13 novembro 2009

Et voilá! como dizemos nós os que moramos em Paris

Disse-me um dia uma daquelas pessoas de quem aprendemos algo em tudo o que fazem profissionalmente, um daqueles raros seres capazes de nos demonstrar que tudo o que fazemos tem a respectiva consequência e que sem paternalismo algum nos conseguem ensinar sem forçar (porque deduzimos nós mesmo as óbvias conclusões), dizia eu, disse-me sem a arrogância da cátedra, do náusea das elites, que no dia em que eu me deixasse emocionar profissionalmente por algo que um cliente dissesse ou fizesse, um de nós teria mudado de estatuto. "Um chulo não se apaixona pelas putas e vice-versa..." e disse-me isto num velho bar de hotel de Angra do Heroísmo, enquanto eu, já ligeiramente toldado pela quantidade de Gin que me corria no corpo tentava, num arrobo de lucidez possível contrapor a metáfora duríssima. "Nem eu sou puta, nem os meus clientes são chulos!", disse-lhe eu de voz e espírito alterado para espanto de alguns dos presentes. "Este senhor não bebe mais nada!", comandou V. na altura o meu supervisor de vendas, "E apenas porque já não sabe quem é quem...". Talvez tenha sido nesse dia que ruiram as diferenças entre o meu eu pessoal e a respectiva contraparte profissional e em que mesmo sem o saber, decidi que as regras de comportamento privado não podem diferir na minha vida profissional. Talvez tenha sido hoje, ao abrir uma carta enviada por um cliente que me ri de V., dos seus ditos e máximas. Porque me emocionei sem que nenhuma das partes tivesse mudado de estatuto. E V. que esteja onde estiver, vivo ou morto, haveria de perceber que as relações profissionais entre pessoas não são sempre estritamente comerciais, (embora a vida por vezes me pareça um imenso bordel) e que a alma é a mesma, vinte e quatro horas por dia. À tua, Neca!

4 comentários:

Patricia Lousinha disse...

:)

neca disse...

Saúde!

Eva Gonçalves disse...

I'll drink to that!

Mário Martins disse...

É que é mesmo assim!