29 fevereiro 2008

O caçador de pérolas

..."AGRADECIA QUE SE NÃO SE IMPORTÁ-SE ME DISSE-SE"

Managers wannabe

Porque é que o gestor que se ri ( e ignora) um pedido de exclusão de um destinatário de SPAM é o primeiro a afivelar um ar sério e a pedir justificações internas quando se vê confrontado com uma acção legal sobre a sua própria irresponsabilidade?

Compro um anom (Ou mais!)

Pago bem. Urgência em resolver o assunto, já que é muito ponto...

Tablóides

E vem de novo ao cimo dos dias a minha admiração por manchetes. Hoje foi o Daily Star que noticiava o bem escondido segredo da colocação de Harry Spencer, terceiro na linha de sucessão ao trono inglês. Harry foi colocado em zona de operações no Afeganistão, mas uma fuga de informação fez com que o Ministério inglês da Defesa o recambiasse para outro qualquer lugar. Para lá do Marketing político fica o título de hoje: "When Harry meets Tally".

Dyslexics are more fnu!

Via Filipe M.

A casinha das bonecas

Hoje almocei com o poder. Se é verdade que isto anda tudo ligado talvez seja essa a razão pela qual me senti impelido a comprar um magnífico conjunto de brinquedos de alumínio que inclui panelas e tachos mais os respectivos testos. Fará decerto a felicidade de uma menina a quem estão destinados mas pelo olhar guloso daquelas a quem mostrei a minha compra os tachinhos devem ser os comboios eléctricos das mãezinhas. Três euros, barata feira diria a Maria Fernanda.

A rever

Coisas que me ocorrem...

"Eu gostava de criar uma Home Page mas não faço ideia do que elas comem..."

28 fevereiro 2008

Pequenos momentos da História

27 fevereiro 2008

Cegonhas

- Mãe, donde vêm os meninos?
- É a cegonha que os traz!
- E quem come a cegonha?

26 fevereiro 2008

Zelo

Seguramente uma das melhores tiradas políticas deste ano:

..."Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou."

Relatório SEDES 2008

A culpa não é minha

Mas recebi um email cujo título era:
"Dá-se cachorro com uma pata f*****"...

Silêncio e tanta gente (1984)

25 fevereiro 2008

Rosa, linda, se tu fores à Zara

Ela entrou pelas portas de vidro grosso como uma frente fria, turbulenta e em fúria, e eu quase só tive tempo de levantar os olhos e a imaginária gola do subconsciente e ver-lhe as pernas vestidas por botas de cabedal de cano alto e apertado. Sem pré-aviso, tal e qual uma tempestade, abateu-se sobre a cadeira vazia ao lado da minha mesa. Vinha de olhos húmidos, rimel esborratado de fios de alcatrão em delta de muitos braços. Deixou cair com violência os volumosos sacos da Zara que trazia dependurados nas mãos e um deles rasgou-se, grávido que vinha de embrulhos e bolsas várias. Suspirou fundo, como faz o vento que se cala antes ganhar fôlego para a borrasca e depositou sobre as pernas a mala, que de mole aproveitou para desmaiar também e vomitar alguns pertences que nem tiveram tempo de saborear a luz do dia pois foram devolvidos à procedência em menos de um ápice. Aproveitou para escavar fundo no interior da mala, como quem procura algo que se se sabe estar já perdido por natureza. Toda ela se agitava, um frémito, imaginei-a em ressaca, gestos largos e nervosos, espalhafato encenado pensei, os braços abertos, ramos brancos numa árvore negra de espírito e de cor. Do meio de um conjunto generoso de batons, caixas de make-up, boiões de vários formatos e cores, pescou um minúsculo telefone que se apressou a abrir com um ar vitorioso na face. Foi aqui que o telemóvel ganhou vida, como um peixe a sacudir-se no anzol, um último esforço para fugir ao destino e saltou, negro como um peixe esguio, talvez espada, escorregadio como uma enguia que nem peixe será, não importa, o telefone fez um mortal perfeito, talvez encarpado diriam os conhecedores da modalidade e aterrou vitorioso no tampo da minha mesa provocando um maremoto no meu quarto de Vigor frio. "Peço desculpa". "Ora essa, cá está, oxalá funcione". "Espero bem que não, espero bem que não, os homens são uns cabrões...". Ditada a generalista sentença, abriu o telefone, abriu-me os olhos sujos como quem diz "funciona!" e começou a falar. "Rosa, comprei umas coisinhas tããão giiiiras..."

Ora bolas!

Eu conto-te como foi

A conversa de almoço de hoje derivou para a série televisiva "Conta-me como foi", que retrata com uma fidelidade surpreendente os anos da minha infância e os hábitos de vida de várias gerações. Chego a emocionar-me a recordar algumas facetas da narrativa e a encontrar muitos pontos de contacto com gerações como a dos meus pais e a respectiva habituação aos hábitos citadinos. A adolescência vivida nos anos setenta permite-me fazer afirmações hilariantes que fazem corar de espanto alguns dos meus colegas mais jovens. Eu estive na inauguração do Imaviz, passei muitas horas a subir e descer escadas rolantes na estação Parque do metropolitano de Lisboa. Levei umas valentes estaladas por me ter esquecido das horas no dia em que vi uma porta de vidro automática pela primeira vez.

24 fevereiro 2008

A origem das expressões

"Chorar lágrimas de crocodilo" é uma expressão que designa um choro fingido ou não sentido. A expressão deriva do facto da estrutura esquelética do crocodilo o obrigar a chorar quando ingere alimento de grande envergadura. A pressão exercida pelas mandíbulas comprimw as glândulas lacrimais fazendo com que o mesmo "chore" enquanto devora a presa.

A origem das expressões

"Colocar as barbas de molho" significa precaver-se, tomar providências para obstar a uma situação complicada e difícil. Na Idade Média ter a barba cortada após uma derrota militar era sinal de grande humilhação e ofensa. A expressão actual derivará do provérbio espanhol "Quando vires as barbas do teu vizinho a arder, coloca as tuas de molho".

A origem das expressões

A arroba informática: No livro A Casa da Mãe Joana, Reinaldo Pimenta explica que estes símbolos surgiram durante a Idade Média. Naquele tempo, os livros eram escritos à mão, pelos chamados copistas. Os sinais e abreviaturas simplificavam a grafia das palavras e economizavam tinta e papel. Foi assim que o termo latino et se transformou em &. Hoje ele é conhecido como "e comercial". O arroba (@) era utilizado inicialmente para substituir a preposição latina ad, que entre outras coisas significava "em casa de". Na Inglaterra, o símbolo aparecia com frequência para definir os preços de mercadorias ("10 @ L3" queria dizer "10 unidades ao preço de 3 libras cada"). No século XIX, quando mercadorias com esta marcação chegavam a portos espanhóis, os estrangeiros as associaram ao desenho de uma unidade de peso chamada arroba. Daí sua denominação.

Tour planning

Um dos leitores estrangeiros deste blog virá a Portugal em Maio. Começará a sua visita em Lisboa onde permanecerá alguns dias e deslocar-se-á, de carro, para o Norte, em direcção a Santiago de Compostela. Uma vez que o estou a ajudar a traçar alguns pontos de visita obrigatória nesse percurso, no qual já incluí Santarém, Batalha, Alcobaça, Fátima, Óbidos, Porto e Guimarães, agradeço sugestões de visita "obrigatória" que o ajudem a compor o respectivo roteiro de viagem.
Adenda: Não se limitem a sugerir locais, se possível justifiquem-nos. Obrigado

23 fevereiro 2008

Semeei salsa ao reguinho

Chama-se MacOSaix e é uma ferramenta para construção em mosaico (digital, ok?) a partir de um conjunto de imagens, sejam elas do próprio ou de directórios públicos de fotografia.

Mito #35

Levar um tiro no estômago faz diminuir o apetite...

"José Ramos-Horta disse também estar «de muito bom humor» e ao seu homólogo português manda informar que receberia com agrado em Darwin «alguns pastéis de Belém e um bom vinho do Porto»."

O caçador de pérolas

"Essa obra está parada, foi albargada."

22 fevereiro 2008

O caçador de pérolas

..."não tenho inveja mas acho esta estravaguancia uma grande falta de inteligencia e igoismo,com tanta gente a nessecitar no nosso país e no mundo"

Realidades e perspectivas

"E então em que momento é que a senhora percebeu que tinha sido efectivamente violada?" perguntou o juiz à prostituta. "Bem, Sr.Dr. Juiz, foi quando o cheque veio devolvido..."

21 fevereiro 2008

A arte do sofrimento

Decorreram já vinte minutos da segunda parte do Nuremberga - Benfica quando de Basileia na eliminatória do Sporting o jornalista Nuno Luz diz "o Benfica continua empatado a zero e está apurado". Enquanto engulo à pressa umas garfadas de um apressado jantar penso para comigo e para os comigos de mim: "Tu vai-te lixar, Nuno, isso não vai dar bom resultado...". Eu já vi este filme do 1-0 demasiadas vezes. Aris de Salónica e Dukla de Praga, jogos que nunca vou conseguir esquecer pelas piores razões. Pego no telefone e faço-lhe um SMS que dificilmente ele irá ler pois está a trabalhar: "Nuno, dizer que o Benfica está apurado vai dar galo...". Quando despejo o lixo no contentor da rua ainda estou a pensar nisto. Entro no carro e ouço o relatador de serviço dizer que o Benfica está à beira da eliminação pois perde por 2-0, um golo de Charisteas. "A culpa é do Nuno, ele não devia ter dito aquilo!". Sorrio ao pensar que quanto mais velho estou mais supersticioso vou ficando. Deixo o carro rolar devagar até ao café no fundo da rua e lembro-me de cenas passadas há quase trinta anos, lavado em lágrimas por dentro, ensopado por fora e tentar explicar à Maria Fernanda que estou a chorar por causa de um golo grego, coisa que ela nunca entenderá mas que a não impede de fazer um ar compreensivo. A mesma Maria Fernanda que uma catrefada de anos mais tarde me há-de dizer, no final do Verão de 2004 "Então filho, lá perdemos e também foi um grego". Mãe, o mesmíssimo grego de 2004 também me fez sofrer hoje, felizmente não vi, hei-de revê-lo, o grande sacana. Quando ganhei coragem para me levantar do banco do carro para enfrentar a lagartagem do café estou disposto a roer as unhas pelo inverter do resultado. É Cardozo, é Di Maria, é um milagre. Na televisão vejo rostos alemães por onde escorrem lágrimas, as mesmas que eu já chorei e não era menino nenhum. Não há honra nem glória nestas vitórias, mas resta-me a esperança de que lá em Nuremberga haja esta noite algumas mães que passem as mãos pela cabeça dos filhos e lhes digam "Deixa lá, a vida continua, já comeste?"

Watch my back, will ya?

20 fevereiro 2008

Je serais au bureau

Caracóis são bichos móis

A receita é infalível: Leve um mês para responder a uma informação comercial de um cliente institucional. Ignore sistematicamente os pedidos de retribuição de um telefonema. Esteja-se nas tintas se é uma escola que vai ter imensa visibilidade mediática ou se a pessoa que lhe telefona é apenas o Presidente da Câmara. Se conseguir não ter perdido uma oportunidade, sugira ao desgraçado que me telefone. Eu trato do resto. E levo o padre...

19 fevereiro 2008

A origem das expressões

"Aqui é que a porca torce o rabo" ou "Agora é que a porca torce o rabo" são expressões equivalentes que significam que se chegou a um ponto máximo de problemática de um qualquer processo. A expressão tem origem no comportamento instintivo dos suínos (curiosamente só o verifiquei in loco com porcas e nunca com um porco) que quando em stress (defesa de crias) tendem a ser perigosos mordendo o seu opositor, enrolam (torcem) o rabo como sinal demonstrativo da sua fúria.

Bruno Nogueira

A origem das expressões

"Foi assim que Napoleão perdeu a guerra" diz-se de alguém que está numa posição dobrada, por norma de traseiro esticado. É também comum usar a mesma terminologia com a variante "Foi assim que os alemães perderam a guerra" mas a significância é exactamente a mesma da anterior. As origens desta expressão estão ambas relacionadas com a mesma área geográfica (Rússia) e ambas se prendem com derrotas militares. O recuo das tropas napoleónicas e alemãs sob a inclemência do inverno das estepes russas, dizimou exércitos em marcha forçada em condições de temperaturas negativas extremas. Os soldados, vencidos pelo frio e vergados ao peso das mochilas e materiais transportados, caiam em plena marcha transidos pelo frio e muitos deles morriam ali mesmo de hipotermia em posição de quarenta e cinco graus, de joelhos, a face no chão gelado.

18 fevereiro 2008

Oh simple things

Tunatic

Alguém pode experimentar isto e dizer como correu?

Teclado branco, hum?

Esta noite não vou escrever mais. Descobri que tenho formas vegetais de vida a crescer-me no teclado que outrora já foi branco!

Bob, o construtor

Andei quatro anos a penar com um problema de hidráulica e drenagem de águas pluviais por força de uma bomba que me deu literalmente "água pela barba" numa caixa de retenção de águas residuais cá de casa. Duvido que aqui na rua, numa dúzia de situações similares, haja alguém que saiba tanto de águas sujas, filtragem de detritos e cálculos de potência como eu. Aprendi, pela empírica via amarga a calcular curvas, cotovelos, pendentes, por forma a (tentar) evitar algumas inundações que por este ou por aquele motivo nem sempre consegui evitar. Em Novembro passado decidi desfazer todos os arremedos de remendo e pseudo-soluções que tinha instalado até então e olhar para o problema de raiz. Foram horas de trabalho na instalação de uma bomba submersível decente, no cálculo de nível máximo de secção de tubagem que não impusesse à sucção um peso demasiado forte para a rápida elevação. Mais algumas no desenho de uma protecção da admissão da bomba, "vestida" com uma rede que deixasse de fora os detritos sólidos que potencialmente lhe encravassem o braço da bóia na altura em que o dito cujo não poderia falhar. Não fiquei descansado. Instalei um sistema redundante de alarme de nível de água que me alertasse em caso do não funcionamento do sistema. Achei que continuava a não chegar. Concebi um sistema semi complexo de desenhar, com um relais e um switch que me permite accionar manualmente a bomba "just in case". Gastei Alquevas de água corrente em testes de todo o conjunto até ficar quase satisfeito. No final diagramei todo o circuito, fiz alguns pequenos ajustes e distribuí pela vizinhança algumas cópias, sabendo que todos sem excepção já tinham tido problemas e que os mesmos continuavam a ameaçar acontecer a qualquer chuvada mais intensa. Apenas um dos meus vizinhos, um Engenheiro, prestou atenção e instalou a bomba conforme as minhas recomendações. O mesmo que hoje me telefonou a dizer "Eh pá, isto funciona! Quase toda a gente tem um palmo de água nas caves menos nós!".

Mary Elizabeth Frye

Do not stand at my grave and weep;
I am not there. I do not sleep.
I am a thousand winds that blow.
I am the diamond glints on snow.
I am the sunlight on ripened grain.
I am the gentle autumn rain.
When you awaken in the morning's hush
I am the swift uplifting rush
Of quiet birds in circled flight.
I am the soft stars that shine at night.
Do not stand at my grave and cry;
I am not there. I did not die.

One in a million

17 fevereiro 2008

Irra!

Alguém devia informar aquele senhor (cujo nome eu não sei) e que é Presidente do Vitória de Guimarães que os jogadores e treinadores não podem ser "radiados".

15 fevereiro 2008

Citação

"O talento não é escrevermos um pensamento, é escrevermos trezentos" Jules Renard

Classificados

14 fevereiro 2008

Happy Ballantine's!

A acidental praia (II) - Nuno Markl

Nuno Markl, o humorista, o argumentista, o homem que nunca escapará (por mais que tente...) ao facto de um dia ter "mordido o cão" é também um Mac user. Numa pequena entrevista gravada (que de entrevista tem muito pouco, e como ele próprio a definiu foi mais uma "converseta"), Markl explica-nos como "viu a luz" em termos de computação e passou para o lado da maçã. O registo áudio está aqui.
Nesta conversa é referido um termo, o Tarkl, uma nova expressão artística nascida dos pés (e da testa) do entrevistado de hoje, durante o programa televisivo Dança Comigo, cujo video, editado por André Toscano no Diz Que Disse, pode também ser apreciado se clicar aqui.

13 fevereiro 2008

Deus lhes perdoe (que eu não consigo)

Um grande construtor de equipamentos de rede opta por entregar as suas traduções de partes da sua página Web a um Altavista da vida que por sua vez até se esforça por traduzir o que lhe mandam. O resultado é hilariante (já todos sabemos disso) mas há pormenores que por vezes me deixam a pensar no termo original durante algum tempo. Até dar uma valente gargalhada, levei longos minutos a matutar no termo "Limas PDF". (Ah, e também gostei da correcção do termo Adobe).

O Pior Postal do Verão 2007


Depois de uma prolongada espera o André Oliveira, vencedor indiscutível do Concurso "O Pior Postal do Verão 2007 com o afamado e celebrado postal que denominámos "Traineira em Chamas", recebeu o almejado prémio, um magnífico Microfone Rode Podcaster, mai'la suspensão e respectivo tripé de secretária, oferta da não menos afamada Audiolog, da mão do sócio gerente do representante, o não menos célebre André Toscano. Como há dias de manhã em que um homem não pode sair de casa à noite, coube-me a mim, o organizador do Concurso, a gaffe du jour ao levar para a cerimónia uma estupenda máquina fotográfica sem cartão de memória, o que já por sim mesmo é vexante, mas que não poderia ensombrar a cerimoniosa operação de entrega do prémio. Vai daí deitamos mão à primeira solução de recurso, que é a de pedir ao próprio galardoado que nos empreste a câmara do respectivo telemóvel (segunda gaffe do dia foi o facto de eu mesmo ter deixado o telefone em casa...) para registar o momento. O dia não terminaria sem uma vergonha final, o facto de eu não ver suficientemente bem para perceber se as pessoas que estou a fotografar têm ou não os olhos abertos, o que gerou duas fotos que obrigarão o leitor a imaginar ambos os intervenientes com os olhos abertos, coisa aparentemente impossível de conseguir numa só foto. Tínhamos (eu e o André Toscano) a intenção de fazer a entrega do prémio com o Toscano vestido de coelhinho Duracel, mas infelizmente não há disfarces de coelho que sirvam para o tamanho dele...

11 fevereiro 2008

Perdidos e Achados

Todo o automobilista já teve de mudar ou mandar mudar o óleo da viatura. Todos, sem excepção, já perceberam que os 4 litros que é da praxe fazer descer até ao carter não são mesmo 4 litros, mas sim algo entre os três e meio até perto de quatro. Nunca os quatro, raios partam, que sobra sempre uma garrafinha de plástico com um bocadinho de óleo, garrafinha inconveniente que não é de bom tom e inteligência deixar ficar na bagageira sob risco de Murphy a vir a visitar sem que disso demos conta e quando o damos já é por norma demasiado tarde. Todos, mesmo todos, nas nossas vidinhas já acomodámos algures meias garrafas de óleo de motor "Para mais tarde, quando for preciso corrigir o nível, usarmos" dizem os mecânicos enquanto esfregam as mãos em pedaços de desperdício que devidamente espremidos dariam para reaproveitar quase um litro da viscosa matéria. Só à minha conta, lembro-me de pelo menos meia dúzia de meias garrafinhas destas. A questão é: Onde diabo estão elas? Quando preciso de "corrigir o nível", ela nunca está onde deveria... Bem procuradas nunca aparecem, nem mesmo quando ando à procura de outra coisa qualquer! Não as deito fora porque os óleos são terrivelmente danosos para o ambiente, e nem é preciso ler o conteúdo da minha caixa de Spam para perceber isso. Onde? Onde andam? Haverá algures no mundo um imenso armazém onde estão empilhadas milhões de meias garrafas de óleo de motor? Deve ser um armazém gigantesco. Assumo que sim, que deva ser. Aliás, só pode ser gigantesco. Porque no armazém que me diz respeito ainda terão de caber as dúzias de USB flash drives que nunca sei onde estão, ao segundo mês de utilização...

09 fevereiro 2008

Quem é do Benfica, vem ao Estádio!

08 fevereiro 2008

Complaints Choir


Uma ideia simples. Uma organização recolhe as principais queixas de uma multiplicidade de pessoas de uma cidade ou de um país e um compositor empresta à lista de lamentos uma criação musical que é interpretada por um coral composto por pessoas anónimas que se envolvem no projecto. A peça acima, interpretada pelo Coro de Lamentos de Helsínquia, podia sê-lo de outro lado qualquer. A verdade é que o Complaint Choir de Singapura foi pura e simplemente proibido de actuar pelo governo local e alguns outros têm levantado polémicas variadas...

A reinvenção da roda

Sempre gostei de bom Marketing. Aquele que não é intrusivo nem agressivo, aquele que me faz ficar a pensar nele mesmo meses depois de lhe ter sentido o efeito. Um dos últimos exemplos que retive foi uma campanha de SMS que encontrei em três locais de San Francisco enquanto passeava a pé pelas ruas da cidade. O primeiro exemplo veio da Sephora, uma cadeia de perfumarias que me informou através de uma mensagem gráfica via Bluetooth para o meu telefone de uma campanha promocional de uma linha de cosmética. Achei graça à simplicidade de um sistema que detecta receptores de BT visíveis e que sem que eu tenha aceite receber (e esta é que é a migalha técnica que me escapa), me colocou no visor um anúncio Calvin Klein. O segundo deles, proveniente da cadeia Bloomingdale's oferecia-me um voucher numerado no valor de 10% das compras com validade para aquele preciso dia. O terceiro, bom, o terceiro era de um night club e opto por não dar detalhes, pois vou continuar a procurar quem me possa proporcionar esta solução técnica, que estou crente que me será ainda útil no futuro

07 fevereiro 2008

Guarda Inácio, ao seu dispor

A patrulha da Guarda Nacional Republicana entrou no espaço acabadinho de ser assaltado. São cinco da manhã e as caras estremunhadas dos presentes não enganam, todos eles prefeririam estar a dormir em vez de estar ali, os ladrões já vão longe, não há registos de violência física sobre ninguém, resta a ocorrência ela mesma que a autoridade há-de escrever. Mas antes há a actuação comercial do Guarda Inácio, chamo-lhe Inácio, podia ser Manuel, Marques ou Arlindo. O cenário é absolutamente banal, uma porta estroncada, a máquina do tabaco ganhou asas e voou, nada que não tenha sido já lido e relambido em páginas de jornais especializados na criminalidade e no sangue que agora aqui não há. "Olhe, digo-lhe já, nunca vi um assalto como este e já ando nesta vida há muitos anos", proferiu o Guarda Inácio, quase acordando os presentes espectantes. E apontou a placa amarela da Prosegur, aparafusada na parede exterior. "Estes gajos da Prosegur, estes gajos não prestam...". "O que o senhor precisa aqui é de um sistema a sério, com câmaras de video e uma televisão!". O espanto era geral perante aquele vendedor fardado a quem o Estado subsidia a vocação. "Tome lá este cartãozinho, é de um tipo especialista que vem cá e lhe faz um preço jeitosinho...".

06 fevereiro 2008

We will always have Paris

..."A experiência Erasmus é muito grande para ser descrita. O ponto comum em que todos os estudantes erasmus podem concordar é dizer que tu também tens que ir. Toda a gente no mundo devia ter direito a isto. As grandes emoções e acontecimentos eu fui descrevendo ao longo do ano e fui-vos dizendo pessoalmente, as pequeninas coisas, os detalhes, guardo-os para mim e sorrio. Amei Paris. Amo Paris.

Estava a ler o blog do Neca e deparei com este texto. Em 1980 não havia Erasmus e nem eu tinha idade e estatuto para algo similar. Mas tinha uma mochila, uma André Jamet (que nunca cheguei a montar!), um bilhete de ida e volta para o Sud-Express e uma vontade inexplicável de ir ver com os meus próprios olhos como era o mundo depois do Caia. E trinta dias de férias. Ainda hoje não sei bem porque é que voltei.

O charro

É uma história antiga que me foi contada há um bom par de anos. Talvez não respeite fielmente os pormenores originais mas isto não é um concurso de histórias e quem ma contou talvez não venha sequer a dar por ela. Enquanto espero que uma delicada operação técnica que decorre aqui mesmo por detrás desta janela, passo-a a texto.

E. fumava um charro na via pública. Estava sentado no seu carro, descansada e relaxadamente, tanto quanto é possível desfrutar de um charro na via pública. Imagino E. envolto em baforadas de fumo suspeito, de portas da viatura abertas, uma batida cool a esvair-se do som do automóvel. E. dava aquilo que na gíria se chama "uma grande bandeira". Um transeunte aproximou-se da porta do lado de E. que recordo estava em pleno êxtase marroquino ou libanês, não me chegou essa parte tenho a certeza absoluta, e sacando de uma carteira apetrechada de um distintivo policial, fitou-o nos olhos mortiços dizendo-lhe: "-Polícia!". E. terá fitado a personagem e disse-lhe em tom convicto: "-ESTUDASSE!".

Career Finder

De que é que eu preciso?

Estão a ver aquele telefone que eu encomendei faz hoje oito dias? Ninguém vive sem falar, topam?

V-12, em papel


Meninas, aviso-vos já, isto interessa-vos tanto a vocês como a mim me interessa uma mala fúcia! É um V-12, um motor. Em papel! É composto por 1978 peças. Roda o conjunto de acordo com o ciclo de ignição dos cilindros a 13.5 rpm e levou dois anos a ser concebido em kit (dois anos é mais ou menos o tempo que uma mala fúcia leva a ser conjugada com uns sapatos de cor semelhante). Pode ser comprado em kit e não deve ser montado em dias de chuva, digo eu.

05 fevereiro 2008

Improv Everywhere


A Improv Everywhere desenha missões de "Urban Chaos", uma curiosa forma de intervenção que já se traduziu em dezenas de intervenções "cirúrgicas" à base do Mobbing. A que está aqui documentada em video é uma delas, com centenas de pessoas a circular pela Grand Station em NY, "congelando" os seus movimentos durante cinco minutos para dispersar logo de seguida.

Planos

Vou partir para o meu segundo milhão, já que o primeiro não consegui...
Isto obriga-me a redimensionar alguns dos meus sonhos.

Hobbies para a reforma

No caso de um dia lá chegar, tenho uma lista de coisas que quero fazer durante a minha reforma. Aprender as regras do baseball, perceber minimamente o processo eleitoral norte-americano e aprender a jogar Bridge. Espero também viver até aos 110 anos.

Azar duplo

Imagem roubada no mbweblog

É Carnaval

Folias com data marcada nunca foram coisa do meu inteiro e manifesto agrado. Apesar de em menino ter brincado ao Carnaval, mais por imposição do que por lhe achar verdadeiramente graça, o hábito perdeu-se-me dos próprios usos. Mas esta noite reacendeu-se-me o espírito da partida com graça, do espírito traquinas do qual fica sempre uma réstea dentro dos nossos corpos já adultos. Esta noite, em plena A5, na área de serviço Galp, um bando de foliões tinha montado um esquema simples, mas absolutamente hilariante. Escondidos entre a zona de lavagem automática e o edifício da loja, munidos de um potente megafone, divertiam-se os foliões imitando a voz do operador de caixa fazendo soar frases como "A bomba cinco está em pré-pagamento, é favor dirigir-se à caixa", numa imitação perfeita e cuidada que os incautos automobilistas tomavam como correcta e obrigatória. A meio do percurso, a voz fazia-se de novo ouvir em tom de conselho "Bomba número cinco, é bom que traga dinheiro trocado", ou "O senhor da bomba número cinco, vista o casaco que está frio": Lá dentro, os operadores de caixa choravam a rir, e alguns clientes, como no meu caso, demoravam-se propositadamente na observação das prateleiras para gozar o prato mais um bocadinho.

04 fevereiro 2008

Vae victis! (O convite)

Convidei um utilizador de correio electrónico a experimentar um serviço. A resposta não me tomaria mais de dez segundos caso não contivesse ameaças, o que torna a coisa um pedacinho diferente. Não há coisa mais estimulante que a destruição de uma argumentação.

Caro Pedro Aniceto,
Os m/ melhores cumprimentos.
Não tenho o prazer de o conhecer e desconheço a que propósito sou destinatário deste mail !!Gostaria de saber em que base de dados recolheu o m/ endereço de mail. No prazo de 5 dias. Caso contrário, solicitarei intervenção da CNPD.
Não estou minimamente interessado em receber qualquer tipo de marketing via mail, pelo que também agradeço, desde já, que elimine o m/ endereço da sua lista.

Remetente identificado



Caro Remetente Identificado,

Surpreende-me que de algum modo desconheça o propósito do email que recebeu. Como indica em linguagem clara o assunto da própria mensagem, que recordo, era "Convite!", trata-se de um convite, acto de convidar, modo porque se convida, entre outras explicações que tomarei como certas e provenientes de dicionários de língua portuguesa de sólida e reputada fama.

Em resposta à sua intimação dos cinco dias, que deveras me divertiu, saiba V.Exa que o seu email não foi recolhido em base de dados alguma, o que embora lhe possa parecer espantoso, não é obra do demo nem fruto do acaso. Ora, não tendo sido o seu endereço recolhido numa base de dados, considero cumprida a interpelação dentro do hilariante prazo.

No âmbito da minha actividade tenho a minha própria Base de Dados registada na CNPD (da qual o seu endereço não faz nem virá, pelo exposto, a fazer parte), pelo que faça V.Exa o que muito bem lhe aprouver com a sua intimação e ameaça, e caso lhe não surjam ideias onde a aplicar, terei imenso gosto e prazer e indicar-lhe algumas.

Num mundo imediatista como o nosso interrogo-me como diabo V.Exa autoriza que os seus dados electrónicos (e refiro-lhe o email QUE REPITO NÃO RETIREI DE BASE DE DADOS ALGUMA caso não tenha entendido à primeira) constem de uma banal lista telefónica (o que é o caso), bem como, pasme-se, a sua MORADA (Céus! Que me mais me irá suceder?), o seu telefone (Santa Madre, é o fim dos tempos!) ou o seu número de Fax (Oh desgraça, oh desdita!), já para não falar do seu número de cédula profissional que por sinal é parte integrante do seu email profissional.

Interrogo-me se o escarcéu electrónico que V.Exa faria seria igual se o remetente desta electrónica missiva lhe escrevesse em papel, se seria V.Exa capaz de sacrificar meia Amazónia em abates de celulose para continuar a diatribe. Imagino o fragor da zanga, o clamor da ira, e cesso os meus imaginativos exercícios pois julgo já ter gasto com V.Exa mais electrões do que a questão de facto merece.

Voltaria ao tépido bovino para reiterar a V.Exa que de facto (e pela terceira vez) o seu email não ter sido retirado de base de dados alguma, mesmo que esses dados sejam públicos e constem da já citada e referida amarelada lista telefónica, mas não somente por isso, para lhe afiançar, capaz de jurar à fé de quem sou, lido por estas que o estojo há-de um dia guardar, que o seu precioso email não consta também de nenhuma lista (oh ameaça tamanha essa das listas). Era um singelo email, unzinho, uno e primo, divisível apenas por ele.

Pelo exposto, e por não constar o seu singelo e precioso endereço de nenhuma lista, manifesto a V.Exa o meu temeroso receio de que seja impossível cumprir o seu pedido de eliminação de uma lista que não existe.

Ofereci-lhe um serviço que V.Exa recusou. Aceito, com fair play e bonomia a sua decisão. Já o estardalhaço dispenso, por ser tolo (o estardalhaço, não vá V.Exa interpretar-me erroneamente) e fico aqui a pensar em que se um dia mudar o meu rumo profissional e vier a vender comprimidos para aumentar saberá Deus o quê ou maravilhosos relógios capazes de medir o tempo que V.Exa aqui nos fez perder, estaremos ambos bem arranjados.

Queira V.Exa aceitar os meus mais entusiásticos cumprimentos

Pedro Aniceto

Superioridades morais

Quando ele há meses me olhou com sobranceria e me perguntou "Então, tu és daqueles que ainda não conseguiu largar essa merda?" enquanto eu acendia um cigarro no final de uma refeição que fui obrigado a tomar em comum, respondi "Sim, sou", não dando a mais leve hipótese de conversa, coisa que sei de antemão o irrita. Quando hoje nos cruzámos e ele tinha um cigarro aceso na mão, cigarro que tentou esconder-me, não lhe disse nada mas a troca de olhares foi expressiva e nem precisei de falar. Coisa que sei de antemão que o irrita.

03 fevereiro 2008

Respostas a perguntas difíceis

Aqui, por cortesia de Manuel Pata.

Haja alguém que o escreva


Com sua licença

Oleg. Oleg K., que o apelido que tem gravado na placa de plástico que lhe pende do uniforme cinzento é demasiado complicado para que eu alguma vez lho tenha memorizado. Há quase um ano que nos cruzamos na caixa de um posto de abastecimento de uma gasolineira. É novíssimo, se não é parece-o. Num cálculo desajeitado juraria que nem dezoito anos tem. Reparei nele no dia em que devido a um engano de trocos, tentou articular um pedido de desculpas tão formal quanto educado, tão atabalhoado quanto esforçado me disse "Querria aceitarr mil perrdões" e nem os meus esforços para lhe poupar o discurso o demoveram, que ele estava verdadeiramente empenhado em levar o acto até final. Acabámos ambos rindo do sucedido e a fazer apresentações, ele num inglês exemplar, enquanto me mostrava as páginas de um livro que entendi ser um guia de português para estrangeiros de onde tinha bebido a pérola que instantes antes debitara.

Desde aí que lhe vou aferindo a evolução do português quase dominado, sempre acompanhado de uma educação e afabilidade mais do que perfeitas, descontando-lhe certo é um carregar de érres digno de um setubalense nado e criado na sarrdinha. Calhou que o encontrasse hoje de novo, ele no seu posto, eu no useiro papel de cliente. Troquei umas "Boas noites" por um "Olá, está bonzinho?" e notei um olhar dele fixo em mim. Que nem era em mim, antes na roupa que eu vestia. Um polo negro, uma maçã dentada, branca, bordada por alturas do coração. Sorri, ele não se conteve: "Ahhh! Macintosh!" com aquela sonoridade nos is que texto algum ousará reproduzir. "Macintosh! Computadorres, com sua licença, do carralho!". Paguei e fui a bagageira do automóvel buscar-lhe uma camisola igual. Foi merecida. Um dia destes vamos querer saber quem é o editor do teu guia de línguas.

02 fevereiro 2008

Nem bom vento

O mesmo português que sem uma explicação racional diz que não gosta de espanhóis (e eu integro este grupo) é a mesmíssima pessoa que assobia a melodia "E viva España" com convicção e algum prazer. (E só escrevi isto porque passei por uma festarola de velhotes onde se cantava isto e não páro de a trautear...).

Dizer bem

Porque é raro, porque sabe bem, e porque se deveria tornar um hábito. As mais belas livrarias do mundo e a noite de Lisboa.

É muito feio escutar conversas

"-E ela? E ela?"
"-Ela riu-se bué e eu não sei quê."
"-E ela engoliu?"
"-Diz que lhe fez muita impressão, que lhe sabia bué esquisito e não sei quê"

O drama de escutar conversas alheias quando se almoça com os vizinhos do lado praticamente sentados ao nosso colo, nem é o acto de clara má educação. É o de ficarmos a pensar no que raio querem dizer...

01 fevereiro 2008

Panic button

Fui ao Colombo e numa das viagens de elevador, uma menina vestida de Dama Antiga insistia em fugir aos braços do pai e tentar chegar aos botões dos andares. Apesar de mal disposto, acedi a ajudá-la. Peguei-lhe ao colo e disse "Carrega para aí com força". Ela não se fez rogada e os seus dedos roliços fizeram acender tudo o que era rodela branca. "Deixa lá, ao menos uma vez na vida sabe bem fazer coisas proibidas". O pai olhava-nos apreensivo. "Queres carregar mais? Força aí!". E ela ria-se, procurando os botões não acesos ainda. Foi quando faltava apenas uma meia dúzia deles que se ouviu uma voz gravada que dizia "Botão de pânico accionado. Por favor fique calmo. A ajuda vem a caminho". E depois repetiu "Fique calmo, a ajuda vem a caminho". Saímos os três a rir da caixa metálica, eles desapareceram numa esquina e eu não esperei pela ajuda.

Os donos das palavras

Hoje pediram-me um parecer. Escrito. Grátis, claro. Sim porque a mim me parece que ninguém me pagaria um parecer. Era um parecer deveras chato, que falava de estatísticas, tendências e objectivos a curto e médio prazo. Comi bolachas de água e sal enquanto o escrevia. Reparem que se eu comer enquanto escrevo é porque o texto é chato e maçador. Não como outros textos em que parece que temos erecções nos dedos e como eles ficam rijos e excitados vai tudo à frente, letra a letra e dou até pancadas laterais violentas com os polegares na barra de espaços. Isso sim, isso é que é escrever. Como se tivéssemos imensa pressa em tentar não esquecer as quinze palavras que já temos alinhadas naquele canal seminal da memória que estamos a descarregar no teclado. Não foi claramente o caso deste parecer. Era chato, deprimente e ainda por cima tinha conclusões que não agradariam a quem mo pediu. Sim, que é sempre bom parecer-nos aquilo que os outros preferem. Acabei-o a custo e bem depois do pacote de bolachas. "Você escreve muito bem" disse-me ele e eu sorri, enquanto fingia acreditar que naquele caso era verdade. Enquanto eu varria de cima de mesa um monte de migalhas, ele sacou da caneta e assinou a folha recentemente impressa para onde eu tinha mugido muitas linhas. Pensei que ele podia ter esperado que eu virasse costas, assim ao jeito de quem veste as calças antes de dizer "É tão bom, não foi?". Recordo-me que não foi a primeira vez. Circula aí pelas prateleiras das livrarias um prefácio assinado por outrém do qual ele mesmo não escreveu sequer uma palavra ou imaginou uma linha. Mas aí eu achei graça. Ou talvez não, não sei. Que sei eu?

Emporio Lello


Já percebi que vou ter de voltar a usar uns óculos durante algum tempo... Com as condicionantes que tenho de graduação e da especificidade das lentes que uso que têm uma espessura bastante difícil de disfarçar, comecei a fazer pesquisas de mercado para tentar atenuar o choque financeiro que se adivinha. Da última vez que precisei de actualizar o meu telescópio pessoal levei algumas semanas a refazer-me do choque e por via disso mesmo no que disse respeito a armações escolhi a opção mais baratinha, tipo "Pedro e Inês" (era uma promoção com um nome poético como o caraças!). Isto foi em 1994 e se não fosse a minha ficha não conseguiria recordar a data. Era uma decisão fácil de tomar, suponho que anteontem foi a primeira vez numa década em que usei óculos fora de casa, pelo que a questão estética nunca se colocava. No more! Quando ontem comecei a olhar para os catálogos e listas de preços de armações para a prescrição que necessariamente terei de fazer, fiquei preocupado com os valores a que chegam alguns destes artefactos. É óbvio que o olhar, por mais débil que ele seja, recai sempre no design mais apelativo, nas linhas mais ou menos clássicas, nada de grandes inovações radicais. Em matéria de óptica os radicalismos ficam sempre muito melhor na cara dos outros (embora reconheça que há no mercado armações muito bonitas em termos de materiais compostos). As regras são simples no meu caso: Armações de massa (por causa do volume das lentes) e haste lateral de grande largura por forma a atenuar o bordo da lente. Isso deixa de fora à partida uma percentagem generosa das ofertas de centenas de fabricantes. Ainda assim neste campeonato não sobram opções. Armani, Chanel, Diesel, Dior, Boss, a lista é excepcionalmente longa e há de tudo um pouco. Raramente uma armação com um mínimo de bom gosto fica abaixo dos trezentos euros, o que, honestamente, acho um escândalo. E mesmo que se fuja a uma marca de renome, a coisa não varia muito. Ontem perguntaram-me "Já consultaste o mercado alternativo?" Desconhecia a existência de um mercado alternativo em matéria desta. "Como assim, alternativo?", disse eu, eterno distraído sempre que o assunto nunca foi por mim abordado. "Eh pá, contrafação!". Não queria acreditar, uma coisa é o mercado de óculos de sol estar absolutamente cheio de cópias e de produtos de toda a espécie, sendo que em algumas situações chegam a ser casos de polícia, outra é a novidade do mercado de prescrições ser também uma "mina" para a cópia. Desconhecia-o. E bastou-me uma voltinha pelo eBay ou por autênticos brokers da imitação para descobrir um mundo completamente novo a preços que não chegam a 10% dos do produto original.

Momentos

"Deus deve gostar de gente estúpida, só isso explica o facto de ter criado tanta"