28 novembro 2012
Como construir um camião (VIII)
Sabem aquela sensação estranha que se tem a meio de um projecto, aquele momento em que percebemos que algo não está bem e que precisamos de voltar ao estirador? Está a acontecer-me com este camião. A verdadeira questão aqui é que eu não posso voltar ao estirador porque este projecto nunca lá esteve (e sim, é um erro). Tal como disse no início, esta construção é totalmente feita de memória, sem medidas de qualquer espécie e o projecto visava aproveitar madeiras que tinha empilhadas, sobras de outras actividades. Era essencial (o inferno está cheio de coisas essenciais...) ter feito um diagrama desenhado. Era essencial ter tido medidas e quem sabe (às vezes lá calha), ter feito um modelo à escala, ainda que virtual (um dia vou pedir ao Basílio que me ensine Sketchup à séria...). Era essencial ter planos de corte em sequência em vez de andar a cortar uma peça de cada vez. Isso ter-me-ia permitido perceber que a madeira de que eu dispunha não tinha as dimensões desejadas, que ia ter problemas de dimensionamento (neste momento estou um bocado aflito com as dimensões da traseira da cabine...) e que algumas situações que já tive de remediar nem sequer chegariam a acontecer. É a vida, direi. Isto não é suposto ser candidato a nenhum concurso internacional de design automóvel, mas aborrece-me. Decidi não electrificar, será mais rápido terminar o camião, e na verdade não tenho grande tempo, ainda hoje gastei cerca de dez minutos a lixar uma das "malas" laterais, sendo que dificilmente pegarei nisto outra vez durante o dia, os minutos de amanhã estão condenados por falta de agenda, lá para o fim de semana o tractor estará pronto, com alguma sorte. Assim sendo, e se alguém quiser aprender alguma coisa com os meus erros, eis aquilo que eu faria de maneira diferente se fosse começar agora: a) A proporção Bloco de motor versus Chassis não é a ideal. O bloco é muito alto e a plataforma deveria ser mais larga (resulta numa altura excessiva quando colocada a cabine). b) A madeira onde cortei a cava das rodas é demasiado fina (problema já descrito anteriormente) e todo o conjunto deveria ter evitado a colocação da peça transversal que as segura ao chassis.
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26 novembro 2012
Como construir um camião (VII)
A estrutura teoricamente mais complicada, a das cavas das rodas, foi aplicada. E é aqui que surge o primeiro erro estrutural do projecto. Tinha prometido a mim mesmo que este camião só iria receber madeira de pequenas sobras, mas estive quase a quebrar essa promessa. A espessura das madeiras que tinha em casa é manifestamente insuficiente para a necessidade de preenchimento entre a cabina e a lateral exterior. Um dia de chuva e uma agenda deveras complicada em termos de tempo fez com que avançasse com a madeira que tinha. A estrutura das cavas não acompanha a lateral da plataforma base (e não queria que os pneus ficassem excessivamente expostos) e foi preciso procurar uma solução de compromisso, que acabou por se revelar demasiado frágil em termos de colagem. O futuro utilizador deste camião não levaria mais de dez minutos a mostrar-me isso mesmo se estes guarda-lamas não estivessem reforçados pela barra transversal visível (1). O segundo aborrecimento veio do facto do parafuso de aperto do meu conjunto de serras circulares (que iriam permitir cortar a curva dos guarda-lamas) se ter moído o que não me permitiu cortar mecanicamente as meias-luas. Acabei por fazê-lo à mão e se numa delas o resultado está satisfatório, na outra nem tanto. (1/2). O espaço deixado em aberto entre a cabina e as rodas (3) virá amanhã a ser preenchido pelas peças que hão-de suportar os faróis. Mas antes tenho de resolver o problema dos cortes em meia-lua, provavelmente com uma visita ao chinês mais próximo. Seguem-se como disse, os faróis e a segunda metade da cabina. Depois é atirar-me ao trailer e decidir várias coisas, entre as quais se o trailer será ou não aberto, se terá portas e por fim se electrificarei o conjunto com LED nos faróis e farolins de presença (frente e traseira). Tenho ainda por resolver o engate do reboque. Mas lá chegarei.
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Oh simple things
O crescimento da população mundial explicado com caixas Ikea, por Hans Rosling.
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O olho que tudo vê
Em pleno Largo da Portagem da Ponte 25 de Abril, estando a ser explicado ao meu neto Tomás que o Jesus (Cristo Rei) está lá em cima porque tudo vê - é uma história muito comprida que envolve o Pai Natal, o Menino Jesus e o facto deles anotarem num caderno todas as travessuras que por ai se fazem -, não lhe ocorreu melhor resposta que um singelo "Pois, se estivesse cá em baixo não via nada..."
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23 novembro 2012
Como construir um camião (VI)
E eis-nos chegados à mais trabalhosa das partes, aquela em que o corpo da cabine e motor começam a ganhar formas. Como disse há dias, muita lixa e acima de tudo muita paciência. O pára-choques traseiro (já produzido mas ainda não montado - estou a tentar decidir se este camião vai ou não ter electrificação e luzes) deverá ser aplicado por estes dias, ao mesmo tempo que começo a preparar as laterais e a desenhar as cavas das rodas da frente. A próxima foto deverá ser a da traseira já terminada em termos de estrutura.
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22 novembro 2012
Ela foi ali, cremos que volta já
Impõe-se que vos actualize, vocês são muitos e eu apenas um e começa a ser tremendamente difícil gerir perguntas, respostas e informações. Para alguns de vós será até a primeira vez que sabem algo, mas acreditem, é a forma mais eficaz de vos informar do que se está a passar no que ao estado de saúde da minha mãe diz respeito:
A Maria Fernanda sofreu no passado Sábado um extenso e brutal AVC, que lhe provocou um desfalecimento encadeado numa enorme queda em sua casa. Socorrida de urgência, deu entrada no Hospital de Santa Maria, onde foi submetida a uma Craniotomia Descompressiva, uma intervenção de alto risco, que é feita para aliviar os efeitos da hemorragia cerebral e do consequente hematoma.
Infelizmente a Maria Fernanda não conseguiu (ainda) recuperar do coma no pós-operatório, sendo que o cenário é deveras sombrio, que impossibilita a completa avaliação da extensão dos danos que sofreu ao nível cerebral, danos que não é possível avaliar na sua globalidade enquanto não sair deste estado em que se encontra, seja por todas as complicações que podem ainda sobrevir e que são, como se imagina, muitíssimo grandes. Permanece internada no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria (Sala 7, Cama 20).
Sim, o risco é altíssimo, mas tenho a certeza de que ela está, como sempre, a lutar bravamente e que marido, filhos, familiares e amigos estão juntos na esperança de a ver regressar, mesmo que lentamente ao seio da família. Aproveito para agradecer em nome do meu pai, das minhas irmãs e em meu próprio nome, as múltiplas mensagens de encorajamento e apoio que tenho/temos recebido numa hora tão complexa, delicada e angustiante como é esta que por agora vivemos. Creiam que ajuda e de que forma a lidar com a impotência que todos sentimos.
Uma palavra de apreço é devida à equipa médica e de enfermagem da Unidade de Cuidados Intensivos de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria cujo profissionalismo é inquestionável e cujos cuidados extremos foram tão importantes nas primeiras horas desta fatalidade.
A Maria Fernanda sofreu no passado Sábado um extenso e brutal AVC, que lhe provocou um desfalecimento encadeado numa enorme queda em sua casa. Socorrida de urgência, deu entrada no Hospital de Santa Maria, onde foi submetida a uma Craniotomia Descompressiva, uma intervenção de alto risco, que é feita para aliviar os efeitos da hemorragia cerebral e do consequente hematoma.
Infelizmente a Maria Fernanda não conseguiu (ainda) recuperar do coma no pós-operatório, sendo que o cenário é deveras sombrio, que impossibilita a completa avaliação da extensão dos danos que sofreu ao nível cerebral, danos que não é possível avaliar na sua globalidade enquanto não sair deste estado em que se encontra, seja por todas as complicações que podem ainda sobrevir e que são, como se imagina, muitíssimo grandes. Permanece internada no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria (Sala 7, Cama 20).
Sim, o risco é altíssimo, mas tenho a certeza de que ela está, como sempre, a lutar bravamente e que marido, filhos, familiares e amigos estão juntos na esperança de a ver regressar, mesmo que lentamente ao seio da família. Aproveito para agradecer em nome do meu pai, das minhas irmãs e em meu próprio nome, as múltiplas mensagens de encorajamento e apoio que tenho/temos recebido numa hora tão complexa, delicada e angustiante como é esta que por agora vivemos. Creiam que ajuda e de que forma a lidar com a impotência que todos sentimos.
Uma palavra de apreço é devida à equipa médica e de enfermagem da Unidade de Cuidados Intensivos de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria cujo profissionalismo é inquestionável e cujos cuidados extremos foram tão importantes nas primeiras horas desta fatalidade.
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Biografia
Como construir um camião (V)
Ontem não houve tempo para muito mais e mesmo tendo produzido pouco, acabei por incorrer em erros de principiante (que se devem sobretudo a algum cansaço). O pára-choques frontal ganhou forma (e uma valente dentada por laceração da madeira durante a fase de acabamento dos arredondados - mas como é na parte de baixo optei por aplicar a peça em vez de recomeçar). As superfícies de contacto para colagem são algo irregulares - um dia aprendo a serrar - e foi necessário aplicar um bit interior que, por distracção, ficou descentrado. Só reparei nisso hoje, Inês estava morta, mas não gosto do efeito. Logo mais mostrarei o erro. Ainda vou pensar em como remediar o mesmo.
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Brinquedos
21 novembro 2012
Como construir um camião (IV)
Tal como previsto durante a montagem dos berços dos eixos (1), cedo se percebeu que apesar de estes rolarem justos na furação, haveria sempre uma tendência a que estes "fugissem" da sua posição ideal e permitissem aos pneus roçar lateralmente na plataforma do chassis (2). Várias soluções eram possíveis, desde um pequeno freio à vertical do eixo (desaconselhado devido à estrutura não cilíndrica do mesmo) ao uso de um espaçador. Na falta de material para estas soluções (e uma vez que este projecto só utiliza materiais de desperdício de outros projectos ou material comum a qualquer caixa de sucata diversa - exceptuando rodas e eixos), a solução foi "inventar" espaçadores com base numa vulgar palhinha de plástico (3). Tem exactamente o diâmetro do eixo, não "dança" e é de fácil acesso e substituição se necessário. O resultado é satisfatório sem qualquer ruído de rolamento. (4) A próxima peça a produzir será o pára-choques frontal, que foi iniciada ontem durante um período de espera numa sala de um Hospital em Lisboa. Isto é bastante terapêutico, digo-vos... (mas as pessoas tendem a olhar para mim um bocadinho de lado...).
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Brinquedos
Como construir um camião (III)
O problema das duas peças longitudinais não oferecer a devida resistência, confirmou-se. Seria o elo mais fraco do conjunto, mais a mais que os eixos serão alvo de muita e intensa pressão. Mantive as duas peças mas dei-lhes uma forma diferente por forma a não comprometerem demasiado a altura da plataforma, ao mesmo tempo que reforçam a estrutura. Estou a antever outro problema com os eixos (que são mais compridos que o berço de suporte), mas já lá irei...
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19 novembro 2012
...
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Como construir um camião (II)
Eixos e rodas. Os eixos (dois), correrão dentro das pequenas peças de madeira. As rodas (Lego) precisam deixar disponível a altura da base do chassis ao solo (tal como num camião verdadeiro), o que claramente não é o caso com esta configuração. É possível que com a duplicação da altura (duas peças longitudinais sobrepostas) o problema se resolva, mas surgirão dois adicionais: A altura ao solo e a pouca solidez do conjunto (O camião será manipulado por uma criança de três anos)
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18 novembro 2012
Como construir um camião (I)
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Pedido público de desculpas
Os signatários membros do autodenominado grupo #Lobsters, que durante a edição VI do Codebits, armados até aos dentes com armas temíveis da marca Nerf, moveram uma implacável caça a tudo o que mexesse (e também aos sitting ducks), deixando as mesas vizinhas (e não só) cravejadas de dardos de Velcro e espuma, vêm por esta via pedir publicamente desculpa pela barragem de munições que durante três dias choveu sobre os participantes. Queremos que saibam que as cerca de setecentas estóicas pessoas (e três pintaínhos - bichos resistentes, hum?) que raramente se queixaram, estarão para sempre nas nossas
mentesmiras. Um abraço e até à próxima edição, onde um de nós se irá lembrar de algo ainda mais assustador. Pediremos ao Celso que para o ano inclua no Welcome kit um tubo de Hirudoid.
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17 novembro 2012
Codebits VI (A confirmação)
Terminou hoje a sexta edição de um dos melhores (senão mesmo o melhor) evento tecnológico português. Participo pela quarta vez e confirmou-se a minha profecia, feita há um par de meses:
"Em 2009 o vencedor estava na minha mesa, em 2010 o vencedor estava na minha mesa, em 2011 o vencedor estava na minha mesa. Se querem ter vencedor este ano, não deixem de aprovar a minha presença!"
Não só a minha candidatura foi aceite rapidamente, mas tomem a devida nota: Os vencedores do Quizz Show (Basílio Vieira e Nuno Correia) estavam na minha mesa. A segunda classificada dessa extraordinária competição de gente sem estômago denominada Nuclear Tacos (Andreia Gaita), estava na minha mesa. O sétimo lugar da classificação final, projecto ePutty (Basílio Vieira, Tony Virtual, Andreia Gaita e Pedro Pinheiro), adivinhem lá, estavam na minha mesa. O terceiro lugar da geral, projecto Jaffs, (casal Rechena e o Luís Amaral), estavam na minha mesa.
Por sugestão geral, para o ano o serviço deixa de ser pro bono e entra em comercialização. (E as equipas brasileiras da próxima edição do Codebits - que pela primeira vez se realizará por lá em simultâneo com a edição portuguesa , não se acanhem que eu estou disponível para o "sacrifício" da viagem transatlântica...) ;)
Imagem do protótipo iPutty (Luís Amaral)
"Em 2009 o vencedor estava na minha mesa, em 2010 o vencedor estava na minha mesa, em 2011 o vencedor estava na minha mesa. Se querem ter vencedor este ano, não deixem de aprovar a minha presença!"
Não só a minha candidatura foi aceite rapidamente, mas tomem a devida nota: Os vencedores do Quizz Show (Basílio Vieira e Nuno Correia) estavam na minha mesa. A segunda classificada dessa extraordinária competição de gente sem estômago denominada Nuclear Tacos (Andreia Gaita), estava na minha mesa. O sétimo lugar da classificação final, projecto ePutty (Basílio Vieira, Tony Virtual, Andreia Gaita e Pedro Pinheiro), adivinhem lá, estavam na minha mesa. O terceiro lugar da geral, projecto Jaffs, (casal Rechena e o Luís Amaral), estavam na minha mesa.
Por sugestão geral, para o ano o serviço deixa de ser pro bono e entra em comercialização. (E as equipas brasileiras da próxima edição do Codebits - que pela primeira vez se realizará por lá em simultâneo com a edição portuguesa , não se acanhem que eu estou disponível para o "sacrifício" da viagem transatlântica...) ;)
Imagem do protótipo iPutty (Luís Amaral)
Update: Estamos no "day after" do Codebits 2014. O vencedor deste ano foi um projecto de Basílio Vieira, Pedro Leite e Carolina Correia. Adivinhem lá em que mesa é que este grupo estava sentado.
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16 novembro 2012
Led's go! Ledare - IKEA
Faz tempo que olho para a problemática da iluminação de incandescência (dita "clássica") face às novidades tecnológicas em matéria de iluminação. E se até agora não decidi nunca escrever sobre este assunto é porque todos os confrontos entre a incandescência e o material clássico de iluminação (leia-se material "economizador") redundaram sempre numa espécie de fracasso no que à implementação diz respeito. Todas as tentativas que fiz de substituição da tecnologia clássica de incandescência falharam por várias razões, sendo a mais significativa, o tempo de resposta do material desde que é accionada a ligação de energia até ao momento em que a lâmpada atinge o seu máximo brilho. Também contribuiram negativamente para a satisfação total do utilizador, factores como o preço e a própria durabilidade do material testado.
Na questão da durabilidade, os materiais variam em termos qualitativos de sobremaneira. De tal modo que há anos a esta parte ganhei o hábito de inscrever no casquilho metálico do material de iluminação a data em que o mesmo entrou ao serviço. Trata-se de uma habitação com cerca de 45 pontos de iluminação (interior e exterior - nao hão-de as contas serem grandes...) de diversos formatos e tecnologias, de fluorescência (residual) a incandescência (o grosso do material), passando por halogéneo. Tornou-se a dada altura demasiado complexo acompanhar os prazos de durabilidade de cada item, pelo que essa inscrição de data passou a ser essencial para se perceber a vida média de uma lâmpada em utilização.
Com a introdução no mercado dos primeiros exemplares de lâmpadas de tecnologia LED, depressa percebi que os respectivos custos tornariam a operação de adaptação de todas as exigências da casa uma tarefa hercúlea e pesadíssima em termos de investimento, mas que, com o evoluir do mercado (e sobretudo com o fim programado da fabricação de material de incandescência - 2014 é já ali), não restaria grande alternativa senão ir adaptando o material de uma forma faseada.
Mas os preços têm baixado significativamente e não deverá tardar o dia em que esta nova tecnologia se imponha no mercado de consumo, por ora ainda rendido a tecnologias já condenadas ao desaparecimento. Esta semana coloquei em teste uma lâmpada LED Ikea, modelo Ledare (PVP Ikea 11.99€) e oferece-se-me para já tecer algumas considerações sobre esta lâmpada, a saber:
- Estas lâmpadas são concebidas com base em LED (Light Emiting Diodes, ou Diodos Emissores de Luz). Se ao leigo isto nada diz (ou a malta começa logo a pensar em tuning...), saiba o leitor, numa imagem simples que um LED é um componente composto de minúsculas camadas de compostos de carbono que, quando percorridas por corrente eléctrica, brilham. É uma explicação minimalista, mas é suficiente...
- A velocidade de resposta ao acendimento é bastante boa. Não que eu tenha uma escala de julgamento desta vertente, mas porque com esta lâmpada, não penso sequer nela depois de accionar o interruptor. O fabricante anuncia um tempo de resposta de 0,2 segundos, mas a mim basta-me que quando entro numa divisão da casa e necessito de ligar a iluminação, a lâmpada "responda" no seu brilho máximo antes mesmo de eu ter terminado a minha função nessa divisão, factor extremamente negativo noutra tecnologia, dita "economizadora". E penso que todos sabemos ao que me refiro...
- A luz e brilho destas lâmpadas são absolutamente satisfatórias. Quando as instalei, e observado o packaging, ocorreram-me algumas questões (que foram atempadamente respondidas pela IKEA). A informação do packaging da IKEA LED é vasta, tão vasta que pode confundir o comprador. Para além de indicações óbvias como o tipo de tecnologia, existem na embalagem indicações sobre o tipo de casquilho (ver mais abaixo desenvolvimento sobre o tema), luminosidade da lâmpada (em lúmens, coisa que deixará muito comprador não familiarizado com esta escala, à beira da loucura...), consumo (não será de espantar que esta lâmpada anuncie um consumo de 8,1 Watt, mais uma enorme diferença face ao que estamos habituados com lâmpadas de incandescência), CRI (e aposto o meu rim direito que noventa e nove por cento da massa consumidora de lâmpadas nem sonha o que seja o CRI...). O CRI
é um valor referencial para "julgar" o quão precisa é a renderização de uma cor reflectida quando iluminada por uma fonte de luz. (Renderização é uma palavra que não existe, mas é a coisinha mais parecida que arranjo para expressar o termo original). Imagine o leitor que iluminamos um objecto vermelho com uma fonte de luz "segura" ou "padrão". A cor devolvida pelo objecto poderá ser medida e a mesma operação poderá ser feita com a segunda fonte de luz. O desvio face ao padrão é calculado numa escala de 0 a 100 (esta lâmpada IKEA anuncia um CRI de 85) e esse valor serve de indicação à fiabilidade da devolução da reflexão de cor. Quanto mais alto for o CRI mais fiável é a luz enquanto base de distinção de cores. Fontes luminosas com índice CRI de 85 ou superiores, são consideradas boas. É importante notar que existe neste packaging uma outra informação que poderá confundir/fazer interrogar o consumidor: A temperatura de cor (que não deve ser confundida com o CRI da lâmpada) vem nesta embalagem (e em todas as outras, suponho), expressa na escala de Kelvin. As temperaturas de cor são importantes porque são, basicamente, a sua tonalidade. Lâmpadas com uma temperatura de cor acima de 5000 produzem uma luz clara e precisa (boa para iluminar tarefas que exijam concentração), enquanto que, descendo na escala de Kelvin se produzem tons que induzem ao relax.
A informação do packaging é, como disse, vasta. Indicações como tempo de vida estimado da lâmpada (vinte mil horas), tempo de resposta ao máximo de brilho, incompatibilidades, número de acendimentos expectáveis antes de falha, dimensões e tensões admissíveis estão também presentes.
- A tecnologia LED não é compatível com reóstatos variadores de tensão pelo que o uso destas lâmpadas em sistemas deste tipo (com regulador de intensidade) não é possível. Sim, é possível usar a lâmpada, não é possível regular-lhe a intensidade como nos modelos "clássicos" ou "economizadores".
A lâmpada LED não aquece. Ponto. Não havendo incandescência nem filamento, não se gera (desperdiça) o calor operado pela resistência. Este facto explica cabalmente o baixo consumo anunciado.
Os vários tipos de casquilho de rosca disponíveis na maioria dos mercados (sim, existem mercados não desprezíveis de casquilhos não roscados, ditos de baioneta, que alguns dos leitores se recordarão ao mudar as lâmpadas de mínimos de alguns carros mais antigos), e existem desde a invenção da própria lâmpada. Conhecidos como "As roscas de Edison", são designadas pela letra E (de Edison) seguida de dois números. Uma lâmpada que possua a referência E27 (como é o caso das lâmpadas em apreço) estará equipada com uma rosca de 27 milímetros. (É espantoso que esta nomenclatura resista desde 1909 numa patente Mazda.)
Claro que algum tempo terá de passar até que me possa pronunciar sobre poupanças efectivas (e comprovadas) nos consumos. Até porque ainda só parte do parque de iluminação foi substituído. Mas a isso voltarei dentro de alguns meses.
Como diz, com graça, a IKEA: "Muito obrigado Senhor Edison, a partir de agora fazemos nós"
Na questão da durabilidade, os materiais variam em termos qualitativos de sobremaneira. De tal modo que há anos a esta parte ganhei o hábito de inscrever no casquilho metálico do material de iluminação a data em que o mesmo entrou ao serviço. Trata-se de uma habitação com cerca de 45 pontos de iluminação (interior e exterior - nao hão-de as contas serem grandes...) de diversos formatos e tecnologias, de fluorescência (residual) a incandescência (o grosso do material), passando por halogéneo. Tornou-se a dada altura demasiado complexo acompanhar os prazos de durabilidade de cada item, pelo que essa inscrição de data passou a ser essencial para se perceber a vida média de uma lâmpada em utilização.
Com a introdução no mercado dos primeiros exemplares de lâmpadas de tecnologia LED, depressa percebi que os respectivos custos tornariam a operação de adaptação de todas as exigências da casa uma tarefa hercúlea e pesadíssima em termos de investimento, mas que, com o evoluir do mercado (e sobretudo com o fim programado da fabricação de material de incandescência - 2014 é já ali), não restaria grande alternativa senão ir adaptando o material de uma forma faseada.
Mas os preços têm baixado significativamente e não deverá tardar o dia em que esta nova tecnologia se imponha no mercado de consumo, por ora ainda rendido a tecnologias já condenadas ao desaparecimento. Esta semana coloquei em teste uma lâmpada LED Ikea, modelo Ledare (PVP Ikea 11.99€) e oferece-se-me para já tecer algumas considerações sobre esta lâmpada, a saber:
- Estas lâmpadas são concebidas com base em LED (Light Emiting Diodes, ou Diodos Emissores de Luz). Se ao leigo isto nada diz (ou a malta começa logo a pensar em tuning...), saiba o leitor, numa imagem simples que um LED é um componente composto de minúsculas camadas de compostos de carbono que, quando percorridas por corrente eléctrica, brilham. É uma explicação minimalista, mas é suficiente...
- A velocidade de resposta ao acendimento é bastante boa. Não que eu tenha uma escala de julgamento desta vertente, mas porque com esta lâmpada, não penso sequer nela depois de accionar o interruptor. O fabricante anuncia um tempo de resposta de 0,2 segundos, mas a mim basta-me que quando entro numa divisão da casa e necessito de ligar a iluminação, a lâmpada "responda" no seu brilho máximo antes mesmo de eu ter terminado a minha função nessa divisão, factor extremamente negativo noutra tecnologia, dita "economizadora". E penso que todos sabemos ao que me refiro...
- A luz e brilho destas lâmpadas são absolutamente satisfatórias. Quando as instalei, e observado o packaging, ocorreram-me algumas questões (que foram atempadamente respondidas pela IKEA). A informação do packaging da IKEA LED é vasta, tão vasta que pode confundir o comprador. Para além de indicações óbvias como o tipo de tecnologia, existem na embalagem indicações sobre o tipo de casquilho (ver mais abaixo desenvolvimento sobre o tema), luminosidade da lâmpada (em lúmens, coisa que deixará muito comprador não familiarizado com esta escala, à beira da loucura...), consumo (não será de espantar que esta lâmpada anuncie um consumo de 8,1 Watt, mais uma enorme diferença face ao que estamos habituados com lâmpadas de incandescência), CRI (e aposto o meu rim direito que noventa e nove por cento da massa consumidora de lâmpadas nem sonha o que seja o CRI...). O CRI
é um valor referencial para "julgar" o quão precisa é a renderização de uma cor reflectida quando iluminada por uma fonte de luz. (Renderização é uma palavra que não existe, mas é a coisinha mais parecida que arranjo para expressar o termo original). Imagine o leitor que iluminamos um objecto vermelho com uma fonte de luz "segura" ou "padrão". A cor devolvida pelo objecto poderá ser medida e a mesma operação poderá ser feita com a segunda fonte de luz. O desvio face ao padrão é calculado numa escala de 0 a 100 (esta lâmpada IKEA anuncia um CRI de 85) e esse valor serve de indicação à fiabilidade da devolução da reflexão de cor. Quanto mais alto for o CRI mais fiável é a luz enquanto base de distinção de cores. Fontes luminosas com índice CRI de 85 ou superiores, são consideradas boas. É importante notar que existe neste packaging uma outra informação que poderá confundir/fazer interrogar o consumidor: A temperatura de cor (que não deve ser confundida com o CRI da lâmpada) vem nesta embalagem (e em todas as outras, suponho), expressa na escala de Kelvin. As temperaturas de cor são importantes porque são, basicamente, a sua tonalidade. Lâmpadas com uma temperatura de cor acima de 5000 produzem uma luz clara e precisa (boa para iluminar tarefas que exijam concentração), enquanto que, descendo na escala de Kelvin se produzem tons que induzem ao relax.
A informação do packaging é, como disse, vasta. Indicações como tempo de vida estimado da lâmpada (vinte mil horas), tempo de resposta ao máximo de brilho, incompatibilidades, número de acendimentos expectáveis antes de falha, dimensões e tensões admissíveis estão também presentes.
- A tecnologia LED não é compatível com reóstatos variadores de tensão pelo que o uso destas lâmpadas em sistemas deste tipo (com regulador de intensidade) não é possível. Sim, é possível usar a lâmpada, não é possível regular-lhe a intensidade como nos modelos "clássicos" ou "economizadores".
A lâmpada LED não aquece. Ponto. Não havendo incandescência nem filamento, não se gera (desperdiça) o calor operado pela resistência. Este facto explica cabalmente o baixo consumo anunciado.
Os vários tipos de casquilho de rosca disponíveis na maioria dos mercados (sim, existem mercados não desprezíveis de casquilhos não roscados, ditos de baioneta, que alguns dos leitores se recordarão ao mudar as lâmpadas de mínimos de alguns carros mais antigos), e existem desde a invenção da própria lâmpada. Conhecidos como "As roscas de Edison", são designadas pela letra E (de Edison) seguida de dois números. Uma lâmpada que possua a referência E27 (como é o caso das lâmpadas em apreço) estará equipada com uma rosca de 27 milímetros. (É espantoso que esta nomenclatura resista desde 1909 numa patente Mazda.)
Claro que algum tempo terá de passar até que me possa pronunciar sobre poupanças efectivas (e comprovadas) nos consumos. Até porque ainda só parte do parque de iluminação foi substituído. Mas a isso voltarei dentro de alguns meses.
Como diz, com graça, a IKEA: "Muito obrigado Senhor Edison, a partir de agora fazemos nós"
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14 novembro 2012
08 novembro 2012
Emoções
Este post pode ser considerado fútil, estranho, talvez doentio. Ainda reflecti algumas horas antes de o dar à estampa, mas acabei por decidir fazê-lo; não me importo do que possam pensar embora esteja certo que haverá também muita gente a apreciar estas linhas e sobretudo a imagem que deixo mais abaixo.
Quando se é fã de alguma coisa, é normal que haja ícones que gostemos de abraçar. Imagine o leitor que é doido por futebol e lhe permitiam calçar uma chuteira de Eusébio, que é músico e que podia soprar notrombone trompete de Louis Armstrong, que é um furioso condutor de automóveis e que podia colocar na cabeça um capacete de Ayrton Senna.
Agora imagine que eu, profissional profundamente ligado à marca da maçã, ficava ali uns segundos a contemplar embevecidamente um objecto, tendo debaixo das cabeças dos meus dedos, com o teclado à minha mercê, o último computador de José Saramago.
Percebem a ideia, a emoção? Obrigado, Pilar.
Quando se é fã de alguma coisa, é normal que haja ícones que gostemos de abraçar. Imagine o leitor que é doido por futebol e lhe permitiam calçar uma chuteira de Eusébio, que é músico e que podia soprar no
Agora imagine que eu, profissional profundamente ligado à marca da maçã, ficava ali uns segundos a contemplar embevecidamente um objecto, tendo debaixo das cabeças dos meus dedos, com o teclado à minha mercê, o último computador de José Saramago.
Percebem a ideia, a emoção? Obrigado, Pilar.
07 novembro 2012
Sabedoria popular
"Deus Nosso Senhor nos guarde de bocas abertas, de coisas que não são certas, e de mulheres que aos homens põem aquilo que dos bois é."
06 novembro 2012
I will try to fix you
Quando me perguntam o que faço, eu respondo que sou Gestor de Produto. Quando eu mesmo me pergunto o que faço, respondo como na anedota: "'Cê tem um tempinho?" e no mais das vezes não sei, no mais das vezes ou não respondo ou disparo um clichê.
Há oito dias, alguém pediu a minha ajuda para uma situação clínica. Um doente de Esclerose Lateral Amiotrófica, doença que eu só conhecia de nome até ao momento em que, brutalmente, conheci a situação. O doente de ELA vê degradar-se ao extremo a capacidade muscular de responder a estimulação enviada pelo cérebro, órgão que se mantém sem qualquer dano, enquanto a musculatura vai deixando de responder levando à atrofia do corpo, combatida por fisioterapia.
O doente, como acima referi, mantem-se lúcido e eu nem quero imaginar o que deve ser de conflito interior, o facto de ser completamente dependente do ponto de vista físico, enquanto a capacidade mental se mantém intacta.
Aquilo que fiz, nesta situação, foi substituir/introduzir um tablet cuja capacidade de ecrã deixava bastante a desejar, fosse do ponto de vista de ângulo de visão, fosse do ponto de vista áudio e em capacidade. Mas talvez a intervenção mais importante tenha sido a remoção do suporte acrílico tremendamente instável e com um ângulo tremendo, que obrigava o doente a uma amplitude de movimento vertical da mão que se perdeu já há algum tempo. Basicamente usei um Macally Ecofan do qual removi toda a parte eléctrica e cablagem, tendo-lhe introduzido mais um ponto de elevação que o original não possui, bem como uma modificação na altura da mesa-base que era de todo imprescindível. Foi também necessário implementar um sistema de fixação no iPad (que permitisse a remoção sempre que necessário), bem como sugerir a entrada em funcionamento de um braço articulado auxiliar Ergo Rest, braço esse que a pessoa já possuía, mas sem que estivesse em funcionamento (era necessário modificar ligeiramente a mesa, o que foi feito).
No final da operação de implementação, ninguém teve dúvidas do entusiasmo do doente neste setup e acho que foi a primeira vez que me emocionei por ver alguém a ler o Público Online. É por isso que eu digo que quando me perguntam "O que é que fazes?", por vezes posso responder "Dou graças por também ser informático".
Aproveito esta oportunidade para pedir aos responsáveis da App do Público para iPhone uma pequena alteração. Passem o botão "Destaques" para a barra inferior. Fará TODA a diferença. Acreditem que sim.
Há oito dias, alguém pediu a minha ajuda para uma situação clínica. Um doente de Esclerose Lateral Amiotrófica, doença que eu só conhecia de nome até ao momento em que, brutalmente, conheci a situação. O doente de ELA vê degradar-se ao extremo a capacidade muscular de responder a estimulação enviada pelo cérebro, órgão que se mantém sem qualquer dano, enquanto a musculatura vai deixando de responder levando à atrofia do corpo, combatida por fisioterapia.
O doente, como acima referi, mantem-se lúcido e eu nem quero imaginar o que deve ser de conflito interior, o facto de ser completamente dependente do ponto de vista físico, enquanto a capacidade mental se mantém intacta.
Aquilo que fiz, nesta situação, foi substituir/introduzir um tablet cuja capacidade de ecrã deixava bastante a desejar, fosse do ponto de vista de ângulo de visão, fosse do ponto de vista áudio e em capacidade. Mas talvez a intervenção mais importante tenha sido a remoção do suporte acrílico tremendamente instável e com um ângulo tremendo, que obrigava o doente a uma amplitude de movimento vertical da mão que se perdeu já há algum tempo. Basicamente usei um Macally Ecofan do qual removi toda a parte eléctrica e cablagem, tendo-lhe introduzido mais um ponto de elevação que o original não possui, bem como uma modificação na altura da mesa-base que era de todo imprescindível. Foi também necessário implementar um sistema de fixação no iPad (que permitisse a remoção sempre que necessário), bem como sugerir a entrada em funcionamento de um braço articulado auxiliar Ergo Rest, braço esse que a pessoa já possuía, mas sem que estivesse em funcionamento (era necessário modificar ligeiramente a mesa, o que foi feito).
No final da operação de implementação, ninguém teve dúvidas do entusiasmo do doente neste setup e acho que foi a primeira vez que me emocionei por ver alguém a ler o Público Online. É por isso que eu digo que quando me perguntam "O que é que fazes?", por vezes posso responder "Dou graças por também ser informático".
Aproveito esta oportunidade para pedir aos responsáveis da App do Público para iPhone uma pequena alteração. Passem o botão "Destaques" para a barra inferior. Fará TODA a diferença. Acreditem que sim.
05 novembro 2012
A origem das expressões (Salvo pelo gongo)
Fulano foi salvo pelo gongo" é uma expressão que muitas vezes associamos a combates de boxe, onde a indicação do final do round (ou assalto) é indicada pelo toque de um gongo. A expressão contudo não tem origem nesta imagem, a de alguém que vê interrompido um ataque ou um problema pelo toque metálico do instrumento. A sua origem, crê-se estar nos tempos medievais ingleses, onde os funerais eram executados em caixões reutilizáveis. Muitas das vezes, os supostos mortos não o estavam e era frequente encontrarem-se caixões com marcas e arranhões, de pessoas sepultadas ainda vivas. Tal facto levou a que fosse amarrado ao pulso do "defunto" um fio ligado a uma campainha, que, à superfície, se fosse accionada, se fazia ouvir, permitindo salvar o infeliz enterrado. Da expressão "Saved by the bell" veio então o "Salvo pelo gongo".
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Expressões
02 novembro 2012
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