21 fevereiro 2010

O Twitter e o temporal na Madeira

Foto Associated Press/ Octávio Passos (via BBC News)

Pouco passava das treze e vinte de Sábado quando no meu iPhone e via Twitter comecei a receber informação detalhada sobre o que se estava a passar na Madeira. E recordei-me de algo que disse numa entrevista há poucas semanas, de que o Twitter nacional precisava de uma catástrofe de grandes dimensões para se afirmar definitivamente como ferramenta de informação. À medida que o fluxo de notícias de users individuais ia engrossando em quantidade e em detalhe, cavou-se um enormíssimo fosso qualititativo entre o pequeno ecrã do meu telefone e o rádio do meu carro, esse jogo macabro de uma contagem de mortos, um jogo no qual muito poucos órgãos de informação conseguiram ganhar vantagem no marcador. E mesmo à medida que o tempo ia escorrendo, poucas foram as estações de TV que conseguiram reagir em tempo útil, com excepções como a RTPN (que, curiosamente, ou talvez não, possui uma belíssima rede de contactos Twitter) ou um grupo de dois ou três jornalistas de media impressa e online que estoicamente foram agrupando os muitos relatos dramáticos que lhes iam chegando por parte de privados a assistir à calamidade. Infelizmente tive razão quanto à tragédia e à afirmação do Twitter. E à semelhança do CB (Citizen Band), em que são os indivíduos a fazer existir o sistema, ontem foram os indivíduos a fazer o jornalismo. Sem qualquer estrutura ou organização, sem uma cadeia de comando, apenas a genuinidade possível em cento e quarenta caracteres de cada vez. Pelas piores razões, mas o Twitter nacional está afirmado e não voltará atrás.

1 comentário:

Ines disse...

É realmente incrível, segui toda a informação pelo twitter que era não só a mais recente, como a mais detalhada e correcta.

Foi ontem que a minha mãe me telefonou a perguntar como é que criava uma conta no twitter enquanto acompanhava a tag. Isto se calhar não diz grande coisa a quem não conheça a minha mãe, mas posso afirmar que ela nunca tinha ouvido a palavra "twitter" até ontem. Sem dúvida que foi uma reviravolta na percepção que os portugueses têm desta ferramenta.