30 setembro 2007
Por Toutatis!
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Cidadania
Prémio "Que bela rebarbadora tens aí, Zé!"
1) Isto é (era) um menir... Mais concretamente o Menir de Santa Margarida, monumento megalítico classificado de interesse público pelo decreto 26A de 1 de Junho de 1992.
2) Isto é uma estrada. Mais concretamente a Municipal 514 que serve S.Pedro do Corval e Reguengos de Monsaraz, cujas obras estiveram a cargo da empresa JJR.
Uma estrada de tão bom piso e melhor servidão não podia ficar ali com uma ponta de pedra a desafiar a segurança e vai daí o empreiteiro decidiu "aparar" a ponta do menir. As notícias divergem neste ponto, sendo que para o responsável da obra aquilo não passava de um calhau, de boas dimensões mas na mesma um enorme calhau (les beaux esprits se rencontrent) enquanto que para a Câmara tudo não passou de um erro do empreiteiro que teria sido avisado da presença do megalito. Ainda não confirmei pessoalmentem mas consta que tudo se resolveu com um monte de tubos de Super-Cola (650 Euros foi o valor da reparação), segundo a informação providenciada pelo Presidente da Câmara de Reguengos, Sr.Vítor Martelo. (Nenhuma piada deve ser subentendendida a este respeito).
Este "lamentável engano" passa desde hoje a ombrear na Galeria "Ops!" com uma história que nunca confirmei pessoalmente, de uma empreitada de demolição de uma vivenda no Restelo em que tudo começou com um "Olha lá, era o 27, não era?"
2) Isto é uma estrada. Mais concretamente a Municipal 514 que serve S.Pedro do Corval e Reguengos de Monsaraz, cujas obras estiveram a cargo da empresa JJR.
Uma estrada de tão bom piso e melhor servidão não podia ficar ali com uma ponta de pedra a desafiar a segurança e vai daí o empreiteiro decidiu "aparar" a ponta do menir. As notícias divergem neste ponto, sendo que para o responsável da obra aquilo não passava de um calhau, de boas dimensões mas na mesma um enorme calhau (les beaux esprits se rencontrent) enquanto que para a Câmara tudo não passou de um erro do empreiteiro que teria sido avisado da presença do megalito. Ainda não confirmei pessoalmentem mas consta que tudo se resolveu com um monte de tubos de Super-Cola (650 Euros foi o valor da reparação), segundo a informação providenciada pelo Presidente da Câmara de Reguengos, Sr.Vítor Martelo. (Nenhuma piada deve ser subentendendida a este respeito).
Este "lamentável engano" passa desde hoje a ombrear na Galeria "Ops!" com uma história que nunca confirmei pessoalmente, de uma empreitada de demolição de uma vivenda no Restelo em que tudo começou com um "Olha lá, era o 27, não era?"
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Cidadania
Birds of a feather will flock together
Labels, essas malditas que me levaram durante longas semanas à beira do precipício do tédio... É só para avisar que todos os conteúdos das entradas deste extenso blog já estão devidamente etiquetadas e catalogadas. A julgar pelo número de vezes que encontro gente a ler por categorias, as mesmas são deveras populares. Que vos façam bom proveito.
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Faits Divers
29 setembro 2007
Momento Constantino
..."Há dois deveres na vida, a que um homem nunca foge: Amar a Pátria querida e ainda não bebi nada hoje..."
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Faits Divers
28 setembro 2007
A atençãozinha
É uma das maiores instituições portuguesas. Está a par do "jeitinho", e do "se pudesses fazer qualquer coisinha". Ia escrever sobre ela mas não sei se deva. Talvez se me fizerem uma "atençãozinha"...
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Cidadania
Senhor Director dos Impostos
Como forma de saudar a sua tomada de posse no cargo da Direcção Geral de Impostos, remeti-lhe um chequezinho que os vossos serviços fizeram questão que entregasse em mão. Faça o favor de não gastar mal gasto, tá?
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Cidadania
27 setembro 2007
Email marketing
Sendo o email uma das minhas mais usadas ferramentas de comunicação não é raro que me perguntem "Onde diabo arranjou o meu endereço?", como se o endereço fosse uma espécie de virgindade protegida. Em tempos investia algum do meu tempo a explicar que os endereços são dados que fluem e que podem ser recolhidos de variadíssimas maneiras. Por norma o diálogo com o "ofendido" prolongava-se por mais duas ou três sessões de correio electrónico. No more! Desde que passei a dizer às pessoas que comprei o endereço a um grupo mafioso ucraniano, mais ninguém fez perguntas.
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Faits Divers
As gravações do Luís Gaspar
Já toda a gente sabe que tenho um amigo, de sua graça Luís Gaspar, dono e senhor de uma voz talhada a preceito para locução, coisa que fez e faz com perfeição. As suas cordas vocais dão cama, mesa e voz lavada a um imenso rol de peças publicitárias em televisão, rádio e cinema que todos nós já escutámos por aí. Tem um dos blogs mais antigos que conheço (dedicado à publicidade) e mais recentemente abriu "aventuras sonoras" (Palavras de Ouro, Lugar aos Outros e Poesia Erótica) que se alojam todas debaixo do mesmo tecto que dá pelo nome de Estúdio Raposa. No seguimento da entrada anterior, recebi alguma correspondência e comentários perguntando se haveria mais material meu gravado pelo Luís Gaspar. Há sim, e embora eu não tenha até hoje (shame on me), organizado devidamente esses ficheiros. aqui ficam os nomes e os ficheiros áudio.
O "Pintor de letreiros" está aqui. O "Canoa, por onde vais?" está aqui. O "A pauta dos prodígios" está aqui e o "Não tenho mão na voz que sou" está aqui. Penso que não me escapou nenhum, mas se tiver escapado estão todos no Estúdio Raposa.
O "Pintor de letreiros" está aqui. O "Canoa, por onde vais?" está aqui. O "A pauta dos prodígios" está aqui e o "Não tenho mão na voz que sou" está aqui. Penso que não me escapou nenhum, mas se tiver escapado estão todos no Estúdio Raposa.
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Faits Divers
O pintor de Letreiros (revisitado)
Quem leu (ou ouviu) o conto "O Pintor de Letreiros" que aqui em tempos publiquei, saberá que a história acaba mal com a morte do personagem principal. Pois, docentes de Português do Ensino Secundário agarraram no texto que serviu de base a um teste de diagnóstico de língua portuguesa e submeteram-no aos alunos. Uma das alíneas do enunciado, desafiava o aluno a alterar o final da história e a dar-lhe um desfecho diferente. Algumas das respostas obtidas poderão ser lidas abaixo:
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Procurou num baú antigo uma corda grossa e uma tábua. Logo de seguida encontrou o berbequim e fez dois buracos em cada ponta da tábua. Passados dez minutos tinha construído um baloiço para o seu neto brincar."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Observou que havia na oficina um computador que o neto havia posto de lado, saiu de casa, sentou-se na motoreta e foi comprar um livro "Como trabalhar com um computador" e leu o livro toda a noite. No outro dia olhou para o neto e mostrou-lhe as letras que tinha feito com várias cores e feitios e sombreados, como nunca tinha visto, foi falar depois com o dono do café e mostrou-lhe o seu trabalho, o sr. Agostinho adorou, disse logo com essa idade ainda não perdeste o jeito e pediu-lhe que fizesse um letreiro para o seu toldo e assim
que as pessoas viram aquilo também quiseram e inventou mais sombreados e cores e todos lhe encomendavam trabalhos. Um dia o pobre coitado depois de muito trabalhar adormeceu para sempre em frente ao velho computador que o tinha feito continuar no mundo das letras"
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Pensou em enforcar-se mas não teve coragem e foi a correr pedir ao neto que o ensinasse a trabalhar com o computador e assim tentou começar uma nova vida de publicista."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Enquanto reparava no que fizera passou um grupo de crianças que ficaram admiradas com o seu trabalho e pediram-lhe que as ensinasse a pintar assim uma obra de arte mas do ponto de vista das crianças. Acabou o resto dos seus dias a ensinar crianças, incluindo o seu próprio neto"
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Ele sabia que tinha talento mas não conseguia competir com o computador. No regresso a casa ia vendo as pinturas que sabia que não se podiam comparar com as suas, ele não gostava de ter sido superado mas era algo que tinha que perceber por isso tomou uma decisão: ia deixar de pintar."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. ao ver que a arte que o tornara célebre havia sido ultrapassada pela evolução tentou aliar-se à arte que o neto lhe mostrava, acabando por estabelecer com o neto uma aliança de sucesso. Assim aplicando a sua arte nas novas tecnologias conseguiu manter um pouco do seu orgulho e aplicar a sua arte com o futuro."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Procurou num baú antigo uma corda grossa e uma tábua. Logo de seguida encontrou o berbequim e fez dois buracos em cada ponta da tábua. Passados dez minutos tinha construído um baloiço para o seu neto brincar."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Observou que havia na oficina um computador que o neto havia posto de lado, saiu de casa, sentou-se na motoreta e foi comprar um livro "Como trabalhar com um computador" e leu o livro toda a noite. No outro dia olhou para o neto e mostrou-lhe as letras que tinha feito com várias cores e feitios e sombreados, como nunca tinha visto, foi falar depois com o dono do café e mostrou-lhe o seu trabalho, o sr. Agostinho adorou, disse logo com essa idade ainda não perdeste o jeito e pediu-lhe que fizesse um letreiro para o seu toldo e assim
que as pessoas viram aquilo também quiseram e inventou mais sombreados e cores e todos lhe encomendavam trabalhos. Um dia o pobre coitado depois de muito trabalhar adormeceu para sempre em frente ao velho computador que o tinha feito continuar no mundo das letras"
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Pensou em enforcar-se mas não teve coragem e foi a correr pedir ao neto que o ensinasse a trabalhar com o computador e assim tentou começar uma nova vida de publicista."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Enquanto reparava no que fizera passou um grupo de crianças que ficaram admiradas com o seu trabalho e pediram-lhe que as ensinasse a pintar assim uma obra de arte mas do ponto de vista das crianças. Acabou o resto dos seus dias a ensinar crianças, incluindo o seu próprio neto"
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. Ele sabia que tinha talento mas não conseguia competir com o computador. No regresso a casa ia vendo as pinturas que sabia que não se podiam comparar com as suas, ele não gostava de ter sido superado mas era algo que tinha que perceber por isso tomou uma decisão: ia deixar de pintar."
"Depois parou, olhou o tecto e as traves do telhado em pormenor. ao ver que a arte que o tornara célebre havia sido ultrapassada pela evolução tentou aliar-se à arte que o neto lhe mostrava, acabando por estabelecer com o neto uma aliança de sucesso. Assim aplicando a sua arte nas novas tecnologias conseguiu manter um pouco do seu orgulho e aplicar a sua arte com o futuro."
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Faits Divers
26 setembro 2007
25 setembro 2007
Ora embrulha!
Apercebi-me hoje de uma nota condenatória do Episcopado sobre o já famoso "esquema dos viúvos" que casam em segundas núpcias em Espanha onde esse casamento não tem efeitos civis em Portugal, o que lhes possibilita continuar a receber as pensões devidas pelas mortes de esposas e esposos. É condenável sim, mas o que eu queria mesmo ver respondido era a pergunta que faz o senhor Fictício Silva, no texto que hoje li no Correio da Manhã:
..."António Silva (nome fictício), 69 anos, não quer dar a cara, nem sequer identificar-se. Diz que já lhe chega o estigma de ser conhecido como o “galego” da terra, por ter casado, em segundas núpcias, numa igreja da região espanhola da Galiza. Diz que o fez “de forma consciente”, já que a reforma que tem “é tão pequena que mal dá para comer”. E vai mais longe: “Este dinheiro faz-me falta para viver. Recebo 230 euros de reforma, mais 120 por parte da minha mulher, o que dá 350 euros por mês. Se isto é roubar o Estado, então o que dizer dos deputados que ficam com um ordenado de 500 contos ao fim de 12 anos de serviço”."
..."António Silva (nome fictício), 69 anos, não quer dar a cara, nem sequer identificar-se. Diz que já lhe chega o estigma de ser conhecido como o “galego” da terra, por ter casado, em segundas núpcias, numa igreja da região espanhola da Galiza. Diz que o fez “de forma consciente”, já que a reforma que tem “é tão pequena que mal dá para comer”. E vai mais longe: “Este dinheiro faz-me falta para viver. Recebo 230 euros de reforma, mais 120 por parte da minha mulher, o que dá 350 euros por mês. Se isto é roubar o Estado, então o que dizer dos deputados que ficam com um ordenado de 500 contos ao fim de 12 anos de serviço”."
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Cidadania
Pêpêdê Pêéssedê
Vamos lá ver se eu entendo: Se for açoriano, tiver morrido até à passada Sexta Feira, e quiser votar em Marques Mendes, posso fazê-lo?
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Cidadania
Hey you, out there in the cold
E mal pôs os pés no chão frio de mosaico negro da casa de banho lembrou-se de F., a quem um dia, provavelmente depois de ter sentido nas plantas dos seus próprios pés, o frio do chão de sabe-se lá que mosaico frio da sua própria casa de banho, ocorreu-lhe que seria um bom dia para ficar em paz com a sua consciência. Não soube pormenores, nunca os soube, mas F. apareceu em todos os noticiários matutinos depois de ter cravado meia dúzia de tiros no corpo de quem era agora um ex-patrão. E mal pôs os pés no chão frio da casa de banho, lembrou-se de F. a quem hoje entende um pedacinho mais do que entendia ontem, e a quem, em cada dia que passar doravante, entenderá todos os dias um bocadinho adicional. Soube ontem que F. o assassino de João Champalimaud morreu na prisão.
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Faits Divers
O caçador de pérolas
"Não percebo... O obstetricista jurou-me que a miúda só nascia amanhã..."
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Pérolas
Animoto
Carago! Já vi hoje muita coisa. E quando me preparo para ir dormir ainda faço mais um click e descubro um video instrutivo de sessenta segundos, que é só a coisinha mais "subject driven" que já tive oportunidade de ver. É no Animoto e é preciso clicar no Learn More - Watch the 60 seconds video. Já vi sessões de formação onde se explicava menos em muito mais tempo...
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Faits Divers
24 setembro 2007
Aung San Suu Kyi
À sombra de um qualquer Deus, amarelo, branco, azul, às riscas, whatever, curvo-me perante a coragem e determinação desta mulher. Aung San Suu Kyi. Podia ter fugido e não fugiu, podia ter parado uma luta silenciosa e tomou o caminho mais difícil. Com milhares nas ruas em protesto, possivelmente na mira de mais um banho sangrento que o poder não desdenhará, ela resiste. Silenciosamente. O Myanmar não mais será o mesmo e a minha admiração por esta espécie de gente que investe uma vida inteira numa luta, só encontra paralelo em Nelson Mandela. Walk on, o nome da faixa dos U2 que lhe é dedicada, faz agora verdadeiramente jus à luta do seu povo.
Peço desculpa ao Pedro Ribeiro pela boleia do tema, mas é mais do que merecido.
Peço desculpa ao Pedro Ribeiro pela boleia do tema, mas é mais do que merecido.
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Cidadania
Pom Pom Pom
Não sou músico, nunca fui, nunca serei. A minha capacidade no que à notação musical diz respeito é similar à capacidade de Marques Mendes para fazer oposição ao Governo, com a vantagem de eu ainda saber escrever uma ou duas notas. Mas há estruturas ritmícas que me fazem despertar. A percussão de um adufe, o tinir de um ferro ou o pom pom pom de uma tuba soprada com alma, mexem com a minha genética lusitana. Sou manifestamente adepto de música popular portuguesa, capaz de cantarolar melodias que, pelo menos para mim, são intemporais. Falo das "Carvoeiras", do "Há festa na Mouraria" e de muitos outros que nos estão a todos implantados no sangue. Como o "Oh Senhor dos Matosinhos, oh Senhora da Boa Hora, ensinai-nos os caminhos, p'ra desandar daqui para fora".
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Faits Divers
Assentamento de tijolo
Confessei-o uma vez publicamente e poucos se esqueceram: Em matéria de bricolage há um aspecto em que eu não me atrevo a lançar mãos à obra. Tudo o que inclua assentamentos, sejam azulejos ou tijolos, correu no passado sempre verdadeiramente mal. Basta ter a mistura explosiva de cimento e areia para que o resultado final faça inveja a Gaudis e Fosters. Mas o Pedro Barreto veio em meu socorro com uma daquelas propostas TV Shop que me fez pensar "Isto é capaz de resultar...".
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Faits Divers
23 setembro 2007
22 setembro 2007
A voz da experiência
O cortejo automóvel serpenteava pela vila inundando os ouvidos dos passantes com a costumeira algazarra de buzinas e apitos estridentes. O Mercedes que abria a longa fila de automóveis, engalanado com rendinhas, balões e outras decorações festivas parecia não ser conduzido com grande maestria, o que é mau, pois atrasará potencialmente o almoço, parecendo andar errante à volta do quarteirão. Eu segui pelo passeio, protegendo os ouvidos do som, e os olhos das antenas com pendentes pirosos. Ela, ao meu lado, empurrava um carrinho de bébé e aproveitando uma pausa no barulho, disse entre dentes: "Sim, sim, amanhã estão descasados... Não sei p'ra quê tanta festa... Eu já vou no quarto..."
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Faits Divers
21 setembro 2007
20 setembro 2007
Toca a todos, right?
Os que são informáticos conhecem a velhíssima máxima que diz "se funciona não mexas mais". É pena que apesar de estar careca de o saber, tenha decidido remodelar aqui o meu cantinho a que carinhosamente chamo "O caos" e que agora, por via de algo que não devia ter sido tocado precisamente porque funcionava, haja uma pancadaria de coisas que tenham deixado de trabalhar... O Hub por exemplo. Eu sei que ele estava colado com fita cola à parte inferior do tampo da secretária. Mau grado ter um aspecto de um polvo alimentado a esteróides, a coisa cumpria a sua função. No more! O cabo óptico cuja ficha Toslink tinha vida própria e saltava sozinho do encaixe, agora deixou de saltar, o que é uma pena porque deixei de ter som... E ainda bem que decidi acrescentar um terceiro monitor ao setup... É que quando o ligo, nenhum dos outros dois faz menção sequer de acusar o mínimo sinal de vida... Ah, como eu gosto de remodelações.
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Faits Divers
O povo é quem mais ordena
Não confirmei a história, pelo que a vendo pelo mesmo preço pela qual a comprei. Supostamente a aldeia de Várzea de Meruge em Seia, cansou-se de pedir à Junta de Freguesia que procedesse ao arranjo de uma estrada. Com um notável sentido de humor, a população terá, alegadamente, feito uma bela plantação de couves nos buracos do pavimento.
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Cidadania
19 setembro 2007
A vida é um bocadinho puta...
Se qualquer um de nós olhar para trás, terá stock suficiente para abrir um bordel. E nem é uma questão de estar mais ou menos atento, mais vocacionado para isto ou para aquilo. Um tipo olha para um projecto profissional, tem as suas dúvidas e as suas certezas. Pesa tudo muito bem pesadinho, arredonda os gramas, para mais ou para menos. Examina as decisões de longe e de perto. Reflecte. Se for como eu sou, reflecte durante muito tempo. E é garantido que pode uma pessoa levar seis meses ou seis anos para tomar uma decisão, que, precisamente no dia em que a tomar, surgirá de rompante uma outra proposta que me fará exclamar um qualquer impropério e recomeçar tudo de novo.
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Biografia
18 setembro 2007
Vencedores do Passatempo iCreate Setembro
As respostas certas às questões colocadas no Passatempo iCreate (Setembro) eram, 30% (ou a transcrição dos valores de assinatura) e Queluz, respectivamente.
Eis a lista dos vencedores do Passatempo iCreate (Setembro). Todos os vencedores serão contactados por email para conferir detalhes de ordem logística.
(Por ordem de entrada em cena das respostas certas): Pedro Fernandes, Luís R.Silva, José L.C. Ferreira, Pedro Farto, Luís M.Ferreira, Álvaro Sousa, Reto Scherraus, Luís Sousa, Carlos Pereira, Dinis Correia, Carlos Santos, Sérgio Currais, Marco Pinheiro, Mónica Mendes, Rui Miguel Santos, Pedro Regadas, Ricardo Lopes, José Carrapatoso, Élco Chiquinato, João Loureiro, Armindo P. Ferreira,Gonçalo Pimenta, Ricardo Lamego, Silvía Pinto, André Caeiro, Tiago Seixas, José Bhuda, José Pedro Filipe, Joaquim Faias, Hugo Paraíso.
Obrigado a todos pela participação em grande número (para não variar).
Eis a lista dos vencedores do Passatempo iCreate (Setembro). Todos os vencedores serão contactados por email para conferir detalhes de ordem logística.
(Por ordem de entrada em cena das respostas certas): Pedro Fernandes, Luís R.Silva, José L.C. Ferreira, Pedro Farto, Luís M.Ferreira, Álvaro Sousa, Reto Scherraus, Luís Sousa, Carlos Pereira, Dinis Correia, Carlos Santos, Sérgio Currais, Marco Pinheiro, Mónica Mendes, Rui Miguel Santos, Pedro Regadas, Ricardo Lopes, José Carrapatoso, Élco Chiquinato, João Loureiro, Armindo P. Ferreira,Gonçalo Pimenta, Ricardo Lamego, Silvía Pinto, André Caeiro, Tiago Seixas, José Bhuda, José Pedro Filipe, Joaquim Faias, Hugo Paraíso.
Obrigado a todos pela participação em grande número (para não variar).
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iCreate
O caçador de pérolas
..."Com a possibilidade de atingir 100 Km/h, dispõe de uma resposta rápida, que lhe permite sair com facilidade dos problemas de tráfico."
Eu, se fosse dealer, comprava já uma moto destas. In Revista do ACP Setembro de 2007
Eu, se fosse dealer, comprava já uma moto destas. In Revista do ACP Setembro de 2007
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Pérolas
Me sinto pisando um chão de esmeraldas
Tenho feito, ao longo dos últimos dois anos, uma compilação de fotografia e video, acompanhando o crescimento de uma ternurenta criancinha, compilação essa que tem deliciado ao extremo do deleite, os pais e os avós e restante entourage familiar. Acreditamos, eu e esta gente toda, que daqui por vinte anos a criança, Carolina de sua graça, vai ter um portfolio multimedia capaz de fazer inveja a muita gente. Estamos a compor todo este material em DVD, mas receio bem que daqui por vinte anos a Carolina venha a ter problemas. Os mesmos problemas que eu teria se me oferecessem hoje retalhos da minha vida infantil numa bobina de Super 8...
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Benfica,
Cidadania,
Faits Divers
Hoje é dia de S. Benfica
..."Da última vez que o Benfica foi jogar a S. Siro como Camacho como treinador, marcou três golos. Desta vez, como é óbvio, espero que a equipa faça um pouco melhor. Não estou a dizer que o jogo vai ser fácil, antes pelo contrário. Na minha opinião, vão estar frente a frente aquela que é, para mim, a melhor equipa do mundo neste momento, e o Milan. Vai ser complicado. Sei que ajudei a popularizar , no Estádio da Luz, o estribilho "quinze a zero!". Mas não sou um idiota eufórico, e tenho perfeita noção das dificuldades que vamos enfrentar. À partida para Milão eu sei perfeitamente que é quase impossível darmos mais de catorze a zero àqueles italianos. Quanto ao resto, os jogadores do Benfica devem ter cuidado com o jogo sujo, Não esquecer que o Maldini tem idade para ser avô do Miguel Vítor. Pode querer suborná-lo com doces, como os velhotes costumam fazer às crianças. E vamos para cima deles, que o Rijkaard já não joga. Sempre quero ver como se safam sem ele."
Excerto da coluna "A Chama Imensa" em A Bola, 16 de Setembro de 2007
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Benfica
Santa Cruz Operations
Santa Cruz Operations (SCO), a primeira empresa internacional com quem troquei correspondência laboral, declarou falência. Receio bem ter sido eu o culpado...
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Faits Divers
17 setembro 2007
O caçador de pérolas
..."Pois eu acho que só te safas se comprares um varão ozogonal..."
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Pérolas
CTT Expresso (Fim da contenda)
Se se recordam da reclamação que apresentei aos CTT sobre uma encomenda Expresso, aqui e aqui, terão provavelmente visto um comentário que foi deixado por Luís Nazaré onde era dito que o reembolso seria efectuado pelos CTT. Ei-lo. Registo com satisfação o facto de Luís Nazaré ter deixado o comentário, pois não é habitual um CEO de uma empresa pública comentar em blogs, mais a mais para apresentar desculpas e devo até dizer que os CTT foram bem além do que foi apresentado como reclamação, ou seja, eu pedia a diferença entre uma encomenda normal e a tarifa Expresso, sendo que a empresa optou pelo reembolso total. Agradeço a amabilidade e encerro este assunto. Porque também sou adepto da crítica construtiva, devo adiantar que a deficiência de informação que gerou esta reclamação permanece passível de acontecer novamente. Em doze estações de CTT onde fiz a pergunta "Quanto tempo leva uma caixa com 16 Klgs. a chegar ao Funchal?" a resposta é invariavelmente "Dois a três dias". Talvez fosse de realçar junto dos balcões que isto não é verdade.
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Faits Divers
16 setembro 2007
Paso doble
C., o tontinho oficial da aldeia entrou esbaforido na colectividade, arfando como uma locomotiva a precisar de água na caldeira. "Uma mini, depressa!". Afastei a folha de jornal para dar espaço a tamanha sede e olhei de relance para ver o que aí vinha. Se as entranhas me não enganam, de cada vez que vejo este personagem fico com mais uma história para contar. C. continuava manifestamente nervoso e nem a fresquidão da cerveja conseguira acalmar tamanha excitação. Tudo o que era necessário era uma pequena faísca, um percussor que fizesse desenrolar o fio à anunciada meada. Mas decidi fazer render o peixe, prolongar o início, embrenhado que estava na leitura. Aos costumes ninguém lhe deu muita atenção. Talvez eu desejasse secretamente que alguém perguntasse alguma coisa, bastava-me esperar. Suspirava C. agora, sentia-se que tinha necessidade de dizer algo entre suspiros e gestos nervosos. Ninguém o fez. Ora, se ninguém o faz deixá-lo, há-de ralar-se muito e ele mesmo iniciou o rol de queixas. "Pfffft! Que porcaria de corrida de touros! Os cavalos não prestavam, os toureiros ainda menos! Que porcaria de corrida!". Do lado de dentro do balcão, vi um olhar irónico, mas a falta de réplica estava a estragar-me uma boa história... "Que grande porcaria foi aquela corrida de touros! Não havia um touro que prestasse, 'tá a ouvir senhor Pedro? Grande porcaria!". Não me consegui aguentar. Olha lá, mas tu foste ver a corrida? "Não. não fui. Mas contaram-me!"
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Biografia
O caçador de pérolas
..."por isso á serca de um ano que ando para lhe escrever"...
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Pérolas
15 setembro 2007
Mestre Alves (It's payback time!)
Um dos posts mais populares deste blog, no que a motores de busca diz respeito, é o inefável Mestre Alves. É muito raro o dia em que não haja buscas sobre a personagem que aqui não desaguem. Hoje, um comentário no post original fez-me pensar que Mestre Alves tem uma Liga de Amigos que não tardará a ser constituída...
Caros amigos… O grande Mestre Alves e sua invisível equipe da Revista Oculta desta vez pisou mesmo os limites em situação que em breve poderei expôr. Precisava da colaboração de todos os lesados pelos serviços e palavras deste homem. Queiram pf enviar e-mail p marga.dam@hotmail.com Caso prefiram mantenham confidencialidade de nomes moradas e outras questões. Passando-me apenas informação sobre as quais foram lesados, enganadosdos, vigarizados. Muito Agradeço Marga
Da minha parte não tenho grandes razões de queixa, não me sinto lesado apesar de Mestre Alves não ter acertado uma no que às minhas cores diz respeito...
Caros amigos… O grande Mestre Alves e sua invisível equipe da Revista Oculta desta vez pisou mesmo os limites em situação que em breve poderei expôr. Precisava da colaboração de todos os lesados pelos serviços e palavras deste homem. Queiram pf enviar e-mail p marga.dam@hotmail.com Caso prefiram mantenham confidencialidade de nomes moradas e outras questões. Passando-me apenas informação sobre as quais foram lesados, enganadosdos, vigarizados. Muito Agradeço Marga
Da minha parte não tenho grandes razões de queixa, não me sinto lesado apesar de Mestre Alves não ter acertado uma no que às minhas cores diz respeito...
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Eu e a fotografia
Como já o mais distraído dos leitores percebeu, tenho andado a brincar com uma máquina fotográfica "em bom". Claro que o conceito de "em bom" variará de fotógrafo para fotógrafo (quase ouço a gargalhada do Luíz Carvalho a ler isto). Ao contrário da pesca, hobby de que gosto muito mesmo que passe vinte e quatro horas sem pescar um peixe, começo a irritar-me com a minha gritante falta de resultados no alcançar daquele momento exacto. Ontem, fui a uma largada de touros convencido de que traria belíssimas imagens, pormenores de excepção e coisas capazes de um Pulitzer fotográfico. Não trouxe nada. Nadinha. No único momento de risco em que tinha o boi à mercê óptica, a coisa não correu bem, não por culpa do touro obviamente (mas também) comigo a enrolar-me em aberturas, velocidades, flashes e mais algumas minudências. O touro parou uns metros à minha frente e aproveitei um dos raros momentos em que estive fora dos borladeros para tentar a imagem. Eu juro que isto são os olhos dele, agora tentem imaginar o resto do animal, tá bem?
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A escada do sucesso tem imensas tipas nuas
Vou-me deitar um bocadinho satisfeito. Só um bocadinho. Estive a ver os rankings portugueses de estatística de blogs e constatei que, ainda que de forma efémera (sic transit gloria mundi) consegui ultrapassar nas tabelas alguns nomes que sempre vi como inatingíveis. Páginas mediáticas e deveras populares como o blog de David Fonseca, o A causa foi modificada, A Barriga de um arquitecto ou António Boronha de quem sou leitor atento, estão por hoje listados abaixo das Pulgas. Eu sei que isto é conjuntural, não durará muito mas ainda assim saborearei o momento. Quando olho para cima vejo imensas tipas nuas e já sabemos, contra páginas com tipas nuas não há discussão possível...
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Faits Divers
14 setembro 2007
Kellogs
Segundo o leitor Pedro Cavilhas, a quem agradeço a imagem, existem duas teorias para esta situação: A) A Kellogg's tem pena dos Portugueses, mais enfezadinhos em relação aos Espanhóis, e enriqueceu os flocos vendidos em Portugal de tal forma que 30g dos flocos portugueses têm a mesma quantidade de nutrientes que 40g dos flocos espanhóis (+33,33%!) B) Sempre terá sido assim: uma mesma determinada quantidade de matéria em Portugal pesa 0,03Kgf e em Espanha pesa 0,04Kgf... o que explica muita coisa! Acrescento uma terceira que tem a ver com a diferença de IVA nas calorias...
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13 setembro 2007
Scolari
Gosto muito do profissional Luís Filipe Scolari. Do modo profissionalíssimo com que exerce a sua profissão. Estou-lhe grato por tudo quanto fez pelo futebol português, ainda que perceba que não reune o favoritismo geral, (são os mesmos que em tempos tiveram de o engolir e que agora vislumbraram nova chance...). E Scolari tem ainda uma outra vantagem, é que se defende a si e ao seu grupo de uma forma exemplar e não precisa por isso que eu o defenda. Como ele mesmo disse há minutos, "pode um homem ter cem virtudes mas basta-lhe errar uma vez para que o céu lhe caia em cima".
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Faits Divers
Oh "bráda" where art thou?
Quando ele avançou pela plataforma em pequenos passos, amachucando na mão esquerda um mapa de Lisboa, algo houve que me acordou para não estar perante mais um passageiro banal do Metro de Lisboa. Seco de carne, meão de figura, havia naquele negro um ar régio e altivo. Apoiava-se numa belíssima bengala encastoada do que me pareceu ser ouro, discreto e chamativo ao mesmo tempo, mãos ossudas, magras, cabelo branco o que num negro é tão raro, sinais exteriores de riqueza e sabedoria. Estava perdido, pedira indicações, já eu reparava nele há alguns minutos. Há algo na genética lusófona que nos alerta para a presença de irmãos de cultura. Não é sequer a primeira vez que dou por isso, há nervos que vibram de mansinho e que nos dizem "Este é dos meus...". Ainda fui a tempo de ouvir que lhe davam uma informação errada e se ele há coisa que me dana é que se engane o semelhante, mesmo que o semelhante seja negro, esteja carregado de ouro e seja velho. Deixei passar aquele comboio, sabia que não me enganaria. "Precisa de ajuda?". "Yeahh, preciso, isto é muito confuse". Aquela interjeição não era portuguesa, ainda assim o preciso foi perfeito. Mirei-o de perto. Negro retinto, um brilho de pele que o envolvia e que ao mesmo tempo o destacava de todos quantos passavam. "Quero ir para Queluz, tenho de apanhar um train para Entrecampos, como é que chego lá?". Venha comigo, eu vou para Entrecampos para a estação dos comboios. Os olhos brilharam-lhe, agradeceu assentindo a cabeça, sempre com aquele ar majestoso.
"Estou cá de férias, não conheço nada disto, não venho a Portugal há quase sixty years...". Não se preocupe, eu levo-o lá, não me dá trabalho nenhum. "Thank you! Thank you!". Já lhe adivinhara a pronúncia americana, mas o resto do português era demasiado perfeito para ser estrangeiro. Seguimos os dois, bamboleando na composição, nao falámos até ao destino, limitei-me a ficar a vê-lo, as duas mãos apoiadas no topo da bengala, os olhos pequenos e brilhantes sorvendo a luz que entrava pelas janelas enquanto o metro não mergulhou na escuridão do túnel. Fiz-lhe sinal para sairmos, cavalheirescamente levou a mão à fronte, saudando uma pequena que entrava apressadamente na estação e ouvi-lhe claramente um "G'day miss". Eu fervia de curiosidade. De onde é o meu amigo? "New York, América". Que não tinha razões para estar perdido, afinal falava português, que de Brooklyn para Battery Park teria de mudar de metro muitíssimas mais vezes. "O senhor conhece New York?" Sim, conheço, vou lá de quando em vez. "Sabe, eu estudei cá em Portugal desde pequenino...". Fiquei surpreso, não lhe sabendo a idade podia adivinhá-la e não era de todo em todo normal que um negro tivesse oportunidade de ter feito o ensino básico em Lisboa. "Não, não foi em Lisboa, eu estudei em Tomar...". Não me diga, preparava-lhe eu a surpresa, não me diga que estudou no Nun'Álvares, o queixo tombou-lhe de espanto. Ele não podia adivinhar que o Nun'Álvares em Tomar é um velho conhecido meu, nem haveria de saber que eu sabia que só estudavam no internato do Nun'Álvares dois tipos de pessoas, os corrécios de casos difíceis e os filhos de gente de posses que queria controlo disciplinar absoluto sobre os seus filhos. "Não me diga que também levou umas valentes reguadas do Padre F.?". "I'll be damned, I'll be damned, nunca pensei que alguém ainda se lembrasse do son of a bitch...".
Pediu-me desculpa e sentou-se num dos bancos da gare. "Mas você é novo, não se pode lembrar dele..." E não lembro, apenas recordo relatos de horrores e sevícias, que eu vivi lá perto e tenho muitos amigos que por lá passaram". "Listen, eu vou agora à procura da casa do meu "bráda" que já não vejo desde menino. Vou a Queluz, God Bless you". Trocámos números de telefone. "A última vez que o vi, lembro-me da nossa mãe estar a assar sardines...". Há lá coisa mais portuguesa que termos como última memória uma mãe a assar sardinhas? Quando o deixei na carruagem do comboio que o haveria de levar a Queluz, tive uma pena imensa de não ir com ele e de ouvir o resto da história. Um segundo antes das portas se fecharem, apertou-me a mão, colocou a outra sobre as costas da minha e sussurrou "I'll be damned, que coisa esta...".
"Estou cá de férias, não conheço nada disto, não venho a Portugal há quase sixty years...". Não se preocupe, eu levo-o lá, não me dá trabalho nenhum. "Thank you! Thank you!". Já lhe adivinhara a pronúncia americana, mas o resto do português era demasiado perfeito para ser estrangeiro. Seguimos os dois, bamboleando na composição, nao falámos até ao destino, limitei-me a ficar a vê-lo, as duas mãos apoiadas no topo da bengala, os olhos pequenos e brilhantes sorvendo a luz que entrava pelas janelas enquanto o metro não mergulhou na escuridão do túnel. Fiz-lhe sinal para sairmos, cavalheirescamente levou a mão à fronte, saudando uma pequena que entrava apressadamente na estação e ouvi-lhe claramente um "G'day miss". Eu fervia de curiosidade. De onde é o meu amigo? "New York, América". Que não tinha razões para estar perdido, afinal falava português, que de Brooklyn para Battery Park teria de mudar de metro muitíssimas mais vezes. "O senhor conhece New York?" Sim, conheço, vou lá de quando em vez. "Sabe, eu estudei cá em Portugal desde pequenino...". Fiquei surpreso, não lhe sabendo a idade podia adivinhá-la e não era de todo em todo normal que um negro tivesse oportunidade de ter feito o ensino básico em Lisboa. "Não, não foi em Lisboa, eu estudei em Tomar...". Não me diga, preparava-lhe eu a surpresa, não me diga que estudou no Nun'Álvares, o queixo tombou-lhe de espanto. Ele não podia adivinhar que o Nun'Álvares em Tomar é um velho conhecido meu, nem haveria de saber que eu sabia que só estudavam no internato do Nun'Álvares dois tipos de pessoas, os corrécios de casos difíceis e os filhos de gente de posses que queria controlo disciplinar absoluto sobre os seus filhos. "Não me diga que também levou umas valentes reguadas do Padre F.?". "I'll be damned, I'll be damned, nunca pensei que alguém ainda se lembrasse do son of a bitch...".
Pediu-me desculpa e sentou-se num dos bancos da gare. "Mas você é novo, não se pode lembrar dele..." E não lembro, apenas recordo relatos de horrores e sevícias, que eu vivi lá perto e tenho muitos amigos que por lá passaram". "Listen, eu vou agora à procura da casa do meu "bráda" que já não vejo desde menino. Vou a Queluz, God Bless you". Trocámos números de telefone. "A última vez que o vi, lembro-me da nossa mãe estar a assar sardines...". Há lá coisa mais portuguesa que termos como última memória uma mãe a assar sardinhas? Quando o deixei na carruagem do comboio que o haveria de levar a Queluz, tive uma pena imensa de não ir com ele e de ouvir o resto da história. Um segundo antes das portas se fecharem, apertou-me a mão, colocou a outra sobre as costas da minha e sussurrou "I'll be damned, que coisa esta...".
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Biografia
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Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.
Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co'o tormento,
Para que seus enganos não dissesse
Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,
Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.
Luís de Camões
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Faits Divers
12 setembro 2007
Gentlemen, start your iPod
Vós, que estais que nem o nome deste blog, (em pulgas) para colocardes entre vossas mãos e dedos uma destas coisinhas, que tremeis à simples menção de qualquer coisa que termine em "Pod", saibam que haverá brinquedos destes nas prateleiras das cadeias de retalho, durante este fim de semana. Juro. Informação de fonte bem colocada que permanecerá anónima (não ia dizer que o homem se chama Manuel Silva).
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Apple
Um dia, talvez...
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Espelhos
11 setembro 2007
Sustos
Recebi a notificação para pagamento da minha "Conta Certa EDP" e fiquei em choque (piada subentendida...), mas este mocinho terá ficado pior...
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Faits Divers
Perícia forense
Estive a olhar para os tapetes do meu carro e estou convencido de que os especialistas forenses eram meninos para reconstruir a evolução humana quase até ao Big Bang...
P.S.- Alguém, por favor, envia uma caixa de Prozac ao Barra da Costa?
P.S.- Alguém, por favor, envia uma caixa de Prozac ao Barra da Costa?
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Faits Divers
Security Report
Acabo de receber um convite de uma multinacional de software que requisita a minha presença num evento de apresentação de um Report de Segurança na Internet. Seria uma coisa banal se o convite não trouxesse em aberto todos os endereços de email da base de dados para quem foi enviada...
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Faits Divers
Quel coeur, quel courage
Orgulho-me tremendamente ao ver este grupo de amadores (sim, aqueles que amam) a cantar o hino nacional como se fossem entrar num campo de batalha, dispostos a morrer por uma causa. A selecção nacional de Rugby, a única equipa amadora na competição, sabe que não terá nada fácil pela frente num grupo em que se espera que Portugal seja o bombo da festa. Que se lixe! O primeiro ensaio frente à Escócia foi festejado como se o Campeonato tivesse sido ganho e ainda há poucos dias li uma entrevista de Vasco Uva, o capitão de equipa, explicando que difícil, difícil, será explicar aos jogadores que só quinze podem alinhar de início frente à Nova Zelândia. O mesmo Vasco Uva que foi considerado "man of the match" no primeiro jogo de Portugal no Mundial da modalidade e que o especialista do L'Équipe apreciou da seguinte forma:
Y a-t-il un joueur qui vous a marqué dans ces huit premières rencontres ?
J'ai envie d'en citer deux. D'un côté Brian Habana, qui sur son premier essai sort non seulement l'Afrique du Sud d'une mauvaise passe, mais aussi parce qu'il joue très intelligemment, il ne se contente pas d'être une paire de jambes. Il a une bonne lecture du jeu et fait exactement ce qu'il faut faire. L'autre joueur que je retiendrais, c'est le troisième ligne portugais Vasco Uva, qui symbolise vraiment cette esprit portugais, cette vaillance. Dès les premières minutes, on les a vu très limités techniquement, mais quel coeur, quel courage. Ils ont réussi à perturber les Portugais et ils sortent la tête très haute de ce premier match.»
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Faits Divers
10 setembro 2007
CSI Rosário (Episódio: Depois, já se sabe)
"Os cães seguiram o cheiro da menina até à praia... Aquilo foi metida num iate que deu a volta e depois trouxe-a de novo. Sim, que a mim ninguém me convence que a menina não foi levada pelo padre para um iate... Os cães, os cães seguiram o cheiro até à praia e depois já se sabe, com o enrolar da onda, o cheiro desaparece!"
Os argumentistas deviam vir à padaria da minha aldeia.
Os argumentistas deviam vir à padaria da minha aldeia.
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Faits Divers
Meetic abre site no Afeganistão
O Meetic essa extraordinária empresa que tanto banner e anúncio mete aí do lado direito nas barras de publicidade, abriu um site de encontros no Afeganistão...
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Faits Divers
09 setembro 2007
Hotelaria para grunhos
Foge ao meu entendimento a razão pela qual casas que prestam serviços inacreditáveis, que constariam de exemplos práticos de "como não se atende um cliente", continuam cheias, a facturar bem, sem qualquer sinal de desfalecimento. Encontrar o balcão em miseráveis condições de limpeza, ter de implorar para ser atendido, esperar pacientemente pelo serviço que virá errado tendo o promitente cliente de repetir a encomenda parece não ser razão suficiente para o afastamento dos clientes. Os nossos níveis de exigência nunca estiveram tão baixos e temos o que merecemos.
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Cidadania
Estupidez funcional
Tive hoje a prova cabal de que as pessoas em frente de um software de email deixam absolutamente de pensar e reenviam todo e qualquer lixo que lhes aterre na Mailbox... Um suposto "apelo" que visava demonstrar um qualquer amor pela conservação de energia. O subject, um entusiástico "Não apagues este email! Colabora!" convidava as pessoas a apagar todas as luzes que estivessem ao seu alcance durante cinco minutos entre as 19:55 e as 20:00 no dia 30 de Agosto de 2007. O email era datado de 7 de Setembro...
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Faits Divers
Auto Reply
Atento a estas questões sociológicas dos "Auto Reply", aqui deixo oito versões diferentes para respostas de correio electrónico que poderão fazer a diferença:
1- Estou neste momento numa entrevista de emprego e responder-lhe-ei se a minha candidatura falhar. Esteja preparado para a minha mudança de humor...
2- Você está a receber uma resposta automática porque me encontro ausente do escritório. Se eu não estivesse ausente do escritório, as possibilidades de você não receber resposta nenhuma seriam bastante grandes.
3- Não me é possível de momento apagar sem ler os emails disparatados e inúteis que recebo de si até ao meu regresso de férias que ocorrerá a 4 de Abril. Por favor seja paciente e o seu email será apagado sem ser lido pela ordem em que for recebido.
4- Obrigado pelo seu email. O seu cartão de crédito foi debitado em 10 Euros pelas primeiras dez palavras e 1.40 Euros por cada palavra adicional.
5- O meu servidor de correio electrónico é, neste momento, incapaz de verificar a sua ligação e por isso está impossibilitado de entregar esta mensagem. Por favor reeinicie o seu computador e tente novamente. (A beleza disto é que quando eu chegar ao escritório vou saber quem foram os tótós que fizeram isto vezes sem conta.)
6- Obrigado pela sua mensagem, que foi adicionada à lista de correio em espera. A mensagem ocupa neste momento a posição número 354 e uma resposta poderá ser esperada em aproximadamente dezanove semanas.
7. Fugi e empreguei-me num circo diferente.
8- Estarei fora do escritório durante as próximas duas semanas devida a razões de ordem médica. Quando regressar, passe por favor a tratar-me por "Margarida" em vez de "Carlos". Obrigado
1- Estou neste momento numa entrevista de emprego e responder-lhe-ei se a minha candidatura falhar. Esteja preparado para a minha mudança de humor...
2- Você está a receber uma resposta automática porque me encontro ausente do escritório. Se eu não estivesse ausente do escritório, as possibilidades de você não receber resposta nenhuma seriam bastante grandes.
3- Não me é possível de momento apagar sem ler os emails disparatados e inúteis que recebo de si até ao meu regresso de férias que ocorrerá a 4 de Abril. Por favor seja paciente e o seu email será apagado sem ser lido pela ordem em que for recebido.
4- Obrigado pelo seu email. O seu cartão de crédito foi debitado em 10 Euros pelas primeiras dez palavras e 1.40 Euros por cada palavra adicional.
5- O meu servidor de correio electrónico é, neste momento, incapaz de verificar a sua ligação e por isso está impossibilitado de entregar esta mensagem. Por favor reeinicie o seu computador e tente novamente. (A beleza disto é que quando eu chegar ao escritório vou saber quem foram os tótós que fizeram isto vezes sem conta.)
6- Obrigado pela sua mensagem, que foi adicionada à lista de correio em espera. A mensagem ocupa neste momento a posição número 354 e uma resposta poderá ser esperada em aproximadamente dezanove semanas.
7. Fugi e empreguei-me num circo diferente.
8- Estarei fora do escritório durante as próximas duas semanas devida a razões de ordem médica. Quando regressar, passe por favor a tratar-me por "Margarida" em vez de "Carlos". Obrigado
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Faits Divers
iPhone: A verdade da mentira?
Inundou a maioria dos blogs de tecnologia e as opiniões estão absolutamente divididas. Verdade ou mentira?
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Apple
08 setembro 2007
Funerais
Trago nota de dois serviços fúnebres. Ambos verdadeiramente impressionantes pelas emoções neles contidas e expressas. Luciano Pavarotti, cujo féretro deixava a Catedral de Modena ao som da sua própria voz, Nessun Dorma a esbater-se nos violinos desenhados por Puccini. São quarenta e cinco segundos que me arrepiam e me fazem ficar estático, tão estático como mão tremente de um carabinieri que não consegue fazer uma continência perfeita. Um outro serviço fúnebre que me foi recordado por Bruno Nogueira, o de Graham Chapman, membro dessa genial e fundamental troupe que dá pelo nome de Monty Phyton e autor desse momento ímpar chamado "Dead Parrot Sketch". Quem esperava um elogio fúnebre pesado e adaptado à circunstância, esperou em vão. Ao contrário, as linhas ditas por John Cleese, são autênticos murros no estômago e ao mesmo tempo um tributo à altura do falecido. Que, ao que se lê por aí, não ficaria absolutamente nada triste.
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Faits Divers
Apostador 1X2
Alvíssaras! Alvíssaras! Lembram-se do Apostador 1X2, lembram? Pois, está mais ou menos na mesma.
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Faits Divers
Não há festa como esta
Foi a minha primeira Festa do Avante. Ter um lugar na primeira fila do gradeamento do recinto valeu-me aturar do sound check à Vitor Jara, de um anafado grupo de ceifeiras ao discurso completo de Álvaro Cunhal. Depois de uma interminável sessão de dança de Dexys Midnight Runners (Come on Eileen) consegui ainda ter forças para assistir ao concerto do (então anunciado como "camarada") Chico Buarque de Holanda. Foram três dias alimentado a Torrão de Alicante (que ainda hoje se vende na Atalaia em doses industriais) pelo então choradinho preço de bilhete de aproximadamente dois euros e meio (450 escudos). Não faço a mais leve ideia de quanto custa hoje uma EP... E também não sei onde parará a minha efémera namoradinha comunista de uma só tarde. Na verdade ela nunca soube que o era, mas cantava A Valsinha como ninguém... (Roubei o cartaz ao Tócolante que tem uma extraordinária colecção de cartazes da Festa. Tócolante, tenho aqui um pin da APU em alumínio que não consta do teu espólio. Fotografarei assim que estiverem reunidas as condições necessárias.
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Cidadania
O rato Isaías
"Senhoras e Senhores! Meniiiiinos e meniiiiiinas! É chegarem-se! É chegarem-se! Por apenas um euro, um euro apenas, terão oportunidade de vislumbrar um grande momento, a hipótese um em milhões, a roda da fortuna de que todos nós somos um raio, o Grande Arquitecto Universal a riscar-nos projectos na alma! Senhoras e Senhores! Meninos e meninas! O grande domador do improvável, o trapezista do impossível. Senhoras e Senhores, eis o rato Isaías!"
Claro que o anúncio acima não aconteceu. Claro que foi a minha delirante imaginação que inventou, ainda que mentalmente, um compére de vernelhíssima asa de grilo e negra cartola, Mas que o espectáculo merecia, lá isso não é menos verdade. Não havia chapiteau, mas uma espessa sombra providenciada pela copa das árvores de um largo da Ericeira. Um magote de gente suspensa da palavra do eleito compére, e eu de fora sem saber das razões de tal ôba ôba...
Aproximo-me. Afasto discretamente entre filas de espectadores atentos, velhos reumáticos e crianças de traje domingueiro. No centro do hexágono três criaturas vendem bilhetes numerados e exibem aos boaquiabertos clientes os prémios em liça. Tartes, Pães de Ló, Tortas, Direitas, Rochas, Raivas, Areias e Suspiros gigantes. Suspiro. Suspiro de tanto doce e de inquietação. Cada série tinha como cabeça de cartaz um espectacular bolo acompanhado de uma garrafa de Amêndoa Amarga. Amarga a sorte de quem lhe cai do céu o azar divino. Um cartaz manuscrito, atado numa das baias delimitadores da função cumpre a sua: "Para as obras da Igreja". Não diz qual, não interessa e para o caso tanto faz como diria Régio. Percebo. Percebo que por um euro posso levar para casa um enorme bolo e uma garrafa de Amêndoa Amarga. Deve ser um sorteio, só pode ser um sorteio, não preciso da Luz Divina para chegar tão longe. Nem posso sequer chegar-me mais longe, estou praticamente em cima dos vendedores.
Aprecio o cenário, agora que a multidão se agita e se comprime. Pinga-me nos dedos esquecido o sabor de Frutos do Bosque do gelado que acabei de comprar na Mar Azul que é, mal comparado e que me perdoe o próprio se ainda for vivo, o Santini da Ericeira... Engulo o que resta do barquilho. "É o último! É o último! É o dois!!!". Não tenho preferências numéricas. Estou imune a preferências deste tipo desde que um supremo capricho da sorte de estudante me bafejou o enorme numerador da escolar secretaria com o sessenta e nove. Se certo é que não chumbei debaixo de tão significativa influência nunca o mesmo me deu alegrias por aí além...
O mecanismo do sorteio podia ser simples. Um saco com bolas. Um saco com canhotos das senhas. Um mental anjinho ou uma loura deslavada cumpririam a preceito a piramidal tarefa de eleger o novo proprietário do bolo e da amêndoa. Não, não íamos ser assim tão óbvios! Somos portugueses e temos de dar azo à criativa veia que deu novos mundos ao mundo...
Quem sabe se a Comissão Fabriqueira não acredita em anjos ou louras deslavadas. A verdade é que é um rato que vai decidir o destino da glucose. Trata-se de um mecanismo complexo. Uma enorme mesa que mais parece uma Praça de Touros à escala. A rodear o conjunto estão vinte e seis pequenas arcadas devidamente numeradas ao redor do conjunto. No centro está o rato. Está, não! Imagina-se-lhe a presença porque no centro está uma caixa de madeira com uma pequena pega que permitirá libertar o oprimido roedor.
Adivinho o resto. O rato escolherá um buraco e o número do buraco onde entrar ditará a sorte do vencedor. Tenho pressa e o número dois continua por vender. Aceno à vendedora e estendo-lhe o euro. "É para as obras da Igreja", sorri-me, como se a explicação fosse necessária para alguma coisa. Bom, vamos a isto grita o manobrador da caixa do rato. Delicioso detalhe deste personagem que numa tentativa de demonstrar a completa imparcialidade do rato, roda a caixa para a esquerda e para a direita numa tentativa quem sabe de baralhar o rato ou mesmo os espectadores. Ao meu lado alguém sussurra que pode muito bem dar-se o caso de haver por debaixo da mesa alguém com um pedaço de queijo a acenar ao roedor para que o bolo saia à casa. O bolo é exibido qual prova de crime e passa pela frente dos narizes de dezenas de espectadores, uns habilitados outros não. "Deus queira que não me saia! Eu até sou diabética" diz uma gordinha à vista das quatro reluzentes e vitrificadas rodelas de ananaz. Engana-me que eu gosto...
Entontecido o rato, brame a multidão pela abertura da caixa. Também eu me deixo levar pelo entusiasmo e acendo um cigarro. O buraco número dois está demasiado longe de mim para que possa em termos de fé torcer pelo rato ou pelas obras da igreja. Levanta-se a tampa e eu imagino um desfecho rápido para o assunto. Uma correria, um buraco para se esconder e já está... É um hamster simpático de pelo lustroso. Castanho. IMÓVEL! Não pode ser!, declino mentalmente. Então o gajo não se mexe? És um rato ou és um rato? Imóvel! Absolutamente imóvel! Esfrega o focinho com as patas como fazem os hamsters desde que o mundo é mundo e ainda virá alguém que me diga qual nasceu primeiro se a galinha se o hamster, deve ter sido este último porque com galinhas este sistema de sorteio obrigaria a buracos muito maiores.
A multidão agita-se de novo, gritam pelo seu número como se o rato viesse a cogitar "Ai a gaja quer o dezanove? Pois para aí é que não vou!". Descubro em segundos após uma rápida busca pelas sinapses que o Scolari já usou este método. Alguém sugere que se dê uma palmada na mesa no que é imediatamente contrariado pela metade do grupo do lado contrário pois que toda a gente sabe que os bichos fogem do ruído e que isso iria claramente beneficiar a dezena dos opostos buracos. Que rápidos que são estes portugueses a encontrar falhas nos sistemas...
Foco-me mentalmente no centro da mesa. O rato lá está sossegado quem sabe cogitando um buraco bom no qual se esconda, a mim, com excepção do dois qualquer me serve que lhe sirva. Decide-te rato! Da tua decisão podem depender umas asas novas para o Anjo Gabriel ou dois centímetros de talha dourada para o andor do Senhor dos Passos. "Isto nunca sucedeu, e já usámos este rato nas festas de há dois anos". Estou quase a pedir o número de telefone ao tratador, este rato é uma estrela local e quem sabe o que a Endemol poderia por ele fazer com dois dedos de produção. O mais certo é que acabada a fama se quisesse vir a suicidar, despenhando-se sem pára-quedas do alto de uma trave de armazém, mas nessa altura, depois de acabada a fama, quem é que quer saber de um simples rato?
Começo a sentir alguma simpatia pelo bicho. São notáveis os pontos de contacto da figura de um rato imóvel no centro de um arena de escolhas e as nossas próprias vidas...
Faz-se silêncio. O rato mexeu-se. Calma e delicadamente, quase passando despercebido ou quem sabe empurrado por vários pares de olhos parou à porta número nove. Entrou. Debaixo de uma chuva de aplausos do vencedor e de muito pouco católicos impropérios dos outros 22 apostadores. Não o insultei, fiquei apenas a pensar na simpatia que desde hoje nutro pelo decision maker. Afasto-me e desejo mentalmente à igreja a melhor sorte do mundo com a escolha do empreiteiro. Ainda ao virar da esquina quase juro ter ouvido alguém anunciar:
"Senhoras e Senhores! Meniiiiinos e meniiiiiinas! É chegarem-se! É chegarem-se! Por apenas um euro, um euro apenas, terão oportunidade de vislumbrar um grande momento, a hipótese um em milhões, a roda da fortuna de que todos nós somos um raio, o Grande Arquitecto Universal a riscar-nos projectos na alma! Senhoras e Senhores! Meninos e meninas! O grande domador do improvável, o trapezista do impossível. Senhoras e Senhores, eis o rato Isaías!"
Republicação de crónica de 22 de Abril de 2004
Claro que o anúncio acima não aconteceu. Claro que foi a minha delirante imaginação que inventou, ainda que mentalmente, um compére de vernelhíssima asa de grilo e negra cartola, Mas que o espectáculo merecia, lá isso não é menos verdade. Não havia chapiteau, mas uma espessa sombra providenciada pela copa das árvores de um largo da Ericeira. Um magote de gente suspensa da palavra do eleito compére, e eu de fora sem saber das razões de tal ôba ôba...
Aproximo-me. Afasto discretamente entre filas de espectadores atentos, velhos reumáticos e crianças de traje domingueiro. No centro do hexágono três criaturas vendem bilhetes numerados e exibem aos boaquiabertos clientes os prémios em liça. Tartes, Pães de Ló, Tortas, Direitas, Rochas, Raivas, Areias e Suspiros gigantes. Suspiro. Suspiro de tanto doce e de inquietação. Cada série tinha como cabeça de cartaz um espectacular bolo acompanhado de uma garrafa de Amêndoa Amarga. Amarga a sorte de quem lhe cai do céu o azar divino. Um cartaz manuscrito, atado numa das baias delimitadores da função cumpre a sua: "Para as obras da Igreja". Não diz qual, não interessa e para o caso tanto faz como diria Régio. Percebo. Percebo que por um euro posso levar para casa um enorme bolo e uma garrafa de Amêndoa Amarga. Deve ser um sorteio, só pode ser um sorteio, não preciso da Luz Divina para chegar tão longe. Nem posso sequer chegar-me mais longe, estou praticamente em cima dos vendedores.
Aprecio o cenário, agora que a multidão se agita e se comprime. Pinga-me nos dedos esquecido o sabor de Frutos do Bosque do gelado que acabei de comprar na Mar Azul que é, mal comparado e que me perdoe o próprio se ainda for vivo, o Santini da Ericeira... Engulo o que resta do barquilho. "É o último! É o último! É o dois!!!". Não tenho preferências numéricas. Estou imune a preferências deste tipo desde que um supremo capricho da sorte de estudante me bafejou o enorme numerador da escolar secretaria com o sessenta e nove. Se certo é que não chumbei debaixo de tão significativa influência nunca o mesmo me deu alegrias por aí além...
O mecanismo do sorteio podia ser simples. Um saco com bolas. Um saco com canhotos das senhas. Um mental anjinho ou uma loura deslavada cumpririam a preceito a piramidal tarefa de eleger o novo proprietário do bolo e da amêndoa. Não, não íamos ser assim tão óbvios! Somos portugueses e temos de dar azo à criativa veia que deu novos mundos ao mundo...
Quem sabe se a Comissão Fabriqueira não acredita em anjos ou louras deslavadas. A verdade é que é um rato que vai decidir o destino da glucose. Trata-se de um mecanismo complexo. Uma enorme mesa que mais parece uma Praça de Touros à escala. A rodear o conjunto estão vinte e seis pequenas arcadas devidamente numeradas ao redor do conjunto. No centro está o rato. Está, não! Imagina-se-lhe a presença porque no centro está uma caixa de madeira com uma pequena pega que permitirá libertar o oprimido roedor.
Adivinho o resto. O rato escolherá um buraco e o número do buraco onde entrar ditará a sorte do vencedor. Tenho pressa e o número dois continua por vender. Aceno à vendedora e estendo-lhe o euro. "É para as obras da Igreja", sorri-me, como se a explicação fosse necessária para alguma coisa. Bom, vamos a isto grita o manobrador da caixa do rato. Delicioso detalhe deste personagem que numa tentativa de demonstrar a completa imparcialidade do rato, roda a caixa para a esquerda e para a direita numa tentativa quem sabe de baralhar o rato ou mesmo os espectadores. Ao meu lado alguém sussurra que pode muito bem dar-se o caso de haver por debaixo da mesa alguém com um pedaço de queijo a acenar ao roedor para que o bolo saia à casa. O bolo é exibido qual prova de crime e passa pela frente dos narizes de dezenas de espectadores, uns habilitados outros não. "Deus queira que não me saia! Eu até sou diabética" diz uma gordinha à vista das quatro reluzentes e vitrificadas rodelas de ananaz. Engana-me que eu gosto...
Entontecido o rato, brame a multidão pela abertura da caixa. Também eu me deixo levar pelo entusiasmo e acendo um cigarro. O buraco número dois está demasiado longe de mim para que possa em termos de fé torcer pelo rato ou pelas obras da igreja. Levanta-se a tampa e eu imagino um desfecho rápido para o assunto. Uma correria, um buraco para se esconder e já está... É um hamster simpático de pelo lustroso. Castanho. IMÓVEL! Não pode ser!, declino mentalmente. Então o gajo não se mexe? És um rato ou és um rato? Imóvel! Absolutamente imóvel! Esfrega o focinho com as patas como fazem os hamsters desde que o mundo é mundo e ainda virá alguém que me diga qual nasceu primeiro se a galinha se o hamster, deve ter sido este último porque com galinhas este sistema de sorteio obrigaria a buracos muito maiores.
A multidão agita-se de novo, gritam pelo seu número como se o rato viesse a cogitar "Ai a gaja quer o dezanove? Pois para aí é que não vou!". Descubro em segundos após uma rápida busca pelas sinapses que o Scolari já usou este método. Alguém sugere que se dê uma palmada na mesa no que é imediatamente contrariado pela metade do grupo do lado contrário pois que toda a gente sabe que os bichos fogem do ruído e que isso iria claramente beneficiar a dezena dos opostos buracos. Que rápidos que são estes portugueses a encontrar falhas nos sistemas...
Foco-me mentalmente no centro da mesa. O rato lá está sossegado quem sabe cogitando um buraco bom no qual se esconda, a mim, com excepção do dois qualquer me serve que lhe sirva. Decide-te rato! Da tua decisão podem depender umas asas novas para o Anjo Gabriel ou dois centímetros de talha dourada para o andor do Senhor dos Passos. "Isto nunca sucedeu, e já usámos este rato nas festas de há dois anos". Estou quase a pedir o número de telefone ao tratador, este rato é uma estrela local e quem sabe o que a Endemol poderia por ele fazer com dois dedos de produção. O mais certo é que acabada a fama se quisesse vir a suicidar, despenhando-se sem pára-quedas do alto de uma trave de armazém, mas nessa altura, depois de acabada a fama, quem é que quer saber de um simples rato?
Começo a sentir alguma simpatia pelo bicho. São notáveis os pontos de contacto da figura de um rato imóvel no centro de um arena de escolhas e as nossas próprias vidas...
Faz-se silêncio. O rato mexeu-se. Calma e delicadamente, quase passando despercebido ou quem sabe empurrado por vários pares de olhos parou à porta número nove. Entrou. Debaixo de uma chuva de aplausos do vencedor e de muito pouco católicos impropérios dos outros 22 apostadores. Não o insultei, fiquei apenas a pensar na simpatia que desde hoje nutro pelo decision maker. Afasto-me e desejo mentalmente à igreja a melhor sorte do mundo com a escolha do empreiteiro. Ainda ao virar da esquina quase juro ter ouvido alguém anunciar:
"Senhoras e Senhores! Meniiiiinos e meniiiiiinas! É chegarem-se! É chegarem-se! Por apenas um euro, um euro apenas, terão oportunidade de vislumbrar um grande momento, a hipótese um em milhões, a roda da fortuna de que todos nós somos um raio, o Grande Arquitecto Universal a riscar-nos projectos na alma! Senhoras e Senhores! Meninos e meninas! O grande domador do improvável, o trapezista do impossível. Senhoras e Senhores, eis o rato Isaías!"
Republicação de crónica de 22 de Abril de 2004
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Biografia
A vertigem
Em que pensa um tipo que está a uma fracção de segundo de uma situação tragicamente perigosa? Naquele pequeno lapso de tempo em que (dizem) toda a nossa vida nos passa pela memória? Durante anos, ao tentar analisar conjuntamente com o envolvido as causas de trágicos acidentes de trânsito, consegui nalgumas ocasiões escutar relatos fantásticos (nos quais por vezes, confesso, dificilmente consegui acreditar) que seria impossível comprimir toda aquela narrativa em poucos metros e respectivo tempo de reacção mecânica. Prestei anteontem o meu tributo a todos aqueles que conheço e conheci que vivendo situações muito difíceis, com mais ou menos mazelas viveram para me contar a sua experiência. Tive a minha dose XXL de susto, os meus momentos de desfile de memórias à espera de um embate violentíssimo que não sucedeu porque assim estava escrito algures. Não tenho, infelizmente, memória viva do que pensei - mas lembro-me muito bem do impropério que proferi - durante o momento em que pensei ir ter um encontro com o Grande Arquitecto. Lembro-me sim, da primeira coisa em que pensei depois de ter imobilizado o carro na berma da auto estrada. Que não iria jantar... A vida é um bocado parva, mas este pensamento é verdadeiramente idiota. (E sim, jantei com uma estranha alegria de estar vivo.)
Descontada a ironia, há ainda assim lições a tirar e eu tirei uma deveras importante que aproveito para partilhar: Os objectos soltos dentro de um carro submetido a uma travagem violenta são efectivamente perigosos e são potencialmente causadores de danos e lesões de vária ordem. O meu já antiquado Powerbook, que teve na minha mão uma vida efémera e que nunca foi conhecido pela sua velocidade, voou pela primeira e última vez. Da chapeleira ao pára-brisas... Faleceu ontem, ao quilómetro 132 da A1.
Descontada a ironia, há ainda assim lições a tirar e eu tirei uma deveras importante que aproveito para partilhar: Os objectos soltos dentro de um carro submetido a uma travagem violenta são efectivamente perigosos e são potencialmente causadores de danos e lesões de vária ordem. O meu já antiquado Powerbook, que teve na minha mão uma vida efémera e que nunca foi conhecido pela sua velocidade, voou pela primeira e última vez. Da chapeleira ao pára-brisas... Faleceu ontem, ao quilómetro 132 da A1.
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Biografia
07 setembro 2007
Tanguy et Laverdure
Sinto-me novo. Novíssimo! Em conversa electrónica com um amigo ele pergunta-me se eu li a BD Tanguy et Laverdure... "Creio que não deves ter lido, eras muito novinho...". Resmas! Resmas de Tanguy et Laverdure, bem como de Blake and Mortimer, Michel Vaillant, Valente e tantos outros que se esfumam nas memórias...
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Biografia
Segundo aniversário
Este blog fez anteontem dois anos. Não me lembrei, o que é coerente com a maior parte das datas de que me vou esquecendo sem que os amigos se ofendam. Parabéns aos leitores!
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Faits Divers
05 setembro 2007
04 setembro 2007
Pintores tradicionais
Há anos que se assiste ao desaparecimento dos pintores tradicionais. Artistas que o mercado atirou para fora do activo. Primeiro nos cartazes de cinema, depois em fachadas e letreiros. Já nos estaleiros navais de embarcações em madeira se "luta" para obter a colaboração deste ou daquele nome mais famoso na matéria. O último reduto deste grupo de pessoas, e as que conheço estão à beira dos oitenta anos de idade, está velho, vê mal, e não tem prazer nenhum em arriscar uma queda do cimo de um andaime. Os últimos dos últimos trabalhavam em cartazes taurinos. Sinal dos tempos, vi hoje pela primeira vez um folheto de promoção de uma Feira de Touros em que não existe uma ilustração pictórica. Em vez disso, o designer optou por uma inovação nem por isso muito conseguida. Quando retirei o folheto para examinar os cartéis, perguntei a mim mesmo se o Batman ia tourear na Moita.
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Faits Divers
Silva, o barbeiro padrinho do povo
"Sabia que o velho Silva, o Meia Orelha, que morreu há quatro ou cinco anos é padrinho de quase toda a gente aqui da aldeia?". Não fazia ideia, embora o cognome Meia Orelha seja bastas vezes encontrado em relatos de outros tempos aqui na aldeia. "É verdade, deve haver poucos da minha idade que o não tenham tido como padrinho...". Mas como assim? O homem era rico e toda a gente lhe ia pedir? "Nada disso. Aqui os homens andavam no mar, miúdos havia com fartura, eram ranchadas de seis e sete. Os homens andavam nas companhas, no mar, nas carreiras, só vinham a casa de mês a mês. Quando chegava a altura dos baptizados, era tudo baptizado por junto. Aqui não havia igreja, era na escola, enfeitavam-na e juntavam-se os ganapos todos da mesma idade. O único homem que havia para padrinho era o barbeiro, que era o único que cá ficava...". "Vai lá chamar o Silva, que os miúdos precisam de um padrinho!". E a verdade é que dos oito que ali estavam à conversa, eu era o único que não era afilhado de um barbeiro...
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Faits Divers
03 setembro 2007
A primeira é sempre do coxo
"A primeira é sempre do coxo" é uma frase que me habituei a ouvir ao longo da vida. Durante muitos anos tomei-a como uma variação do popular ditado "O primeiro milho é dos pardais" (Ou na versão erudita "Milhus Primus Pardalorum Est). Anda um tipo quarenta e tal anos convencido de uma coisa quando depois, num rasgo de sorte, num diálogo que o não é, sentado em cima de uma grade de bilhas de gás, fumando cigarros na companhia de octagenários (Já fumei em locais menos perigosos...), aprende de uma penada o significado das coisas que a outros levaram uma eternidade a aprender. Rasgava-se pano de outras vidas, de infâncias miseráveis mas com o seu quê de encantamento. Falava-se de festas, arraiais e bailes populares espontâneos como picos de sexualidade, e de muita, mesmo muita saudade de outros tempos em que os ossos e a carne respondiam mais ligeiras e com muito menos dores. Discutiam-se divertimentos. "Era tudo gente bruta, moços de fragata e carregadores de sal e carvão. Só estavam bem à punhada, o divertimento deles nas festas era arranjar um arraial de porrada de criar bicho". "O povo já sabia que arraial que era arraial tinha de acabar no posto." Interrogo-os com os olhos e todos assentem que sim, que assim era, risos escondidos e dedos acusadores que terminam invariavelmente com chistes ao jeito de "Deixa que tu também apanhaste poucas...", Pergunto, pergunto muito, eles gostam que eu pergunte para que possam responder com mais ou menos fantasia, tenho a certeza de que enquanto ali estamos ninguém precisa de pensar na vida. Mas esperem lá, um tipo saía de casa já com ela fisgada? "Claro, tínhamos grupos daqui e dali que já sabiam ao que iam...". Então mas como é que a coisa se dava? "Aquilo não custava nada! Chegava-se um ao pé do coxo e dizia-lhe: Vai ali e espeta um estaladão naquele...". O coxo ia lá, aviava-lhe uma valente lapada (tínhamos de lhe dar cinco escudos) e estava o baile armado!".
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Faits Divers
02 setembro 2007
O mergulhador
Não é propriamente uma novidade, mas está na minha lista de ficheiros que nunca apagarei.
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Enlevos
O caçador de pérolas
..."E com quantos endressos posso contar numa base de dados do género daquela de que falámos?"
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Pérolas
01 setembro 2007
Sagres
Dá-me uma Sagres, por favor? é o que escuto do meu vizinho do lado enquanto tomo café ao balcão da cafetaria do hipermercado. A partir dali refugiei-me na chávena, apenas os olhos e o nariz de fora a tentar descodificar o que diabo era aquela estranha movimentação suspensa do lado de dentro do mono de vidro. Algo se passava, e nem sendo comigo presto-lhe mais atenção, coisas da minha vidinha de despassarado consumidor. As funcionárias, duas, quando não não tinha usado plural, é bom que esteja o leitor atento a estes artificios da escrita, cruzavam elas também olhares suspeitos, que diabo, o homem só tinha pedido uma cerveja. Há uma porta de balcão que se abre e sai de lá aquele som do ar a penetrar no vácuo, frio, penso eu, que o vácuo não deve ter temperatura e só na minha pobre cabeça é que o ar fará barulho ao entrar num frigorífico. Plaft, a porta fecha-se, esmagando as borrachas e aprisionando lá dentro mais uma golfada quem sabe se do mesmo ar que veio cá fora aquecer-se um nadinha. A garrafa na mão, ligeiramente suada, a garrafa, talvez também a mão que o turno já deve ir longo, nunca perlada, as garrafas só estão perladas nos anúncios o que nos faz crer que as cervejas que se anunciam são realmente boas. Sim, que eu gosto delas, as cervejas, estupidamente geladas, se não perladas, bem frias. Não era claramente o caso daquela Sagres que se preparava para entregar a gola ao cutelo, isto é, ser descaricada, verbo imbecil este do descaricar, seria pior no Porto onde dizem sameira e eu não conheço nenhum verbo que permita dessameirizar. Estávamos todos nós nisto, digo nós e digo bem, eu, o vizinho que tinha sede, as duas funcionárias que trocavam olhares suspeitos quando lhes pedem uma cerveja e o meu nariz e os meus olhos que permaneciam fora da chávena, sem café fazia já muito tempo, apenas boiando nos bordos da branca cerâmica à espera de perceber o que se passava. Os olhares cruzados, a aflição da mais nova como que a querer dizer algo à outra, anda lá despacha-te dá a cerveja ao senhor que está farto de estar à espera e ela a fazer-lhe boquinhas, como que a mastigar o ar, o mesmo ar que a mim já me falta de tanta espera e suspense. "Não há copos...". "Como não há copos?". "Não há copos...". "Ah! Pois é! Não há copos!" como se tivesse tido uma revelação divina. "Só se for um de plástico...". "Peço-lhe desculpa, mas vai ter de ser de plástico...". O homem, impávido, meteu o gargalo da garrafa à boca e deixou correr o louro líquido de um só trago, que a mim quase me criou um embrulho esofágico. Depois, olimpicamente arrotou de modo alarve e num golpe seco bateu a garrafa no tampo de vidro e virou costas sem uma palavra.
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Faits Divers
Ave Vanessa!
A ideia de ter um campeão do mundo português de três em três dias é agradável, ainda por cima pertencendo ao meu clube. Agora é a vez da Telma, que esta Vanessa Fernandes já fez mais do que a parte que lhe competia.
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Benfica
Smoke on!
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