07 setembro 2018
Pedro Aniceto | Onde Quando e Como eu Quiser
20 novembro 2016
C. morreu. Em condições normais manteria o C., sendo que a morte é imutável e de boas intenções tem o Purgatório uma fila apreciável. Mas não são condições normais. O Carlos morreu.
A família decidiu, bem ou mal, decidiu. Que não haveria câmara ardente, missa ou outra cerimónia daquelas em que já poucos acreditam firmemente. Quis o acaso que eu fosse o primeiro da família na porta da capela onde, abrigados da chuva já estava casualmente uma família de ciganos no exacto momento em que o féretro chegou ao local. Assim que o carro se acercou, o mais velho descobriu-se num gesto que tanto podia ser de temor como de respeito.
O patriarca, levou a mão ao chapéu que esmagou contra o peito e rezou ali mesmo, na cantilena entoada pelo arrastar das últimas sílabas abertas uma Avé Maria que acompanhei mentalmente.
Sorri. Não pude deixar de pensar na ironia. O Carlos morreu. Ele acharia graça, estou certo.
A família decidiu, bem ou mal, decidiu. Que não haveria câmara ardente, missa ou outra cerimónia daquelas em que já poucos acreditam firmemente. Quis o acaso que eu fosse o primeiro da família na porta da capela onde, abrigados da chuva já estava casualmente uma família de ciganos no exacto momento em que o féretro chegou ao local. Assim que o carro se acercou, o mais velho descobriu-se num gesto que tanto podia ser de temor como de respeito.
O patriarca, levou a mão ao chapéu que esmagou contra o peito e rezou ali mesmo, na cantilena entoada pelo arrastar das últimas sílabas abertas uma Avé Maria que acompanhei mentalmente.
Sorri. Não pude deixar de pensar na ironia. O Carlos morreu. Ele acharia graça, estou certo.
20 junho 2014
25 maio 2014
22 maio 2014
Lean Summit '2014
Está a realizar-se em Lisboa, no Museu da Electricidade, a Lean Summit 2014, a segunda edição de um evento inteiramento dedicado ao método "Lean", um método de gestão que visa maximizar o valor entregue ao cliente enquanto se minimiza ao máximo os recursos empregues no processo.
O método Lean tenta entender o valor entregue ao cliente e foca-se no objectivo de o aumentar continuamente. O fim último deste método de gestão é a disponibilização ao cliente de um valor criado num processo o mais perfeito possível com zero desperdício de recursos.
O primeiro produtor a integrar completamente um processo de produção industrial foi Henri Ford (embora o Arsenal de Veneza em 1450 tivesse implementado um processo similar). Ao criar um fluxo de montagem industrial que contrariava a produção até então praticada, Ford sequenciou as acções de montagem de uma forma que permitia a criação de stock de forma rápida, mas que praticamente inviabilizava a variedade. Apesar do Model T dispor no final da produção da possibilidade de variação no estilo de carroçaria, essa opção era third party e incluída apenas no final do processo de produção. Os ciclos de vida do produto eram longos (cerca de 19 anos), o mercado de consumo começou a exigir variedade e isso colocou inúmeros problemas no processo produtivo com fluxos de peças e componentes.
Nos anos 30, Kiichiro Toyoda, Taiichi Ohno e outros, examinaram profundamente estas questões e após a Segunda Guerra Mundial introduziram nos processos de fluxo algumas inovações que provariam a sua eficiência tornando-se naquilo que viria a ser mundialmente reconhecido como Toyota Production System.
Este sistema mudou essencialmente o foco de produção de uma máquina individual para um fluxo contínuo de unidades de produção convergentes nos produtos finais.
A Lean Summit '2014 tem como objectivo mostrar este método aplicado em variadíssimos sistemas e processos difundidos pela Lean Academy Portugal. O evento, rico de intervenções demonstrativas por parte de empresas e corporações que já o implementaram (EDP Gás, Sonae, Auto Europa) tem também no seu âmago a componente prática através de Workshops práticos.
A implementação Lean da melhoria contínua de processos teve a sua génese nos fluxos industriais, mas esta filosofia de gestão aplica-se hoje a todos os sectores da Economia. (À hora a que vos escrevo participo numa simulação interessantíssima de gestão de retalho com planeamento de encomendas de cerveja condicionadas por tempo de entrega e factores climatéricos).
Mais do que um método filosófico de reduzir e combater ferozmente o desperdício ao mesmo tempo que se consagra o valor entregue ao cliente, este sistema observa eficazmente as condições reais de produção sejam elas numa fábrica ou numa cadeia de retalho que receba produto final destinado a comercialização.
Algumas filosofias complementares entroncam no Método Lean, ambas originárias de implemntações asiáticas. O Kaizen por exemplo. Kaizen é uma expressão japonesa composta por duas palavras que expressa o sentido de melhoria contínua. Kai, que significa mudança e zen que expressa o significado de bom. A filosofia Kaizen envolve toda a estrutura da organização, da gestão de topo ao mais simples colaborador de base. Toda a estrutura é encorajada a participar continuamente no apontar de pequenas mudanças e melhorias regulares. Não é um evento mensal ou anual, é simplesmente contínuo. Empresas como a Toyota ou a Canon implementam cerca de 70 sugestões de colaboradores anualmente que chegam à gestão de topo provenientes de todos os sectores das companhias.
Na maioria dos casos, nem se trata de mudanças radicais, mas sim de pequenas alterações trazidas por gente que domina o problema e que são, regra geral, os primeiros a detectar uma falha ou uma possibilidade de melhoria. E podem referir-se a produção, a processos administrativos ou a segurança no trabalho enquanto se combate o desperdício ou a falha. A expressão ocidental "Se não está avariado, não precisa de arranjo" é contrariada pela filosofia Kaizen "Faz melhor, melhora o processo, modifica-o mesmo que não esteja avariado pois se não o fizeres não consegues competir com os que o fizerem". O conceito Kaizen é visto a Oriente como uma filosofia de vida e não apenas como algo que diga respeito apenas à parte profissional. É normal encontrar O Kaizen até em actividades sociais.
Outra fatia essencial no processo Lean é designada por Gemba. Gemba é a epressão japonesa que designa "o local". Os detectives policiais japoneses chamam a uma cena de crime, Gemba. Os repórteres em directo na Comunicação Social referem "directamente de Gemba" quando querem designar a cena onde as coisas realmente acontecem. Nos negócios, Gemba refere-se ao local onde o valor é realmente criado, seja uma fábrica ou um local de venda, um laboratório ou onde o serviço é prestado ao cliente.
No método Lean, a ideia Gemba é que se existe um problema e ele é visível, o melhor local para a mudança e correcção é o local onde acontece e essas correcções ou mudanças só acontecerão se a gestão for ao local e praticar o que é designado por Gemba Kaizen. As linhas da frente, quando visitadas pela gestão, que observará os processos e identificará as melhorias baseadas nas sugestões de colaboradores ou nos problemas claramente visíveis, designam-se por Gemba Walks.
O evento Lean Summit '2014 disponibiliza aos participantes uma componente prática. O programa, como já referi, oferece múltiplas oportunidades de imersão (Por falar em imersão, tenho os meus stocks de cerveja completamente descontrolados por falta de planeamento e de foco...). Hoje mesmo, dia 22, os participantes estarão nas instalações do GOE (Grupo de Operações Especiais da Polícia de Segurança Pública) após a palestra do Intendente Rafael Marques (que a maioria das pessoas reconhecerá da gestão de segurança em eventos desportivos). E sim, o método Lean também é aplicado a um fluxo de decisões e alocação de recursos.
Mais informação em Lean Academy Portugal.
21 maio 2014
Convite: Apresentação de Livro "Pensar como Steve Jobs"
Em nome da Vogais Editora tenho o prazer de vos convidar para a Apresentação do Livro "Pensar como Steve Jobs", livro que prefaciei e anotei e cuja sessão de apresentação decorrerá na FNAC Colombo (Centro Comercial Colombo) no dia 23 de Maio, Sexta Feira às 19:00 Horas.
19 maio 2014
14 maio 2014
08 maio 2014
Convite! Apresentação de livro
Em nome da Vogais Editora tenho o prazer de vos convidar para a Apresentação do Livro "Pensar como Steve Jobs" que decorrerá na FNAC Almada (Almada Fórum) no dia 9 de Maio às 21:30 Horas. (Dia 23 de Maio existirá uma sessão idêntica na FNAC Colombo).
22 abril 2014
iCal Benfica (Votação)
Vou introduzir (ou não) algumas modificações no iCal Benfica. Vários têm sido os pedidos para haver uma divisão das agendas da Equipa A e B bem como de efemérides (que neste momento incluem aniversários de jogadores do plantel, treinador, e mais algumas datas relevantes para o Universo Benfiquista. Escolha a opção que mais lhe agradaria ver implementada. Note que quantas mais categorias tiver o calendário, mais subscrições terá de fazer para a próxima época. É verdade que é um serviço gratuito, mas dará trabalho (yeah, I know). A próxima época verá também surgir um Super Manual de utilizador do iCal Benfica, um documento que tenderá a esclarecer tudo o que possa ser perguntado sobre o serviço. Vote. O calendário é teu e o Benfica és tu.
Pensar como Steve Jobs
Encontraremos nesta obra de Daniel Smith múltiplos exemplos
do pensamento de uma personalidade ímpar. Alguém que
persistentemente e com épicas doses de mau feitio reinventou
diversos aspetos das nossas vidas. E de alguns nem sequer
sabemos ainda.
Porque, como Steve Jobs disse e repetiu inúmeras vezes, «Existem produtos que o público só sabe que quer quando lhos mostramos.» – Pedro Aniceto
Porque, como Steve Jobs disse e repetiu inúmeras vezes, «Existem produtos que o público só sabe que quer quando lhos mostramos.» – Pedro Aniceto
"Pensar como Steve Jobs", a obra de Daniel Smith agora editada pela Vogais vai estar à venda no próximo dia 24 nas principais livrarias do país. É possível ter um sneak peak do livro se visitar este link. Prefácio e anotações produzidas por este vosso escriba. Dia 23 de Maio estarei na FNAC Colombo (e eventualmente na Feira do Livro), mas depois darei notícias mais detalhadas deste evento.
17 abril 2014
03 abril 2014
Nunca fiz 50 anos
Nunca fiz 50 anos. Na verdade ninguém faz 50 anos.
Se descontarmos o tempo que perdemos entretidos com coisas pequeninas e que nem deviam contar para o Totobola do que somos, ou para o que fomos, ninguém saberá ao certo quando perfaz 50 anos.
Eu devo confessar que só me apercebi do redondo número quando um dos clubes a que pertenço me endereçou uma missiva onde dizia, de forma subtil mas não menos eficaz me dizia "meu menino, já não és nenhum mancebo, tens de tratar de renovar a carta de condução".
Já vi formas mais subtis de fazer chegar algumas mensagens. Parece um aviso de corte da EDP, isto mal comparado.
Foi nesse momento que fiquei frente a frente com a situação. Lembrei-me de um Grupo de Forcados Amadores. Mal comparado, claro.
Vacilei. Há sempre ali um momento de frissom. O número, que não sinto, impressiona. É majestático. Redondinho, mas isso também eu estou e não me parece tão impressionante... Incongruências.
Há sempre assuntos que nos desfilam pelas meninges em carrossel. O primeiro que me surgiu foi a próstata. Isso. Algum facto tinha de ser o primeiro. Afastou-se rapidamente.
Lembrei-me dos que me faltam, dos que tombaram em serviço, qualquer serviço e sobretudo dos que me tombaram das memórias sem que eu quase tivesse dado por isso.
Quem ainda não fez 50 anos não perceberá, quem já os fez fará por esquecer.
Sim, lembramo-nos de nós. Do que já fomos, do que amámos, dos que não conseguimos manter no abraço. É muita memória viva para descrever a intimidade publicamente.
E na verdade não vos interessava puto.
Lembrei-me do que falhou, que é quase sempre muito mais marcante do que o nosso relativo sucesso. Sucesso é estar vivo e poder escrever "Nunca fiz 50 anos".
Sim, eu sou dos que terá pena de morrer, nunca o escondi, não é bem pena, é medo, mas digo pena porque soa melhor e me assusta menos.
Lembrei-me dos mais pequenos, aqueles que nos fazem sentir mais velhos rapidamente.
Lembrei-me da angústia que será desaparecer, não gosto da palavra desaparecer, um dia vou ali e já não volto, mas enquanto aqui estou, aturem-me.
Nunca fiz 50 anos. Ainda agora completei 49 e já estou, estamos todos, preocupados com o nosso próximo degrau. Quando olho para trás vejo, egoisticamente estou certo, uma história de sobrevivência.
Sim,sobrevivência.
Não tenhamos medo das palavras. É um milagre estatístico ter pegado hoje no teclado e iniciado um texto de que não gosto particularmente. Estar vivo é em si mesmo um milagre estatístico.
Lembrei-me primeiro de quem efectivamente não gosto. Dos que me fazem asco. Não se assustem, não sou um tipo azedo, mas sempre fui assim, já em menino comia primeiro o que não gostava para depois me poder deliciar com as iguarias favoritas.
Continuo a ser assim, como bastante menos mas mais intensamente (nenhuma graçola incluída neste preço).
Ficam-me para último aqueles a quem amo. As minhas iguarias favoritas. Aqueles que mesmo longe ou mais distantes não me falham. Os meus portos de abrigo para quem não há alertas de borrasca ou barras fechadas à navegação.
Tenho a certeza de que não fui perfeito. De que nunca fui perfeito. Mas concedo que partes de mim são ou foram muito boas.
Fechemos os olhos e concentremo-nos nisso. No bom, em vez do mau, no doce em vez do amargo.
Fiz o melhor que pude? Talvez não, se conceder crédito à preguiça. Talvez sim se pensarmos que tudo o que fiz, tudo o que faço e tudo o que eventualmente farei se deve a todos vós, chegados ou afastados, família, amigos, e outros que não consigo classificar por falta de tempo e gavetas.
Mesmo os amigos recentes que disseram "Presente!" quando não tinham necessariamente de o fazer. Agradeço-vos a companhia na viagem. E se tem sido uma viagem. É pena o preço do bilhete, mas deixam-nos levar muita bagagem.
Se estou satisfeito com tudo o que fiz? Não. Desculpem-me, podia ter feito mais, podia a sorte ter sido menos madrasta. E menos amargura. Muito menos amargura. Aquela que combato diariamente e que evito que transpareça. Tenho a certeza de que nunca fui ingrato. Tenho a certeza de que muitas vezes avancei eu sem necessitar de compensar fosse o que fosse. Tenho a certeza de que não fui completamente mau.
E é, ou foi isso que me permitiu olhar para os lados e ver tanta gente em linhas paralelas, gente que vai noutros carros mas na mesma direcção em que sigo. Se eu me finasse hoje, ainda teria chances de ser convocado para o team "Gajo porreiro"?. Talvez. Isso basta-me
e aquece-me a alma.
Nunca fiz 50 anos. Na verdade ninguém faz 50 anos. Daqui para a frente é mais estrada e navegaremos à vista. Convosco. E se não houver novidades, com a próstata.
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02 abril 2014
Godot e o alcatrão
Esta madrugada, às 00:45, como muitos de vós perceberam pelas redes, o carro em que me deslocava foi violentamente abalroado pela traseira por outro veículo. Isto era banal, coisa para duas linhas em qualquer jornal, se não estivéssemos em cima da supostamente mais vigiada ponte do país, no caso a Vasco da Gama. Accionado o 112, que prontamente me colocou em contacto com a Brigada de Trânsito, aguardei no local a chegada da patrulha. Não sei quantos chineses nasceram durante a espera mas devem ter sido imensos. A patrulha levou uma hora e cinco minutos a chegar ao local. Isto poderia ser banal se em todo este tempo, algumas coisas extraordinárias não tivessem sucedido. A ronda da Gestiponte encontrou-me por casualidade. Isto. O condutor da outra viatura, em cujo hálito consegui descortinar vários tipos de casco de Carvalho teve tempo de abandonar o local e partir para parte incerta. Alertado pelas redes, o meu amigo João Calvino teve tempo de sair da sua casa em Massamá e chegar ao pé de mim praticamente ao mesmo tempo da Gestiponte. Uma hora e cinco minutos depois do ocorrido a Brigada teve então oportunidade de me processar os dados, efectuar o teste de álcool (0,0) e dar por encerrado o expediente. Ao outro condutor, como se costuma dizer, "assobiaram-lhe às botas". Alguns outros factos são dignos de relevo e deixo-vos como mera curiosidade o facto de ter enviado à BT por diversas vias a coordenada GPS do local do acidente. Estranhamente, a Brigada informou várias pessoas das muitas que telefonaram respondendo ao meu alerta, de que não dispõe de meios que permitam interpretar uma coordenada GPS. Dá para acreditar nisto? A Gestiponte encontrou-me casualmente. A Brigada de Trânsito leva mais tempo a chegar ao local que um civil que está em Massamá. Nos muitos contactos que eu tive com o 112, a patrulha esteve sempre "a caminho". Na ponte mais vigiada do país que temos.
14 março 2014
13 março 2014
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