Um Gestor que desfaz equipas de pessoas que choram quando se despedem umas das outras, deveria pensar um pouco e reflectir porque é que isso sucede. E deveria tirar vantagem desses laços. Deveria usar menos a palavra "perfil" e usar mais tudo aquilo que entra pelos olhos dentro. Devia descer da sua torre pelo menos uma vez por semana e perceber de que matéria são feitos os sonhos.
31 outubro 2012
29 outubro 2012
26 outubro 2012
22 outubro 2012
Romanes eunt domus!*
Centro de Emprego de Matosinhos. Imagem enviada por Paulo Santos
* Para quem não tenha percebido o título...
Guia de Puericultura El Corte Inglés
Aposto que há mais notas do paginador (se alguém tiver tempo e paciência para apontar mais alguma deste calibre, terá os devidos créditos assinalados).
Grandes momentos do jornalismo
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Jornal dos Desportos (Angola). Imagem enviada pelo Senhor Engenheiro Botinhas.
21 outubro 2012
20 outubro 2012
18 outubro 2012
Uma fenda na muralha (II)
"A abóbada não caiu, a abóbada não cairá!". Não sei como foi convosco, mas esta foi a treta histórica que o Estado Novo me pregou e que me ficou gravada para sempre nos neurónios. A ilustração do texto relativo a Afonso Domingues no meu livro de História de Portugal era bastante dramática. O próprio Afonso, de ar trémulo e débil, sentado num bloco de calcário, desafiando a abóbada. Sozinho. Desafiando o Rei e a ordem instituída até ao último momento, mesmo quando já quase ninguém parecia acreditar. Persistir. Persistir sempre. Parabéns Basílio Vieira! A vitória, foi difícil mas foi tua.
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Cidadania
17 outubro 2012
PRIMO (Rádio Comercial - Luís de Matos)
Será de inteira justiça afirmar-se que durante a estreia (já lá vai quase um ano...) de Chaos, o espectáculo que Luís de Matos recolocará em cena nos próximos dias, não era eu que, como disse Nuno Markl no último PRIMO, "que estava aos comandos dos computadores". Para isso tem o Luís no seu Estúdio 33, uma equipa de gente bem capaz, de isso e de muito mais (inclui serrar pessoas ao meio e outros sortilégios). Mas a verdade é que, e agora já se pode falar disso com alguma comodidade, uma vez que o assunto veio à baila durante a última emissão do PRIMO (Programa Realmente Incrível Mas Obtuso) em que Luís de Matos participou, fica o resumo do que realmente aconteceu. A míseras vinte e quatro horas da estreia de Chaos, a máquina que fazia o suporte multimédia (a bem dizer, o suporte de vida da cenografia do espectáculo, pifou). Calma, acalmem-se os do costume que não foi por uma questão de qualidade. Foi um acidente. Um curto-circuito idiota num dos pontos de fornecimento de energia, um zaaaap tremendo, o inevitável cheiro a queimado e a constatação de que o nome Chaos tinha efectivamente sido muitíssimo bem escolhido para o espectáculo. Há imagem mas não há som, (ler: vídeos e a excelente banda sonora). Todo o módulo de controlo de som morreu por electrocussão. O Luís faz avançar um plano B, uma máquina menos potente, muito menos potente, que transforma todo o espectáculo num mar de incógnitas e gaguez. A estreia de Chaos é todo ele um festival de horror e há menos de vinte e quatro horas para resolver o problema. Só quando eu abro as entranhas do electrocutado, na companhia do Gonçalo Pereira, meu colega de trabalho, é que percebemos bem o alcance do sucedido. Há montículos de carvão na motherboard e trata-se de fazer um transplante entre máquinas e placas que há-de também ele, ser um festival de magia, dado que metade da "operação" foi feita num carro em andamento entre Lisboa e Estoril. De notável só sobrou mesmo o facto de não terem sobrado (ou faltado) peças. E o facto de mesmo nos momentos de maior tensão, a calma olímpica do Luís se ter sempre sobreposto a tudo e a todos. Três dias depois vi, de novo, o espectáculo, e aí sim, consegui recostar-me na cadeira sem olhar atentamente para a cenografia e perguntar a mim mesmo "Mas porque raio é que o Finder faz parte do cenário?". Piadas à parte, vão ver. Chaos. Brevemente no Auditório dos Oceanos em Lisboa e um pouco por todo o país.
15 outubro 2012
Decidam-se, 'tá?
Parece que a Disney e o IGAC tiveram alguma dificuldade ao classificar este videograma. Na mesma capa é possível encontrar três escalões etários... Imagem enviada pela leitora Susana Canhoto
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Ninguém merece,
Pérolas
Esmeraldo de Situ Orbis
Foi um dos meus grandes enigmas de menino, profundamente inculcado por um magnífico Professor de História que tive a felicidade de ter nos primeiros anos de Liceu. O homem que nos dizia que nunca devíamos ter nada como garantido em termos de História e que um dia semeou o alvoroço escolar quando sugeriu que o "achamento" do Brasil não teria sido exactamente obra do acaso, mas antes uma empresa marítima cumprida em várias etapas. Se já estávamos desassossegados com essa informação, pior fiquei com o estudo da obra de Duarte Pacheco Pereira, "Esmeraldo de Situ Orbis", uma autêntica obra de referência de marinharia e geografia da época. Essa obra, que tem em alguns dos seus capítulos, autênticas pistas para a exploração do Atlântico Sul, mais contribuiu para a certeza de que Cabral foi "apenas" o achador oficial, tendo Duarte Pacheco Pereira sido o "piloto de testes".
É agora que um amigo que muito prezo, Professor de História Naval na Universidade de Lisboa (Francisco Contente Domingues), vem reafirmar essa suspeita.
"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."
É agora que um amigo que muito prezo, Professor de História Naval na Universidade de Lisboa (Francisco Contente Domingues), vem reafirmar essa suspeita.
Maria Rueff
Conheço-a dos palcos e dos ecrãs há uma eternidade, como aliás quase todos nós, mas só há poucos anos travámos conhecimento pessoal. Mulher multi-tarefa, sempre a "abrir", já lhe prometi que, um dia, quando ambos formos velhinhos e ela estiver na Casa do Artista, teremos finalmente tempo para abordar os cinquenta mil assuntos que temos permanentemente em aberto sem que um de nós esteja pressionado pela respectiva agenda profissional ou pessoal.
É das lendas conhecidas do grande público que eu tenho especial predilecção por capas de iPhone que fujam ao comum e que dêm nas vistas. Sou severamente criticado pelo espalhafato das inúmeras capas que uso nos telefones e há algumas em particular que são verdadeiramente berrantes e espalhafatosas. É a vida, dirão alguns, a verdade é que há pessoal que abusa na garridice das gravatas, eu sou mais capas.
A capa de iPhone é um item indispensável. Porque pela minha mão passam, a cada ano, centenas de telefones partidos em quedas, alvo de acidentes que levam às lágrimas os respectivos donos e donas e não é a primeira vez que faço questão que algumas dessas pessoas passem a usar um protector de iPhone digno desse nome. Manuel Damásio tem e usa uma capa de iPhone que lhe ofereci no último dia em que jantámos em plena festa e o Benfica se sagrou Campeão Nacional (capa encarnada, como não poderia deixar de ser) e a Maria Rueff ofereci também uma capa do mesmíssimo modelo, de um amarelo capaz de vazar uma vista (mas que se topa à légua dentro de uma mala de senhora...).
Não deixa de ser uma coincidência curiosa que no dia em que se anuncia o lançamento de A Bola TV (onde trabalham alguns amigos e conhecidos meus), o Zé Manel, um dos mais populares taxistas do país e uma personagem que ficará para sempre colada na pele de Maria Rueff, surja nas páginas centrais de A Bola, usando precisamente a capa de iPhone que tantas e tantas vezes foi alvo de escárnio dos meus amigos. Maria Rueff tem, desde há algum tempo, uma página de fãs no Facebook. Passe por lá e diga "Olá, Zé Manel!"
É das lendas conhecidas do grande público que eu tenho especial predilecção por capas de iPhone que fujam ao comum e que dêm nas vistas. Sou severamente criticado pelo espalhafato das inúmeras capas que uso nos telefones e há algumas em particular que são verdadeiramente berrantes e espalhafatosas. É a vida, dirão alguns, a verdade é que há pessoal que abusa na garridice das gravatas, eu sou mais capas.
A capa de iPhone é um item indispensável. Porque pela minha mão passam, a cada ano, centenas de telefones partidos em quedas, alvo de acidentes que levam às lágrimas os respectivos donos e donas e não é a primeira vez que faço questão que algumas dessas pessoas passem a usar um protector de iPhone digno desse nome. Manuel Damásio tem e usa uma capa de iPhone que lhe ofereci no último dia em que jantámos em plena festa e o Benfica se sagrou Campeão Nacional (capa encarnada, como não poderia deixar de ser) e a Maria Rueff ofereci também uma capa do mesmíssimo modelo, de um amarelo capaz de vazar uma vista (mas que se topa à légua dentro de uma mala de senhora...).
Não deixa de ser uma coincidência curiosa que no dia em que se anuncia o lançamento de A Bola TV (onde trabalham alguns amigos e conhecidos meus), o Zé Manel, um dos mais populares taxistas do país e uma personagem que ficará para sempre colada na pele de Maria Rueff, surja nas páginas centrais de A Bola, usando precisamente a capa de iPhone que tantas e tantas vezes foi alvo de escárnio dos meus amigos. Maria Rueff tem, desde há algum tempo, uma página de fãs no Facebook. Passe por lá e diga "Olá, Zé Manel!"
14 outubro 2012
13 outubro 2012
10 outubro 2012
Optimus Top Apps
Com a inacreditável cadência de saída de aplicações iPhone, há uma questão que a cada dia que passa é cada vez mais complicado responder.
"Quais são as tuas aplicações favoritas?".
No início era simples, andávamos todos mais ou menos "por dentro" das novidades, usávamos um "boca a boca" para os amigos e conhecidos irem ficando a par do que estava realmente a precisar de ser usado.
Hoje, a iTunes Store tem um manancial de novidades e aplicações mais ou menos reformuladas que é absolutamente impossível estar actualizado nesta matéria.
O que é que fazemos então para manter actualizado o nosso conhecimento? As dicas do amigos continuam a ser preciosas, o que lemos por aí, em papel ou em suporte digital, já existem apps para nos recomendarem aplicações ou alertar sobre mudança de preço das mesmas. Não chega. Uma coisa é saber que um dado software existe e que faz isto e aquilo, que tem esta ou aquela característica, outra é saber se vale realmente o seu preço. Mesmo que este preço seja zero, ninguém quer já perder tempo a instalar uma app que dez minutos depois já está a caminho do lixo electrónico.
Não é fácil, fixar nomes, são aos milhares, aos amigos volta a perguntar-se "Como é que se chama aquela app de que me falaste há um mês?", sendo que a resposta é invariavelmente "Sei lá, ao tempo que isso já foi...".
A Optimus, operador telefónico português, acaba de lançar um serviço curioso que designou por "Top Apps" que vem precisamente colmatar a questão das listas de aplicações. Chamou-lhes (e apropriadamente) "Cadernetas de Apps" e permite, a qualquer utilizador, mesmo que não seja cliente da insígnia Optimus, elencar grupos de aplicações (ou mesmo definir apenas uma) e tê-la entre as suas escolhas, sejam ou não agrupadas, que pode partilhar de diversas vias, seja por email, seja pelas redes sociais. E quem consulta essas cadernetas e ou aplicações únicas, pode (ou não) participar, elegendo as suas concordâncias com as escolhas que outros fizeram, recompensando ou assinalando com um "Gosto", cada uma delas. Este feedback vai, a curto prazo gerar rankings de escolhas, bem como permitir que cada um de nós se foque no essencial (Apps que não deve deixar de experimentar) em vez de andar, muitas vezes ingloriamente, a vasculhar aplicações das quais não tem qualquer referência. Ter aberto a participação ao universo de utilizadores nacional, em vez de o segmentar por operadora, foi uma decisão acertada, mais uma daquelas a que a Optimus nos habitou.
Aponte o seu smartphone ou tablet a este URL e mostre ao mundo as suas escolhas. As minhas, essas já lá estão e serão actualizadas sempre que achar relevante. Sim, porque o que nos liga é Optimus.
"Quais são as tuas aplicações favoritas?".
No início era simples, andávamos todos mais ou menos "por dentro" das novidades, usávamos um "boca a boca" para os amigos e conhecidos irem ficando a par do que estava realmente a precisar de ser usado.
Hoje, a iTunes Store tem um manancial de novidades e aplicações mais ou menos reformuladas que é absolutamente impossível estar actualizado nesta matéria.
O que é que fazemos então para manter actualizado o nosso conhecimento? As dicas do amigos continuam a ser preciosas, o que lemos por aí, em papel ou em suporte digital, já existem apps para nos recomendarem aplicações ou alertar sobre mudança de preço das mesmas. Não chega. Uma coisa é saber que um dado software existe e que faz isto e aquilo, que tem esta ou aquela característica, outra é saber se vale realmente o seu preço. Mesmo que este preço seja zero, ninguém quer já perder tempo a instalar uma app que dez minutos depois já está a caminho do lixo electrónico.
Não é fácil, fixar nomes, são aos milhares, aos amigos volta a perguntar-se "Como é que se chama aquela app de que me falaste há um mês?", sendo que a resposta é invariavelmente "Sei lá, ao tempo que isso já foi...".
A Optimus, operador telefónico português, acaba de lançar um serviço curioso que designou por "Top Apps" que vem precisamente colmatar a questão das listas de aplicações. Chamou-lhes (e apropriadamente) "Cadernetas de Apps" e permite, a qualquer utilizador, mesmo que não seja cliente da insígnia Optimus, elencar grupos de aplicações (ou mesmo definir apenas uma) e tê-la entre as suas escolhas, sejam ou não agrupadas, que pode partilhar de diversas vias, seja por email, seja pelas redes sociais. E quem consulta essas cadernetas e ou aplicações únicas, pode (ou não) participar, elegendo as suas concordâncias com as escolhas que outros fizeram, recompensando ou assinalando com um "Gosto", cada uma delas. Este feedback vai, a curto prazo gerar rankings de escolhas, bem como permitir que cada um de nós se foque no essencial (Apps que não deve deixar de experimentar) em vez de andar, muitas vezes ingloriamente, a vasculhar aplicações das quais não tem qualquer referência. Ter aberto a participação ao universo de utilizadores nacional, em vez de o segmentar por operadora, foi uma decisão acertada, mais uma daquelas a que a Optimus nos habitou.
Aponte o seu smartphone ou tablet a este URL e mostre ao mundo as suas escolhas. As minhas, essas já lá estão e serão actualizadas sempre que achar relevante. Sim, porque o que nos liga é Optimus.
A experiência QR Code

Obrigado por ter chegado até aqui. Com este gesto, você contribuiu de modo voluntário para uma experiência pessoal sobre a utilização de ferramentas tecnológicas que me permitirão fazer uma pequena investigação sobre os locais de Lisboa com maior utilização de equipamentos electrónicos pessoais (SmartPhones e Tablets). Durante alguns meses, determinadas zonas da cidade de Lisboa receberam códigos deste tipo, cada um deles personalizado e no final da experiência será publicado um mapa infográfico com os resumos de acesso de pessoas que se sentiram impelidas a lê-los com os respectivos equipamentos e em que zonas de Lisboa o fizeram.
Agradeço-lhe bastante a sua participação nesta experiência. Se pretender ter acesso aos resultados finais desta operação, que só serão divulgados em meados de 2013, por favor insira o seu endereço de email na caixa "Siga este blog por email", no topo superior direito desta página. Muito obrigado uma vez mais.
Pedro Aniceto
09 outubro 2012
Grandes momentos do jornalismo
"-Senhor Doutor! Senhor Doutor! O que é que está a fazer de joelhos voltado para Meca?"
"-Cale-se, sua besta! Não vê que estou a fazer investigação clínica?"
Imagem Diário Digital, enviada pela Senhor Engenheiro Botinhas
Grandes momentos do marketing
Não tenho qualquer dúvida sobre o facto dos ideólogos dos nomes destas organizações serem gente esforçada, diligente e cheia de boas intenções. Mas eu costumo dizer a quem me quer ouvir, que depois de um nome encontrado, se devem deixar passar quinze dias e três metros. Quinze dias para nos esquecermos dele, três metros para o ver com outra leitura. Quem o não faz arrisca-se a não dar pela segunda leitura...
O último baleeiro dos Açores
Passou há dias na TSF, e assinalei-o condignamente no Twitter. Uma preciosidade de entrevista.
Os solitários homens dos doris
Um achado no Youtube (obrigado Miguel Duarte), o documentário "The lonely Doryman", um trabalho da National Geographic de 1967 com a duração de 50 minutos.
A adicionar ao já publicado documentário canadiano sobre o Santa Maria Manuela, que poderá recordar aqui.
No Público de hoje (acho), havia um bom artigo sobre o Argus.
06 outubro 2012
Estamos (verdadeiramente) feitos ao bife
Se o responsável de Protocolo estava hoje a dormir, durante a cerimónia do içar da bandeira nas comemorações (?) do 5 de Outubro, que alguém o acorde. Se o Presidente da República não viu que o símbolo máximo do país estava erradamente colocado nos cabos, era obrigação de quem zela por este aspecto ter tomado as devidas precauções para que não sucedesse.
Não sei sequer o que dizer das restantes pessoas que acompanhavam o acto, mas perderam uma boa oportunidade de demonstrar que não estavam em piloto-automático.
Quando eu era menino, em funções que implicavam aprender como içar e arriar uma bandeira, quiçá menos importante do que a Nacional, tive a ventura de ter a ensinar-me um homem que não se esquecia de nenhum detalhe desse cerimonial, do atar ao içar, do arriar às impecáveis dobras e manobras relativas, que têm também os seus segredos protocolares. Era esse homem, que munido de um alfinete de ama estrategicamente colocado no bainha, me dizia "Até de noite, às escuras, não corres o risco de te enganar". Mesmo com luvas, sabes qual é o lado a amarrar primeiro. E sim, usem, pelas alminhas, um nó de escota. Poupa-vos a adicional vergonha de estar a perder um tempo imenso a desfazer a asneira.
Não sei sequer o que dizer das restantes pessoas que acompanhavam o acto, mas perderam uma boa oportunidade de demonstrar que não estavam em piloto-automático.
Quando eu era menino, em funções que implicavam aprender como içar e arriar uma bandeira, quiçá menos importante do que a Nacional, tive a ventura de ter a ensinar-me um homem que não se esquecia de nenhum detalhe desse cerimonial, do atar ao içar, do arriar às impecáveis dobras e manobras relativas, que têm também os seus segredos protocolares. Era esse homem, que munido de um alfinete de ama estrategicamente colocado no bainha, me dizia "Até de noite, às escuras, não corres o risco de te enganar". Mesmo com luvas, sabes qual é o lado a amarrar primeiro. E sim, usem, pelas alminhas, um nó de escota. Poupa-vos a adicional vergonha de estar a perder um tempo imenso a desfazer a asneira.
04 outubro 2012
03 outubro 2012
De quando em vez, faz-se justiça
M., os jornais nunca dirão o que realmente se passou. E é pena. É pena que nunca se venha a saber que uma das maiores organizações financeiras portuguesas se ocupava também de assuntos de cariz criminal e que algumas dessas operações envolviam a cobertura de figuras da Sociedade portuguesa que hoje ocupariam capas e páginas de jornais se o assunto fosse realmente ventilado. Notícias que nunca verão a luz do dia porque provocariam terramotos de factos que fariam tremer muita gente, alguma dela que tenho hoje vergonha de ter admirado. Porque nos faltam verdadeiramente jornalistas capazes de arriscar.
M. deparou-se há anos com situações anómalas na instituição onde trabalhava, onde era feliz, e onde planeava ter feito uma carreira longa e próspera. Quando M. quis perceber porque é que nas instalações das quais era responsável, passavam contentores de materiais ilegais e absolutamente nada consentâneos com as actividades da empresa, abriu a caixa de Pandora que o ia destruindo fisicamente. Pressões intoleráveis, suspensão de funções, ameaças de morte, perseguições, fariam qualquer um de nós calar o que quer que tivéssemos para dizer e prosseguir as nossas vidas. Isto para evitar problemas de índole psiquiátrica, os mesmos de que M. sofreu, sozinho, quando pouca gente parecia acreditar nele. M. não desistiu. Sabe Deus e e ele mesmo a que custo. Quinze anos de sofrimento e angústia, quinze anos que não são quinze dias.
M. não estava "descalço", sabia exactamente que não podia dar em falso passo algum e documentou tudo o que afirmava. Não me sobra qualquer dúvida de que foi essa precaução que levou há dias um Tribunal a dar-lhe razão. A mesma razão que lhe negaram durante 15 dolorosos e longos anos. É pena que se não vá mais longe. Muito mais longe. Talvez mudássemos de opinião a respeito de algumas das pessoas que nos habituámos a admirar. E que passássemos a admirar algumas pessoas que não conhecemos.
Quando há dias li este mesmo título num dos jornais diários, pensei "E se fosse o M.?". Acabei de confirmar que sim, que era a mesma pessoa. E fico extremamente feliz por isso. Tudo o que lhe possam agora pagar, é pouco. Muito pouco.
02 outubro 2012
Vou levar-te comigo...
Se não é surpreendente ver o Celso Martinho num cartaz de divulgação de uma Palestra sobre Novas Tecnologias, a realizar em Luanda, no Auditório da Universidade Agostinho Neto no próximo dia 9 de Outubro, ri-me com gosto de um detalhe desta imagem. A máquina, corrijo, o super-computador que o Celso tem na mão, é, nem mais nem menos, este. Uma máquina de 1985, com uns potentíssimos 131,072 bytes (inchem, fabricantes de RAM) que lhe foi por mim oferecida está por agora a fazer um ano. Novo. A estrear.
01 outubro 2012
Com todas as cautelas
F., cujo nome fui forçado a inventar, morreu há três dias. Diabético, obrigado à hemodiálise, sofredor de muito mais maleitas que não elenquei por força de serem desnecessárias, morreu. Quinou. Bateu as botas. Finou-se. É legítimo que, condoído o leitor pelo intróito, vinhedos que também eu vindimei por força das descrições que me foram feitas do seu sofrimento, tenha pena. Se enterneça. Se condoa. Pode pois bem fazê-lo.
F. morreu atropelado numa borda de estrada enquanto mudava um pneu. Vê? Agora tudo parece menos dramático e digno de um "G'anda azar!" vindo do mais fundo do nosso ser. F. morreu e agora Zé Bouças, o cauteleiro da vila tem um problema entre dedos para resolver. E é precisamente aqui, neste exacto ponto que eu passo a fazer parte da equação.
Esta manhã, Zé Bouças interrogava o dono do café onde eu estava quase que por acidente sobre se não queria ficar com a cautela de F., jogador de fé, homem de número certo na Lotaria Nacional. Que não! Nunca! Olha que ideia a tua, agora ficar com a cautela do morto! Percebi que outros inquiridos se negavam também, um deles chegou mesmo a persignar-se que é coisa rara de se ver fora de sede própria, salvo em caso de grave sacrilégio ou susto mais arreigado na alma. A três perguntou Zé Bouças e por três vezes o renegaram e eu, sem uma palavra, apenas um gesto quase imperceptível, adjudiquei a fracção que guardei no bolso sob o olhar de censura dos presentes. Não é a primeira história que ouço de gente que sempre teve o mesmo número e que um dia deixou de jogar por uma qualquer razão e pimba!, toma lá, vai buscar, que sabemos que no caso de acontecer se torna verdadeiramente desagradável, quase tão mau como ser-se atropelado numa borda de estrada enquanto se muda um pneu.
Nesta fase estão todos os leitores a perguntar-se se me saiu a Lotaria do mito urbano. Não saiu, ou por outra, se fosse vivo, e já sabemos que não, F., teria embolsado uma singela terminação. Dez euros que serão reinvestidos por minha fé. . Deve ter aqui havido uma mãozinha do falecido, ou é da minha vista. Nenhuma de ambas me surpreenderia.
Vou repensar o assunto. À cautela. Na mesma.
F. morreu atropelado numa borda de estrada enquanto mudava um pneu. Vê? Agora tudo parece menos dramático e digno de um "G'anda azar!" vindo do mais fundo do nosso ser. F. morreu e agora Zé Bouças, o cauteleiro da vila tem um problema entre dedos para resolver. E é precisamente aqui, neste exacto ponto que eu passo a fazer parte da equação.
Esta manhã, Zé Bouças interrogava o dono do café onde eu estava quase que por acidente sobre se não queria ficar com a cautela de F., jogador de fé, homem de número certo na Lotaria Nacional. Que não! Nunca! Olha que ideia a tua, agora ficar com a cautela do morto! Percebi que outros inquiridos se negavam também, um deles chegou mesmo a persignar-se que é coisa rara de se ver fora de sede própria, salvo em caso de grave sacrilégio ou susto mais arreigado na alma. A três perguntou Zé Bouças e por três vezes o renegaram e eu, sem uma palavra, apenas um gesto quase imperceptível, adjudiquei a fracção que guardei no bolso sob o olhar de censura dos presentes. Não é a primeira história que ouço de gente que sempre teve o mesmo número e que um dia deixou de jogar por uma qualquer razão e pimba!, toma lá, vai buscar, que sabemos que no caso de acontecer se torna verdadeiramente desagradável, quase tão mau como ser-se atropelado numa borda de estrada enquanto se muda um pneu.
Nesta fase estão todos os leitores a perguntar-se se me saiu a Lotaria do mito urbano. Não saiu, ou por outra, se fosse vivo, e já sabemos que não,
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