28 abril 2006

6,293,874 and counting...


O diagrama acima parece-lhe uma imbecilidade? Pois fique sabendo que se trata do registo de patente de uma máquina de diversão controlada pelo utilizador, destinada a pontapear as nádegas do próprio, Patente Nº 6,293,874 do Departamento de Patentes dos Estados Unidos da América. Go figure!

Mare nostrum

Um mar de lágrimas e uma braçada de rissóis em riscos de deixar de estar congelada. As braçadas atravessariam o mar, se fosse o caso, que o não era, o tempo é de falso estio, as sombras parecem-nos bóias, portos de abrigo das agruras, quer do sol, quer da vida propriamente dita. Mas não veio o leitor aqui com toda a certeza saber do tempo ou das sombras, mas sim da desgraça que tocou em sorte à própria criatura que ali tinha à minha frente. Eu, de regresso à bica, ela de nariz molhado, olhos vermelhos e ar angustiado.

"O senhor por acaso não tem um saco de plástico que me dê com urgência?". Das razões do invulgar pedido não precisarei de as enunciar, os bracinhos em redondo, os rissóis ali, tem-te não descongeles, o frio que os queimava desvanece-se pouco a pouco no calor do cuidado em não os deixar cair. "Eu trazia um saco com rissóis, o saco rompeu-se, isto caiu tudo, se calhar o senhor do café já os não quer...". O medo a escorrer-lhe dos olhos, a angústia a ler-se no intervalo de cada soluço. Logo ali se resolveu o problema do saco, eu mesmo alinhei os rissóis na superfície do balcão, parecem-me uma parada militar, alinhados ali às ordens de sabe Deus quem.

Limpei-lhe a torrente de lágrimas, um, dois, três guardanapos, a fonte que não secava, aparece o dono dos rissóis que ainda não o é, que se calhar os não quer, eles ali alinhados no balcão, areia e terra misturadas no pão ralado, uma folha de árvore amarelada a espreitar do meio do grupo, enfim, estes rissóis já viram dias melhores, quem sabe se o promitente comprador dos mesmos ainda os quererá, apostaria que não. Que pronto, não vale a pena chorares mais, são coisas que acontecem. "Eu trazia tudo direitinho, juro, nem vinha a brincar com o saco, a minha madrasta vai matar-me" senta-se nervosamente numa cadeira enquanto remexe em dois papéis que traz nas mãos sapudas. Eu percebi-lhe o medo do castigo de curto prazo, iria até jurar que tinha lido muito mais, que não, não exageres, afinal de contas eu também já sofri as agruras do leite derramado, que quando não era leite eram ovos ou outra qualquer mercadoria perdida no pó dos tempos ou dos caminhos.

Mais nervos, mais lágrimas, ela levanta-se continua a inquirir-me com os olhos rasos de água e eu vou lendo algo mais, uma suspeita que lentamente se avoluma. Tinhas ido levar rissóis a mais algum lado? Perdeste o dinheiro com que te pagaram nos outros lados? Acena-me que sim para me dizer que não logo de seguida, tira de um bolso um envelope amachucado de onde rolam algumas notas e moedas. Então o que é que se passa? Baixo-me, uma pessoa confessa-se melhor a alguém a quem possa olhar nos olhos, ou não, a mim só me apetece abraçá-la, consolar-lhe a dor, afuguentar-lhe a angústia, quem sabe contar-lhe de outros ovos e outros rissóis. "Perdi um papel com um número de telefone...". Mais choro, mais soluços enquanto aguardo o resto da história. Procuramos, sem sucesso, o papel nas redondezas. Vamos mesmo ao local da desgraça do saco.

"É um papel pequenino, vernelho e branco, trago-o sempre comigo, escondido...". Há ali mais do que rissóis em risco, há ali uma vida a querer misturar-se com a minha. Porque o trazes escondido? "Porque é o número de telefone da minha avó, porque ninguém pode saber que o tenho, porque a minha madrasta vai matar-me se souber que o tenho...". Não podes falar com a tua avó? "Não, não posso, ela tinha-me dado o papel se eu precisasse, o senhor não vai dizer nada à minha madrasta, pois não?". Que não, que ficasse descansada, que segredo dela continua seguro como esteve até à perda do seu tesouro. Voltamos ao café. Ela pede-me que espere por ela enquanto percorrerá de novo o caminho que a trouxe até aqui, na esperança de um golpe de sorte. Regressa cabisbaixa, a minha alma a ficar mais pequena a cada minuto. Disparo de chofre: E agora? "Agora vou para casa, vou rezar..." Rezar? "Sim, vou rezar durante uma hora para que Deus faça o milagre de fazer cair o papel sobre a minha cama...". A tua madrasta bate-te? "Sim, bate". É por causa disso que tens o número da tua avó? Baixa a cabeça e consente. Não sei o que responder. "Obrigado, muito obrigado. O senhor não vai contar nada, pois não?". Não, não vou, fica descansada. Tenho um nó na garganta; os rissóis, meias luas tristes, derretem água em cima do balcão. Um mar de água.

27 abril 2006

Li algures...

De: Hospitais Civis de Lisboa

Prezado Sr.Manuel de Oliveira,
Informamos V.Exa. que o resultado da análise à mancha vermelha que V.Exa. possuía no pénis, revelou afinal tratar-se de baton. Lamentamos a amputação.

Cumprimentos
A Administração

Informação inútil

Em média, morrem por ano em todo o mundo cerca de 100 pessoas devido a acidentes com esferográficas.
Actualização: Escrevi isto apenas poucas horas eram ainda passadas depois de ter sofrido um acidente pessoal deveras peculiar. Ao abrir um garrafão de vinho (excelente, por sinal) do meu tio Mário Antunes, fui barbaramente atacado à traição pela cápsula que encerrava o precioso néctar, tendo a mesma atingido um dos meus olhos. Claro que não faço ideia sobre o número médio de pessoas que morrem anualmente em acidentes envolvendo garrafões. Mas aposto que são bastantes.

Mentes que brilham (Take II)

Segundo F., mulher experiente e avisada, há uma forma infalível de deixar um homem louco na cama. Diz ela que não percebe porque se debruçam sobre o assunto, sem qualquer sucesso, milhares de revistas femininas, quando afinal basta esconder o controlo remoto da TV entre os cobertores...

Mentes que brilham

E quando pensávamos que as companhias aéreas ditas Low Cost já tinham atingido os limites imaginativos para a poupança comercial em larga escala, eis que surge mais uma ideia brilhante.

26 abril 2006

Hipócrates explicado aos idosos

Assustado pelos relatos exagerados dos amigos, P. está inconsolável pela inevitabilidade de um exame médico que lhe foi imposto pelo seu médico de família. "Em sessenta anos só fiz um exame e foi o da quarta classe!". Recordo-lhe a importância e a inteligência do acto médico. Não sou o primeiro, os filhos já tentaram um pouco de tudo para que o pai aceda a fazê-lo. "É muito bonito, sim senhor, um homem ali de cú para o ar enquanto um homem (ainda por cima um homem) me tenta apanhar a "próstala"!

25 abril 2006

Prefira sempre o original!

É preciso um extremo cuidado com o mercado de contrafação de produtos. As pessoas são enganadas com relativa facilidade.

Mais perto do que é importante

"Bom dia!" digo eu à Vanessa, operadora de helpdesk da TMN que me atende simpaticamente. "Preciso da vossa ajuda para obter a referência Multibanco que me permita carregar um cartão TMN". Diz-me ela o que eu já sabia, que necessito de saber o PIN do cartão, coisa que desconheço pois há anos que o esqueci. "Ah, então preciso de confirmar alguns dados, diz-me o seu nome por favor?". Pedro Aniceto. "Queira aguardar Senhor Aniceto". Segue-se uma pausa interrompida pelo regresso à linha da operadora. Não é o nome que cá temos... "Pois não, Vanessa, você perguntou-me o meu nome, não o nome do titular do cartão..." Ah, pois, então diga-me por favor o nome do titular do cartão. Forneço-o. Faz-se nova pausa. "Senhor Aniceto, alguma vez este cartão aderiu ao sistema de pontos?" Que eu saiba não. Explico-lhe que o cartão me foi oferecido faz já quase dois anos e que nunca foi carregado, pois apenas recebe chamadas. "Pode dizer-me um número para o qual tenha feito uma chamada nos últimos dois meses?". Alô? Vanessa? Acabei de lhe dizer que este telefone só recebeu chamadas nos últimos dois anos... "Ah, pois, mas preciso de um número que esse telefone tenha ligado nos últimos dois meses...". Começo a ficar impaciente. "Muito bem Vanessa, tome nota por favor, ora um número que este telefone ligou nos últimos meses foi, o 1696..." (1696 é o número do Apoio ao Cliente que liguei há minutos e que me permite estar a falar com a Vanessa). Não consigo entender porque razão são levantadas tantas objecções à recepção de dinheiro por parte de um cliente, e a operadora parece num beco sem saída. "Este telefone tem o GPRS activo?" Penso em explicar-lhe pela terceira vez a história do telefone que nunca fez chamadas, mas desisto. Arrisco uma resposta. "Não, não tem o GPRS activo!". Muito bem, queira tomar então nota da referência Multibanco. Debita-me o número pausadamente. "Ah, e tome também nota do PIN original do cartão". Agradeço e desligo. Fico a pensar que me deram um PIN que é uma informação sensível sem que a tivesse pedido e que estive largos minutos a responder a questões para obter uma forma de lhes pagar. Alguém devia pensar nisto, mas devem ter muito que fazer. Até já.

Memória

21 abril 2006

Oxalá

"Olá Pedro, como está?". Estou bem obrigado, e você?. O telefone tocara segundos antes do tradicional diálogo telecomunicacional. Reconheço a voz de I., uma utilizadora que me liga quando precisa de ajuda informática. "Estou com um problema, tenho vizinhos novos e o meu gato, o Oxalá tem subido para o andar de cima pelas árvores da frente...". Estou absolutamente espantado com o problema, jamais me passou pela cabeça que a minha área de apoio computacional pudesse estender-se a gatos. "E antes que alguém se zangue com o gato, preciso que venha cá cortar as árvores da frente para que ele não trepe por ali acima...". Faço uma pausa. Você está a falar com o Pedro Aniceto, tem a certeza que quer que eu vá aí cortar as árvores? Há um silêncio do outro lado, logo quebrado por risos. "Ai não estou a falar com o Pedro Branco?". Nope, definetly not!

Making Canada a less skilled country

Cheira-me a propaganda da Ala Progressista canadiana, mas fez-me rir. Bebido na fonte do Kangaroo Post.

Cerâmica informática

Estou numa sessão de formação do "Ninguém Explica?". Uma plateia atenta de professores do Ensino Básico e Secundário vai sorvendo a informação que debito. Aproveito o quadro para ir escrevendo a giz (há anos que não "ia" ao quadro!) alguns atalhos de Mac OS X. Nunca fui muito bom a desenhar maçãs e algumas saiem absolutamente deformadas. Há mesmo uma que mais parece um falo. De costas para os formandos, digo "Oh Diabo, esta maçã está deveras estranha. Se há trinta anos tivesse desenhado isto num quadro seria coisa para vinte reguadas...". Enquanto apago o estranho símbolo alguém no grupo diz "Deixe lá, estamos nas Caldas..."

Não lhes ocorre...

Alguém poderia explicar aos senhores jornalistas da RTP que os doentes não "ocorrem" aos hospitais? Nomeadamente aqueles que se dirigem aos Serviços de Ortopedia...

Slippery Sid

"Boa noite, senhor condutor, mostra-me os documentos da viatura por favor?". Sim, claro, só um momento. Estamos debaixo de um viaduto nas Caldas da Rainha onde parece haver uma Rave , há flashes luminosos dos rotativos das viaturas policiais, os bastões vermelhos fluorescentes manuseados por braços de agentes policiais arrumam carros no generoso espaço da berma, e há gente que se desloca entre as viaturas em múltiplos afazeres. Uma sumária inspecção visual aos documentos e a sacramental questão: "Ingeriu álcool nas últimas horas?". Sim, ingeri, aliás acabei de jantar. "O que bebeu?". Não me parece de todo relevante e não respondo. "Tem a sua carta de condução e bilhete de identidade consigo?". Sim, tenho, pretende vê-los? "Sim, sim, e se não se importa saia da viatura". Chove torrencialmente e estamos todos apinhados na traseira do carro policial. "Terá de aguardar que os outros condutores acabem de fazer o teste..." Há olhares nervosos a cruzarem-se com o meu, gente com ar deveras comprometido, um agente a impacientar-se com uma jovem condutora que não conhece ainda o ritual do "sopre, sopre, sopre, soooooopre, já está". Há uma explosão de alegria quando o mostrador do aparelho apresenta um tímido 0,30, é todo o grupo proveniente de vários carros que exulta no baptismo de "balão" da condutora. Ouço alguém rir e dizer "é preciso azar, tirou a carta hoje...". Preparam-me o bocal asséptico, efectuo o sopro regulamentar e sou posto perante um 0,15, fruto das duas imperiais com que reguei o jantar tardio. "Uma boa noite, senhor condutor, aqui tem os seus documentos, faça boa viagem e tenha cuidado que o piso está escorregadio". Dito isto, roda sobre si mesmo para passar o alcoolímetro a outro agente e escorrega no chão molhado, espalhando-se ao comprido entre os presentes. O grupo de pândegos explode em aplausos enquanto o agente tenta recuperar o ar altivo. Estendo-lhe a mão, ajudo-o a levantar-se e apetece-me perguntar-lhe qualquer coisa sobre ingestão de álcool, mas não me atrevo a fazê-lo. Sorri, enquanto me diz "Bom, era isto que eu queria exemplificar". Bati-lhe a pala, mereceu-o.

19 abril 2006

IRS (We've got what it takes)

Discutia eu fiscalidade com um amigo que se lamentava de um pedido adicional de IRS. Não era tão elevado quanto este, é certo...

A guerra do chapéu

Conhecem aquele velho hábito tão português de pendurar em postes, varandas, gradeamentos e em miríades de outros lugares as peças de roupa infantil que achamos perdidas na rua? Pois, eu achava esse peculiar hábito luso uma aberração, baseado no facto de se as pessoas soubessem onde tinham perdido as coisas já terem ido recuperá-las. Disse "achava" e disse muito bem, porque as coisas em sociedades ditas mais avançadas funcionam de uma maneira bem diferente. O caso é que alguém achou num parque de Brooklyn um chapéu de criança e decidiu comunicar o facto numa lista de correio electrónico dos frequentadores do dito parque. Leiam aqui a guerra que se desencadeou entre os seres politicamente correctos e suspirem comigo enquanto nos interrogamos para onde é que este mundo se dirige.

18 abril 2006

Beijo as mãos de Vossa Alteza

É oficial! O primeiro crime de tráfico de influências em terras de Vera Cruz, foi cometido por um português. Pero Vaz de Caminha de seu nome, mal acabou de descrever a descoberta do Brasil meteu ao rei uma cunha! Rezam assim os últimos parágrafos da famosa carta "de achamento do Brasil":
"E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que por me fazer singular mercê, mande vir da Ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro - o que d'Ela receberei em muita mercê.Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
"

17 abril 2006

Caça ao tesouro

Para ilustradores, para nostálgicos, para velhotes, para novatos, para publicitários ou para simples apreciadores. Uma soberba colecção de ilustração publicitária de meados do século passado. Aqui, no Plan59.

Notifiquem-me!



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Três questões... (Para as quais não tenho resposta)

Porque é que será que ninguém atende o número de telefone da EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa), que está afixado em TODOS os parquímetros da cidade? Porque é que será que ninguém atende o número de telefone da SPARK (Empresa associada à EMEL para efeitos de fiscalização de estacionamento) que consta de TODOS os avisos de multa que são diariamente emitidos a centenas de automobilistas em Lisboa? Porque é que a SPARK não consta da lista telefónica de Lisboa?

15 abril 2006

O Direito de Autor

Pondere o leitor na seguinte questão: O José e o Nuno são dois cibernautas que aderiram em devido tempo à Blogosfera. Dedicam os seus blogs a matérias diferentes e têm ambos também ritmos diferentes. Ambos proporcionam ao restante ciberespaço a ferramenta RSS ou seja, um "feed" que permitirá aos seus leitores manterem-se informados sobre as novidades do site, basicamente a inclusão de novas matérias em forma de texto ou imagem. Acontece que um dia, o José e o Nuno despertam para a novidade de verem os conteúdos dos seus sites a alimentarem um outro blog, com o mesmíssimo conteúdo apenas sob um domínio diferente. Para que o meu leitor se não perca nas teias da rede, imagine que o seu Blog está a ser duplicado noutro ponto da Blogosfera sem que tenha sido solicitada qualquer autorização.

Quer o Nuno quer o José ficaram bastante aborrecidos. Há, e não preciso de ser especialista em Direito para localizar o pecado, uma claríssima infracção de direito autoral. Quer Nuno, quer José não concederam a devida autorização para que tal acontecesse e mesmo a citação da fonte não justifica a infâmia técnica daquilo que considero eu ser a tal infracção ao princípio básico dos direitos sobre a criação. Sim, porque a legislação que regula os aspectos criativos é a mesma na rede ou noutra forma criativa qualquer.

Mas não foi para isto que me chamaram na qualidade de técnico. Aquilo que se quer apurar é até que ponto é lícito usar o RSS como "pipeline" para formar conteúdos num determinado domínio de rede. Para mim, isto configura abuso de confiança, se é que a confiança se pode materializar em bits e bytes. Se, com a devida autorização expressa não me restam dúvidas da sua licitude, sem ela não há defesa possível. E ao leitor, o que parece? Eu ficarei atento à decisão judicial, que pode até fazer jurisprudência na matéria. Peço que deixe a sua opinião na caixa de comentários desta entrada no blog.

P.S.- Claro que este diferendo pode "morrer" antes da chegada do assunto à barra dos tribunais se o domínio "duplicador" tiver o bom senso de terminar a operação e fechar o pipeline. Até porque o Nuno é um estudante sem grandes meios para a peleja jurídica e o José é um político experiente. E não vos disse, mas têm apelidos diferentes, o Nuno é Henriques, o José é Pacheco Pereira. Qual deles verá o seu assunto resolvido mais rapidamente não sei, (mas tenho uma ideia!).

Engenheiros

"Querida! Cheguei!" disse o velho engenheiro abrindo de supetão a porta de casa. "Tive um dia tão cansativo que nem sabes!". Da cozinha, envolta em nuvens de vapor, a esposa respondeu: "Ai amorzinho! Devias ter ido para Gestão..."

14 abril 2006

Universal Connections

Poucas vezes um site com conotação tecnológica (mas a fazer referências a mundos que em nada lhe estão relacionados) me deu tanto prazer visitar. A não perder, de todo, Universal Connections.

12 abril 2006

Expliquem-me lá isto como se eu fosse do Sporting

Filipe Soares Franco, Presidente do Sporting Club de Portugal, submeteu o seu projecto de gestão do clube a uma Assembleia Geral. Anunciou previamente que se demitiria e não se recandidataria ao cargo caso perdesse a votação na Assembleia. Perdeu. Demitiu-se. Recandidatou-se (!). Caso ganhe as próximas eleições, submeterá o mesmo projecto (acabou de o dizer na TV), que incluiu a penalizante venda de património não desportivo (matéria que viu desaprovada pela maioria dos sócios) a uma nova Assembleia. Diz que está confiante de que vai ganhar. Se a massa associativa é a mesma, porque é que ele acredita que vai ganhar as eleições? Isto é bonito, deve ser a estas matérias que chamam "social engineering". Ou isso ou há algo muito "lá para a frente" que me escapa. Como infelizmente me escapou no caso de Vale e Azevedo.

11 abril 2006

Abertura fácil, o tanas!

"Um homem de 27 anos perfurou o pénis de um lado ao outro, com uma navalha, quando tentava abrir um pacote de vinho, no final de um jantar com dois amigos realizado na Chamusca."
Não fui eu que inventei, li aqui.

10 abril 2006

Cumprimentos venenosos

Ouvi hoje, e ainda a propósito do meu último aniversário, um dos mais venenosos "Parabéns" de sempre. Qualquer coisa como "Tomara que chegues à idade que pareces ter!".

09 abril 2006

O trânsito na Moita anda deveras perigoso (Actualização)



Segundo percebo, pelos sucessivos avistamentos que vou tendo, este maravilhoso sinal de trânsito já tem clones... A minha teoria de que o sinal estaria mal montado por falta de referências de homologação nas costas do mesmo ruiu hoje quando pude observar um de perto... Está homologado e licenciado pela Câmara Municipal da Moita, através do respectivo pelouro do trânsito!

07 abril 2006

O trânsito na Moita anda deveras perigoso!

Descasque laranjas de forma erótica

Hasta la vista!

A minha condição oftalmológica não melhorou absolutamente nada durante a noite, precisamente ao contrário do que eu secretamente ansiava, até porque tenho um compromisso no Porto hoje à tarde e não me agrada de todo a ideia de fazer Lisboa - Porto em condições que me afectam o estado de espírito. Para quem vê bem é difícil imaginar a vida em permanentes condições de nevoeiro cerrado, tornando-me nervosamente irritável, dando-me um pior mau feitio do que aquele com que fui fadado. Fico absolutamente nervoso, qualquer decisão é um problema capaz de me fazer subir a tensão arterial, mais a mais estou sozinho e tudo não passa de um imenso videogame em que o objectivo é apenas dois (desculpem, não vi o outro): sobreviver e passar para um nível ainda mais difícil.

Ultrapasso o problema de encontrar as bilheteiras, afinal de contas sei onde são mas encontro-as fechadas, dou uma volta à galeria da Gare do Oriente para perceber afinal que estão ali mesmo a dois passos, é tudo uma questão de manter a calma e respirar fundo. Estou atrasadíssimo, não me atrevi a ir ao quiosque abastecer-me de jornais porque iria perder imenso tempo (para não falar da estupidez que é comprar jornais que não conseguirei ler...), nem houve tempo para o pequeno almoço. Peço desculpa ao funcionário da CP, quando, depois de lhe pedir um recibo ele me diz que já o tenho na mão. Peço-lhe duplamente desculpa e interiorizo que hoje, durante todo o dia, estarei constantemente a pedir desculpa por tudo e muito principalmente por nada.

Galgo as escadas para a plataforma da gare, o Alfa acaba de chegar e eis-me com um novo problema, encontrar a carruagem número 6. Na porta mais perto de mim, um generosíssimo display mostra um imponente 2, afinal não vai ser difícil basta-me entrar e percorrer o comboio até encontrar a bendita carruagem. É o que faço. Sendo que por via da medicação que estou a tomar, (fui bem avisado disto) o meu sentido de profundidade está absurdamente alterado, torna-se penoso estender a mão e segurar-me nas orelhas dos bancos das carruagens que vou percorrendo, isto é, estender a mão eu estendo, o problema é que não agarro banco nenhum! Agradeço mentalmente ao grande Deus dos comboios, que este não esteja ainda em movimento. Vou andando, comboio fora, não tenho a mínima pista sobre a carruagem onde estou.

À minha frente, um senhor baixinho, de pastinha na mão, percorre também apressadamente os corredores e sigo-o porque isso me poupa a irritação de encontrar os botões e alavancas que permitem a abertura das portas automáticas que separam as várias secções. Ultrapassamos mais uma porta, curioso, esta não é automática, só reparo nisso quando passo por ela. O homem pára, volta-se para trás, sorri-me, (estamos praticamente cara a cara) e diz-me "E pronto, chegámos, levo-o eu ou leva-o o senhor?". Olho à minha volta, os inúmeros quadros com luzes piscantes não enganam, estamos no cockpit do Alfa. Rio-me, regresso à porta indevidamente transposta, peço-lhe desculpa pela invasão, ele vem simpaticamente abrir a porta da cabine e despede-se de mim com um amável "Até à vista!". Isso mesmo meu caro, boa viagem e até à vista.

Se não te saiu a lotaria, não tens pais ricos ou...


Clique na imagem para aumentar as suas suspeitas.

05 abril 2006

Em terra de cegos...

Passo a manhã inteira nas Urgências de Oftalmogia do Hospital do Barreiro. Uma emergência com o meu olho esquerdo, a impossibilidade de colocar as minhas preciosíssimas lentes de contacto e uma dores atrozes que mal me permitiram pregar olho durante a noite. Identificado e diagnosticado o problema, nada que eu não soubesse já o que era pela prática que tenho nesta matéria, impunham-se as considerações sobre o tratamento. "Deviámos tapar-lhe a vista, sabe?" Não me agrada absolutamente nada. "Vai fazer os antibióticos, vai fazer a pomada oftálmica e vamos tapar-lhe a vista. Não vai poder usar a outra lente, também...". Isto significa na prática para um "ceguinho" profissional como eu, a completa descida aos infernos. Nem pense nisso Doutor! "Mas tem de ser!" Então e o Benfica? Como é que eu vou ver o Benfica? "Ah... Pois é... Então não tapamos!".

04 abril 2006

Cristo Rei

O pequeno André tem apenas 4 anos e uma fixação muito especial na estátua do Cristo Rei. Para ele, todas as viagens deveriam passar pelo Cristo Rei e naquelas em que isso não sucede, lê-se nos seus olhinhos uma profunda decepção. O pai de André, que trabalha em Almada, sabe disso e usa a estátua como argumento para evitar brincadeiras mais ruidosas no banco de trás do carro da família. "Olha que se não te portas bem não vês o Cristo Rei...". A pequena chantagem funciona e o André já sabe que o pai trabalha "pe'to do C'isto Rei" e é a festa completa quando vai ao com ele para o trabalho. Ora, sucede que André, preso à tirania dos cintos de segurança da cadeira do carro, nunca tinha conseguido ver a face frontal da estátua. Na viagem em plena auto estrada, a vista é fácil, basta olhar em frente, mas quando se cruza a ponte, o Cristo Rei fica inacessível ao seu pequeno pescoço. Até ontem, altura em que o pai de André decidiu cumprir ao petiz uma promessa já feita, a de levar o miúdo à base da imponente estátua. Voltou feliz. Quem sabe se realizado. A mãe quis saber se ele tinha gostado. "Go'tei mu'to mamã, o C'isto Rei tem um robe igual ao meu!". Depois, abraçou a mãe e disse-lhe ao ouvido "E p'ecisa de co'tar as unhas..."

Amanhã

Para amanhã apenas peço duas coisas. De preferência ambas na baliza do Barcelona...

Olá Nina, quero tratar de ti

Sinto-me envergonhado. Um bando de imbecis, ditos adeptos do Benfica, dirigiu ao jogador do Barcelona, Samuel E'to em pleno Estádio da Luz um sistemático coro de gritos símiescos. Há um espectador que se insurge contra esta triste cena e é barbaramente agredido. Sinto-me triplamente envergonhado. Não porque o agredido seja, por mero acaso, PacMan, o líder dos Da Weasel, mas porque os imbecis são, muito provavelmente os mesmos que se deixam fotografar ao lado da estátua de Eusébio da Silva Ferreira ou daqueles que explodem em aplausos quando Pedro Mantorras se levanta para o aquecimento.

03 abril 2006

Poor thing...



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