04 janeiro 2013

Why you should not buy from Fanzter




All things considered, we all buy iOS Apps. That's right, we, the platform users once less favoured by the Gods of Software, very well known as the "weird computer users" are now a very shiny milk cow to a lot (and I mean a lot) of software developers. Yeah, we buy apps by the dozen and everybody seems happy about it. Yeah, we pay a few bucks (once, cents) and we play or work or simply trash the hell out of software. Yeah, we're iOS users and we feel like Kings of the World.

But, then, once in a while, there comes a bump on our merry software road. You buy an App, you are pretty fond of it and one day, out of the blue, the company disappears or, more commonly is bought by another company. That's exactly what happened to me and one of my iPhone Apps. The culprit's name is Summizer, a Twitter trend search code that was sold by a software developer once named Mustache. Years rolled by, a lot of work was produced using it, God I wonder what other piece of compiled bits and bytes could be more productive to my goals. I loved it (I still do even if it is no longer working) since the dawn of iOS6.

We all know the bottlenecks of a major Operating System release. Things should be tested, things will stop working, users will get (really) pissed of by the nuisances. That's life, and a user's life is pretty full of these moments. Summizer was just one of those less happy stories. It just stopped working regarding vertical scroll, seems no big deal but in fact it was, as it prevented me to continue to hold a few consecutive watchdog searches on that huge information yard named Twitter.

Users will try to get in touch to the developer, been there, done that, just to know that the company has been sold. In this particular, Summizer the App, continued to exist, maintaining the very same name, under the authority of a new owner named Fanzter. Pretty cool, hum? Let's get things running and use a Fanzter support ticket in order to let them know that there are problems with their software.

As a matter of fact, they were quite aware of it. Swift answer "Please hold for an iOS6 update, it will solve the problem" and they did, a couple of weeks longer than expected. Yeah, I am gonna ride it again, baby!. Things are never so simple. The day I've got an email from Fanzter saying that the update was available, it did not showed up on my devices. Took me a couple of hours to clear that out, I was pretty sure I had bought it (yeah, legally!) but as I use a pair of iTunes Store accounts and I am constantly switching from the US Store to the Portuguese counterpart, perhaps it was my fault. It was not. Another link on the Fanzter support chain "Hey guys, I have no update showing up, I did bought this app, how can we solve this?".

It seems they will not solve this. Fanzter's answer is frustrating.

"Hello Pedro,
It appears you may have purchased Summizer when it was offered by Mustache Inc. It was purchased by Fanzter and rewritten and updated for newer iOS devices, and released as a new app. The original Summizer is not supported by Fanzter. Please check out the current app!"

No guys, I will not check the current app. Yes guys, you answered me questions about the earlier Summizer version. I bought the Summizer App before you brought the Mustache company. When you bought it, you bought the customer base, their products and their activity. I am sorry if you regret that but it's not my fault. You maintained the name of it for a reason, it keeps beeing named Summizer, right? Does the same thing than it did before, right?". That's not my fault. I am not angry about the value, I am angry about the lack of atitude towards customers. After all, if you do this with a cents app, what should I expect in the future?

You are about to lose a customer.

Worst than that you are about to lose a customer's trust.

03 janeiro 2013

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

O Curso de Mestrado em Engenharia Informática e Sistemas de Informação da Universidade Lusófona endereçou-me um convite que muito me honra, o de ser orador no âmbito de uma das cadeiras do respectivo Curso. Assim, no dia 9 de Janeiro, estarei na Lusófona onde me juntarei a uma lista de enorme calibre à qual estou ufano de pertencer, na companhia de algumas estrelas das TI nacionais.

02 janeiro 2013

One day

How to date a PR professional

Não é necessariamente uma coisa boa, mas que é TÃO verdade...

Não fui eu que inventei

"Mudei o pin do meu iPad e agora não me lembro dele. Tentei tantas vezes que o iPad agora está bloqueado e não consigo aceder. Lembrei-me de ligar para aí para saber se têm forma de o saber junto da Apple".

É isto o "Consumer Market"? Eu passo...

Renovação automática da Carta de Condução

De cinco em cinco anos, aproximadamente, vem um conjunto de iluminados (nenhuma graçola incluída), estabelecer novas regras para os encartados e respectivas renovações dos títulos que nos permitem (a uns melhor de que a outros) conduzir as nossas banheiras. Todos os condutores deste santo país sabem, (uns mais do que os outros) a enorme confusão que foi o último pacote de alterações, sobretudo na caducidade de cartas de condução de pessoas acima dos 50 anos. Ontem, as mentes legislativas fizeram entrar em vigor um novo pacotinho mais ou menos imbecil. E pergunto: Para que serve uma Renovação automática de Carta? Para me fazer perder tempo? Para preencher um papel inócuo que conterá informação que a entidade responsável pela emissão dos títulos até já tem? Para me sacar uma nota? Não seria preferível, mais produtivo e honesto mandarem-me um envelope RSF onde a malta metia os Euros e devolvia ao remetente? Sem me fazerem perder tempo com parvoíces? Bem basta o tempo que perderei quando aos quarenta e nove e meio eu tiver de pedir a um médico amigo que ateste por sua honra que eu não estou balhelhas, que mexo as pernas e os braços e mais um ou outro apêndice. Médico que não me examinará (nem a outros milhares de portugueses), mas que receberá o respectivo honorário. É a Economia, estúpido!

24 dezembro 2012

Feliz Natal

Olá!

Num ano que, para todos, foi tão duro e difícil, as minhas palavras vão para aqueles que independentemente das suas próprias dificuldades, arranjaram sob a forma de tempo ou de outras modalidades, uma forma de me ajudar ao longo deste para mim malvado 2012.

Sobre todos os aspectos. Nem sempre a ajuda é um gesto espalhafatoso, mas muitos dos destinatários desta mensagem estiveram do meu lado quando foi efectivamente necessário (e infelizmente, por razões que muitos de vós conhecem, foram muitos os momentos desse género ao longo deste ano) e não os
esqueço, nem as pessoas, nem os gestos propriamente ditos que de muitos de vós fui recebendo ao longo deste complicado tempo que vou vivendo.

É por isso que agora, quero agradecer a quem descomplicou quando era bem mais fácil obstaculizar, a quem investiu o seu tempo numa palavra de ânimo ou pôs os pés a caminho e as mãos na massa para me facilitar o caminho. Sois efectivamente grandes e mereceis o melhor. Estou-vos profundamente grato e sabeis muito bem ao que me refiro.

Aceitem por isso mesmo os meus mais sinceros votos de Feliz Natal e de um 2013 cheio de coisas efectivamente boas.

Pedro Aniceto

Muitos de vós vão querer saber notícias da evolução do estado de saúde da Maria Fernanda. Não são particularmente animadoras e as opiniões clínicas antecipam um cenário de total dependência durante um período que é impossível de determinar, mas que tudo aponta para que seja muito longo.

Mesmo tendo decorrido muito tempo, as incertezas são quase as mesmas dos primeiros dias. Faremos com ela este trajecto que não se adivinha a todos os títulos fácil. Devemos-lhe isso e muito mais.

Presépio com humor



Presépio particular (Rita GP - Lisboa)

No fazer e no estragar...

Enquanto me guardo para projectos de maior e mais complexa envergadura, um projecto de poucos minutos.

Oh simple things

O que é bom, é bom, e falo do método que a Microsoft encontrou para fazer as clássicas demonstrações de Sistema Operativo, neste caso o Windows 8. Há um toque de genialidade nesta ideia. (E as imagens falam por si mesmas...) Ah, e foi feito na Fnac Chiado

21 dezembro 2012

Maria Alice

17 dezembro 2012

O Manel Jeep

Os carros do Tomás, pelo menos aqueles que estão na jurisdição da minha "garagem", têm nomes. O penúltimo, um jeep horrendo de ar ameaçador, chama-se Manel Jeep. No seguimento da construção do camião, e no intuito de aproveitar pequenas sobras de madeira que mereceriam ter um fim mais digno do que como acendalhas, foi construído este exemplar de um jeep. Ainda não foi baptizado, mas estou certo de que não deixarão os leitores de sugerir nomes de baptismo para esta peça... (Mesmo com todos os aproveitamentos, ainda houve espaço para a construção de um mini-barco movido a elásticos). Este último, que não será baptizado, tem como destino a banheira...




16 dezembro 2012

Feliz Natal e Bom 2013


10 dezembro 2012

Ser um Senhor

Não é a primeira vez que o refiro, não será certamente a última, mas há coisas que tocam fundo e que valem mais do que outras coisas bem mais vistosas e pesadas. O assunto já foi aqui descrito anteriormente, mas este fim de semana, num par de dias das últimas exibições de Chaos no Casino Lisboa, confirmei algo que há muito sabia (como se até precisasse de uma confirmação). Depois da atribulada e stressante estreia de Chaos, (o Luís de Matos, no link do P.R.I.M.O. contará a história), muita água correu debaixo das pontes, as nossas vidas continuaram e há dias um outro amigo meu disse-me "Pá, tens o teu nome na ficha técnica do espectáculo". Disse-lhe que não podia ser, que deveria ser engano, que não havia razão alguma para que tal sucedesse. Acabei de confirmar que é verdade:



Não só é um tremendo orgulho ver o meu nome ao lado de nomes "monstruosos", mas é sobretudo um gesto do Luís que dificilmente esquecerei. Se ele tinha necessidade de o fazer? Não. Mas quis fazê-lo. Sem qualquer aviso ou anúncio. É assim que entendo os gestos dos Grandes Senhores que apesar de parecerem estar lá muito alto, não deixam passar sem um agradecimento aos que, de algum modo, estão cá em baixo. Ele não precisaria deste post. Mas eu não dormiria se não lhe agradecesse publicamente e não dissesse isto mesmo ao mundo. Um grande abraço, Luís.

Magníficas tradições portuguesas

Rezam as lendas que no dia 16, em Vila Real, as raparigas ofereçam o pito aos rapazes, que alguns dias mais tarde retribuirão com a gancha. Não fui eu que inventei. E é isto.

06 dezembro 2012

Como construir um camião (IX)


Por manifesta falta de tempo e de disposição, não tenho documentado os progressos do camião do meu neto Tomás, mas fica aqui e agora um apanhado dos últimos passos. As peças (porque na verdade são duas - camião e respectivo atrelado) progrediram muito nos últimos dias (a ponto de as ter dado como terminadas). As próximas imagens retratarão a respectiva construção nas diversas fases que considerei mais relevantes.


O sistema de engates do camião e respectivo atrelado estava pensado para ser ligeiramente mais sofisticado do que o resultado final (1). Tinha pensado num esquema de "joelhos" da Lego, que são basicamente similares aos eixos, mas são peças demasiado pequenas para serem manuseadas por mãozinhas tão pequenas. Acabei por me decidir por um sistema de camarão fechado e outro em L. Fica mais simples de colocar e tirar. Os faróis, que estavam inicialmente previstos como LED, (decisão que acabei por não tomar), foram substituídos por taxas de cabeça redonda. O efeito não se perdeu. Houve dois momentos críticos nesta construção, de um deles já dei conta anteriormente, a questão da caixa de carga do camião e das respectivas dimensões e a demarcação de portas e janelas da cabina. Nenhuma delas me satisfaz totalmente. A caixa de carga (4) acabou por ser feita "aberta" (permite ao miúdo carregar fisicamente o próprio tractor do camião), e adaptada ao espaço que sobrava na traseira da cabine (3). Na demarcação de portas e janelas, tinha pensado em algo discreto, mas o resultado final acabou por tornar-se o oposto disso mesmo (2). Comecei por aplicar um pequeno quadrado de folha de madeira de balsa para dar volume e relevo à grelha frontal do radiador, o que resultou, e permiti-me experimentar (de forma quase definitiva) a mesma técnica nas janelas e portas. As pequenas peças de madeira de balsa não apreciaram particularmente a cola usada (cola de madeira) e reagiram mal (2) encaracolando e obrigando-me a nova aplicação e a um período razoável de pressão. A mesma técnica foi usada no vidro frontal e painéis de porta.


O conjunto cabine/caixa (1) tem uma dimensão ligeiramente desproporcional (em desfavor da caixa) e isso já se sabia e obrigou-me a várias tentativas de colagem por forma a não ser a primeira peça a regressar à "oficina". Certo é que podia ter sido aparafusada, mas optei por uma colagem reforçada (2) da qual o futuro dirá se foi satisfatória. A plataforma do atrelado (3) seguiu a mesma técnica de construção, quer nas laterais, quer no suporte dos eixos e resultou extremamente rápida no resultado final. Por continuar com problemas nas serras de corte circular, a cava traseira das rodas foi cortada ligeiramente em excesso, mas optei por não repetir cortes e prosseguir mesmo com as cavas ligeiramente diferentes na profundidade (4).



O conjunto resulta, apesar dos erros apontados, harmonioso (1). O sistema de engate funciona bem e de forma simples (um erro de apreciação de alturas dos engates foi resolvido com uma ligeira torção nos camarões. O sistema de eixos assenta em berços iguais aos da cabine e a mesmíssima técnica das palhinhas de refrigerante foi usada para prevenir o desvio das rodas (2). A caixa (3) foi aplicada na plataforma (aberta no topo pois vai permitir um jogo de cubos de madeira empilháveis que me foi sugerido pela Paula Robalo). Talvez por ser mais extensa, a plataforma tem menos rigidez à torção e à pressão vertical que lhe será exercida (isto tem testes de estrada, senhores!) e fui obrigado pelo bom senso a reforçar os berços dos eixos em matéria de fixação (4)


Os últimos detalhes da cabine foram a colocação de duas pequenas taxas nas portas (1) (mais para tapar um pequeno furo que tinha decidido fazer, do que por uma preocupação de detalhe) e a exclusão de dois pequenos tubos de escape (em chaminé) que tinha pensado apoiar nos guarda-lamas frontais. Percebi depressa que não durariam muito tempo na posição e optei por excluir. A traseira de ambos os conjuntos levou uma pequena chapa de matrícula (sem letras ou números - falta-me um jogo de punções) e no atrelado, no lugar dos farolins traseiros, apliquei duas pequenas taxas cromadas (2). A plataforma (que esteve vai não vai para levar a caixa aplicada de forma amovível) acabou por ganhar a fixação da mesma e no conjunto foram aplicados dois pequenos autocolantes da O'Reilly que trouxe do Codebits. E é isto. 


03 dezembro 2012

Casca grossa

Imagem enviada pelo leitor Nunodois

28 novembro 2012

Como construir um camião (VIII)


Sabem aquela sensação estranha que se tem a meio de um projecto, aquele momento em que percebemos que algo não está bem e que precisamos de voltar ao estirador? Está a acontecer-me com este camião. A verdadeira questão aqui é que eu não posso voltar ao estirador porque este projecto nunca lá esteve (e sim, é um erro). Tal como disse no início, esta construção é totalmente feita de memória, sem medidas de qualquer espécie e o projecto visava aproveitar madeiras que tinha empilhadas, sobras de outras actividades. Era essencial (o inferno está cheio de coisas essenciais...) ter feito um diagrama desenhado. Era essencial ter tido medidas e quem sabe (às vezes lá calha), ter feito um modelo à escala, ainda que virtual (um dia vou pedir ao Basílio que me ensine Sketchup à séria...). Era essencial ter planos de corte em sequência em vez de andar a cortar uma peça de cada vez. Isso ter-me-ia permitido perceber que a madeira de que eu dispunha não tinha as dimensões desejadas, que ia ter problemas de dimensionamento (neste momento estou um bocado aflito com as dimensões da traseira da cabine...) e que algumas situações que já tive de remediar nem sequer chegariam a acontecer. É a vida, direi. Isto não é suposto ser candidato a nenhum concurso internacional de design automóvel, mas aborrece-me. Decidi não electrificar, será mais rápido terminar o camião, e na verdade não tenho grande tempo, ainda hoje gastei cerca de dez minutos a lixar uma das "malas" laterais, sendo que dificilmente pegarei nisto outra vez durante o dia, os minutos de amanhã estão condenados por falta de agenda, lá para o fim de semana o tractor estará pronto, com alguma sorte. Assim sendo, e se alguém quiser aprender alguma coisa com os meus erros, eis aquilo que eu faria de maneira diferente se fosse começar agora: a) A proporção Bloco de motor versus Chassis não é a ideal. O bloco é muito alto e a plataforma deveria ser mais larga (resulta numa altura excessiva quando colocada a cabine). b) A madeira onde cortei a cava das rodas é demasiado fina (problema já descrito anteriormente) e todo o conjunto deveria ter evitado a colocação da peça transversal que as segura ao chassis.

26 novembro 2012

Como construir um camião (VII)


A estrutura teoricamente mais complicada, a das cavas das rodas, foi aplicada. E é aqui que surge o primeiro erro estrutural do projecto. Tinha prometido a mim mesmo que este camião só iria receber madeira de pequenas sobras, mas estive quase a quebrar essa promessa. A espessura das madeiras que tinha em casa é manifestamente insuficiente para a necessidade de preenchimento entre a cabina e a lateral exterior. Um dia de chuva e uma agenda deveras complicada em termos de tempo fez com que avançasse com a madeira que tinha. A estrutura das cavas não acompanha a lateral da plataforma base (e não queria que os pneus ficassem excessivamente expostos) e foi preciso procurar uma solução de compromisso, que acabou por se revelar demasiado frágil em termos de colagem. O futuro utilizador deste camião não levaria mais de dez minutos a mostrar-me isso mesmo se estes guarda-lamas não estivessem reforçados pela barra transversal visível (1). O segundo aborrecimento veio do facto do parafuso de aperto do meu conjunto de serras circulares (que iriam permitir cortar a curva dos guarda-lamas) se ter moído o que não me permitiu cortar mecanicamente as meias-luas. Acabei por fazê-lo à mão e se numa delas o resultado está satisfatório, na outra nem tanto. (1/2). O espaço deixado em aberto entre a cabina e as rodas (3) virá amanhã a ser preenchido pelas peças que hão-de suportar os faróis. Mas antes tenho de resolver o problema dos cortes em meia-lua, provavelmente com uma visita ao chinês mais próximo. Seguem-se como disse, os faróis e a segunda metade da cabina. Depois é atirar-me ao trailer e decidir várias coisas, entre as quais se o trailer será ou não aberto, se terá portas e por fim se electrificarei o conjunto com LED nos faróis e farolins de presença (frente e traseira). Tenho ainda por resolver o engate do reboque. Mas lá chegarei.

Oh simple things

O crescimento da população mundial explicado com caixas Ikea, por Hans Rosling.

O olho que tudo vê

Em pleno Largo da Portagem da Ponte 25 de Abril, estando a ser explicado ao meu neto Tomás que o Jesus (Cristo Rei) está lá em cima porque tudo vê - é uma história muito comprida que envolve o Pai Natal, o Menino Jesus e o facto deles anotarem num caderno todas as travessuras que por ai se fazem -, não lhe ocorreu melhor resposta que um singelo "Pois, se estivesse cá em baixo não via nada..."

23 novembro 2012

Como construir um camião (VI)


E eis-nos chegados à mais trabalhosa das partes, aquela em que o corpo da cabine e motor começam a ganhar formas. Como disse há dias, muita lixa e acima de tudo muita paciência. O pára-choques traseiro (já produzido mas ainda não montado - estou a tentar decidir se este camião vai ou não ter electrificação e luzes) deverá ser aplicado por estes dias, ao mesmo tempo que começo a preparar as laterais e a desenhar as cavas das rodas da frente. A próxima foto deverá ser a da traseira já terminada em termos de estrutura.

22 novembro 2012

Ela foi ali, cremos que volta já

Impõe-se que vos actualize, vocês são muitos e eu apenas um e começa a ser tremendamente difícil gerir perguntas, respostas e informações. Para alguns de vós será até a primeira vez que sabem algo, mas acreditem, é a forma mais eficaz de vos informar do que se está a passar no que ao estado de saúde da minha mãe diz respeito:

A Maria Fernanda sofreu no passado Sábado um extenso e brutal AVC, que lhe provocou um desfalecimento encadeado numa enorme queda em sua casa. Socorrida de urgência, deu entrada no Hospital de Santa Maria, onde foi submetida a uma Craniotomia Descompressiva, uma intervenção de alto risco, que é feita para aliviar os efeitos da hemorragia cerebral e do consequente hematoma.

Infelizmente a Maria Fernanda não conseguiu (ainda) recuperar do coma no pós-operatório, sendo que o cenário é deveras sombrio, que impossibilita a completa avaliação da extensão dos danos que sofreu ao nível cerebral, danos que não é possível avaliar na sua globalidade enquanto não sair deste estado em que se encontra, seja por todas as complicações que podem ainda sobrevir e que são, como se imagina, muitíssimo grandes. Permanece internada no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria (Sala 7, Cama 20).

Sim, o risco é altíssimo, mas tenho a certeza de que ela está, como sempre, a lutar bravamente e que marido, filhos, familiares e amigos estão juntos na esperança de a ver regressar, mesmo que lentamente ao seio da família. Aproveito para agradecer em nome do meu pai, das minhas irmãs e em meu próprio nome, as múltiplas mensagens de encorajamento e apoio que tenho/temos recebido numa hora tão complexa, delicada e angustiante como é esta que por agora vivemos. Creiam que ajuda e de que forma a lidar com a impotência que todos sentimos.

Uma palavra de apreço é devida  à equipa médica e de enfermagem da Unidade de Cuidados Intensivos de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria cujo profissionalismo é inquestionável e cujos cuidados extremos foram tão importantes nas primeiras horas desta fatalidade.

Como construir um camião (V)


Ontem não houve tempo para muito mais e mesmo tendo produzido pouco, acabei por incorrer em erros de principiante (que se devem sobretudo a algum cansaço). O pára-choques frontal ganhou forma (e uma valente dentada por laceração da madeira durante a fase de acabamento dos arredondados - mas como é na parte de baixo optei por aplicar a peça em vez de recomeçar). As superfícies de contacto para colagem são algo irregulares - um dia aprendo a serrar - e foi necessário aplicar um bit interior que, por distracção, ficou descentrado. Só reparei nisso hoje, Inês estava morta, mas não gosto do efeito. Logo mais mostrarei o erro. Ainda vou pensar em como remediar o mesmo.

21 novembro 2012

Como construir um camião (IV)



Tal como previsto durante a montagem dos berços dos eixos (1), cedo se percebeu que apesar de estes rolarem justos na furação, haveria sempre uma tendência a que estes "fugissem" da sua posição ideal e permitissem aos pneus roçar lateralmente na plataforma do chassis (2). Várias soluções eram possíveis, desde um pequeno freio à vertical do eixo (desaconselhado devido à estrutura não cilíndrica do mesmo) ao uso de um espaçador. Na falta de material para estas soluções (e uma vez que este projecto só utiliza materiais de desperdício de outros projectos ou material comum a qualquer caixa de sucata diversa - exceptuando rodas e eixos), a solução foi "inventar" espaçadores com base numa vulgar palhinha de plástico (3). Tem exactamente o diâmetro do eixo, não "dança" e é de fácil acesso e substituição se necessário. O resultado é satisfatório sem qualquer ruído de rolamento. (4) A próxima peça a produzir será o pára-choques frontal, que foi iniciada ontem durante um período de espera numa sala de um Hospital em Lisboa. Isto é bastante terapêutico, digo-vos... (mas as pessoas tendem a olhar para mim um bocadinho de lado...).

Como construir um camião (III)



O problema das duas peças longitudinais não oferecer a devida resistência, confirmou-se. Seria o elo mais fraco do conjunto, mais a mais que os eixos serão alvo de muita e intensa pressão. Mantive as duas peças mas dei-lhes uma forma diferente por forma a não comprometerem demasiado a altura da plataforma, ao mesmo tempo que reforçam a estrutura. Estou a antever outro problema com os eixos (que são mais compridos que o berço de suporte), mas já lá irei...

19 novembro 2012

...

Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves.

Como construir um camião (II)


Eixos e rodas. Os eixos (dois), correrão dentro das pequenas peças de madeira. As rodas (Lego) precisam deixar disponível a altura da base do chassis ao solo (tal como num camião verdadeiro), o que claramente não é o caso com esta configuração. É possível que com a duplicação da altura (duas peças longitudinais sobrepostas) o problema se resolva, mas surgirão dois adicionais: A altura ao solo e a pouca solidez do conjunto (O camião será manipulado por uma criança de três anos)

18 novembro 2012

Como construir um camião (I)


É para o meu neto Tomás. Um pequeno projecto ao qual dedicarei alguns minutos por dia. Trata-se da tentativa de reprodução de um modelo de formas minimalistas, que vi há algum tempo. O comprimento do chassis, é calculado pelo método desenvolvido pelo ilustre Professor argentino Óscar Callas, muito conhecido pela invenção da metodologia hoje conhecida como "Método O.Calhas"... A novidade aqui é que serão documentados todos os passos, vitórias e inêxitos. A minha habilidade para serrar está ao nível da graciosidade de um saco de batatas, pelo que em termos de ferramenta principal, o elemento fulcral será a paciência e muita, mesmo muita lixa.

Pedido público de desculpas

Os signatários membros do autodenominado grupo #Lobsters, que durante a edição VI do Codebits, armados até aos dentes com armas temíveis da marca Nerf, moveram uma implacável caça a tudo o que mexesse (e também aos sitting ducks), deixando as mesas vizinhas (e não só) cravejadas de dardos de Velcro e espuma, vêm por esta via pedir publicamente desculpa pela barragem de munições que durante três dias choveu sobre os participantes. Queremos que saibam que as cerca de setecentas estóicas pessoas (e três pintaínhos - bichos resistentes, hum?) que raramente se queixaram, estarão para sempre nas nossas
mentesmiras. Um abraço e até à próxima edição, onde um de nós se irá lembrar de algo ainda mais assustador. Pediremos ao Celso que para o ano inclua no Welcome kit um tubo de Hirudoid.

17 novembro 2012

Codebits VI (A confirmação)

Terminou hoje a sexta edição de um dos melhores (senão mesmo o melhor) evento tecnológico português. Participo pela quarta vez e confirmou-se a minha profecia, feita há um par de meses:

"Em 2009 o vencedor estava na minha mesa, em 2010 o vencedor estava na minha mesa, em 2011 o vencedor estava na minha mesa. Se querem ter vencedor este ano, não deixem de aprovar a minha presença!"

Não só a minha candidatura foi aceite rapidamente, mas tomem a devida nota: Os vencedores do Quizz Show (Basílio Vieira e Nuno Correia) estavam na minha mesa. A segunda classificada dessa extraordinária competição de gente sem estômago denominada Nuclear Tacos (Andreia Gaita), estava na minha mesa. O sétimo lugar da classificação final, projecto ePutty (Basílio Vieira, Tony Virtual, Andreia Gaita e Pedro Pinheiro), adivinhem lá, estavam na minha mesa. O terceiro lugar da geral, projecto Jaffs, (casal Rechena e o Luís Amaral), estavam na minha mesa.

Por sugestão geral, para o ano o serviço deixa de ser pro bono e entra em comercialização. (E as equipas brasileiras da próxima edição do Codebits - que pela primeira vez se realizará por lá em simultâneo com a edição portuguesa , não se acanhem que eu estou disponível para o "sacrifício" da viagem transatlântica...) ;)

Imagem do protótipo iPutty (Luís Amaral)



Update: Estamos no "day after" do Codebits 2014. O vencedor deste ano foi um projecto de Basílio Vieira, Pedro Leite e Carolina Correia. Adivinhem lá em que mesa é que este grupo estava sentado.


16 novembro 2012

Led's go! Ledare - IKEA

Faz tempo que olho para a problemática da iluminação de incandescência (dita "clássica") face às novidades tecnológicas em matéria de iluminação. E se até agora não decidi nunca escrever sobre este assunto é porque todos os confrontos entre a incandescência e o material clássico de iluminação (leia-se material "economizador") redundaram sempre numa espécie de fracasso no que à implementação diz respeito. Todas as tentativas que fiz de substituição da tecnologia clássica de incandescência falharam por várias razões, sendo a mais significativa, o tempo de resposta do material desde que é accionada a ligação de energia até ao momento em que a lâmpada atinge o seu máximo brilho. Também contribuiram negativamente para a satisfação total do utilizador, factores como o preço e a própria durabilidade do material testado.

Na questão da durabilidade, os materiais variam em termos qualitativos de sobremaneira. De tal modo que há anos a esta parte ganhei o hábito de inscrever no casquilho metálico do material de iluminação a data em que o mesmo entrou ao serviço. Trata-se de uma habitação com cerca de 45 pontos de iluminação (interior e exterior - nao hão-de as contas serem grandes...) de diversos formatos e tecnologias, de fluorescência (residual) a incandescência (o grosso do material), passando por halogéneo. Tornou-se a dada altura demasiado complexo acompanhar os prazos de durabilidade de cada item, pelo que essa inscrição de data passou a ser essencial para se perceber a vida média de uma lâmpada em utilização.

Com a introdução no mercado dos primeiros exemplares de lâmpadas de tecnologia LED, depressa percebi que os respectivos custos tornariam a operação de adaptação de todas as exigências da casa uma tarefa hercúlea e pesadíssima em termos de investimento, mas que, com o evoluir do mercado (e sobretudo com o fim programado da fabricação de material de incandescência - 2014 é já ali), não restaria grande alternativa senão ir adaptando o material de uma forma faseada.

Mas os preços têm baixado significativamente e não deverá tardar o dia em que esta nova tecnologia se imponha no mercado de consumo, por ora ainda rendido a tecnologias já condenadas ao desaparecimento. Esta semana coloquei em teste uma lâmpada LED Ikea, modelo Ledare (PVP Ikea 11.99€) e oferece-se-me para já tecer algumas considerações sobre esta lâmpada, a saber:

- Estas lâmpadas são concebidas com base em LED (Light Emiting Diodes, ou Diodos Emissores de Luz). Se ao leigo isto nada diz (ou a malta começa logo a pensar em tuning...), saiba o leitor, numa imagem simples que um LED é um componente composto de minúsculas camadas de compostos de carbono que, quando percorridas por corrente eléctrica, brilham. É uma explicação minimalista, mas é suficiente...

- A velocidade de resposta ao acendimento é bastante boa. Não que eu tenha uma escala de julgamento desta vertente, mas porque com esta lâmpada, não penso sequer nela depois de accionar o interruptor. O fabricante anuncia um tempo de resposta de 0,2 segundos, mas a mim basta-me que quando entro numa divisão da casa e necessito de ligar a iluminação, a lâmpada "responda" no seu brilho máximo antes mesmo de eu ter terminado a minha função nessa divisão, factor extremamente negativo noutra tecnologia, dita "economizadora". E penso que todos sabemos ao que me refiro...

-  A luz e brilho destas lâmpadas são absolutamente satisfatórias. Quando as instalei, e observado o packaging, ocorreram-me algumas questões (que foram atempadamente respondidas pela IKEA). A informação do packaging da IKEA LED é vasta, tão vasta que pode confundir o comprador. Para além de indicações óbvias como o tipo de tecnologia, existem na embalagem indicações sobre o tipo de casquilho (ver mais abaixo desenvolvimento sobre o tema), luminosidade da lâmpada (em lúmens, coisa que deixará muito comprador não familiarizado com esta escala, à beira da loucura...), consumo (não será de espantar que esta lâmpada anuncie um consumo de 8,1 Watt, mais uma enorme diferença face ao que estamos habituados com lâmpadas de incandescência), CRI (e aposto o meu rim direito que noventa e nove por cento da massa consumidora de lâmpadas nem sonha o que seja o CRI...). O CRI
é um valor referencial para "julgar" o quão precisa é a renderização de uma cor reflectida quando iluminada por uma fonte de luz. (Renderização é uma palavra que não existe, mas é a coisinha mais parecida que arranjo para expressar o termo original). Imagine o leitor que iluminamos um objecto vermelho com uma fonte de luz "segura" ou "padrão". A cor devolvida pelo objecto poderá ser medida e a mesma operação poderá ser feita com a segunda fonte de luz. O desvio face ao padrão é calculado numa escala de 0 a 100 (esta lâmpada IKEA anuncia um CRI de 85) e esse valor serve de indicação à fiabilidade da devolução da reflexão de cor. Quanto mais alto for o CRI mais fiável é a luz enquanto base de distinção de cores. Fontes luminosas com índice CRI de 85 ou superiores, são consideradas boas. É importante notar que existe neste packaging uma outra informação que poderá confundir/fazer interrogar o consumidor: A temperatura de cor (que não deve ser confundida com o CRI da lâmpada) vem nesta embalagem (e em todas as outras, suponho), expressa na escala de Kelvin. As temperaturas de cor são importantes porque são, basicamente, a sua tonalidade. Lâmpadas com uma temperatura de cor acima de 5000 produzem uma luz clara e precisa (boa para iluminar tarefas que exijam concentração), enquanto que, descendo na escala de Kelvin se produzem tons que induzem ao relax.
A informação do packaging é, como disse, vasta. Indicações como tempo de vida estimado da lâmpada (vinte mil horas), tempo de resposta ao máximo de brilho, incompatibilidades, número de acendimentos expectáveis antes de falha, dimensões e tensões admissíveis estão também presentes.

- A tecnologia LED não é compatível com reóstatos variadores de tensão pelo que o uso destas lâmpadas em sistemas deste tipo (com regulador de intensidade) não é possível. Sim, é possível usar a lâmpada, não é possível regular-lhe a intensidade como nos modelos "clássicos" ou "economizadores".

A lâmpada LED não aquece. Ponto. Não havendo incandescência nem filamento, não se gera (desperdiça) o calor operado pela resistência. Este facto explica cabalmente o baixo consumo anunciado.

Os vários tipos de casquilho de rosca disponíveis na maioria dos mercados (sim, existem mercados não desprezíveis de casquilhos não roscados, ditos de baioneta, que alguns dos leitores se recordarão ao mudar as lâmpadas de mínimos de alguns carros mais antigos), e existem desde a invenção da própria lâmpada. Conhecidos como "As roscas de Edison", são designadas pela letra E (de Edison) seguida de dois números. Uma lâmpada que possua a referência E27 (como é o caso das lâmpadas em apreço) estará equipada com uma rosca de 27 milímetros. (É espantoso que esta nomenclatura resista desde 1909 numa patente Mazda.)

Claro que algum tempo terá de passar até que me possa pronunciar sobre poupanças efectivas (e comprovadas) nos consumos. Até porque ainda só parte do parque de iluminação foi substituído. Mas a isso voltarei dentro de alguns meses.

Como diz, com graça, a IKEA: "Muito obrigado Senhor Edison, a partir de agora fazemos nós"

14 novembro 2012

Hoje caça você


Imagem enviada pelo leitor Duarte Vaz Pinto.

Avisos


WC masculino do Restaurante Nicolino. Imagem de Ricardo Oliveira (FB)

08 novembro 2012

Emoções

Este post pode ser considerado fútil, estranho, talvez doentio. Ainda reflecti algumas horas antes de o dar à estampa, mas acabei por decidir fazê-lo; não me importo do que possam pensar embora esteja certo que haverá também muita gente a apreciar estas linhas e sobretudo a imagem que deixo mais abaixo.

Quando se é fã de alguma coisa, é normal que haja ícones que gostemos de abraçar. Imagine o leitor que é doido por futebol e lhe permitiam calçar uma chuteira de Eusébio, que é músico e que podia soprar no trombone trompete de Louis Armstrong, que é um furioso condutor de automóveis e que podia colocar na cabeça um capacete de Ayrton Senna.

Agora imagine que eu, profissional profundamente ligado à marca da maçã, ficava ali uns segundos a contemplar embevecidamente um objecto, tendo debaixo das cabeças dos meus dedos, com  o teclado à minha mercê, o último computador de José Saramago.

Percebem a ideia, a emoção? Obrigado, Pilar.




Mas quem é que inventa estes nomes?



Imagem enviada pelo leitor Joel Silva

07 novembro 2012

Sabedoria popular

"Deus Nosso Senhor nos guarde de bocas abertas, de coisas que não são certas, e de mulheres que aos homens põem aquilo que dos bois é."

06 novembro 2012

I will try to fix you

Quando me perguntam o que faço, eu respondo que sou Gestor de Produto. Quando eu mesmo me pergunto o que faço, respondo como na anedota: "'Cê tem um tempinho?" e no mais das vezes não sei, no mais das vezes ou não respondo ou disparo um clichê.

Há oito dias, alguém pediu a minha ajuda para uma situação clínica. Um doente de Esclerose Lateral Amiotrófica, doença que eu só conhecia de nome até ao momento em que, brutalmente, conheci a situação. O doente de ELA vê degradar-se ao extremo a capacidade muscular de responder a estimulação enviada pelo cérebro, órgão que se mantém sem qualquer dano, enquanto a musculatura vai deixando de responder levando à atrofia do corpo, combatida por fisioterapia.

O doente, como acima referi, mantem-se lúcido e eu nem quero imaginar o que deve ser de conflito interior, o facto de ser completamente dependente do ponto de vista físico, enquanto a capacidade mental se mantém intacta.

Aquilo que fiz, nesta situação, foi substituir/introduzir um tablet cuja capacidade de ecrã deixava bastante a desejar, fosse do ponto de vista de ângulo de visão, fosse do ponto de vista áudio e em capacidade. Mas talvez a intervenção mais importante tenha sido a remoção do suporte acrílico tremendamente instável e com um ângulo tremendo, que obrigava o doente a uma amplitude de movimento vertical da mão que se perdeu já há algum tempo. Basicamente usei um Macally Ecofan do qual removi toda a parte eléctrica e cablagem, tendo-lhe  introduzido mais um ponto de elevação que o original não possui, bem como uma modificação na altura da mesa-base que era de todo imprescindível. Foi também necessário implementar um sistema de fixação no iPad (que permitisse a remoção sempre que necessário), bem como sugerir a entrada em funcionamento de um braço articulado auxiliar Ergo Rest, braço esse que a pessoa já possuía, mas sem que estivesse em funcionamento (era necessário modificar ligeiramente a mesa, o que foi feito).

No final da operação de implementação, ninguém teve dúvidas do entusiasmo do doente neste setup e acho que foi a primeira vez que me emocionei por ver alguém a ler o Público Online. É por isso que eu digo que quando me perguntam "O que é que fazes?", por vezes posso responder "Dou graças por também ser informático".

Aproveito esta oportunidade para pedir aos responsáveis da App do Público para iPhone uma pequena alteração. Passem o botão "Destaques" para a barra inferior. Fará TODA a diferença. Acreditem que sim.

05 novembro 2012

A origem das expressões (Salvo pelo gongo)

Fulano foi salvo pelo gongo" é uma expressão que muitas vezes associamos a combates de boxe, onde a indicação do final do round (ou assalto) é indicada pelo toque de um gongo. A expressão contudo não tem origem nesta imagem, a de alguém que vê interrompido um ataque ou um problema pelo toque metálico do instrumento. A sua origem, crê-se estar nos tempos medievais ingleses, onde os funerais eram executados em caixões reutilizáveis. Muitas das vezes, os supostos mortos não o estavam e era frequente encontrarem-se caixões com marcas e arranhões, de pessoas sepultadas ainda vivas. Tal facto levou a que fosse amarrado ao pulso do "defunto" um fio ligado a uma campainha, que, à superfície, se fosse accionada, se fazia ouvir, permitindo salvar o infeliz enterrado. Da expressão "Saved by the bell" veio então o "Salvo pelo gongo".

02 novembro 2012

Digna de nota

Esta carta.

31 outubro 2012

Requiem

Um Gestor que desfaz equipas de pessoas que choram quando se despedem umas das outras, deveria pensar um pouco e reflectir porque é que isso sucede. E deveria tirar vantagem desses laços. Deveria usar menos a palavra "perfil" e usar mais tudo aquilo que entra pelos olhos dentro. Devia descer da sua torre pelo menos uma vez por semana e perceber de que matéria são feitos os sonhos.

29 outubro 2012

Belas localidades portuguesas



Freguesia e Concelho de Mafra. Imagem enviada pelo leitor Ricardo Silvestre.

26 outubro 2012

Quem muito se inclina...

Coimbra

22 outubro 2012

Romanes eunt domus!*



Centro de Emprego de Matosinhos. Imagem enviada por Paulo Santos

* Para quem não tenha percebido o título...

Guia de Puericultura El Corte Inglés





O Guia de Puericultura do El Corte Inglés, obra que em bom rigor eu desconhecia, está a revelar-se uma fonte de inspiração deste blog. Este senhor chamou-me a atenção para esta preciosidade que podem encontrar aqui documentada (página 393) e que diz respeito à intolerância ao glúten. Toda a obra pode ser consultada neste link, mas não me espantaria que o responsável fosse linchado publicamente e a obra-prima retirada de circulação.

Aposto que há mais notas do paginador (se alguém tiver tempo e paciência para apontar mais alguma deste calibre, terá os devidos créditos assinalados).

Grandes momentos do jornalismo

Click na imagem para a ver em formato aumentado
Urge informar que de facto, o Armstrong que está retratado vive dias difíceis. Talvez por estar morto.
Jornal dos Desportos (Angola). Imagem enviada pelo Senhor Engenheiro Botinhas.

21 outubro 2012

O stress, sempre o maldito stress

20 outubro 2012

Sortilégios


Imagem enviada pelo leitor Sérgio Brandão

18 outubro 2012

Uma fenda na muralha (II)

"A abóbada não caiu, a abóbada não cairá!". Não sei como foi convosco, mas esta foi a treta histórica que o Estado Novo me pregou e que me ficou gravada para sempre nos neurónios. A ilustração do texto relativo a Afonso Domingues no meu livro de História de Portugal era bastante dramática. O próprio Afonso, de ar trémulo e débil, sentado num bloco de calcário, desafiando a abóbada. Sozinho. Desafiando o Rei e a ordem instituída até ao último momento, mesmo quando já quase ninguém parecia acreditar. Persistir. Persistir sempre. Parabéns Basílio Vieira! A vitória, foi difícil mas foi tua.

17 outubro 2012

PRIMO (Rádio Comercial - Luís de Matos)

Será de inteira justiça afirmar-se que durante a estreia  (já lá vai quase um ano...) de Chaos, o espectáculo que Luís de Matos recolocará em cena nos próximos dias, não era eu que, como disse Nuno Markl no último PRIMO, "que estava aos comandos dos computadores". Para isso tem o Luís no seu Estúdio 33, uma equipa de gente bem capaz, de isso e de muito mais (inclui serrar pessoas ao meio e outros sortilégios). Mas a verdade é que, e agora já se pode falar disso com alguma comodidade, uma vez que o assunto veio à baila durante a última emissão do PRIMO (Programa Realmente Incrível Mas Obtuso) em que Luís de Matos participou, fica o resumo do que realmente aconteceu. A míseras vinte e quatro horas da estreia de Chaos,  a máquina que fazia o suporte multimédia (a bem dizer, o suporte de vida da cenografia do espectáculo, pifou). Calma, acalmem-se os do costume que não foi por uma questão de qualidade. Foi um acidente. Um curto-circuito idiota num dos pontos de fornecimento de energia, um zaaaap tremendo, o inevitável cheiro a queimado e a constatação de que o nome Chaos tinha efectivamente sido muitíssimo bem escolhido para o espectáculo. Há imagem mas não há som,  (ler: vídeos e a excelente banda sonora). Todo o módulo de controlo de som morreu por electrocussão. O Luís faz avançar um plano B, uma máquina menos potente, muito menos potente, que transforma todo o espectáculo num mar de incógnitas e gaguez. A estreia de Chaos é todo ele um festival de horror e há menos de vinte e quatro horas para resolver o problema. Só quando eu abro as entranhas do electrocutado, na companhia do Gonçalo Pereira, meu colega de trabalho, é que percebemos bem o alcance do sucedido. Há montículos de carvão na motherboard e trata-se de fazer um transplante entre máquinas e placas que há-de também ele, ser um festival de magia, dado que metade da "operação" foi feita num carro em andamento entre Lisboa e Estoril. De notável só sobrou mesmo o facto de não terem sobrado (ou faltado) peças. E o facto de mesmo nos momentos de maior tensão, a calma olímpica do Luís se ter sempre sobreposto a tudo e a todos. Três dias depois vi, de novo, o espectáculo, e aí sim, consegui recostar-me na cadeira sem olhar atentamente para a cenografia e perguntar a mim mesmo "Mas porque raio é que o Finder faz parte do cenário?". Piadas à parte, vão ver. Chaos. Brevemente no Auditório dos Oceanos em Lisboa e um pouco por todo o país.

15 outubro 2012

Decidam-se, 'tá?


Parece que a Disney e o IGAC tiveram alguma dificuldade ao classificar este videograma. Na mesma capa é possível encontrar três escalões etários... Imagem enviada pela leitora Susana Canhoto

Esmeraldo de Situ Orbis

Foi um dos meus grandes enigmas de menino, profundamente inculcado por um magnífico Professor de História que tive a felicidade de ter nos primeiros anos de Liceu. O homem que nos dizia que nunca devíamos ter nada como garantido em termos de História e que um dia semeou o alvoroço escolar quando sugeriu que o "achamento" do Brasil não teria sido exactamente obra do acaso, mas antes uma empresa marítima cumprida em várias etapas. Se já estávamos desassossegados com essa informação, pior fiquei com o estudo da obra de Duarte Pacheco Pereira, "Esmeraldo de Situ Orbis", uma autêntica obra de referência de marinharia e geografia da época. Essa obra, que tem em alguns dos seus capítulos, autênticas pistas para a exploração do Atlântico Sul, mais contribuiu para a certeza de que Cabral foi "apenas" o achador oficial, tendo Duarte Pacheco Pereira sido o "piloto de testes".


"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."


É agora que um amigo que muito prezo, Professor de História Naval na Universidade de Lisboa (Francisco Contente Domingues), vem reafirmar essa suspeita.


Maria Rueff

Conheço-a dos palcos e dos ecrãs há uma eternidade, como aliás quase todos nós, mas só há poucos anos travámos conhecimento pessoal. Mulher multi-tarefa, sempre a "abrir", já lhe prometi que, um dia, quando ambos formos velhinhos e ela estiver na Casa do Artista, teremos finalmente tempo para abordar os cinquenta mil assuntos que temos permanentemente em aberto sem que um de nós esteja pressionado pela respectiva agenda profissional ou pessoal.

É das lendas conhecidas do grande público que eu tenho especial predilecção por capas de iPhone que fujam ao comum e que dêm nas vistas. Sou severamente criticado pelo espalhafato das inúmeras capas que uso nos telefones e há algumas em particular que são verdadeiramente berrantes e espalhafatosas. É a vida, dirão alguns, a verdade é que há pessoal que abusa na garridice das gravatas, eu sou mais capas.

A capa de iPhone é um item indispensável. Porque pela minha mão passam, a cada ano, centenas de telefones partidos em quedas, alvo de acidentes que levam às lágrimas os respectivos donos e donas e não é a primeira vez que faço questão que algumas dessas pessoas passem a usar um protector de iPhone digno desse nome. Manuel Damásio tem e usa uma capa de iPhone que lhe ofereci no último dia em que jantámos em plena festa e o Benfica se sagrou Campeão Nacional (capa encarnada, como não poderia deixar de ser) e a Maria Rueff ofereci também uma capa do mesmíssimo modelo, de um amarelo capaz de vazar uma vista (mas que se topa à légua dentro de uma mala de senhora...).

Não deixa de ser uma coincidência curiosa que no dia em que se anuncia o lançamento de A Bola TV (onde trabalham alguns amigos e conhecidos meus), o Zé Manel, um dos mais populares taxistas do país e uma personagem que ficará para sempre colada na pele de Maria Rueff, surja nas páginas centrais de A Bola, usando precisamente a capa de iPhone que tantas e tantas vezes foi alvo de escárnio dos meus amigos. Maria Rueff tem, desde há algum tempo, uma página de fãs no Facebook. Passe por lá e diga "Olá, Zé Manel!"

14 outubro 2012

Também eu tremia...


RTP1. Imagem enviada por João Hartley

The hunt for the yellow October


Imagem enviada por Pedro Raimundo

13 outubro 2012

7º Raid Fotográfico da Moita


Encontrei, na exposição de encerramento do 7º Raid Fotográfico da Moita, uma foto minha.

10 outubro 2012

Optimus Top Apps

Com a inacreditável cadência de saída de aplicações iPhone, há uma questão que a cada dia que passa é cada vez mais complicado responder.

"Quais são as tuas aplicações favoritas?".

No início era simples, andávamos todos mais ou menos "por dentro" das novidades, usávamos um "boca a boca" para os amigos e conhecidos irem ficando a par do que estava realmente a precisar de ser usado.

Hoje, a iTunes Store tem um manancial de novidades e aplicações mais ou menos reformuladas que é absolutamente impossível estar actualizado nesta matéria.

O que é que fazemos então para manter actualizado o nosso conhecimento? As dicas do amigos continuam a ser preciosas, o que lemos por aí, em papel ou em suporte digital, já existem apps para nos recomendarem aplicações ou alertar sobre mudança de preço das mesmas. Não chega. Uma coisa é saber que um dado software existe e que faz isto e aquilo, que tem esta ou aquela característica, outra é saber se vale realmente o seu preço. Mesmo que este preço seja zero, ninguém quer já perder tempo a instalar uma app que dez minutos depois já está a caminho do lixo electrónico.

Não é fácil, fixar nomes, são aos milhares, aos amigos volta a perguntar-se "Como é que se chama aquela app de que me falaste há um mês?", sendo que a resposta é invariavelmente "Sei lá, ao tempo que isso já foi...".

A Optimus, operador telefónico português, acaba de lançar um serviço curioso que designou por "Top Apps" que vem precisamente colmatar a questão das listas de aplicações. Chamou-lhes (e apropriadamente) "Cadernetas de Apps" e permite, a qualquer utilizador, mesmo que não seja cliente da  insígnia Optimus, elencar grupos de aplicações (ou mesmo definir apenas uma) e tê-la entre as suas escolhas, sejam ou não agrupadas, que pode partilhar de diversas vias, seja por email, seja pelas redes sociais. E quem consulta essas cadernetas e ou aplicações únicas, pode (ou não) participar, elegendo as suas concordâncias com as escolhas que outros fizeram, recompensando ou assinalando com um "Gosto", cada uma delas. Este feedback vai, a curto prazo gerar rankings de escolhas, bem como permitir que cada um de nós se foque no essencial (Apps que não deve deixar de experimentar) em vez de andar, muitas vezes ingloriamente, a vasculhar aplicações das quais não tem qualquer referência. Ter aberto a participação ao universo de utilizadores nacional, em vez de o segmentar por operadora, foi uma decisão acertada, mais uma daquelas a que a Optimus nos habitou.

Aponte o seu smartphone ou tablet a este URL e mostre ao mundo as suas escolhas. As minhas, essas já lá estão e serão actualizadas sempre que achar relevante. Sim, porque o que nos liga é Optimus.

A experiência QR Code






Obrigado por ter chegado até aqui. Com este gesto, você contribuiu de modo voluntário para uma experiência pessoal sobre a utilização de ferramentas tecnológicas que me permitirão fazer uma pequena investigação sobre os locais de Lisboa com maior utilização de equipamentos electrónicos pessoais (SmartPhones e Tablets). Durante alguns meses, determinadas zonas da cidade de Lisboa receberam códigos deste tipo, cada um deles personalizado e no final da experiência será publicado um mapa infográfico com os resumos de acesso de pessoas que se sentiram impelidas a lê-los com os respectivos equipamentos e em que zonas de Lisboa o fizeram.

Agradeço-lhe bastante a sua participação nesta experiência. Se pretender ter acesso aos resultados finais desta operação, que só serão divulgados em meados de 2013, por favor insira o seu endereço de email na caixa "Siga este blog por email", no topo superior direito desta página. Muito obrigado uma vez mais.

Pedro Aniceto

09 outubro 2012

Grandes momentos do jornalismo



"-Senhor Doutor! Senhor Doutor! O que é que está a fazer de joelhos voltado para Meca?"
"-Cale-se, sua besta! Não vê que estou a fazer investigação clínica?"

Imagem Diário Digital, enviada pela Senhor Engenheiro Botinhas

Grandes momentos do marketing


Não tenho qualquer dúvida sobre o facto dos ideólogos dos nomes destas organizações serem gente esforçada, diligente e cheia de boas intenções. Mas eu costumo dizer a quem me quer ouvir, que depois de um nome encontrado, se devem deixar passar quinze dias e três metros. Quinze dias para nos esquecermos dele, três metros para o ver com outra leitura. Quem o não faz arrisca-se a não dar pela segunda leitura...

O último baleeiro dos Açores

Passou há dias na TSF, e assinalei-o condignamente no Twitter. Uma preciosidade de entrevista.

Os solitários homens dos doris



Um achado no Youtube (obrigado Miguel Duarte), o documentário "The lonely Doryman", um trabalho da National Geographic de 1967 com a duração de 50 minutos.

A adicionar ao já publicado documentário canadiano sobre o Santa Maria Manuela, que poderá recordar aqui.

No Público de hoje (acho), havia um bom artigo sobre o Argus.


06 outubro 2012

Estamos (verdadeiramente) feitos ao bife

Se o responsável de Protocolo estava hoje a dormir, durante a cerimónia do içar da bandeira nas comemorações (?) do 5 de Outubro, que alguém o acorde. Se o Presidente da República não viu que o símbolo máximo do país estava erradamente colocado nos cabos, era obrigação de quem zela por este aspecto ter tomado as devidas precauções para que não sucedesse.
Não sei sequer o que dizer das restantes pessoas que acompanhavam o acto, mas perderam uma boa oportunidade de demonstrar que não estavam em piloto-automático.

Quando eu era menino, em funções que implicavam aprender como  içar e arriar uma bandeira, quiçá menos importante do que a Nacional, tive a ventura de ter a ensinar-me um homem que não se esquecia de nenhum detalhe desse cerimonial, do atar ao içar, do arriar às impecáveis dobras e manobras relativas, que têm também os seus segredos protocolares. Era esse homem, que munido de um alfinete de ama estrategicamente colocado no bainha, me dizia "Até de noite, às escuras, não corres o risco de te enganar". Mesmo com luvas, sabes qual é o lado a amarrar primeiro. E sim, usem, pelas alminhas, um nó de escota. Poupa-vos a adicional vergonha de estar a perder um tempo imenso a desfazer a asneira.

04 outubro 2012

Voltagens do demo


Newsletter Redcoon. Imagem enviada por João Barros

03 outubro 2012

De quando em vez, faz-se justiça


M., os jornais nunca dirão o que realmente se passou. E é pena. É pena que nunca se venha a saber que uma das maiores organizações financeiras portuguesas se ocupava também de assuntos de cariz criminal  e que algumas dessas operações envolviam a cobertura de figuras da Sociedade portuguesa que hoje ocupariam capas e páginas de jornais se o assunto fosse realmente ventilado. Notícias que nunca verão a luz do dia porque provocariam terramotos de factos que fariam tremer muita gente, alguma dela que tenho hoje vergonha de ter admirado. Porque nos faltam verdadeiramente jornalistas capazes de arriscar.

M. deparou-se há anos com situações anómalas na instituição onde trabalhava, onde era feliz, e onde planeava ter feito uma carreira longa e próspera. Quando M. quis perceber porque é que nas instalações das quais era responsável, passavam contentores de materiais ilegais e absolutamente nada consentâneos com as actividades da empresa, abriu a caixa de Pandora que o ia destruindo fisicamente. Pressões intoleráveis, suspensão de funções, ameaças de morte, perseguições, fariam qualquer um de nós calar o que quer que tivéssemos para dizer e prosseguir as nossas vidas. Isto para evitar problemas de índole psiquiátrica, os mesmos de que M. sofreu, sozinho, quando pouca gente parecia acreditar nele. M. não desistiu. Sabe Deus e e ele mesmo a que custo. Quinze anos de sofrimento e angústia, quinze anos que não são quinze dias.

M. não estava "descalço", sabia exactamente que não podia dar em falso passo algum e documentou tudo o que afirmava. Não me sobra qualquer dúvida de que foi essa precaução que levou há dias um Tribunal a dar-lhe razão. A mesma razão que lhe negaram durante 15 dolorosos e longos anos. É pena que se não vá mais longe. Muito mais longe. Talvez mudássemos de opinião a respeito de algumas das pessoas que nos habituámos a admirar. E que passássemos a admirar algumas pessoas que não conhecemos.

Quando há dias li este mesmo título num dos jornais diários, pensei "E se fosse o M.?". Acabei de confirmar que sim, que era a mesma pessoa. E fico extremamente feliz por isso. Tudo o que lhe possam agora pagar, é pouco. Muito pouco.

02 outubro 2012

Vou levar-te comigo...


Se não é surpreendente ver o Celso Martinho num cartaz de divulgação de uma Palestra sobre Novas Tecnologias, a realizar em Luanda, no Auditório da Universidade Agostinho Neto no próximo dia 9 de Outubro, ri-me com gosto de um detalhe desta imagem. A máquina, corrijo, o super-computador que o Celso tem na mão, é, nem mais nem menos, este. Uma máquina de 1985, com uns potentíssimos 131,072 bytes (inchem, fabricantes de RAM) que lhe foi por mim oferecida está por agora a fazer um ano. Novo. A estrear.

01 outubro 2012

Com todas as cautelas

F., cujo nome fui forçado a inventar, morreu há três dias. Diabético, obrigado à hemodiálise, sofredor de muito mais maleitas que não elenquei por força de serem desnecessárias, morreu. Quinou. Bateu as botas. Finou-se. É legítimo que, condoído o leitor pelo intróito, vinhedos que também eu vindimei por força das descrições que me foram feitas do seu sofrimento, tenha pena. Se enterneça. Se condoa. Pode pois bem fazê-lo.

F. morreu atropelado numa borda de estrada enquanto mudava um pneu. Vê? Agora tudo parece menos dramático e digno de um "G'anda azar!" vindo do mais fundo do nosso ser. F. morreu e agora Zé Bouças, o cauteleiro da vila tem um problema entre dedos para resolver. E é precisamente aqui, neste exacto ponto que eu passo a fazer parte da equação.

Esta manhã, Zé Bouças interrogava o dono do café onde eu estava quase que por acidente sobre se não queria ficar com a cautela de F., jogador de fé, homem de número certo na Lotaria Nacional. Que não! Nunca! Olha que ideia a tua, agora ficar com a cautela do morto! Percebi que outros inquiridos se negavam também, um deles chegou mesmo a persignar-se que é coisa rara de se ver fora de sede própria, salvo em caso de grave sacrilégio ou susto mais arreigado na alma. A três perguntou Zé Bouças e por três vezes o renegaram e eu, sem uma palavra, apenas um gesto quase imperceptível, adjudiquei a fracção que guardei no bolso sob o olhar de censura dos presentes. Não é a primeira história que ouço de gente que sempre teve o mesmo número e que um dia deixou de jogar por uma qualquer razão e pimba!, toma lá, vai buscar, que sabemos que no caso de acontecer se torna verdadeiramente desagradável, quase tão mau como ser-se atropelado numa borda de estrada enquanto se muda um pneu.




Nesta fase estão todos os leitores a perguntar-se se me saiu a Lotaria do mito urbano. Não saiu, ou por outra, se fosse vivo, e já sabemos que não, F., teria embolsado uma singela terminação. Dez euros que serão reinvestidos por minha fé. . Deve ter aqui havido uma mãozinha do falecido, ou é da minha vista. Nenhuma de ambas me surpreenderia.

Vou repensar o assunto. À cautela. Na mesma.