25 janeiro 2011

Ensitel: A importância dos trabalhos de casa

Não sou jornalista. Nunca foi ramo profissional que me interessasse de sobremaneira. Sei escrever uma história. Mas nem sempre consigo escrever uma boa história. Sei reconhecer um bom artigo e tenho a humildade suficiente para perceber onde está um desses bons artigos quando o encontro. Tenho também, como leitor, habilidade suficiente para detectar um monte de asneiras numa peça jornalística. Deixemo-nos de considerandos: Hoje, o Pedro Rebelo fez-me o obséquio de me enviar um fac simile de um artigo da Revista Meios e Publicidade, artigo assinado por Pedro Durães, que à semelhança de dúzias de outros que já viram a luz do dia nos mais diversos meios, se dedica ao "Caso Ensitel".

Pedro Durães, profissional que não tenho o prazer de conhecer, dá ao linguado celuloso (e consequentemente ao electrónico que me chegou às pupilas) o sugestivo e prometedor título "Os Padrinhos das redes sociais". Veremos e demonstrarei de seguida, como todo o articulado da peça não passa de um grandioso equívoco em forma de mistificação e déjà-vu alicerçado na já hilariante "chuva de peritos" que abordei anteriormente. Socorre-se o jornalista de um Social Media Manager da Agência Digital View. Não o conheço, mas isso obviamente não o isenta da asneira fácil, e muito menos me inibe de desmascarar a sua análise. A frase (e cito o próprio) "Deve ter havido muito off antes do on", insinua. Mas mais do que insinuar, queira o leitor reparar que o Social Media Manager usa a tática (batida e demasiado vista) do "com este vestido preto, eu nunca me comprometo", frase revisteira celebrizada pela mais famosa das minhas primas, a falecida Ivone Silva. Se usarmos a tática do "deve", que à semelhança do "alegadamente" (também muito em moda) não enterra quem profere o dislate mas não o impede de se sujar com alguns torrões, nunca nos comprometemos. Este Social Media Manager, de sua imensa graça, Nuno Costa, não tem, direi eu, obrigação de conhecer a génese deste assunto. Se a tivesse lido (e não me vão dizer que os peritos Social Media não leram tudo o que foi publicado sobre a questão) saberia desde o day after da resolução do assunto que não houve "ons", nem "off". É mais fácil insinuar, sendo que a insinuação suporta todo o edifício da teoria. Se não existisse aqui uma sombrinha de conspiração e planeamento, o que é que estes "peritos" teriam para dizer? Nada. É uma merda. O nada não vende o peixe das agências...

É importante fazer os trabalhinhos de casa, disse-me (e sabe Deus o tempo que levei a entender), a minha saudosa Maria Emília. Este especialista não sabe (nunca soube, fica a saber agora), que a Ensitel nunca teve (até ao eclodir da crise), nenhum dos seus quadros ao serviço do seu Facebook. Dizer que a Ensitel "entrou mal" no Facebook, é mais uma anedota contada por um perito. A Ensitel teve, à semelhança de milhares de outras empresas, um "jeitoso" que tomava conta da página quando havia necessidade disso. Tivesse a crise rebentado em dia de manutenção e a reacção teria sido mais rápida. Não foi o caso, temos pena. Quando deu por ela, foi o que se viu. Eu, um simples Gestor de Produto não perito em Social Media soube disto vinte e quatro horas depois do sucedido. Esta página foi criada por pressão de um terceiro a pretexto da realização de uma campanha que foi feita há quase dois anos. Dizer que a empresa não teve estratégia Facebook dá estatuto, mas somente junto de quem engolir o palavreado sem hesitar...

Mas como disse, eu admito que o perito tenha ignorado o relato que fiz, já não admito que quem assina o artigo não pusesse em causa as suas declarações, mais a mais porque a Meios e Publicidade esteve neste blog e teve oportunidade de o ler, antes ou depois de lhe roubar a imagem do tweet primordial usada na ilustração do artigo. Sim, a imagem é deste blog e não da time line do Twitter.

De seguida, a prosa estende-se a Fernando Fonseca, recentemente elevado à categoria de Consultor de Social Media. Surpreende-me no seu contributo a sua interpretação. "Ao apresentar uma Providência Cautelar para resolver um problema técnico (SEO) por via judicial, alimentou a polémica". É surpreendente que esta afirmação seja feita, mais a mais porque a Providência não alimentou polémica alguma, porque a polémica começou muitíssimo tempo depois da respectiva apresentação. E dou de barato que o serviço a clientes e respectivas reclamações sejam algo "técnico" que se possam "apagar" ou "enterrar" com técnicas de SEO ou Black Hat como já vi o autor defender noutro lugar. Não resolvemos isto mas apagamos as pistas. Bravo! É pena que não funcione nesse imenso mar digital que é a Web, onde, mais tarde ou mais cedo alguém tropeça nos mais extraordinários pedaços de informação.

Mas são uma vez mais os "especialistas" que me fazem rir. Uma caixa portentosa tenta alinhar "com a ajuda de alguns especialistas" os nomes mais influentes do Twitter... Conheço extraordinariamente bem a actividade Twitter, perfil e modelo comunicacional de três deles: João Quadros, Nuno Luz e Fernanda Câncio. Se alguém me apontar UMA razão para que Nuno Luz esteja nesta lista, razão que me convença obviamente, eu dou-me por vencido e sou capaz de ingerir um prato de favas. E reparem que eu detesto favas. Só produzo esta afirmação porque tenho aqui ao meu lado dois especialistas que me dizem que tenho razão.

11 comentários:

João F. Pereira disse...

1 razão?!?! Nuno Luz aparece na sua foto do twitter com Special One. PUMBA, coma as favas...
@pereirajoaof

Patricia Lousinha disse...

Os trabalhos de casa feitos e os pontos nos i's colocados. Assim se relata algo. Bravo!

bilhas disse...

Pedro... duas palavras: Muito bom!

Ricardo Antunes disse...

Bem..., prometeres assim em público empinar um prato de favas (não são umas favitas, é um prato cheio!) é bem sinal do que queres dizer! Só quem não te conhecer pode ficar co dúvidas... :)

Quanto ao sumo da questão, apenas tenho a dizer que gostaria que fosses meu provedor em qualquer coisa.. seja lá no que for..:)

(esta do Provedor veio a propósito de ter descoberto que o único emprego decente que o Camões teve na vida, e que ficou documentado, foi precisamente ser Provedor.. dos defuntos, em Macau)

Jonas disse...

Eu, que odeio favas, chego-me à frente para partilhar contigo um prato das ditas, se alguém conseguir superar o desafio que propões. :)

Carlos Martins disse...

Desde que haja favas com live streaming para o YouTube... :)

asourceofinspiration.com disse...

Estou contigo Pedro, também não gosto de favas.

Quanto ao resto, e como já ando nisto vai algum tempo e ameaço com favas quem me chamar de guru, fico cada vez mais satisfeito em não ter emitido opinião na altura.

Já suspeitava que viriam aí um chorrilho de "especialistas", com grandes floreados, SEOs e muitas insinuações, e que no final continuam a não perceber que é tudo muito simples: “Be nice to people".

oculos disse...

Eu nao gosto de favas, mas nao entendi nada... Rs

Joe Best disse...

Atenção!!!

Se por mero,mas mesmo mero acaso o Pedro tivesse que comer o prato das ditas quem as fazia era eu!

oculos disse...

consegui entender!

nfcosta disse...

Adorei a ensinadela que esse tipo armado em espertalhão de Social Media teve neste artigo. Deve ser tão burro coitado. LOL