E continuo sem entender como é que vocês pagam a alguém para, em vosso nome, fazer este papel. Ou há por aí trouxas a nascer nas árvores (o que não duvido um só instante), ou o retorno destas "campanhas" é tão grande que vale a pena continuar a fazer estes papéis de imbecil.
Este call center faz chamadas com um dos números em aberto: 913281150
É só fazer as contas...
Ora, a matemática diz-me que haverá voos com metades ou terços de passageiros... DN Online. Imagem enviada por Jorge Laranjo
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