03 outubro 2012

De quando em vez, faz-se justiça


M., os jornais nunca dirão o que realmente se passou. E é pena. É pena que nunca se venha a saber que uma das maiores organizações financeiras portuguesas se ocupava também de assuntos de cariz criminal  e que algumas dessas operações envolviam a cobertura de figuras da Sociedade portuguesa que hoje ocupariam capas e páginas de jornais se o assunto fosse realmente ventilado. Notícias que nunca verão a luz do dia porque provocariam terramotos de factos que fariam tremer muita gente, alguma dela que tenho hoje vergonha de ter admirado. Porque nos faltam verdadeiramente jornalistas capazes de arriscar.

M. deparou-se há anos com situações anómalas na instituição onde trabalhava, onde era feliz, e onde planeava ter feito uma carreira longa e próspera. Quando M. quis perceber porque é que nas instalações das quais era responsável, passavam contentores de materiais ilegais e absolutamente nada consentâneos com as actividades da empresa, abriu a caixa de Pandora que o ia destruindo fisicamente. Pressões intoleráveis, suspensão de funções, ameaças de morte, perseguições, fariam qualquer um de nós calar o que quer que tivéssemos para dizer e prosseguir as nossas vidas. Isto para evitar problemas de índole psiquiátrica, os mesmos de que M. sofreu, sozinho, quando pouca gente parecia acreditar nele. M. não desistiu. Sabe Deus e e ele mesmo a que custo. Quinze anos de sofrimento e angústia, quinze anos que não são quinze dias.

M. não estava "descalço", sabia exactamente que não podia dar em falso passo algum e documentou tudo o que afirmava. Não me sobra qualquer dúvida de que foi essa precaução que levou há dias um Tribunal a dar-lhe razão. A mesma razão que lhe negaram durante 15 dolorosos e longos anos. É pena que se não vá mais longe. Muito mais longe. Talvez mudássemos de opinião a respeito de algumas das pessoas que nos habituámos a admirar. E que passássemos a admirar algumas pessoas que não conhecemos.

Quando há dias li este mesmo título num dos jornais diários, pensei "E se fosse o M.?". Acabei de confirmar que sim, que era a mesma pessoa. E fico extremamente feliz por isso. Tudo o que lhe possam agora pagar, é pouco. Muito pouco.

02 outubro 2012

Vou levar-te comigo...


Se não é surpreendente ver o Celso Martinho num cartaz de divulgação de uma Palestra sobre Novas Tecnologias, a realizar em Luanda, no Auditório da Universidade Agostinho Neto no próximo dia 9 de Outubro, ri-me com gosto de um detalhe desta imagem. A máquina, corrijo, o super-computador que o Celso tem na mão, é, nem mais nem menos, este. Uma máquina de 1985, com uns potentíssimos 131,072 bytes (inchem, fabricantes de RAM) que lhe foi por mim oferecida está por agora a fazer um ano. Novo. A estrear.

01 outubro 2012

Com todas as cautelas

F., cujo nome fui forçado a inventar, morreu há três dias. Diabético, obrigado à hemodiálise, sofredor de muito mais maleitas que não elenquei por força de serem desnecessárias, morreu. Quinou. Bateu as botas. Finou-se. É legítimo que, condoído o leitor pelo intróito, vinhedos que também eu vindimei por força das descrições que me foram feitas do seu sofrimento, tenha pena. Se enterneça. Se condoa. Pode pois bem fazê-lo.

F. morreu atropelado numa borda de estrada enquanto mudava um pneu. Vê? Agora tudo parece menos dramático e digno de um "G'anda azar!" vindo do mais fundo do nosso ser. F. morreu e agora Zé Bouças, o cauteleiro da vila tem um problema entre dedos para resolver. E é precisamente aqui, neste exacto ponto que eu passo a fazer parte da equação.

Esta manhã, Zé Bouças interrogava o dono do café onde eu estava quase que por acidente sobre se não queria ficar com a cautela de F., jogador de fé, homem de número certo na Lotaria Nacional. Que não! Nunca! Olha que ideia a tua, agora ficar com a cautela do morto! Percebi que outros inquiridos se negavam também, um deles chegou mesmo a persignar-se que é coisa rara de se ver fora de sede própria, salvo em caso de grave sacrilégio ou susto mais arreigado na alma. A três perguntou Zé Bouças e por três vezes o renegaram e eu, sem uma palavra, apenas um gesto quase imperceptível, adjudiquei a fracção que guardei no bolso sob o olhar de censura dos presentes. Não é a primeira história que ouço de gente que sempre teve o mesmo número e que um dia deixou de jogar por uma qualquer razão e pimba!, toma lá, vai buscar, que sabemos que no caso de acontecer se torna verdadeiramente desagradável, quase tão mau como ser-se atropelado numa borda de estrada enquanto se muda um pneu.




Nesta fase estão todos os leitores a perguntar-se se me saiu a Lotaria do mito urbano. Não saiu, ou por outra, se fosse vivo, e já sabemos que não, F., teria embolsado uma singela terminação. Dez euros que serão reinvestidos por minha fé. . Deve ter aqui havido uma mãozinha do falecido, ou é da minha vista. Nenhuma de ambas me surpreenderia.

Vou repensar o assunto. À cautela. Na mesma.

30 setembro 2012

Blaze of Glory


Vila do Conde. Imagem enviada por Pedro Palha

Belas localidades portuguesas


A aldeia de Deixa o Resto está situada entre Santiago do Cacém e a Lagoa de Santo André, pertence à freguesia de Vila Nova de Santo André e ao concelho de Santiago do Cacém.
Imagem roubada a Manuela Ciaccio

29 setembro 2012

Palavra da salvação

"Tuner que é tuner, casa-se pelo Registo Automóvel e não pelo Civil". (Via José Besteiro)

O jogo da Glória (II)



Esta foi a primeira peça que a SIC dedicou à situação confrangedora da casa da Dona Glória, peça que foi exibida na Segunda Feira subsequente ao dia da publicação do artigo original.

Temos neste momento um vasto grupo de pessoas a trabalhar nesta questão, contrariando o imobilismo, vencendo a inércia e brevemente anunciaremos algumas novidades. Precisaremos da ajuda de TODOS. Mas vamos conseguir resolver o problema. Não será fácil, mas vamos.

Para já, divulgue. Divulgue. Divulgue. Vai ver que vai valer o esforço.

28 setembro 2012

Miracles will happen as we speak


27 setembro 2012

Brilhante


26 setembro 2012

Upload Lisboa


Para a quarta edição do Upload Lisboa falta menos de um mês. E o leitor perguntará, "Mas o que é o Upload Lisboa?" ao que eu respondo que é um evento pelo qual tenho muito carinho, sobretudo porque se tornou uma referência de qualidade no que diz respeito a eventos sobre Marketing Digital e Web 2.0. (Não vão agora perguntar-me nada, pois não?). Até porque eu estou aqui numa luta mental sobre se devia ou não ter colocado um ponto final depois do 2.0. Vêem?

Este ano, o painel de oradores promete um dia cheio de debates e partilhas sobre os temas da actualidade em Marketing Digital, de Estratégia Digital e das tendências destas matérias. Estão programadas intervenções de Boris Hageney (Groupon) com o título "Do receio ao Dealer-chic: como o e-commerce e as redes sociais mudaram o negócio e os consumidores" (Hão-de explicar-me quem é que baptiza estas intervenções...), Nathalie Nahai “Web Psychology”; Kiruba Eswaran(TIMWE): “Mobile Money”, bem como as apresentações e debate de Chad Wittman (co-fundador do EdgeRank), David Turner (co-fundador do PageLever) e Cesar Christoforidis (diretor do ROW Territories no Socialbakers) sobre “Como alavancar o poder do news feed do Facebook” e Socialbakers: Quem está a ganhar no “Social”? E como o estão a fazer!”

Vai realizar-se a 13 de Outubro na Escola Superior de Comunicação  Social do IPL (Campus de Benfica) e começa às 9.30, que é uma hora que não lembra a ninguém (para um Sábado...), mas há quatro anos que o fazem, pelo que se insistem é porque funciona e não devemos contrariar pessoas que têm um ar decidido e trajam fatinhos janotas.

Para mais informações deve consultar-se o elegantérrimo site do evento (um dos layouts de site que eu não desdenharia adoptar no dia em que o votarem ao abandono), ou, em alternativa mergulharem no Facebook do Upload Lisboa (Aqui, pázinhos!), ou, na minha rede social favorita

Há bilhetes à venda. E são baratinhos. E também vos digo que já aprendi mais enquanto orador num Upload Lisboa do que uma tarde inteira a estudar Física de Semi-Condutores. E como toda a gente sabe, um semi-condutor é um Maestro em part-time. Ora essa, vão para dentro e não se incomodem. Encontramo-nos por lá.

25 setembro 2012

Da secção "Coisas que nem sonhamos"


Imagem fornecida por uma dadora anónima...

iOS 6 e a guerra dos Mapas

A substituição dos mapas Google por um conjunto de informação Apple dentro do iOS 6 não tem sido propriamente pacífica. Se já durante as versões Beta se tinha detectado que os mapas continham milhares (para ser simpático) de incorrecções factuais, a versão final confirmou que efectivamente há uma longa estrada a percorrer no que à fiabilidade da informação diz respeito. Já se formou um longuíssimo cortejo de anedotas (e algumas com imensa graça) a este respeito. Deixo dois exemplos. O Tejo, esse rio que eu aprendi a amar, é agora o Atlântico Norte (estou a pensar em ir ao bacalhau antes de ir trabalhar...), a lista de nomes de ruas das cidades e vilas portuguesas é um autêntico oceano de erros e falhas e o sistema de referenciação em termos de localização geográfica de um ponto é algo de extraordinariamente falível. Mas, como disse, já circulam por aí umas valentes doses de anedotas, das quais destacaria esta: "An iPhone5 user walks into a bar. Or a garage. Or a factory. He’s not too sure." ou esta imagem de puro humor britânico que foi fotografada numa estação de comboios de Sua Majestade.



A maior Rotunda do mundo, por exemplo, é em Palmela, e você não sabia, pois não?



Imagem de Luís Duarte

Tudo o que sei

Eu gostava de saber por onde começar. A sério. Gostava de dizer aos interessados no problema levantado (denunciado) por esta reportagem, problema no qual, como agora sabem, tropecei acidentalmente em conjunto com um grupo de amigos, que algo estava a ser feito para remediar a situação. Gostava. Mas não o posso fazer.

Gostava de vos dizer que recebi ecos de locais aos quais nem imaginava que a reportagem de Ana Margarida Póvoa pudesse sequer ter chegado. Recebi mail do Brasil, de Angola, de Timor, da Índia. Recebi mail da Moita de onde muita gente me disse que jamais sonhava que esta situação estivesse a acontecer debaixo do respectivo nariz. Do Porto, de Braga, de Coimbra, do país que somos, das pessoas que somos e a quem esta história disse algo.

Recebi mail de gente que me confessou estar a chorar ou ter ficado sem palavras. Gente que me confessou "Estou a chorar de raiva", ou muito simplesmente me disse "Choramos". Há muita gente à espera de um sinal para meter o pauzinho na engrenagem. Advogados, magistrados, gente que me disse "Vai por ali" ou "Faz assim". Gente que quer ajudar, que me pede apenas a forma de o fazer. Sinto-me pequeno para toda esta questão, que disse desde o primeiro comentário no post original, ser complexa. Muito complexa. Deixarei os detalhes para outras instâncias. Se os quiserem.

Tudo o que sei, e que vocês agora também sabem, é que o problema está ali, que há muita gente a saber dele (mais do que há poucos dias atrás) mas que algo tem de ser feito por alguém que tenha efectivamente verdadeiro poder interventivo. Continuo à espera que o Município dê um sinal, mas não vou pessoalmente, aguardar muito mais tempo. Que se não detecte nas minhas palavras nenhuma espécie de rancor. Mas esperava algo mais. Sim, algo mais. O "povo" não poder ser apenas uma palavra bonita que se usa amiúde e que depois se olvida.

Tudo o que sei é que lá fora chove. Em todos os locais menos naqueles que "lá fora" é também "lá dentro". E esse, sabemos agora onde fica.

Continuarei a fazer o que me for possível para que esta situação se resolva. Não posso fazer muito a não ser denunciar. Denunciar com os meios a que posso deitar mão. Não gosto de ver o nome da terra onde vivo debaixo dos holofotes por estas razões. Preferia que fosse por outras. Não calhou.

Tudo o que sei é que lá dentro chove e há quem durma descansado.

O jogo da Glória (Reportagem)


Frase do dia

"But it ain't about how hard you hit, it's about how hard you can get hit...and keep moving forward. How much you can take."

24 setembro 2012

Amanhã, no Primeiro Jornal (SIC)

A reportagem da SIC, da autoria de Ana Margarida Póvoa sobre a questão da Dona Glória, será levada à antena da estação de televisão durante o Primeiro Jornal de amanhã, Terça Feira, dia 25 de Setembro.

Às 13:00, na SIC, Primeiro Jornal.

O jogo da Glória


Queria tanto ser perfeito naquilo que não quero descrever, Glória. Queria lembrar-me do seu sorriso mas tudo o que me pergunto é como é que ainda consegue sorrir. É que sabe, Glória? Eu levantei-me no passado Sábado para, com um grupo de amigos, participar num concurso de fotografia. Abri os olhos, levantei-me e fui até lá, pensava eu que de olhos bem abertos, ao encontro dos meus amigos que são realmente fotógrafos, sim que eu não sou fotógrafo, nem artista, nem nada que se possa comparar a um arremedo da arte. Em matéria fotográfica sou um cepo, Glória. Um cepo. Eu achava até, Glória, que me esforçava. É mentira. E cheguei à conclusão de que é mentira, por sua causa. Vi-a a sorrir e talvez tenha sido o primeiro a fotografá-la. Numa janela lá no alto, quatro arames de estendal a estragar-me a composição. É sempre assim, minha querida, é sempre assim, só vi os arames depois, muito depois, já era tarde, demasiado tarde. Por isso me socorro agora da fotografia, da sua fotografia, feita pelo meu amigo Hugo Pereira, ele sim deveras melhor do que eu nesta arte de deixar para amanhã as marcas do tempo de hoje e de todos os hoje que já faleceram, apanhou-lhe um sorriso que de quando em vez me parece um esgar de dor. E talvez seja. Na verdade, Glória, você estragou-me o dia. De tal maneira que hoje está quase finado o Domingo posterior ao Sábado que você me arruinou e continuo a pensar em si e em tudo o que significou este nosso encontro. Não pelos arames, (malditos!), não pelo vaso e a folhagem que nem ficam mal no conjunto; eu continuo em busca da imagem perfeita que nunca farei e você estará ali, a sorrir, sempre a sorrir, como se tivesse qualquer razão secreta para não deixar de o fazer.

Eu fotografei-a, Glória. Quero dizer, acho que o fiz, mais do que no cartão, ficou-me na alma outra impressão mais funda e toda a gente vai ficar a saber disso mesmo, acredite, farei por isso mais do que pela imagem que guardei de si nas estranhas da minha máquina fotográfica. Mesmo com os arames que eu não vi mas que quero acreditar que sempre lá estiveram, a folhagem que eu sempre achei que era bem mais curta ou a aduela da janela que não era suposto ter ficado à vista. Aos meus olhos nunca esteve. Mas foi sempre assim nas minhas fotografias.


Nesta altura todos nós, eu e os meus amigos que efectivamente parecem saber fotografar e que entendem como ninguém de arames, folhas, aduelas e sorrisos, estamos consigo, você convida-nos a ir fotografar algo que tem dentro de casa, e nós, eternos crentes, acreditamos como meninos que vai haver algo de maravilhoso para fotografar; havia céu, sol e uma tremenda curiosidade de calcorrear estradas que estão mesmo a dizer-nos "É melhor não...".

E é precisamente neste momento que se dá o erro, o equívoco em que haverá de se transformar este seu convite. Havia algo a querer dizer-me "Vai-te embora! Vai-te embora!", mas não, não fomos, eu baixei a máquina, estava desfeita a magia e quebrado o encanto do compromisso, dali para a frente, como diz a outra, só haveria dragões.

Vejo o Vasco Casquilho a disparar. Diz-me a prática que quando um fotógrafo a sério dispara, é sinal de que um qualquer aprendiz de feiticeiro fotográfico se deve colocar por detrás dele, em linha de mira com os sonhos do instante que me habituei a não aproveitar. Sucedeu isso muitas vezes durante este meu Sábado, chegámos a falar sobre isso mesmo e das poucas vezes em que eu decidi ir a jogo, seguir-lhes os passos e o olhar, perdi sempre, qual pistoleiro destreinado ou de mão trémula. A vantagem da fotografia face ao duelo é que, felizmente, podemos perder muitas vezes e continuar a tentar. E não faz sangue, só dói nas almas.

Não o fiz, (haveria de tentar emendar a mão muito mais tarde no meu dia), o Vasco continuou a disparar e eu a prestar-lhes atenção a ambos, a Glória, a dizer-me "Venha fotografar a minha casa", como uma sereia a atrair incautos navegantes do nada imaginado. Entrei a porta, tremendo engano, não o deveria ter feito, soube isso meros segundos após ter devassado a penumbra. O Vasco continuou a disparar, pediu-me até que me desviasse, e eu desviei-me, e a primeira pergunta que me coloquei, foi "Mas como é que é possível?".

Eu fui lá cima, Glória. É curioso como se pode descer a um Inferno, subindo. Eu fui lá cima e vi como é que alguém como você consegue sorrir depois de me mostrar onde vive. E como vive. Nas condições a que pouparei o leitor, mas que como poderão dentro de meia dúzia de linhas poder imaginar, acarretam risco de vida permanente. Eu disse, risco de vida permanente. Acreditem em mim. Tive vergonha de sequer erguer a lente ou carregar em que botão fosse. Talvez não tenha sido apenas por vergonha mas sim medo de falhar algum movimento dos meus pés e estatelar-me no andar de baixo. Desci vergado à culpa. À culpa de ter subido, Glória. E você subiu à minha frente. Corrijo: Escalou a escada daquilo a um senhorio chama casa, à minha frente enquanto eu abria a boca de absurdo espanto. E quando cheguei cá baixo, sem uma palavra, o Vasco sussurrou-me "Queres uma (foto) vencedora?" e mostrou-me isto:



Fotografias: Vasco Casquilho


Não lhe perdoo, Glória, que sorria. Não lhe perdoo que me tenha assombrado o fim de semana. E não é apenas isso que lhe não perdoo. Estas imagens não irão disputar o concurso de fotografia e eu tenho pena. Pena e desconforto de não conseguir ser perfeito no meu silêncio, nas minhas omissões. Sem brilho mas com Glória.



Em virtude dos múltiplos contactos que tenho tido sobre a questão aqui levantada da casa da D.Glória, e na impossibilidade de responder individualmente a todos em tempo útil, elaborei esta lista de perguntas frequentes, que poderá dar resposta a alguns de vós. Obrigado pela solidariedade.



23 setembro 2012

Havia uma Deusa no meu banco (Revisto)

Texto publicado em Dezembro de 2008

Dez por cento dos rascunhos gerados por este teclado, textos que anseiam um dia crescer e tornar-se em posts são apagados sem retorno ou jazem para sempre no limbo dos meus Drafts do Blogger. Porque me arrependo e se for verdade que só se salva quem se arrepende, eu cá estou safo por mim e por mais três; porque chego a um ponto em que me embaracei tanto na narrativa que não há volta a dar, ou porque perco a vontade de o concluir por qualquer outra razão. A minha pasta de rascunhos é uma espécie de vala comum da inspiração, um Purgatório onde as almas dos textos que nunca foram e dificilmente serão, vagueiam em apagadas tristezas. Uma das principais razões que levam um número razoável de prosas ao supremo sacrifício leminguístico da rocha Tarpeia é a incapacidade de transmitir fielmente ao leitor algumas emoções e/ou sentimentos. Há parágrafos que são como bifes nervosos, mesmo cortados em pequenos pedaços, sendo moídos e mastigados por diversas vezes. vão perdendo a forma original sem nunca melhorarem, quanto mais embrulhados mais enjoam, a escrita e a leitura torna-se penosa até ao golpe de misericórdia, o dedo médio que se abate sobre o Delete, o criador que esmigalha a obra, brincar aos Deuses com as teclas tem sempre incluída esta massagem ao ego.

Este intróito serviu para duas coisas: a) Comprometer-me com a própria escrita, fazendo-me hesitar no esquecimento a que poderei votar as linhas que se seguem b) Aumentar as expectativas do leitor até um ponto em que não consigo alcançá-las, vulgo "estás a arranjar lenha para te queimar, sarna para te coçar, curto pano para manga tão comprida, fraco pavio para demasiada dinamite". Parece-me derrotada a estratégia e ainda nem montei o cavalo nem alinhei os exércitos.

Voltemos à vaca tépida: Como é que se passa a palavras o efeito que uma mulher bonita, anónima, que nunca vimos, mesmo que em sonhos, mesmo que nesses sonhos, provoca num homem? É difícil, bastante difícil. Os mais simplistas diriam "está ali uma gaja boa", era um facto, estava mesmo, com papas e bolos se enganam os tolos, o dito não é meu, é de um trolha que hoje ouvi conversar com o empreiteiro. Talvez o tenha pedido emprestado a alguém, afinal era um trolha e não se pode construir um post com tão fraca matéria, mais a mais ninguém me daria crédito, mesmo que a gaja fosse efectivamente muito boa e tivesse provocado no trolha uma sensação que estou agora em palpos de aranha para descrever num post, coisa que o empreiteiro faria com outra arte, quem sabe um "está ali uma gaja mesmo boa", o que parecendo que não é uma outra forma de expressar o mesmíssimo sentimento, mas com um pedacinho mais de entusiasmo narrativo.

Penso que já perceberam onde quero chegar: Há instintos básicos que todos temos, aumentos de temperatura que todos sentimos mas que se tornam por vezes um inferno de descrever, mais a mais se nos atrevermos a dar à obra um certo estilo que vá além da forma básica da ideia. A verdade é que estou há imenso tempo a pensar na melhor maneira de vos dizer que hoje encontrei uma mulher lindíssima e não consigo deixar de pensar que era uma gaja mesmo muito boa...

Avancemos: Quando entrei na gelada agência da sede do meu banco, por detrás do balcão deslizava uma Deusa, parece que estou a ver o trolha a salivar, eu mesmo pareço estar a salivar mas mentalmente, estou apenas e por delicadeza com o leitor a ser um nadinha mais discreto, o trolha nem estava lá, se bem se recordam estava a falar com o empreiteiro a grande distância dali, apenas o pedi emprestado, a ele e ao dito, para exemplificar um pensamento. Uma Deusa, repito, a deslizar por detrás de um balcão de uma agência bancária, dir-se-ia que deslizava, não lhe vi os pés e duvido que os bancos admitam funcionários que se desloquem descalços por detrás dos balcões, ainda que sejam Deuses, mesmo que sejam a própria sede da instituição, demos-lhe algum crédito, ao próprio banco ou ao narrador.

Lá fora chovia, lá está mais uma expressão roubada, mas não era de noite nem eu estou sentando à máquina de escrever, lembro-me de ter sacudido alguma água do casaco quando a vi, se bem que uma coisa não esteja com esta última relacionada. Um vestido cingido a realçar as curvas do corpo que se deixavam ver, um despido fingido a realçar as curvas que nem se viam, há momentos em que todos, mesmo todos, temos um trolha dentro de nós.

Disse ao que ia. Ela sorriu nem sei porquê, talvez cortesia profissional, era um pedido difícil e implicava a abertura de um cofre, cá para mim e para os meus botões pensei bem que podia o cofre demorar-se o dia inteiro a abrir, por quem sois. Pois abriu-se-lhe mais depressa o decote que o cofre, cá está, uma frase que precisa mesmo de ser requalificada apesar de ser verdade, ninguém pode escrever assim a cru desta maneira, poder pode, dever não devo, se os olhos também comem, dizem, é feio interromper aos mortais a refeição, deixa-me tirar-lhe os olhos do peito semi descoberto, não tarda estou a salivar e não é só mentalmente. Faço conversa de ocasião, estou ali eu encostado ao mármore gelado do balcão, um festim visual à minha frente e estou propositadamente a esquecer-me do senhor Neves que devia ser um gerente, mas que para aqui não é chamado a não ser quando ela lhe pediu que fosse abrir o preguiçoso do cofre e fê-lo, juro, com voz de Jessica Rabbit com o cio. Coisa capaz de derreter as e o Neves.

Fazemos conversa mole, ocorre-me um trocadilho básico mas resisto-lhe, mesmo quando ele, o trocadilho, me sorri, o descarado, tão provocador quanto ele, o decote, o deslizar, as formas e tudo o mais que não retive. Digo-lhe com sinceridade que aquele banco, a sede não esqueçamos, não parece um banco, três pessoas apenas e tanto mármore. Voltou à cena a voz de Jessica, com menos cio, queixando-se do frio, oh céus, agora sou eu que sorrio, pergunto-lhe pelos clientes, a Deusa faz um beicinho em jeito de espera que logo bebes, basta abrirem-se as comportas clientelares e será um ver se te avias, um fartar vilanagem. Estamos nisto e no abre-te cofre quando as portas se abriram num jorro de clientela, ela a dizer-me em tom mavioso "está a ver? está a ver?" e eu a pensar que não faço outra coisa há mais de vinte minutos, não lho disse, escrevo-o agora que ainda vai perfeitamente a tempo. Da particularidade da clientela não guardei grande pormenor, nunca guardo, não tenho grande habilidade para jogos de memória. Há um senhor africano com ar de administrador, fato de belo corte perlado de gotas de água que lá fora continua a tombar que Deus a dá, fosse a água deste banco e teria um custo certamente. quanto mais não fosse uma comissão pela mudança de gasoso para liquído. Há dois yuppies que entraram a conversar mas estão agora calados, pudera, os homens alinham-se ordenadamente e vão perdendo as capacidades vocais assim que começam a perceber o que vêem, talvez mais ainda quando realizam o que não conseguem ver. Há mais três homens, não são relevantes, se exceptuarmos o ar de basbaques que todos temos ali, fila de pirilau, de seis dos ditos legítimos se a natureza das coisas simples não tiver sido abastardada.

É nesta fase que o senhor Neves já voltou das catacumbas, presumo que tenha fechado o cofre não vá dar-lhe alguma corrente de ar e se apercebe que tem uma resma de clientes à espera, não me parece embora, 'tás doido?, que nenhum deles queira reclamar a avaliar pelo ar satisfeito que ostentam. Quando Neves se senta na caixa ao lado da Deusa e diz "Podem passar pela ordem da fila..." é vê-los esticar o pescoço e observar os varandins, disfarçar baixinho o assobio que não se ouve. Eu por mim estou despachado, aqui me avio, benza-os Deus, guardo os meus pertences e um último sorriso dela. Importante que não me esqueça das notas que fui buscar, coisa que me envergonharia mas que nesta altura sabemos ser já muito compreensível.

Quando saio, a força da chuva que tomba obriga-me a permanecer debaixo de uma reentrância da fachada. O senhor africano com ar e fato de administrador, atravessou a porta rotativa, piscou-me o olho e sussurrou-me "Mas é que está ali uma gaja muito boa, pá!". Eu, sacudi algumas gotas de água do fato de macaco, e fui-me embora sem apagar o post que nesta altura ainda não estava escrito mas já tinha sido condenado a nunca ver a luz do dia.

O que se passa com os homens e as enfermeiras

Não a conheço, ela não me conhece, há todo um alinhamento planetário que nos colocou no mesmo local e à mesma hora num contexto estritamente profissional. É tudo o que precisam de saber sobre este encontro. Ela é a enfermeira, eu sou o paciente. Ela é mulher, eu sou homem e não é preciso nenhum compêndio científico para demonstrar que há todo um imaginário masculino sobre enfermeiras mesmo que estas não sejam louras, não tenham um ar lascivo e não se chamem Ingrid. Já todos nós percebemos onde quero chegar. Qualquer homem saberá do que falo, qualquer enfermeira odiará o estereótipo. É dos livros, dir-se-á, quando na verdade é muito mais dos filmes. Ela tem por missão momentânea retirar-me uns centímetros cúbicos de sangue, colher-me sangue dirão os mais puristas, está a preparar-se para isso, garrote, tubos, seringa, segue-se uma análise que alguém há-de interpretar e outralguém assinar. Mas primeiro precisamos do sangue. E do que lhe está nas veias de paciente. De sangue. Isso.

Quem analisa primeiro quem, sou eu, mais folgado de trabalho, estou ali, sentadinho, cómodo e sem mais nada para fazer do que dar o sangue ao manifesto. Ela é extremamente bonita. Muito, muito bonita mesmo. Morena, o uniforme branco a fazer sobressair uma pele bem bronzeada. Talvez não seja assim, talvez eu esteja aqui ou ali a ser influenciado pelo tal imaginário masculino que potencia uma torrente de pensamentos menos condignos de serem escritos de forma romanceada sem se descambar num relato de outra estirpe e classificação cinematográfica. Talvez. Mas também se costuma dizer que um cavalheiro não conta nunca estas coisas e depois, vai na volta, é o que se sabe e o que se sabe é sempre muitíssimo mais do que aquilo que ninguém relata.

Ela interrompe-me os devaneios mentais de imaginação mais ousada. Quer saber se tenho preferência no braço a ser picado. Não faço questão. Assim como assim não estou a prestar nenhuma atenção ao que ela está a fazer, recordo, uma colheita de sangue para uma análise, não vá alguém ter-se perdido na viagem. Escolho o direito, não por ser o direito, apenas porque lhe dará mais jeito. Estamos em público, há pelo menos quatro mirones que se estão a deliciar com esta cena e um deles há-de piscar-me o olho, o que, vindo de um homem, tomo como sinal de encorajamento ou de solidariedade masculina perante a adversidade. Ou não. Nunca saberei.

Ela, profissional e atenciosa, avisa-me que vai espetar a agulha. Não sei que espécie de lei não escrita faz com que a maioria das enfermeiras que conheço faça questão de informar de que nos vai magoar. Devem ensinar isto nos Cursos de Enfermagem, há quem tire prazer da dor, uns sofrendo-a, outros ministrando-a, desde que o Mundo é Mundo que assim é, eu limito-me a esperar a picada e a sentir a agulha a penetrar-me no corpo. Ela é extremamente bonita e isto é só por si um anestésico.

Há coisas más para acontecer, como alguém me disse um dia, estamos sempre a ser surpreendidos por coisas de que estávamos à espera, não era o caso, a agulha espetada era apenas meio caminho para que o objectivo fosse atingido. Mas havia coisas más à espera e eu esperava uma singela seringa, coisa que não sucedeu fruto da modernização hospitalar; deixai-me explicar, agora o sangue é recolhido para uns tubos de vácuo que são adaptados à agulha que o paciente tem espetada no braço, devidamente acondicionada dentro da veia do meu braço direito e em teoria tudo funciona rapidamente e sem sobressaltos. Com os outros. Sempre com os outros.

Há qualquer coisa a correr mal. Dou por isso pela intensa actividade junto da veia do meu braço direito, ela está nervosa, há qualquer coisa mecânica que não funciona como deveria funcionar, o tubo não abre, não se dá a sucção, o sangue não corre, isto é, para dentro do tubo, em vez disso já aflora junto à agulha espetada na veia, agulha que começa a incomodar-me com tanta agitação de tentativas de funcionamento deste novo sistema. Eu já percebi que está a correr mal, a não correr de todo, os mirones agitam-se e esticam o pescoço para melhor apreciar o espectáculo. Ela enerva-se, diz mal dos tubos, imagino o que não dirá, deve ser algo mais violento. Informa-me de que algo está a correr mal. Eu já teria dado por isso mais cedo se ela não fosse tão atraente e devolvo um "deixe lá" muito pouco convicto.

Nova investida no sistema, vã tentativa, o raio do tubo não abre, nesta fase ela está decidida a usar a força mas nem isso demove os plásticos envolvidos e dá-se o caso de, neste momento, a profissional estar debruçada sobre mim numa pose muito pouco ortodoxa que dificilmente será ensinada nos Cursos de Enfermagem e que, ainda e apesar dos fracos olhos que Deus me deu (rai's parta!) eu estar à beira do aumento brutal do ritmo cardíaco, coisa que sabe-se lá não virá a perturbar o resultado final das minhas análises, por via do decote do uniforme, mas sobretudo devido à falta de lingerie dentro do mesmo. Pronto. Era isto. A minha análise nunca mais será a mesma. As coisas são como são, e as dela, valha-me Deus, eram aparentemente bastante saudáveis. Vitamina D com fartura. Nem uma marca no bronzeado, não está nada mal para ceguinho... Reparem como são as coisas, desígnios insondáveis, como que por magia eu deixo de estar preocupado com o que quer que se relacione com seringas, tubos e sangue... Coisas.

Sou informado de que vou ser picado de novo, não sem antes me ser retirada a agulha cujo sistema não funcionou, tudo isto é presenciado por mim em sofrimento misto de prazer, a posição mantém-se, eu por mim já pensei "tenho quatro litros e meio de sangue, esteja à vontade, leve o tempo todo que for necessário...", claro que só pensei, não lho disse, queira o leitor notar que não deverá dizer este tipo de coisas a pessoas, por mais atraentes que sejam, que estejam debruçadas sobre si, sem lingerie visível até onde a sua imaginação possa alcançar, mas que tenham objectos metálicos pontiagudos espetados no seu corpo. Estão avisados, não abusem da vossa sorte.

Disse lá atrás que um cavalheiro nunca conta. E estive dias a fio a pensar se o deveria fazer.

Tinha de o fazer.

Está-nos no sangue. Está-me no sangue.

21 setembro 2012

To Infinity and Beyond! (Mas em círculos)

E o gáudio que sinto ao ser informado pelo Senhor Engenheiro Botinhas de que anteontem, pela primeira vez, se conseguiram mensagens de navegação reais, com satélites a sério e estações terrestres de pedra e cal no sistema Galileo, que tem, algures nas entranhas do respectivo código, o URL deste blog?

Incha, Curiosity!


20 setembro 2012

A diferença entre cone e silicone


19 setembro 2012

Todos à MediaMarkt


Para 129 polegadas o preço está em conta. Não sei é se me cabe um destes no terraço... Imagem enviada pelo leitor Manuel de Freitas

18 setembro 2012

O jogo da Glória (F.A.Q.)

SIC Notícias 18/9/2012  (Foto de Fernando Mateus)

Em virtude dos múltiplos contactos que tenho tido sobre a questão aqui levantada da casa da D.Glória, e na impossibilidade de responder individualmente a todos em tempo útil, elaborei esta lista de perguntas frequentes, que poderá dar resposta a alguns de vós. Obrigado pela solidariedade.

Onde é que fica a casa da D. Glória?

A casa em questão fica na Vila da Moita, concretamente no Beco do Espanhol, por cima do número 8 (não consigo localizar um número de polícia concreto para a porta do edifício).

A Câmara Municipal da Moita já foi informada?

Apenas oficiosamente. Se é verdade que entendo que o deva fazer de forma oficial, não estou certo de que seja da sua directa responsabilidade a intervenção urgente que é necessária neste caso. Estou a tentar contactar o senhorio do edifício por forma a poder conversar com ele e explicar-lhe as desvantagens de uma "tempestade mediática" sobre a sua pessoa e esta situação. Não sei nada dele ainda, não sei nada sobre a razão da sua recusa em fazer as devidas obras. Mas não está a ser fácil, quer a identificação correcta, quer o contacto. Está, de qualquer das formas preparada para ser enviada ainda hoje, uma comunicação formal ao Presidente da Câmara, aos Serviços de Acção Social, ao Departamento de Protecção Civil e ao Departamento de Turismo (pois foi a minha participação no Raid Fotográfico da Moita que proporcionou a vivência deste caso tão gritante).

Foi feita uma comunicação formal aos serviços camarários: Câmara Municipal da Moita, Gabinete da Presidência, Serviços de Acção Social e Serviços de Protecção Civil. (Que não tiveram qualquer resposta, por mais automática que fosse)

Porque é que não avanças já para uma intervenção na escada?

Ao contrário do que pode parecer inicialmente, a reparação (diria mais, reconstrução) da escada não resolve o problema e do qual é apenas uma pequena parcela. A zona por cima desta escada (interior), está completamente destelhada e qualquer intervenção ali feita, será irremediavelmente condenada assim que a chuva regressar. De qualquer modo, uma intervenção deste tipo, ainda que feita por um grupo de voluntários acompanhados por gente profissional das áreas necessárias, necessitará sempre da autorização/informação ao senhorio, bem como (penso eu) de acompanhamento técnico. Não quero transformar um problema noutro ainda maior por irresponsabilidade voluntarista. Do que me foi dado ver, uma das vigas da escada (lado direito), não está íntegra (o que acarreta a completa remoção da estrutura da mesma) e esta tarefa não deverá apenas ser levada a cabo por um grupo de pessoas munidas de martelos e boa vontade.  É necessária prudência.

Do que me foi dado ver, existe no interior da habitação uma situação tão ou mais gritante do que esta. No final da escada da fotografia, junto à porta de entrada na habitação, existe um enorme buraco no pavimento do corredor, que está defendido de forma frágil e que constitui também ele um enorme problema de segurança. Não tenho qualquer pormenor adicional sobre esta outra situação.

A degradação da casa é muito grande?

É. Muito, mas mesmo muito grande. Quem vir apenas as fotos da escada não tem nem uma migalha de toda a situação. O Vasco Casquilho registou há dias algumas imagens do interior da habitação, fotos essas que poderão ser vistas neste link.

Como posso eu ajudar à resolução deste caso?

Para já, e enquanto se procedem aos contactos necessários (que, repito, estão a ser morosos), ajude a divulgar esta questão, publicitando dois links: Este (o relato inicial) e esta lista de perguntas e respostas.

Debalde


Na Vila da Moita, muito próximo da localidade onde resido, a maioria das placas de indicações de localidades estão neste estado de limpeza. Já me interroguei por diversas vezes das razões do abandono da conservação e limpeza destes úteis equipamentos, mas não me ocorre nada de relevante, salvo o facto de não chover. Não sei de quem é a responsabilidade desta manutenção, se Municipal se Central, mas alguém devia pensar em soluções. (Já me ocorreu pegar num escadote e num balde, mas ainda posso ser processado por danificar a arte urbana).

Confesso que fiquei na expectativa de que, no período que antecedeu as Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem. alguma operação de limpeza fosse efectuada, mas já percebi que nem o facto de milhares de forasteiros visitarem a Vila nesta altura pesou na decisão de mandar corrigir o problema.

16 setembro 2012

O caçador de pérolas

"...manifestantes não arrendam pé da Assembleia da República."

15 setembro 2012

iPhone 5 no Curto Circuito (SIC Radical)



A peça da Sic Radical (Programa Curto Circuito) sobre o novo iPhone 5.

14 setembro 2012

Temáticas


Beja, videoclube (sim, ainda existem!). Imagem original de Nelson Pitacas

Revista ON


Crónica "There was a young woman named Bright", Revista ON, Setembro de 2012

13 setembro 2012

Vidas

Há quem tenha vidas de fachada. Ser-me-ia indiferente se eu não fosse um dos lavadores de vidros.

12 setembro 2012

O primeiro QR Code em calçada


Brilhante ideia! No Chiado, em Lisboa

11 setembro 2012

Todos à Worten


Imagem enviada pelo leitor Paulo Rocha

Cenas da vida de um infante


50% de desconto (Priberam)

São já 50.000 os fãs da página da Priberam no Facebook. E como 50.000 é um número que não se atinge todos os dias, resolveu a Priberam celebrar este momento especial com uma oferta especial: até 14 de Setembro, é de aproveitar o desconto de 50% em todos os produtos da loja deles.

Uma oportunidade para não perder a possibilidade de comprar, a um preço especial os melhores produtos do mercado. Basta um click aqui para aceder à loja e insira o código promocional  PRIBERAM50MIL no "checkout" para usufruir do desconto. Só até 14 de Setembro.

Hoje caça você


A Bola Online. Imagem enviada pelo leitor Emanuel Silva

Hoje caça você


The Evil in me


imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

Subtilezas


Imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

10 setembro 2012

Não fui eu que inventei


A minha habilidade em matéria de ovos, claras e gemas acaba de disparar.

05 setembro 2012

Quase todos


Imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

27 agosto 2012

Não fui eu que inventei

Dizem que os portugueses dominam todas as receitas de bacalhau. É mentira. Só gostava de saber o que é que eles tomam como digestivo depois de um prato destes. Crude?

23 agosto 2012

There are Generals and Majors

O Governo decidiu diminuir o número de Generais na estrutura das Forças Armadas. Sairão do Quadro oito Generais. Acho muito bem. Parece que há Generais em excesso. Assim de repente aposto que vão passar à Reserva o General Failure, o General Motors e o General Electric. Os outros cinco ainda não sei quem são.

No fim da noite

Se pensarmos bem, nos tempos que correm, conseguir levantá-la ao fim da noite já é obra... Imagem enviada pelo leitor Joel Silva

17 agosto 2012

Cães de louça

Encontro um Labrador de olhar meigo amarrado na coluna da entrada da loja. Faço-lhe uma festa. Liberto-o da posição a que foi sujeito e ele lambe-me as mãos quando percebe o que estou a fazer. Levo-o ao dono que está no interior e este devolve-me um olhar espantado. "Não sabia que podia entrar com o cão...". Pode sim, esteja à vontade. Eles portam-se sempre muito melhor do que alguns humanos. Nunca apanhámos nenhum cão a roubar produtos ou a estragar caixas. E até isso acontecer, os cães simpáticos e meigos serão sempre muito bem-vindos a este espaço.

Some like it rough

Exemplos. De quem desfaz erros cometidos em nome do serviço ao cliente. Um exemplo curioso numa altura em que a máxima parece ser a do cavalo do escocês...

Via Joel Silva

Hoje caça você


16 agosto 2012

Ah! Que se lixe...


Imagem de Décio Gaspar. Sou todo olhos para as vossas leituras desta placa...

15 agosto 2012

Obrigado pelo aviso


Olimpíadas dos detergentes


Deram-te um nome de rua (Porém efémera)



Imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

12 agosto 2012

Nome de rua (II)

Santa Cruz. Imagem enviada pelo leitor Joel Silva 

Deram-te um nome de rua


Imagem enviada por Amílcar Messias

11 agosto 2012

Largadas Rosário 2012


Clique na imagem  para um formato maior

Ah, as largadas de touro na praia fluvial do Rosário... A camaradagem, o convívio, as aulas de aviação... (Foto Vasco Casquilho)

09 agosto 2012

Boletim clínico

Gostaria, em primeiro lugar, de agradecer a todos os que durante a noite, madrugada e manhã se preocuparam com os meus tweets sobre a incursão hospitalar num Episódio de Urgência no Hospital de S.José. O Twitter, por razões que desconheço (e não é a primeira vez que tal me acontece), acabou por duplicar mensagens com algumas horas de diferença o que fez com que muitas pessoas achassem que certas coisas estavam a acontecer pelas oito da manhã, hora a que eu já tinha abandonado o Hospital e dormia regaladamente (como aliás há alguns longos dias não sucedia). "Ah, mas estavas a tuítar enquanto fazias exames e medicamentação? É porque não era grave..." Na verdade eu sou menino para tuítar até uns segundos antes de falecer. Quem me conhece sabe que eu sou do tipo que só se preocupa com questões de saúde quando digo "Mas então agora caiu-me este braço?" e apenas e só se for o braço de cuja mão precise para continuar no Twitter uma vez que não dá jeito nenhum digitar com a mão esquerda...

Para quem não sabe, acontece que desde há um par de semanas que sofro de sintomas absolutamente anormais de dores de cabeça (em medicalês, cefaleias) que se foram agravando a ponto de ontem a coisa ter chegado a uma escala tal de sofrimento e me ter feito procurar ajuda especializada. Assustado com algumas opiniões de especialistas da Saúde que aventaram possibilidades muito duras e verdadeiramente preocupantes, e porque nunca em tempo algum tinha sofrido deste tipo de problemas, decidi que era hora de investigar a coisa de modo a não deixar dúvidas.

Estou agora devidamente testado, analisado e visto em fatias fininhas por equipamento que faz jpegs lindos   dos meus pensamentos mais recônditos e apesar da origem da anomalia não ter sido (ainda) detectada, foram eliminadas as probabilidades mais chatas e assustadoras, capazes de, mesmo que em hipótese, provocar dores de cabeça ainda maiores. Mais, as minhas análises, nas quais honestamente eu não apostaria dinheiro algum, revelam um mocinho com uma saúde perfeita, pelo menos do ponto de vista teórico. (Até a taxa de basófilos é linda...).

Devidamente medicado com uns valentes shots de Paracetamol endovenoso, picado e acompanhado por enfermeiras giras e simpáticas, cuja disposição a horas impróprias me faz pensar que o meu emprego não é assim tão mau, abandonei o Hospital com algumas indicações medicamentosas, seguimento do assunto noutras esferas da área hospitalar e, talvez o mais importante de tudo o que é imediato, com a dor absolutamente controlada. Que assim se mantenha e já não seria mau de todo.

De novo, os meus agradecimentos aos profissionais de saúde que me acompanharam e a todos quantos me perguntaram o que se estava a passar. Estais cá dentro (e poderão, quem sabe, aparecer em radiografias futuras.) Sigamos. De preferência para Bingo. Beijos e abraços.

Posts

Foi há alguns dias que o homem da PicoDev me fez chegar uma licença deste software. Na verdade, foi em Dezembro passado que me tinha sido possível dar uma espreitadela naquilo que poderá a ser a melhor aplicação jamais produzida para blogging em iPad. Está na versão 1.0, tem ainda um longo caminho a percorrer e eu prometo-vos que escreverei sobre a mesma. Mas é uma aposta segura. Seguríssima. Um primeiro impacto estético, o interface é belíssimo e o homem por detrás da PicoDev, João Pavão, é a mesma pessoa que desenvolveu talvez a mais popular aplicação portuguesa para iPhone, o Banca Sapo. E quem sorriu quando há dias eu afirmei publicamente que o Posts era uma aplicação maravilhosa, fique agora a saber que não sou o único a pensar isso mesmo.

E fico contente, muito contente, por ver utilizadores Apple, hoje programadores, que conheci ainda quando estes andavam nos bancos das respectivas escolas, a singrar neste dificílimo mercado do desenvolvimento Apple. Times, they are a changin'

07 agosto 2012

Curiosity has landed


A ansiedade, os nervos, os anos de trabalho acumulados numa sequência em que algo pode correr mal numa fracção de segundo. Não é a primeira vez que invejo um grupo de pessoas como este, espero que não seja a última. E percebo-lhes a explosão seja de alegria, seja de lágrimas.

Be a sport, pal!


Imagem enviada pelo leitor Álvaro Graça

Matrícula GNRE0272



Sabes que estás em Portugal, quando, numa Auto-Estrada, um chico-esperto liga os quatro piscas e segue pela berma como se todos os outros fossem um grande grupo de ursos. Agora, tens a certeza de que estás em Portugal quando é um veículo da GNR (transporte de cavalos) em missão não urgente e não assinalada, que encontra uma fila e decide atalhar pela berma, para voltar à faixa de rodagem cem metros mais à frente, com os quatro piscas ligados como se nada de especial tivesse sucedido.

06 agosto 2012

Três em um


Imagem enviada pelo leitor Amílcar Messias

05 agosto 2012

Praia das Maçãs - Season 1 Episódio 41





Aberto o toldo, está no Praia das Maçãs o Episódio #41 do mais importante Podcast feito em língua portuguesa sobre Mac, iPad e iPhone. Um episódio carregado de material de análise, do habitual "O meu mundo Mac" a duas reviews específicas sobre um conjunto de auscultadores "in ear" e um helicóptero telecomandado. Este episódio fecha com uma extensa e interessante entrevista ao maratonista Luís Feiteira, entrevista feita na véspera da partida do atleta para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. O homem, o atleta, o Mac user. Este episódio está disponível aqui (enquanto não se resolve o malfadado problema do iTunes).

04 agosto 2012

Anicetos de todo o mundo, uni-vos!

Vai buscar!

02 agosto 2012

Micro carros, maxi sonhos



Imagem enviada pelo leitor Henrique Macedo

Sushi time!

Estou deveras curioso. Um tipo senta-se à mesa e vem alguém que nos descreve o Sushi? (Email promocional Best Tables)

Cenas "muntáfrente"


Eu explico. Um homem vai ao largo da aldeia para tomar um café e um dos cromos do lugarejo diz que "sei lá, vi esta T Shirt à venda em Fátima e simplesmente adorei. Custou-me 40 Euros, mas adorei".
E é isto.

01 agosto 2012

Are you american?

Finalmente há uma pessoa em Portugal a dar uso  à cabeça...

Arte urbana



Av. Conselheiro Fernando de Sousa (Amoreiras)

Sapo Codebits VI (2012)


É o maior evento português de tecnologias de informação mas arrisco ainda reforçar que é talvez um dos eventos portugueses de tecnologias de informação mais desconhecidos da cena nacional. Não é "main stream" (embora isso, ano após ano tenda a deixar de ser uma verdade indiscutível) e alberga fisicamente, durante três dias non stop, a nata da comunidade informática portuguesa (o que quer que isso seja). Programadores, fazedores, gente que tão depressa limpa (e ensina a limpar) um sistema de admissão de ar de um automóvel como faz (e ensina a fazer) um skate. Eu sei, para o leitor "normal" isto é um congresso de loucos (e pode, em algumas circunstâncias ser uma verdade imensa, mas é desta mistura de genialidade e de "fazedores de coisas" que se geram grandes inovações. Agora imagine que esta gente (oitocentas pessoas), está concentrada num local em Lisboa (Sala Tejo, Pavilhão Atlântico) onde pode trabalhar, comer, dormir, fazer-se disparar contra um muro de almofadas (sim, há coisas peculiares) e nesses três dias juntar-se num grupo e desenvolver um projecto tecnológico que tanto pode ser um capacete de medição de picante como um software sofisticadíssimo de gestão de terramotos.

Sim, eu sei, é complicado de explicar, tenho esperança de que este ano alguém desenvolva um software capaz de me explicar o mercado não regulado de electricidade, mas das centenas de projectos que vão aparecer, algum há-de ser capaz de me deixar a pensar no assunto durante algumas semanas.

O Sapo Codebits não é um circo, não é uma mega associação de loucos, vai muito para além disso. Comece por visitar a página oficial do evento, registe-se, leia e informe-se. Uma das primeiras coisas de que vai ganhar consciência é de que não basta querer ir para conseguir ir. Registe-se (sim, já sei que já disse), componha a sua bio, e seja capaz de justificar muito bem justificadinho porque é que o Sapo Codebits o deve convidar a participar no evento deste ano e candidate-se a ser orador numa das dezenas de palestras que qualquer participante pode levar a efeito perante os seus pares. Você é um Deus do Java? Um príncipe do Assembler? Candidate-se. Sabe fazer colheres de pau ou é um génio embalsamador de esquilos atropelados no IC19? Candidate-se. Mostre-lhes e diga-lhes porque o devem aceitar no mais envolvente evento português que nada fica a dever a uma meia dúzia de eventos do género com relevância mundial.


Falei em oitocentos lugares. Correcto, Parece muita cadeira, parece que chegará para todos. Nada de mais errado. Todos os anos, umas larguíssimas centenas de candidatos ficam de fora. De fora, senhores! Não é coisa bonita de se ver, principalmente se pensarmos que ao fim de dezassete minutos, cá fora, já passaram por nós TODAS as cabines de teleférico da Expo. Nos dois sentidos.

Vou agora pensar em fazer algumas alterações no meu perfil biográfico de candidatura ao Codebits 2012. Sim, vou querer lá estar (é, para que saibam a única actividade dita "de trabalho" para a qual marco férias propositadamente mas eu defendo há anos que estes dois dias úteis deveriam ser considerados como formação profissional). E tenho um recado para os organizadores:

"Em 2009 o vencedor estava na minha mesa, em 2010 o vencedor estava na minha mesa, em 2011 o vencedor estava na minha mesa. Se querem ter vencedor este ano, não deixem de aprovar a minha presença!"