"No sítio onde vais a pessoa que organiza a sala de espera não sabe ler nem escrever e apesar disso consegue organizar mais de cento e cinquenta consultas diárias!". Espanta-me o número e a premissa, sabemos como funciona um cérebro de informático, sempre a pensar em optimizar sistemas, criar fluxos, resolver problemas bicudos. "Como é que fazem? Têm as pessoas em filas?" é o que pergunto porque me parece o mais óbvio. "Não, na sala de espera há mulheres com crianças ao colo, muitos velhos, muita gente com problemas físicos, isso era absolutamente impensável". Fico a matutar no dilema, mas curta se tornou a viagem e consequentemente a demora. A sala de espera (termo eufemístico que se atribuiu a um largo barracão coberto a chapa zincada onde o ar duplamente aquecido se sente pegajoso) é um caos. Por razões que não são para aqui chamadas, estou na antecâmara de um "endireita", personagem cuja fama de milagreiro arrasta gente de todos os pontos do país. São centenas. Interrogo-me como se gere aquele rio de coxos, mancos e "doentes de umas coisas" como ouço alguém dizer. Uma velha de ar absolutamente patibular recebe os queixosos entre uma singular pilha de caixas de cartão. São muitas e todas estão de cogulo com trapos e farrapos. Apresenta-se o doente, eu sou apenas acompanhante. Não há nomes, não há registos de qualquer espécie. A velha manuseia uma lista telefónica e eu estou atónito com a mecânica. Abre a lista, rasga uma folha, dobra-a ao meio, volta a rasgá-la em duas e a cada metade agrafa dois pedaços de farrapo. Uma é dada a quem se regista, a outra é empilhada por uma ordem que me parece ser a ordem de atendimento. Nem me atrevo a desaparecer do local sem rever a estranha operação. Uma folha arrancada do grosso da lista, dobrar ao meio, voltar a rasgar, uma rápida busca num dos caixotes, dois pedaços de trapo rotos à pressa agrafados em cada metade da página. Não entendo. Volto à presença da pessoa que acompanho e revejo-lhe o ar de puro gozo estampado na face. "Então, já percebeste como se faz?" Não, confesso que não, é tudo demasiado estranho. Ela fica com metade da folha, dá a outra metade ao doente e depois? "Não te preocupes, isto funciona, ela vai chegar ao pé de mim quando for a minha vez e vai mandar-me entrar". Assim é, decorridas quase duas horas a velha aproxima-se e avisa em tom quase marcial que chegou a vez. Escusado será dizer que gastei parte do tempo de espera a tentar descodificar o método. A mulher não sabe ler, não sabe escrever, não é fácil ter de memória uma lista de quase cem pessoas em constante entra e sai. Ponho, em desespero absoluto de causa a possibilidade do uso do número da página impresso na folha. "Não, eu já te disse, ela não sabe ler e além disso o número das páginas da lista só está no topo, mas viste como veio até nós sem nenhuma dificuldade?". Sim, vi, e continuo sem perceber. "Pedro, viste-a agrafar os farrapos nas metades da folha?" Sim, claro que reparei, e os farrapos são iguais em ambas as metades. "Pronto, é esse o segredo, de que cor é a minha camisa e as minhas calças?". Vermelho e azul. Arranco-lhe da mão a meia página amarela. Os farrapos vermelho e azul parecem rir-se de mim.
31 maio 2006
Não tenho mão na voz que sou (O audio)
O post "Não tenho mão na voz que sou", aqui publicado há poucos dias, foi lido, gravado e disponibilizado em Podcast pelo Estúdio Raposa com a voz inconfundível voz do Luís Gaspar a quem, aliás, agradeço a amabilidade e deferência. Visita obrigatória de quem gosta de boa leitura/audição, o Estúdio Raposa pode ser acedido aqui e o Podcast do conto pode ser ouvido aqui.
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Enlevos
Li algures...
A primeira vítima do tabaco na Europa não morreu, que se saiba, de cancro de pulmão. De nome Perez, lugar tenente de Cristóvão Colombo, regressou à sua terra natal, Ayamonte onde um belo dia se deliciou enrolando um "tabaco" à semelhança do que aprendera a fazer com os nativos da ilha de Cuba. Denunciado por bruxaria, por deitar fumo pela boca, acabou sentenciado à fogueira pela Inquisição Espanhola.
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Faits Divers
29 maio 2006
Fully loaded for the ocasion
Olá! Tens dois gigabytes no teu bolso ou estás apenas contente por me ver?
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Faits Divers
27 maio 2006
Não tenho mão na voz que sou
Dias há em que se joga chinquilho à noite no largo maior da aldeia, diria o mais apressado dos narradores se não tivesse o devido e prudente cuidado de escolher a melhor malha, pesar consoantes e vogais, embalar com a mão o peso, calcular o efeito e o voo e só depois permitir ao leitor que apreciasse o efeito da malha sobre o pino, mais ou menos pó levantado do chão, as malhas a esconderem-se nas sombras das árvores que rodeiam o coreto. Nem sequer me são necessários muitos minutos para perceber que estou na presença de oficiais desta arte. Nada de gestos eufóricos, punhos cerrados no ar a socar os acertos ou risos de zombaria dirigidos aos vencidos. Com jogadores desta igualha não há muito que saber, antes aprender, a malha voa, o pino tomba num clinque e a cada dez rondas emborcam-se umas ginjas às custas da dupla que perde. Estamos de acordo, a ginja nivela os competidores. No breve momento do baldear do copo não há vencidos nem vencedores, apenas homens que jogam.
Em tempos formulou o narrador deste pedaço de noite quente, uma teoria (muito gosta este narrador de formular coisas...), a de que o álcool iria certamente toldar cálculos e precisões, arcos e trajectórias e prolongar o desacerto e quem sabe o jogo até horas mais impróprias para gente desta idade. Nada formulou o narrador de mais errado, aprendeu-o na própria carne, melhor dizendo nos próprios rins no dia em que teve notórias dificuldades em continuar a conjecturar o que quer que fosse depois da quarta ginja. Depois desse inusitado episódio, meteu o narrador a viola no saco da dita e limitou-se a apreciar a mestria de quem joga sem pressas ou grandes glórias. "Vai uma ronda, senhor Pedro? Aqui o Pereira hoje já viu dias melhores, diz que lhe doem as costas...". Não aceito o desafio, ainda se lembra quem escreve estas linhas da última humilhação pública sofrida ao chinquilho e isto antes das ginjas, o que faria depois.
De facto o Pereira está claramente fora de forma; a malha voa mais do que é costumeiro e necessário, chego a vê-la deslizar para fora da terra quente e castanha, a raspar o empedrado do largo como se quisesse sair por ali fora à doida rumo a outras paragens. Tem o Pereira uma notória dificuldade em baixar-se para levar a mão ao solo e mais ainda para se erguer com as metálicas bolachas na mão. "Este gajo hoje está a enterrar-me, o melhor é irmos ali fazer contas e acabar com isto...". A mão na pala do boné, um sonoro boa noite às pessoas presentes no largo. Recolho os meus pertences abandonados sobre o banco e saúdo eu também um grupo de mulheres que tagarela entre si. É então que me apercebo de uma cena inusitada, a de uma perna completamente desnudada, uma saia descuidadamente aberta de uma das presentes. Sorrio. Acabo de perceber de onde vinha o desacerto da mão do Pereira. Rodo o pescoço para o localizar, um pouco atrás de mim, disposto a desafiá-lo a confirmar-me a suspeita. Um dedo indicador sobre os lábios, uma piscadela de olho e uma voz que lá atrás me diz: "E se vocês soubessem o tempo que me leva a endireitar-me... A ginja do senhor Pedro pago-a eu!"
Em tempos formulou o narrador deste pedaço de noite quente, uma teoria (muito gosta este narrador de formular coisas...), a de que o álcool iria certamente toldar cálculos e precisões, arcos e trajectórias e prolongar o desacerto e quem sabe o jogo até horas mais impróprias para gente desta idade. Nada formulou o narrador de mais errado, aprendeu-o na própria carne, melhor dizendo nos próprios rins no dia em que teve notórias dificuldades em continuar a conjecturar o que quer que fosse depois da quarta ginja. Depois desse inusitado episódio, meteu o narrador a viola no saco da dita e limitou-se a apreciar a mestria de quem joga sem pressas ou grandes glórias. "Vai uma ronda, senhor Pedro? Aqui o Pereira hoje já viu dias melhores, diz que lhe doem as costas...". Não aceito o desafio, ainda se lembra quem escreve estas linhas da última humilhação pública sofrida ao chinquilho e isto antes das ginjas, o que faria depois.
De facto o Pereira está claramente fora de forma; a malha voa mais do que é costumeiro e necessário, chego a vê-la deslizar para fora da terra quente e castanha, a raspar o empedrado do largo como se quisesse sair por ali fora à doida rumo a outras paragens. Tem o Pereira uma notória dificuldade em baixar-se para levar a mão ao solo e mais ainda para se erguer com as metálicas bolachas na mão. "Este gajo hoje está a enterrar-me, o melhor é irmos ali fazer contas e acabar com isto...". A mão na pala do boné, um sonoro boa noite às pessoas presentes no largo. Recolho os meus pertences abandonados sobre o banco e saúdo eu também um grupo de mulheres que tagarela entre si. É então que me apercebo de uma cena inusitada, a de uma perna completamente desnudada, uma saia descuidadamente aberta de uma das presentes. Sorrio. Acabo de perceber de onde vinha o desacerto da mão do Pereira. Rodo o pescoço para o localizar, um pouco atrás de mim, disposto a desafiá-lo a confirmar-me a suspeita. Um dedo indicador sobre os lábios, uma piscadela de olho e uma voz que lá atrás me diz: "E se vocês soubessem o tempo que me leva a endireitar-me... A ginja do senhor Pedro pago-a eu!"
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Biografia
25 maio 2006
In illo tempore

Pensar que com uma destas por semana eu ia ao cinema, à piscina e ainda comprava um sacão de tremoços para acompanhar as minhas tardes de leitura...
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Cidadania
O submarino U-963
Aos interessados informo que a Academia de Marinha vai promover uma sessão cultural no próximo dia 20 de Junho, pelas 17.30 (Auditório da Academia, Edifício da Marinha na Rua do Arsenal) dedicada ao tema "O submarino U-963", sessão onde serão oradores o Prof.Dr. Adolfo Silveira Martins, a Profª.Dra. Aurora Bizarro e o Dr. Aurélio Faria. A sessão, embora pública necessita de convite que poderei fornecer aos interessados que me contactem pelo email aniceto@mac.com.
O submarino U-963 foi afundado pela própria tripulação após ordem de cessação de hostilidades a 20 de Maio de 1945 emanada pelo Estado Maior Alemão e encontra-se no denominado canhão da Nazaré (39.36N, 09.05W). Teve como último comandante o Oblt. Rolf-Werner Wentz. Trata-se de uma das duas unidades VIIC auto afundadas em águas territoriais portuguesas está, ao contrário da unidade de Angeiras, a uma profundidade e em local que tem impedido o seu reconhecimento arqueológico.
O submarino U-963 foi afundado pela própria tripulação após ordem de cessação de hostilidades a 20 de Maio de 1945 emanada pelo Estado Maior Alemão e encontra-se no denominado canhão da Nazaré (39.36N, 09.05W). Teve como último comandante o Oblt. Rolf-Werner Wentz. Trata-se de uma das duas unidades VIIC auto afundadas em águas territoriais portuguesas está, ao contrário da unidade de Angeiras, a uma profundidade e em local que tem impedido o seu reconhecimento arqueológico.
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Faits Divers
Prece
"Meu Deus, dai-me inteligência para entender certas pessoas. Porém, não me dês força, pois serei capaz de matar algumas à pancada..."
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Faits Divers
24 maio 2006
Pai, perdoa-lhes!
O Zé anda nervoso e irritado com a sua carreira de professor. Diz que ensinar não é bem aquilo de que estava à espera e que talvez a escolha tenha sido um lamentável equívoco. Tento animá-lo enquanto procuro no pequeno compartimento da cozinha uma garrafa de vinho tinto que me agrade. "Deve haver momentos bons, Zé!". Diz-me que sim, que embora raros também os tem. É só depois da sobremesa que vai buscar uma pasta daquilo que considera ser os seus "troféus" de ensino. Puxa uma fotocópia do maço de folhas. São testes de Economia. Sublinhada a vermelho, há uma frase que quase me faz cuspir um gole de Moscatel Roxo. "As leis vêm em manadas da Assembleia da República".
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Faits Divers
Ploc, ploc, ploc
Quase não dava pelo acontecimento apesar de ele se ter passado debaixo do meu nariz. Quase não pude expirar de espanto pela velocidade com que tudo aconteceu embora tivessem sido os meus sentidos a chamar-me à realidade. Só percebi que um vulto negro atravessava a estrada, um corpo curvado que apenas não caía por culpa de uma bengala em cor de mel, ploc, ploc, ploc, não fazia bem este barulho por causa da borracha na ponta, seria mais um fshh, fshh, fshh, lixado de verbalizar quanto mais de ouvir. Conheço-a daqui e pouco mais. Habituei-me a não a cumprimentar porque ela é profundamente surda, opto agora por um gesto largo de mãos e um sorriso ao qual ela me responde com um sonoríssimo "Oláááááá" que me faz lembrar um vendedor de gelados. Dizia eu que tinham sido os meus sentidos a despertar-me para a tragédia iminente. Um camião desce a rua a toda a brida só o recordarei mais tarde, ligeiramente mais tarde, quando já fora do meu alcance visual se ouviu um ranger pavoroso de pneus, mais tarde ligeiramente mais tarde o vento haveria de fazer o favor de trazer ao meu olfacto um agoniante cheiro a borracha queimada. Diz quem viu que a senhora de negro atravessou a rua, tem-te não caias, fshh, fshh, fshh, arrastando os chinelos, enquanto o motorista do camião se endireitava em pé em cima do travão tentando evitar o que parece inevitável. Deus guarda os que ama, só não sabemos onde os arruma, o vulto negro não deu por nada, a morte meteu uma segunda e falhou por uma unha da cor do xaile da mulher. Virei mais tarde a encontrar o motorista atento ainda com o a testa coberta de suor que não sei se do susto se das cervejas que entretanto ingeriu ao balcão a explicar o milagre da vida a toda a gente que entrava porta dentro. "Sacana da velha! Eu apetecia-me era esganá-la! Ainda lhe dei uns gritos mas ela virou-se para mim, sorriu e disse Olááááá!"
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Biografia
Li algures
..."ao voltar a ouvir o tema do camelo Areias, apercebi-me do desperdício enorme que é ser puto: lembro-me perfeitamente das bossas do Areias, mas não faço a mínima ideia de como eram as mamas da Susy Paula"...
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Faits Divers
A quadratura do Circulo
"Bom dia, fala do Círculo de Leitores, poderia dispensar-me dois minutos?" Sim com certeza. "Queríamos saber se está satisfeito com os nossos serviços..." Bom, eu não sou vosso cliente há mais de 20 anos... "Ahh... Vou então tomar nota, voltaremos a contactar posteriormente" Desligo e fico com a sensação de que ainda não escolhi o meu lar de terceira idade.
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Biografia
23 maio 2006
19 maio 2006
Informação inútil
Se utilizássemos pilhas alcalinas, formato AA para fazer funcionar um ser humano durante um dia inteiro, teríamos de utilizar seiscentas e quarenta e oito pilhas. O cientista que me forneceu esta informação não foi capaz de responder imediatamente à pergunta que coloquei, se o esticão que apanhei hoje de manhã ao mexer numa extensão danificada de algum modo alterará estes cálculos bem como se engasgou quando inquiri se o Estado lhe paga para ele investigar coisas destas.
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Faits Divers
18 maio 2006
Eu que nunca vi o mar, nunca lhe senti o frio

É quando vejo coisas destas, assinadas por gente que devia ter um pingo mínimo de responsabilidade e decoro que me lembro das razões porque deixei de querer votar.
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Cidadania
17 maio 2006
Povo que lavas (E eu rio)
Há dias assim, quentes e pegajosos em que não temos a mínima paciência para alinhavar um post com um mínimo de bom gosto literário mesmo que a isso não sejamos obrigados. Por isso mesmo hoje vai a granel que é no fundo como as coisas por vezes nos chegam.
-Atingi o estatuto de funcionário da Maternidade Alfredo da Costa. A minha cara já é tão familiar nas Consultas Externas que já aceito encomendas de produtos diversos vindos do exterior. Tabaco, sumos, empadas e sandes de queijo já há algum tempo eram por mim fornecidos a algumas das pessoas que estoicamente atendem filas intermináveis de público durante as manhãs. Mas hoje subi mais um degrau na escala do tráfico de influências, pois ao sair para fumar um cigarro e comprar um jornal, o segurança da porta propôs-me que comprasse "algo não desportivo" porque quando voltasse teria à minha disposição A Bola e o Record. Assim, comprei o 24 Horas (No dia do Juízo Final isto deve contar alguma coisa...) e uma revista cor de rosa (não era para mim, tenham dó...). O meu próximo objectivo é ter um cartão magnético que me permita picar o ponto e facilite a entrada pela porta de serviço.
-Morreu o senhor Yutaka Yukota (não foi hoje, mas eu não sabia), o único sobrevivente de perto de uma centena de jovens soldados japoneses que tripularam uma das últimas armas kamikaze da Segunda Guerra Mundial, a saber, o Kaiten. O Kaiten, provavelmente um absoluto desconhecido para o leitor deste blog (e para mais dezasseis biliões de pessoas seguramente) foi um torpedo tripulado utilizado em missões suicididas contra a esquadra americana no Pacífico. Yutaka Yukota chegou até ao meu conhecimento por via de um livro deveras interessante escrito a duo com o americano Joseph D.Harrington. A obra, Kaiten - I was a human torpedo (Harper Collins) conta em detalhe as inacreditáveis condições de utilização da arma, a dureza da preparação das missões aos ritos de imposição do hachimaki (a faixa que envolve a cabeça do soldado que está consciente da inevitabilidade da sua própria morte em combate) e dá-nos uma perspectiva quase real das condições emocionais que envolviam estas missões, da decisão de dar a vida pelo imperador à brilhante descrição dos pensamentos de um soldado suicida quando um alvo era falhado. O Kaiten era extremamente rudimentar na aquisição do alvo (aproximação visual) e deixava o tripulante à mercê do seu próprio destino sempre que o combustível (de curtíssima duração) se esgotava, levando-o na maioria das situações a optar pela auto detonação. Um livro riquíssimo de detalhes de análise emocional e histórica com passagens preciosas que definem bem o background cultural de um povo do qual desconhecemos quase tudo.
-Uma pesquisa Google levou-me até às páginas de um jornal do Hawai onde pude "folhear" a secção da Necrologia. Culturalmente nossos "primos" (é inacreditável a quantidade de apelidos de origem portuguesa), fiquei fascinado com a informalidade local dos anúncios, por duas razões: A comunicação do falecimento e data das cerimónias fúnebres inclui aspectos tão curiosos como a indicação do traje (Casual, Formal, Aloah attire), o que me levou a tomar uma nota mental para me certificar se o Aloah attire é mesmo uma saia de palha, camisa garrida e colar de flores ao pescoço até ao tipo de bebidas servidas na recepção que a família por norma organiza após a cerimónia (Punch Bowl, Light Drinks). A maior parte das comunicações de falecimento inclui o aviso de que o defunto dispensa flores na cerimónia, sendo indicado um número de conta de um hospital ou instituição social para o qual devem ser endereçadas as doações equivalentes.
-As salas de espera dos hospitais públicos portugueses são uma verdadeira mina de recolha de pedras preciosas para crítica social. Hoje, por exemplo, descobri através das narrações tonitruantes de algumas das presentes que "depois da monopausa aparecem muitos prolipos nos úteros, coisa que no caso de uma delas, já a tinha obrigado a fazer uma cliópsia".
-Atingi o estatuto de funcionário da Maternidade Alfredo da Costa. A minha cara já é tão familiar nas Consultas Externas que já aceito encomendas de produtos diversos vindos do exterior. Tabaco, sumos, empadas e sandes de queijo já há algum tempo eram por mim fornecidos a algumas das pessoas que estoicamente atendem filas intermináveis de público durante as manhãs. Mas hoje subi mais um degrau na escala do tráfico de influências, pois ao sair para fumar um cigarro e comprar um jornal, o segurança da porta propôs-me que comprasse "algo não desportivo" porque quando voltasse teria à minha disposição A Bola e o Record. Assim, comprei o 24 Horas (No dia do Juízo Final isto deve contar alguma coisa...) e uma revista cor de rosa (não era para mim, tenham dó...). O meu próximo objectivo é ter um cartão magnético que me permita picar o ponto e facilite a entrada pela porta de serviço.
-Morreu o senhor Yutaka Yukota (não foi hoje, mas eu não sabia), o único sobrevivente de perto de uma centena de jovens soldados japoneses que tripularam uma das últimas armas kamikaze da Segunda Guerra Mundial, a saber, o Kaiten. O Kaiten, provavelmente um absoluto desconhecido para o leitor deste blog (e para mais dezasseis biliões de pessoas seguramente) foi um torpedo tripulado utilizado em missões suicididas contra a esquadra americana no Pacífico. Yutaka Yukota chegou até ao meu conhecimento por via de um livro deveras interessante escrito a duo com o americano Joseph D.Harrington. A obra, Kaiten - I was a human torpedo (Harper Collins) conta em detalhe as inacreditáveis condições de utilização da arma, a dureza da preparação das missões aos ritos de imposição do hachimaki (a faixa que envolve a cabeça do soldado que está consciente da inevitabilidade da sua própria morte em combate) e dá-nos uma perspectiva quase real das condições emocionais que envolviam estas missões, da decisão de dar a vida pelo imperador à brilhante descrição dos pensamentos de um soldado suicida quando um alvo era falhado. O Kaiten era extremamente rudimentar na aquisição do alvo (aproximação visual) e deixava o tripulante à mercê do seu próprio destino sempre que o combustível (de curtíssima duração) se esgotava, levando-o na maioria das situações a optar pela auto detonação. Um livro riquíssimo de detalhes de análise emocional e histórica com passagens preciosas que definem bem o background cultural de um povo do qual desconhecemos quase tudo.
-Uma pesquisa Google levou-me até às páginas de um jornal do Hawai onde pude "folhear" a secção da Necrologia. Culturalmente nossos "primos" (é inacreditável a quantidade de apelidos de origem portuguesa), fiquei fascinado com a informalidade local dos anúncios, por duas razões: A comunicação do falecimento e data das cerimónias fúnebres inclui aspectos tão curiosos como a indicação do traje (Casual, Formal, Aloah attire), o que me levou a tomar uma nota mental para me certificar se o Aloah attire é mesmo uma saia de palha, camisa garrida e colar de flores ao pescoço até ao tipo de bebidas servidas na recepção que a família por norma organiza após a cerimónia (Punch Bowl, Light Drinks). A maior parte das comunicações de falecimento inclui o aviso de que o defunto dispensa flores na cerimónia, sendo indicado um número de conta de um hospital ou instituição social para o qual devem ser endereçadas as doações equivalentes.
-As salas de espera dos hospitais públicos portugueses são uma verdadeira mina de recolha de pedras preciosas para crítica social. Hoje, por exemplo, descobri através das narrações tonitruantes de algumas das presentes que "depois da monopausa aparecem muitos prolipos nos úteros, coisa que no caso de uma delas, já a tinha obrigado a fazer uma cliópsia".
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Faits Divers
16 maio 2006
14 maio 2006
12 maio 2006
11 maio 2006
Picking fruit like no other
Um excelente exemplo de como se "pica" um anúncio de TV. Aqui mesmo por cortesia do leitor Pedro Leite.
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Faits Divers
Firewall
Texto original publicado em 15.3.2004
"Não é que eu fale muito, não, eu não falo mais do que a generalidade das pessoas que conheço, não conheço muitas é certo, mas as que vou encontrando na vida profissional ou na vida pessoal parecem-me fechadas, ou surdas ou fechadas e surdas, mudas não serão que de vez em quando lá dizem "Olés e Olás" mas não passa disso, não se abrem não partilham não nos fazem sentir parte da vida delas que a vida essa não está para graças mas lá está, uma graça uma piada uma ordinarice que seja de quando em vez também daí não viria grande desgraça ao mundo e é assim as pessoas não falam umas com as outras. Vê lá tu que lá no trabalho ninguém comenta um corte de cabelo, a escolha de uns sapatos até as previsões de venda das filiais são aceites sem um lamento sem reservas mas que isto não é normal não é ou se é sou eu que não me adapto a este mundo terei talvez nascido antes do tempo...."
Mas oh Luísa...
"Não, não é Oh Luísa, não me critiques que de ti não espero outra coisa que não diálogo e compreensão, tu vê bem que nem as máquinas me compreendem, eu bem tento mas aquilo é apito atrás de apito, encravanço atrás de encravanço, e depois ninguém sabe ou se sabem calam-se eu bem digo que as pessoas não falam umas com as outras, lá está dizem que falo muito mas não me parece, os técnicos chegam ao pé dos meus computadores e só os ouço remoer "hummm... hummm..." e não me dizem nada parecem as estátuas de mármore do parque ao pé de minha casa, por falar disso o Ricardo caiu da bicicleta e arranhou-se todo, só problemas, o pai diz que isso faz parte, mas não sei o que é que ele quer dizer com o fazer parte, se eu acho que ele não faz sequer parte das nossas vidas, casa trabalho trabalho casa não me toca nem um ai nem um ui, ele mal fala parece também ter sido tocado pela maldição do mundo. As pessoas não falam umas com as outras é o que é e depois ainda têm a distinta lata de me vir dizer que eu falo demais, até parece..."
Mas oh...
"Tu és igual aos outros não és? Tu és tal e qual essa gente com quem eu me cruzo constantemente e que parece carregar as dores do mundo dentro de um saco, sempre apressados como se fossem tirar a mãe da forca, as pessoas andam malucas, o mundo todo parece ir na mesma direcção tu vê lá até há dias a gaiata do quinto esquerdo disse à mãe que vinha aí a louca, louca sim, louca por entender o que querem o que precisam, o que a gente tem mais que fazer é adivinhar intenções não tem nada que saber querem o belo ao fim do mês fazendo o mínimo não se preocupando sequer se retribuem com trabalho, o mal é as pessoas não falarem não se explicarem não se entenderem. E para isso é preciso que falem até dizem que eu falo de mais, não falo nem de mais nem de menos o mundo é que se está a perder aliás todos nós nos estamos a perder a afundar-nos neste lamaçal."
Mas...
"Não adianta sequer chamar-lhes a atenção eles têm sempre razão sabem tudo e nem escutam o que as pessoas têm para lhes dizer, há dias estava um desses técnicos lá de volta do meu computador e perguntou-me uma coisa em código, se eu tinha um Firewall, eu que nem tive nunca nada dessas modernices, não quero saber, o Raul do terceiro direito foi dizer ao meu Ricardo que tinha ADSL essa gente tem tudo são filhos de ministros, ganham bem e saiem cedo têm dinheiro para isso até no Sábado devem lá ter ido entregar isso eu bem vi a carrinha lá parada à porta capaz de vir alguém pelo passeio e esbarrar nela não se respeita nada nem ninguém. Eu cá disse ao técnico que não tinha Firewall nenhum que nem quero já me chegam as responsabilidades que tenho e desde que deixe os mapas prontos ao Marques no final da semana ele já não me chateia de entretido que anda com as pernas da Adelaide da Contabilidade. E mesmo esse técnico é um malcriadão, vê lá que me disse que eu falava de mais, eu que não acho que falo mais do que a generalidade das pessoas"
E tu , está boa?
"Ando cansada sabes?"
Mas oh Luísa...
"Não, não é Oh Luísa, não me critiques que de ti não espero outra coisa que não diálogo e compreensão, tu vê bem que nem as máquinas me compreendem, eu bem tento mas aquilo é apito atrás de apito, encravanço atrás de encravanço, e depois ninguém sabe ou se sabem calam-se eu bem digo que as pessoas não falam umas com as outras, lá está dizem que falo muito mas não me parece, os técnicos chegam ao pé dos meus computadores e só os ouço remoer "hummm... hummm..." e não me dizem nada parecem as estátuas de mármore do parque ao pé de minha casa, por falar disso o Ricardo caiu da bicicleta e arranhou-se todo, só problemas, o pai diz que isso faz parte, mas não sei o que é que ele quer dizer com o fazer parte, se eu acho que ele não faz sequer parte das nossas vidas, casa trabalho trabalho casa não me toca nem um ai nem um ui, ele mal fala parece também ter sido tocado pela maldição do mundo. As pessoas não falam umas com as outras é o que é e depois ainda têm a distinta lata de me vir dizer que eu falo demais, até parece..."
Mas oh...
"Tu és igual aos outros não és? Tu és tal e qual essa gente com quem eu me cruzo constantemente e que parece carregar as dores do mundo dentro de um saco, sempre apressados como se fossem tirar a mãe da forca, as pessoas andam malucas, o mundo todo parece ir na mesma direcção tu vê lá até há dias a gaiata do quinto esquerdo disse à mãe que vinha aí a louca, louca sim, louca por entender o que querem o que precisam, o que a gente tem mais que fazer é adivinhar intenções não tem nada que saber querem o belo ao fim do mês fazendo o mínimo não se preocupando sequer se retribuem com trabalho, o mal é as pessoas não falarem não se explicarem não se entenderem. E para isso é preciso que falem até dizem que eu falo de mais, não falo nem de mais nem de menos o mundo é que se está a perder aliás todos nós nos estamos a perder a afundar-nos neste lamaçal."
Mas...
"Não adianta sequer chamar-lhes a atenção eles têm sempre razão sabem tudo e nem escutam o que as pessoas têm para lhes dizer, há dias estava um desses técnicos lá de volta do meu computador e perguntou-me uma coisa em código, se eu tinha um Firewall, eu que nem tive nunca nada dessas modernices, não quero saber, o Raul do terceiro direito foi dizer ao meu Ricardo que tinha ADSL essa gente tem tudo são filhos de ministros, ganham bem e saiem cedo têm dinheiro para isso até no Sábado devem lá ter ido entregar isso eu bem vi a carrinha lá parada à porta capaz de vir alguém pelo passeio e esbarrar nela não se respeita nada nem ninguém. Eu cá disse ao técnico que não tinha Firewall nenhum que nem quero já me chegam as responsabilidades que tenho e desde que deixe os mapas prontos ao Marques no final da semana ele já não me chateia de entretido que anda com as pernas da Adelaide da Contabilidade. E mesmo esse técnico é um malcriadão, vê lá que me disse que eu falava de mais, eu que não acho que falo mais do que a generalidade das pessoas"
E tu , está boa?
"Ando cansada sabes?"
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Faits Divers
10 maio 2006
Depois do Google, o Gugol!
Todos conhecemos o Google, um dos melhores, se não o melhor motor de busca do mundo. Até hoje! Agora temos o Gugol que é muito melhor. Insista no botão "Pesquisa Gugol" para melhores resultados.
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Faits Divers
A Dica da Semana
E o grande prémio "Ah mas a quem é que lembra comparar jornais manhosos" vai para o autor do blog O Gémeo Malvado que se pôs a comparar as edições belga e portuguesa do famigerado jornal "A Dica da Semana" no que diz respeito aos preços dos produtos promovidos que são, na mesma semana, os mesmos em Portugal e na Bélgica.
Esta entrada veio entusiasmar-me na persecução do meu projecto do Blog, cujo nome de código é "Ide locupletar-vos para a rodovia", projecto que visa avisar incautos sobre as inacreditáveis diferenças de preços do mesmo produto em locais diferentes de venda. (Eu não era assim, o Sócrates é que me deu a ideia...)
Esta entrada veio entusiasmar-me na persecução do meu projecto do Blog, cujo nome de código é "Ide locupletar-vos para a rodovia", projecto que visa avisar incautos sobre as inacreditáveis diferenças de preços do mesmo produto em locais diferentes de venda. (Eu não era assim, o Sócrates é que me deu a ideia...)
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Faits Divers
Desmotivação
Ora aqui está algo de verdadeiramente diferente. Uma galeria de "Posters de Desmotivação", para contrariar e ilustrar as frases feitas que nos vamos cansando de ver por aí. Uma colecção disponibilizada por Boban Basic. Feito em .Mac , pois tá claro!
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Faits Divers
Redmond, we have a sticker

"Pedro, you really like that brand, right?" That's the kind of thing that you hear when people notice that white apple logo on the trunk of my car. Let's call it a discrete logo, when compared to this guy...
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Apple
A queda do Império
Uma área soberba, típica dos espaços arquitectónicos dos anos 50. Escadarias sumptuosas, larguíssimo saguão, azulejaria condizente. Uma cozinha típica do café lisboeta. Um bife que se tornou um ícone da restauração da cidade, a pedir meças em qualidade ao da vizinha Portugália. Um local onde estudei longuíssimas horas, a pequena tabacaria a fazer milagres de exposição de pilhas de produtos nos seus pequeníssimos vidros e o guichet onde milhares de clientes ajudaram a escavar o pequeno apoio de madeira. O Império vai fechar! Diz-se à boca pequena que a Igreja Universal do Reino de Deus, sua recente vizinha o trespassou, facto que é desmentido pelo actual proprietário que fala de uma cadeia de restauração. A ver vamos quem tem razão. Eu acho que vou convocar alguns amigos para uma romagem de saudade às batatas fritas cortadas "a machado" e para uma última libação de canecas de cerveja fresca.
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Cidadania
09 maio 2006
08 maio 2006
Onde está o Wally?
Não deixa de ser engraçado encontrar estádios portugueses em publicidade estrangeira. Mesmo que manipulados digitalmente, uma vez que um deles é precisamente conhecido pelas suas fracas assistências e ganhou neste filme um terceiro anel. Mais à frente já é mostrado "au naturel". Quantos e quais estádios lusos se encontram neste anúncio?
Infelizmente o video foi retirado do You Tube. Era o estádio do Restelo e o do Jamor.
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Faits Divers
O rei morreu, viva o rei!

Não me junto ao coro dos que acharam que Ronald Koeman foi um mau treinador para o Benfica. Aos mais esquecidos vou dizendo que jamais Koeman teve a contestação que a outros apoquentou durante a época sem ter conseguido a nível interno o sucesso que outros tiveram. Com uma próxima temporada a ter de começar mais cedo com a disputa da pré-eliminatória, com muitas definições pendentes de dispensas e contratações, com um Mundial na Alemanha a ditar ainda mais incógnitas, não vai ser fácil encontrar um sucessor. Ainda assim arrisco num palpite. O próximo treinador do Benfica pode muito bem chamar-se José António Camacho ou Luís Felipe Scolari.
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Benfica
07 maio 2006
06 maio 2006
A instrução pelo próprio
"Eh pá, ontem fui levar o puto à escola e matei um coelho na estrada". Ah sim e que fizeste ao coelho? "Desamontei-me da carrinha e truxe-lo!". Fizeste bem. "Tenho de ir mais vezes lá à escola". Pois, também me parece.
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Pérolas
05 maio 2006
Cantos da Língua

Os senhores desculpem-me, mas ver o meu nome na ficha técnica de um espectáculo (Cantos da Língua), ao lado de Mia Couto ou de Carlos Drummond de Andrade, fez-me ganhar o dia.
Nota: O mais engraçado disto é que eu não sei qual é o texto... Mas hei-de saber!
Actualização: O texto escolhido foi publicado neste blog em Janeiro deste ano e intitula-se a gente não lê.
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Biografia
Se não podes com eles, parece-te!

Confesso que esta é uma novidade para mim. Não sendo uma comparação, apela-se à parecença com um produto líder na sua categoria. Ingénuo, mas hilariante.
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Apple
04 maio 2006
Enjoy the silence

"All I ever wanted, all I ever needed is here in my arms" é uma partícula de uma canção dos Depeche Mode que dá pelo nome de "Enjoy the silence". Não é umas das canções ditas da "minha vida", mas tem um video clip feito num local que tive a oportunidade de visitar por diversas vezes e que funcionou (enquanto existiu) um pouco à semelhança de Fátima. Trata-se do topo de uma das Twin Towers em Nova York. Uma paz que se não explica, um violento assobio que se não ouve e uma paisagem capaz de nos fazer suster o fôlego. Pois, leio no Ouvido em Escuta, uma descrição muito bem feita daquilo que eu considerava ser um dos meus "perfect spots" até ao 11 de Setembro, e que posteriormente se designou por Ground Zero. Nas visitas que fiz ao GZ a coisa que mais me impressionou foi o silêncio, uma coisa opressiva, quase mística, apesar dos milhares de pessoas que a toda a hora circulam no Finance District. Em pleno GZ as pessoas ficam mais pequenas, mais perto do que não sabem explicar. Recordo-me de em Janeiro ter estado no local e apesar da multidão se acotovelar em pequenas ruas improvisadas no meio dos estaleiros da demolição, o silêncio imperar, aqui e ali cortado por preces e orações. Em múltiplas línguas.
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Faits Divers
03 maio 2006
What if?
A BBC repôs um velho caso de análise social sob a forma de inquérito online. Já não me lembrava disto desde que o Sá Couto me massacrava nas aulas de Sociologia... Mas vale sempre a pena ir ler para ver se as nossas decisões são ou não diferentes da maioria dos votantes.
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Faits Divers
Reciclar é que está a dar!
Parece que as coisas na Disney estavam mesmo pelas ruas da amargura. Nada de novo no Departamento Criativo, mas daí à demonstração prática de que muitas sequências foram apenas repintadas para inclusão em novas películas, vai uma grande diferença...
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Faits Divers
A queda dos graves
Caiem que nem tordos, quero dizer, caiem que nem pardais. Com os beirais cheios de ninhos, a passarada tenta o bungee jumping sem elástico, estatelando-se no chão do meu terraço. Tenho perdido as corridas todas que têm sido ensaiadas à compita com os dois gatos que estão lá atrás em cima do muro à espera do pequeno almoço. É da época, se alguém conseguir apanhar um vivo e quiser saber como se faz, é assim.
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Faits Divers
Sargaçal
É um dos meus pontos de leitura favoritos. Porque me interesso pelo tema, porque dedico uma parte do meu tempo à horticultura e porque o blog é de um bom gosto extraordinário. Recomendo-vos o Quinta do Sargaçal. É sempre a aprender.
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