26 junho 2013

Sem saber o nome dela

Não sei sequer o nome dela. Conheço-a há anos e não lho perguntei no início, agora é um pedaço estúpido e desajeitado da minha parte fazê-lo sem correr o risco de fazer triste figura. É a recepcionista diurna da Rádio Comercial. Sem nunca termos conversado por aí além, para lá do banal tema do tempo, das dificuldades do estacionamento na Sampaio e Pina, ou da fuga conivente aos fiscais da Emel, funcionamos bem. Ela sabe, sem que eu lhe diga, com quem vou falar, dependendo apenas da hora a que chego. Se chego às oito da manhã ela sabe que é para o Ribeiro, para o Markl ou para o Vasco, se vou à tarde ela fica na dúvida se o João Vaz me pode atender antes de ir para o ar. Ela adivinha 95% das vezes e já cortámos da tradicional burocracia algumas questões que não é politicamente correcto enumerar. Ela funciona por sinais de fumo. E se é assim comigo que me vê meia dúzia de vezes por quinzena, imagino como seja com aqueles que vê e escuta em antena todos os dias. Há pouco entrei, sorri e estendeu-me um envelope. Ela sabe o meu nome e eu não sei o dela. Eu estava ao telefone, continuei ao telefone, apenas sorri, fiz aquele gesto estúpido com os ombros, aquele que todas as pessoas fazem quando estão ao telefone, aceitei o envelope, rabisquei o rectângulo do protocolo e saí. Sem saber o nome dela.

3 comentários:

Luís Ferreira disse...

esta manhã pensei o mesmo sobre o funcionário da Securitas do meu melhor cliente. Ele já sabe até a matrícula do meu carro, e eu apenas sei que andou nos pára-quedistas por uma tatuagem que tem no braço esquerdo :)

maria duarte disse...

A mim pareceu-me que o encanto da recepcionista é mais quente do que o do Securitas, hahah

deKruella disse...

Ah home ;)

Fácil fácil...é perguntar ao Ribeiro, ao Markl, ao Vasco ou ao João Vaz...um deles há-de saber :P