31 julho 2007

Jean Nicot, I presume?

Fruto das minhas tentativas de me libertar do vício do tabaco, os meus níveis de nicotina andam tão baixinhos que me tornam uma criatura irritada, a reagir à mais leve provocação. Já me tinha apercebido disso no início da semana, mas só tive a certeza de que estou a trilhar um caminho perigoso quando hoje, numa fiscalização de trânsito, perguntei a um Polícia Municipal se queria reformular a questão que me colocara "mas sem ser em forma de pergunta parva"...

On islands (Take II)

R. está aborrecido. Não tem luz na cozinha, uma vez que as duas lâmpadas fluorescentes se apagaram definitivamente. "Não tenho a certeza de que seja das lâmpadas, pá!". Ai não? Pois pode não ser, de facto. Mas porque é que dizes isso? "É porque estive aqui a espreitar por uma das pontas das lâmpadas e não vejo nenhum filamento partido...".

On islands

"Pedro! O V. pediu-me que te desse um recado, que não pode almoçar contigo no Sábado, porque a tripulação foi requisitada para seguir de urgência para as Caraíbas...". Achei estranho. V. é comandante com credenciais oceânicas de um rebocador sedeado no Tejo e embora seja normal ser requisitado com urgência para operações de salvamento, raramente opera fora da Zona Económica Exclusiva de Portugal, o que em termos práticos quer dizer Açores e pouco mais. "Caraíbas?" Perguntei eu, incrédulo. "Sim! Sim! Aquilo lá está tudo a arder e o navio dele tem canhões de água". Olha lá, não será para as Canárias? Nas Canárias é que aquilo está cheio de fogos. "É isso! Canárias!, mas é perto das Caraíbas, não é?". É, disse-lhe eu, mais ou menos, enquanto mergulhava o nariz na chávena de café e se me desvaneciam nos ouvidos os últimos acordes de Merengue.

28 julho 2007

Crítica literária

Dedico dez minutos ao exame do Top de Vendas da Bertrand. Eu, que em tempos idos já "fabriquei" muitos Tops de vendas (Oh Manel, o que é que está encalhado hoje?), é que os topo. Alexandra Solnado a vender mais que Fernando Póvoas? Há mais gente a querer ser enganada do que a querer emagrecer?
"Oh Manel, o que é que está encalhado hoje?"

Rabo escondido com o gato de fora


"Melão Verde, Origem: Portugal", dizia a placa amarela no meio da enorme pilha de melões no Hipermercado Carrefour. Deve ser... Quando olho para a etiqueta percebo logo como é portuguesa a origem. Ide "adreimadrab" mais eles, sim?

O luto da morcela

Morcelas. Dificilmente conseguiria explicar em pormenor o que eu gosto de morcelas. Sujeitando-me até a ser alvo de uma Fatwa, atrevo-me a dizer que a paz no mundo podia perfeitamente ser alcançada à volta de uma morcela com grelos... (Sim, Maria de Lourdes, vê lá tu, com grelos!). Cozidas, assadas, fritas, de arroz ou de outros géneros, tenho sempre um buraquinho extra para uma rodelinha de enchido. Sem desprimor de outros subprodutos porcinos, a morcela é a prima-donna do meu colesterol. Mas estou de luto em relação às morcelas. O meu principal fornecedor, que me proporcionou momentos de lambarice a que nenhum outro conseguiu tocar os calcanhares, viu a sua fábrica fechada pela ASAE...

27 julho 2007

O caçador de pérolas

O caçador de pérolas

O caçador de pérolas

O caçador de pérolas


Neste texto existe uma preciosidade que tenho até pena que possa passar sem ser notada. Falo da "trouxe mais uma racha para a fogueira"...

O caçador de pérolas

O caçador de pérolas

O caçador de pérolas

O Pintor de Letreiros

Escreveu-me o Acácio Jeremias, queixando-se que tinha perdido trinta minutos à procura, dentro deste blog, de um texto meu, já algo antigo, "sobre um gajo que pintava placas". O texto, que nunca esteve neste blog, intitula-se "O Pintor de Letreiros" e foi uma crónica publicada no iClub há já alguns anos. Desse texto, fez o Luís "Estúdio Raposa" Gaspar, uma gravação, incluída no Podcast "Lugar aos outros". O texto fica abaixo, e o áudio pode ser descarregado aqui. Permita-me apenas uma sugestão: Ouça a gravação do Luís Gaspar, que deu a este texto uma vida que ele nunca teve, e depois, se ainda achar necessário, leia então o texto.

Pintor de letreiros. Era assim que designava a sua própria profissão desde que o pai o deixara iniciar-se na, por vezes, tão pouco apreciada arte dos pincéis e das letras. Mais tarde, por força de uma inspecção fiscal, passaria a identificar-se nos recibos como "Publicista", mas apenas por força das multas e coimas que levou anos a pagar. Eram já 60 anos de letras, um Curso de Letras como chalaceava com amigos e clientes quando, em amena cavaqueira recapitulava as lides de uma vida feita de cores ora garridas, ora sóbrias, ora ainda de meias tintas quando o trabalho assim o exigia. Solteirão empedernido por escolha de outras ou pela falta delas, as outras e as escolhas, capaz de imaginar soluções artísticas para poemas de amor pintados (sempre pintados), dizia-se ainda "capaz de molhar o pincel" em obra alheia, que isso lhe chegava, dizia ele, para "desenferrujar a trincha". Uma vida feita de letreiros que meio país via aqui e ali, fossem eles feitos à torreira do sol pelo andaime encostado à empena, ou no escuro de uma cave sombria de um "Bar Dancing". Letras, muitas letras, muito risco traçado em paredes a quem, ao contrário do fado, sempre foi confessando algumas coisas. Restaurantes, Bares, Drogarias, Capelistas, Adegas, Mercearias e até uma Igreja, meros exemplos de uma miríade de pequenos anúncios que só a sua memória prodigiosa arquivara. Capaz de recordar uma rosa traçada há cinquenta anos na esquina da 24 de Julho com a Vieira da Silva, ou o sorriso trocista de um Jolly Jumper na casa de alterne da Mouraria. Capaz de recordar a rapidez com que escrevia "Snake Bar" quando lhe explicaram que não era assim, que não era "Snake", e que havia agora que redimensionar a palavra para a grafia correcta, gesto que fazia de uma só penada, 3 riscos, o lápis sacado de trás da orelha e um "Snack" que nascia, com ésses floreados e um risco no meio da curva contra-curva, capaz de identificar o autor da obra entre os poucos mestres da arte que ainda sobravam no mercado.

Fora grande. Muito grande. Até fora a Espanha desenhar sobre as paredes brancas da escadaria de um infantário um imenso comboio a quem chamaram Maria Vanilla. Obra grande, obra enorme, no tempo e no gasto, a fazê-lo subir e descer os degraus sem fim, primeiro por necessidade, depois por desejo, que as educadoras chegavam-se à balaustrada para o ver trabalhar e escapavam-lhe os olhos para as pernas torneadas ou para uma liga mais descuidada. Teve de trabalhar à noite, "quando não, o comboio nunca mais chegava" e as dores no pescoço e noutras partes não paravam de o atormentar. Trouxe de Espanha um molho de notas e uma doença venérea, sendo que as notas desapareceram muitíssimo mais depressa que a comichão. Sobrevieram crises, governos cairam sendo que alguns nunca se levantaram, ele sabia que os tempos não eram fáceis quando as encomendas de letreiros "Vende-se pela urgência" eram mais do que a capacidade dos seus dedos em pintá-los. Anos houve em que decidiu produzir em massa este tipo de peças, anos houve em que pintou cinco sem nunca conseguir armazenar nenhum, sempre eram 5 contos em meia dúzia de pinceladas a azul moiré como dizia na lata. Azuis são azuis, claros ou escuros, paneleirices de quem faz tintas, se tivessem de pagar a alguém o que escrevem nas latas viam logo que azul sozinho era muito mais barato. Sobrevieram ataques à arte. Primeiro anúncios luminosos. Letras retorcidas num tubo de vidro com luz que nunca compreendeu e que perante as quais se sentia demasiado velho para tentar perceber. E muito menos o conseguia quando lhe diziam que valia a pena comprá-los que a luz chama os clientes. "Oh, se a Luz chamasse os clientes o Estádio estava sempre à cunha" e todos nós, infelizmente sabemos que nem sempre assim é, para gáudio de outros azuis. A verdade é que chamavam, a verdade é, desenhadinha aqui mesmo nesta folha, que os clientes pagavam dez vezes mais sem refilar por um "Adega do Marcelino" em roxo fluorescente do que por um arabesco e um A capitulado. E nunca percebeu porquê, que a lindeza de um A capitulado não se comparará nunca a uma curva de vidro manhoso, capaz de se partir se se ler com muita força.

Mais tarde foram os cafés a abandoná-lo. Toldos de plástico com letrinhas muito bem desenhadas, sempre a branco que aqueles gajos não conhecem outra cor. Até lhe custou a acreditar que alguém conseguisse pintar linhas tão certinhas, que com 50 anos de riscos apostaria um braço que era quase impossível mesmo que usasse fitas. E lembrava com saudade o dia em que pintara uma linha finíssima sobre o negro do alcatrão da estrada da vila, com quatro singelas letras brancas e nenhuma ficara tão perfeita como estas que agora via no toldo do supermercado. Também nunca Joaquim Agostinho haveria de cruzar de bicicleta as finas letras do toldo, levando agarrado às rodas umas manchas brancas de tinta aguada, nem o povo em correria haveria de espezinhar (sem querer, claro) a palavra META, criteriosamente desenhada ao sabor das lombas do alcatrão. Explicaram-lhe que as letras certinhas não eram pintadas, eram cortadas em plástico fino e colante. Máquinas que faziam sozinhas o trabalho de dez homens que podiam bem passar o tempo de descaricar uma sameira a uma Sagres média por homem e não dava tempo nem para mais uma Mini... Foram momentos difíceis, muito difíceis, com o trabalho cada vez mais escasso e a falta de vista a aumentar. Faltava-lhe a vista e a paciência. Sobretudo quando percebeu que os clientes começavam a pedir-lhe tarefas demasiado complicadas. Traziam letras diferentes das que sempre fizera. Chamavam-lhes nomes esquisitos. Chamavam-lhes "fontes", disparates, que fontes são sítios onde se vai à água e letras só há duas, as minhas e as da motoreta que o Banco me faz pagar todos os meses.

A verdade é que a corrida estava perdida. A verdade é que até o neto chegava ao computador e o desafiava para fazer letras tão bonitas como aquelas. Sem o reconhecer, aceitava-o. Sem o saber, o neto desenhava o destino do avô. Passava meses sem pintar uma vírgula que fosse, e se ele gostava de vírgulas, era altura em que puxava o corpo atrás e apreciava o trabalho, a altura em que do bolso das calças saía o lenço para primeiro limpar da testa o suor e depois corrigir alguma imperfeição que pingasse descuidada. A vida deixara de fazer sentido e todos os dias se convencia disso um pedacinho mais. Alguém lhe telefonara para o café do lado com uma encomenda. Nem isso hoje o animara, que acordara tão sombrio como o tempo e nem uma festa ao gato fizera. Luís Zorro - Fábrica de Calçado. Esta era das fáceis, ainda por cima para pintar em vidro, coisa de que também sempre gostara, mas que não era para todos, é fácil um homem distrair-se a ver a vida ao contrário. Assim sendo o melhor era começar já, que depois vai-se embora o sol e já lhe custará mais. Assentou delicadamente a placa de vidro em cima da bancada e traçou as primeiras linhas. Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Procurou no fundo de um caixote de plástico uma corda grossa que em tempos o ajudara a subir e descer andaimes. Atirou-a ao ar e ela passou certinha no local escolhido. Deu a laçada que tudo resolveria e experimentou o nó. Espreitou uma última vez a luz que inundava a bancada pela janela pequenina do sótão. Desceu as escadas e pintou uma placa sublime, talvez a mais bonita de sempre, pelo menos assim lhe parecia que não é fácil escolher-se um filho favorito. Não tinha o Z ao contrário, é importante. Subiu a escada sem esforço e de corda ao pescoço deixou-se cair.

Responda quem souber e não se negue

Por que razão é tão fácil comer melão num restaurante nacional e, que me lembre, jamais me foi disponibilizada melancia?

Marketing emocional


Chama-se Go Up Engenharia de Sistemas de Exposição e Sinalética e foi a empresa que concebeu uma peça de marketing a quem ninguém podia ficar indiferente, peça essa que foi devidamente documentada aqui. Hoje, numa altura em que as operações de Marketing abrandam (et pour cause), a Go Up fez novo envio, não menos emocional e apropriado. Baixo custo, mas não menos efectivo em termos de memória.

Eu gosto é do Verão

"Estou ausente até dia 8 de Agosto, em caso de necessitar de tratar de qualquer assunto, envie a sua mensagem para o endereço do Help-Desk", dizia o email que recebi como resposta automática. Alô? E que tal dizer o endereço do Help-Desk? Já era uma boa ajuda...

Só no capítulo "Auto-Reply" há material para se fazer um blog inteiro com actualizações diárias. Uma vez que agora começa a época do "Silly Reply", trarei aqui algumas das preciosidades recebidas.

"I'm out of the office until mid August. I'll be back to you when I return."

"Responderei assim que tenha acesso à net."

26 julho 2007

Oi Miguxa!

Está um bocado perdido com estas coisas do "Miguxês"? Não esteja! Já há um tradutor online Português - Miguxês!

Dúvidas

Será que devo participar à Maria José Morgado a corrupção que grassa na minha pasta de fonts?

Em que campo está a concentração?

Toma, lê isto, deve ser um dos textos mais engraçados que já li do Ricardo Araújo Pereira. A página da revista tem três colunas mal preenchidas. "Posso ficar com a revista?" Não, não podes, era só para leres isto. "Ah, mas tenho de levar para casa...", Fiquei intrigado. "Sim, essas coisas grandes tenho de me concentrar para ler com atenção." Fiquei danado. "Conheces outra forma de ler que não seja com atenção? "Sim, claro, há duas maneiras de ler, há ler e perceber, compreender, percebes?". Percebo. Perfeitamente.

Relva 1.0


Não sei desenhar. Quer dizer, toda e qualquer veleidade que eu pudesse ter sobre matéria de desenho se esboroa quando encontro alguém que me mostra o seu trabalho e me mostra que, efectivamente, eu não sei desenhar. Tenho uma profunda admiração pelo trabalho de ilustradores, que por força do que faço e da plataforma com que trabalho, parecem nascer todos os dias, como cogumelos. Hoje encontrei outra dessas pessoas cujo traço e trabalho me fazem suspirar e pensar que de facto eu gostaria de saber o que eles sabem, riscar o que eles riscam, traçar como eles traçam. Conheçam o "Relva 1.0", mais do que uma aplicação informática, uma prancha de Alexandre Gaspar, que amavelmente autorizou a sua publicação e descarga, aqui.

25 julho 2007

Simão Sabrosa


Telefonou-me no Verão de 2004, em pleno estágio da Selecção Nacional a pedir-me um favor que implicava uma deslocação minha ao Centro de Estágio de Alcochete. Quando pensei que me iria debater com uma vedeta chata e arrogante, cheia de manias e tiques, falei com uma pessoa educada e acima de tudo preocupada por me estar a incomodar pedindo-me muitas vezes desculpa por me fazer sair de casa para dar uma ajuda colectiva a várias maleitas informáticas, suas e de vários companheiros de equipa. Voltámos a encontrar-nos por diversas vezes, nem sempre para trabalho, e em cada vez que isso sucedeu aprendi a reconhecer-lhe o respeito que sentia pelo facto de ser capitão do Sport Lisboa e Benfica, o "grande" capitão como passei a tratá-lo. Na única vez que partilhámos um lugar nas bancadas da Luz (estava castigado por um jogo), todos os presentes percebemos como estava aborrecido por não estar lá dentro e todos aprendemos uma grande lição no momento em que Beto dava uma enorme fífia no relvado e Simão Sabrosa nos fez tirar das faces o sorriso amarelo, defendendo o companheiro, dizendo-nos que a falha de um é sempre a falha de todos. O "grande capitão" parte agora para outra etapa da sua vida profissional e desejo-lhe a melhor das sortes. Mas temos pena. Temos mesmo muita pena.

Descubra as diferenças



Bons chefes de família

24 julho 2007

Arraiolos on my mind


No dia em que as tecedeiras de Arraiolos passarem a fazer uns joguinhos nas pausas do trabalho, nada voltará a ser como dantes. Capturado no Ludologia, com a devida vénia.

E não há quem ponha mão nisto?

Irrita-me a imbecilidade, tira-me do sério, faz-me praguejar (mas isso até alivia...), a estupidez funcional de sistemas que toda a gente sabe que não funcionam mas que assim permanecem meses a fio, anos até. Parecemos um país de cegos nas camadas superiores e um imenso rebanho de ovelhas nas camadas logo abaixo destas. Há uma estação da Fertagus (Coina) em que há dois locais onde se pode adquirir um bilhete de estacionamento. Na casinha do estacionamento propriamente dito e na bilheteira da estação. Parece simples. Devia ser simples. Mas estamos em Portugal e há uma notória diferença entre os dois locais, coisa de somenos, detalhes, minudências da superior inteligência que desenha estas estranhas formas de vida. Dizia eu, há uma diferença básica entre os dois bilhetes do estacionamento. Um, o da casinha do estacionamento, permite que a cancela abra automaticamente quando o bilhete é introduzido na ranhura e o da bilheteira da estação NÃO! A ovelha, eu neste caso, chega lãzuda à cancela, enfia o bilhete na ranhura e a porra da máquina não o aceita, invocando um erro de leitura. É assim há DOIS MESES, caro pastor! Hoje, cansado, suado, e farto deste rebanho de triste figura, decidi pedir explicações. Explicações sobre o facto de ter obrigatoriamente de entupir a via de saída para sair do carro, fechá-lo, ir à casinha do estacionamento (era suposto não ter de fazer absolutamente mais nada senão ir à minha vidinha...), pedir (por favor, eu peço sempre por favor) que me emitam uma merda de um bilhete de saída novo, voltar ao carro, abri-lo, baixar o vidro, enfiar o cartão na ranhura e sair. Claro está que hoje não esperava milagres. Reconheci imediatamente nas pobres almas a quem expus a minha razoável fúria, irmãos de lana caprina tal qual eu me sinto. Iria jurar que quase lhes ouvi os balidos, aqui e ali um engate de um sonoro Mé-é-é! Claro está que ninguém sabe os porquês, só sabem que lhes dá mais trabalho, que por vezes têm de abandonar o posto para ir à cancela, abrir a portinhola cuja tampa já nem fechada à chave está, ouvir os impropérios de pessoas que tudo o que querem é fugir dali, depois de terem pago um serviço que deveria simplificar e só complica. Talvez me atreva a sugerir um incentivo a quem decide estas coisas dos sistemas de informação. Aquilo não é cálculo balístico, dependente dos humores dos deuses e dos ventos ou das temperaturas. Aquilo é uma cancela que reage a informação numa banda magnética. Corrijam-na, no caso dos bilhetes da estação. Ofereçam um incentivo ao técnico responsável, tipo, "Ou pões esta merda a trabalhar decentemente ou és despedido!". Costuma funcionar relativamente bem. Tal e qual como nos rebanhos de ovelhas, há poucas coisas que um cajado bem manejado não consiga resolver.

Nyman em Almodôvar


Trespassada a porta da casa de banho da área de serviço da Auto Estrada, e quando um homem por ela adentra pressionado por compulsões fisiológicas - principalmente nesses casos - não há tempos para a poesia, para o romance ou para a arte. Não há tempo para a fruição do espaço, muito menos da eventual companhia e era, garanto-vos, coisa que não faltava num Sábado de manhã com meio país a voar para sul, num dia de ar abafado ao qual podem adicionar a claustrofobia dos secadores de mãos em pleno funcionamento. Quando o espaço é uma casa de banho partilhada por múltiplos seres, personagens efémeros dos nossos episódios rodoviários e se tem apenas um objectivo em mente, não se poderá nunca pedir a um cérebro que registe para a eventual utilização em memória futura do que quer que seja, por menor que seja a pinga, ironia implícita, o fotograma, o som ou o sentimento. Todos os presentes estão ali com dois objectivos, o alívio, o alívio, não sei se já disse, o alívio e pisgarem-se, escapulirem-se, darem às de Vila-Diogo (um dia falaremos disto, tá?) dali para fora, Por isso, só e apenas quando chegou a minha vez de dar vazão ao meu problema mais premente, e quando fazemos, os meninos, aquele ar de esgazeamento físico, mistura de prazer e sofrimento em que os humanos se tentam alhear do mundo e dos seus companheiros de parto líquido, foi aí, foi algures por aí que recuperei o tino e o sentido do mundo.

Éramos quatro, podíamos ter sido cinco se acaso aprouvera à equipa da manutenção a libertação do quinto vaso branco que estava vestido de negro e tinha ao pescoço uma tabuleta manuscrita que informava estar aquele alvo buraco fora de serviço, apertem-se pois, que só há quatro. Quando recuperei os sentidos em termos funcionais e me chegaram aos ouvidos os primeiros sons de que me consegui aperceber enquanto recuperava também o fôlego, foram as envolventes notas de Michael Nyman. Sorri. Sorri porque eu sei, cá de dentro, como me arrepio (eu que me arrepio por tudo e por nada), com melodias bem tocadas ao piano. Dentro de mim há um pianista morto, só pode estar morto, a quem me parece de quando em vez ver-lhe mexer um braço, não é nada, impressão tua, quando um acorde, uma nota, um timbre, me faz sonhar com ondas e praias e se nunca mergulharam numa onda enorme mas serena que nos acolha e transporte no seu lombo com Michael Nyman nos ouvidos, é porque nunca experimentaram nada e não pensem que o alívio de que escrevia há pouco é coisa que lhe compare. Voltemos à posição rígida do narrador, pernas abertas, mãos ocupadas, a tentar fazer mover as bolinhas de naftalina no fundo da cerâmica (mais uma grande invenção da humanidade que nunca verá o respectivo mérito reconhecido) com vontade de trautear Nyman, mas não que pode parecer mal. Parece mal lá agora, quero lá bem saber, quem me acompanha pode até não saber quem é o músico, se é que o ouve no meio de tanto ruído marginal.

São família os três companheiros de mictório. Discutem entre si, melhor, dialogam entre si, sobre se devem ou nao almoçar já, ali, no restaurante da área de serviço. O pai queixa-se dos preços, pudera, parece ser quem vai pagar, os filhos tentam convencê-lo de que é melhor, lá em baixo é mais caro oh pai, é melhor ser já aqui. Estou quase a dizer-lhes que quando virem o tamanho da fila do Self Service desistem logo, eu só estou nesta casa de banho porque já desisti das duas anteriores, o que não deu bom resultado porque o problema foi piorando... Estamos na fase terminal da função, eu sacudo o que tenho para sacudir, há quem já o tenha feito mas fique ali preso, nem o pai mija nem a gente almoça, eu trauteio mentalmente, o diabo do Nyman tem em mim este condão. O pai está claramente indeciso enquanto lavamos as mãos, melhor, eles lavam eu seco. E estamos neste interim, nesta parte do tem-te não caias, com licença, faz favor, desculpe, pisei-o, ora essa, faz favor de passar, oh meu amigo, por quem sois (pelo Benfica, ora!), quando se ouve uma descarga de água num dos compartimentos reservados de qualquer olhar. Da porta emerge a figura enchapelada de um cozinheiro que passa apressadamente no meio de todos nós. A mola da porta não evita que esta bata com estrondo, lá se foi a farfalhuda figura do cozinheiro que, sendo humano, também tem aflições. "Oh pai, é melhor comermos no Algarve..." diz o filho ao pai que impaciente lhe diz que ele que se decida, que diabo, ainda agora queria comer, já te passou a fome? Abro a porta para sair com Nyman ainda a tocar-me nos ouvidos e nos sentidos. "Oh pai, ele não lavou as mãos!". Sinto o riso a crescer, como uma onda que me ergue e me transporta no lombo.

23 julho 2007

O caçador de pérolas

"Carlos Silvino responde por mais de seiscentos crimes. Quatrocentos para ser mais exacta." Hoje, Jornal da Tarde.

22 julho 2007

Galeria actualizada (O Pior Postal)

Está actualizada a Galeria "O Pior Postal do Verão 2007" com as últimas "belezas" recebidas.

20 julho 2007

Isto explica muita coisa

Mac uber alles


Chama-se Francisca Luz, está rodeada de Mac por tudo quanto é lado e foi a última "peça" assinada pelo leitor Nuno Luz que diz estarem os papás muito felizes. Abraço a ambos.

Caro Mestre Maco

Caríssimos, Sejamos francos, a experiência de compra de um produto na vossa organização é uma coisa do outro mundo e não necessariamente pelas melhores razões. Referenciaram-me um produto vosso que gostaria de adquirir. No vosso site, o carro está referenciado como "Carro Universal ASK 90". Contactei uma das vossas lojas e não existia em stock, o que é uma pena. À pergunta "E sabe dizer-me em que loja posso encontrar um?" as respostas são hilariantes. "Não há", "Não sabemos", "Não faço ideia". A ideia de ter de telefonar para cada loja para saber da existência do produto também é divertida... Numa das lojas (Montijo) chegaram a perguntar-me "Qual é a referência?". Não sei. Tenho a imagem do vosso site à frente e apenas disponho do nome do produto, nada mais. "Ah, isso sem a referência é impossível saber...". Possívelmente o erro é meu que pensei que os sistemas de informação servissem para essas coisas básicas como pesquisas pelo nome. Mas devo ser eu que vejo as coisas de uma forma diferente. Coisas!

Deus nos guarde dos Call Center


Precisei de comprar um daqueles carrinhos de transporte de caixotes. Lembrei-me da Stapples... Fui ao site e não consegui encontrar. Lembrei-me de descarregar um folheto do website deles. Não consta. Consta sim a lista dos números de telefones das lojas. Liguei para a loja do Montijo mas ninguém parece interessado em atender o telefone. No catálogo também existe um número de telefone para informações. Liguei-lhes. A menina que me atendeu não faz ideia do que seja um destes carrinhos que quero comprar. Confesso-lhe que já vasculhei o site e nada encontrei. "Ah, eu também estou a ver no site, aliás é o único sítio que tenho para procurar... Não quer ligar para a loja do Montijo?". Explico-lhe que não, que ninguém atende o telefone. "Deixe-me ver melhor. Tenho aqui um artigo, não tem imagem, é pena, chama-se Autocarro do Ruca". Fosga-se!

Juguetes playeros


Excelente! Ri-me primeiro no "Nêsperas" (O número da bola Nívea é absolutamente imperdível!)

Alta definição

Dias há, como o de hoje, em que sabe bem um pouco de música de cariz religioso, quanto mais não seja para apreciar estes magníficos frescos em alta definição, enquanto se tenta recuperar um pouco de fé na aparentemente inesgotável capacidade humana de transpor continuamente os limites da estupidez funcional.

19 julho 2007

Dumb Banking, Banif way...


Um tipo está em casa. como a nêspera, sentado, quieto, calado, e decide fazer uma transferência bancária. Coisa simples, afinal qualquer terminal de Multibanco, por mais romenos que lhe tenham passado pelas ranhuras, sabe. Abre uma sessão de home banking no browser e desata a escrever para cumprir diligentemente a função. Vai o NIB, com cuidadinho para não haver enganos, vai o nome do beneficiário, vai o valor (tabém com muito cuidadinho para não fazer as figuras tristes que já fiz outrora), e o sistema pergunta-lhe se queremos notificar o destinatário por mail ou SMS. Abrem-se outras aplicações, para vermos o email, mete-se o nome da pessoa, mais o endereço e tal, carrega-se no "Continuar" e é-se brindado com uma mensagem "O valor ultrapassa o limite diário para transferências". Pragueja-se um bocadinho (a mim também me parecia muito...) e a pergunta óbvia coloca-se "Qual é o valor diário permitido para transferências?" É a pergunta óbvia pra TODOS menos para os informáticos do BANIF... No item Ajuda nada se diz, e se o candidato a banqueiro informático tiver o azar, repito, o azar de carregar no ícone "Contacte-nos", é brindado com um simpático "De momento não é possível". Devo ser eu que sou um génio!

Guia on my mind!

The day Internet died

18 julho 2007

O pior postal do Verão 2007 (Extra Concurso)

O pior postal do Verão 2007 (Extra Concurso)

O caçador de pérolas

"O nosso convidado de hoje é um homem que recusa inconformar-se". Sónia Araújo, hoje, no programa Praça da Alegria.

17 julho 2007

Galeria "O Pior Postal do Verão 2007"

Já estão online os cinco primeiros participantes do Concurso "O Pior Postal do Verão 2007", cuja lista de prémios será tornada pública em breve. Para visualizar a Galeria, clique aqui

Sintam-se à vontade para encorajar os leitores de outros blogs, e respectivos bloggers para esta iniciativa. Spread the word!

Um fado (neste tom magoado)

Há um fado, uma dor, uma sina que está escrita mas que ninguém lê. Uma coisa de genes, de feitio, da massa do sangue de se ser português. Algo que está impresso nos nervos e nas células da lusa gente que provoca esse estranho de enraízado hábito do "ah, mas não fui eu, quem é que lhe disse que era assim?". Há muitos anos, assim que terminei o fugaz processo da minha incorporação militar, um processo que à semelhança de um pouco de tudo na minha vidinha não foi uma coisa curta, linear, rápida, zás trás pás, vou ali já volto, vais num pé e vens noutro, enquanto o diabo esfrega um olho, uma megera (juraria que a vi esfregar um olho...) a quem deram um guichet para gerir, disse-me em pleno DRM de Lisboa "O senhor redige este requerimento, entrega-o e vem cá três dias depois saber da deliberação", fartinho estava eu dela e de saber o resultado do "Peço deferimento" mas que se esperem três dias, uma vida, se tomarmos em conta que o requerimento levaria o mesmo tempo que um Carnaval. Voltei aos costumes três dias depois, o mesmo guichet, a mesma megera, a tirinha de papel estendida a medo, entre dois dedos, talvez com medo que ela mos comesse, cá estou, venha daí o deferimento. O olhar baço, os óculos na ponta da narigal protuberância, aquele aspecto que faz adivinhar a quem vê que a coisa está longe de ter começado. O fado. Há nos olhos dela que apenas vejo porque puxou os óculos para a pontinha dos abismos, um ar de zombaria, um desfile de samba com quilos de bijutaria a marcar o compasso e os gestos das mãos encarquilhadas com dedos revestidos a anéis falsos. "Quem foi a besta que o mandou cá vir hoje?". Fiquei perplexo, mas nunca deixei passar uma oportunidade de fazer valer uma velha máxima que em devido tempo aprendi, uma frase de um banqueiro espanhol a quem ouvi dizer "Mais vale que os almocemos antes que eles nos jantem". "Com o devido respeito, foi mesmo Vossa Excelência...", recuei perante a fera mas sosseguei, ela ficara a recuperar da falta de ar, da apoplexia, daquilo que mal disfarçadamente se chamaria a "pata na poça", enquanto nervosamente lia o requerimento por despachar, foi um ápice, a folha saiu devidamente carimbada e ainda não me tinha caído nas mãos e já se escutava um sonoro "O Próóóóximo!" para sacudir a chuvinha do militar capote que ela, infelizmente não usava. Habituei-me pela vida fora a este fado. Já o cantei milhares de vezes e sei-lhe de cor a letra. Seja com o canalizador, o mecânico, o administrativo, qualquer um canta bem a canção do "mas quem é que lhe disse que isto era para ser feito assim?". Aprendi a defender-me. Notas, tomo muitas notas, adoro minutas, pergunto sempre por elas. By the fucking book devia ser o meu nome do meio. Que assim ninguém me apanha, me humilha ou tenta jogar para pontapé de baliza. Quando hoje entreguei a minha reclamação nas Finanças, foi a primeira coisa que ouvi. "Mas quem é que lhe disse que isto era feito assim?". V.Exa. Estava o caldo à beira de se entornar, eu sem paciência, ela sem argumento. "Ah, mas não foi isto que eu lhe disse..." Foi. Puxei das notas e enfadadamente pus-lhas debaixo das sapudas mãozinhas. O senhor não me fale assim. Mas assim como? Assim, com esses modos. Mas se foi você mesma a fornecer as indicações, vai agora dizer-me que tem de ser de forma diferente? Não, não é isso que lhe estou a dizer. Não quis mais saber. As mãos nervosas, a mesma falta de ar, quase juraria que a vi esfregar um olho, o mesmo rápido despachar dos papéis, o carimbo que se abate, seco, sobre a folha, à qual alguém há-de responder um destes anos. O fado. No mesmo tom magoado.

Sénior é a vóvózinha!

16 julho 2007

You can't run but you can hide!

Nunca fui grande adepto de capas para proteger gadgets. Mas gosto desta, pela praticabilidade e desta pela criatividade.

Sonda-me mucho

Este estabelecimento está a ser alvo de pequenas obras e rearrumações. Isto, antes de uma ENORME revolução que se anunciará para depois do Verão e cujos detalhes começam agora a ser estudados e testados. Se não lhe causar transtorno, deixe a sua opinião na sondagem aqui ao lado. Afinal de contas, a opinião dos fregueses é muito importante para mim, ainda que eu nem sempre possa cumprir todos os desejos...

15 julho 2007

O pior postal do Verão 2007 (Extra Concurso)


Uma nova fornada extra concurso, mais material da colecção de João Paulo Moreira.

Faz tempo que não ouvia

"Engraxa, Engraxa, cinco tostões para a caixa!" Resposta, em tom irónico a uma situação em que o elogio ou serviço tem manifesto interesse por parte do emissor ou executante do mesmo.

Um Do Li Tá, cara de amendoá

Vou dormir que daqui a bocado tenho de ir votar. Sou um homem de tradições, hei-de ir comer uma bola com creme e beber uma bica na Singapura e cumprimentar o meu amigo Simões que está careca e barrigudo, que me há-de dizer pela enésima vez que o Porto vai ser campeão, que vida boa é em Melides, que eu tenho menos cabelo e mais barriga e que não vê o malandro do Chico há pelo menos vinte anos. Hei-de passar à porta da Udina e lembrar-me do sabor das merendinhas e hei-de descer a rua a recordar outros sabores. Hei-de, se assim o ritmo processional das capelinhas o permitir, ir cumprimentar o meu primeiro patrão, de quem tenho imensas saudades e havemos de falar do Benfica se o cérebro arrepanhado por múltiplas mazelas ainda permitir que ele se lembre. Se se lembrar, não haveremos de limpar as lágrimas dos cantos dos olhos como da última vez e falar de como éramos felizes quando ele me passava pela bancada e me dizia "O último a chegar à Luz é maricas". Hei-de encontrar muitas caras conhecidas, hei-de desconhecer outras tantas. Hei-de sentir no nariz o cheiro acre das tílias e reviver uma rápida corrida rua abaixo a caminho da minha velha escola. Hei-de perceber que o Manel da mercearia já morreu e que no lugar das tulhas de madeira estão agora máquinas de calcular e computadores modernaços. Hei-de tapar o nariz para não sentir o cheiro a fumo e vinho que saía pela porta da carvoaria que há anos é uma agência de viagens. Hei-de lembrar-me do velho Guerra e das botas ortopédicas que me martirizaram os pés e o orgulho durante anos. Hei-de ir votar, mas não passa de um pretexto para voltar a ser menino.

14 julho 2007

As minhas impressões sobre o iPhone


Olá a todos!

Estou na Califórnia e comprei o meu iPhone a semana passada. Tenho de vos contar que é a melhor peça de hardware em que já pus os dedos. As minhas impressões:

1. É rapidíssimo e responsivo, quase nunca hesita e tudo funciona em velocidade de anúncio.
2. O cover-flow das capas é a melhor coisinha que se pode ter para disfrutar da nossa colecção de música, mas perdi 3 dias a arranjar capas para todas as minhas 12.000 músicas.
3. O teclado funciona às mil maravilhas. Claro que para já ainda não tem suporte multi-língua, ou pelo menos não o soube activar... Fazem-se uns errozinhos (a minha média é de 1 por cada 13 palavras em português ou 1 por cada 21 em inglês (tem corrector automático). Parece mesmo como disseram num site, "trust the force". Acho que os problemas que se dizem por aí nos sites são tudo culpa de pessoas com dedos obesos. Eu que sou um finguelas estou à vontadíssima, desde o
primeiro dia.
4. O ecrã é espectacular, suja-se bastante (claro) e, até agora, não se risca. Não comprei nenhuma capa ou protecção porque na minha opinião os dispositivos electrónicos não devem ser protegidos demais! Se a Apple fez o iPod e iPhone assim, então assim o usarei. Além de que estraga a leveza e o design do animal. Levei o iPhone à praia, nas calças, no fundo do porta luvas, na areia, na piscina, no laboratório. Zero riscos, mas cheio de dedadas (nada que não se limpe com o pano que vem incluido).
5. Redes e contratos e tal: para já estou contente com a AT&T, mas já tenho o contrato pronto a cancelar, até porque volto para Portugal em Novembro. Já experimentei o activation crack e funciona perfeitamente: ficamos com um iPhone sem telefone e mensagens, o resto funciona perfeito. Com jeito, tudo pode ser feito dentro da legalidade e sem perder a garantia (ler com cuidado o wiki), além de que existe sempre a hipótese de fazer restore. Fico só à espera de haver um método para desbloquear o telefone (no wiki anterior têm o progresso feito até agora), até porque aqui nos USA e em muitos países da Europe é LEGAL desbloquear os telefones desde que não mudemos o IMEI.

Conclusão: vão juntando dinheiro!

Cumps,
- Humberto

13 julho 2007

O pior postal do Verão 2007 (Extra Concurso)


Como sabem (e se não sabem cliquem aí ao lado no link que está por cima do "Menino da Lágrima") está a decorrer um passatempo destinado a premiar o Pior Postal do Verão 2007. Algumas pessoas têm-me questionado sobre a possibilidade de concorrer com versões digitalizadas de postais, pretensão que contraria as regras enunciadas que não admitem a concurso senão postais em papel efectivamente enviados pelo correio. No entanto, e porque estamos em presença de verdadeiras jóias da produção gráfica nacional e internacional, não resisto à ideia de publicar alguns dos que me foram enviados por via electrónica. Estes postais não serão aceites a concurso, isto fica desde já estabelecido e claro, não sendo submetidos à apreciação do júri que em breve será anunciado nestas páginas.
O proprietário dos postais publicados hoje é João Paulo Moreira (a quem agradeço a autorização de publicação), que segundo me transmitiu, colecciona este tipo de postais. Clique na imagem para ampliar.

O caçador de pérolas

Aquilo foi criado à "rebelia" por um inergume

Sexta Feira, 13


Dona Dores, vidente experiente e diplomada, informa-me que hoje é um dia mau para ver gatos brancos. Pelo contrário, ver gatos pretos dá sorte neste dia. Olhei para o meu gato e fiquei na dúvida...

Importa-se de repetir?

"Na altura da explosão, o jovem estava sozinho com o irmão de cinco anos". Hoje, no Jornal da Tarde.

12 julho 2007

Steve Jobs: The Stanford speech



"Caro Pedro
O que nos junta nesta lista é a ferramenta que usamos em comum. Fazemos coisas grandes e coisas pequenas com os nossos computadores. E vamos assim fazendo a nossa vida. O homem que tornou tudo isto possível é uma personalidade invulgar. E muito polémica também. Teve altos e baixos; extraordinários sucessos e rotundos e hilariantes falhanços. Há quem o adore e quem o deteste, todos sabemos. Mas, de cada vez que leio o que escreve ou ouço o que diz, sinto aquela voz interior que me diz "Ele é profundamente honesto". A confissão que Steve Jobs apresentou aos alunos da Universidade de Stanford no final do ano lectivo de 2005 fez-me sentir isto de novo. E mesmo para aqueles que não sintam nada de semelhante, são alguns minutos de discurso confessional e profundamente emocionante, enquanto histórias e lições de vida.
Está aqui: (Nota da redacção: Ver video acima)
Foi o melhor momento do meu dia e senti que devia partilhá-lo.

Um abraço
José A. Carvalho"


Outra nota sobre este video: O URL desta peça tinha sido já publicado por algumas vezes na lista, pelo que a dada altura deixei de o fazer repetidamente. No entanto, e porque ultimamente o link me foi enviado por diversas pessoas que já constituiam um número considerável, anuí em republicá-lo. Obrigado a todos quantos me fizeram chegar o link. haverá decerto muita gente que já o conhecendo, desfrutará dele.

11 julho 2007

Receba notícias deste blog


Caso não tenha ainda notado, existe neste blog, na barra da direita em baixo, uma caixa de subscrição de notícias relevantes. A caixa em questão (Receba notícias deste blog) serve precisamente para que os interessados nele introduzam um endereço de email por forma a receberem, sempre que se justifique, notícias importantes (e em breve teremos algumas), no seu endereço de correio electrónico, sem necessidade de visitarem com regularidade ou controlarem os respectivos feeds RSS. Se, aliás, o termo "feed RSS" não lhe diz nada, este serviço é-lhe destinado. Quando se subscreve este serviço receberá de imediato um email a pedir a confirmação da subscrição, não sendo necessária mais nenhuma acção. O restante fica a cargo das pulgas...

Marketing para principiantes

10 julho 2007

É p'ró menino e p'rá menina!


Para assinar, visite o site da iCreate e não se esqueça de introduzir o necessário código promocional. A verificação da subscrição será feita por mim pelo que, para evitar atrasos, dê o seu endereço de subscritor.

Trata-se a sorte e outras doenças


E de repente África. Como se este calor abrasador me quisesse transportar para outras paragens e me envolvesse numa nuvem dourada de pó para me fazer crer que estou noutro lado. Primeiro uma visita ao blog Mochila às costas onde deparei com uma fotografia de um anúncio de medicina (?) tradicional africana cujo texto me deixou a pensar: "Trata-se a sorte e outras doenças". Depois, um camião de mudanças encostado à casa de um vizinho, onde um gigantesco negro, que mal vi pois estava dentro da caixa de carga fazendo os possíveis malabarismos com colchões e cómodas, assobiando (belissimamente) o N'Kosi Sikeleli Africa , o hino nacional sul africano, uma das mais belas melodias em matéria de hinos nacionais. Espantei-me e refreei o passo, para o surpreender também a ele acompanhando-o no refrão, o que, estou certo, também o espantou a ponto de espreitar, curioso, pela porta traseira saudando-me numa língua que desconheço por completo. Por fim, a cair-me no email, a história fascinante da viagem de Makiko Sugino, uma japonesa que papa mundos numa impressionante viagem de Yamaha 250, 100% stock, com um budget diário de 10 dólares. Já consumiu três motas e não sei se essas contas entram no orçamento. Não importa. tratemos da sorte e de outras doenças.

09 julho 2007

O caçador de pérolas

..."Desde já enformo que não recebi o envelope"...

Oh mãe! Oh mãe!

Estás no "Abrupto"!

As seis etapas do email

Nora Ephron, a autora do recente "I feel bad about my neck: And other thoughts on beeing a woman" publicou no International Herald Tribune um interessante resumo sobre as seis etapas do email.

Pousadas de Portugal no New York Times

As Pousadas de Portugal, uma rede de "pérolas" que durante anos foi "gerida" pelo Estado, estão hoje nas mãos de privados. Seja ou não um "placement" publicitário dos actuais proprietários, esta curta peça do New York Times merece destaque.

08 julho 2007

Até ao almoço, camaradas?


Quando a pressão imobiliária me convidou a abandonar Lisboa, os meus pais mudaram-se para as cercanias de Sacavém, naquilo que então era um matagal pintalgado por algumas oliveiras e onde hoje é difícil descortinar um palmo que não esteja tomado pela construção. Sacavém era, no início dos anos oitenta, uma das pontas decrépitas da Cintura Industrial de Lisboa e por ali se concentravam algumas indústrias com as quais o tempo foi implacável e a gestão dos homens desleixada. Havia um pólo industrial que resistia, um dos últimos bastiões do Partido Comunista Português, que controlou politicamente até ao final da respectiva existência e que foi por diversas vezes primeira página de jornal, e quase nunca pelas melhores razões. Estou a falar da extinta Fábrica de Louças de Sacavém que ocupava uma generosa área entalada entre a linha do Norte e a Estrada Nacional 10 e onde hoje está instalado um complexo imobiliário. A Fábrica de Sacavém foi fundada em 1856 por Manuel Joaquim Afonso acabou por ser desmantelada e extinta no início dos anos oitenta, restando apenas o chamado "Forno 18" em redor do qual se ergueu um centro museológico, que foi aliás em 2000 distinguido pela Unesco e cuja visita recomendo. As louças de Sacavém foram-me familiares muitíssimo antes de ter ido para lá morar. A minha infância está repleta de imagens dos pratos da casa do meu avô, os famosos "pratos do cavalinho", imagem essa que deve ser comum a milhares de outros portugueses. Pouquíssimos dos leitores destas páginas deverão recordar-se dos "gatos num prato", e não, não estou a falar de imagens de memória, mas sim de uma técnica de recuperação de louça rachada, em que um latoeiro (?) furava a cerâmica em dois pontos adjacentes à quebra e passava um arame (o gato), permitindo assim manter a uso uma peça que à época não era absolutamente nada descartável. Estou certo de que alguns ainda existirão lá por casa, nem que sejam como peças cuja afectividade as salvou da perda completa. A estampagem do motivo do cavalinho apoiado nos quartos traseiros vai persistindo, já vi outros fabricantes recuperarem o raio do desenho rebuscado (não era apenas o cavalo, mas uma profusão de motivos vegetais que rodeava o centro do prato como poderão ver na imagem acima) e não me custa lembrar-me da minha tia Lourdes dizer-me que a refeição só estaria acabada "quando se visse o cavalinho"... Quando hoje a minha mãe me disse que tinha duas peças de louça de Sacavém para me oferecer, lembrei-me de imediato do cavalinho e das favas da Maria de Lourdes. Mas ao ver-lhe a ironia no olhar e o ar sarcástico com que me deu a notícia, fiquei ainda mais curioso. Não duvido que se tratem de duas peças raríssimas e estou capaz de perguntar ao Museu da Cerâmica se têm no seu espólio estas pérolas do período revolucionário em curso (in ilo tempore). Quando as desembrulhei dos papeis que as envolviam, também eu não pude deixar de sorrir...

06 julho 2007

Etiqueta e boas maneiras

..."É sempre obrigatório para um homem que acompanha uma mulher a sua casa, à noite, esperar que ela transponha a porta antes de partir. A entrada e a saída de um carro pode fazer-se elegantemente sem que para isso seja necessária uma série de tentativas caricatas para o fazer. Entrar de cabeça não é a melhor maneira porque obriga a uma posição dobrada e as pernas são usadas de maneira deselegante.Assim a melhor maneira de o fazer é sentar-se primeiro no banco, com as pernas juntas de fora, depois deve-se rodar as ancas para que as pernas entrem simultaneamente. Para sair do carro, faz-se o movimento oposto, saem primeiro as pernas, com os joelhos juntos, depois apoiando-se os pés o corpo poderá sair mais facilmente."...

Eu subscrevo Newsletters tão estranhas! A ideia de esperar que a passageira transponha a porta antes de arrancar o automóvel parece-me do mais elementar bom senso (se bem que em alguns casos...), e a ideia de entrar de cabeça, bem, vocês lá sabem, cada um entra no carro como melhor lhe aprouver...

iPhone: The Musical!

David Pogue num divertido video.

05 julho 2007

Chinese Ballet Circus


Sete minutos e vinte e nove segundos de assombro.

04 julho 2007

O meu fogão tem três bicos

Tenho por certeza que há um lugar no céu à minha espera, e se não houver, nem céu nem lugar, ficarei muito desapontado. É verdade, que como diz P., eu tenho muitas dificuldades em dizer a palavra não e isso só por si garante-me metade do acumulado necessário para franquear as portas do paraíso, e se me faltarem pontos na caderneta depressa os arranjarei noutro lado. Nas minhas tamanquinhas, se as usasse, cabem uns pés que me hão-de conceder a graça eterna e se for entre os esplendores da perpétua luz, mais barato me sairá na conta final do mês. Sou um inepto na cozinha, é um facto contra o qual não luto, apenas e só por exaustão. Não morreria de fome se dependesse apenas da minha habilidade, mas a dieta base ficaria restringida a muito pouco e assim sendo, já o sabiam os egípcios, a pirâmide alimentar ficaria um bocadinho torta e como o povo sabe e bem diz, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita se abrirmos uma excepção aos produtos da Pfizer. No entanto, esta minha inépcia culinária (que o Grande Arquitecto me compensou com saberes noutras artes, ficarão a aguar as vossas boquinhas que não me gabarei do meu próprio cesto), é largamente ultrapassada pelo facto de os afazeres domésticos em matéria de conhecimento dos utilitários engenhos de cozinha não me serem completamente estranhos, eu explico aos mais confusos, eu posso não saber gratinar um soufflé, se é que os soufflés se gratinam - vide o discurso sobre a total inépcia - mas sei tudo sobre a resistência do forno eléctrico, dirão alguns de vós, morres de fome, serve-te de muito, mas na verdade sei desmontar e montar torneiras, conheço as cambiantes das bombas que me enchem de água as máquinas diversas.

Dirão ainda os mais cépticos que de nada me serve conhecer a Lei de Ohm se estiver com fome, é um facto, entrego a mão à palmatória para ser castigada, porque em boa verdade se contam pelos dedos de uma só mão de um lançador de foguetes que esteja de baixa por acidente de trabalho o número de vezes que resolvi problemas mecânicos ou eléctricos que me permitiriam vir a jantar, sendo muito mais a inversa, o número de jantares que não comeria se não tratasse de amanhar os domésticos impedimentos técnicos. Por vezes tenho pequenas vitórias, pequenas para os outros, já sabemos, que tendem sempre a achar curto o pano da nossa enorme manga. Como no caso de A. que se divorciou de B., ah, belo novelo que aqui começaria, quantos romances se escreveram já cheios de lugares comuns no início da primeira linha, do clássico "Era de noite e chovia" ao "Como no caso de A. que se divorciou de B." e este é apenas mais um deles, mas que não tem a aspiração mínima de se tornar um êxito nas livrarias. Mas dizia, A. divorciou-se de B., B. fez as malas e voou e ao que dizem as más línguas só não voou mais porque moravam num rés do chão, e A. uma alma gémea da minha em termos de territórios hostis como o são as cozinhas, ficou como é costume dizer-se com o menino nos braços (literalmente escrevendo) e com o problema de ter de sobreviver ao divórcio e à dieta imposta pela inabilidade. Na verdade A. que já é um homem livre de novo, porque já passaram sete meses desde o dia em que se divorciou do advogado de B. (Porque B. não compareceu perante o meretíssimo e parece que falta lá não fazia para os devidos efeitos), queixou-se-me hoje de uma avaria no fogão da cozinha. Na verdade não foi bem um queixume, foi mais um rol de imprecações e adjectivos dos quais o mais simpático terá sido "Aquela cabra foi-se embora e deixou-me o fogão avariado...". Se eu podia lá ir ver, claro que sim, a viagem não é longa, basta-me sair da porta e entrar na seguinte e largar à desfilada o pequeno engenheiro que há em mim.

Muni-me do necessário ferramental, eu posso não saber o que é um Vol au vent mas gosto de me munir dos apetrechos que me permitem desmontar coisas e fui observar o paciente. Três bicos a gás, um eléctrico, o trivial, Teka se estiverem com minudências e vontade de perder o vosso precioso tempinho. O que se passa é simples, eu carrego no botão, o gás sai, acendo um fósforo o gás acende, mas se largo o botão o gás apaga-se. Pareceu-me justo. Faz isso em todos os bicos? Sim, e hoje fiquei agarrado, não literalmente, é certo, mas a placa eléctrica avariou-se e deixei de ter fogão. Não percebi, recapitula lá que foi muito depressa. Então, os botões do gás têm de estar premidos para a chama se manter acesa, não me estás a ver a ficar aqui uma hora à espera que as panelas cozam o que quer que lhes tenha deitado dentro, para não falar do calor que me assa as mãos se as tiver muito tempo a carregar no botão. Humm..., disse eu, que no papel de engenheiro tenho sempre de dizer alguma coisa que faça os outros crer que estou a pensar. Mas não me disseste que o fogão estava avariado? Sim, disse, os botões do gás, como já te disse, referiu ele impacientemente, não funcionam desde que aquela cabra se foi embora e hoje a placa eléctrica deixou de aquecer. Carago, mas eu vi o gás aceso, ainda agorinha mesmo a chama se produziu, tá bem que não é a chama imensa, mas acendeu, logo tens gás e só falta perceber porque é que o botão não fixa. Pá, se conseguisses por pelo menos uma das bocas a trabalhar é que era. Hummm... voltei eu a dizer para o fazer crer que estava a pensar. Percebi rapidamente. Os botões do gás, depois de premidos, têm de ser puxados para fora, deve ser um sistema de segurança, dá cá o isqueiro, ploft, vês, é simples, não estavam avariados, estão acesos, o que é o almoço?. A. olhou para mim, corado como uma galinha ao lume e murmurou "Ahhnnn, espera, afinal o fogão não estava avariado..." Pois, disse eu em glória, há quantos meses é que a tua mulher se foi embora? Sete meses. Hummm... disse eu fazendo-o crer que lhe insultava a inteligência, ainda queres que veja o que se passa com a placa eléctrica? Hummm... disse ele, é melhor não.

03 julho 2007

Shit happens!

É certo que todos os editores estão sujeitos a desgraças editoriais de toda a ordem, mas esta é demais...

Alto rendimento

02 julho 2007

Privet*, Mr. Putin

A leitora Rita, que no post anterior deixou um comentário sobre o Tovarich, presenciou, faz alguns anos uma das mais monumentais gaffes profissionais de que me recordo alguma vez ter cometido sem que eu tivesse sequer aberto a minha boca. Estávamos ambos de visita às excelentes instalações de uma das mais prestigiadas universidades portuguesas. O departamento de Artes, dotado de alguns pisos muitíssimo bem equipados em salas e equipamento de apoio, estava a ser-nos mostrado por um dos Professores responsáveis, que fazia as honras da casa em explicações pormenorizadas. Salas dotadas de computadores Apple (what else?) onde a manutenção é completamente remota, bem como o refrescamento de sistemas de cada posto, tarefa executada diariamente por um servidor central que apaga qualquer modificação executada durante uma jornada de aulas. A jóia da coroa estava guardada para a parte final, os compartimentos envidraçados das aulas de música clássica, com lustrosos pianos de cauda em salas individuais, onde inúmeros alunos praticavam com afinco a respectiva aprendizagem. Interessei-me de sobremaneira pelas instalações, talvez devido à minha predilecção por pianos, sejam ou não de cauda. À medida que o Professor ia tecendo as suas explicações e considerandos fui reparando num personagem que se deslocava entre os espaços envidraçados, num pequeno corredor que conduzia ao espaço central onde nos encontrávamos. Um senhor de idade, de baixíssima estatura, uns óculos de massa negra encavalitados na ponta do nariz, uns tufos de cabelo que só podiam pertencer a um músico ou a um cientista louco. Quando se aproximou fomos apresentados em língua inglesa, o que achei absolutamente normal (tinha, meses antes privado em Belgais com músicos de diversas nacionalidades e fiz a ponte entre as duas situações). Ali estava, constrangido, sem saber muito bem o que dizer a este senhor baixinho, de óculos, com um papillon demasiado grande para o seu pescoço, sem que eu conseguisse desencantar umas banalidades sobre pizzicatos e staccatos, coisa em que não sou propriamente pródigo. Foi então o anfitrião a atirar-me a bóia de salvação, a corda a que haveria a nossa conversa de agarrar para chegar a terra, se não firme, pelo menos com pé. "Este senhor" disse-me ele emprestando ao senhor um tom respeitosamente majestático "este senhor era pianista no Kremlin...". Não reagi. Ou por outra, fi-lo com cara de espanto. Na minha mente cruzavam-se imagens de relâmpagos de stroblight, imagens virtuais de som furiosamente techno, corpos semi nús dançando em cima de colunas, imagens essas onde, por mais que tentasse, não conseguia encaixar o senhor velhinho de aspecto vagamente alucinado que me fora apresentado alguns segundos antes. Não abri a boca, como disse antes, e só despertei para a realidade das coisas quando a Rita me deu um ligeiro toque de cotovelo e murmurou: "No outro Kremlin... No outro Kremlin..."


*Privet: Olá em língua russa

Ducks, Frogs and Turtles (Baywatch!)

Imaginem um navio cargueiro que vem da Ásia com uma carga de patos, sapos e tartarugas de plástico destinados aos mercados europeus. Uma tempestade, um contentor que cai ao mar e se abre... Um exército de patos de borracha amarelinhos começa a derivar para norte (os outros também, mas achei especialmente graça aos patos) enquanto uma outra parte deriva para sul e dá à costa nas praias da costa norte australiana. Os que vogaram para norte acabaram por ficar aprisionados nos campos de gelo do Ártico e a cada degelo as correntes acabam por empurrá-los ao sabor de correntes e vento. Ainda há quinze mil patos (!) por aí e os cientistas têm observado de perto estas movimentações que provaram já ser mais úteis para o estudo das marés que o sofisticado sistema de bóias flutuantes que normalmente usam. A queda dos patos ao mar aconteceu há quase quinze anos e de acordo com as previsões, este ano chegarão às costas inglesas. A jornada dos patos, que foram avistados por diversas vezes ao longo dos anos, pode ser acompanhada aqui.

Tovarich para principiantes

Ah, a Rússia. Ícones e tradições explicados.

Primeiros e não há mais ditos!

Prometo acabar com a histeria do iPhone nas páginas deste blog. Só não sei bem quando... Para já, fiquem com o video do primeiro iPhone a cair ao chão...

Jornal de Negócios

De acordo com o Jornal de Negócios, o iPhone já tem preço. Eles têm uma noção do mesmo, ainda não têm a certeza... "O iPhone custa entre 499 e 500 dólares e deverá começar a ser comercializado na Europa no último trimestre de 2007"

Arquitectos e Empreiteiros

São lendárias as agruras vividas entre arquitectos e empreiteiros na execução de obras. São poucos os empreiteiros que levam à risca os planos traçados, mas também há bons exemplos de como nem todos são rebeldes...

E ainda por cima a chover, vejam lá o meu azar

Sabem decerto que sou um grande adepto de Fausto Bordalo Dias (se não sabiam, ficam a saber...), de quem não me canso de apregoar ter feito o melhor disco de sempre da chamada Música Popular Portuguesa, o imortal "Por este rio acima", que tem ainda a acrescida graça de ter a batuta do maestro Eduardo Paes Mamede, meu distinto amigo e leitor destas páginas. Quando há poucos dias tive oportunidade de escutar o álbum "Lado a Lado" de Mafalda Veiga e João Pedro Pais, notei que havia uma versão de "Foi por ela", faixa incluída no disco "Para além das cordilheiras". Não apreciei de sobremaneira os novos arranjos e para dizer a verdade completa, nem cheguei a escutá-lo na totalidade. Ontem, o espectáculo "Lado a Lado" passou na TV e aproveitei a oportunidade para, em fundo, ir escutando o desfilar de canções do disco. Quando a versão de "Foi por ela" foi executada, achei que qualquer coisa não estava bem... Conhecem com certeza aquela sensação de termos ouvido algo que não nos soou de forma habitual. Não liguei muito ao assunto, ocupado que estava com outras tarefas. Mas aquilo não deixou de me espicaçar a curiosidade e hoje fui investigar. A letra da canção tem uma diferença (como raio é possível?), que de tão insignificante mal se nota e que pode passar completamente anónima pelos ouvidos que não conheça a canção de gingeira. Na verdade é apenas uma letrinha que alguém trocou, voluntária ou involuntariamente, mas que muda o sentido a uma frase. Claro que eu podia dizer aqui onde é que está o erro de João Pedro Pais... Ah pois podia... Mas não digo. E estou capaz de premiar o primeiro leitor a apontar-me o erro que detectei na lírica de "Foi por ela". Pode fazê-lo por email ou deixar o respectivo contacto (e o erro!) na caixa de comentários deste post. Nota: A versão de "Foi por ela" de Luís Represas está correcta.

Actualização: AF encontrou um outro erro, que não aquele que descobri. A frase " que NÂO forma como um Deus ao rosto dela" também está incorrecta face ao original que é "que DÃO forma como um Deus ao rosto dela". O passatempo continua em aberto, só que terá dois premiados, um dos quais está encontrado".

Joe Berardo (mas com modos)

Encontrei alguém que pensa basicamente o mesmo que eu, do personagem Joe Berardo. E escreveu-o.
Correcção! O Botinhas também lavrou um belo post sobre esta matéria.

01 julho 2007

Iogurtes

Eu sou um bocado antigo e as minhas memórias são capazes de ser mais antigas ainda e isso às vezes preocupa-me, não que me aborreça com rugas ou demais protuberâncias, na verdade isso nunca me afligiu e no dia em que me virem preocupado com isso, chamem a ambulância que o tipo não está nada bem... As minhas memórias fazem-me crer que eu vivi muitos anos antes de de facto ter visto a luz do sol pela primeira vez e depois sucede que eu tenho de parar para desembaraçar o que são falsas memórias daquilo que de facto vivi e isso, queiramos ou não, é uma chatice que me faz perder imenso tempo, tempo esse em que não faço outras coisas que por sua vez me trariam outras memórias, as falsas e as verdadeiras e aí vamos nós outra vez no torvelinho das ideias. Há bocado estava a fazer a barba e deu-me a fome. Vejam bem como começam os novelos, um tipo lembra-se de coisas passadas que já foram há tanto tempo, mas há tanto tempo, que pára em frente ao espelho a pensar que se calhar foram tudo ilusões e quimeras quem nem mereciam ocupar espaço nos neurónios que tão precisos são para outras coisas bem mais comezinhas, como por exemplo lembrar-me de datas de aniversários diversos, coisa em que não sou nada especializado e me traz dissabores e vergonhas de toda a espécie. Sou incapaz de me lembrar de uma data, suprema desonra, mesmo daqueles que me são mais chegados e aprendi a viver com isso sendo que levarei para a tumba a eterna dúvida do que dia é hoje, coisa que me afecta bem menos a mim do que aqueles de quem me olvido e era bem possível formar um exército de um país pequenino se os fossemos obrigar a cerrar fileiras na batalha dos aniversários. Deu-me a fome, dizia, senão esqueço-me, é uma gaita, e examinei o frigorífico. Foi aí, nesse preciso instante em que a luz da pequena lâmpada se acende, a do interior do frigorífico e aquela pequenina luz que de quando em vez se nos acende no cérebro que tive a certeza de que era um bocado antigo... Quando percebi a interminável quantidade de marcas de iogurtes que tenho dentro daquele branco monte de lata. Parei uns instantes para desenrodilhar as tais falsas das legítimas e enquanto coçava o queixo, tive a certeza: Quando eu comecei a comer iogurtes só havia três marcas. O Bom Dia, o Veneza e o UCAL. E disto tenho a certeza, do resto nem por isso.

Chequered Lisbon

O uivo

Diamonds are forever


Um mau fotógrafo com uma boa máquina...

iMouraria


Enquanto não agarra um, leia o manual do iPhone.

Is that clear?

Os poetas pintores