30 setembro 2006

Os bravos da promoção

29 setembro 2006

Life as we know it

Eles em Northampton sabem-na toda...

Mandem parar a Felicidade

"Pára! Pára imediatamente, Felicidade!". É divertido, e faz-nos pensar como seria tudo bem mais simples caso pudéssemos dar um grito e mandar parar a Felicidade, quem sabe entrar nela e deixarmo-nos levar assim como quem levanta um braço e manda parar um táxi, ou um autocarro que sempre podíamos levar connosco mais pessoas. "Pára! Pára imediatamente, Felicidade!". A Felicidade não obedeceu. Seguiu rua abaixo, aos zigue-zagues, de mochila às costas, apanhando coisas do chão para as depositar noutro lado enfiada nuns calções azuis e com duas louras tranças aos pulinhos. É. A Felicidade é esquiva, mas também a outra o é e já estamos habituados à ideia.

Bastinhas e Schumacher

Eu não gosto de Joaquim Bastinhas. Nem de Michael Schumacher. Grande coisa, pensará o leitor, que diabo tem uma coisa a ver c'oas calças (esta saiu bem...). Ambos encarnam formas de toureio e condução que me não são de estima. Calculistas, frios, algo previsíveis. Mas isso não impede que a espaços eu esteja sentado no sofá a torcer apaixonadamente por um triunfo de qualquer um deles. Como sucedeu há umas semanas quando Schumacher deu um festival de condução atacante, recuperando dos confins do pelotão, levando-me até a trocar com SMS com fervorosos "Ferraristas" em Portugal e no estrangeiro. Ou como acaba de suceder na mini corrida de inauguração do Coliseu de Elvas. Montando um cavalo que me é desconhecido (Queimadouro), Bastinhas teve momentos de luxo, fosse a "sair" por dentro, direito a tábuas, ali onde o mínimo erro é ferozmente punido, ou ladear em terreno curto, num movimento que lhe é tão raro.

28 setembro 2006

Olhos que não lêem...

Alguém tem uma explicação racional para o facto de na leitura de dois textos absolutamente iguais, um impresso em papel e outro em formato electrónico, eu detectar mais falhas no que foi impresso do que naquele que está à frente dos meus olhos no display?

Um momento de cansaço, pois é bem melhor assim

Pois eu cá duvido que haja chão mais fértil para colheita de pequenas histórias do quotidiano do que numa bem portuguesa sala de espera de um qualquer Centro de Saúde. Não que eu tenha estado num recentemente, felizmente não, mas a pessoa que estava do outro lado do telefone aos gritos com a sua mãezinha, essa sim sentada ao meu lado, estava num, pelo menos a julgar pelo que ia ouvindo. Não era uma conversa muito excitante, pelo menos para mim que não faço a mais pálida ideia de quem esteja do outro lado, mas já me repito se disser que ela estava aos gritos, falava tão alto que quase não precisávamos do telefone e satisfazíamos mais depressa a nossa curiosidade natural. Ficámos então a saber dos achaques de índole gástrica, a mãe a perguntar "foi comida?" e eu a lembrar-me da chalaça do "Foi sim, mas casa para o mês que vem", das dores nas "partes" (coisa que muito me entusiasmou porque desconhecia o uso do termo para a genitália feminina), enfim, um tipo está sempre a aprender e neste caso a preencher páginas e páginas de tratados de medicina que é sempre uma mais-valia quando já se leu o jornal e temos pela frente mais umas horas na Loja do Cidadão... Revi os papéis, o correio do dia, a minha Companhia de Seguros escreveu-me dizendo que vão "rever o prémio" (Desculpem-me, mas o que eu pago é um prémio para quem?) e dediquei-me à escuta ambiente, o último dos passatempos lúdicos. A conversa continuou, percebi que a mãe tinha um vocabulário limitado a uns "sim", "não", "humm..." e pouco mais. Só voltei a arrebitar a orelha quando ouvi um sonoro "Mas tu foste onde, Maria Luísa?". Mãe que se preze sabe bem que o uso dos nomes próprios tem uma absurda carga punitiva e é prenúncio de sentença de risco. "Tu foste a uma igreja católica?". Percebi que sim, que fora. A mãe estava escandalizada, não sei porquê mas pouco me importa, procurava apoio nos outros olhares até ter encontrado os meus. Desligou o telefone, completamente amofinada e enquanto guardava o aparelho na mala, descansou-me (pensou ela), fitando-me bem ufana, "entrou numa igreja católica sim, rezou, mas disse-me que não tinha olhado para o boneco!".

27 setembro 2006

Parker

Uso material de escrita de marca Parker há trinta e dois anos. Uso teclados brancos há apenas três. Nunca, até hoje mesmo uma carga de Rollerball me tinha rebentado dentro de uma esferográfica, mas há sempre uma primeira vez para tudo. Volto já, vou ali decapar as mãos e encomendar um teclado branco...

26 setembro 2006

Pedintes (II)



Fui, conforme o prometido, à procura do pedinte "espanhol" que encontrei sentadinho no mesmo local onde o tinha avistado ontem. Tinha prometido fotos, mas temia o pior dadas as condições de luz e a propria qualidade da câmara fotográfica do meu telefone. Pois bem, o que verão (?) abaixo dá apenas uma pálida ideia do conjunto, dado que o "glow" do neon não permite nenhuma visibilidade do "set" instalado. O pedinte, o néon e uma enorme mala negra (na qual não tinha reparado ontem), pejada de moedas coladas a um feltro negro que lhe serve de fundo.

Tenho, no entanto, um recado para o Francisco... Ao lado deste "pedinte" uma outra figura agitava uma lata com moedas, esta sim uma pedinte legítima em cadeira de rodas. Durante o tempo que tentei "fugir" ao clarão do néon, ouvi algo que pensei logo em transmitir... Passo a citar "PA******** DO CA***** VÊM PARA AQUI FOTOGRAFAR O CA**** DO GAJO QUE NEM É POBRE E A MIM NINGUÉM ME DÁ NADA OU TIRA UMA PU** DE UMA FOTOGRAFIA OH CA*****! (Fim do recado)

Deve ter um nome

Deve ter um nome. Caso não tenha, chamar-lhe-ia "síndroma da paragem cerebral", uma espécie de "crash" das células e dos neurónios, incapazes de descodificar aquilo que é óbvio. Tinha na carteira fazia quase um mês um novo cartão bancário que em chegou pelo correio como habitualmente. Rasguei o envelope e li na carta onde o rectângulo de plástico estava colado algo como "o seu novo cartão blá blá blá, Pin de segurança blá blá blá, não o escreva no cartão blá blá blá". Não sei a razão, mas meti-o na carteira, embrulhadinho na folha onde alguém o colou e em alguma gaveta mental enfiei duas informações, a de que a data de validade do cartão que agora expirava era de 29 de Setembro e de que o PIN do cartão novo iria chegar um destes dias também pelo correio... Passado um mês, sem que o PIN chegasse, fui ao banco. Expus o meu caso e queixei-me de que não tinha o PIN novo. O funcionário, amabilíssimo, sorriu e perguntou-me "Tem a carta que veio com esse cartão?". Sim, claro, tenho-a aqui. "Então faça-me um favor, sente-se aí, pegue na carta e releia-a". Foi o que fiz, embora não me tenha sentado. Corei de vergonha. O terceiro parágrafo do blá blá blá dizia simpaticamente que o PIN era o anterior. Saímos da agência juntos, eu verde de raiva, ele verde BES.

Sacanagem

A secretária de José Sócrates era apaixonada por ele, mas ele não percebia. Um dia, depois do expediente, ela entrou na sala dele, com um vestido provocante, bem decotado, fechou a porta atrás de si, caminhou languidamente até à mesa, com ar insinuante e propôs:
- Sr. Primeiro Ministro, vamos fazer uma sacanagem?
- Vamos! Onde é que eu assino?

Pedintes

Algo me diz que os pedintes legítimos que operam nas ruas de Lisboa (sim, muitos deles operam) se vão aborrecer deveras com a concorrência do tal artista espanhol de que falámos há dias... Hoje, ao cruzar a baixa, deparei-me com um tipo novo, deitado no passeio, junto a uma tabuleta que dizia "Ajudem-me por favor, tenho mulher e dois filhos". Nada teria de extraordinário se as letras da tabuleta não fossem tubos néon de um laranja fluorescente com uma visibilidade única... Não fotografei, por um lado porque tinha pressa, por outro porque fiquei na dúvida (nos tempos que correm, os pedintes podem ser entrepreneurs na miséria...), mas amanhã vou averiguar.

25 setembro 2006

Oh Lord won't you buy me...

Geekness!

1f u c4n r34d th1s u r34lly n33d t0 g37 l41d

Estou preocupado... Consegui ler 90% da frase, o que obviamente me torna um bom candidato.

Veio da mata um homem novo

Fui contactado por uma instituição pública que me comunicou que iria dar-se início a uma acção na qual tinha manifestado interesse em participar há algum tempo atrás. Foram-me dados os pormenores de horário, duração e demais questões protocolares. Aquilo a que achei verdadeiramente graça foi ao facto de na última informação me ter sido dito algo como: "Ah, por último uma questão importante, a assiduidade. Como é regra na Função Pública, a assiduidade é importantíssima...". Voltei a olhar para o número de chamada, não fosse a formação ser no Bangladesh...

23 setembro 2006

Tecnologias

Recebi esta mensagem há pouco tempo. Por ser um assunto que me fascina, gostava de reflectir publicamente sobre este tema. Trata-se obviamente da eterna questão dos homens serem preferencialmente capazes de arranjar coisas. Leiam o que me foi enviado, e depois acompanhem-me no meu raciocínio, que virá logo a seguir.

..."O que eu invejo essa capacidade, acredito que masculina, de compreender as máquinas mesmo quando elas estão em estado terminal. Quando algo não trabalha por aqui o que penso logo é como arranjar o dinheiro para comprar uma nova e como enviar a que está "mortinha" para a reciclagem. Chamar alguém para arranjar nem pensar. É caro e demorado. Saber como fazer dava jeito mas a falta de curiosidade por essas coisas é notória. Fica a inveja."...

Não creio que os homens sejam especialmente dotados para questões técnicas ao nível da bricolage. Conheço muito pai de família que treme literalmente ao som das palavras "chave de fendas", ou "interruptor eléctrico". Conheço também algumas mulheres a quem as mesmas palavras não incomodam um cabelo que seja e que podiam discutir comigo temas tão interessantes como "apalpa folgas" ou "chave francesa". Não é por aí... A grande questão que se me coloca (e são várias, não apenas uma...) está muito mais em a) Como é que uma pessoa que consegue distinguir um "ponto de caramelo" de um " ponto de pérola" tem medo de desaparafusar uma tampa de uma máquina? Qual é a dificuldade de abrir uma torneira e substituir uma válvula ou um castelo quando comparado com o acto de deitar cera quente nas pernas e puxar com força?

Creio firmemente que se trata de uma questão lógica, um parafuso é um parafuso e só tem dois estados: aparafusado ou desaparafusado. Quando olho para um parafuso a única pergunta que faço a mim mesmo é: Fenda ou Philips? A maior parte das mulheres que conheço perguntarão face ao mesmo parafuso "Porque é que eu ainda não me casei?". É óbvio que a pergunta feminina tende a ser evasiva (o acto de estar casada permitir-lhe-á sempre dizer ao esposo coisas tão motivadoras como "os maridos das minhas amigas arranjam tudo lá em casa"). Os homens depois de terem feito a mesma pergunta saiem disparados para a caixa de ferramentas sem se deter em mais nada, as mulheres tendem a olhar para o espaço envolvente do parafuso e a pensar "Meu Deus isto está um nojo!" e enquanto limpam e deixam o parafusinho a brilhar, já perderam a motivação em aprender a diferença entre um parafuso de fenda e um Philips. Duvidam? Tentem pedir a uma menina que vos explique a lei do fora de jogo posicional e depois logo falamos. Para mim é absolutamente incompreensível que as meninas achem as questões mecânicas complexas. Muitas delas dizem-me que "nunca tive inclinação ou curiosidade para isso". Em que momento da vida tiveram inclinação ou curiosidade para aprender, por exemplo, a casear? Ou a fazer um cós perfeito? Ou a saber até que profundidade se espeta um palito num bolo para ver se já está cozido? (Tudo coisas que me traumatizam desde a infância...). tentem pedir a um homem que ponha rímel nas pestanas enquanto conduz sem espetar o pincel (tecnicamente aquilo não é um pincel, mas não é agora altura de estabelecermos a diferença técnica...) num olho. Com algum treino o homem chegará lá! (Levou milhares de anos a ser treinado a ir passear o cão ou a despejar o lixo, por isso é uma questão de tempo...). Perceber o funcionamento de uma máquina, por muito complexa que seja, está ao alcance de qualquer um, tenha ele o sexo que tiver. É isso mesmo, capacidade de observar. Não me vão agora dizer que as meninas não têm capacidade de observação, pois não? Alguém que me consegue explicar com detalhe, três horas depois de o ter visto pela última vez, todas as nuances do vestido que levava a noiva, especificando os motivos das rendas, o brilho excessivo dos brincos que não condiz com o baton usado e muito menos com a cor dos sapatos (Santo Deus, alguma vez conseguiram ver a cor dos sapatos de uma noiva com vestido de cauda?), isto para não falar da inacreditável capacidade de retenção de dados de comparação dos fechos das malas (Viste como o fecho da mala da madrinha era igual ao da mala dela?). Claro que quando me falam disto eu bem tento rebobinar a minha cassete de memórias e tudo quanto consigo recordar era o decote da segunda dama de honor a contar da esquerda que tinha descuidadamente a alça negra do soutien à mostra e de quem não conservo a mais leve memória sobre a cor dos cabelos... Isto, meus caros é a capacidade de observação feminina! Também não é por aqui, correcto? Por isso não entendo esta "dificuldade" das questões técnicas, sobre as quais já me alonguei bem mais do que tinha pensado. Esta semana, e só para me contrariar, encontrei uma criatura deliciosamente feminina, que me falou de construção civil, pladur e MDF como se fosse a coisa mais natural deste mundo. Até lhe perguntei se ela a seguir me ia dizer que lia "A Bola" ao pequeno almoço...

Bin Laden não está morto

A origem do "gandula"

Morreu hoje mais um dos meus "quests" em busca da origem de uma determinada palavra ou expressão. O termo "apanha bolas", figura típica no futebol tinha e tem, no Brasil, uma expressão diferenciada. Gandula, expressão que conheci pela pena de múltiplos jornalistas desportivos brasileiros a trabalhar em Portugal, era para mim um mistério, até hoje ter tropeçado na respectiva origem. Em 1939 o Vasco da Gama, popular agremiação desportiva brasileira, importou da Argentina um jogador, Bernardo Gandulla de sua graça, cuja adaptação à equipa foi um verdadeiro desastre. No entanto, Bernardo, dotado de uma enorme boa vontade directamente proporcional à sua inabilidade para o jogo do futebol, demarcava-se dos demais companheiros, correndo atrás de bolas desviadas para fora para a sua reposição em jogo. Tal gesto, valeu-lhe a simpatia e comiseração dos adeptos (onde é que eu já vi isto, Mantorras?) tornando Roberto Gandulla um verdadeiro ídolo entre os associados. O nome ficou, designando até hoje os populares miúdos "apanha bolas".

No partir e no estragar...

No partir e no estragar, o mal está em começar. Isto era o que o Pereira, um homem de sete ofícios que conheci faz anos, tinha pendurado numa tabuleta de cartão mal amanhada, sobre a porta da sua velha oficina. Lembrei-me dele quando de chave de fendas em punho desmanchava pela enésima vez o tambor da máquina de secar. "Tenho ali um vidro da porta de um dos armários da cozinha que precisa de um toquezinho". Em português, "toquezinho" significa claro está que a porta corre sérios riscos de desabar e no processo levar os dedinhos de quem lhe mexa. Mais depressa fosse dito, mais tarde teria sido feito. Fui-me a ela como gato a bofe, quatro parafusos e uma bancada para avaliar da real extensão da desgraça. Era mesmo. O vidro, completamente solto do caixilho, a lembrar aos que ainda têm idade para isso que havia em tempos uma substância chamada massa de vidraceiro, coisa que aguentaria dezasseis milhões de anos o vidro no local desde que providencidados os chamados "pregos franceses", umas armas temíveis, pregos sem cabeça que devidamente espetados entre o vidro e a madeira ali ficariam até ao juízo final, Agora ninguém sabe o que é massa de vidraceiro, usa-se silicone, praga dos tempos modernos que não serve apenas para dar volume e forma a seios invejáveis (e invejosos), uma treta plástica que ainda está para nascer o tipo que me há-de provar da utilidade da coisa (sim, e já deixei de falar de seios...). Não sendo eu um expert de matérias de construção civil, odiando areias e cimentos, agarrei na porta, no vidro pendente e fui falar com quem me construiu os armários da cozinha. Afinal há vantagens em viver numa aldeia, os fornecedores não são seres inatingíveis, basta descer a rua e tocar-lhe à porta tendo o devido cuidado de lhe inspecionar os vidros nos caixilhos, nao vá algum desprender-se. É nestas situações que entendemos como é divertido ser-se português. Há qualquer coisa de ingénuo em ser-nos passado um atestado de estupidez e a gente, anestesiada, ri-se e acha graça. "Sr. Luís, tenho aqui uma porta de um armário dos que o senhor me vendeu, cujo vidro está solto...". Traga aí para eu ver. Óculos na ponta do nariz, o Luís examina e dita de imediato a sentença. "Tenho de levar isso à vidreira, esses tipos usam silicone, isso é uma aldrabice pegada, acaba sempre por haver meia dúzia que saltam fora. "Ok, muito bem, mas olhe que foi você mesmo quem me vendeu estes armários..." Ah, pois. mas já estão vendidos, não é?

Tensai TD 192


Se há coisa que irrita um informático são problemas de hardware. E se há coisa que irrita ainda mais do que um problema de hardware é esse mesmo monte de lata não ser dotado de processadores, memória ou displays. Conheço esta secadora de roupa melhor do que muitas das máquinas com que trabalho e não vou ser derrotado por causa de uma mísera questão mecânica que pode ser resolvida se encontrar um fornecedor de peças que me venda uma treta de um feltro cuja ausência provoca problemas de atrito que levam inexoravelmente à quebra consecutiva de correias de tracção. Pelo exposto, se algum dos meus leitores conhecer um fornecedor de peças TENSAI, marca que parece ter-se volatilizado do mapa de vendas deste país, agradeço que me deixe um comentário na respectiva caixinha. Obrigado

22 setembro 2006

Também tu, Brutus?

Mania de escutar conversas, é feio, mas caramba, elas as conversas, estão praticamente no meu colo e não consigo sequer evitar. Pior, muito pior que ouvir é trazê-las à escrita, confessando e confirmando o crime. Puxar do vento que tudo leva (mas que também traz...) aquilo que se devia perder no espaço e no tempo em que é dito. Depois há a cenografia, elas eram ambas mulheres maduras, atraentes quanto baste (alguns há a quem pouco basta), um "je ne sais quoi" de sofisticação nada exagerado (et pour cause) que só escrevi em francês porque há um saco da Parfois que uma delas empunha que ameaça a todo o momento a minha masculinidade em cada golpe que lhe é imposto. Não me posso distrair com ele, nem com a dona, por um instante que seja. "O meu é um bruto, quando me salta para cima, deixa-me sempre toda marcada...". O que é que se espera de um homem, ali entalado (literalmente) que não seja uma interpretação dúbia? Eu, a dar comigo a medir volumes, formas, gestos e na falta de algo mais distractivo, a imaginá-lo a ele, o bruto, a saltar-lhe para cima, quem sabe se a rasgar-lhe algo, ou ainda algo mais que afinal ele é um bruto, e as palavras não são minhas, apenas conservo os actos e as omissões. Procurei-lhe os olhos, ainda no ar vibravam os restos da frase, abafados pelas paredes demasiado estreitas de uma cabina de elevador. Cumpriu-se ali mesmo o protocolo do olhar, as luzes que se entenderam como faroleiros à conversa noite dentro. Ela alcançara o segundo sentido da frase. Corou como uma gaiata que se sente apanhada. Levou os dedos aos lábios em sinal de arrependimento e baixou os olhos. À saida do elevador, ainda a ouvi balbuciar "é um pastor alemão...". Seja. Que eu cá não perguntei nada.

21 setembro 2006

Temos de ter uma conversinha

O que eu ouço

20 setembro 2006

Post-it

Ketchup islâmico

Não faço ideia há quantos anos como Ketchup. Digamos uns trinta... Em frasco de vidro, o modelo mais incompreensível de todos os ketchups do mundo, aquele que deixa sempre no fundo do frasco um pedaço mais do que devia. Pois hoje, e como há sempre uma primeira vez para tudo, abri pacatamente a porta do frigorífico, agarrei o frasco, sacudi-o como quem, humm... você sabe como... Rodei a tampa e o frasco explodiu! Tal e qual! Explodiu! A cozinha parecia o cenário do Shining (sem o machado, é certo...). Fica o aviso. Ketchup Modelo. Ninguém se magoou, mas o cão ainda não saiu da despensa.
Gozei, durante anos, o meu amigo Manuel Moreno a quem uma lata de comida de gato deixou a cozinha em estado de sítio. Aqui, publicamente me ajoelho Manel e te peço desculpa...

19 setembro 2006

O cinza, fraulein?

Vestia um tailleur cinza escuro, um figurino que Eva Braun por certo não desdenharia - Eva Braun vestia tailleurs? - Parecia perdida, ausente quem sabe, ela claramente - Num tailleur cinza escuro qualquer pele branca sobressai - um Joker fora do baralho humano que se misturava no Rossio. ...Desculpe, senhorrr. porrr favorrr - bem me parecia que me recordavas Eva Braun - aquiesci que é uma coisa que eu faço muito quando não sei dizer um sonoro Yah a pessoas que me fazem lembrar Eva Braun. ...O senhorrr saberrr onde ficarrr Hotel Borrrges? "Sei, sim, vou-me ver aflito para te explicar onde é, estás muito longe e honestamente não sei se com essa saia tão travada esse tailleur cinza - que me lembra Eva Braun - conseguirás subir o Carmo". Lá foi, com meia dúzia de riscos no mapa que engalfinhou na mão à procura da Camões Platz. Fiquei ali a vê-la esbater-se na multidão, subindo a rua, frágil figura que me recordava Eva Braun (de tailleur cinza).

Anúncios do Público


Não é piada (mas parece!) e saiu no Público, Local Lisboa de 15 de Setembro. Interrogo-me apenas sobre a evolução na carreira de um pedinte. Chegará a deputado europeu?

18 setembro 2006

Sexo

De acordo com as últimas sondagens, a posição sexual mais praticada pela maioria das pessoas casadas é "a posição do cachorrinho". Pouco surpreendentemente o marido senta-se e implora enquanto a mulher rola e finge-se de morta.

Bué da louco

Ela discutia animadamente com uma amiga quando entrei na carruagem de Metro sobrelotada. "A prófe de Biologia é bué da má, ficas já avisada. Explica a matéria bué da mal, é bué confusa e explica mesmo, mas mesmo bué da mal. Eu acho que ela não tem é ideias. É bué da repetitiva".

15 setembro 2006

Magnésio OK

A conselho de uma amiga adquiri uma embalagem de Magnésio OK, um suplemento vitamínico e mineral que supostamente me ajudará a colmatar algumas falhas de memória que me têm preocupado. Digo "ajudará" porque primeiro tenho de me lembrar onde é que a larguei...

Engenheiros, nunca vos esqueceremos (II)

Um sacerdote, um médico e um engenheiro informático decidem jogar uns buracos no cube de golfe mais próximo mas são constantemente atrasados por um grupo de jogadores verdadeiramente maus que jogam à sua frente. Não acertam uma jogada. O sacerdote pergunta então ao caddie: -Quem são estes nabos? O caddie responde, "Eles são cegos, senhor Padre, perderam a visão salvando o Club House de um incêndio no Verão passado. O clube autorizou que eles joguem gratuitamente sempre que quiserem...". Que aborrecido - lamenta o padre - vou rezar por eles na próxima missa". O médico acrescenta: "-Vou pedr a um colega oftalmologista para ver o que pode fazer por eles.". O engenheiro informático pergunta: "Porque é que não jogam à noite?"

Dormia tão sossegada


A senhora dona Maria Fernanda Aniceto, vem por este electrónico meio e na impossibilidade de o fazer pessoalmente (pelo menos para já) informar a todos quantos torceram, fizeram força, rezaram, enviaram mensagens curtas (ou compridas) ou deixaram recados nos telemóveis dos filhos, que se encontra em recuperação do acto cirúrgico a que foi ontem submetida na Maternidade Alfredo da Costa. Aqui o escriba não se esquecerá jamais das manifestações de carinho recebidas e da simpática profissional de saúde cujo nome devia ser enaltecido (e só não o é porque não o sei), que ontem sossegou uma família completa permitindo a "infiltração" de espiões filiais na sala de recobro. Bem hajam.

Mea culpa


Todos nós, num momento ou noutro incorremos em actos de fraqueza. Coisas de que não nos orgulharemos nunca de ter feito, objectos ou serviços que nunca confessaremos ou admitiremos ter adquirido. Como forma de auto-flagelação, ou mesmo de terapia exorcista, venho aqui, perante os olhos da Blogosfera, prostar-me perante o mundo e dizer bem alto: Eu comprei drogas!

14 setembro 2006

Algo há que me faz rir, e não são cócegas

Uma das muitas coisas que verdadeiramente me divertem enquanto cidadão deste encantador país é a tentativa de imposição de conjuntos de regras por parte de meia dúzia de cabeças pensantes a uns milhões de outros compatriotas, Estes milhões, por sua vez, dedicam-se freneticamente a estudar o esquema e a encontrar a forma mais simples de as contornar. Deve ser absolutamente penoso para as tais cabeças pensantes, verificar que o objecto do seu estudo também é capaz de magicar e consequentmente ver ruir com fragor os conjuntos de normas que se raciocinaram como inatacáveis e seguras. Afinal de contas andamos nisto desde 1143 se ninguém deu a volta à data... A Maternidade Alfredo da Costa implementou um sofisticadíssimo sistema de controlo de entradas e saídas (por oposição a um sistema ridículo de que já falei aqui), deve ter custado uma fortuna, a avaliar pela imponência dos canais de entrada e da parafernália de sensores e barreiras automáticas. Aparentemente impenetrável, o utente tem de exibir aos sensores a folha de marcação de consulta, ou o omnipotente cartão de acesso, onde, um código de barras informa o sistema e comanda a abertura das portas. O número de acompanhantes permitidos é de uma única pessoa, a quem, sem qualquer identificação é entregue um cartão de plástico que cumpre a função. Entrei, acompanhando uma paciente. Uma hora depois, porque fui contactado por outra pessoa que também queria acompanhar a mesma paciente, muni-me da carta do código de barras e do cartão que me tinha sido entregue, na tentativa da tão portuguesa forma de "dar a volta ao esquema". Como seria de esperar, o sistema reagiu negativamente. Optei por entregar o meu cartão à pessoa, que entrou no edifício enquanto eu ficava do lado de fora à espera. Fumei um cigarro, observei a mudança de turno, dirigi-me ao substituto segurança a quem disse que estava ali para uma consulta. A criatura rapidamente me disse o que qualquer candidato a "penetra" está já careca de saber, "que sem a folha do código de barras não pode aceder!". Assenti que sim com a cabeça. "Não a tenho". "Ah mas então não pode!". "Não a tenho porque marquei a consulta por telefone". Palavras para quê? Escrevo-vos da sala de espera do Bloco de Cirurgia. Não me orgulho deste feito, orgulho-me sim de não saber quanto custou aquela traquitana do controlo de entradas, nem quanto nos custa a nós todos o salário do tipo que pensou o sistema...
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13 setembro 2006

A greve

As mulheres dos gangsters colombianos (pelo menos uma significativa parte delas) decidiu unir-se numa greve original tentando que os companheiros abandonem a vida criminosa. Eu acho isto deveras errado. Muitas delas poderão morrer...

12 setembro 2006

Olhares

Quando entro no espaço da Estação de Correios, estremeço. Por duas boas razões, aliás. O frio da climatização é imenso e o mar de gente que se apinha ao redor das paredes faz-me pensar na inutilidade da deslocação. Na minha mão o envelope branco pintado a riscos azuis parece querer dizer-me que não posso adiar mais nenhuma vez o estampilhamento. Quase grita "Não podes! Não podes!". Quando almejo a senha de vez maldigo de mim mesmo a triste espera. Tenho cinquenta e duas pessoas a quem o dever obriga a ali estar, à minha frente. É estúpida a espera, principalmente porque tenho comigo tudo o que é preciso para me separar do envelope branco pintado com riscos azuis. Os selos. Só não sei quanto é a franquia e tenho quase a certeza de que a multidão que espera não vai achar muita graça se eu atropelar a ordem de chamada para ir perguntar quanto é. Sinto um certo medo, confesso. Não decorre muito tempo até que me farte e estou naquela fracção de rodar os calcanhares e sair porta fora. Só não saio porque há gente que entra em catadupas e me é fisicamente impossível. Há um velho que me olha a implorar ajuda. Treme violentamente, espasmos físicos que me impressionam. Tenta, a custo pousar no chão um saco de plástico, mas os tremores são tão grandes e tão intensos que o saco não sossega, não pousa, não nada. Estendo-lhe a minha mão e ajudo-o a estabilizar o peso. Repete-se um calvário para abrir a carteira, coisa que eu acabo por fazer e dela extrair um vale de correios. Olho para o balcão onde uma das funcionárias se apercebe da cena. Olho-a nos olhos, intensa e provocadoramente. Pergunto-lhe, sem falar, se ela é capaz de deixar aquele homem ficar ali mais um minuto que seja. Ela não me evita o olhar, apenas me franze os sobrolhos como se me dissesse que tem medo da reacção do resto das pessoas. Faço um movimento de queixo, sublinhando um "Vá lá, atenda-me o homem, por caridade...". Ela percebe o gesto, pisca-me o olho, eu sorrio-lhe, ela chama o homem para junto dela e processa o vale. Não trocamos uma palavra, mas quando saio para a rua tenho a certeza de que somos pessoas mais felizes.

Paris, 1915


Um documento raro, uma tabela de preços de um bordel parisiense do ano de 1915. Julgavam portanto que era só o Pacheco Pereira que publicava material cultural no blog? Há detalhes nesta tabela que são deliciosos (não, não são esses detalhes). Os descontos pela não utilização da luz, o acréscimo de preço pelo uso de velas de iluminação ou a sobretaxa pela utilização dos serviços depois da meia noite. Os comentários aos serviços, nomeadamente as considerações sobre o preço versus procura são preciosos. A imagem será visualizada em tamanho legível se clicar nela (e não levamos nem mais um cêntimo por lhe meter a mãozinha em cima!

10 setembro 2006

Riscos

Sabes que estás numa idade de risco quando os teus amigos te pedem que participes num inquérito que vai alimentar uma tese sobre Disfunção Eréctil.

Pérolas

..." The Bank Manager himself irritates people by writing to them immediatly they owe the bank balance. I advise you, if you had this trouble in the past, but are now in credit, to write to your own Bank Manager pointing out that he owes you money and would he please drop in and have a word with you about it"...

..."The banks themselves they are in the business of making money, so when they get hold of yours they make it as difficult as possible for you to get any of it back. To this end, they open just after you arrived at work and close two hours before you leave"...

..."And should you sacrifice your lunch hour to join the angry line in the street outside, don't blame the single cashier on duty for the slowliness of the service. After all the cleverer cashiers are out at lunch"...

John Cleese (How to irritate people)

Mafalda

Dizias-te Mafalda porque teu berço de ouro fora, e que o tempo das cerejas e dos pássaros te não afectaria nunca, estarias acima dos designíos hormonais e das coisas venais. Que os homens, sempre os homens mais não eram que objectos que te aborreciam embora no fundo, sempre no fundo, rente ao chão do ser, os homens te metessem mais medo que tédio. Tudo mudou porém um dia, na voragem das coisas, a vertigem dos medos desapareceu, desatou-se, foi-se embora e a espiral fechou-se. Hoje, num quarto de hospital, o fio da vela a extinguir-se, dizes que não te arrependes de nada. De nada. E só tens pena de não voltar a colher amoras no tempo das perdizes. E de não ter tempo de ficar à espera de dias mais felizes.

Sensibilidade e bom senso

Oitenta trabalhadores da Casa do Douro não recebem salário há três meses. Cavaco Silva, o Presidente da República estará hoje presente nas celebrações dos duzentos e cinquenta anos da instituição Casa do Douro. Ocorrem-me duas palavras, decoro e vergonha.

08 setembro 2006

Bom apetite!

Dinner for two

Madre Teresa de Calcutá chega ao Céu. - Tens fome? - pergunta Deus. Madre Teresa acena afirmativamente. Deus prepara para cada um uma sandes de atum de conserva em pão de centeio. Entretanto, a virtuosa mulher olha lá para baixo e vê os glutões no Inferno a devorarem bifes, lagostas, amêijoas, doces e vinho. No dia seguinte, Deus convida-a para outra refeição. Uma vez mais, o pão de centeio seco com atum de lata.... Uma vez mais, ela vê os do Inferno a regalarem-se numa verdadeira orgia gastronómica... No dia a seguir, ao ser aberta a terceira lata de atum, Madre Teresa pergunta humildemente: - Senhor, estou grata por me encontrar aqui Convosco como recompensa pela vida casta, regrada e devotada que levei. Mas não compreendo: só comemos pão com atum, enquanto do outro lado comem como reis... - Ó Teresinha, sejamos realistas - diz Deus com um suspiro - achas que vale a pena cozinhar só para duas pessoas?

Velhos são os trapos

Chama-se Maria de Jesus, vive numa freguesia do Concelho de Tomar e fará, caso o destino assim o entenda, cento e treze anos no próximo Domingo. Confessou a um dos muitos jornalistas que a entrevistaram que admite que a filha a coloque num lar de idosos "mas apenas quando for velha". Um abraço, Maria de Jesus!

07 setembro 2006

Super 8 Motel

Atacadores

Bom dia, queria uns atacadores pretos de 60 centímetros, dizia eu apontando para um expositor carregadinho deles. "Muito bem, aqui estão", disse o sapateiro esfregando as mãos no avental polido de tanta sovela. Quanto lhe devo? "Um Euro e vinte cinco, por favor...". Meto a mão na algibeira e tiro duas moedas de um Euro, que lhe estendo. "Deixe. Dê-me só um Euro que já roubamos o suficiente...".

06 setembro 2006

Regras são regras

O folheto de segurança do catamaran "Gil Vicente" (e supostamente os de todos os outros barcos da Soflusa) reza assim: "Se for absolutamente necessário saltar para a água, apertar o nariz e segurar o colete como ilustrado na figura". (Ver imagem e peço desde já desculpa pela qualidade da mesma) Ora, pergunto eu, os senhores que escrevem estas regras de segurança têm três braços? E para que serve apertar o nariz se a seguir as mãos devem estar no colete?

What the F.A.Q.?

05 setembro 2006

Pedimos desculpa pela interrupção

04 setembro 2006

All messed up

O que é que passará pela cabeça de um líder empresarial quando, em reunião de motivação para princípios de qualidade, dá como exemplo dessa mesma qualidade uma encomenda de lagostas no valor 750 Euros, por ele efectuada numa grande superfície comercial para um jantar privado? Acaso se lhe terá varrido que a média salarial dos presentes na sua plateia, na sua própria empresa, com salários por ele mesmo atribuídos, é bem menor do que o valor da encomenda que ele terá feito e devolvido, tendo-lhe sido atribuído o devido crédito "No questions asked"? O que é que este homem tem na cabeça? Provavelmente a mesma matéria da cabeça das lagostas...

Water Harvesting

Não sendo Engenheiro sempre senti uma irresistível atracção pela invenção mecânica e pela reflexão em projectos inovadores. Muitas vezes fui apelidado de "maluquinho" (há coisas que nunca mudam, não é verdade?) quando confidenciava as minhas teorias extraordinárias sobre coisas que achava possíveis serem realizadas a partir do quase nada. Claro que me rio bastante quando vejo anúncios de projectos nos quais eu já pensei. Não vá o leitor pensar que estou a reclamar créditos, nada disso, mas estou certo de que não morrerei sem ver os cemitérios a aproveitar o metano gerado pela decomposição de corpos, os milhares de metros de tubos colectores de águas e esgotos das grandes cidades com mini turbinas a recolher o esforço de movimentação de milhões de litros de águas no intuito de gerar electricidade. Ou o meu mais arrojado plano, o de dotar as campas de cemitério com um meio multimédia que em poucos segundos permita ao visitante ter uma panorâmica sobre a vida do defunto. A captação de água por meios pouco habituais também já foi alvo das minhas elocubrações. A condensação é um deles e foi com grande satisfação que naveguei nas páginas do Fog Quest

Mecânica Popular

Não é difícil mudar uma bateria de automóvel. Problemático sim é encontrar no local da bateria um ninho de vespas, já que os impopulares insectos não têm respeito nenhum por informáticos armados em mecânicos amadores...

Eu tinha jurado...

Eu tinha jurado a mim mesmo que não tocaria neste assunto, mas acabei por quebrar a decisão. Eu acho que o Vaticano se devia pronunciar sobre o "Caso Mateus"...

01 setembro 2006

A repulsa

Eu investigava tipos e variedades de arroz, do carolino ao agulha, do basmati ao integral, ele revirava sacos de comida de cão, numa busca frenética como se o adiar do fim dos tempos pudesse ser conseguido pelo achamento do tipo certo de granulado. Ali estávamos os dois, de pé, no lajedo frio do supermercado, tentando ignorar mutuamente a nossa presença no mesmo metro quadrado. Quando a minha privacidade mínima começou a ser ameaçada pelo seu cotovelo que se brandia com demasiado vigor, olhámo-nos em mútuo desafio. Sujíssimo. Fedia. Afastei-me em auto defesa e por auto piedade. Das suas mãos negras de lixo de várias gerações, pendiam ainda dois sacos de Friskies. Entre dentes bramava para com os seus botões: "Ladrões, ainda a semana passada custava um euro e cinquenta e cinco! Agora, toma! Um e noventa e cinco! Saloios! Saloios! E depois ainda mandam a tropa para o Líbano! Sim, alguém tem que pagar as obras nas casinhas dos tipos que andam lá fora em guerra. Saloios!".

Estúdio Raposa strikes back!

O Luís Gaspar, alma mater do Estúdio Raposa e da Truca gravou sem pré-aviso (até soube melhor!), mais um dos meus textos deste blog. Desta vez escolheu o recentíssimo "Canoa, por onde vais?, que, diz ele, o fez andar bem disposto por algum tempo. Obrigado Luís, um destes dias vou-te desafiar para outra coisa, mas havemos de falar em breve. Nesta mesma edição número 16 de "Lugar aos outros há também um texto de Carlos Reis e António Gouveia. O texto dos taralhões trouxe-me belas memórias do meu tempo das agúdias e das piscócias. Sim, que eu também por lá andei...