30 abril 2008
Não fui eu que inventei
Dia Mundial do Doente Mental
..."Seu filho de uma grande puta. Para de me enviar esta porra de mails da treta. Se é um mailing list já sabes, apaga. Se continuar a receber esta trampa, todos os dias reencaminho a mesma trampa que me envias. Sem cumprimentos
Rui Carrasquinho"
Rui,
Deve haver aqui um qualquer mal entendido ou uma forte perturbação mental que me escapa. Foi você que pediu a inscrição nesta lista, não fui eu que a inventei. Inscreveu-se A SEU PEDIDO em 2003 (sim, DOIS MIL E TRÊS!) com bons modos e será com bons modos que me pedirá a remoção. Tenha um bom dia
P.S.- Quanto ao "filho da puta" tome em consideração que o mundo é pequeno e que inevitavelmente nos cruzaremos, propositadamente ou não.
Rui Carrasquinho"
Rui,
Deve haver aqui um qualquer mal entendido ou uma forte perturbação mental que me escapa. Foi você que pediu a inscrição nesta lista, não fui eu que a inventei. Inscreveu-se A SEU PEDIDO em 2003 (sim, DOIS MIL E TRÊS!) com bons modos e será com bons modos que me pedirá a remoção. Tenha um bom dia
P.S.- Quanto ao "filho da puta" tome em consideração que o mundo é pequeno e que inevitavelmente nos cruzaremos, propositadamente ou não.
A chama imensa
O que é que os tipos que andam a transportar a chama olimpíca fazem quando um manifestante pró-Tibete a consegue apagar?
Primeiro ensinamento do dia
Quando, num desentendimento matinal de trânsito se enfurecer com outro automobilista e trocar com ele uns mimos e uns gestos mais fálicos, certifique-se de que não o vai encontrar no balcão da assistência técnica da empresa para onde ambos se dirigiam...
Entrevista de Wozniak na Folha
Co-fundador da Apple fala à Folha sobre o presente e o futuro
EMERSON KIMURA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A tecnologia facilitou muito a nossa vida, mas às vezes ela é colocada como mais importante do que o homem. Não deveria ser assim, diz Steve Wozniak (www.woz.org ), que fundou a Apple com Steve Jobs. Em entrevista por telefone à Folha, Woz, como gosta de ser chamado, contou como vê a tecnologia hoje e amanhã. Ele é o visionário que, em 1976, criou o computador Apple I e, no ano seguinte, o Apple II -cujo sucesso permitiu a sobrevivência da empresa, apesar de insucessos comerciais, e deu fôlego financeiro para o desenvolvimento do Macintosh, em 1984. Hoje, Wozniak ocupa-se com palestras, novas empresas de tecnologia, companhias verdes e projectos com a Nasa.
FOLHA - O que o sr. faz atualmente?
WOZNIAK - Nos últimos dois anos, montei uma companhia [Acquicor Technology] – mas não é a minha área, então estou a me demitir –, escrevi um livro, fiz um tour [de promoção] do livro e discursei ao redor do mundo para diversos grupos.
FOLHA - O sr. ainda é empregado da Apple?
WOZNIAK - Sim, mas não trabalho na Apple. Trabalho com algumas empresas de tecnologia, mais start-ups, e com algumas companhias "verdes" de tecnologia, principalmente na área de materiais de construção.
FOLHA - Qual seu papel na Apple hoje?
WOZNIAK - Bem, eu sou definido como um "fellow", companheiro. [O programa Apple Fellows reconhece a contribuição de alguns indivíduos para a empresa; além de Woz, fazem parte do seleto grupo Bill Atkinson, Steve Capps, Rod Holt, Alan Kay, Guy Kawasaki, Don Norman e Rich Page.] É bem uma função aberta; tendo uma idéia eu provavelmente posso conseguir apoio para desenvolvê-la, mas não faço muito além de simplesmente dizer a Steve Jobs meus comentários e procedimentos de vez em quando.
FOLHA - Como o sr. olha para esse movimento verde?
WOZNIAK - É o grande foco de atenção para a próxima década ou duas, particularmente em meios para criar energia e para pessoas usarem energia. Os primeiros incluem estações de energia verde que geram força a partir de materiais recicláveis e renováveis, como geotérmicos e luz solar. Na segunda categoria entram coisas como carros eficientes, novas tecnologias para baterias, construção cuidadosa de casas.
FOLHA - E provavelmente o sr. vê um papel importante da tecnologia em tudo isso.
WOZNIAK - Totalmente. Tecnologia é como... Qualquer coisa que possibilite fazer coisas em menos passos. Ela basicamente poupa trabalho, poupa esforço. Ou poupa dinheiro para que ele possa ser aplicado de outra maneira.
Acho que alguns dos grandes avanços tecnológicos na verdade começam mais cedo na ciência – por exemplo, materiais novos, particularmente os feitos com nanotecnologia, oferecem certas qualidades que depois nos permitirão criar novas tecnologias, como baterias mais resistentes.
FOLHA - Quais os principais benefícios que a tecnologia nos trouxe nas últimas décadas?
WOZNIAK - A tecnologia aumentou as nossas habilidades próprias de resolver as coisas sozinhos, tanto no trabalho quanto para o entretenimento – como fotografias e música em computadores. Também nos permitiu comunicar bem, transmitindo tudo – de palavras a imagens, passando por músicas e apresentações.
FOLHA - Quais foram os principais obstáculos?
WOZNIAK - Bem, vejamos. Alguns dos obstáculos eram o fato de que nós sonhávamos e projetávamos coisas 20 anos antes de ter recursos para construí-las. Então, por exemplo, nós sabíamos que um dia a memória nos permitiria ter uma música em um computador. Mas foi um longo tempo até que nós realmente pudéssemos bancá-la para colocar a música nela.
E o custo dos computadores ainda... O computador pessoal, mesmo sendo a principal tecnologia com a qual estamos familiarizados, muitas partes do mundo não têm nenhum. Elas não têm um uso para isso. O tipo de coisa em que o computador nos ajuda não se aplica tão bem a economias muito pobres.
FOLHA - E o uso da tecnologia na educação?
WOZNIAK - A educação não tem sido aperfeiçoada como deveria porque nós ainda não temos software que se assemelhe a um ser humano. Um professor de verdade, um professor humano pode aprender características de um estudante, suas expressões faciais, a altura da voz. Muitas coisinhas que nós aprendemos somente com o crescimento. Nós sabemos como dar um significado especial, como ajudar os estudantes falando com eles mais claramente, mas o computador não pode fazer isso.
O computador simplesmente não pode... Ele não sabe se você teve um dia ruim, um computador não é amigável o suficiente para perguntar-lhe sobre seus irmãos, "como eles estão?". Então o computador é basicamente um livro escolar – claro, um livro melhor, por causa da interatividade. É como uma simples ferramenta para apresentar o seu material no papel e colaborar até certo ponto.

Wozniak em 1978, operando um Apple II; foto: Margaret Wozniak
FOLHA - Como a interação entre humanos e máquinas evoluiu nas últimas décadas?
WOZNIAK - Tivemos grandes avanços nos anos 80, quando os primeiros computadores com interface gráfica para o usuário, principalmente da Apple Computers – então Lisa e Macintosh –, surgiram. Eles eram projetados para que a tecnologia funcionasse de maneira que fosse mais familiar para o homem, mais intuitiva, mais natural.
Mas hoje, quando você usa um computador, quase sempre precisa aprender a mexer em um software. Você tem essa peça tecnológica, e como utilizá-la? Eu tenho que me empenhar para descobrir como funciona. Nesse caso, a tecnologia tem sido colocada como mais importante do que o homem.
Nós deveríamos voltar para o início e esforçar-nos em entender o homem sem tecnologia, colocar a pessoa como [a mais] importante e tentar adaptar a tecnologia para o estilo humano.
Mesmo recentemente, tanto a Microsoft quanto a Apple têm tomado medidas para ir além disso, o que é excelente, mas há limitações. Há coisas que são feitas de modo muito inadequado. No entanto, as interfaces baseadas em toque são um meio de nos aproximarmos mais das ações humanas.
FOLHA - Ainda assim, o sr. se sente confiante sobre a evolução da interface entre homens e máquinas?
WOZNIAK - Sinto-me extremamente confiante sobre isso. Algo importante são telas de baixo custo que não sejam apenas dispositivos de saída, mas também de entrada. E conseqüentemente nós iremos mais além: teremos em todo computador uma câmera que possa aprender gestos e outros sinais humanos e até fala humana sem precisar passar por uma etapa de memorização para funcionar.
FOLHA - Qual a importância da Apple?
WOZNIAK - A Apple quer trazer o poder que a tecnologia proporciona para o usuário individual e permitir que ele faça mais coisas. Nós fazíamos isso quando começamos a empresa, nossa idéia era fazer produtos úteis. Às vezes, você pode fazer um produto que vende bem, mas que é uma droga, e nós não fazemos isso. Nós fazemos apenas produtos bons.
FOLHA - Por que tantas “drogas” tornam-se best-sellers?
WOZNIAK - Eu, como consumidor, comprarei o produto mais barato. Geralmente é assim, e eu não percebo que terei algum desgosto com ele – isso vem depois do pagamento.
A Apple tenta não apenas fazer produtos que satisfaçam, mas que... Você quase baba, tem um desejo, assim que os vê, de possuí-los.
FOLHA - Por que a Apple passou por tantos problemas?
WOZNIAK - Naqueles tempos, nós éramos uma companhia com um produto, basicamente: uma linha de computadores. Quando nós temos um produto, não somos diversificados. E todas as forças do mercado – a tecnologia sobe e desce, competições sobem e descem –, todas essas forças afetaram a companhia drasticamente. Há capitalizações de empresas que sobem e descem por um ou dois fatos em dois meses só por causa de uma nova mudança no mundo.
Nós estamos um pouco melhores agora porque, grosso modo, temos três companhias: o computador, o iPod e o iPhone. Então, se um produto vai mal, os outros ajudam a segurar.
FOLHA - O que não vem acontecendo. Mas a Apple começou a crescer novamente somente com o computador, quando Steve Jobs voltou nos anos 90 e lançou o iMac...
WOZNIAK - O iMac já tinha sido desenvolvido lá dentro, antes que ele [Jobs] estivesse lá... Ele proporcionou para a leal base de consumidores uma exaltação com o seu retorno. Além disso, é um apresentador expert em marketing. Tomou medidas muito importantes para encobrir qualquer vazamento na companhia sobre produtos novos. Então, quando eles são apresentados, são muito mais emocionantes.
Nota: Propositadamente não alterei o texto nas questões ortográficas nem na estranha redacção de algumas das frases. Esta entrevista foi publicada sem pedido de reprodução e será retirada se tal me for pedido pelo meio ou pelo autor.
EMERSON KIMURA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A tecnologia facilitou muito a nossa vida, mas às vezes ela é colocada como mais importante do que o homem. Não deveria ser assim, diz Steve Wozniak (www.woz.org ), que fundou a Apple com Steve Jobs. Em entrevista por telefone à Folha, Woz, como gosta de ser chamado, contou como vê a tecnologia hoje e amanhã. Ele é o visionário que, em 1976, criou o computador Apple I e, no ano seguinte, o Apple II -cujo sucesso permitiu a sobrevivência da empresa, apesar de insucessos comerciais, e deu fôlego financeiro para o desenvolvimento do Macintosh, em 1984. Hoje, Wozniak ocupa-se com palestras, novas empresas de tecnologia, companhias verdes e projectos com a Nasa.
FOLHA - O que o sr. faz atualmente?
WOZNIAK - Nos últimos dois anos, montei uma companhia [Acquicor Technology] – mas não é a minha área, então estou a me demitir –, escrevi um livro, fiz um tour [de promoção] do livro e discursei ao redor do mundo para diversos grupos.
FOLHA - O sr. ainda é empregado da Apple?
WOZNIAK - Sim, mas não trabalho na Apple. Trabalho com algumas empresas de tecnologia, mais start-ups, e com algumas companhias "verdes" de tecnologia, principalmente na área de materiais de construção.
FOLHA - Qual seu papel na Apple hoje?
WOZNIAK - Bem, eu sou definido como um "fellow", companheiro. [O programa Apple Fellows reconhece a contribuição de alguns indivíduos para a empresa; além de Woz, fazem parte do seleto grupo Bill Atkinson, Steve Capps, Rod Holt, Alan Kay, Guy Kawasaki, Don Norman e Rich Page.] É bem uma função aberta; tendo uma idéia eu provavelmente posso conseguir apoio para desenvolvê-la, mas não faço muito além de simplesmente dizer a Steve Jobs meus comentários e procedimentos de vez em quando.
FOLHA - Como o sr. olha para esse movimento verde?
WOZNIAK - É o grande foco de atenção para a próxima década ou duas, particularmente em meios para criar energia e para pessoas usarem energia. Os primeiros incluem estações de energia verde que geram força a partir de materiais recicláveis e renováveis, como geotérmicos e luz solar. Na segunda categoria entram coisas como carros eficientes, novas tecnologias para baterias, construção cuidadosa de casas.
FOLHA - E provavelmente o sr. vê um papel importante da tecnologia em tudo isso.
WOZNIAK - Totalmente. Tecnologia é como... Qualquer coisa que possibilite fazer coisas em menos passos. Ela basicamente poupa trabalho, poupa esforço. Ou poupa dinheiro para que ele possa ser aplicado de outra maneira.
Acho que alguns dos grandes avanços tecnológicos na verdade começam mais cedo na ciência – por exemplo, materiais novos, particularmente os feitos com nanotecnologia, oferecem certas qualidades que depois nos permitirão criar novas tecnologias, como baterias mais resistentes.
FOLHA - Quais os principais benefícios que a tecnologia nos trouxe nas últimas décadas?
WOZNIAK - A tecnologia aumentou as nossas habilidades próprias de resolver as coisas sozinhos, tanto no trabalho quanto para o entretenimento – como fotografias e música em computadores. Também nos permitiu comunicar bem, transmitindo tudo – de palavras a imagens, passando por músicas e apresentações.
FOLHA - Quais foram os principais obstáculos?
WOZNIAK - Bem, vejamos. Alguns dos obstáculos eram o fato de que nós sonhávamos e projetávamos coisas 20 anos antes de ter recursos para construí-las. Então, por exemplo, nós sabíamos que um dia a memória nos permitiria ter uma música em um computador. Mas foi um longo tempo até que nós realmente pudéssemos bancá-la para colocar a música nela.
E o custo dos computadores ainda... O computador pessoal, mesmo sendo a principal tecnologia com a qual estamos familiarizados, muitas partes do mundo não têm nenhum. Elas não têm um uso para isso. O tipo de coisa em que o computador nos ajuda não se aplica tão bem a economias muito pobres.
FOLHA - E o uso da tecnologia na educação?
WOZNIAK - A educação não tem sido aperfeiçoada como deveria porque nós ainda não temos software que se assemelhe a um ser humano. Um professor de verdade, um professor humano pode aprender características de um estudante, suas expressões faciais, a altura da voz. Muitas coisinhas que nós aprendemos somente com o crescimento. Nós sabemos como dar um significado especial, como ajudar os estudantes falando com eles mais claramente, mas o computador não pode fazer isso.
O computador simplesmente não pode... Ele não sabe se você teve um dia ruim, um computador não é amigável o suficiente para perguntar-lhe sobre seus irmãos, "como eles estão?". Então o computador é basicamente um livro escolar – claro, um livro melhor, por causa da interatividade. É como uma simples ferramenta para apresentar o seu material no papel e colaborar até certo ponto.

Wozniak em 1978, operando um Apple II; foto: Margaret Wozniak
FOLHA - Como a interação entre humanos e máquinas evoluiu nas últimas décadas?
WOZNIAK - Tivemos grandes avanços nos anos 80, quando os primeiros computadores com interface gráfica para o usuário, principalmente da Apple Computers – então Lisa e Macintosh –, surgiram. Eles eram projetados para que a tecnologia funcionasse de maneira que fosse mais familiar para o homem, mais intuitiva, mais natural.
Mas hoje, quando você usa um computador, quase sempre precisa aprender a mexer em um software. Você tem essa peça tecnológica, e como utilizá-la? Eu tenho que me empenhar para descobrir como funciona. Nesse caso, a tecnologia tem sido colocada como mais importante do que o homem.
Nós deveríamos voltar para o início e esforçar-nos em entender o homem sem tecnologia, colocar a pessoa como [a mais] importante e tentar adaptar a tecnologia para o estilo humano.
Mesmo recentemente, tanto a Microsoft quanto a Apple têm tomado medidas para ir além disso, o que é excelente, mas há limitações. Há coisas que são feitas de modo muito inadequado. No entanto, as interfaces baseadas em toque são um meio de nos aproximarmos mais das ações humanas.
FOLHA - Ainda assim, o sr. se sente confiante sobre a evolução da interface entre homens e máquinas?
WOZNIAK - Sinto-me extremamente confiante sobre isso. Algo importante são telas de baixo custo que não sejam apenas dispositivos de saída, mas também de entrada. E conseqüentemente nós iremos mais além: teremos em todo computador uma câmera que possa aprender gestos e outros sinais humanos e até fala humana sem precisar passar por uma etapa de memorização para funcionar.
FOLHA - Qual a importância da Apple?
WOZNIAK - A Apple quer trazer o poder que a tecnologia proporciona para o usuário individual e permitir que ele faça mais coisas. Nós fazíamos isso quando começamos a empresa, nossa idéia era fazer produtos úteis. Às vezes, você pode fazer um produto que vende bem, mas que é uma droga, e nós não fazemos isso. Nós fazemos apenas produtos bons.
FOLHA - Por que tantas “drogas” tornam-se best-sellers?
WOZNIAK - Eu, como consumidor, comprarei o produto mais barato. Geralmente é assim, e eu não percebo que terei algum desgosto com ele – isso vem depois do pagamento.
A Apple tenta não apenas fazer produtos que satisfaçam, mas que... Você quase baba, tem um desejo, assim que os vê, de possuí-los.
FOLHA - Por que a Apple passou por tantos problemas?
WOZNIAK - Naqueles tempos, nós éramos uma companhia com um produto, basicamente: uma linha de computadores. Quando nós temos um produto, não somos diversificados. E todas as forças do mercado – a tecnologia sobe e desce, competições sobem e descem –, todas essas forças afetaram a companhia drasticamente. Há capitalizações de empresas que sobem e descem por um ou dois fatos em dois meses só por causa de uma nova mudança no mundo.
Nós estamos um pouco melhores agora porque, grosso modo, temos três companhias: o computador, o iPod e o iPhone. Então, se um produto vai mal, os outros ajudam a segurar.
FOLHA - O que não vem acontecendo. Mas a Apple começou a crescer novamente somente com o computador, quando Steve Jobs voltou nos anos 90 e lançou o iMac...
WOZNIAK - O iMac já tinha sido desenvolvido lá dentro, antes que ele [Jobs] estivesse lá... Ele proporcionou para a leal base de consumidores uma exaltação com o seu retorno. Além disso, é um apresentador expert em marketing. Tomou medidas muito importantes para encobrir qualquer vazamento na companhia sobre produtos novos. Então, quando eles são apresentados, são muito mais emocionantes.
Nota: Propositadamente não alterei o texto nas questões ortográficas nem na estranha redacção de algumas das frases. Esta entrevista foi publicada sem pedido de reprodução e será retirada se tal me for pedido pelo meio ou pelo autor.
Oxalá
Durante quarenta e quatro rápidos anos da minha vida numa família relativamente pequena e pacífica, habituei-me, ou habitou-me a vida nem sei bem, a gerir pequenas coisas, fait-divers, atritos minúsculos que rapidamente desaguariam em questiúnculas maiores se não fossem travadas por teimosos. Desde tenros tempos que fui chamado por amigos e colegas de trabalho a dirimir questões mais ou menos desagradáveis. Habituei-me a conferenciar, munido de uma paciência proverbial que nunca soube de quem herdei, a gerir as fúrias, a aplacá-las, a reunir os desavindos em briefings separados, a escutar pacientemente cada uma das facções e a moer todo o processo e a dissecá-lo com ajuda de pinças e caldos de galinha. Por cautela e bom senso habituei-os a não tomar partidos, a não extremar posições e muitas vezes a pedir "Façam-no por mim se não o quiserem fazer por vocês mesmos". Quase sempre com sucesso. Mas a idade vai pesando e alterando o feitio dos que se zangam, a quem pedir desculpa por um acto mais ou menos irreflectido ou vão é cada vez mais difícil. Difícil também para mim que isto vai custando a todos cada vez mais. Tenho em mãos uma questão complexa em que terei obrigatoriamente de me imiscuir sob pena de males maiores e tenho um sincero receio de que os meus dotes de Kofi Annan não sejam suficientes porque também a mim a paciência se vai esgotando. Amanhã é outro dia e tudo há-de compor-se. Oxalá.
29 abril 2008
28 abril 2008
Porque eu gosto de Mac?
"...Eu gosto de Mac porque ele faz um monte de coisas que o meu namorado não faz."
Logo eu
O despeito é um sentimento difícil de gerir, mais a mais se estivermos num local público, acanhado e pejado de gente. Ela disse alto e bom som "Logo eu que sou a melhor cama de Lisboa!". Confesso que fiquei ali uns segundos suspenso, talvez incrédulo, o copo a meio da viagem. Achei que tinha ouvido mal, que não tinha entendido a palavra "cama" mas ela mirou o pequeno telefone prateado e repetiu "A melhor cama de Lisboa!". Eu fiquei com dúvidas, quer pelo que via mas mais pelo que não consegui escutar. Depois, rodou sobre os tacões altos de sapatos de freira e saiu, deixando-me deglutir o resto da cerveja fresca com que tentei apagar o fogo da dúvida que como o outro dizia arderá sem se ter visto o que quer que fosse.
Eu e o Twitter
Resisti o mais que pude mas pressões fortíssimas (pronto, não eram assim uma ameaça gravosa) obrigaram-me a ceder e a abrir uma conta Twitter. Tenho de elaborar um Disclaimer sobre esta abertura porque sempre defendi que não precisava (e continuo a não precisar) de uma exposição pública ainda maior do que aquela que já tenho e não percebo porque diabo um tipo que está em Saint Object of the Whistle há-de querer saber por onde ando e o que faço (nem às paredes confesso) e mesmo que o queira saber, que raio tem a minha vidinha assim de tão interessante para ser escrutinada desta forma. Ainda assim submeto-me à curiosidade pública e aqueles que sobreviverem ao tédio dos meus micro posts sobreviverão a qualquer coisinha. Para isso só terão de adicionar o handle pedroaniceto aos vossos Twitters.
Os meus updates Twitter estão embutidos numa janelinha deste blog, logo por baixo dos primeiros blocos publicitários. (Assim, posso dizer aos meus anunciantes que os cuscas vão mesmo ter de olhar para os anúncios).
Os meus updates Twitter estão embutidos numa janelinha deste blog, logo por baixo dos primeiros blocos publicitários. (Assim, posso dizer aos meus anunciantes que os cuscas vão mesmo ter de olhar para os anúncios).
Eu e o iPhone
É mais ou menos pública a minha opinião sobre o iPhone e embora ninguém me tenha pedido que a emitisse aqui fica: É um brinquedo (e não estou a denegrir o produto) que se vende sozinho sem nenhum esforço comercial. Usa-se o interface e fica-se adepto, a perguntar como é que só agora foi possível produzir um gadget destes. Tenho resistido (furiosamente) à tentação de adquirir um e quando há dias alguém me questionou sobre este assunto disse-lhe (literalmente) o que se segue. Aquilo é um magneto, um tipo olha e diz "Ah, pois, está bem!" mas depois pega-se-lhe, mexe-se-lhe um bocadinho e começamos a tremer das mãos... Um tipo pensa "Eh pá eu tenho um monte de coisas nas quais gastar o que aquilo custa" mas de cada vez que mexo num (e há sempre um desgraçado que me diz - tu desbloqueias-me o meu?) os sintomas pioram. Tenho-me restringido de mencionar esta minha opinião até porque não queria que pensassem "Este gajo é doido" (embora eu saiba que muita gente assim pensa) mas hoje um conhecido meu fez-me chegar umas linhas de email que são deveras sintomáticas. "Um tipo pega-lhe e começa a tremer das mãos. Vai jantar fora e mantém os olhos cravados no parceiro da mesa do lado que tem um "desbloqueado" e insulta-o entre dentes..."
É reconfortante saber que não estou só...
É reconfortante saber que não estou só...
Bizplan
Vá! Confessem lá... Quem é que nunca cabeceou com sono numa apresentação de um produto? Eu, que tenho absoluto horror a salas semi-obscuras, fresquinhas e com tipos com um tom de voz que parecem estar a cantar-me canções de embalar, tenho sempre medo do efeito de sonolência que algumas apresentações me provocam. Não que tenha medo de adormecer, nada disso, tenho é receio de ser apanhado a ressonar como já me aconteceu uma vez no CCB numa coisa chatíssima sobre sistemas Wireless. Ou da vez em que descobri J. em Espanha a dormir que nem um santo na outra ponta da sala e lhe mandei SMS ou lhe fazia vibrar o telefone com um toque que o fazia (literalmente) saltar de pânico na cadeira para gáudio dos seus vizinhos de plateia. Já todos andámos por lá perto. Depois há empresas que se esforçam. que tentam por todos os meios transformar assuntos pesados e que levam horas a demonstrar mas que sendo isso mesmo, pesados, transformam a apresentação numa tarefa complicada. Ou não, como quando dividem os temas e os transformam em pequenos videos demonstrativos que cada um verá onde, quando e ao ritmo que lhes apetecer. Porque uma demo de software de gestão não tem obrigatoriamente de ser um pesadelo e porque o produto é bom, embora pesado nas possibilidades. Ah! E aqueles que dizem que em Apple não se encontram aplicações "mind blowing" deviam dar uma olhadinha ao Hansa Business Solutions apresentadas pela Bizplan para diversas indústrias.
Psst! Daqui a uns dias convido-vos a ver isto ao vivo. Podem ir tomando nota: 30 de Maio.
Psst! Daqui a uns dias convido-vos a ver isto ao vivo. Podem ir tomando nota: 30 de Maio.
27 abril 2008
Curioso este mundo em que vivemos
Debaixo de um sol que não mostra clemência estive uma hora e meia entre algures e coisa nenhuma com uma avaria mecânica no carro que conduzia. Presumo na altura (e confirmou-se mais tarde) ser coisa grave, correia de distribuição e consequente amálgama de válvulas. Passam carros, na sua absoluta indiferença, que me confunde porque eu não sei ser assim. As únicas duas pessoas que se acercam de mim, uma pede-me um cigarro e outra tenta cravar-me umas moedinhas. Nada está tão mal que não possa piorar.
Conc(ursos)
Investi sessenta minutos da minha existência terrena (assumindo que há outra) a digitar cerca de seiscentos códigos de dez caracteres que estão miseravelmente impressos no interior das caricas da cerveja Sagres. Ganhei 3 ringtones foleiros e iguais. Sois uns mãos largas, meus caros da Sociedade Central de Cervejas. Eu não queria o Smart, mas um daqueles mini frigoríficos que já por diversas vezes quis comprar e agora não encontro em lado nenhum dava-me jeito.
Quem quiser um Ringtone foleiro para o Europeu de futebol, clique aqui e peça com bons modos.
Quem quiser um Ringtone foleiro para o Europeu de futebol, clique aqui e peça com bons modos.
Informação vagamente inútil
Uma tradição das tribos de etnia Comanche obrigava as irmãs da esposa grávida a atender as necessidades do marido durante o tempo em que esta estivesse grávida.
26 abril 2008
The best days of our lives
Ontem perguntaram-me "Qual foi a tua melhor apresentação de sempre?". Sorri. Curiosamente a minha melhor apresentação de sempre foi uma que em condições normais não gosto de recordar, nem sequer conto com ela nas minhas listas de "Best of". Uma introdução de produto numa grande, grande empresa internacional, que até prometia bastante, feita numa sala de reuniões em que seis tipos muito cinzentinhos alinhavam as canetas, as folhas e os clips como se estivessem numa aula de geometria. O meu drama é que fui convocado para essa reunião/apresentação muito em cima da hora. Demasiado em cima da hora. Tão em cima da hora que me era impossível não comparecer ao almoço de aniversário de um grande amigo que decorria precisamente duas horas antes, em que, contrariamente ao que me é habitual, terei passado um pouco além da minha marca de ingestão de álcool. Nada de especial, não tenho por uso (ao contrário de muito CEO com quem tenho de conversar depois de almoço) de assistir alcoolizado a reuniões de trabalho. Pensei para comigo que me bastaria entrar mudo e sair calado mas nem tudo corre por vezes como prometemos a nós mesmos... Se há coisa que me faz saltar a válvula de pressão é que um tipo ou um organismo que quer ouvir falar do produto que represento me comece por falar mal dele. Aconteceu. Ouvi, durante alguns minutos, uma barragem de críticas ferozes e com a minha adrenalina aos saltos, não me consegui calar. Aprendi faz tempo com belos mestres, que não há nenhuma lei que me obrigue a estar sentado numa sala de reuniões. Ajuda-me a não adormecer e provoca um efeito dramático na actuação, intimidando quem permanece sentado (sim, já estudei o assunto e quem se levanta primeiro tem uma enorme vantagem porque mais ninguém o faz...). Lembro-me pouco desse discurso. Sei que falei como uma metralhadora e que por norma o faço no tom de voz que me deu o ADN que é bastante acima do nível normal. Quando caí em mim olhei para o relógio e percebi que esgrimia argumentos há quase trinta minutos. Levado pela euforia que já trazia dissimulada no sangue observei um por um os meus anfitriões de olhos pregados nos meus gestos (sim, eu falo deveras com as mãos). Achei que estavam nas cordas. Talvez não fossem eles. Talvez fosse eu que já estava nas cordas, principalmente quando percebi o que acabara de fazer. Dramaticamente e de forma estudada, elevei ainda mais o tom de voz e proferi a frase final: "E não sei se depois disto ainda restarão dúvidas!". Geraram-se alguns segundos de silêncio enquanto eu arrumava as minhas notas batendo o montinho de folhas A4. Como a primeira frase que me dirigem depois de uma longa exposição costuma ser reveladora dos resultados atingidos, fiquei expectante. O representante da corporação que nos recebera inspirou profunda e sonoramente e a primeira coisa que disse foi "Dasss, onde é que eu assino?". Lembro-me de ter pensado "Tenho que experimentar isto mais vezes" mas nunca mais tive coragem de o fazer naquelas condições.
Há poucos dias sucedeu-me uma situação de reunião, previamente estudada na base do "Good cop/Bad cop". Repeti quase de forma decalcada a marcação dramática e os resultados afiguram-se positivos. A primeira frase de quem me escutava foi algo como "Gosto de o ver defender o seu produto como se ele fosse seu filho". Mas eram dez da manhã, eu não estava sob a influência de nenhuma substância e tudo fora previamente estudado em pormenor. Não tem o mesmo sabor...
Há poucos dias sucedeu-me uma situação de reunião, previamente estudada na base do "Good cop/Bad cop". Repeti quase de forma decalcada a marcação dramática e os resultados afiguram-se positivos. A primeira frase de quem me escutava foi algo como "Gosto de o ver defender o seu produto como se ele fosse seu filho". Mas eram dez da manhã, eu não estava sob a influência de nenhuma substância e tudo fora previamente estudado em pormenor. Não tem o mesmo sabor...
Archivo Pittoresco
Não foi o primeiro semanário português a quebrar a barreira dos 5000 exemplares vendidos por edição (esse feito coube trinta anos antes à Panorama), mas terá sido o primeiro produto jornalístico a ser regularmente distribuído no Brasil. Foi no seu tempo um exemplo de tecnologia ao ser a primeira publicação portuguesa a adoptar a técnica da ilustração por gravação em madeira, da qual chegou inclusivamente a criar uma escola. A redacção foi devastada por incêndios, e até um surto de febre amarela que na época assolou Lisboa lhe dizimou o corpo redactorial e grande parte dos seus leitores. Sobreviveu onze anos como publicação semanal entre 1857 e 1868.
O caçador de pérolas
"...Oiço pela blogosfera, e nao só, que os jovens nâo ligam nada ao 25 de Abril, que nâo dâo importäncia devida a liberdade, etc…
Sinceramente, e sendo um deles, acho que fazemos bem. Tal como nao ligamos à implantaçâo da república (nem a geraçào que nos chateia com o 25 de Abril) e tal como nâo ligamos ao 5 de Outubro, dia da independência portuguesa e que nem é feriado por isso! Sâo coisas que nao aconteceram no nosso tempo, sabemos o que sâo, mas nâo vemos razâo para comemorar-mos..."
Sinceramente, e sendo um deles, acho que fazemos bem. Tal como nao ligamos à implantaçâo da república (nem a geraçào que nos chateia com o 25 de Abril) e tal como nâo ligamos ao 5 de Outubro, dia da independência portuguesa e que nem é feriado por isso! Sâo coisas que nao aconteceram no nosso tempo, sabemos o que sâo, mas nâo vemos razâo para comemorar-mos..."
25 abril 2008
Polibib
Este homem chama-se Paulo Ferreira, é Mac user (dos grandes!), Professor no Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior de Engenharia do Porto e gere uma lista de distribuição de links sobre livros e tecnologia que é uma surpresa semanal. Para além de ser excelente do ponto de vista técnico, o Paulo Ferreira é uma das pessoas que conheço que melhor uso faz de motores de busca (perguntar-lhe algo terá inevitavelmente como resposta umas horas de leitura...). O serviço ganhou o nome de Polibib e passou de há muito a fazer parte das minhas leituras de fim de semana. Porque acho que o trabalho dele neste serviço é bom demais para ficar restrito a um grupo de felizardos, pedi-lhe autorização para falar dele publicamente e admitir no seu Address Book mais algumas pessoas. Os interessados deverão contactar por correio electrónico o endereço paf AT keeh.net
O dia inteiro e limpo
Pelo poder duma palavra
recomeço a minha vida
nasci para conhecer-te
nomear-te
Liberdade
23 abril 2008
Californication
É uma série. Mas não é uma série televisiva qualquer, é A série! A sério. Acabei de empinar a primeira temporada e recomendo vivamente.
Não fui eu que inventei
Padre pendurado em balões desaparece no ar. Aderli Carli queria voar durante 20 horas consecutivas, mas a aventura pode ter resultado numa tragédia. Padre está desaparecido desde domingo.
Um padre desapareceu no Estado brasileiro de Paraná, ao início da tarde de domingo passado, depois ter iniciado um voo suspenso em balões de gás coloridos. Adelir António de Carli, de 41 anos, partiu nesta aventura, cerca das 13h00, após a celebração de uma missa especial. Descolou da cidade de Paranaguá para cumprir o objectivo de permanecer 20 horas consecutivas no ar. O mau tempo que se fazia sentir acabaria, contudo, por arrastá-lo em direcção ao mar de Santa Catarina, onde chegou a ficar a mais de 50 quilómetros de distância da costa.
Valha-me S. Bartolomeu de Gusmão!
Um padre desapareceu no Estado brasileiro de Paraná, ao início da tarde de domingo passado, depois ter iniciado um voo suspenso em balões de gás coloridos. Adelir António de Carli, de 41 anos, partiu nesta aventura, cerca das 13h00, após a celebração de uma missa especial. Descolou da cidade de Paranaguá para cumprir o objectivo de permanecer 20 horas consecutivas no ar. O mau tempo que se fazia sentir acabaria, contudo, por arrastá-lo em direcção ao mar de Santa Catarina, onde chegou a ficar a mais de 50 quilómetros de distância da costa.
Valha-me S. Bartolomeu de Gusmão!
22 abril 2008
Monte do Limpo
A maior parte das newsletters que subscrevo são uma valente seca... Por acaso são piores, bem piores do que isso, mas este é um blog decente e ficar-me-ia mal dizer que são uma seca do carago, do camandro ou talvez pior. Vocês já perceberam, que sois todos leitores de inteligência acima do normal. De quando em quando, com grandes espaços entre os quandos, lá surge uma estrela no céu das newsletters em que um tipo nem dá conta de que está a ler uma e dá com ele a rir-se e a pensar "Abençoados! Vendem o peixinho e até me divirto". Uma newsletter das más dá logo a perceber ao leitor que foi espremida de urgência. Alguém chega ao dia x e diz "Porra, hoje é dia de newsletter e ainda não mugi nada para este balde" e vem de lá uma folha (ou duas) de lugares comuns, clichés, coisas que aparentemente ficarão, no ver do desgraçado que as tem de parir, muito bem numa newsletter. Termos como tecnologia, implementação, usabilidade ou fiabilidade, deviam constar do grande livro de não estilística newsletteriana e o mundo seria um lugar um nadinha mais feliz. Como felizes são os tipos que produzem a newsletter do Monte do Limpo, uma produtora alentejana de vinhos e ao mesmo tempo uma unidade de Enoturismo. Em vez do pincel clássico das encostas solarengas e das inacreditáveis coisas que tiveram de acontecer no mundo para que o vinho deles fosse o que é (Cavaleiros que se transformaram em pedintes, a luz do sol que modelou o sabor e mais o raio que os partisse a todos os que já me fizeram ler destas coisas mirabolantes), são mais leves, mais frescos e têm sentido de humor. Transcrevo uma pequena parte das FAQ da última newsletter:
"Têm quartos? Temos! Mas não são para alugar. Embora a casa seja muito antiga e muito bonita é a residência da família. Também acreditamos que a nossa especialidade aqui no Monte do Limpo não é o Turismo Rural, ou Hotelaria ou mesmo Restauração. Queremos ser reconhecidos como um enoturismo de referência em Portugal e por isso mantemos o foco na oferta de serviços enoturísticos.
É obrigatório cuspir? O acto de cuspir numa prova técnica de vinhos não é uma obrigação, mas repare que muitas vezes, nestas provas, existem dezenas de vinhos...seria uma grande maçada beber nem que seja um golo de cada..."
O botão de inscrição na newsletter do Monte do Limpo está na página principal. Saúde!
"Têm quartos? Temos! Mas não são para alugar. Embora a casa seja muito antiga e muito bonita é a residência da família. Também acreditamos que a nossa especialidade aqui no Monte do Limpo não é o Turismo Rural, ou Hotelaria ou mesmo Restauração. Queremos ser reconhecidos como um enoturismo de referência em Portugal e por isso mantemos o foco na oferta de serviços enoturísticos.
É obrigatório cuspir? O acto de cuspir numa prova técnica de vinhos não é uma obrigação, mas repare que muitas vezes, nestas provas, existem dezenas de vinhos...seria uma grande maçada beber nem que seja um golo de cada..."
O botão de inscrição na newsletter do Monte do Limpo está na página principal. Saúde!
Que descanses em paz, Maria
As rodas do tempo são imparáveis e um após outro vou ficando sem as sombras tutelares daqueles a quem me amparei em menino. A mesma vida que me traz novos meninos com quem brincar, ou a quem ensinar ou dar algo, a mostrar-me que lentamente nos transformamos no amparo de outros pequenos alguéns. Descansa em paz, Maria dos Anjos e obrigado.
Estava eu aqui posto em sossego
Meneses demitiu-se por via dos ataques que sofreu dentro do seu próprio partido. Ora se a base de apoio se mantém e Meneses se recandidatar e por ventura ganhar, o que é que sucede ao autocarro de adversários políticos que o derrubaram? Nada. Tudo recomeçará. Pois. Bem me parecia.
21 abril 2008
Para que conste
Para os devidos efeitos declaro que hoje, pelas doze horas e trinta minutos raptei uma cidadã de uma Instituição hospitalar onde os procedimentos de secretaria (altas, carimbos vários e pagamento) excederam o expectável e razoável numa instituição. Não é culpa do paciente que os serviços não funcionem e que numa alta hospitalar de uma doente de mobilidade impossível a própria tenha de escutar "Tenha paciência, vai ter de aguardar". Não tem e não pode. Passarei de novo pela secretaria ainda hoje mas vão-se preparando que não esperarei mais do que o necessário. Disse.
Actualização surreal: "Estou sim? Fala do Hospital... É para lhe dizer que escusa de cá vir que estamos com problemas no sistema. Desapareceram dois medicamentos da contabilidade e não podemos fazer a conta sem que o técnico os encontre..."
Actualização II: Ainda não consegui saber se a conta já foi feita. Apesar do número de telefone do organismo estar bem escarrapachado na página Web do mesmo, ninguém o parece querer atender... (Podia pensar-se que liguei fora de horas de expediente, o que não foi o caso, mas sucede que é o mesmo número da Direcção Clínica...)
Actualização surreal: "Estou sim? Fala do Hospital... É para lhe dizer que escusa de cá vir que estamos com problemas no sistema. Desapareceram dois medicamentos da contabilidade e não podemos fazer a conta sem que o técnico os encontre..."
Actualização II: Ainda não consegui saber se a conta já foi feita. Apesar do número de telefone do organismo estar bem escarrapachado na página Web do mesmo, ninguém o parece querer atender... (Podia pensar-se que liguei fora de horas de expediente, o que não foi o caso, mas sucede que é o mesmo número da Direcção Clínica...)
Bitouch strikes back
Devo confessar que quando vi pela primeira vez a versão inglesa do Menu do Restaurante Concorde, menu esse que publiquei há dias, um dos pratos cujo nome me fez mais confusão foi o Stuffed Sho Closet, nome para o qual não encontrei significado óbvio. Na altura passei a outro nome curioso, o do Bitouch, mas nunca mais me esqueci do raio do Sho Closet. Até hoje, data em que o leitor José Carlos Catarino, que se confessou também curioso em relação a esta maravilhosa ementa, foi investigar e procurar a versão portuguesa que agora aqui deixo também. Sapateira recheada, meninos!
20 abril 2008
Revista iCreate
Disclaimer: Este é o post que eu não gostaria nunca de ter escrito. Mas há limites e uma vez que alguns deles foram manifestamente ultrapassados e por uma questão de confiança entre o leitor e quem deu a cara pelo título, cumpre-me fazer algumas correcções ao surpreendente editorial que acima reproduzo.
Não é de todo verdade que o Pedro Aniceto "tenha tido que voltar aos quadros da empresa", uma vez que deles fez parte, ininterruptamente, desde Abril de 1998, sendo essa situação do perfeito conhecimento da direcção da revista iCreate. Em momento algum, e ao contrário do que o texto acima insinua, houve necessidade de preservar a "independência de qualquer instituição comercial", uma vez que essa independência sempre existiu da parte do Editor Técnico em funções até aqui, e nunca a direcção da revista levantou sobre esse aspecto qualquer objecção. Antes pelo contrário. É um argumento oco, falso que me atinge do ponto de vista ético e que não posso deixar passar em claro.
A partir desta data, cessa a título definitivo toda e qualquer colaboração com a revista iCreate. Desligo-me a título definitivo de um meio que considero de grande importância para o mercado Apple nacional e cujos leitores e adeptos me mereceram sempre a maior das considerações e que procurei defender e retribuir a confiança depositada no título. Um desmentido desta afirmação será pedido pelas vias competentes nas próximas horas.
À revista iCreate e aos seus leitores desejo os maiores sucessos.
Não é de todo verdade que o Pedro Aniceto "tenha tido que voltar aos quadros da empresa", uma vez que deles fez parte, ininterruptamente, desde Abril de 1998, sendo essa situação do perfeito conhecimento da direcção da revista iCreate. Em momento algum, e ao contrário do que o texto acima insinua, houve necessidade de preservar a "independência de qualquer instituição comercial", uma vez que essa independência sempre existiu da parte do Editor Técnico em funções até aqui, e nunca a direcção da revista levantou sobre esse aspecto qualquer objecção. Antes pelo contrário. É um argumento oco, falso que me atinge do ponto de vista ético e que não posso deixar passar em claro.
A partir desta data, cessa a título definitivo toda e qualquer colaboração com a revista iCreate. Desligo-me a título definitivo de um meio que considero de grande importância para o mercado Apple nacional e cujos leitores e adeptos me mereceram sempre a maior das considerações e que procurei defender e retribuir a confiança depositada no título. Um desmentido desta afirmação será pedido pelas vias competentes nas próximas horas.
À revista iCreate e aos seus leitores desejo os maiores sucessos.
19 abril 2008
Por bem simples que seja a obra, faz
Por bem simples que seja a obra, faz
Pois sempre é obra tua e é mais uma
Vale mais de alguma coisa ser capaz
Que afinal não fazer coisa nenhuma
E se alguém te disser que é imperfeita
Diz-lhe que não se admire porque é tua
Não soubeste fazê-la mais perfeita
Porém que faça ele melhor a sua
A. Monteiro da Fonseca
Pois sempre é obra tua e é mais uma
Vale mais de alguma coisa ser capaz
Que afinal não fazer coisa nenhuma
E se alguém te disser que é imperfeita
Diz-lhe que não se admire porque é tua
Não soubeste fazê-la mais perfeita
Porém que faça ele melhor a sua
A. Monteiro da Fonseca
Informação vagamente inútil
Hoje analisaremos a pronúncia do nome do Estado americano de Oklahoma. Eu pensava conhecer a pronúncia correcta desde que conheci a palavra (bem como milhões de pessoas que pronunciam Oklahoma de forma incorrecta), mas estamos sempre a aprender. Deve então o leitor pronunciar Okla seguido de uma ligeira pausa para só depois dessa pausa, vocalizar o Homa. A verdadeira razão desta pausa que era para mim desconhecida, foi-me explicada apenas hoje e cá estou a partilhá-la com todos vós.
Eu e o eyeliner
Isso é mais ou menos a figura que um gajo faz a tentar perceber para que serve um Eyeliner. Com uma diferença, além de mais perigoso, não tem nada de sensual
Recupero um comentário de r. num post feito mais abaixo. Não é verdade que eu não saiba o que é um Eyeliner, e aliás desconfio que a maioria dos specimens de sexo masculino, saberá o que é o dito, não com o conhecimento da acção de uma biela ou de uma cambota mas algo que se lhe assemelhe. Eu mesmo tenho uma curiosidade mórbida sobre eyeliners dado que um dos meus principais passatempos nas filas de trânsito é aguardar o momento em que alguém que insiste em contornar as fronteiras de um olho com um pincel que está montado numa haste de plástico ou de um lápis com aspecto perigoso seja embatido por detrás (o que dá uma carga sensual ao que é já por si deveras mórbido) e olhe para mim com cara de aflição e me pergunte "Como raio é que isto foi acontecer?" enquanto me mostra um olho vazado mas com um fino contorno...
Será verdade que isto possa acontecer, é aliás muito mais certo do que eu mesmo arder imolado em chamas de Gasolina Geforce 95 por ter acendido um cigarrito enquanto atesto o depósito.
Recorda-me esta conversa uma obsessão que eu tive enquanto criança, a de ver o talhante lá do bairro ser insultado pela minha mãe por causa de descuidos deste calibre. Sei que era pequeno, daquele tipo de pequenês que não me deixava ultrapassar a prateleira de baixo do vidro do expositor frigorificado. Ali estava eu, ao nível das iscas e dos frangos esventrados de pernas abertas através dos quais eu espreitava à procura de ovos no interior das frangas, enquanto abria a boca e fazia embaciar o vidro frio no qual jogava ao galo comigo mesmo enquanto a Dona Fernanda dava instruções e enviava ameaças veladas de retaliação por causa da dureza da carne das semanas anteriores. O talhante, cujo nome não retive, tinha por hábito fumar tabaco de onça, cuidadosamente enrolado em cigarros finos que hoje nada ficariam a dever aos actuais Slims (Slim, como diz C. não é mais do que a versão modernaça do "tabaco de puta" que eu hoje fumo...). Tinha a particularidade de o enrolar, de o acender, e de o fumar de cabo a rabo sem o retirar do canto da boca, sem que o canudinho de cinza branca se desfizesse ou caísse. A minha mãe passou anos sem saber porque é que eu gostava tanto de costeletas, nunca lhes nutri nenhum amor assaz particular, mas era no momento do seu corte que o talhante tinha de fazer mais força, aplicar golpes mais violentos para separar os ossos e aquele momento em que eu achava que era o dia em que eu ia ver a cinza esboroar-se em cima das peças de carne. Lamentavelmente para o pequeno voyeur e felizmente para as minhas costeletas, tal nunca aconteceu, mas ficou sempre a expectativa e a esperança.
Recupero um comentário de r. num post feito mais abaixo. Não é verdade que eu não saiba o que é um Eyeliner, e aliás desconfio que a maioria dos specimens de sexo masculino, saberá o que é o dito, não com o conhecimento da acção de uma biela ou de uma cambota mas algo que se lhe assemelhe. Eu mesmo tenho uma curiosidade mórbida sobre eyeliners dado que um dos meus principais passatempos nas filas de trânsito é aguardar o momento em que alguém que insiste em contornar as fronteiras de um olho com um pincel que está montado numa haste de plástico ou de um lápis com aspecto perigoso seja embatido por detrás (o que dá uma carga sensual ao que é já por si deveras mórbido) e olhe para mim com cara de aflição e me pergunte "Como raio é que isto foi acontecer?" enquanto me mostra um olho vazado mas com um fino contorno...
Será verdade que isto possa acontecer, é aliás muito mais certo do que eu mesmo arder imolado em chamas de Gasolina Geforce 95 por ter acendido um cigarrito enquanto atesto o depósito.
Recorda-me esta conversa uma obsessão que eu tive enquanto criança, a de ver o talhante lá do bairro ser insultado pela minha mãe por causa de descuidos deste calibre. Sei que era pequeno, daquele tipo de pequenês que não me deixava ultrapassar a prateleira de baixo do vidro do expositor frigorificado. Ali estava eu, ao nível das iscas e dos frangos esventrados de pernas abertas através dos quais eu espreitava à procura de ovos no interior das frangas, enquanto abria a boca e fazia embaciar o vidro frio no qual jogava ao galo comigo mesmo enquanto a Dona Fernanda dava instruções e enviava ameaças veladas de retaliação por causa da dureza da carne das semanas anteriores. O talhante, cujo nome não retive, tinha por hábito fumar tabaco de onça, cuidadosamente enrolado em cigarros finos que hoje nada ficariam a dever aos actuais Slims (Slim, como diz C. não é mais do que a versão modernaça do "tabaco de puta" que eu hoje fumo...). Tinha a particularidade de o enrolar, de o acender, e de o fumar de cabo a rabo sem o retirar do canto da boca, sem que o canudinho de cinza branca se desfizesse ou caísse. A minha mãe passou anos sem saber porque é que eu gostava tanto de costeletas, nunca lhes nutri nenhum amor assaz particular, mas era no momento do seu corte que o talhante tinha de fazer mais força, aplicar golpes mais violentos para separar os ossos e aquele momento em que eu achava que era o dia em que eu ia ver a cinza esboroar-se em cima das peças de carne. Lamentavelmente para o pequeno voyeur e felizmente para as minhas costeletas, tal nunca aconteceu, mas ficou sempre a expectativa e a esperança.
Que a liberdade passou por aqui
Estive hoje no Quartel do Carmo no lançamento do livro da Nêspera com a mesma graça do quartel. Local emblemático da História de Portugal em que nunca tinha entrado, fi-lo hoje pelo motivo já referido e de lá saí com algum contentamento. Pela sessão propriamente dita e porque decidi arriscar em questionar um Tenente trajando de gala sobre alguns dos locais do edifício que à minha curiosidade mais interessavam. Pois não só tive as respostas que queria como tive direito a um mini-trajecto guiado pelo próprio sobre a saída de Marcelo Caetano da famosa sala onde conferenciou com o General António de Spínola "para que o poder não caísse na rua". Simpatia e informação a rodos. Na foto, a escada usada para acesso ao pátio onde o esperava o veículo blindado "Bula". De 25 de Abril a 4 de Maio próximos, o edifício do Quartel do Carmo estará aberto para visitas públicas aos locais mais importantes do contexto histórico da revolução de Abril.
O culto a Sousa Martins
José Tomás de Sousa Martins foi um médico natural de Alhandra (1843-1897) que se tornou famoso em Lisboa pelo seu trabalho caritativo com os pobres da capital. Formado em Farmácia e Medicina trabalhou intensa e na maioria dos casos gratuitamente na área da Freguesia da Pena sobretudo no combate à tuberculose, cujo bacilo haveria de o contaminar e impulsionar Sousa Martins ao suicídio. Por subscrição pública foi-lhe erigida em Lisboa, no Campo dos Mártires da Pátria frente à Faculdade de Medicina, uma estátua em 1904, peça essa que se tornou num local de culto popular à memória do estimado médico. Este culto, que chega a confundir-se muitas vezes com o religioso, traduziu-se na prática na deposição popular de milhares de lápides de agradecimento por intercessão na cura ou graça concedida. É um local que não me lembro de ver cuidado por instituições públicas mas onde reina uma ordem caótica que sempre me impressionou. Velas, flores, placas tudo ali tem estabelecido o seu ritual desordenado. Estou convicto de que há ali oferendas de pelo menos dois séculos. Hoje, já noite escura, escutei um agradecimento de alguém que positivamente ralhava com Sousa Martins. Ali estava ela, de negro vestida, de joelhos na calçada molhada chamando a atenção ao médico pelo facto de ainda não ter olhado pelo seu problema. A singeleza das milhares de placas aos pés da estátua é absolutamente comovente e impede-me de brincar com os inúmeros erros dos artistas que esculpiram os textos. Apesar de Sousa Martins nunca ter sido reconhecido pela Igreja no rol dos santos e beatos, deve este último estar muito melhor cotado no coração dos crentes do que muito santo quase desconhecido.
18 abril 2008
Miss Galp
Excitam-me as coisas simples. Um andar, um sorriso, um menear de cabeça, cabelo ou ancas. Coisas simples. Não que as procure, as cace ou lhes monte armadilhas. São elas, as coisas que decidem revelar-se perante os meus fracos olhos e fazerem-se acontecer. Ao perturbarem-me, fazem por vezes com que da cinza monótona do meu dia se levante alguma cor. E não necessariamente ocorram da sensualidade ou da líbido. Não. Pode ser apenas um telefonema, um email ou quinze de segundos de uma canção na rádio. É da minha imaginação fértil que pega em episódios frívolos e triviais. É desse forno de cerâmica mental que surgem os grandes milagres da transformação do humor. Como vê-la, esbelta e insinuante, dondoca e frágil na estação de serviço pegando na mangueira da água como se manejasse uma perigosa serpente e vê-la interrogar-se olhando para o longo tubo negro sobre as razões da falta do líquido. É vê-la, descuidada, manejar a torneira. É ir gritar-lhe "Cuidado!" quando a água irrompe pela saída e a molha de cima abaixo entre gritos histéricos. É vê-la morrer de vergonha muda perante terceiros e nada poder fazer, nada querer fazer. É ver-lhe a roupa colada ao corpo, qual Miss Estação de Serviço, agora menos dondoca e mais húmida e na rádio alguém fala de Playlists. Excitam-me as coisas simples.
17 abril 2008
16 abril 2008
Bitoques for beginners
Gostamos bastante de Bitouch. E sobretudo de uma Missa no final da refeição. E a minha benção para o tipo que supervisionou a tradução desta ementa. Imagem: Vasco Condessa
15 abril 2008
Insider trading
O Conselho Científico da maior e mais significativa Universidade do país tem dezoito membros. Em termos de plataforma computacional utilizada pelos integrantes do dito Conselho, neste momento a correlação de "forças" é de 8 Mac OS X para 10 Windows. Há alguns meses atrás era de 5/13. E podia ser de nove/nove se quem me deu esta informação não fosse um tipo teimoso...
14 abril 2008
Não fui eu que inventei
O espectáculo de fogo-de-artifício e som comemorativo do centenário da República em 2010 previsto para acontecer no Mosteiro dos Jerónimos, vai custar cinco milhões de euros ao Estado. O anúncio foi feito pela sociedade que ficará responsável pela requalificação da zona ribeirinha de Lisboa e que deverá ser presidida por José Miguel Júdice.
In Correio da Manhã 12/4/2008
In Correio da Manhã 12/4/2008
13 abril 2008
O asco
Causa-me um profundo asco esta gente que é capaz de ignorar os seus velhos e os deposita como trapos puídos numa enfermaria hospitalar. E não estou a pensar em imbecis ignorantes sem formação, mas de quadros superiores e técnicos de gabarito. Perguntei a T. porque razão tinha de ficar confinada a um quarto de hospital durante o fim de semana se os tratamentos só decorrem nos dias úteis. Corei de vergonha da minha própria imbecilidade. "Porque lá de casa ninguém me vem buscar e um táxi daqui para casa e de casa para aqui me custa muito dinheiro... Mas deixa, estás aqui e a gente sente-se mais aconchegadinha". E de uma próxima vez em que eu tiver de gramar uma seca de vaidades no círculo familiar de T. sobre as férias da família em Kuala Lumpur ou na pata que os pôs, perdoem-me se eu vomitar e num infeliz acaso arruinar o pelo de alcântara de um qualquer sofá.
12 abril 2008
A melopeia
É próprio dos homens cantar. É próprio das mulheres corar quando os homens cantam para lá dos limites do socialmente aceitável ainda que isso por vezes seja aceite e até incentivado por elas. Vá-se lá saber porquê, há coisas que nem vale a pena tentar investigar, mas mete na equação variáveis diversas que nem sempre se regem pelas regras matemáticas e fazem incursões imprevistas pela biologia, neste caso mais exacta a segunda que a primeira. Para o caso tanto monta, frase de Fernando II de Aragão que não mais quer dizer senão "para mim é tinto" ou "igual ao litro" mas que fica bem ao autor deste blog inserir de quando a quando (e o leitor desesperando). Aqui o observador sou eu, sou eu que miro, galo, controlo, mico ou qualquer outro calão que se lhe assemelhe. Aqui sou eu o centro do mundo desta historieta e não há mais ditos. Era eu que estava sentado num largo solarengo enquanto um grupo de homens cantava do lado de lá. Por vezes a brisa emprestava-me alguns sons, nada de suficientemente perceptível, eu ali preguiçosamente sentado ao sol, preguiçando o suficiente para não me levantar e ir para a beira deles. Só me chegavam uns humm humm, cantochão cujo som só se elevava à passagem de mulheres. Achei o dado curioso e percebi finalmente a relação do ar corado com que chegavam ao outro lado do largo. Que era solarengo mas não o suficiente para fazer surgir rosetas nas faces de donzelas e donzílias que mais parecia terem visto o diabo. À quarta mulher corada, já eu tinha cacilhado laboriosamente o meu cigarro, resolvi investigar. Aproximei-me do grupo formado por sete ou oito maganos e foi aí que me ri quando ouvi a letra do cântico.
"Na minha casa não se racha lenha, na tua racha, na tua racha"
"Na minha casa não se racha lenha, na tua racha, na tua racha"
Informação vagamente inútil
Alberto Magno, homem de ciência e filósofo, Mestre de S.Tomás de Aquino pregava que durante o período menstrual das mulheres, estas exalavam pelos olhos um vapor nocivo que poderia causar a morte.
Oh Alberto! Primeiro não é durante, é antes. Depois não é vapor e não é pelos olhos. É mais o som, topas?
Oh Alberto! Primeiro não é durante, é antes. Depois não é vapor e não é pelos olhos. É mais o som, topas?
11 abril 2008
Aniceto, o do Rosário
Com uma regularidade impressionante apenas comparável à dos avisos de cobrança do IMI, em cada semestre sou inquirido por leitores que me enviam imagens de placas toponímicas e mensagens relativas a ruas, praças e largos denominados "Aniceto do Rosário". Tenho o apelido Aniceto, moro providencialmente na aldeia do Rosário e isso parece ser suficiente para me dizerem constantemente "Eh pá tens uma rua?". Não tenho, isto é, tenho mas não é minha, não é difícil de entender e como tal não vou explicar por aí além. A primeira vez que ouvi falar deste personagem, sim porque se trata de um personagem, foi no meu livro de leituras da terceira classe da instrução primária. Numa ilustração que ainda hoje conseguiria reproduzir, em tons escuros e alaranjados, a figura de um homem uniformizado em caqui, de capacete colonial na cabeça, sabre desembainhado e ar ameaçador, impunha-se num largo de palhotas iluminadas a laranja forte no interior (nunca percebi se estavam a arder ou se no interior se assistia a jogos da Selecção Holandesa...). Isto de um tipo se chamar Aniceto, ser um herói do regime e exemplo nem sei bem de quê, não é todos os dias que se encontra, Mais a mais quando se é oriundo de uma família pequena e os 14 Anicetos da lista telefónica de Lisboa serem quase todos tios ou conhecidos não traz excitação absolutamente nenhuma. Mais ainda a coisa se agrava se ninguém conhecer este Aniceto do Rosário e nunca o ter visto mais gordo, que é o que sucede à maioria das pessoas. Durante muito tempo quando me perguntavam "Quem é o teu herói da História portuguesa?" eu respondia com ar convicto "Aniceto do Rosário" e escutava invariavelmente um "Quem??" incrédulo e desconfiado. Era nessa altura que eu aproveitava para brilhar e contar tim-tim por tim-tim o texto que acompanhava essa ilustração que falava de como o meu herói tinha posto na ordem os gentios lá na África longínqua e como já disse, pelo ar ameaçador da criatura, também os gensobrinhos se devem ter visto gregos com o homem. Rever-me em Aniceto do Rosário não era gratificante por aí além, pelo desconhecimento geral e porque só anos mais tarde, ainda na minha adolescência encontrei outro Aniceto semi-famoso que acabou por não se revelar grande espingarda. (Falo de Aniceto Simões, um atleta do Sporting que se notabilizava por não conseguir grande coisa nas provas em que participava). Quando me cansei de Aniceto do Rosário, escolhi outro ídolo da História, Carvalho Araújo de seu nome, mas não fui muito mais feliz, porque apesar de ser um bocadinho mais conhecido da generalidade do povo, continuava a ser um ilustre desconhecido. Salva-se o facto de uma vez, em conversa com um agente da PSP na Avenida principal de Vila Real, o mesmo me ter perguntado se eu sabia quem tinha sido o Comandante Carvalho Araújo. Contei-lhe a história (que hoje tenho como historicamente provado ter sido semi-ficcionada pelos criativos do Estado Novo) e o homem cumprimentou-me efusivamente, apontando orgulhosamente para a placa de baquelite azul que lhe pendia do peito e onde tinha gravado os apelidos Carvalho Araújo. Podia explicar-vos quem foi, mas dêm lá uso ao Google que eu tenho mais que escrever...
Aniceto do Rosário foi um sub-chefe do corpo policial português da guarnição do posto de Dadra, situado no quase desconhecido enclave de Nagar-Aveli a curta distância de Goa no Estado da Índia. O primeiro ataque das forças da União Indiana tendo em vista a tomada de Damão foi precisamente ao símbolo do poder português mais isolado, o posto de Dadra onde a 21 de Julho de 1954, o sub-chefe Aniceto do Rosário foi assassinado conjuntamente com outro sub-chefe de nome António Fernandes.
Aniceto do Rosário foi um sub-chefe do corpo policial português da guarnição do posto de Dadra, situado no quase desconhecido enclave de Nagar-Aveli a curta distância de Goa no Estado da Índia. O primeiro ataque das forças da União Indiana tendo em vista a tomada de Damão foi precisamente ao símbolo do poder português mais isolado, o posto de Dadra onde a 21 de Julho de 1954, o sub-chefe Aniceto do Rosário foi assassinado conjuntamente com outro sub-chefe de nome António Fernandes.
10 abril 2008
Porque não te ouvimos, Miguel Cadilhe?
Já não tenho paciência para demagogias. Talvez seja da idade, da falta pachorra para aturar gente que só levanta a voz para denegrir ou dizer mal. Hoje escutei (pela última vez com atenção) o ex-Ministro, o actual não sei quê do desenvolvimento, criticar a opção da ponte Chelas-Barreiro e de passagem o TGV. Não há paciência senhor Cadilhe! Tenho imensa pena que V.Exa viva no Porto e viaje até Lisboa em carro com motorista, de avião ou até de comboio. Não quero saber se leva três horas, duas e meia ou apenas trinta minutos. Sei que o faz a expensas minhas e isso torna-o mais próximo da minha crítica e ao mesmo tempo cria um paralelo às minhas próprias viagens da margem norte para a margem sul e vice versa. Dizer que uma nova travessia é uma decisão errada mostra muito mais que desconhecimento. Mostra desprezo por quem o ajuda a sustentar. Sim, esses seres ignóbeis que dão pelo nome de Povo. Isso mesmo, povo! Os que pagam as portagens que V. Exa tem quem lhe pague. Os que, ao contrário de V.Exa têm de pagar a gasolina que os respectivos motores gastam. A mesmíssima gente para quem a nova travessia é uma bênção que vem atrasada mais de dez anos desde que V.Exa era ministro. Onde estava você Miguel Cadilhe quando foi aprovada a faraónica compra dos submarinos? Onde criticou? Onde disse com ar de desdém que se tratava de uma decisão errada? Onde estava Miguel Cadilhe quando os Merlin foram comprados sem manutenção, para agora se brincar os Legos com as peças dos que ainda voam? Onde estava tanta sapiência e espírito crítico? A mim basta-me desta gentinha que se cala convenientemente para acordar apenas quando lhe interessa o protagonismo e quando a respectiva crítica não fere as suas cores.
09 abril 2008
Não fui eu que inventei
"No meio da nossa euforia e no meio da nossa grande vitória e no meio do grito campeões, nós vamos ignorá-los com o desprezo que nos merecem os vermes"
A entourage mantém-se calada, convenientemente cúmplice. Apenas ouvi uma voz, a de Rui Moreira, afirmar não se rever nestas palavras. Eu já vi este filme pela boca de Vale e Azevedo que também estrebuchou mais ou menos da mesma forma.
A entourage mantém-se calada, convenientemente cúmplice. Apenas ouvi uma voz, a de Rui Moreira, afirmar não se rever nestas palavras. Eu já vi este filme pela boca de Vale e Azevedo que também estrebuchou mais ou menos da mesma forma.
Meet the press
Hoje percebi o que deve sofrer um Director de um tablóide sensacionalista quando recebe uma notícia "quente" cujo teor não pode, por qualquer razão, fazer publicar. E apesar de estar em pulgas para o fazer, não vou ceder ao sensacionalismo. Mas lá que custa, custa.
P.S.- Vou reavaliar os meus critérios se nos próximos dias vir a dita notícia publicada na imprensa...
P.S.- Vou reavaliar os meus critérios se nos próximos dias vir a dita notícia publicada na imprensa...
É do sistema
N. dirigiu-se a uma Conservatória do Registo Civil para proceder aos trâmites preparatórios do seu casamento civil, que será seguido da mesma cerimónia segundo um ritual religioso. "Lamentamos, mas não vai poder casar-se..." disse-lhe a funcionária em cujo rosto imagino um sorriso embaraçado. "Não temos sistema!".
Army Dreamers
...What Could He Do?
Should Have Been A Rock Star.
But He Didn't Have The Money For A Guitar.
'What Could He Do?
Should Have Been A Politician.'
But He Never Had A Proper Education.
'What Could He Do?
Should Have Been A Father.
But He Never Even Made It To His Twenties.
What A Waste
Army Dreamers.
Ooh, What A Waste Of
Army Dreamers.
Ooh, What A Waste Of All That
Army Dreamers
Should Have Been A Rock Star.
But He Didn't Have The Money For A Guitar.
'What Could He Do?
Should Have Been A Politician.'
But He Never Had A Proper Education.
'What Could He Do?
Should Have Been A Father.
But He Never Even Made It To His Twenties.
What A Waste
Army Dreamers.
Ooh, What A Waste Of
Army Dreamers.
Ooh, What A Waste Of All That
Army Dreamers
X. o único ser que conheci até hoje que assume ter tido a categoria profissional de mercenário, "reformou-se" há cerca de um ano. Aproveitou o dia do seu quinquagésimo quinto aniversário para anunciar à família que não voltaria a ausentar-se durante um ano inteiro em África como disse durante anos aos dois filhos, enquanto corria mundos ao serviço de vários Senhores de Guerra, com ou sem sangue, dependendo do contrato. Perito em explosivos, exímio piloto de helicópteros e em matérias pelas quais não ousei nunca mostrar interesse, X. depositou-me nas mãos há quase dez anos uma carta fechada que eu deveria fazer seguir o seu destino caso alguma fatalidade acontecesse. Nunca a li, nunca quis saber o que continha. Devolvi-a hoje ao seu dono como se fosse a coisa mais natural do mundo. Depois de duas imperiais e um pires de tremoços, X. pegou nela, riu-se do ar engelhado do papel do envelope e rasgou-a. "Terias tido coragem de a entregar?" Nunca quis pensar nisso. "Fizeste bem... Fizeste bem... O ano passado esteve quase, sabes? Um poço na Venezuela que ardia há três meses, uma carga que era preciso lá meter... Esteve quase." Bebemos mais uma? "É melhor".
08 abril 2008
Dois professores e um aprendiz
Que te pusesse aos pés um mundo bom
Estou a assistir, verdadeiramente espantado, a um debate televisivo sobre a nova travessia do Tejo. A discussão, acesa, recai sobre a questão estética e o impacto que a construção vai ter no estuário do Tejo com arquitectos, engenheiros e paisagistas verdadeiramente engalfinhados verbalmente. Acho esta preocupação espantosa, principalmente se pensarmos que o estuário de que esta gente está a debater tem a linha industrial do Barreiro, a Ponte 25 de Abril e a estátua do Cristo Rei... Onde é que andaram nos últimos anos?
07 abril 2008
Front Office
Um blog que me fez rir e que conheci há cinco minutos (mas do qual já tinha ouvido falar).
05 abril 2008
04 abril 2008
Tomás de Borba, Escola de excelência
Com capacidade para 1200 alunos, a escola básica e secundárIa Tomás de Borba, em São Carlos, abriu no início de Fevereiro as portas a 300 alunos do Conservatório Regional de Angra do Heroísmo. Até 31 de Março, o estabelecimento de ensino deverá receber ainda cerca de 800 estudantes do ensino regular.
Um dia todas as escolas de excelência serão assim, digo eu...
Um dia todas as escolas de excelência serão assim, digo eu...
Pink Flamingo
Tertúlia Cor de Rosa
Foi o meu dia de aniversário: A PT Comunicações telefonou-me e ofereceu-me um ano de chamadas grátis para a rede fixa. Quando saí de casa o Governo ofereceu-me uma ponte rodo-ferroviária no Barreiro. O Professor Carvalho Rodrigues convidou-me para uma saída de canoa no Tejo (Que não poderei aceitar por força de um compromisso). Cumprimentei Luís Filipe Menezes hoje à tarde, mas penso que esse facto não está relacionado com o dia de ontem.
03 abril 2008
As FAQ que eu gostava de ter escrito
Pergunta: "Sou sócio do Benfica e estou a fazer a minha declaração de IRS. Como pago a quota de sócio todos os meses, devo colocar o Benfica como meu dependente? "
Resposta: "Claro que não. Só pode colocar dependentes na Declaração de IRS quem ganhou alguma coisa em 2007. No seu caso, uma simples Declaração de Isento é o suficiente."
Resposta: "Claro que não. Só pode colocar dependentes na Declaração de IRS quem ganhou alguma coisa em 2007. No seu caso, uma simples Declaração de Isento é o suficiente."
01 abril 2008
TED Talks
É um dos locais em que mais me sinto a aprender, seja sobre que matéria for. Absolutamente imperdível a descrição de um acidente vascular cerebral, por alguém que dedica a sua vida a estudá-los.
Not so fast, comrad!
Um Avante mais novo que eu apenas três dias. Tenho algures uma edição dos anos setenta que surripiei de um buraco numa parede de um prédio devoluto onde percebi que havia volta e meia algumas movimentações curiosas. Do alto do meu quarto andar, munido de uns binóculos de ópera (que não faço a mínima ideia de onde surgiram) eu dominava metade da minha rua e deparei acidentalmente com um ponto de depósito de materiais menos legais. Lembro-me de ter sido advertido pelo meu pai que aquele jornal, que eu não entendia, não era propriamente para se andar a mostrar e e foi-me rapidamente apreendido. Recuperei-o mais tarde mas nessa mesma semana explicaram-me, no primeiro andar do meu prédio, que havia gente que tinha de fugir por razões que eu levei anos a entender. Os mesmos binóculos que me mostraram silhuetas femininas nuas, o 25 de Abril, o 1º de Maio e os Fiat do 11 de Março do alto do meu telhado de Lisboa. Estão ali, não tenho coragem de me desfazer deles.
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