13 outubro 2008
Un petit mouchoir
Ela tocou-me no braço e eu juro que se não estivesse no meio de um estaleiro de obras em plena cidade juraria que era Paris e tinha sido Monsieur Honoré de Balzac a traçar o cenário. Magríssima, de cabelo prateado, ar ligeiramente alucinado. Um pequeno lenço de mão bordado a sair do punho da blusa alva, debruada e linda como se quer nestas situações literárias. Uma madeixa de prata a teimar em cair-lhe para uns óculos encavalitados, tem-te não caias. "Mon ami, diz-me a quantos estamos?". Eu não consigo deixar de sorrir, primeiro pelo mon ami, depois porque tenho a Versalhes ao alcance de uma curtíssima corrida. Sem grandes certezas avanço com um interrogado "Treze? Treze de Outubro?". Ela abriu a mala de verniz refulgente, escavou entre caixas diversas, tirou um envelope velho e rasgado nas costas do qual escreveu em letras garrafais "15 de Novembro". Sorriu-me, guardou todos os seus pertences e como se quer a uma dama de cordel, estendeu-me a mão enluvada em jeito de despedida. São estes pequenos momentos que transformam uma simples ida à bica em momentos excepcionais.
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2 comentários:
Olha, enganou-se na data.
É 16 de NOVEMBRO, ouviu mademoiselle?
É 14 e não 16...enganei-me também!
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