31 janeiro 2007
Hello dear!
Isto é absolutamente extraordinário. Mas é perigoso. Parece-me mal que um outdoor trate as pessoas pelo nome...
Etiquetas
Faits Divers
Parece simples
Isto é uma ficha Ethernet. Isto é a frente de um drive de disquetes de 3.5". Quando R. me disse que tinha o cabo do Router dentro do drive, perguntei-lhe o que é que ele andava a beber. R. riu-se e disse-me que em casa dele tudo era possível. Recusei acreditar e sugeri que seria um cabo USB e não um Ethernet. R. perguntou-me se queria apostar que era Ethernet. Apostámos. Uma garrafa de Moscatel Roxo. Perdi a aposta. Levei uma hora a extrair as fichas de dentro da drive. Pelo menos o Moscatel é de estalo.
Etiquetas
Faits Divers
Quando eu for grande quero ter um Hummer
O jeito que isto me dava em algumas situações...
Etiquetas
Faits Divers
Uma esmolinha para o Sr. Wolfowitz
Paul Wolfowitz não é propriamente um sem abrigo e não consta que viva do Rendimento Mínimo. Ou isto é uma piada de mau gosto (e que me espantaria que tivesse enganado o El País) ou então não sei...
Etiquetas
Faits Divers
Ascensão e queda
Já escrevi sobre C., o personagem da aldeia. Madraço profissional, está deveras preocupado com o início, em Maio próximo, das obras da nova travessia Chelas-Barreiro, que tem claramente mexido com muitos dos planos de curto prazo de Mestres, Marinheiros e demais marítimos da localidade. C. já advertiu que quer ser dos últimos a inscrever-se, para evitar começar logo a trabalhar. "E com sorte quando lá chegar já não precisam de ninguém...". Mas não foi isto que me levou a lembrar-me de trazer C. a estas páginas pela segunda vez. Ele continua a ter sérios problemas de vocabulário, mesmo que do mais simples. Há pouco surpreendi-me ao ouvi-lo gabar a sua vida sexual em público. Entre sonoras gargalhadas dos presentes C. afirmou que tendo uma namorada nova há três meses, era tempo de lhe dar uma "queda"...
Etiquetas
Biografia
30 janeiro 2007
Millenium BCP
É caso para dizer que as ovelhas andam um bocadinho tresmalhadas As ovelhas do Balaguer, está claro...
Etiquetas
Faits Divers
O Visitante 70.000 manifesta-se
"Olá Pedro, Já chegou a tshirt Yum.
Estou neste momento com ela vestida por cima da camisa. Pareço um nerd. Muito obrigado e que venha mais iniciativas destas.
Cumprimentos, Luís Lopes"
Estou neste momento com ela vestida por cima da camisa. Pareço um nerd. Muito obrigado e que venha mais iniciativas destas.
Cumprimentos, Luís Lopes"
Etiquetas
Faits Divers
Lancelot du Lac
É tudo tão relativo... Factos extraordinários acontecem. Melhor dizendo, factos extraordinários acontecem-me. Não que me repute de fenómeno, nada disso, mas perante a sucessão de coisas negativas que me têm acontecido, coisas em cadeia, interrogo e interrogo-me se isto andará tudo ligado ou se o Grande Arquitecto Universal me reservou uma chuva privada de parvoíces para esta minha semana. Desde o passado Domingo que já vi acontecer uma boa meia dúzia de coisas parvas, de esquecimentos a acidentes físicos que embora de pouca monta sempre trazem a reboque um cortejo de aborrecimentos e uma não menos significativa entourage de impropérios e vocabulário menos próprio. O clímax sucedeu há poucos minutos. Uma cândida criatura, de bata branca vestida e estetoscópio a tiracolo, disse-me com ar doce (depois de me pedir desculpa por ter as mãos frias), "O melhor mesmo seria lancetar-lhe o testículo!". Não é impunemente que um tipo ouve uma coisa destas, por mais cândida que seja a criatura (que se lixem as mãos frias...). Perante este cenário, o facto de desde Domingo ter ficado com um dedo parcialmente esmagado por uma porta de armário, de ter ficado apeado no meio de nenhures por avaria mecânica, de me ter esquecido de devolver a tempo e horas algo que me tinham emprestado, deixa de ter qualquer importância. E agora desculpem-me, mas vou encharcar-me em antibióticos na esperança de afastar de mim a imagem da lanceta...
Etiquetas
Biografia
O que é que se passa com os médicos?
É a terceira vez que isto me sucede na vida. Uma vulgar prescrição médica nao pode ser atendida porque o medicamento está descontinuado há anos! Na minha profissão, se eu recomendar a um cliente a compra de um equipamento que não se fabrique há cinco ou mais anos, o mínimo que me chamam é aldrabão...
Etiquetas
Biografia
29 janeiro 2007
Gato Fedorento (O Aviso Ilegal)

Para quem não teve oportunidade de visionar o Aviso Ilegal que consta do último DVD dos Gato Fedorento. Clique na imagem para visionar decentemente.
Etiquetas
Faits Divers
28 janeiro 2007
Formação de arrumadores
Estágio não remunerado para a categoria profissional de Arrumadores Auto. Os candidatos devem clicar aqui.
Etiquetas
Faits Divers
Aula de solfejo
"Avariou-se-me a solfage..."
"Avariou-se-te o quê?"
"A solfage do carro! Faz-me muita falta com este frio..."
"Ah..."
"Avariou-se-te o quê?"
"A solfage do carro! Faz-me muita falta com este frio..."
"Ah..."
Etiquetas
Biografia
Queres ser um GNR?

Jovem!
Queres curtir um cabriolet?
Queres pisar traços contínuos sem ser incomodado?
Queres andar de carro sem cinto de segurança?
Junta-te a nós! Alista-te!
Etiquetas
Cidadania
Senhor Engenheiro

Partindo do princípio que recolocar de forma correcta uma tampa de serviço numa calçada à portuguesa requeira o mesmíssimo esforço e trabalho de que recolocar essa mesma tampa de forma incorrecta, será que há em Lisboa uma conspiração secreta para deixar mal colocadas as tampas de acesso a áreas técnicas? Deve haver, É porque há centenas delas com este belíssimo aspecto...
Etiquetas
Cidadania
27 janeiro 2007
Princípe encantado procura jovem casta
O Príncipe Encantado encontra-se com a Branca de Neve e pergunta-lhe:
- "Quer casar comigo?"
- "Claro, majestade", responde a amiguinha dos sete anões. Então o Príncipe Encantado tira o seu membro para fora e pergunta-lhe:
- " Você sabe o que é isto?"
- "Seu belo pénis, meu Príncipe", responde ela. Desolado, o Príncipe Encantado continua a procura:
- "Vou embora. Preciso de uma mulher inocente".
O Príncipe Encantado vai então à casa da Gata Borralheira e pergunta-
lhe: - "Quer casar comigo?"
- "Claro que sim", responde a bela enteada.
O Príncipe Encantado faz a mesma coisa feita com Branca de Neve, mostrando-lhe o membro:
- "Você sabe o que é isto?"
- "Seu pénis viril, meu Príncipe", responde ela.
- "Vou embora. Exijo uma mulher casta para minha esposa.", reclama o Príncipe.
Então o Príncipe Encantado encontra-se com Capuchinho Vermelho (uma bela moçoila, recém saída da adolescência) na floresta e pergunta-lhe:
- "Quer casar comigo?"
- "Claro, sua Alteza", responde a mocinha,
Então o Príncipe Encantado repete o ritual e pergunta-lhe, tirando o pénis para fora:
- "O que é isto que trago aqui?", pergunta a Capuchinho Vermelho.
- "Isso é uma minhoquinha, meu Príncipe", responde ela.
Maravilhado com a cândida e inocente Capuchinho Vermelho o Príncipe Encantado casa-se com ela. Na noite de núpcias o Príncipe diz a Capuchinho Vermelho; " Isto que trago aqui é um pénis, meu amor"
Ao que ela responde:
- " Não, meu belo Príncipe. Isso é uma minhoquinha. Pénis era o do Lobo Mau..."
- "Quer casar comigo?"
- "Claro, majestade", responde a amiguinha dos sete anões. Então o Príncipe Encantado tira o seu membro para fora e pergunta-lhe:
- " Você sabe o que é isto?"
- "Seu belo pénis, meu Príncipe", responde ela. Desolado, o Príncipe Encantado continua a procura:
- "Vou embora. Preciso de uma mulher inocente".
O Príncipe Encantado vai então à casa da Gata Borralheira e pergunta-
lhe: - "Quer casar comigo?"
- "Claro que sim", responde a bela enteada.
O Príncipe Encantado faz a mesma coisa feita com Branca de Neve, mostrando-lhe o membro:
- "Você sabe o que é isto?"
- "Seu pénis viril, meu Príncipe", responde ela.
- "Vou embora. Exijo uma mulher casta para minha esposa.", reclama o Príncipe.
Então o Príncipe Encantado encontra-se com Capuchinho Vermelho (uma bela moçoila, recém saída da adolescência) na floresta e pergunta-lhe:
- "Quer casar comigo?"
- "Claro, sua Alteza", responde a mocinha,
Então o Príncipe Encantado repete o ritual e pergunta-lhe, tirando o pénis para fora:
- "O que é isto que trago aqui?", pergunta a Capuchinho Vermelho.
- "Isso é uma minhoquinha, meu Príncipe", responde ela.
Maravilhado com a cândida e inocente Capuchinho Vermelho o Príncipe Encantado casa-se com ela. Na noite de núpcias o Príncipe diz a Capuchinho Vermelho; " Isto que trago aqui é um pénis, meu amor"
Ao que ela responde:
- " Não, meu belo Príncipe. Isso é uma minhoquinha. Pénis era o do Lobo Mau..."
Etiquetas
Faits Divers
26 janeiro 2007
Eu bem resisti
Este blog resistiu furiosamente à ideia de publicar testes. Não suporto a ideia de me fazerem perguntas idiotas encadeadas umas nas outras e risco sumariamente das minhas listas, os infelizes bloggers que insistem nestas coisas. Mas há sempre uma excepção. O "How cool can you be" é uma dessas e você, caro leitor, não o poderia perder de maneira nenhuma. Para executar o seu teste de "coolness" (é rápido, prometo!) clique aqui
Etiquetas
Faits Divers
25 janeiro 2007
Senhor Eusébio

"Senhor Coluna, deixe-me marcar o livre que eu faço golo..." Já ouvi esta frase da boca do Senhor Mário Coluna e pergunto-me quantas vezes ele já a contou durante a sua vida. Foi proferida pelo então miúdo Eusébio da Silva Ferreira, na segunda parte da saudosa final de Amsterdam. Eusébio, o Senhor Eusébio, faz hoje precisamente, sessenta e cinco anos.
Etiquetas
Benfica
And the winner is...
O vencedor do prémio "Visitante 70.000" vai para Luís Lopes, residente na terra da bela bifana, isto é, Vendas Novas. Receberá a bela T-Shirt da moda muito em breve. Obrigado a todos pela participação e agradeço aos Deuses não ter havido uma chuva de 70.000 senão estava bem entalado...
Etiquetas
Faits Divers
Do you Exposé?

Exposé, uma característica do sistema operativo Mac OS X que permite visualizar múltiplas janelas abertas no Desktop. Penso que este record é difícil de bater, mas podem sempre tentar! Aos utilizadores Windows que queiram tentar algo semelhante, aconselho a compra prévia de um bom extintor...
Etiquetas
Apple
We have a winner!
Está encontrado o vencedor do prémio em disputa para o visitante setenta mil, Mais detalhes amanhã.
Etiquetas
Faits Divers
24 janeiro 2007
À mulher de César não basta ser séria
Digam-me que isto não é mesmo verdade: Uma das pessoas nomeadas pelo Ministério da Educação para a Comissão de Revisão da famosa TLEBS é a mesma pessoa que é consultor científico de uma gramática que já inclui a TLEBS. Tem um nome na comissão e um nome "artístico" na edição da obra. Digamos que assim sendo tem um interesse económico numa matéria que ele mesmo vai avaliar, o que é no mínimo catita... Para ajudar à festa, a referida criatura é casada com uma das co-autoras dessa maravilhosa invenção chamada TLEBS. Devo ser eu que percebi mal...
Etiquetas
Cidadania
On the road again

Sabem onde é que há Workshops grátis, mesmo grátis, sabem? É no Porto, no próximo Sábado às 10 da manhã. Pode obter mais informações via email workshops@icreate.pt
Etiquetas
iCreate
Abriu a caça ao otário

Alguém deveria avisar o Jornal Ocasião de que isto é uma fraude, uma vez que o telefone não está ainda à venda...
Etiquetas
Apple
O Homem Invisivel
(Republicação de uma crónica de 15 de Dezembro de 2003)
É um acontecimento frequente na minha vida. O de, sem nenhum tipo de aviso ou convulsão física, transformar-me em Homem Invisível. Não fico verde, não incho, não me transvisto de super herói com capas ridículas, nem sequer me chamo Robert Bruce.
A verdade é que me sucede muitas vezes. Hoje foi apenas mais uma. Já me habituei a este fenómeno. Já o experimentei em locais tão diferentes como filas para depósito bancário, Repartições de Finanças ou Postos de abastecimento Galp. Acontece-me e pronto, lá prossigo a minha vidinha, contentinho de ainda ninguém me ter atropelado ou enfiado um dedo indicador num olho.
Nunca falei disto publicamente porque não quero que pensem que enlouqueci. Está bem que eu às vezes não demonstro ser possuidor de todas as capacidades que fizeram de mim aquilo que sou hoje, isto é, pouco, mas não suporto a ideia de ser entrevistado nos Telejornais como único português que de quando em vez fica invisível. Ainda por cima nem sequer é original, mas juro-vos que a ideia por detrás do Hollow Man podia muito bem ter sido sugerida por mim.
O episódio da transformação de hoje conta-se em duas ou três linhas. Saí do escritório em busca de Séneca e de Epicuro, dois apanascados filósofos que nem sequer me interessam. Coisas da minha criança, estudante, que de repente se lembrou de que precisava de um livro para resumir. Não interessa para o caso. O que é certo é que de repente fiquei encarregue de encontrar o Séneca e o Epicuro, não importava o custo. Peguei indolentemente nas Páginas Amarelas convicto de que ia ser simples. Fnac. Não há. Citação. Não há. Bulhosa. Não há. Castil. Não há. Bucholz. Não há. Mais uma boa meia dúzia. Não há. Pânico. E agora? Como me safo desta? Uma última chamada já sem nenhuma convicção. Uma voz jovem e aparentemente solícita informa que não têm os títulos. Agradeço a informação. A título de bónus ainda obtenho uma ajuda (que haveria de me salvar do aperto). A Editora Relógio D'Água possui os dois títulos que não consigo encontrar numa única publicação. Abençoada Barata e abençoada funcionária, de quem com muita pena, não guardei o nome, se é que mo disse.
Salto para o Google em busca da Editora. Bingo! Primeiro link, uma loja on line de que não preciso. Tem contactos telefónicos e alguém me atende do lado de lá. Sim, é nosso esse livro. Pode comprar directamente desde que exista em stock. E até há. Suspiro de alívio. Obtenho a morada, salto para dentro do carro e parto em direcção ao Arco do Cego. Rua Sílvio Rebelo número 15. É um bairro tramado para se estacionar (bem) um carro. Nada que um passeio convidativo não resolva. Não me posso demorar. Aqui, os reboques são rápidos.
A Editora, uma pequena vivenda social parece uma orgia livreira. No exterior da pequena casa amontoam-se livros. Salto por entre "A Espuma dos Dias" de Carlos Amaral e Fernando Alves, desvio-me de uma pilha de "A Arma dos Juízes" de Clara Pinto Correia e entro. Tenho de sair imediatamente. Dois homens carregam um caixote gigantesco de onde transbordam mais livros. É normal, penso. É Natal e as encomendas devem ser mais do que muitas.
Volto a entrar. Dou comigo a pensar que em cada pequena pilha, e são dezenas as pilhas amontoadas, estão larguíssimos milhares de Euros em facturação. Deformações profissionais. É uma pequena sala, aquilo que outrora foi o hall da vivenda. Não são mais que dez metros quadrados onde encafuaram 3 secretárias. Os tampos estão cobertos de livros, pastas, dossiers, blocos. Tudo a emoldurar três computadores que emergem mais as respectivas impressoras do meio do dilúvio celulósico.
No meio desta barafunda estão quatro pessoas. Atarefadíssimas. Pronuncio um "Boa Tarde" e não obtenho resposta. Nem um contacto visual. Nada. Permaneço ali no meio das pilhas, interrogando as paredes com os olhos. Um dos presentes percorre afanosamente uma nota de encomenda e parece limitar-se a transferir de um lado para outro avantajados embrulhos e grossas edições embaladas em plástico grosso. Aqui e ali vai riscando no bloco aquilo que penso serem os cumprimentos de encomenda. Perco-lhe o rasto quando ele, ajoujado ao peso de um caixote se desloca para um vão de escada onde continua a sua tarefa. Perco-lhe o rasto e a esperança.
Do outro lado, vasculhando rapidamente um dossier está um outro homem. Com ar de ter mais idade, um ar mais responsável que me inspira alguma fé. É aqui, a olhar para este personagem que me apercebo que já sofri a transformação. Já estou invisível! Como que um sinal divino (e que se não confunda um sinal divino com um divino sinal, que estes últimos só vêm por fibra óptica segundo o que tenho lido...) há uma pilha de "Clones Humanos" de Clara Pinto Correia que me desaba aos pés. Tinha tocado nela inadvertidamente, não na Clara mas nos Clones. Apanho-os displiscentemente. Lentamente refaço a pilha balbuciando desculpas à Clara, desdobrando com os dedos a quina de uma lombada que fica seriamente maltratada.
Não foi suficiente. Ninguém dá por mim e pela minha presença. O ser desfolha mais pastas com ar sapiente e entendedor. Apetece-me chegar perto dele e fazer o costumeiro gesto que nós, os invisíveis, adoramos fazer, o de passar-lhe pela frente dos olhos a palma da mão aberta, quiçá para descrer da nossa própria incredulidade. Deve ser o Contabilista. Dou mentalmente uma estalada na minha própria testa. Qual Contabilista!. A haver semelhante profissão aqui, só poderá ser um Guarda Livros. Sorrio com a minha própria graça. Arrependo-me de sorrir, afinal de contas estou invisível e ninguém vai poder retribuir. E muito menos um homem!
É a minha deixa para examinar a terceira personagem do espaço. Uma mulher. Está ao lado do meu suposto Guarda Livros e parece seguir com atenção o desfolhar de uma outra pasta. Aqui e ali abre a ferragem, tira um documento, emite alguns sons como que a duvidar do que está ver. Hummm? Ahhnnnn? Não fora os pontos de interrogação na moldura das onomatopeias e pareceria a banda sonora de um filme pornográfico. Não levanta os olhos da pasta. O cabelo pende-lhe sobre os papéis não me deixando sequer ver-lhe feições ou movimentos de corpo. Fecha a pasta. Fecha mais uma pasta. Volta-me as costas e decide examinar o dorso de um pesado arquivador. Rodopia da estante na parede para a secretária, sem um golpe de asa, sem levantar o olhar.
Sinto-me quase confortável na minha pele de Homem Invisível. Apetece-me ir lá junto dela e apalpá-la. Apalpá-la não, parece-me demasiado lascivo. Um beliscão serviria o propósito. Contenho-me. Penso no meu carro. O Fiat provavelmente ainda não desenvolveu a capacidade de se tornar invisível, o que no caso dos reboques poderia vir a ser seriamente útil. Não me parece de todo que isso algum dia venha a suceder. Já se escoaram 12 minutos, doze longos e admiráveis minutos em que estive, invisível, a partilhar moléculas de oxigénio com as quatro criaturas, quatro seres que nada mais viram ainda que os seus próprios pés, de tal maneira trabalham curvados sobre o peso da sua responsabilidade. Dedico-me a outra entidade. O quarto ser. Poderia dizer o quarto homem, mas, na realidade não sei se se trata de um homem.
É um ser híbrido, um gobblin que trabalha entalado entre os Contos de Tchekov e os Poemas de Mário de Sá Carneiro. De quem será esta Editora? De Tolkien? Estarei na presença de um Hobbit? Examino-lhe os pés. São normais. De repente fico aflito sem saber como me hei de dirigir caso ele por milagre me dirija a palavra. Minha Senhora? Meu caro? Imagino-lhe a voz aguda a condizer com o ar imberbe. Se for de facto uma mulher é bom que permaneça imberbe. Para seu próprio bem. Não me atrevo agora a mexer-me. Parece haver alguma agitação na sala e não percebo as razões. Passa por mim um sopro de ar frio que vem da porta, porta à qual lanço um olhar. Algo se passa. Descubro rapidamente que já não estou igual. Já não sou invisível. O mundo parece ter recomeçado a girar normalmente. O gobblin chega-se a mim e sem emitir um som, encolhe os ombros. Explico ao que venho. Atrapalho-me na sequência que tinha planeado, a de descrever a chamada telefónica explicando que tinha falado com uma mulher. Talvez tenha sido o gobblin a atender-me o telefone dado que está corado como que apanhado em falta. A outra mulher, no canto oposto da sala continua com o cabelo pendente sobre o trabalho. Ouço-a claramente dizer em tom de comando: "Epicuro, Carta sobre a felicidade, está lá dentro". O gobblin roda sobre os calcanhares e desaparece na sombra de outra sala que se adivinha tão cheia quanto esta. Regressa, estende-me o livro, de novo sem uma única palavra. Da cabeleira pendente sai novo som. "Cinco Euros e quarenta e oito". Estendo o dinheiro, o Gobblin parece contente. Saio. Lá fora há sol e uma carrinha descarrega "O Defunto Elegante" de Luísa Costa Gomes.
É um acontecimento frequente na minha vida. O de, sem nenhum tipo de aviso ou convulsão física, transformar-me em Homem Invisível. Não fico verde, não incho, não me transvisto de super herói com capas ridículas, nem sequer me chamo Robert Bruce.
A verdade é que me sucede muitas vezes. Hoje foi apenas mais uma. Já me habituei a este fenómeno. Já o experimentei em locais tão diferentes como filas para depósito bancário, Repartições de Finanças ou Postos de abastecimento Galp. Acontece-me e pronto, lá prossigo a minha vidinha, contentinho de ainda ninguém me ter atropelado ou enfiado um dedo indicador num olho.
Nunca falei disto publicamente porque não quero que pensem que enlouqueci. Está bem que eu às vezes não demonstro ser possuidor de todas as capacidades que fizeram de mim aquilo que sou hoje, isto é, pouco, mas não suporto a ideia de ser entrevistado nos Telejornais como único português que de quando em vez fica invisível. Ainda por cima nem sequer é original, mas juro-vos que a ideia por detrás do Hollow Man podia muito bem ter sido sugerida por mim.
O episódio da transformação de hoje conta-se em duas ou três linhas. Saí do escritório em busca de Séneca e de Epicuro, dois apanascados filósofos que nem sequer me interessam. Coisas da minha criança, estudante, que de repente se lembrou de que precisava de um livro para resumir. Não interessa para o caso. O que é certo é que de repente fiquei encarregue de encontrar o Séneca e o Epicuro, não importava o custo. Peguei indolentemente nas Páginas Amarelas convicto de que ia ser simples. Fnac. Não há. Citação. Não há. Bulhosa. Não há. Castil. Não há. Bucholz. Não há. Mais uma boa meia dúzia. Não há. Pânico. E agora? Como me safo desta? Uma última chamada já sem nenhuma convicção. Uma voz jovem e aparentemente solícita informa que não têm os títulos. Agradeço a informação. A título de bónus ainda obtenho uma ajuda (que haveria de me salvar do aperto). A Editora Relógio D'Água possui os dois títulos que não consigo encontrar numa única publicação. Abençoada Barata e abençoada funcionária, de quem com muita pena, não guardei o nome, se é que mo disse.
Salto para o Google em busca da Editora. Bingo! Primeiro link, uma loja on line de que não preciso. Tem contactos telefónicos e alguém me atende do lado de lá. Sim, é nosso esse livro. Pode comprar directamente desde que exista em stock. E até há. Suspiro de alívio. Obtenho a morada, salto para dentro do carro e parto em direcção ao Arco do Cego. Rua Sílvio Rebelo número 15. É um bairro tramado para se estacionar (bem) um carro. Nada que um passeio convidativo não resolva. Não me posso demorar. Aqui, os reboques são rápidos.
A Editora, uma pequena vivenda social parece uma orgia livreira. No exterior da pequena casa amontoam-se livros. Salto por entre "A Espuma dos Dias" de Carlos Amaral e Fernando Alves, desvio-me de uma pilha de "A Arma dos Juízes" de Clara Pinto Correia e entro. Tenho de sair imediatamente. Dois homens carregam um caixote gigantesco de onde transbordam mais livros. É normal, penso. É Natal e as encomendas devem ser mais do que muitas.
Volto a entrar. Dou comigo a pensar que em cada pequena pilha, e são dezenas as pilhas amontoadas, estão larguíssimos milhares de Euros em facturação. Deformações profissionais. É uma pequena sala, aquilo que outrora foi o hall da vivenda. Não são mais que dez metros quadrados onde encafuaram 3 secretárias. Os tampos estão cobertos de livros, pastas, dossiers, blocos. Tudo a emoldurar três computadores que emergem mais as respectivas impressoras do meio do dilúvio celulósico.
No meio desta barafunda estão quatro pessoas. Atarefadíssimas. Pronuncio um "Boa Tarde" e não obtenho resposta. Nem um contacto visual. Nada. Permaneço ali no meio das pilhas, interrogando as paredes com os olhos. Um dos presentes percorre afanosamente uma nota de encomenda e parece limitar-se a transferir de um lado para outro avantajados embrulhos e grossas edições embaladas em plástico grosso. Aqui e ali vai riscando no bloco aquilo que penso serem os cumprimentos de encomenda. Perco-lhe o rasto quando ele, ajoujado ao peso de um caixote se desloca para um vão de escada onde continua a sua tarefa. Perco-lhe o rasto e a esperança.
Do outro lado, vasculhando rapidamente um dossier está um outro homem. Com ar de ter mais idade, um ar mais responsável que me inspira alguma fé. É aqui, a olhar para este personagem que me apercebo que já sofri a transformação. Já estou invisível! Como que um sinal divino (e que se não confunda um sinal divino com um divino sinal, que estes últimos só vêm por fibra óptica segundo o que tenho lido...) há uma pilha de "Clones Humanos" de Clara Pinto Correia que me desaba aos pés. Tinha tocado nela inadvertidamente, não na Clara mas nos Clones. Apanho-os displiscentemente. Lentamente refaço a pilha balbuciando desculpas à Clara, desdobrando com os dedos a quina de uma lombada que fica seriamente maltratada.
Não foi suficiente. Ninguém dá por mim e pela minha presença. O ser desfolha mais pastas com ar sapiente e entendedor. Apetece-me chegar perto dele e fazer o costumeiro gesto que nós, os invisíveis, adoramos fazer, o de passar-lhe pela frente dos olhos a palma da mão aberta, quiçá para descrer da nossa própria incredulidade. Deve ser o Contabilista. Dou mentalmente uma estalada na minha própria testa. Qual Contabilista!. A haver semelhante profissão aqui, só poderá ser um Guarda Livros. Sorrio com a minha própria graça. Arrependo-me de sorrir, afinal de contas estou invisível e ninguém vai poder retribuir. E muito menos um homem!
É a minha deixa para examinar a terceira personagem do espaço. Uma mulher. Está ao lado do meu suposto Guarda Livros e parece seguir com atenção o desfolhar de uma outra pasta. Aqui e ali abre a ferragem, tira um documento, emite alguns sons como que a duvidar do que está ver. Hummm? Ahhnnnn? Não fora os pontos de interrogação na moldura das onomatopeias e pareceria a banda sonora de um filme pornográfico. Não levanta os olhos da pasta. O cabelo pende-lhe sobre os papéis não me deixando sequer ver-lhe feições ou movimentos de corpo. Fecha a pasta. Fecha mais uma pasta. Volta-me as costas e decide examinar o dorso de um pesado arquivador. Rodopia da estante na parede para a secretária, sem um golpe de asa, sem levantar o olhar.
Sinto-me quase confortável na minha pele de Homem Invisível. Apetece-me ir lá junto dela e apalpá-la. Apalpá-la não, parece-me demasiado lascivo. Um beliscão serviria o propósito. Contenho-me. Penso no meu carro. O Fiat provavelmente ainda não desenvolveu a capacidade de se tornar invisível, o que no caso dos reboques poderia vir a ser seriamente útil. Não me parece de todo que isso algum dia venha a suceder. Já se escoaram 12 minutos, doze longos e admiráveis minutos em que estive, invisível, a partilhar moléculas de oxigénio com as quatro criaturas, quatro seres que nada mais viram ainda que os seus próprios pés, de tal maneira trabalham curvados sobre o peso da sua responsabilidade. Dedico-me a outra entidade. O quarto ser. Poderia dizer o quarto homem, mas, na realidade não sei se se trata de um homem.
É um ser híbrido, um gobblin que trabalha entalado entre os Contos de Tchekov e os Poemas de Mário de Sá Carneiro. De quem será esta Editora? De Tolkien? Estarei na presença de um Hobbit? Examino-lhe os pés. São normais. De repente fico aflito sem saber como me hei de dirigir caso ele por milagre me dirija a palavra. Minha Senhora? Meu caro? Imagino-lhe a voz aguda a condizer com o ar imberbe. Se for de facto uma mulher é bom que permaneça imberbe. Para seu próprio bem. Não me atrevo agora a mexer-me. Parece haver alguma agitação na sala e não percebo as razões. Passa por mim um sopro de ar frio que vem da porta, porta à qual lanço um olhar. Algo se passa. Descubro rapidamente que já não estou igual. Já não sou invisível. O mundo parece ter recomeçado a girar normalmente. O gobblin chega-se a mim e sem emitir um som, encolhe os ombros. Explico ao que venho. Atrapalho-me na sequência que tinha planeado, a de descrever a chamada telefónica explicando que tinha falado com uma mulher. Talvez tenha sido o gobblin a atender-me o telefone dado que está corado como que apanhado em falta. A outra mulher, no canto oposto da sala continua com o cabelo pendente sobre o trabalho. Ouço-a claramente dizer em tom de comando: "Epicuro, Carta sobre a felicidade, está lá dentro". O gobblin roda sobre os calcanhares e desaparece na sombra de outra sala que se adivinha tão cheia quanto esta. Regressa, estende-me o livro, de novo sem uma única palavra. Da cabeleira pendente sai novo som. "Cinco Euros e quarenta e oito". Estendo o dinheiro, o Gobblin parece contente. Saio. Lá fora há sol e uma carrinha descarrega "O Defunto Elegante" de Luísa Costa Gomes.
Etiquetas
Biografia
Como se visse o invisível
Se há coisa que me deixa absolutamente fora de mim é aquilo a que chamo o Síndrome do Homem Invisível. Já escrevi sobre essa matéria já lá vão alguns anos (agora que falo nisso vou procurar esse texto para o publicar novamente), mas um tipo chegar a um balcão onde estão meia dúzia de funcionários, cumprimentar, receber uma saudação e ficar ali no vazio sem que aparentemente ninguém se preocupe com a minha presença ou queira saber ao que venho, é francamente demais. Hoje cheguei a uma agência bancária e sucedeu-me isso uma vez mais. As pessoas passarinham (i.e. saltam alegremente de um ramo para outro enquanto chilreiam sobre as suas próprias vidas como se o Homem Invisível estivesse do lado de lá e-como-não-o-vemos-não-podemos-atendê-lo). Estive dezoito minutos bem contados à espera que alguém se dignasse perguntar-me o que pretendia, soube que o almoço das pessoas que eram supostas atender-me correu muito bem, que a um deles tinham caído os óculos ao chão e felizmente não se partiram, entre outras trivialidades. Mas hoje experimentei uma técnica nova! Quando no final da espera alguém se dignou prestar-me atenção, fixei os meus olhos num ponto infinito e votei a criatura que estava à minha frente a um penoso silêncio. Chegam sessenta segundos disto e no final perguntei se tinha sido agradável. A criatura corou, provavelmente deu-me razão.
Etiquetas
Cidadania
Dakota Hairdressers

Existem certos e determinados ângulos fotográficos que se tornam deveras enganadores. Um utilizador Apple (ZTX) conseguiu descortinar-me um penteado deveras "moicano" numa fotografia da MacJanta de Arcos de Valdevez. Tomara eu ter cabelo que chegasse para uma crista! É uma ilusão de óptica e as "extensões" pertencem ao meu amigo Miguel Arroz que estava sentado à minha esquerda.
Heróis do Mac, nobre povo

Pode ser muito útil à criatividade dos utilizadores Mac e é ao mesmo tempo uma excelente medida de segurança. A foto é uma cortesia Élcio Chiquinato. Veja o processo de "etching" clicando aqui.
Etiquetas
Apple
23 janeiro 2007
Shaking the tree
É a segunda vez hoje que me mostram produtos com som que me deixaram absolutamente espantado. Uma não posso revelar porque é segredo, mas esta, c'os diabos, ouçam isto bem alto...
Etiquetas
Faits Divers
Boca Juniors versus River Plate
Isto é o que acontece quando um tipo manda fazer tatuagens em locais de difícil visibilidade...
Etiquetas
Faits Divers
Say cheese!
Uma das fotografias que me fez rir hoje, foi esta. Já me sucedeu levar um banho destes e garanto-vos que não é uma experiência que queira repetir...
Etiquetas
Faits Divers
22 janeiro 2007
Tenho saudade da saudade
Tenho saudades do tempo em que antes de rumar a norte todas as rotas se cruzavam no velho café das bombas de combustível do RALIS. Nunca me preocupei em saber-lhe o nome, por ventura minto, que interessa, aquele local funcionava como um farol na boca da barra. "A que horas?", nunca, mas nunca "Onde?". Porque era sempre ali, porque era sempre à entrada da A1. Qualquer um de nós chegava mais cedo, fosse para exorcizar o estremunhado, uns litros de gasolina ou umas libras de ar na pressão dos pneus, finalizados (mete-se uma bucha) com uma sandes de panado e um café amargo "para não nos dar o sono". Deve haver milhares de pessoas que cumpriram este ritual. O café a tabacaria e o posto de combustíveis já não são vetustos, estão grávidos de neons e plásticos refulgentes. A mim, e provavelmente a milhares de outras pessoas viajantes não nos passa pela cabeça comer Big Mac às seis da manhã, embora continuemos a rumar a norte.
Etiquetas
Biografia
Manhãs da 3
Não sei quem é S., não a conheço. Sei que é a companheira de J., apenas isso. Isto é complicado, afinal parece que não sei nada. Minto, sei de uma coisa. Sei que uma entrevista dada a uma rádio me correu bem quando encontro J. casualmente em Lisboa e ele me diz "S. telefonou-me. Perguntou se o Macintosh era mesmo assim tão bom, que agora é que se ia mesmo decidir pela compra de um. É que tinha ouvido um tipo na rádio a dizer muito bem destes computadores". Há dias assim, em que apetece fechar o expediente logo às onze da manhã
21 janeiro 2007
Trava línguas eficaz
Ora aqui está um sistema de aprendizagem de trava línguas que promete ser deveras pedagógico...
Etiquetas
Faits Divers
Até me Benz, Mercedes
Os autarcas portugueses são dos mais fervorosos católicos do mundo. Consta que não assinam nada sem levar um terço.
Etiquetas
Cidadania,
Faits Divers
19 janeiro 2007
Senhor Cónego Tarcísio Alves
O Sr. Cónego Tarcísio Alves, pároco em Castelo de Vide advertiu as suas ovelhas: «Os cristãos que vão votar 'sim' no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas».
Longe de mim colocar em dúvida as convicções do Senhor Cónego, mas ou Deus lhe dá uma ajuda a identificar os infelizes (assim uma seta ao estilo de cursor sobre as suas ímpias cabeças), ou o Senhor Cónego vai (uma vez mais) fazer uma triste figura.
Longe de mim colocar em dúvida as convicções do Senhor Cónego, mas ou Deus lhe dá uma ajuda a identificar os infelizes (assim uma seta ao estilo de cursor sobre as suas ímpias cabeças), ou o Senhor Cónego vai (uma vez mais) fazer uma triste figura.
Etiquetas
Cidadania
Taras e manias
DIscuto com A. um estranho tique que lhe detectei faz algum tempo, o de rodar a chávena de café cheia, ainda antes de lhe ser despejado o açúcar, rodando-a, dizia eu, sobre o pires, o que em algumas vezes provoca um barulho que me irrita terminantemente e me faz lembrar o riscar do giz na antiga ardósia escolar. Percebo que as pessoas que sofrem destes peculiares hábitos se nem apercebam deles e tenho sempre algum cuidado nestas abordagens. A. sorri e acusa o toque lembrando-me uma das minhas mais antigas e inexplicáveis manias, a de não deixar ninguém ler o meu jornal antes que eu próprio o faça porque abomino jornais desalinhados. Embora eu pense que saiba das razões deste estranho hábito, que me valeu já algumas discussões pela hora do café no tradicional momento do "deixas-me ver as gordas?", nunca o consegui ultrapassar (e também porque não quero!). A esta podemos juntar a absoluta necessidade de baixar o volume do auto-rádio (normalmente elevadíssimo), no momento de engatar a marcha atrás.
Etiquetas
Biografia
Evax, ou a revolta dos deuses
Fui submetido há pouco a minutos de uma pressão psicológica bastante fora do comum. Depois de há meses ter aqui feito um post sobre parafusos, chaves de fendas e mulheres, penso que os deuses se vingaram de mim. "Trazes-me uma embalagem de Evax do supermercado?" Sim, claro. Pois quando lá cheguei é que percebi o erro. Com abas? Sem abas? E se for com abas são de que tamanho? Normais, super ou extra? E são "cotton like"? Salvaslip? Odorcontrol? Parfum? Fresh? Meus ricos parafusos sextavados!
Etiquetas
Biografia
Quanto eu não daria...
Só "conheci" a música de Rodrigo Leão por via de um portento musical chamado "Ave Mundi" e já lá vai muito tempo. O álbum Cinema trouxe-o de novo aos meus ouvidos e aqui tem saltitado entre iTunes e iPod. Agora é esta pérola, que dá pelo nome de "Voltar", cujo video pode ser visto aqui.
Etiquetas
Faits Divers
O Direito é a vida dos comuns
Não há imprensa que não tenha tocado neste assunto. A mim, rasga-me a alma a atitude de um Pai (escrevo em maiúscula propositadamente) que decidiu enfrentar a Lei, ainda que esta, e em relação ao crime pelo qual foi julgado possa estar certa, e arcar com as consequências. Uma carta notável, a de um juiz, no caso António Santos Carvalho, juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto que escreveu ao Sargento Luís Matos Gomes.
"Ex.mo Senhor Luís Matos Gomes, muito ilustre Sargento do Exército
Conheço o silêncio terrível das leituras das penas: escrevo-lhe com conhecimento de causa e só agora, porque só agora me disseram este endereço. Mas teria querido estar aí, contra essa mudez, para a romper de imediato, para lhe dizer que as sentenças são para se lutar com elas até ao fim dos recursos. Vai fazer vencimento: a vida, a justiça da vida são inapeláveis e o direito é a vida dos comuns, não as abstracções dos juristas, sejam ou não juízes.
"Não lhe digo se fez bem ou mal: é assunto exclusivo da sua consciência. Mas digo-lhe que os tribunais têm de reconhecer o inocente onde ele está, de convicção. Toda a complexidade e sofisticação jurídica se têm construído, passo a passo da história, por cima das prisões dos resistentes, afinal pelo viver bem de uns com os outros, contra as biologias forçosas, contra as medidas disciplinares primitivas. "A posição que é a sua é de defesa da vida civilizada, de tudo isso que é acrescentado pela convivência humana (e humanitária) ao puro dado da existência. Reconforta-me. Agradeço-lha.
"Com toda a minha estima: António Santos Carvalho, juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto."
Obrigado ao JVC, onde as suas notas pessoais sobre este tema tão difícil poderão ser consultadas.
"Ex.mo Senhor Luís Matos Gomes, muito ilustre Sargento do Exército
Conheço o silêncio terrível das leituras das penas: escrevo-lhe com conhecimento de causa e só agora, porque só agora me disseram este endereço. Mas teria querido estar aí, contra essa mudez, para a romper de imediato, para lhe dizer que as sentenças são para se lutar com elas até ao fim dos recursos. Vai fazer vencimento: a vida, a justiça da vida são inapeláveis e o direito é a vida dos comuns, não as abstracções dos juristas, sejam ou não juízes.
"Não lhe digo se fez bem ou mal: é assunto exclusivo da sua consciência. Mas digo-lhe que os tribunais têm de reconhecer o inocente onde ele está, de convicção. Toda a complexidade e sofisticação jurídica se têm construído, passo a passo da história, por cima das prisões dos resistentes, afinal pelo viver bem de uns com os outros, contra as biologias forçosas, contra as medidas disciplinares primitivas. "A posição que é a sua é de defesa da vida civilizada, de tudo isso que é acrescentado pela convivência humana (e humanitária) ao puro dado da existência. Reconforta-me. Agradeço-lha.
"Com toda a minha estima: António Santos Carvalho, juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto."
Obrigado ao JVC, onde as suas notas pessoais sobre este tema tão difícil poderão ser consultadas.
Etiquetas
Cidadania
Wisdom
"Muito pior que não ter nada para vestir, é não ter ninguém para despir"
Etiquetas
Faits Divers
18 janeiro 2007
Premiar o visitante 70.000

O número de visitantes deste Blog está a aproximar-se dos setenta mil. Vamos premiar esse número com uma prenda. Uma bela T Shirt Apple, no caso uma preciosidade clássica, o famoso modelo "Yum", cuja imagem poderão ver acima. O visitante número 70.000 apenas terá de fazer o favor de me enviar por email (aniceto@mac.com), uma imagem do blog que contenha o contador na referida marca e o seu endereço IP (que pode ser conferido aqui).
Etiquetas
Faits Divers
Coronation Day

D. recebe hoje um diploma que é, para mim e para os seus, uma das maiores alegrias com que já nos brindou e certo estou de que outras se seguirão. Conserve ela o nervo e a garra demonstradas. E como te disse uma vez, se algum dia te vierem dizer que não consegues, ri-te. Ri-te e mostra-lhes como se faz. Parabéns!
Fotografia: António Homem Cardoso, um artista absolutamente extraordinário, que faz o favor de ser meu amigo.
Etiquetas
Biografia
17 janeiro 2007
Adobe Photoshop, Lepe y sus muchachas
Foi o meu amigo Pedro Gor, o castelhano mais português que conheço, que me falou de Lepe pela primeira vez, no dia em que eu tive de converter uma anedota de alentejanos (uma anedota pró-alentejana muito boa por sinal) durante uma convenção Adobe realizada em Barcelona. Lepe está para os espanhóis como o Porto Santo está para os Funchalenses (no caso, ganham o nome de "Profetas"), como os belgas para os franceses e por aí fora. Lepe é alvo das piadas mais torpes e mordazes e de vez em quando é notícia satírica nas páginas dos diários espanhóis. Foi o caso desta semana, em que uma conselheira municipal do PP da cidade, Maria Dolores Jiménez, decidiu posar nua para uma revista no âmbito de uma iniciativa chamada Miss Lepe Urbana. A campanha gerou bastante visibilidade e inclusivamente teve alguma repercussão em Portugal. Mas a verdade é que não se podem deixar os utilizadores de Photoshop "à solta", que eles agarram no software e fazem coisas inimagináveis... No caso, um blog espanhol decidiu dar uma aula sobre níveis de brilho e contraste, usando a foto da autarca...
Etiquetas
Apple
A Maria
Eu conheço mal a Maria (e tinha obrigação de a conhecer melhor), mas a Maria conhece bem André Sardet.
Etiquetas
Biografia
16 janeiro 2007
Nova identidade da DGCI

Com este blog sempre na vanguarda informativa, e na sequência das novas tendências religiosas da Direcção Geral das Cpntribuições e Impostos, eis a nova imagem do fisco português.
Etiquetas
Cidadania,
Faits Divers
É a inteligência, estúpido!
Há dois dias que andava a ver os meus duches interrompidos abruptamente por uma voz a vociferar impropérios. Como não ando a ouvir vozes, cheguei rapidamente à conclusão que era eu mesmo aos gritos e que esses súbitos acessos de mau génio só podiam ser causados por um jorro de água fria proveniente do chuveiro. O mistério do esquentador que não acende foi rapidamente solucionado e identificadas as pilhas do sistema automático de ignição. Fui em busca de um novo par, algures perdidas nas gavetas da mini oficina montada na garagem. Cheio de frio, a pingar, alguns espirros ameaçadores fizeram-me voltar rapidamente para dentro da banheira, para, em absoluto esforço físico acabar a árdua tarefa de me matar de forma violenta, trabalho que não consegui completar. As pilhas que encontrei estavam tão descarregadas como as anteriores e eu só me lembrei disso e da tortura de amanhã precisamente às dez da noite. Felizmente moro numa aldeia que como todas as aldeias têm uma "loja". Foi entrar, navegar entre sacos de ração, coelhos de peluche e pneus de bicicleta e dizer "São duas daquelas ali, das gordas...".
Etiquetas
Cidadania
Cover my back!
Esta só interessa a apaixonados de Macintosh. Uma empresa que produz covers de teclado com personalização de teclas e atalhos de diversas aplicações profissionais. É aqui, na KB Covers.
Etiquetas
Apple
15 janeiro 2007
Infractores
Estou estupefacto! Então como é que querem garantir a carreira profissional de Árbitros, Autarcas, Agentes de Autoridade, Políticos e outras actividades que possam ser tocadas pelo fenómeno da corrupção?
Etiquetas
Cidadania
14 janeiro 2007
Oliveira de Figueira
Cena 1: Um cliente entra na velha mercearia e pergunta se há gás butano para venda. "Não há, quer dizer há uma mas está reservada." O cliente sai, cabisbaixo e frustrado, quem sabe se por ter carregado a pesada botija desde o seu carro. "Era o que faltava! Meta-se no carro e vá à procura. Também... Com o que eu ganho em cada uma... Por acaso até tenho mais mas não me apetece ir lá fora ao frio buscá-las...".
Cena 2: Nuno Inocêncio, piloto português a competir no Lisboa-Dakar, pára a centenas de quilometros de coisa cenhuma na sétima etapa. Tem a bateria completamente morta e a sua viatura não pega de forma alguma. Do meio da tempestade de areia que começa a levantar-se, surgem inacreditavelmente dois marroquinos. "Battery? Car battery for sale?". Inacreditavelmente as duas personagens acenam positivamente com a cabeça. Nuno Inocêncio comprou uma bateria no meio do deserto.
É verdade que não se podia meter no carro e ir à procura...
Cena 2: Nuno Inocêncio, piloto português a competir no Lisboa-Dakar, pára a centenas de quilometros de coisa cenhuma na sétima etapa. Tem a bateria completamente morta e a sua viatura não pega de forma alguma. Do meio da tempestade de areia que começa a levantar-se, surgem inacreditavelmente dois marroquinos. "Battery? Car battery for sale?". Inacreditavelmente as duas personagens acenam positivamente com a cabeça. Nuno Inocêncio comprou uma bateria no meio do deserto.
É verdade que não se podia meter no carro e ir à procura...
Etiquetas
Faits Divers
12 janeiro 2007
Carlos Sousa
Fonte de absoluta confiança garantiu-me que as últimas palavras que Andy Schulz escutou antes de Carlos Sousa o deixar apeado em pleno deserto, foram "Até já!"
Etiquetas
Faits Divers
11 janeiro 2007
10 janeiro 2007
Deo Gratias
Paulo Macedo, o homem do leme da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, mandou rezar uma missa de Acção de Graças pelos funcionários da Instituição. Eu tive de ler três vezes para acreditar...
Etiquetas
Cidadania
09 janeiro 2007
Roam-se de inveja!

Um leitor deste blog, ofereceu-me, (sim, ofereceu-me) um Bugatti Veyron! E uma outra prenda, um tinto que obteve um décimo quarto lugar na Feira de Vinho e Fumeiro de Kartum! :) Aliás, o cartaz que acompanhava este vinho merecia um post só para ele... Abraço, Daniel!
Etiquetas
Faits Divers
Mestra Luziara
Entalado no meu portão, encontrei um pequeno cartão de visita de uma vidente. "Médiu vidente Espiristista Umbanda Mestra Luziara". Mais à frente, caída no passeio, uma nota de 5 Euros. Não sei se é um sinal dos espíritos, mas por via das dúvidas fui beber café...
Etiquetas
Biografia,
Faits Divers
Olivença
Sigo com algum carinho distante a eterna demanda da posse territorial de Olivença, um território português sob administração/ocupação espanhola desde tempos imemoriais. Portugal e Espanha evitam tocar no assuno ou se o fazem é com pinças e um grupo de românticos tenta por todos os meios que o assunto não seja enterrado na poeira dos tempos. Agora é o Município do Cadaval que decidiu geminar-se com Olivença que me causa alguma perplexidade. Não que isso signifique, a meu ver, nenhuma concessão a Espanha, mas que é original, lá isso é...
Etiquetas
Cidadania
08 janeiro 2007
Ground Control to Major Tom
C. é, oficialmente o tolinho da aldeia. Relapso ao trabalho em alta escala, tem trinta e alguns anos mas não parece, conservado que está em malte e lúpulo, parece ter idade para possuir o juízo que nunca teve. Prometeu emendar-se, alterou alguns poucos hábitos e mudou de vocabulário, passando a tecer algumas frases que os seus companheiros de vida levam bastante tempo a decifrar, tal a complexidade do léxico. Esta semana, a obra onde C. trabalha como servente foi alvo de uma inspecção do Ministério do Trabalho. Os empreiteiros conhecem-no e usam-no até à exaustão nas respostas aos inspectores. O tempo que C. leva a elaborar uma resposta simples é mais do que suficiente para evacuar da obra um pelotão de emigrantes ilegais e levá-los a casa se preciso fosse. Usaram a técnica novamente esta semana mas não contaram com a nova atitude de C. perante a sociedade. À segunda questão, a batida "Quais são as suas habilitações literárias?", C. coçou a cabeça e disparou orgulhosamente um "Solteirinho da Silva!".
Etiquetas
Biografia
07 janeiro 2007
06 janeiro 2007
05 janeiro 2007
Dizem as velhas na praia, que não voltas
Não fosse o trágico episódio que originou este assumir de responsabilidade, eu era homem para promover o Almirante Melo Gomes. Se bem me lembro, a última vez que vi isto foi depois do desastre de Entre-os-Rios. E sim, continuo a perguntar-me quantos helicópteros Search and Rescue se poderiam comprar em vez da trampa dos submarinos.
Etiquetas
Cidadania
Não fui eu que disse
"A imprensa de distribuição gratuita está bem e recomenda-se." Não fui eu que disse, foi o Pacheco Pereira, não vá algum dos meus leitores pensar que eu enlouqueci...
Etiquetas
Faits Divers
Hugo Filipe
Fiquei impressionado com este homem que há dias conheci numa peça jornalistica da SIC. Apesar da deficiência visual, continua o seu trabalho de mecânico de competição, tendo a seu cargo a preparação técnica de três equipas privadas que partirão amanhã para mais um Lisboa-Dakar. Mais impressionado fiquei quando o vi montar uma transmissão num Defender como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Lembro-me de ter pensado que o papel do seu filho era fundamental, já que sem o incentivo dele jamais teria prosseguido a profissão de mecânico. Aliás, o filho confessava que o pai era uma peça fundamental na equipa e que tinha inclusivamente pena que não quisesse acompanhar a caravana. Hugo Filipe, o homem que eu só conheci pela televisão, morreu subitamente esta noite devido a um problema cardíaco.
Etiquetas
Faits Divers
Só se lembra dos caminhos velhos
Fui, há poucochinho, literalmente assaltado por um grupo de quarenta ruidosos miúdos que me cantaram as Janeiras à porta de casa. Senti uma certa nostalgia de outros tempos, e de outras idades. É mesmo, só se lembra dos caminhos velhos quem tem saudades da terra.
Etiquetas
Biografia
04 janeiro 2007
Santos da casa
"Um homem de apelido Santos caiu ao mar na zona do Triângulo das Bermudas a trezentas milhas a sudeste de Antígua. Vestia calças vermelhas", dizia o jornalista de serviço ao enlatado noticioso da manhã de hoje, É, vou estar atento aqui ao Tejo a ver se vejo um cadáver com calças vermelhas boiando nas matinais marés. É aborrecido ele não me confirmar se se chama Santos caso o encontre. Mas não há pressa, com sorte o corpo levará três anos a chegar à Europa.
Etiquetas
Faits Divers
02 janeiro 2007
National Geographic
"Calorias são pequenos animais que vivem nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas."
Etiquetas
Faits Divers
01 janeiro 2007
Parker, o adeus
Querida Parker,
Esta não é uma carta normal, pelo menos tão normal como foram todas aqueles milhares delas que me ajudaste a escrever. Conhecemo-nos há anos, há muitos anos, há demasiado tempo para que me despeça assim de ti, por uma carta. Se bem te lembras entraste na minha vida no dia do exame da Quarta Classe. eu nervoso sem saber muito bem como te irias portar durante aquela hora de agonia, sem saber se devia ou não ter levado um frasco de tinta azul para te dar de beber caso tivesses sede. A verdade é que te portaste bem, eu também não me dei mal na conta do recado, e da angústia que tive só me restaram uns vincos no indicador direito e uma mancha azul, quem sabe se te ter apertado com demasiada força. Nada que um bocadinho de lixívia e pedra-pomes não tivesse apagado.
Vou abandonar-te. Sinto-me traído. É verdade que levei trinta e três anos saber da realidade das coisas mas não se esquece de um dia para o outro a companhia de meia vida, ainda que durante todo esse tempo te tenhas disfarçado de várias cores e formas, de tipos e modelos, da primeira 51 à 75, das Rollerball do liceu à última Frontier, passando pelo menos por uma dúzia de modelos cujo nome nunca fixei. A verdade é que tens perdido qualidades com o passar do tempo.
E não é por teres perdido essas qualidades que te deixo, que devemos aprender a viver com os defeitos dos outros pela vida fora, mas na verdade estás a tornar-te uma amante cada vez mais cara. Senão repara: Nos últimos seis meses comprei-te quatro cargas Rollerball (que não estão nada baratas!), cujo destino foi o caixote do lixo! Rebentam, explodem, sujam tudo à sua volta. E não é apenas esta tendência depressiva que me irrita e incomoda, é também o custo acumulado e a minha cara de parvo quando tenho de fazer quilómetros para voltar ao local da compra de dizer "Olhe, comprei isto aqui ontem mas hoje está toda rebentada...". É também o tempo que perco com frascos de álcool a tentar minorar os estragos. É a paciência que me falta para lá voltar pela terceira ou quarta vez e contar a mesma história (não és só tu que tens perdido faculdades...).
Estou disposto a perdoar-te as roupas estragadas com cargas que rebentaste por puro mau génio dentro das canetas. Estou até na disposição de não me voltar a lembrar do dia em que decidiste fazer-me uma cena (negra) em cima de um teclado imaculadamente branco. Não voltarei a falar do dia em que ias dando cabo da máquina do Totoloto cá da rua por teres esborratado com tinta negra um dos seus delicados sensores. (O dono da máquina ainda hoje me olha de lado).
Isto é algo que só o tempo resolverá. Se isto é uma questão pessoal e decidiste explodir dentro do teu ainda formoso corpo, que sejas feliz com outro qualquer cliente Parker, por mim chega! Agradeço-te não obstante os maravilhosos anos que vivemos juntos, dos sonhos que acalentámos e dos planos que, literalmente riscámos. Acabou. Eu não posso passar o resto da minha vida a correr para os braços de uma qualquer BIC cristal por te negares a cumprir a tua missão. Posso estar velho, mas ainda vou escrevendo umas linhas...
Adeus Parker, até sempre. Assinaria se pudesse...
Esta não é uma carta normal, pelo menos tão normal como foram todas aqueles milhares delas que me ajudaste a escrever. Conhecemo-nos há anos, há muitos anos, há demasiado tempo para que me despeça assim de ti, por uma carta. Se bem te lembras entraste na minha vida no dia do exame da Quarta Classe. eu nervoso sem saber muito bem como te irias portar durante aquela hora de agonia, sem saber se devia ou não ter levado um frasco de tinta azul para te dar de beber caso tivesses sede. A verdade é que te portaste bem, eu também não me dei mal na conta do recado, e da angústia que tive só me restaram uns vincos no indicador direito e uma mancha azul, quem sabe se te ter apertado com demasiada força. Nada que um bocadinho de lixívia e pedra-pomes não tivesse apagado.
Vou abandonar-te. Sinto-me traído. É verdade que levei trinta e três anos saber da realidade das coisas mas não se esquece de um dia para o outro a companhia de meia vida, ainda que durante todo esse tempo te tenhas disfarçado de várias cores e formas, de tipos e modelos, da primeira 51 à 75, das Rollerball do liceu à última Frontier, passando pelo menos por uma dúzia de modelos cujo nome nunca fixei. A verdade é que tens perdido qualidades com o passar do tempo.
E não é por teres perdido essas qualidades que te deixo, que devemos aprender a viver com os defeitos dos outros pela vida fora, mas na verdade estás a tornar-te uma amante cada vez mais cara. Senão repara: Nos últimos seis meses comprei-te quatro cargas Rollerball (que não estão nada baratas!), cujo destino foi o caixote do lixo! Rebentam, explodem, sujam tudo à sua volta. E não é apenas esta tendência depressiva que me irrita e incomoda, é também o custo acumulado e a minha cara de parvo quando tenho de fazer quilómetros para voltar ao local da compra de dizer "Olhe, comprei isto aqui ontem mas hoje está toda rebentada...". É também o tempo que perco com frascos de álcool a tentar minorar os estragos. É a paciência que me falta para lá voltar pela terceira ou quarta vez e contar a mesma história (não és só tu que tens perdido faculdades...).
Estou disposto a perdoar-te as roupas estragadas com cargas que rebentaste por puro mau génio dentro das canetas. Estou até na disposição de não me voltar a lembrar do dia em que decidiste fazer-me uma cena (negra) em cima de um teclado imaculadamente branco. Não voltarei a falar do dia em que ias dando cabo da máquina do Totoloto cá da rua por teres esborratado com tinta negra um dos seus delicados sensores. (O dono da máquina ainda hoje me olha de lado).
Isto é algo que só o tempo resolverá. Se isto é uma questão pessoal e decidiste explodir dentro do teu ainda formoso corpo, que sejas feliz com outro qualquer cliente Parker, por mim chega! Agradeço-te não obstante os maravilhosos anos que vivemos juntos, dos sonhos que acalentámos e dos planos que, literalmente riscámos. Acabou. Eu não posso passar o resto da minha vida a correr para os braços de uma qualquer BIC cristal por te negares a cumprir a tua missão. Posso estar velho, mas ainda vou escrevendo umas linhas...
Adeus Parker, até sempre. Assinaria se pudesse...
Etiquetas
Biografia
Tende Misericórdia (Se não for feriado!)
Tive um cliente em tempos que acabado o expediente se dirigia a uma zona do escritório, e depois de todo o pessoal ter saído, e desligava criteriosamente alguns disjuntores eléctricos. Eu achava aquela operação tão peculiar que um dia lhe perguntei das razões de tamanha preocupação. "As máquinas ficam a gastar energia! Se não sou eu a desligá-las, ninguém as desliga...". Sendo um escritório com métodos absolutamente artesanais, onde tudo se fazia manualmente, houve que derrubar algumas barreiras de mentalidade antes de se instalar uma autêntica revolução informática. Para que tenham uma pálida ideia, o Departamento de Facturação, que produzia todos os dias largas centenas de facturas todas dactilografadas em duas belas máquinas de escrever Olivetti, accionadas por duas diligentes funcionárias (chamava-lhes as Rainhas do Radex), foram substituídas por um pequeno computador pessoal cuja vigilância eléctrica estava a cargo do referido cliente. Sempre que se ausentavam do seu posto, e caso ele passasse pelo local, a máquina era de imediato desligada (primeiro à bruta, puxando pelo cabo) "Parece impossível uma máquina tão cara e não tem um interruptor", e depois de lhe explicadas as desvantagens, cumprindo o correcto procedimento. Foram anos de evolução informática, chegaram a ter uma rede local com doze postos, cheguei a julgar que o senhor iria enlouquecer a fazer a ronda dos terminais mas lá fomos evoluindo. Até ao dia em que a sua vasta rede de vendas exigiu a carga remota das espantosas avalanches de encomendas que essa mesma rede comercial produzia. Com a Internet no seu início, optei por sugerir uma solução deveras avançada para a época, com um servidor centralizando a recolha de dados dos quarenta e dois vendedores que cobriam todo o país, evitando-lhes a "peregrinação" semanal a Lisboa e evitando que as Ilhas tivessem constantemnete problemas com o extravio de correio através do qual as encomendas chegavam a Lisboa. Embora tecnologicamente "cego", o Sr. S. tinha uma espantosa confiança nas novas tecnologias e não demorou a aceitar a experiência (tudo naquele santo escritório passava por um período experimental). Na primeira reunião geral que promovi para o balanço e afinação do sistema que continuava a decorrer em paralelo com o processo manual, o feed back dos vendedores foi absolutamente catastrófico."Só consegui meter as encomendas no primeiro dia!" ou "O melhor é esquecer isto, não consigo sequer começar a lançar os pedidos...". Fiquei estarrecido e "acampei" na empresa durante o tempo necessário para perceber o que estava a obstruir os meus esforços. Percebi rapidamente. O Sr.S. circulava pelo escritório e desligava tudo o que fosse máquina que não tivesse uma pessoa sentada à frente, deixando o servidor inactivo. Faz anos que não sei do Sr.S. mas estou convicto de que está a trabalhar no Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórida. Um sistema de apostas online, que devia trabalhar vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, algo que custou milhões, é criteriosamente desligado aos Feriados e aos dias da semana depois da meia noite até às dez horas do dia seguinte...
Etiquetas
Biografia
Job for the boy
"Pá, vou estagiar durante uns meses numa fábrica de caixilharia de alumínio. O que é que dizes?" , disse-me F. assim de repente e sem qualquer pré-aviso. Fiquei sem palavras, a bem dizer sem ar. Isso é uma piada, certo? Não era, F. está decidido a rasgar os horizontes do mundo da caixilharia de alumínio e não me parece que vá haver quem o consiga impedir. Respirei fundo. Na verdade eu não me costumo opor aos desejos profissionais de quem quer que seja com quem fale e mesmo que o fizesse, mais complicado se torna quando essa pessoa tem setenta e sete anos e é meu pai...
Etiquetas
Biografia
Subscrever:
Mensagens (Atom)











