30 julho 2012

Europérola


Agente Santa Casa no Continente Amadora. Imagem enviada pelo leitor Manuel de Freitas

O caçador de pérolas



Restaurante Desi Spice. Figueira da Foz. Imagem enviada pelo leitor Henrique Macedo

Carta aberta ao Director de A Bola

Exmo. Sr. Director de A Bola

Queira, antes de mais aceitar os meus mais calorosos cumprimentos. É, muito  possivelmente a primeira vez que lhe endereço uma carta, ainda por cima aberta, mas não posso, em boa razão deixar de lhe manifestar a minha indignação, ou mais do que esse sentimento, a minha pena, pelas razões que lhe passo a expor.

Publica hoje, na página três do jornal que V.Exa superiormente dirige, uma coluna com a habitual crónica de Hermínio Loureiro, intitulada "Grandiosos" e é por aí que começo este meu lamento. Que um ex-Presidente de uma Liga desportiva e um ex-Secretário de Estado do Desporto não saiba escrever uma máxima olímpica e grafe "Sitius, Altius, Fortius" em vez da síntaxe correcta, confesso muito sinceramente que não me espanta. Nada mesmo. Mesmo que seja um erro escrito numa língua morta. Mas que um jornal como A Bola não efectue uma revisão de texto em que se condoa (é o termo exacto) da prosa do colunista, isso magoa-me.

Sabe, Sr. Director, eu cresci a ouvir pessoas a dizer que aprenderam a ler nas páginas de A Bola. E devo informar que durante alguns anos achei um perfeito exagero, que possivelmente não passariam de gabarolices de velhinhos que me confiavam o seu jornal na condição de o devolver lido e desenxovalhado.

Ler textos deliciosos de Carlos Pinhão, Aurélio Márcio, Bruno Santos (entre outros saudosos nomes) obrigou-me a enriquecer os meus hábitos de consulta. Passados alguns anos sou eu a dizer aos que me ouvem que também eu aprendi muito nas páginas do vosso/meu jornal. A Bola passou a ser uma fonte quase inesgotável de novo vocabulário e uma das razões porque senti falta de um dicionário na estante do meu quarto. João Alves da Costa (e os outros, mas sobretudo este último) tem uma quota muito grande no acervo de vocabulário que entretanto adquiri. Culpa de A Bola, sem qualquer réstea de gabarolice de velhinho que ainda não sou e por via de quem continuo a gostar de jornais lidos e desenxovalhados.

Infelizmente, o caso que aponto (falta de revisão) não é um caso virgem nos últimos anos de A Bola. Perdi a conta às vezes que os meus já poucos cabelos se arrepiaram e nem sempre por falha de revisão (que, a existir, teria detectado as indesejáveis falhas que jamais chegariam aos leitores...). Se não há jornal sem gralhas, animais que se desculpam, já a falta do saber é mais grave e tinha no meu/seu tempo uma outra correcção que não a electrónica.

Quis a ironia que sempre envolve estas questões, que a sua peça de hoje (Diário de um jornalista em Londres) verse precisamente pela sua afirmação de que, e cito "lamento, mas o primeiro objecto dos jornais não é o de educar o povo". Afirmação controversa, é certo, não a discutirei, mas aproveite por favor o seu posto, a sua profissão, para não fazer precisamente o contrário, o de o deseducar.

Porque pior do que um erro de língua morta, é o hábito da letra morta.

Renovo-lhe os meus mais cordiais cumprimentos

Pedro Aniceto

26 julho 2012

One - Terra dos Sonhos (Decisão)

Depois de analisados os textos relativos a este passatempo, o júri (moi même) deliberou (finalmente) e designou o texto de Nuno Freitas (Efeitos secundários) como vencedor. O autor deverá entrar em contacto comigo via email para combinar os aspectos logisticos da entrega do relógio "One - Terra dos Sonhos". Parabéns ao vencedor, obrigado a todos pela participação.

Proibida a entrada a estranhos


Sic. Imagem enviada por Bruno Rodrigues

25 julho 2012

O homem da cara


Os meninos crescem, tornam-se homens, alguns, poucos, serão forcados. Poucos os que aspiram à cara do touro, alguns só em sonhos lá chegarão, outros nem por isso, passam de meninos a homens, se acharmos que chamar menino a um latagão de um metro e oitenta e cem quilos de peso será apropriado, e o mais das vezes não o é. Falo de Zé, o filho do coxo, como disse atrás, dois passos e dois ajudas, Zé chegou à cara do seu primeiro touro na semana passada na Praça da Póvoa de Varzim, poderia ter sido noutro lado qualquer que dizem os que sabem destas coisas que não há touro como o primeiro ao qual se agarra a barbela com dois braços como toros, e a alma, sabe-se lá como vai a alma na viagem.

Diz-me o coxo que todo o forcado tem medo, acredito, quem sou eu para o contrariar que nestas coisas dos touros pouco risco embora aprecie toda a estética, a que se vê, mas ainda mais a que se sente na electricidade que corre nas trincheiras e na arena.

O coxo, como não poderia deixar de ser, está na praça, às escondidas de Zé, o filho, que o proibiu de ir à corrida, mas sabe-se como são estas coisas, eu mesmo já desobedeci a ordens de filhos que me disseram "Não vás" uma frase em que a palavra "Vai!" estava apenas mal escrita.

Resolvido o problema com o abraço cúmplice, o filho avistou o pai na bancada, selaram a desobediência com ambos de olhos húmidos, um aceno, "Anda cá..." e abraçou-o como raras vezes se vê um filho abraçar um pai ou vice-versa. Enquanto durou o abraço, a cara de um junto à boca do outro, houve ali em Praça um momento que ninguém conseguiu escutar (e eu só sei dele porque me contaram) em que o filho segredou ao pai "São seiscentos e cinquenta quilos, meu pai..." e que o coxo, homem experimentado que já provara dúzias de vezes o sabor desse mesmo medo à boca da arena, quando o Cabo do grupo dá o barrete, esse símbolo máximo de comando sobre a areia e diz "Fulano à cara!", retorquiu com o amor que só dois forcados conseguem entender:
"Mas não o vais levar ao colo, pois não?"

Podia esta narrativa terminar aqui, era um final digno, uma estocada certeira e fatal, mas não seria justo. Nem para o leitor, nem para o coxo que à beira de uma mini me chamou hoje mesmo para me dar notícias de outro assunto e a quem, a ferros, arranquei esta historieta. "Como correu a pega?" não pude deixar de perguntar. E ouvi, enternecido e a visualizar o momento, a pose recolhida de Zé, o barrete dobrado entre dedos a brindar ao pai, o coxo,  e a dedicar-lhe a pega, e este último à beira de se debulhar em lágrimas, inchado pelo orgulho do filho, sangue do seu sangue em Praça com a voz a falhar-lhe descaradamente, respondendo como é tradição desd'El-Rei: Saúde! Saúde e sorte!

24 julho 2012

Não fui eu que inventei

Hoje na rádio falou um senhor, linguista, chamado Carlos Jalali

Infracções de Copyright


Imagem enviada por Patrícia Lousinha

23 julho 2012

Praia das Maçãs - Season 1 Episódio 40




Por vezes sucede o pior. Há um barco que se afunda, um sistema que crasha, um serviço de alojamento que se fina e dá-se o caos. Uma maré negra de poluição ou de problemas técnicos (e o que seria deste Podcast sem um pequeno tremelique técnico?). A verdade é que não está a ser fácil resolver a questão e colocar no iTunes o Episódio #40 do melhor Podcast português sobre Mac, iPhone e iPad. Mas não quer isso dizer que não estejamos a produzir. Estamos, lá isso estamos, mas fomos esta semana "obrigados" a alojar de forma diferente o diacho do episódio, pelo menos até que tenhamos tempo e arte para o colocar online em definitivo no local onde sempre esteve. Ainda assim, e para que não digam que Pedro Aniceto, Nuno Luz e Vasco Casquilho estão de papo para o ar numa qualquer estância balnear em vez de andar a dar no duro e a vergar a mola a gravar Podcasts, tomem lá o quadragésimo episódio de Praia das Maçãs, o Podcast para quem pensa que já ouviu tudo sobre Mac, iPad, iPhone e tudo e tudo e tudo.

Marketing para principiantes


Imagem enviada pelo leitor Bruno Aguiar

22 julho 2012

Mafra rulez!


Imagem enviada por Miguel Garcia

20 julho 2012

À atenção do assaltante


Guifões. Imagem enviada por Bruno Aguiar

Da série "Isto também eu consigo fazer"

Aqui. Cortesia de Paula Pico

O caçador de pérolas

Record Online. imagem enviada por Pedro Casal

Told ya

Jornal Sol, 20 de Julho de 2012

Secção Ticket Restaurant


A violência, ela mesma


Posto de abastecimento de combustível em Santo Aleixo, Monforte. Imagem de Daniel Matos

19 julho 2012

Corria mansa a conversa

Corria mansa a conversa. À sombra verdadeiramente apetecível do arvoredo, falava-se das respectivas vidas profissionais, que muitas vezes nos obrigam a estadas fora de casa, ou a trabalhar a desoras e das dificuldades que por vezes se criam numa relação por causa disso mesmo. É quando A., casada com V. que é inspector do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), diz com ar cândido "O meu marido de quando em vez diz-me: 'Mor, esta Quarta-Feira vou às putas..." e eu respondo "Bom serviço".

Griffin Helo TC (Assault)

Corria o ano de 1975. Sim, já foi há muito tempo e quase toda a Lisboa "da brasa" se virava para as novidades não políticas. Uma delas, notícia de respeito, dava conta da inauguração na (então) periferia de Lisboa do primeiro verdadeiramente grande Centro Comercial da cidade. Se hoje é uma novidade quase corriqueira, na altura estávamos a falar da urbanização mais chic de Lisboa e do seu "Shopping". Se o leitor ainda não adivinhou qual, não precisa esforçar-se muito, até porque a maioria das pessoas que eventualmente estejam a ler estas linhas nem pensavam ainda em ter nascido quando o Centro Comercial da Portela viu as suas portas abertas ao público pela primeira vez.

Esse dia, que para mim foi marcante de uma forma deveras profunda, permitiu-me observar, sentado no frio dos azulejos do reluzente Centro, uma demonstração de um helicóptero telecomandado, uma máquina de boa envergadura, feito por um lojista especialista em material de rádio-comando, loja que não faço a mais leve ideia se ainda existe, mas poucas coisas me espantam nos tempos que correm.

Eu já era um pedacinho apanhado por helicópteros, desconheço a razão, talvez por ter visto alguns meses antes uma outra demonstração de um Allouette no relvado do Estádio do Jamor e essa tarde na Portela foi marcante a vários títulos. Porque o referido modelo de helicóptero estava marcado a cem mil escudos, número que na altura era tão incomensurável como hoje o é o déficit público português e mais marcante ainda porque saí dali com a firme certeza de que eu era capaz de replicar um helicóptero pelos meus próprios meios. Por replicar, entenda-se, construir. Mesmo de tenra idade nunca fui de me render a desafios impossíveis e poucos dias depois, a "carenage" de um banco de cozinha, um motor de batedeira e duas imensamente longas réguas de estore, haveriam de me levar do sonho da glória aeronáutica à humilhação. Poupo ao leitor os detalhes da construção, a caranguejola levantou voo sim, o difícil foi evitar o desastre do percurso aéreo e o respectivo cortejo de destroços que incluiu o topo superior de um armário de louças, uma mesa de sala para sempre gravada pelos impactos, para não falar do meu traseiro que sobreaqueceu às mãos de minha mãe ou do meu amor próprio aeronáutico. Julguei nesse dia ter encerrado as minhas ambições aviónicas, mas eis que trinta e sete anos depois, vejo este anúncio...



Chama antiga custa a morrer, dizem, e se não o dizem, deviam, porque o Distribuidor português dos produtos Griffin, a Servisoft, ligou os motores, melhor diria, os rotores e aterrou na minha caixa de correio um exemplar do Griffin Helo TC (Versão Assault). A versão Assault diverge em dois aspectos da versão do helicóptero normal: Esta versão é equipada com dois mísseis disparáveis e devido a este aspecto a fuselagem é mais completa, cobrindo a estrutura de forma quase integral ao contrario do que sucede na versão base, mais "naked". Não que isso traga à experiência final nenhuma diferença em particular, na versão normal as portas de carga e switches estão numa das laterais, enquanto na versão Assault estes pontos estão situados na barriga da aeronave (é menos prático carregar a respectiva bateria interna na versão Assault). O outro aspecto, meramente estético, é o facto de na carenagem completa haver mais material para danificar, mas já lá chegaremos.

Ainda dentro da caixa, o aspecto geral é francamente frágil (mas verifica-se mais tarde que é apenas aspecto...). Dois planos de hélice no mesmo rotor central, um plano de impulsão e outro de direcção e um rotor traseiro de navegação num conjunto de planos de hélice de extrema mecanização que parecem querer desmanchar-se a todo o instante, mas que permitem uma arrumação criteriosa dentro da caixa de transporte do helicóptero, com os planos de pás a sobreporem-se evitando uma volumetria e prevenindo danos no aparelho. Continuando a enumeração do pack do Helo TC, encontramos a seguir a (volumosa) unidade de comando (que encaixaremos no iPhone), o cabo de ligação que permitirá carregar a bateria interna do helicóptero) e um pequeno saco com hélices e material mecânico de substituição. Percebereis um pouco mais à frente como este pequeno saco é importante nas primeiras horas de navegação aérea...

A unidade de comando na qual inseriremos o iPhone não é absolutamente nada complexa de percepcionar. Munidos de duas pilhas AAA (não incluídas) apenas há que inserir o telefone sob dois clips que manterão a unidade íntegra e ligar um pequeno jack na saída de auscultadores. Toda a comunicação que o telefone faz com a unidade de comando é transmitida pela porta de áudio e a comunicação com o Helo TC Assault é feita por infra-vermelhos. Nada disto interessará por aí além até ao momento em que lhe disser que os infra-vermelhos portam-se lindamente em interior, mas podem ocorrer problemas no exterior se houver incidência de luz solar. Isto em si mesmo é um aborrecimento se pensarmos que o Helo TC "está mesmo a pedir" umas voltinhas pelo exterior. A embalagem possui vários avisos expressos sobre esta questão, mas dificilmente alguém lhes ligará enquanto não houver falhas de comunicação entre comando e helicóptero... Está dito e redito.



O software da consola de comando do Helo TC Assault é gratuito e pode (deve/tem) que ser descarregado da iTunes Store. Uma vez descarregado e corrido pela primeira vez, uma rápida olhadela ao interface permitirá perceber rapidamente as suas principais zonas de comando e respectivas acções. Compreende a escala de aceleração do rotor principal, comando de aterragem de emergência, biblioteca de planos de voo, sector de configurações, manche de comando principal, orientação de deslocação e orientação de sentido e comandos disparadores de mísseis (Versão Assault)

Prepare-se o piloto amador em busca da glória do Apocalypse Now, para isso mesmo, uma espécie de pequeno Apocalypse aéreo. O controlo do Helo TC vai requerer alguma prática e treino, e saltar etapas vai ter como resultado um ego fortemente amachucado. Propositadamente a velocidade de elevação vertical está reduzida a 50% e foi uma decisão sábia, já que as primeiras impulsões podem terminar violentamente contra o tecto do local onde está a fazer os seus primeiros voos. É por isso mesmo que o acelerador de rotação está "castrado", até que o piloto domine a máquina sem lhe infligir grandes danos. Quando se sentir confiante, pode essa redução ser eliminada e aplicar-lhe índices de potência mais consentâneos com os seus desejos.

De imediato se percebe que o domínio do slider de aceleração é essencial e é vital que o piloto perceba que há um delay mínimo de comunicações. Exagerar na rotação inicial vai fazer com que a impulsão vertical seja brutal (O Helo TC é muitíssimo rápido dado o seu diminuto peso) e é nessas primeiras subidas que se vai perceber com clareza que o aspecto frágil do helicóptero não passa disso mesmo, de aspecto. O Helo TC vai parecer-lhe constituído de material inquebrável (e acredite, não é...) e agradecerá a quem esteve encarregue do design de pás de hélice o facto das mesmas não serem rígidas. A segunda resposta virá por si mesma e dará diálogo à pergunta "Para que raio quero eu um botão de aterragem de emergência?". Acredite, precisará desta função mais vezes do que pensa. A aterragem de emergência corta a ascensão vertical e reduz a taxa de descida à vertical do ponto onde se encontrar, permitindo que o Helo TC chegue ao solo pousando suavemente sobre a estrutura de aterragem sem males de maior monta.

No Assault de que disponho, as primeiras sessões de voo não foram francamente animadoras, mas algumas tentativas depois, a curva de aprendizagem começou (finalmente) a empinar-se. A fuselagem do Helo TC Assault está ainda íntegra, com apenas um ligeiro dano no nariz da aeronave. O conjunto (generoso) de peças de substituição que acompanha o helicóptero vai permitir continuar a voar mesmo que algum percalço possa suceder-lhe e o kit de peças pode ser encomendado à parte para futuras reparações. A montagem de pás de hélice é simples e não requer conhecimentos de maior.

A carga da bateria interna do Helo TC Assault permite uma autonomia real de 14 minutos de voo e pode ser reposta em pouco menos de 20 minutos. O alcance do míssil quando disparado é de cerca de 3 metros (O meu gato odeia este helicóptero...), havendo também mísseis de substituição na embalagem. O piloto experimentado pode, desenhar um padrão de voo, guardá-lo e executar esse mesmo voo padronizado sempre que entenda exibir uma determinada rotina de manobras.

Este helicóptero acaba por se transformar numa excelente peça de entretenimento, descontada a já referida curva de aprendizagem inicial que pode tornar-se algo frustrante. Dentro desta gama de produtos pode considerar-se esta compra como um investimento compensador para a fruição que pode ser obtida. Uma nota final que poderá ser de alguma utilidade: Este helicóptero não deve, repito, não deve ser operado por crianças ainda que sob a orientação de adultos. A velocidade de rotação dos planos de hélice é potencialmente perigosa uma vez que para prevenir quedas bruscas há instintivamente vontade de suster ou apanhar o helicóptero em pleno voo, correndo o risco de se magoarem nas pás em acção.

O Griffin Helo TC está à venda em Revendedores Apple (existe software para tudo o que seja iOS e Android) ao preço de 62 e 75 Euro (Versão Assault)

"Could we, uh... talk to Colonel Kurtz? 
Hey, man, you don't talk to the Colonel. You listen to him."



17 julho 2012

Senhora! Tende piedade de Timor Leste!


Público. Imagem de Carlos Vaz Marques