08 novembro 2012
07 novembro 2012
Sabedoria popular
"Deus Nosso Senhor nos guarde de bocas abertas, de coisas que não são certas, e de mulheres que aos homens põem aquilo que dos bois é."
06 novembro 2012
I will try to fix you
Quando me perguntam o que faço, eu respondo que sou Gestor de Produto. Quando eu mesmo me pergunto o que faço, respondo como na anedota: "'Cê tem um tempinho?" e no mais das vezes não sei, no mais das vezes ou não respondo ou disparo um clichê.
Há oito dias, alguém pediu a minha ajuda para uma situação clínica. Um doente de Esclerose Lateral Amiotrófica, doença que eu só conhecia de nome até ao momento em que, brutalmente, conheci a situação. O doente de ELA vê degradar-se ao extremo a capacidade muscular de responder a estimulação enviada pelo cérebro, órgão que se mantém sem qualquer dano, enquanto a musculatura vai deixando de responder levando à atrofia do corpo, combatida por fisioterapia.
O doente, como acima referi, mantem-se lúcido e eu nem quero imaginar o que deve ser de conflito interior, o facto de ser completamente dependente do ponto de vista físico, enquanto a capacidade mental se mantém intacta.
Aquilo que fiz, nesta situação, foi substituir/introduzir um tablet cuja capacidade de ecrã deixava bastante a desejar, fosse do ponto de vista de ângulo de visão, fosse do ponto de vista áudio e em capacidade. Mas talvez a intervenção mais importante tenha sido a remoção do suporte acrílico tremendamente instável e com um ângulo tremendo, que obrigava o doente a uma amplitude de movimento vertical da mão que se perdeu já há algum tempo. Basicamente usei um Macally Ecofan do qual removi toda a parte eléctrica e cablagem, tendo-lhe introduzido mais um ponto de elevação que o original não possui, bem como uma modificação na altura da mesa-base que era de todo imprescindível. Foi também necessário implementar um sistema de fixação no iPad (que permitisse a remoção sempre que necessário), bem como sugerir a entrada em funcionamento de um braço articulado auxiliar Ergo Rest, braço esse que a pessoa já possuía, mas sem que estivesse em funcionamento (era necessário modificar ligeiramente a mesa, o que foi feito).
No final da operação de implementação, ninguém teve dúvidas do entusiasmo do doente neste setup e acho que foi a primeira vez que me emocionei por ver alguém a ler o Público Online. É por isso que eu digo que quando me perguntam "O que é que fazes?", por vezes posso responder "Dou graças por também ser informático".
Aproveito esta oportunidade para pedir aos responsáveis da App do Público para iPhone uma pequena alteração. Passem o botão "Destaques" para a barra inferior. Fará TODA a diferença. Acreditem que sim.
Há oito dias, alguém pediu a minha ajuda para uma situação clínica. Um doente de Esclerose Lateral Amiotrófica, doença que eu só conhecia de nome até ao momento em que, brutalmente, conheci a situação. O doente de ELA vê degradar-se ao extremo a capacidade muscular de responder a estimulação enviada pelo cérebro, órgão que se mantém sem qualquer dano, enquanto a musculatura vai deixando de responder levando à atrofia do corpo, combatida por fisioterapia.
O doente, como acima referi, mantem-se lúcido e eu nem quero imaginar o que deve ser de conflito interior, o facto de ser completamente dependente do ponto de vista físico, enquanto a capacidade mental se mantém intacta.
Aquilo que fiz, nesta situação, foi substituir/introduzir um tablet cuja capacidade de ecrã deixava bastante a desejar, fosse do ponto de vista de ângulo de visão, fosse do ponto de vista áudio e em capacidade. Mas talvez a intervenção mais importante tenha sido a remoção do suporte acrílico tremendamente instável e com um ângulo tremendo, que obrigava o doente a uma amplitude de movimento vertical da mão que se perdeu já há algum tempo. Basicamente usei um Macally Ecofan do qual removi toda a parte eléctrica e cablagem, tendo-lhe introduzido mais um ponto de elevação que o original não possui, bem como uma modificação na altura da mesa-base que era de todo imprescindível. Foi também necessário implementar um sistema de fixação no iPad (que permitisse a remoção sempre que necessário), bem como sugerir a entrada em funcionamento de um braço articulado auxiliar Ergo Rest, braço esse que a pessoa já possuía, mas sem que estivesse em funcionamento (era necessário modificar ligeiramente a mesa, o que foi feito).
No final da operação de implementação, ninguém teve dúvidas do entusiasmo do doente neste setup e acho que foi a primeira vez que me emocionei por ver alguém a ler o Público Online. É por isso que eu digo que quando me perguntam "O que é que fazes?", por vezes posso responder "Dou graças por também ser informático".
Aproveito esta oportunidade para pedir aos responsáveis da App do Público para iPhone uma pequena alteração. Passem o botão "Destaques" para a barra inferior. Fará TODA a diferença. Acreditem que sim.
05 novembro 2012
A origem das expressões (Salvo pelo gongo)
Fulano foi salvo pelo gongo" é uma expressão que muitas vezes associamos a combates de boxe, onde a indicação do final do round (ou assalto) é indicada pelo toque de um gongo. A expressão contudo não tem origem nesta imagem, a de alguém que vê interrompido um ataque ou um problema pelo toque metálico do instrumento. A sua origem, crê-se estar nos tempos medievais ingleses, onde os funerais eram executados em caixões reutilizáveis. Muitas das vezes, os supostos mortos não o estavam e era frequente encontrarem-se caixões com marcas e arranhões, de pessoas sepultadas ainda vivas. Tal facto levou a que fosse amarrado ao pulso do "defunto" um fio ligado a uma campainha, que, à superfície, se fosse accionada, se fazia ouvir, permitindo salvar o infeliz enterrado. Da expressão "Saved by the bell" veio então o "Salvo pelo gongo".
Etiquetas
Expressões
02 novembro 2012
31 outubro 2012
Requiem
Um Gestor que desfaz equipas de pessoas que choram quando se despedem umas das outras, deveria pensar um pouco e reflectir porque é que isso sucede. E deveria tirar vantagem desses laços. Deveria usar menos a palavra "perfil" e usar mais tudo aquilo que entra pelos olhos dentro. Devia descer da sua torre pelo menos uma vez por semana e perceber de que matéria são feitos os sonhos.
29 outubro 2012
26 outubro 2012
22 outubro 2012
Romanes eunt domus!*
Centro de Emprego de Matosinhos. Imagem enviada por Paulo Santos
* Para quem não tenha percebido o título...
Guia de Puericultura El Corte Inglés
Aposto que há mais notas do paginador (se alguém tiver tempo e paciência para apontar mais alguma deste calibre, terá os devidos créditos assinalados).
Grandes momentos do jornalismo
![]() |
| Click na imagem para a ver em formato aumentado |
Jornal dos Desportos (Angola). Imagem enviada pelo Senhor Engenheiro Botinhas.
21 outubro 2012
20 outubro 2012
18 outubro 2012
Uma fenda na muralha (II)
"A abóbada não caiu, a abóbada não cairá!". Não sei como foi convosco, mas esta foi a treta histórica que o Estado Novo me pregou e que me ficou gravada para sempre nos neurónios. A ilustração do texto relativo a Afonso Domingues no meu livro de História de Portugal era bastante dramática. O próprio Afonso, de ar trémulo e débil, sentado num bloco de calcário, desafiando a abóbada. Sozinho. Desafiando o Rei e a ordem instituída até ao último momento, mesmo quando já quase ninguém parecia acreditar. Persistir. Persistir sempre. Parabéns Basílio Vieira! A vitória, foi difícil mas foi tua.
Etiquetas
Cidadania
17 outubro 2012
PRIMO (Rádio Comercial - Luís de Matos)
Será de inteira justiça afirmar-se que durante a estreia (já lá vai quase um ano...) de Chaos, o espectáculo que Luís de Matos recolocará em cena nos próximos dias, não era eu que, como disse Nuno Markl no último PRIMO, "que estava aos comandos dos computadores". Para isso tem o Luís no seu Estúdio 33, uma equipa de gente bem capaz, de isso e de muito mais (inclui serrar pessoas ao meio e outros sortilégios). Mas a verdade é que, e agora já se pode falar disso com alguma comodidade, uma vez que o assunto veio à baila durante a última emissão do PRIMO (Programa Realmente Incrível Mas Obtuso) em que Luís de Matos participou, fica o resumo do que realmente aconteceu. A míseras vinte e quatro horas da estreia de Chaos, a máquina que fazia o suporte multimédia (a bem dizer, o suporte de vida da cenografia do espectáculo, pifou). Calma, acalmem-se os do costume que não foi por uma questão de qualidade. Foi um acidente. Um curto-circuito idiota num dos pontos de fornecimento de energia, um zaaaap tremendo, o inevitável cheiro a queimado e a constatação de que o nome Chaos tinha efectivamente sido muitíssimo bem escolhido para o espectáculo. Há imagem mas não há som, (ler: vídeos e a excelente banda sonora). Todo o módulo de controlo de som morreu por electrocussão. O Luís faz avançar um plano B, uma máquina menos potente, muito menos potente, que transforma todo o espectáculo num mar de incógnitas e gaguez. A estreia de Chaos é todo ele um festival de horror e há menos de vinte e quatro horas para resolver o problema. Só quando eu abro as entranhas do electrocutado, na companhia do Gonçalo Pereira, meu colega de trabalho, é que percebemos bem o alcance do sucedido. Há montículos de carvão na motherboard e trata-se de fazer um transplante entre máquinas e placas que há-de também ele, ser um festival de magia, dado que metade da "operação" foi feita num carro em andamento entre Lisboa e Estoril. De notável só sobrou mesmo o facto de não terem sobrado (ou faltado) peças. E o facto de mesmo nos momentos de maior tensão, a calma olímpica do Luís se ter sempre sobreposto a tudo e a todos. Três dias depois vi, de novo, o espectáculo, e aí sim, consegui recostar-me na cadeira sem olhar atentamente para a cenografia e perguntar a mim mesmo "Mas porque raio é que o Finder faz parte do cenário?". Piadas à parte, vão ver. Chaos. Brevemente no Auditório dos Oceanos em Lisboa e um pouco por todo o país.
15 outubro 2012
Decidam-se, 'tá?
Parece que a Disney e o IGAC tiveram alguma dificuldade ao classificar este videograma. Na mesma capa é possível encontrar três escalões etários... Imagem enviada pela leitora Susana Canhoto
Etiquetas
Ninguém merece,
Pérolas
Esmeraldo de Situ Orbis
Foi um dos meus grandes enigmas de menino, profundamente inculcado por um magnífico Professor de História que tive a felicidade de ter nos primeiros anos de Liceu. O homem que nos dizia que nunca devíamos ter nada como garantido em termos de História e que um dia semeou o alvoroço escolar quando sugeriu que o "achamento" do Brasil não teria sido exactamente obra do acaso, mas antes uma empresa marítima cumprida em várias etapas. Se já estávamos desassossegados com essa informação, pior fiquei com o estudo da obra de Duarte Pacheco Pereira, "Esmeraldo de Situ Orbis", uma autêntica obra de referência de marinharia e geografia da época. Essa obra, que tem em alguns dos seus capítulos, autênticas pistas para a exploração do Atlântico Sul, mais contribuiu para a certeza de que Cabral foi "apenas" o achador oficial, tendo Duarte Pacheco Pereira sido o "piloto de testes".
É agora que um amigo que muito prezo, Professor de História Naval na Universidade de Lisboa (Francisco Contente Domingues), vem reafirmar essa suspeita.
"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."
É agora que um amigo que muito prezo, Professor de História Naval na Universidade de Lisboa (Francisco Contente Domingues), vem reafirmar essa suspeita.
Maria Rueff
Conheço-a dos palcos e dos ecrãs há uma eternidade, como aliás quase todos nós, mas só há poucos anos travámos conhecimento pessoal. Mulher multi-tarefa, sempre a "abrir", já lhe prometi que, um dia, quando ambos formos velhinhos e ela estiver na Casa do Artista, teremos finalmente tempo para abordar os cinquenta mil assuntos que temos permanentemente em aberto sem que um de nós esteja pressionado pela respectiva agenda profissional ou pessoal.
É das lendas conhecidas do grande público que eu tenho especial predilecção por capas de iPhone que fujam ao comum e que dêm nas vistas. Sou severamente criticado pelo espalhafato das inúmeras capas que uso nos telefones e há algumas em particular que são verdadeiramente berrantes e espalhafatosas. É a vida, dirão alguns, a verdade é que há pessoal que abusa na garridice das gravatas, eu sou mais capas.
A capa de iPhone é um item indispensável. Porque pela minha mão passam, a cada ano, centenas de telefones partidos em quedas, alvo de acidentes que levam às lágrimas os respectivos donos e donas e não é a primeira vez que faço questão que algumas dessas pessoas passem a usar um protector de iPhone digno desse nome. Manuel Damásio tem e usa uma capa de iPhone que lhe ofereci no último dia em que jantámos em plena festa e o Benfica se sagrou Campeão Nacional (capa encarnada, como não poderia deixar de ser) e a Maria Rueff ofereci também uma capa do mesmíssimo modelo, de um amarelo capaz de vazar uma vista (mas que se topa à légua dentro de uma mala de senhora...).
Não deixa de ser uma coincidência curiosa que no dia em que se anuncia o lançamento de A Bola TV (onde trabalham alguns amigos e conhecidos meus), o Zé Manel, um dos mais populares taxistas do país e uma personagem que ficará para sempre colada na pele de Maria Rueff, surja nas páginas centrais de A Bola, usando precisamente a capa de iPhone que tantas e tantas vezes foi alvo de escárnio dos meus amigos. Maria Rueff tem, desde há algum tempo, uma página de fãs no Facebook. Passe por lá e diga "Olá, Zé Manel!"
É das lendas conhecidas do grande público que eu tenho especial predilecção por capas de iPhone que fujam ao comum e que dêm nas vistas. Sou severamente criticado pelo espalhafato das inúmeras capas que uso nos telefones e há algumas em particular que são verdadeiramente berrantes e espalhafatosas. É a vida, dirão alguns, a verdade é que há pessoal que abusa na garridice das gravatas, eu sou mais capas.
A capa de iPhone é um item indispensável. Porque pela minha mão passam, a cada ano, centenas de telefones partidos em quedas, alvo de acidentes que levam às lágrimas os respectivos donos e donas e não é a primeira vez que faço questão que algumas dessas pessoas passem a usar um protector de iPhone digno desse nome. Manuel Damásio tem e usa uma capa de iPhone que lhe ofereci no último dia em que jantámos em plena festa e o Benfica se sagrou Campeão Nacional (capa encarnada, como não poderia deixar de ser) e a Maria Rueff ofereci também uma capa do mesmíssimo modelo, de um amarelo capaz de vazar uma vista (mas que se topa à légua dentro de uma mala de senhora...).
Não deixa de ser uma coincidência curiosa que no dia em que se anuncia o lançamento de A Bola TV (onde trabalham alguns amigos e conhecidos meus), o Zé Manel, um dos mais populares taxistas do país e uma personagem que ficará para sempre colada na pele de Maria Rueff, surja nas páginas centrais de A Bola, usando precisamente a capa de iPhone que tantas e tantas vezes foi alvo de escárnio dos meus amigos. Maria Rueff tem, desde há algum tempo, uma página de fãs no Facebook. Passe por lá e diga "Olá, Zé Manel!"
14 outubro 2012
13 outubro 2012
10 outubro 2012
Optimus Top Apps
Com a inacreditável cadência de saída de aplicações iPhone, há uma questão que a cada dia que passa é cada vez mais complicado responder.
"Quais são as tuas aplicações favoritas?".
No início era simples, andávamos todos mais ou menos "por dentro" das novidades, usávamos um "boca a boca" para os amigos e conhecidos irem ficando a par do que estava realmente a precisar de ser usado.
Hoje, a iTunes Store tem um manancial de novidades e aplicações mais ou menos reformuladas que é absolutamente impossível estar actualizado nesta matéria.
O que é que fazemos então para manter actualizado o nosso conhecimento? As dicas do amigos continuam a ser preciosas, o que lemos por aí, em papel ou em suporte digital, já existem apps para nos recomendarem aplicações ou alertar sobre mudança de preço das mesmas. Não chega. Uma coisa é saber que um dado software existe e que faz isto e aquilo, que tem esta ou aquela característica, outra é saber se vale realmente o seu preço. Mesmo que este preço seja zero, ninguém quer já perder tempo a instalar uma app que dez minutos depois já está a caminho do lixo electrónico.
Não é fácil, fixar nomes, são aos milhares, aos amigos volta a perguntar-se "Como é que se chama aquela app de que me falaste há um mês?", sendo que a resposta é invariavelmente "Sei lá, ao tempo que isso já foi...".
A Optimus, operador telefónico português, acaba de lançar um serviço curioso que designou por "Top Apps" que vem precisamente colmatar a questão das listas de aplicações. Chamou-lhes (e apropriadamente) "Cadernetas de Apps" e permite, a qualquer utilizador, mesmo que não seja cliente da insígnia Optimus, elencar grupos de aplicações (ou mesmo definir apenas uma) e tê-la entre as suas escolhas, sejam ou não agrupadas, que pode partilhar de diversas vias, seja por email, seja pelas redes sociais. E quem consulta essas cadernetas e ou aplicações únicas, pode (ou não) participar, elegendo as suas concordâncias com as escolhas que outros fizeram, recompensando ou assinalando com um "Gosto", cada uma delas. Este feedback vai, a curto prazo gerar rankings de escolhas, bem como permitir que cada um de nós se foque no essencial (Apps que não deve deixar de experimentar) em vez de andar, muitas vezes ingloriamente, a vasculhar aplicações das quais não tem qualquer referência. Ter aberto a participação ao universo de utilizadores nacional, em vez de o segmentar por operadora, foi uma decisão acertada, mais uma daquelas a que a Optimus nos habitou.
Aponte o seu smartphone ou tablet a este URL e mostre ao mundo as suas escolhas. As minhas, essas já lá estão e serão actualizadas sempre que achar relevante. Sim, porque o que nos liga é Optimus.
"Quais são as tuas aplicações favoritas?".
No início era simples, andávamos todos mais ou menos "por dentro" das novidades, usávamos um "boca a boca" para os amigos e conhecidos irem ficando a par do que estava realmente a precisar de ser usado.
Hoje, a iTunes Store tem um manancial de novidades e aplicações mais ou menos reformuladas que é absolutamente impossível estar actualizado nesta matéria.
O que é que fazemos então para manter actualizado o nosso conhecimento? As dicas do amigos continuam a ser preciosas, o que lemos por aí, em papel ou em suporte digital, já existem apps para nos recomendarem aplicações ou alertar sobre mudança de preço das mesmas. Não chega. Uma coisa é saber que um dado software existe e que faz isto e aquilo, que tem esta ou aquela característica, outra é saber se vale realmente o seu preço. Mesmo que este preço seja zero, ninguém quer já perder tempo a instalar uma app que dez minutos depois já está a caminho do lixo electrónico.
Não é fácil, fixar nomes, são aos milhares, aos amigos volta a perguntar-se "Como é que se chama aquela app de que me falaste há um mês?", sendo que a resposta é invariavelmente "Sei lá, ao tempo que isso já foi...".
A Optimus, operador telefónico português, acaba de lançar um serviço curioso que designou por "Top Apps" que vem precisamente colmatar a questão das listas de aplicações. Chamou-lhes (e apropriadamente) "Cadernetas de Apps" e permite, a qualquer utilizador, mesmo que não seja cliente da insígnia Optimus, elencar grupos de aplicações (ou mesmo definir apenas uma) e tê-la entre as suas escolhas, sejam ou não agrupadas, que pode partilhar de diversas vias, seja por email, seja pelas redes sociais. E quem consulta essas cadernetas e ou aplicações únicas, pode (ou não) participar, elegendo as suas concordâncias com as escolhas que outros fizeram, recompensando ou assinalando com um "Gosto", cada uma delas. Este feedback vai, a curto prazo gerar rankings de escolhas, bem como permitir que cada um de nós se foque no essencial (Apps que não deve deixar de experimentar) em vez de andar, muitas vezes ingloriamente, a vasculhar aplicações das quais não tem qualquer referência. Ter aberto a participação ao universo de utilizadores nacional, em vez de o segmentar por operadora, foi uma decisão acertada, mais uma daquelas a que a Optimus nos habitou.
Aponte o seu smartphone ou tablet a este URL e mostre ao mundo as suas escolhas. As minhas, essas já lá estão e serão actualizadas sempre que achar relevante. Sim, porque o que nos liga é Optimus.
A experiência QR Code

Obrigado por ter chegado até aqui. Com este gesto, você contribuiu de modo voluntário para uma experiência pessoal sobre a utilização de ferramentas tecnológicas que me permitirão fazer uma pequena investigação sobre os locais de Lisboa com maior utilização de equipamentos electrónicos pessoais (SmartPhones e Tablets). Durante alguns meses, determinadas zonas da cidade de Lisboa receberam códigos deste tipo, cada um deles personalizado e no final da experiência será publicado um mapa infográfico com os resumos de acesso de pessoas que se sentiram impelidas a lê-los com os respectivos equipamentos e em que zonas de Lisboa o fizeram.
Agradeço-lhe bastante a sua participação nesta experiência. Se pretender ter acesso aos resultados finais desta operação, que só serão divulgados em meados de 2013, por favor insira o seu endereço de email na caixa "Siga este blog por email", no topo superior direito desta página. Muito obrigado uma vez mais.
Pedro Aniceto
09 outubro 2012
Grandes momentos do jornalismo
"-Senhor Doutor! Senhor Doutor! O que é que está a fazer de joelhos voltado para Meca?"
"-Cale-se, sua besta! Não vê que estou a fazer investigação clínica?"
Imagem Diário Digital, enviada pela Senhor Engenheiro Botinhas
Grandes momentos do marketing
Não tenho qualquer dúvida sobre o facto dos ideólogos dos nomes destas organizações serem gente esforçada, diligente e cheia de boas intenções. Mas eu costumo dizer a quem me quer ouvir, que depois de um nome encontrado, se devem deixar passar quinze dias e três metros. Quinze dias para nos esquecermos dele, três metros para o ver com outra leitura. Quem o não faz arrisca-se a não dar pela segunda leitura...
O último baleeiro dos Açores
Passou há dias na TSF, e assinalei-o condignamente no Twitter. Uma preciosidade de entrevista.
Os solitários homens dos doris
Um achado no Youtube (obrigado Miguel Duarte), o documentário "The lonely Doryman", um trabalho da National Geographic de 1967 com a duração de 50 minutos.
A adicionar ao já publicado documentário canadiano sobre o Santa Maria Manuela, que poderá recordar aqui.
No Público de hoje (acho), havia um bom artigo sobre o Argus.
06 outubro 2012
Estamos (verdadeiramente) feitos ao bife
Se o responsável de Protocolo estava hoje a dormir, durante a cerimónia do içar da bandeira nas comemorações (?) do 5 de Outubro, que alguém o acorde. Se o Presidente da República não viu que o símbolo máximo do país estava erradamente colocado nos cabos, era obrigação de quem zela por este aspecto ter tomado as devidas precauções para que não sucedesse.
Não sei sequer o que dizer das restantes pessoas que acompanhavam o acto, mas perderam uma boa oportunidade de demonstrar que não estavam em piloto-automático.
Quando eu era menino, em funções que implicavam aprender como içar e arriar uma bandeira, quiçá menos importante do que a Nacional, tive a ventura de ter a ensinar-me um homem que não se esquecia de nenhum detalhe desse cerimonial, do atar ao içar, do arriar às impecáveis dobras e manobras relativas, que têm também os seus segredos protocolares. Era esse homem, que munido de um alfinete de ama estrategicamente colocado no bainha, me dizia "Até de noite, às escuras, não corres o risco de te enganar". Mesmo com luvas, sabes qual é o lado a amarrar primeiro. E sim, usem, pelas alminhas, um nó de escota. Poupa-vos a adicional vergonha de estar a perder um tempo imenso a desfazer a asneira.
Não sei sequer o que dizer das restantes pessoas que acompanhavam o acto, mas perderam uma boa oportunidade de demonstrar que não estavam em piloto-automático.
Quando eu era menino, em funções que implicavam aprender como içar e arriar uma bandeira, quiçá menos importante do que a Nacional, tive a ventura de ter a ensinar-me um homem que não se esquecia de nenhum detalhe desse cerimonial, do atar ao içar, do arriar às impecáveis dobras e manobras relativas, que têm também os seus segredos protocolares. Era esse homem, que munido de um alfinete de ama estrategicamente colocado no bainha, me dizia "Até de noite, às escuras, não corres o risco de te enganar". Mesmo com luvas, sabes qual é o lado a amarrar primeiro. E sim, usem, pelas alminhas, um nó de escota. Poupa-vos a adicional vergonha de estar a perder um tempo imenso a desfazer a asneira.
04 outubro 2012
03 outubro 2012
De quando em vez, faz-se justiça
M., os jornais nunca dirão o que realmente se passou. E é pena. É pena que nunca se venha a saber que uma das maiores organizações financeiras portuguesas se ocupava também de assuntos de cariz criminal e que algumas dessas operações envolviam a cobertura de figuras da Sociedade portuguesa que hoje ocupariam capas e páginas de jornais se o assunto fosse realmente ventilado. Notícias que nunca verão a luz do dia porque provocariam terramotos de factos que fariam tremer muita gente, alguma dela que tenho hoje vergonha de ter admirado. Porque nos faltam verdadeiramente jornalistas capazes de arriscar.
M. deparou-se há anos com situações anómalas na instituição onde trabalhava, onde era feliz, e onde planeava ter feito uma carreira longa e próspera. Quando M. quis perceber porque é que nas instalações das quais era responsável, passavam contentores de materiais ilegais e absolutamente nada consentâneos com as actividades da empresa, abriu a caixa de Pandora que o ia destruindo fisicamente. Pressões intoleráveis, suspensão de funções, ameaças de morte, perseguições, fariam qualquer um de nós calar o que quer que tivéssemos para dizer e prosseguir as nossas vidas. Isto para evitar problemas de índole psiquiátrica, os mesmos de que M. sofreu, sozinho, quando pouca gente parecia acreditar nele. M. não desistiu. Sabe Deus e e ele mesmo a que custo. Quinze anos de sofrimento e angústia, quinze anos que não são quinze dias.
M. não estava "descalço", sabia exactamente que não podia dar em falso passo algum e documentou tudo o que afirmava. Não me sobra qualquer dúvida de que foi essa precaução que levou há dias um Tribunal a dar-lhe razão. A mesma razão que lhe negaram durante 15 dolorosos e longos anos. É pena que se não vá mais longe. Muito mais longe. Talvez mudássemos de opinião a respeito de algumas das pessoas que nos habituámos a admirar. E que passássemos a admirar algumas pessoas que não conhecemos.
Quando há dias li este mesmo título num dos jornais diários, pensei "E se fosse o M.?". Acabei de confirmar que sim, que era a mesma pessoa. E fico extremamente feliz por isso. Tudo o que lhe possam agora pagar, é pouco. Muito pouco.
02 outubro 2012
Vou levar-te comigo...
Se não é surpreendente ver o Celso Martinho num cartaz de divulgação de uma Palestra sobre Novas Tecnologias, a realizar em Luanda, no Auditório da Universidade Agostinho Neto no próximo dia 9 de Outubro, ri-me com gosto de um detalhe desta imagem. A máquina, corrijo, o super-computador que o Celso tem na mão, é, nem mais nem menos, este. Uma máquina de 1985, com uns potentíssimos 131,072 bytes (inchem, fabricantes de RAM) que lhe foi por mim oferecida está por agora a fazer um ano. Novo. A estrear.
01 outubro 2012
Com todas as cautelas
F., cujo nome fui forçado a inventar, morreu há três dias. Diabético, obrigado à hemodiálise, sofredor de muito mais maleitas que não elenquei por força de serem desnecessárias, morreu. Quinou. Bateu as botas. Finou-se. É legítimo que, condoído o leitor pelo intróito, vinhedos que também eu vindimei por força das descrições que me foram feitas do seu sofrimento, tenha pena. Se enterneça. Se condoa. Pode pois bem fazê-lo.
F. morreu atropelado numa borda de estrada enquanto mudava um pneu. Vê? Agora tudo parece menos dramático e digno de um "G'anda azar!" vindo do mais fundo do nosso ser. F. morreu e agora Zé Bouças, o cauteleiro da vila tem um problema entre dedos para resolver. E é precisamente aqui, neste exacto ponto que eu passo a fazer parte da equação.
Esta manhã, Zé Bouças interrogava o dono do café onde eu estava quase que por acidente sobre se não queria ficar com a cautela de F., jogador de fé, homem de número certo na Lotaria Nacional. Que não! Nunca! Olha que ideia a tua, agora ficar com a cautela do morto! Percebi que outros inquiridos se negavam também, um deles chegou mesmo a persignar-se que é coisa rara de se ver fora de sede própria, salvo em caso de grave sacrilégio ou susto mais arreigado na alma. A três perguntou Zé Bouças e por três vezes o renegaram e eu, sem uma palavra, apenas um gesto quase imperceptível, adjudiquei a fracção que guardei no bolso sob o olhar de censura dos presentes. Não é a primeira história que ouço de gente que sempre teve o mesmo número e que um dia deixou de jogar por uma qualquer razão e pimba!, toma lá, vai buscar, que sabemos que no caso de acontecer se torna verdadeiramente desagradável, quase tão mau como ser-se atropelado numa borda de estrada enquanto se muda um pneu.
Nesta fase estão todos os leitores a perguntar-se se me saiu a Lotaria do mito urbano. Não saiu, ou por outra, se fosse vivo, e já sabemos que não, F., teria embolsado uma singela terminação. Dez euros que serão reinvestidos por minha fé. . Deve ter aqui havido uma mãozinha do falecido, ou é da minha vista. Nenhuma de ambas me surpreenderia.
Vou repensar o assunto. À cautela. Na mesma.
F. morreu atropelado numa borda de estrada enquanto mudava um pneu. Vê? Agora tudo parece menos dramático e digno de um "G'anda azar!" vindo do mais fundo do nosso ser. F. morreu e agora Zé Bouças, o cauteleiro da vila tem um problema entre dedos para resolver. E é precisamente aqui, neste exacto ponto que eu passo a fazer parte da equação.
Esta manhã, Zé Bouças interrogava o dono do café onde eu estava quase que por acidente sobre se não queria ficar com a cautela de F., jogador de fé, homem de número certo na Lotaria Nacional. Que não! Nunca! Olha que ideia a tua, agora ficar com a cautela do morto! Percebi que outros inquiridos se negavam também, um deles chegou mesmo a persignar-se que é coisa rara de se ver fora de sede própria, salvo em caso de grave sacrilégio ou susto mais arreigado na alma. A três perguntou Zé Bouças e por três vezes o renegaram e eu, sem uma palavra, apenas um gesto quase imperceptível, adjudiquei a fracção que guardei no bolso sob o olhar de censura dos presentes. Não é a primeira história que ouço de gente que sempre teve o mesmo número e que um dia deixou de jogar por uma qualquer razão e pimba!, toma lá, vai buscar, que sabemos que no caso de acontecer se torna verdadeiramente desagradável, quase tão mau como ser-se atropelado numa borda de estrada enquanto se muda um pneu.
Nesta fase estão todos os leitores a perguntar-se se me saiu a Lotaria do mito urbano. Não saiu, ou por outra, se fosse vivo, e já sabemos que não,
30 setembro 2012
Belas localidades portuguesas
A aldeia de Deixa o Resto está situada entre Santiago do Cacém e a Lagoa de Santo André, pertence à freguesia de Vila Nova de Santo André e ao concelho de Santiago do Cacém.
Imagem roubada a Manuela Ciaccio
29 setembro 2012
Palavra da salvação
"Tuner que é tuner, casa-se pelo Registo Automóvel e não pelo Civil". (Via José Besteiro)
O jogo da Glória (II)
Esta foi a primeira peça que a SIC dedicou à situação confrangedora da casa da Dona Glória, peça que foi exibida na Segunda Feira subsequente ao dia da publicação do artigo original.
Temos neste momento um vasto grupo de pessoas a trabalhar nesta questão, contrariando o imobilismo, vencendo a inércia e brevemente anunciaremos algumas novidades. Precisaremos da ajuda de TODOS. Mas vamos conseguir resolver o problema. Não será fácil, mas vamos.
Para já, divulgue. Divulgue. Divulgue. Vai ver que vai valer o esforço.
28 setembro 2012
27 setembro 2012
26 setembro 2012
Upload Lisboa
Para a quarta edição do Upload Lisboa falta menos de um mês. E o leitor perguntará, "Mas o que é o Upload Lisboa?" ao que eu respondo que é um evento pelo qual tenho muito carinho, sobretudo porque se tornou uma referência de qualidade no que diz respeito a eventos sobre Marketing Digital e Web 2.0. (Não vão agora perguntar-me nada, pois não?). Até porque eu estou aqui numa luta mental sobre se devia ou não ter colocado um ponto final depois do 2.0. Vêem?
Este ano, o painel de oradores promete um dia cheio de debates e partilhas sobre os temas da actualidade em Marketing Digital, de Estratégia Digital e das tendências destas matérias. Estão programadas intervenções de Boris Hageney (Groupon) com o título "Do receio ao Dealer-chic: como o e-commerce e as redes sociais mudaram o negócio e os consumidores" (Hão-de explicar-me quem é que baptiza estas intervenções...), Nathalie Nahai “Web Psychology”; Kiruba Eswaran(TIMWE): “Mobile Money”, bem como as apresentações e debate de Chad Wittman (co-fundador do EdgeRank), David Turner (co-fundador do PageLever) e Cesar Christoforidis (diretor do ROW Territories no Socialbakers) sobre “Como alavancar o poder do news feed do Facebook” e Socialbakers: Quem está a ganhar no “Social”? E como o estão a fazer!”
Vai realizar-se a 13 de Outubro na Escola Superior de Comunicação Social do IPL (Campus de Benfica) e começa às 9.30, que é uma hora que não lembra a ninguém (para um Sábado...), mas há quatro anos que o fazem, pelo que se insistem é porque funciona e não devemos contrariar pessoas que têm um ar decidido e trajam fatinhos janotas.
Para mais informações deve consultar-se o elegantérrimo site do evento (um dos layouts de site que eu não desdenharia adoptar no dia em que o votarem ao abandono), ou, em alternativa mergulharem no Facebook do Upload Lisboa (Aqui, pázinhos!), ou, na minha rede social favorita.
Há bilhetes à venda. E são baratinhos. E também vos digo que já aprendi mais enquanto orador num Upload Lisboa do que uma tarde inteira a estudar Física de Semi-Condutores. E como toda a gente sabe, um semi-condutor é um Maestro em part-time. Ora essa, vão para dentro e não se incomodem. Encontramo-nos por lá.
25 setembro 2012
iOS 6 e a guerra dos Mapas
A substituição dos mapas Google por um conjunto de informação Apple dentro do iOS 6 não tem sido propriamente pacífica. Se já durante as versões Beta se tinha detectado que os mapas continham milhares (para ser simpático) de incorrecções factuais, a versão final confirmou que efectivamente há uma longa estrada a percorrer no que à fiabilidade da informação diz respeito. Já se formou um longuíssimo cortejo de anedotas (e algumas com imensa graça) a este respeito. Deixo dois exemplos. O Tejo, esse rio que eu aprendi a amar, é agora o Atlântico Norte (estou a pensar em ir ao bacalhau antes de ir trabalhar...), a lista de nomes de ruas das cidades e vilas portuguesas é um autêntico oceano de erros e falhas e o sistema de referenciação em termos de localização geográfica de um ponto é algo de extraordinariamente falível. Mas, como disse, já circulam por aí umas valentes doses de anedotas, das quais destacaria esta: "An iPhone5 user walks into a bar. Or a garage. Or a factory. He’s not too sure." ou esta imagem de puro humor britânico que foi fotografada numa estação de comboios de Sua Majestade.
A maior Rotunda do mundo, por exemplo, é em Palmela, e você não sabia, pois não?
Tudo o que sei
Eu gostava de saber por onde começar. A sério. Gostava de dizer aos interessados no problema levantado (denunciado) por esta reportagem, problema no qual, como agora sabem, tropecei acidentalmente em conjunto com um grupo de amigos, que algo estava a ser feito para remediar a situação. Gostava. Mas não o posso fazer.
Gostava de vos dizer que recebi ecos de locais aos quais nem imaginava que a reportagem de Ana Margarida Póvoa pudesse sequer ter chegado. Recebi mail do Brasil, de Angola, de Timor, da Índia. Recebi mail da Moita de onde muita gente me disse que jamais sonhava que esta situação estivesse a acontecer debaixo do respectivo nariz. Do Porto, de Braga, de Coimbra, do país que somos, das pessoas que somos e a quem esta história disse algo.
Recebi mail de gente que me confessou estar a chorar ou ter ficado sem palavras. Gente que me confessou "Estou a chorar de raiva", ou muito simplesmente me disse "Choramos". Há muita gente à espera de um sinal para meter o pauzinho na engrenagem. Advogados, magistrados, gente que me disse "Vai por ali" ou "Faz assim". Gente que quer ajudar, que me pede apenas a forma de o fazer. Sinto-me pequeno para toda esta questão, que disse desde o primeiro comentário no post original, ser complexa. Muito complexa. Deixarei os detalhes para outras instâncias. Se os quiserem.
Tudo o que sei, e que vocês agora também sabem, é que o problema está ali, que há muita gente a saber dele (mais do que há poucos dias atrás) mas que algo tem de ser feito por alguém que tenha efectivamente verdadeiro poder interventivo. Continuo à espera que o Município dê um sinal, mas não vou pessoalmente, aguardar muito mais tempo. Que se não detecte nas minhas palavras nenhuma espécie de rancor. Mas esperava algo mais. Sim, algo mais. O "povo" não poder ser apenas uma palavra bonita que se usa amiúde e que depois se olvida.
Tudo o que sei é que lá fora chove. Em todos os locais menos naqueles que "lá fora" é também "lá dentro". E esse, sabemos agora onde fica.
Continuarei a fazer o que me for possível para que esta situação se resolva. Não posso fazer muito a não ser denunciar. Denunciar com os meios a que posso deitar mão. Não gosto de ver o nome da terra onde vivo debaixo dos holofotes por estas razões. Preferia que fosse por outras. Não calhou.
Tudo o que sei é que lá dentro chove e há quem durma descansado.
Gostava de vos dizer que recebi ecos de locais aos quais nem imaginava que a reportagem de Ana Margarida Póvoa pudesse sequer ter chegado. Recebi mail do Brasil, de Angola, de Timor, da Índia. Recebi mail da Moita de onde muita gente me disse que jamais sonhava que esta situação estivesse a acontecer debaixo do respectivo nariz. Do Porto, de Braga, de Coimbra, do país que somos, das pessoas que somos e a quem esta história disse algo.
Recebi mail de gente que me confessou estar a chorar ou ter ficado sem palavras. Gente que me confessou "Estou a chorar de raiva", ou muito simplesmente me disse "Choramos". Há muita gente à espera de um sinal para meter o pauzinho na engrenagem. Advogados, magistrados, gente que me disse "Vai por ali" ou "Faz assim". Gente que quer ajudar, que me pede apenas a forma de o fazer. Sinto-me pequeno para toda esta questão, que disse desde o primeiro comentário no post original, ser complexa. Muito complexa. Deixarei os detalhes para outras instâncias. Se os quiserem.
Tudo o que sei, e que vocês agora também sabem, é que o problema está ali, que há muita gente a saber dele (mais do que há poucos dias atrás) mas que algo tem de ser feito por alguém que tenha efectivamente verdadeiro poder interventivo. Continuo à espera que o Município dê um sinal, mas não vou pessoalmente, aguardar muito mais tempo. Que se não detecte nas minhas palavras nenhuma espécie de rancor. Mas esperava algo mais. Sim, algo mais. O "povo" não poder ser apenas uma palavra bonita que se usa amiúde e que depois se olvida.
Tudo o que sei é que lá fora chove. Em todos os locais menos naqueles que "lá fora" é também "lá dentro". E esse, sabemos agora onde fica.
Continuarei a fazer o que me for possível para que esta situação se resolva. Não posso fazer muito a não ser denunciar. Denunciar com os meios a que posso deitar mão. Não gosto de ver o nome da terra onde vivo debaixo dos holofotes por estas razões. Preferia que fosse por outras. Não calhou.
Tudo o que sei é que lá dentro chove e há quem durma descansado.
Frase do dia
"But it ain't about how hard you hit, it's about how hard you can get hit...and keep moving forward. How much you can take."
24 setembro 2012
Amanhã, no Primeiro Jornal (SIC)
A reportagem da SIC, da autoria de Ana Margarida Póvoa sobre a questão da Dona Glória, será levada à antena da estação de televisão durante o Primeiro Jornal de amanhã, Terça Feira, dia 25 de Setembro.
Às 13:00, na SIC, Primeiro Jornal.
Às 13:00, na SIC, Primeiro Jornal.
O jogo da Glória
Queria tanto ser perfeito naquilo que não quero descrever, Glória. Queria lembrar-me do seu sorriso mas tudo o que me pergunto é como é que ainda consegue sorrir. É que sabe, Glória? Eu levantei-me no passado Sábado para, com um grupo de amigos, participar num concurso de fotografia. Abri os olhos, levantei-me e fui até lá, pensava eu que de olhos bem abertos, ao encontro dos meus amigos que são realmente fotógrafos, sim que eu não sou fotógrafo, nem artista, nem nada que se possa comparar a um arremedo da arte. Em matéria fotográfica sou um cepo, Glória. Um cepo. Eu achava até, Glória, que me esforçava. É mentira. E cheguei à conclusão de que é mentira, por sua causa. Vi-a a sorrir e talvez tenha sido o primeiro a fotografá-la. Numa janela lá no alto, quatro arames de estendal a estragar-me a composição. É sempre assim, minha querida, é sempre assim, só vi os arames depois, muito depois, já era tarde, demasiado tarde. Por isso me socorro agora da fotografia, da sua fotografia, feita pelo meu amigo Hugo Pereira, ele sim deveras melhor do que eu nesta arte de deixar para amanhã as marcas do tempo de hoje e de todos os hoje que já faleceram, apanhou-lhe um sorriso que de quando em vez me parece um esgar de dor. E talvez seja. Na verdade, Glória, você estragou-me o dia. De tal maneira que hoje está quase finado o Domingo posterior ao Sábado que você me arruinou e continuo a pensar em si e em tudo o que significou este nosso encontro. Não pelos arames, (malditos!), não pelo vaso e a folhagem que nem ficam mal no conjunto; eu continuo em busca da imagem perfeita que nunca farei e você estará ali, a sorrir, sempre a sorrir, como se tivesse qualquer razão secreta para não deixar de o fazer.
Eu fotografei-a, Glória. Quero dizer, acho que o fiz, mais do que no cartão, ficou-me na alma outra impressão mais funda e toda a gente vai ficar a saber disso mesmo, acredite, farei por isso mais do que pela imagem que guardei de si nas estranhas da minha máquina fotográfica. Mesmo com os arames que eu não vi mas que quero acreditar que sempre lá estiveram, a folhagem que eu sempre achei que era bem mais curta ou a aduela da janela que não era suposto ter ficado à vista. Aos meus olhos nunca esteve. Mas foi sempre assim nas minhas fotografias.
Nesta altura todos nós, eu e os meus amigos que efectivamente parecem saber fotografar e que entendem como ninguém de arames, folhas, aduelas e sorrisos, estamos consigo, você convida-nos a ir fotografar algo que tem dentro de casa, e nós, eternos crentes, acreditamos como meninos que vai haver algo de maravilhoso para fotografar; havia céu, sol e uma tremenda curiosidade de calcorrear estradas que estão mesmo a dizer-nos "É melhor não...".
E é precisamente neste momento que se dá o erro, o equívoco em que haverá de se transformar este seu convite. Havia algo a querer dizer-me "Vai-te embora! Vai-te embora!", mas não, não fomos, eu baixei a máquina, estava desfeita a magia e quebrado o encanto do compromisso, dali para a frente, como diz a outra, só haveria dragões.
Vejo o Vasco Casquilho a disparar. Diz-me a prática que quando um fotógrafo a sério dispara, é sinal de que um qualquer aprendiz de feiticeiro fotográfico se deve colocar por detrás dele, em linha de mira com os sonhos do instante que me habituei a não aproveitar. Sucedeu isso muitas vezes durante este meu Sábado, chegámos a falar sobre isso mesmo e das poucas vezes em que eu decidi ir a jogo, seguir-lhes os passos e o olhar, perdi sempre, qual pistoleiro destreinado ou de mão trémula. A vantagem da fotografia face ao duelo é que, felizmente, podemos perder muitas vezes e continuar a tentar. E não faz sangue, só dói nas almas.
Não o fiz, (haveria de tentar emendar a mão muito mais tarde no meu dia), o Vasco continuou a disparar e eu a prestar-lhes atenção a ambos, a Glória, a dizer-me "Venha fotografar a minha casa", como uma sereia a atrair incautos navegantes do nada imaginado. Entrei a porta, tremendo engano, não o deveria ter feito, soube isso meros segundos após ter devassado a penumbra. O Vasco continuou a disparar, pediu-me até que me desviasse, e eu desviei-me, e a primeira pergunta que me coloquei, foi "Mas como é que é possível?".
Eu fui lá cima, Glória. É curioso como se pode descer a um Inferno, subindo. Eu fui lá cima e vi como é que alguém como você consegue sorrir depois de me mostrar onde vive. E como vive. Nas condições a que pouparei o leitor, mas que como poderão dentro de meia dúzia de linhas poder imaginar, acarretam risco de vida permanente. Eu disse, risco de vida permanente. Acreditem em mim. Tive vergonha de sequer erguer a lente ou carregar em que botão fosse. Talvez não tenha sido apenas por vergonha mas sim medo de falhar algum movimento dos meus pés e estatelar-me no andar de baixo. Desci vergado à culpa. À culpa de ter subido, Glória. E você subiu à minha frente. Corrijo: Escalou a escada daquilo a um senhorio chama casa, à minha frente enquanto eu abria a boca de absurdo espanto. E quando cheguei cá baixo, sem uma palavra, o Vasco sussurrou-me "Queres uma (foto) vencedora?" e mostrou-me isto:
![]() |
| Fotografias: Vasco Casquilho |
Em virtude dos múltiplos contactos que tenho tido sobre a questão aqui levantada da casa da D.Glória, e na impossibilidade de responder individualmente a todos em tempo útil, elaborei esta lista de perguntas frequentes, que poderá dar resposta a alguns de vós. Obrigado pela solidariedade.
23 setembro 2012
Havia uma Deusa no meu banco (Revisto)
Texto publicado em Dezembro de 2008
Dez por cento dos rascunhos gerados por este teclado, textos que anseiam um dia crescer e tornar-se em posts são apagados sem retorno ou jazem para sempre no limbo dos meus Drafts do Blogger. Porque me arrependo e se for verdade que só se salva quem se arrepende, eu cá estou safo por mim e por mais três; porque chego a um ponto em que me embaracei tanto na narrativa que não há volta a dar, ou porque perco a vontade de o concluir por qualquer outra razão. A minha pasta de rascunhos é uma espécie de vala comum da inspiração, um Purgatório onde as almas dos textos que nunca foram e dificilmente serão, vagueiam em apagadas tristezas. Uma das principais razões que levam um número razoável de prosas ao supremo sacrifício leminguístico da rocha Tarpeia é a incapacidade de transmitir fielmente ao leitor algumas emoções e/ou sentimentos. Há parágrafos que são como bifes nervosos, mesmo cortados em pequenos pedaços, sendo moídos e mastigados por diversas vezes. vão perdendo a forma original sem nunca melhorarem, quanto mais embrulhados mais enjoam, a escrita e a leitura torna-se penosa até ao golpe de misericórdia, o dedo médio que se abate sobre o Delete, o criador que esmigalha a obra, brincar aos Deuses com as teclas tem sempre incluída esta massagem ao ego.
Este intróito serviu para duas coisas: a) Comprometer-me com a própria escrita, fazendo-me hesitar no esquecimento a que poderei votar as linhas que se seguem b) Aumentar as expectativas do leitor até um ponto em que não consigo alcançá-las, vulgo "estás a arranjar lenha para te queimar, sarna para te coçar, curto pano para manga tão comprida, fraco pavio para demasiada dinamite". Parece-me derrotada a estratégia e ainda nem montei o cavalo nem alinhei os exércitos.
Voltemos à vaca tépida: Como é que se passa a palavras o efeito que uma mulher bonita, anónima, que nunca vimos, mesmo que em sonhos, mesmo que nesses sonhos, provoca num homem? É difícil, bastante difícil. Os mais simplistas diriam "está ali uma gaja boa", era um facto, estava mesmo, com papas e bolos se enganam os tolos, o dito não é meu, é de um trolha que hoje ouvi conversar com o empreiteiro. Talvez o tenha pedido emprestado a alguém, afinal era um trolha e não se pode construir um post com tão fraca matéria, mais a mais ninguém me daria crédito, mesmo que a gaja fosse efectivamente muito boa e tivesse provocado no trolha uma sensação que estou agora em palpos de aranha para descrever num post, coisa que o empreiteiro faria com outra arte, quem sabe um "está ali uma gaja mesmo boa", o que parecendo que não é uma outra forma de expressar o mesmíssimo sentimento, mas com um pedacinho mais de entusiasmo narrativo.
Penso que já perceberam onde quero chegar: Há instintos básicos que todos temos, aumentos de temperatura que todos sentimos mas que se tornam por vezes um inferno de descrever, mais a mais se nos atrevermos a dar à obra um certo estilo que vá além da forma básica da ideia. A verdade é que estou há imenso tempo a pensar na melhor maneira de vos dizer que hoje encontrei uma mulher lindíssima e não consigo deixar de pensar que era uma gaja mesmo muito boa...
Avancemos: Quando entrei na gelada agência da sede do meu banco, por detrás do balcão deslizava uma Deusa, parece que estou a ver o trolha a salivar, eu mesmo pareço estar a salivar mas mentalmente, estou apenas e por delicadeza com o leitor a ser um nadinha mais discreto, o trolha nem estava lá, se bem se recordam estava a falar com o empreiteiro a grande distância dali, apenas o pedi emprestado, a ele e ao dito, para exemplificar um pensamento. Uma Deusa, repito, a deslizar por detrás de um balcão de uma agência bancária, dir-se-ia que deslizava, não lhe vi os pés e duvido que os bancos admitam funcionários que se desloquem descalços por detrás dos balcões, ainda que sejam Deuses, mesmo que sejam a própria sede da instituição, demos-lhe algum crédito, ao próprio banco ou ao narrador.
Lá fora chovia, lá está mais uma expressão roubada, mas não era de noite nem eu estou sentando à máquina de escrever, lembro-me de ter sacudido alguma água do casaco quando a vi, se bem que uma coisa não esteja com esta última relacionada. Um vestido cingido a realçar as curvas do corpo que se deixavam ver, um despido fingido a realçar as curvas que nem se viam, há momentos em que todos, mesmo todos, temos um trolha dentro de nós.
Disse ao que ia. Ela sorriu nem sei porquê, talvez cortesia profissional, era um pedido difícil e implicava a abertura de um cofre, cá para mim e para os meus botões pensei bem que podia o cofre demorar-se o dia inteiro a abrir, por quem sois. Pois abriu-se-lhe mais depressa o decote que o cofre, cá está, uma frase que precisa mesmo de ser requalificada apesar de ser verdade, ninguém pode escrever assim a cru desta maneira, poder pode, dever não devo, se os olhos também comem, dizem, é feio interromper aos mortais a refeição, deixa-me tirar-lhe os olhos do peito semi descoberto, não tarda estou a salivar e não é só mentalmente. Faço conversa de ocasião, estou ali eu encostado ao mármore gelado do balcão, um festim visual à minha frente e estou propositadamente a esquecer-me do senhor Neves que devia ser um gerente, mas que para aqui não é chamado a não ser quando ela lhe pediu que fosse abrir o preguiçoso do cofre e fê-lo, juro, com voz de Jessica Rabbit com o cio. Coisa capaz de derreter as e o Neves.
Fazemos conversa mole, ocorre-me um trocadilho básico mas resisto-lhe, mesmo quando ele, o trocadilho, me sorri, o descarado, tão provocador quanto ele, o decote, o deslizar, as formas e tudo o mais que não retive. Digo-lhe com sinceridade que aquele banco, a sede não esqueçamos, não parece um banco, três pessoas apenas e tanto mármore. Voltou à cena a voz de Jessica, com menos cio, queixando-se do frio, oh céus, agora sou eu que sorrio, pergunto-lhe pelos clientes, a Deusa faz um beicinho em jeito de espera que logo bebes, basta abrirem-se as comportas clientelares e será um ver se te avias, um fartar vilanagem. Estamos nisto e no abre-te cofre quando as portas se abriram num jorro de clientela, ela a dizer-me em tom mavioso "está a ver? está a ver?" e eu a pensar que não faço outra coisa há mais de vinte minutos, não lho disse, escrevo-o agora que ainda vai perfeitamente a tempo. Da particularidade da clientela não guardei grande pormenor, nunca guardo, não tenho grande habilidade para jogos de memória. Há um senhor africano com ar de administrador, fato de belo corte perlado de gotas de água que lá fora continua a tombar que Deus a dá, fosse a água deste banco e teria um custo certamente. quanto mais não fosse uma comissão pela mudança de gasoso para liquído. Há dois yuppies que entraram a conversar mas estão agora calados, pudera, os homens alinham-se ordenadamente e vão perdendo as capacidades vocais assim que começam a perceber o que vêem, talvez mais ainda quando realizam o que não conseguem ver. Há mais três homens, não são relevantes, se exceptuarmos o ar de basbaques que todos temos ali, fila de pirilau, de seis dos ditos legítimos se a natureza das coisas simples não tiver sido abastardada.
É nesta fase que o senhor Neves já voltou das catacumbas, presumo que tenha fechado o cofre não vá dar-lhe alguma corrente de ar e se apercebe que tem uma resma de clientes à espera, não me parece embora, 'tás doido?, que nenhum deles queira reclamar a avaliar pelo ar satisfeito que ostentam. Quando Neves se senta na caixa ao lado da Deusa e diz "Podem passar pela ordem da fila..." é vê-los esticar o pescoço e observar os varandins, disfarçar baixinho o assobio que não se ouve. Eu por mim estou despachado, aqui me avio, benza-os Deus, guardo os meus pertences e um último sorriso dela. Importante que não me esqueça das notas que fui buscar, coisa que me envergonharia mas que nesta altura sabemos ser já muito compreensível.
Quando saio, a força da chuva que tomba obriga-me a permanecer debaixo de uma reentrância da fachada. O senhor africano com ar e fato de administrador, atravessou a porta rotativa, piscou-me o olho e sussurrou-me "Mas é que está ali uma gaja muito boa, pá!". Eu, sacudi algumas gotas de água do fato de macaco, e fui-me embora sem apagar o post que nesta altura ainda não estava escrito mas já tinha sido condenado a nunca ver a luz do dia.
Este intróito serviu para duas coisas: a) Comprometer-me com a própria escrita, fazendo-me hesitar no esquecimento a que poderei votar as linhas que se seguem b) Aumentar as expectativas do leitor até um ponto em que não consigo alcançá-las, vulgo "estás a arranjar lenha para te queimar, sarna para te coçar, curto pano para manga tão comprida, fraco pavio para demasiada dinamite". Parece-me derrotada a estratégia e ainda nem montei o cavalo nem alinhei os exércitos.
Voltemos à vaca tépida: Como é que se passa a palavras o efeito que uma mulher bonita, anónima, que nunca vimos, mesmo que em sonhos, mesmo que nesses sonhos, provoca num homem? É difícil, bastante difícil. Os mais simplistas diriam "está ali uma gaja boa", era um facto, estava mesmo, com papas e bolos se enganam os tolos, o dito não é meu, é de um trolha que hoje ouvi conversar com o empreiteiro. Talvez o tenha pedido emprestado a alguém, afinal era um trolha e não se pode construir um post com tão fraca matéria, mais a mais ninguém me daria crédito, mesmo que a gaja fosse efectivamente muito boa e tivesse provocado no trolha uma sensação que estou agora em palpos de aranha para descrever num post, coisa que o empreiteiro faria com outra arte, quem sabe um "está ali uma gaja mesmo boa", o que parecendo que não é uma outra forma de expressar o mesmíssimo sentimento, mas com um pedacinho mais de entusiasmo narrativo.
Penso que já perceberam onde quero chegar: Há instintos básicos que todos temos, aumentos de temperatura que todos sentimos mas que se tornam por vezes um inferno de descrever, mais a mais se nos atrevermos a dar à obra um certo estilo que vá além da forma básica da ideia. A verdade é que estou há imenso tempo a pensar na melhor maneira de vos dizer que hoje encontrei uma mulher lindíssima e não consigo deixar de pensar que era uma gaja mesmo muito boa...
Avancemos: Quando entrei na gelada agência da sede do meu banco, por detrás do balcão deslizava uma Deusa, parece que estou a ver o trolha a salivar, eu mesmo pareço estar a salivar mas mentalmente, estou apenas e por delicadeza com o leitor a ser um nadinha mais discreto, o trolha nem estava lá, se bem se recordam estava a falar com o empreiteiro a grande distância dali, apenas o pedi emprestado, a ele e ao dito, para exemplificar um pensamento. Uma Deusa, repito, a deslizar por detrás de um balcão de uma agência bancária, dir-se-ia que deslizava, não lhe vi os pés e duvido que os bancos admitam funcionários que se desloquem descalços por detrás dos balcões, ainda que sejam Deuses, mesmo que sejam a própria sede da instituição, demos-lhe algum crédito, ao próprio banco ou ao narrador.
Lá fora chovia, lá está mais uma expressão roubada, mas não era de noite nem eu estou sentando à máquina de escrever, lembro-me de ter sacudido alguma água do casaco quando a vi, se bem que uma coisa não esteja com esta última relacionada. Um vestido cingido a realçar as curvas do corpo que se deixavam ver, um despido fingido a realçar as curvas que nem se viam, há momentos em que todos, mesmo todos, temos um trolha dentro de nós.
Disse ao que ia. Ela sorriu nem sei porquê, talvez cortesia profissional, era um pedido difícil e implicava a abertura de um cofre, cá para mim e para os meus botões pensei bem que podia o cofre demorar-se o dia inteiro a abrir, por quem sois. Pois abriu-se-lhe mais depressa o decote que o cofre, cá está, uma frase que precisa mesmo de ser requalificada apesar de ser verdade, ninguém pode escrever assim a cru desta maneira, poder pode, dever não devo, se os olhos também comem, dizem, é feio interromper aos mortais a refeição, deixa-me tirar-lhe os olhos do peito semi descoberto, não tarda estou a salivar e não é só mentalmente. Faço conversa de ocasião, estou ali eu encostado ao mármore gelado do balcão, um festim visual à minha frente e estou propositadamente a esquecer-me do senhor Neves que devia ser um gerente, mas que para aqui não é chamado a não ser quando ela lhe pediu que fosse abrir o preguiçoso do cofre e fê-lo, juro, com voz de Jessica Rabbit com o cio. Coisa capaz de derreter as e o Neves.
Fazemos conversa mole, ocorre-me um trocadilho básico mas resisto-lhe, mesmo quando ele, o trocadilho, me sorri, o descarado, tão provocador quanto ele, o decote, o deslizar, as formas e tudo o mais que não retive. Digo-lhe com sinceridade que aquele banco, a sede não esqueçamos, não parece um banco, três pessoas apenas e tanto mármore. Voltou à cena a voz de Jessica, com menos cio, queixando-se do frio, oh céus, agora sou eu que sorrio, pergunto-lhe pelos clientes, a Deusa faz um beicinho em jeito de espera que logo bebes, basta abrirem-se as comportas clientelares e será um ver se te avias, um fartar vilanagem. Estamos nisto e no abre-te cofre quando as portas se abriram num jorro de clientela, ela a dizer-me em tom mavioso "está a ver? está a ver?" e eu a pensar que não faço outra coisa há mais de vinte minutos, não lho disse, escrevo-o agora que ainda vai perfeitamente a tempo. Da particularidade da clientela não guardei grande pormenor, nunca guardo, não tenho grande habilidade para jogos de memória. Há um senhor africano com ar de administrador, fato de belo corte perlado de gotas de água que lá fora continua a tombar que Deus a dá, fosse a água deste banco e teria um custo certamente. quanto mais não fosse uma comissão pela mudança de gasoso para liquído. Há dois yuppies que entraram a conversar mas estão agora calados, pudera, os homens alinham-se ordenadamente e vão perdendo as capacidades vocais assim que começam a perceber o que vêem, talvez mais ainda quando realizam o que não conseguem ver. Há mais três homens, não são relevantes, se exceptuarmos o ar de basbaques que todos temos ali, fila de pirilau, de seis dos ditos legítimos se a natureza das coisas simples não tiver sido abastardada.
É nesta fase que o senhor Neves já voltou das catacumbas, presumo que tenha fechado o cofre não vá dar-lhe alguma corrente de ar e se apercebe que tem uma resma de clientes à espera, não me parece embora, 'tás doido?, que nenhum deles queira reclamar a avaliar pelo ar satisfeito que ostentam. Quando Neves se senta na caixa ao lado da Deusa e diz "Podem passar pela ordem da fila..." é vê-los esticar o pescoço e observar os varandins, disfarçar baixinho o assobio que não se ouve. Eu por mim estou despachado, aqui me avio, benza-os Deus, guardo os meus pertences e um último sorriso dela. Importante que não me esqueça das notas que fui buscar, coisa que me envergonharia mas que nesta altura sabemos ser já muito compreensível.
Quando saio, a força da chuva que tomba obriga-me a permanecer debaixo de uma reentrância da fachada. O senhor africano com ar e fato de administrador, atravessou a porta rotativa, piscou-me o olho e sussurrou-me "Mas é que está ali uma gaja muito boa, pá!". Eu, sacudi algumas gotas de água do fato de macaco, e fui-me embora sem apagar o post que nesta altura ainda não estava escrito mas já tinha sido condenado a nunca ver a luz do dia.
O que se passa com os homens e as enfermeiras
Não a conheço, ela não me conhece, há todo um alinhamento planetário que nos colocou no mesmo local e à mesma hora num contexto estritamente profissional. É tudo o que precisam de saber sobre este encontro. Ela é a enfermeira, eu sou o paciente. Ela é mulher, eu sou homem e não é preciso nenhum compêndio científico para demonstrar que há todo um imaginário masculino sobre enfermeiras mesmo que estas não sejam louras, não tenham um ar lascivo e não se chamem Ingrid. Já todos nós percebemos onde quero chegar. Qualquer homem saberá do que falo, qualquer enfermeira odiará o estereótipo. É dos livros, dir-se-á, quando na verdade é muito mais dos filmes. Ela tem por missão momentânea retirar-me uns centímetros cúbicos de sangue, colher-me sangue dirão os mais puristas, está a preparar-se para isso, garrote, tubos, seringa, segue-se uma análise que alguém há-de interpretar e outralguém assinar. Mas primeiro precisamos do sangue. E do que lhe está nas veias de paciente. De sangue. Isso.
Quem analisa primeiro quem, sou eu, mais folgado de trabalho, estou ali, sentadinho, cómodo e sem mais nada para fazer do que dar o sangue ao manifesto. Ela é extremamente bonita. Muito, muito bonita mesmo. Morena, o uniforme branco a fazer sobressair uma pele bem bronzeada. Talvez não seja assim, talvez eu esteja aqui ou ali a ser influenciado pelo tal imaginário masculino que potencia uma torrente de pensamentos menos condignos de serem escritos de forma romanceada sem se descambar num relato de outra estirpe e classificação cinematográfica. Talvez. Mas também se costuma dizer que um cavalheiro não conta nunca estas coisas e depois, vai na volta, é o que se sabe e o que se sabe é sempre muitíssimo mais do que aquilo que ninguém relata.
Ela interrompe-me os devaneios mentais de imaginação mais ousada. Quer saber se tenho preferência no braço a ser picado. Não faço questão. Assim como assim não estou a prestar nenhuma atenção ao que ela está a fazer, recordo, uma colheita de sangue para uma análise, não vá alguém ter-se perdido na viagem. Escolho o direito, não por ser o direito, apenas porque lhe dará mais jeito. Estamos em público, há pelo menos quatro mirones que se estão a deliciar com esta cena e um deles há-de piscar-me o olho, o que, vindo de um homem, tomo como sinal de encorajamento ou de solidariedade masculina perante a adversidade. Ou não. Nunca saberei.
Ela, profissional e atenciosa, avisa-me que vai espetar a agulha. Não sei que espécie de lei não escrita faz com que a maioria das enfermeiras que conheço faça questão de informar de que nos vai magoar. Devem ensinar isto nos Cursos de Enfermagem, há quem tire prazer da dor, uns sofrendo-a, outros ministrando-a, desde que o Mundo é Mundo que assim é, eu limito-me a esperar a picada e a sentir a agulha a penetrar-me no corpo. Ela é extremamente bonita e isto é só por si um anestésico.
Há coisas más para acontecer, como alguém me disse um dia, estamos sempre a ser surpreendidos por coisas de que estávamos à espera, não era o caso, a agulha espetada era apenas meio caminho para que o objectivo fosse atingido. Mas havia coisas más à espera e eu esperava uma singela seringa, coisa que não sucedeu fruto da modernização hospitalar; deixai-me explicar, agora o sangue é recolhido para uns tubos de vácuo que são adaptados à agulha que o paciente tem espetada no braço, devidamente acondicionada dentro da veia do meu braço direito e em teoria tudo funciona rapidamente e sem sobressaltos. Com os outros. Sempre com os outros.
Há qualquer coisa a correr mal. Dou por isso pela intensa actividade junto da veia do meu braço direito, ela está nervosa, há qualquer coisa mecânica que não funciona como deveria funcionar, o tubo não abre, não se dá a sucção, o sangue não corre, isto é, para dentro do tubo, em vez disso já aflora junto à agulha espetada na veia, agulha que começa a incomodar-me com tanta agitação de tentativas de funcionamento deste novo sistema. Eu já percebi que está a correr mal, a não correr de todo, os mirones agitam-se e esticam o pescoço para melhor apreciar o espectáculo. Ela enerva-se, diz mal dos tubos, imagino o que não dirá, deve ser algo mais violento. Informa-me de que algo está a correr mal. Eu já teria dado por isso mais cedo se ela não fosse tão atraente e devolvo um "deixe lá" muito pouco convicto.
Nova investida no sistema, vã tentativa, o raio do tubo não abre, nesta fase ela está decidida a usar a força mas nem isso demove os plásticos envolvidos e dá-se o caso de, neste momento, a profissional estar debruçada sobre mim numa pose muito pouco ortodoxa que dificilmente será ensinada nos Cursos de Enfermagem e que, ainda e apesar dos fracos olhos que Deus me deu (rai's parta!) eu estar à beira do aumento brutal do ritmo cardíaco, coisa que sabe-se lá não virá a perturbar o resultado final das minhas análises, por via do decote do uniforme, mas sobretudo devido à falta de lingerie dentro do mesmo. Pronto. Era isto. A minha análise nunca mais será a mesma. As coisas são como são, e as dela, valha-me Deus, eram aparentemente bastante saudáveis. Vitamina D com fartura. Nem uma marca no bronzeado, não está nada mal para ceguinho... Reparem como são as coisas, desígnios insondáveis, como que por magia eu deixo de estar preocupado com o que quer que se relacione com seringas, tubos e sangue... Coisas.
Sou informado de que vou ser picado de novo, não sem antes me ser retirada a agulha cujo sistema não funcionou, tudo isto é presenciado por mim em sofrimento misto de prazer, a posição mantém-se, eu por mim já pensei "tenho quatro litros e meio de sangue, esteja à vontade, leve o tempo todo que for necessário...", claro que só pensei, não lho disse, queira o leitor notar que não deverá dizer este tipo de coisas a pessoas, por mais atraentes que sejam, que estejam debruçadas sobre si, sem lingerie visível até onde a sua imaginação possa alcançar, mas que tenham objectos metálicos pontiagudos espetados no seu corpo. Estão avisados, não abusem da vossa sorte.
Disse lá atrás que um cavalheiro nunca conta. E estive dias a fio a pensar se o deveria fazer.
Tinha de o fazer.
Está-nos no sangue. Está-me no sangue.
Quem analisa primeiro quem, sou eu, mais folgado de trabalho, estou ali, sentadinho, cómodo e sem mais nada para fazer do que dar o sangue ao manifesto. Ela é extremamente bonita. Muito, muito bonita mesmo. Morena, o uniforme branco a fazer sobressair uma pele bem bronzeada. Talvez não seja assim, talvez eu esteja aqui ou ali a ser influenciado pelo tal imaginário masculino que potencia uma torrente de pensamentos menos condignos de serem escritos de forma romanceada sem se descambar num relato de outra estirpe e classificação cinematográfica. Talvez. Mas também se costuma dizer que um cavalheiro não conta nunca estas coisas e depois, vai na volta, é o que se sabe e o que se sabe é sempre muitíssimo mais do que aquilo que ninguém relata.
Ela interrompe-me os devaneios mentais de imaginação mais ousada. Quer saber se tenho preferência no braço a ser picado. Não faço questão. Assim como assim não estou a prestar nenhuma atenção ao que ela está a fazer, recordo, uma colheita de sangue para uma análise, não vá alguém ter-se perdido na viagem. Escolho o direito, não por ser o direito, apenas porque lhe dará mais jeito. Estamos em público, há pelo menos quatro mirones que se estão a deliciar com esta cena e um deles há-de piscar-me o olho, o que, vindo de um homem, tomo como sinal de encorajamento ou de solidariedade masculina perante a adversidade. Ou não. Nunca saberei.
Ela, profissional e atenciosa, avisa-me que vai espetar a agulha. Não sei que espécie de lei não escrita faz com que a maioria das enfermeiras que conheço faça questão de informar de que nos vai magoar. Devem ensinar isto nos Cursos de Enfermagem, há quem tire prazer da dor, uns sofrendo-a, outros ministrando-a, desde que o Mundo é Mundo que assim é, eu limito-me a esperar a picada e a sentir a agulha a penetrar-me no corpo. Ela é extremamente bonita e isto é só por si um anestésico.
Há coisas más para acontecer, como alguém me disse um dia, estamos sempre a ser surpreendidos por coisas de que estávamos à espera, não era o caso, a agulha espetada era apenas meio caminho para que o objectivo fosse atingido. Mas havia coisas más à espera e eu esperava uma singela seringa, coisa que não sucedeu fruto da modernização hospitalar; deixai-me explicar, agora o sangue é recolhido para uns tubos de vácuo que são adaptados à agulha que o paciente tem espetada no braço, devidamente acondicionada dentro da veia do meu braço direito e em teoria tudo funciona rapidamente e sem sobressaltos. Com os outros. Sempre com os outros.
Há qualquer coisa a correr mal. Dou por isso pela intensa actividade junto da veia do meu braço direito, ela está nervosa, há qualquer coisa mecânica que não funciona como deveria funcionar, o tubo não abre, não se dá a sucção, o sangue não corre, isto é, para dentro do tubo, em vez disso já aflora junto à agulha espetada na veia, agulha que começa a incomodar-me com tanta agitação de tentativas de funcionamento deste novo sistema. Eu já percebi que está a correr mal, a não correr de todo, os mirones agitam-se e esticam o pescoço para melhor apreciar o espectáculo. Ela enerva-se, diz mal dos tubos, imagino o que não dirá, deve ser algo mais violento. Informa-me de que algo está a correr mal. Eu já teria dado por isso mais cedo se ela não fosse tão atraente e devolvo um "deixe lá" muito pouco convicto.
Nova investida no sistema, vã tentativa, o raio do tubo não abre, nesta fase ela está decidida a usar a força mas nem isso demove os plásticos envolvidos e dá-se o caso de, neste momento, a profissional estar debruçada sobre mim numa pose muito pouco ortodoxa que dificilmente será ensinada nos Cursos de Enfermagem e que, ainda e apesar dos fracos olhos que Deus me deu (rai's parta!) eu estar à beira do aumento brutal do ritmo cardíaco, coisa que sabe-se lá não virá a perturbar o resultado final das minhas análises, por via do decote do uniforme, mas sobretudo devido à falta de lingerie dentro do mesmo. Pronto. Era isto. A minha análise nunca mais será a mesma. As coisas são como são, e as dela, valha-me Deus, eram aparentemente bastante saudáveis. Vitamina D com fartura. Nem uma marca no bronzeado, não está nada mal para ceguinho... Reparem como são as coisas, desígnios insondáveis, como que por magia eu deixo de estar preocupado com o que quer que se relacione com seringas, tubos e sangue... Coisas.
Sou informado de que vou ser picado de novo, não sem antes me ser retirada a agulha cujo sistema não funcionou, tudo isto é presenciado por mim em sofrimento misto de prazer, a posição mantém-se, eu por mim já pensei "tenho quatro litros e meio de sangue, esteja à vontade, leve o tempo todo que for necessário...", claro que só pensei, não lho disse, queira o leitor notar que não deverá dizer este tipo de coisas a pessoas, por mais atraentes que sejam, que estejam debruçadas sobre si, sem lingerie visível até onde a sua imaginação possa alcançar, mas que tenham objectos metálicos pontiagudos espetados no seu corpo. Estão avisados, não abusem da vossa sorte.
Disse lá atrás que um cavalheiro nunca conta. E estive dias a fio a pensar se o deveria fazer.
Tinha de o fazer.
Está-nos no sangue. Está-me no sangue.
21 setembro 2012
To Infinity and Beyond! (Mas em círculos)
E o gáudio que sinto ao ser informado pelo Senhor Engenheiro Botinhas de que anteontem, pela primeira vez, se conseguiram mensagens de navegação reais, com satélites a sério e estações terrestres de pedra e cal no sistema Galileo, que tem, algures nas entranhas do respectivo código, o URL deste blog?
Incha, Curiosity!
Incha, Curiosity!
20 setembro 2012
19 setembro 2012
Todos à MediaMarkt
Para 129 polegadas o preço está em conta. Não sei é se me cabe um destes no terraço... Imagem enviada pelo leitor Manuel de Freitas
18 setembro 2012
O jogo da Glória (F.A.Q.)
| SIC Notícias 18/9/2012 (Foto de Fernando Mateus) |
Em virtude dos múltiplos contactos que tenho tido sobre a questão aqui levantada da casa da D.Glória, e na impossibilidade de responder individualmente a todos em tempo útil, elaborei esta lista de perguntas frequentes, que poderá dar resposta a alguns de vós. Obrigado pela solidariedade.
Onde é que fica a casa da D. Glória?
A casa em questão fica na Vila da Moita, concretamente no Beco do Espanhol, por cima do número 8 (não consigo localizar um número de polícia concreto para a porta do edifício).
A Câmara Municipal da Moita já foi informada?
Apenas oficiosamente. Se é verdade que entendo que o deva fazer de forma oficial, não estou certo de que seja da sua directa responsabilidade a intervenção urgente que é necessária neste caso. Estou a tentar contactar o senhorio do edifício por forma a poder conversar com ele e explicar-lhe as desvantagens de uma "tempestade mediática" sobre a sua pessoa e esta situação. Não sei nada dele ainda, não sei nada sobre a razão da sua recusa em fazer as devidas obras. Mas não está a ser fácil, quer a identificação correcta, quer o contacto. Está, de qualquer das formas preparada para ser enviada ainda hoje, uma comunicação formal ao Presidente da Câmara, aos Serviços de Acção Social, ao Departamento de Protecção Civil e ao Departamento de Turismo (pois foi a minha participação no Raid Fotográfico da Moita que proporcionou a vivência deste caso tão gritante).
Foi feita uma comunicação formal aos serviços camarários: Câmara Municipal da Moita, Gabinete da Presidência, Serviços de Acção Social e Serviços de Protecção Civil. (Que não tiveram qualquer resposta, por mais automática que fosse)
Porque é que não avanças já para uma intervenção na escada?
Ao contrário do que pode parecer inicialmente, a reparação (diria mais, reconstrução) da escada não resolve o problema e do qual é apenas uma pequena parcela. A zona por cima desta escada (interior), está completamente destelhada e qualquer intervenção ali feita, será irremediavelmente condenada assim que a chuva regressar. De qualquer modo, uma intervenção deste tipo, ainda que feita por um grupo de voluntários acompanhados por gente profissional das áreas necessárias, necessitará sempre da autorização/informação ao senhorio, bem como (penso eu) de acompanhamento técnico. Não quero transformar um problema noutro ainda maior por irresponsabilidade voluntarista. Do que me foi dado ver, uma das vigas da escada (lado direito), não está íntegra (o que acarreta a completa remoção da estrutura da mesma) e esta tarefa não deverá apenas ser levada a cabo por um grupo de pessoas munidas de martelos e boa vontade. É necessária prudência.
Do que me foi dado ver, existe no interior da habitação uma situação tão ou mais gritante do que esta. No final da escada da fotografia, junto à porta de entrada na habitação, existe um enorme buraco no pavimento do corredor, que está defendido de forma frágil e que constitui também ele um enorme problema de segurança. Não tenho qualquer pormenor adicional sobre esta outra situação.
A degradação da casa é muito grande?
É. Muito, mas mesmo muito grande. Quem vir apenas as fotos da escada não tem nem uma migalha de toda a situação. O Vasco Casquilho registou há dias algumas imagens do interior da habitação, fotos essas que poderão ser vistas neste link.
Como posso eu ajudar à resolução deste caso?
Para já, e enquanto se procedem aos contactos necessários (que, repito, estão a ser morosos), ajude a divulgar esta questão, publicitando dois links: Este (o relato inicial) e esta lista de perguntas e respostas.
Debalde
Na Vila da Moita, muito próximo da localidade onde resido, a maioria das placas de indicações de localidades estão neste estado de limpeza. Já me interroguei por diversas vezes das razões do abandono da conservação e limpeza destes úteis equipamentos, mas não me ocorre nada de relevante, salvo o facto de não chover. Não sei de quem é a responsabilidade desta manutenção, se Municipal se Central, mas alguém devia pensar em soluções. (Já me ocorreu pegar num escadote e num balde, mas ainda posso ser processado por danificar a arte urbana).
Confesso que fiquei na expectativa de que, no período que antecedeu as Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem. alguma operação de limpeza fosse efectuada, mas já percebi que nem o facto de milhares de forasteiros visitarem a Vila nesta altura pesou na decisão de mandar corrigir o problema.
16 setembro 2012
15 setembro 2012
14 setembro 2012
13 setembro 2012
Vidas
Há quem tenha vidas de fachada. Ser-me-ia indiferente se eu não fosse um dos lavadores de vidros.
12 setembro 2012
11 setembro 2012
50% de desconto (Priberam)
São já 50.000 os fãs da página da Priberam no Facebook. E como 50.000 é um número que não se atinge todos os dias, resolveu a Priberam celebrar este momento especial com uma oferta especial: até 14 de Setembro, é de aproveitar o desconto de 50% em todos os produtos da loja deles.
Uma oportunidade para não perder a possibilidade de comprar, a um preço especial os melhores produtos do mercado. Basta um click aqui para aceder à loja e insira o código promocional PRIBERAM50MIL no "checkout" para usufruir do desconto. Só até 14 de Setembro.
Uma oportunidade para não perder a possibilidade de comprar, a um preço especial os melhores produtos do mercado. Basta um click aqui para aceder à loja e insira o código promocional PRIBERAM50MIL no "checkout" para usufruir do desconto. Só até 14 de Setembro.
10 setembro 2012
05 setembro 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)






























