31 março 2006

Há buracos na camada Diozoni!



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Li algures...

Um professor, da Faculdade de Direito de Lisboa, perguntou a um dos seus alunos:
- Laurentino, se você quiser dar uma laranja a uma pessoa chamada Sebastião, o que deverá dizer?
O estudante respondeu:
- Aqui está, Sebastião, uma laranja para si.
O professor gritou, furioso:
- Não! Não! Pense como um Profissional de Direito!
O estudante pensou um pouco e então respondeu :
- Está bem, eu refaço o que diria: Eu, Laurentino Marcos Rosa Sentado, Advogado, por meio desta dou e concedo a você, Sebastião Lingrinhas, BI6543254, NIF50829092, morador na Rua do Alecrim, 32, A, do concelho de Vila Nova de Gaia, casado, com dois filhos e um enteado, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva, inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outros títulos, obrigações e vantagens no que concerne à fruta denominada laranja, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar ou descascar com a utilização de quaisquer objectos ou de outra forma comer, tomar ou ingerir a referida laranja, ou cedê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes, e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer outra natureza ou tipo, fiscal ou comercial, fica assim sem nenhum efeito no mundo cítrico e jurídico, valendo este acto entre as partes, seus herdeiros e sucessores, com carácter irrevogável, declarando Sebastião Lingrinhas que o aceita em todos os seus termos e condições conhecendo perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando, neste caso, o disposto no Código do Consumidor, cláusula 28, alínea b, com a modificação dada pelo DL 342/08 de 1979.

E o professor então comenta: Melhorou bastante, mas não seja tão sucinto...

29 março 2006

My kind of humour

Quando me pedem que tipifique o meu tipo preferido de humor, tenho sempre inúmeras dificuldades em explicar que há imensas nuances impossíveis de colocar em palavras. Mas de quando em vez surge uma imagem ou um texto que o fazem por mim. É o caso deste brilhante anúncio de uma agência funerária, que através de um estupendo processo mental de associação de ideias faz com que o coloque na minha galeria de exemplos.

Walk like an egiptian

C. é um velho algarvio cuja pele tisnada pelo sol faz lembrar um pergaminho amarfanhado de complexa leitura. Desloca-se vagarosamente com a ajuda de uma bengala em nogueira que faz também ela lembrar o ceptro majestático de um imperador africano. A maior paixão que lhe conheço, o seu Sporting, fá-lo permanecer à mesa do café em todos os jogos que o seu clube dispute, mesmo em modalidades aborrecidas ou menos populares. É uma paixão silenciosa. C. sofre calado (como aliás me quer parecer que fez durante toda a sua vida e não apenas em matérias futebolísticas) e nunca lhe ouvi um grito, uma imprecação, um gesto de enfado. É um verdadeiro gentleman de taberna e finaliza sempre as suas sessões de visualização desportiva com uma pérola de filosofia popular. Foi o que sucedeu ontem depois do Benfica-Barcelona. Erguendo-se a custo, puxando para si a bengala de nogueira envernizada, ditou: "Nem uns perderem, nem outros ganharem, empatarem-se!".

27 março 2006

É agora!


A minha fé é inquebrantável. É assim, sempre foi.

25 março 2006

Descubra as diferenças


Marco de Canaveses versus New York City...

23 março 2006

Maquiavel para principiantes

São quarenta e oito leis, ditas do "Poder", mas só consegui ler até à décima segunda. Pelo caminho encontrei algumas que por não as ter cumprido, já me custaram caro. Nunca é tarde para se ser um verdadeiro aprendiz.

Illusion

Jornal Ocasião


As coisas que se encontram na secção "Imobiliário" do Jornal Ocasião...

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Cabeça de borrego

O cenário é diferente. Estou num talho. Um talho com imenso movimento, um balcão carregado de pessoas do lado de fora e outro tanto do lado de dentro. Sucedem-se as idas e vindas dos cortadores de carne, carregados de bifes, pás, pojadouros, alcatras e muitas outras peças que para mim são autênticos mistérios bovinos. Não me importo sequer de ter seis pessoas à minha frente, empunho a minha senha verde enquanto absorvo lições de uso de carnes através dos pedidos de clientes. O velhote que pede bifes sem nervos para ir fazer o almoço ao neto. A dona de casa com ar impaciente que indica escrupulosamente quantos cortes quer na peça de entrecosto ou que impõe ao cortador a obrigatoriedade de retirar os pescoços de galinha de uma embalagem de miúdos. O operário da construção civil que pergunta se há carne para guisar. Vou aprendendo algo, vou evoluindo a minha cultura gastronómica. Dedico a minha atenção a uma simpática velhinha que quer saber tudo sobre cabeças de borrego. Se são grandes, se não são demasiado pequenas. Se têm peles, se têm olhos, se... O cortador, com um sorriso nos lábios a tudo acede e a tudo responde. Não parece ser suficiente. Ela pede para ver de perto a espalmada ovina cabeça e é convidada a contornar o enorme balcão de vidro para "vir conversar com a cabeça de borrego". "Fale com ela, esteja à vontade, quando forem amigos diga-me para eu a pesar...". A velhinha parece observar com especial atenção aquilo que em tempos foram as orelhas do borrego e que agora não passam de dois buracos ensanguentados.
"Sabe se este borrego tem os bichos no ouvido?". O espanto é geral, mesmo nos talhantes que divertidos rodeiam a senhora. "É que eu ouvi no programa do Goucha que crescem uns bichinhos nos ouvidos dos borregos e tenho medo...". O cortador tenta esconder-se por detrás da balança para se poder rir sem embaraçar a velhinha. Faz um ar sério e diz em tom grave: "Minha senhora, é verdade sim, mas apenas os borregos com dois anos e um mês é que têm os bichinhos e esse não teve tempo de os criar.". Há um sorriso na face de todos os presentes. "Mas há quem leve com bichos porque dizem que dá mais sabor...". A velhinha está absolutamente horrorizada e indecisa quanto à cabeça de borrego. Chega a minha vez, decido entrar na brincadeira e peço um Kg. bem aviado de "bichinhos de ouvido de borrego". Pago dirijo-me à saída. Cruzo-me com a velhinha que não comprou a cabeça de borrego, mas que me espera, curiosa. "O senhor desculpe, mas como é que cozinha os bichos?".

22 março 2006

Finanças

Exmos. Srs. do Ministério das Finanças,

Venho pela presente requerer a V.Exas. que o cidadão Pedro Manuel da Silva Aniceto, que integra contra vontade a vossa Mailing List, passe a partir de agora a ser tratado com o mesmo zelo e dedicação que V.Exas. dedicaram ao cidadão António Carrapatoso, cuja dívida de 740.000 Euros V.Exas. tiveram a delicadeza de deixar caducar a respectiva cobrança. Certo de que serei prontamente atendido, despeço-me afectuosamente.

De V.Exas.
Atentamente

The wheel is turning, but the hamster is dead!

Pois a mim custa-me imenso entender como é que este tipo, o Deputado Jaime Ramos conseguiu derrotar um milhão de espermatozóides numa corrida...


Obviamente é um caso típico de quem tenta morder na mão que o alimenta...

Thaumetopoea pityocampa


O efeito é divertido, uma fila de lagartas "processionárias"" a tentar atravessar uma estrada, com os pneus dos carros que passam a seccionar a fila para logo de seguida a natureza tomar o seu curso. Todos os indivíduos parecem saber exactamente o que fazer, isto é, chegar à frente, agarrar o rabo da lagarta mais próxima e seguir caminho...

Blue and Me

Não deve haver combinação mais explosiva que esta: Blue&Me™’, the innovative telematic solution for cars, receives its world preview in Geneva. The first results of the strategic partnership between Fiat Auto and Microsoft will have its world première at the up-coming Geneva Motor Show: its name is Blue&Me™.

Depois não digam que não avisei...

Spring


Ontem entrou a Primavera, não tão espectacularmente como aqui, mas a verdade é que na minha cerejeira que há-de ser enxertada um destes dias, já despontaram duas flores.

M&M

Algumas das razões de não existirem M&M's de cor branca: Porque reduziriam os M&M's negros à escravatura, porque roubariam as terras dos M&M's vermelhos, porque caçariam os M&M's azuis até à sua extinção, porque acusariam os M&M's amarelos de entraves ao comércio mundial, porque fariam iniciar o pânico de uma invasão terrestre pelos M&M's verdes e queixar-se-iam constantemente de que os M&M's castanhos lhes roubariam os empregos..

21 março 2006

About the birds and the bees


O Conselho Executivo da Escola Secundária de Marco de Canaveses produziu um mimo de comunicado, devidamente intitulado "Informação/Premonição" que tem feito o país sorrir.


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20 março 2006

Li algures...

Moisés lia os mandamentos ao seu Povo:
- Nono mandamento: não desejarás a mulher do próximo.
Ouve-se então um grande clamor do Povo.
Moisés esclarece:
- Calma, isto é o que a lei diz. Esperemos para ver o que diz a jurisprudência!

A rotunda viciosa...

É curioso como a história se vai repetindo. Perguntam-me (como se eu soubesse...) qual será a melhor escolha em termos de exame de condução, se o Centro de Exames do ACP se o da APEC. Digo que não faço a mínima ideia, que escolha o mais difícil que à semelhança do que sucedeu comigo, acabará por se revelar o menos complicado de fazer. "Hum... Então vou escolher o do ACP. É que os percursos de exame do ACP passam pela Rotunda do Relógio e aquilo é um inferno, segundo dizem. Ninguém quer passar por lá, muito menos durante o exame de condução."
Rio-me desbragadamente. No dia em que peguei pela primeira vez num carro meu, entrei na Rotunda do Relógio (na altura ainda sem semáforos) com as suas cinco faixas distribuidoras e só à terceira tentativa consegui sair sem chocar com ninguém. Como pareciam então ameaçadores para o meu pequeno Mini os autocarros de dois andares, ou todos os pesados que derivavam para a A1. No auge do meu pânico cheguei mesmo a pensar que haveria ali pessoas que viviam dentro da rotunda, carros que uma vez que entrassem nunca mais conseguiriam sair...

19 março 2006

Economistas!

Um matemático, um contabilista e um economista candidatam-se em simultâneo à mesma oportunidade de emprego. O entrevistador convoca o matemático e pergunta-lhe: "Qual é o resultado de dois mais dois?". O matemático responde: "Quatro". O entrevistador retorque "Exactamente quatro?". O matemático olha incrédulo para o entrevistador e diz "Exactamente quatro!".

A entrevista seguinte é feita ao contabilista a quem é colocada a mesma questão: "Qual é o resultado de dois mais dois?". O contabilista responde: "Em média quatro, mais ou menos dez por cento, mas em média, quatro".

Por último é entrevistado o economista a quem é feita a mesma pergunta "Qual é o resultado de dois mais dois?". O economista levanta-se, vai trancar a porta da sala, baixa a persiana, senta-se ao lado do entrevistador e pergunta-lhe em surdina "Qual é o resultado que você quer que dê?"


Piada roubada, descarada e desavergonhadamente do The Kangaroo Post

18 março 2006

Li algures...

Se o Mário Mata,
A Florbela Espanca,
O Jaime Gama,
E o Jorge Palma,
O que é que a Rosa Lobato Faria?

Talvez a Zita Seabra para o António Peres Metello...

17 março 2006

Marrafa!

Republicação de Crónica de 1.11.2004

Marrafa. Não lhe conhecemos o nome próprio, parece que ninguém conhece. Isto talvez se isentarmos do desconhecimento alguns soldados da Guarda Nacional Republicana que, ao que consta na má língua da aldeia, não só lhe conhecem o baptismal nome, mas também alguns ossos dedilhados a casse-tête. Desculpemos a minudência porque todos sabemos (uns mais que outros, certo é) como o chanfalho é pouco minucioso no que diz respeito à contagem de ossos mais fininhos e miúdos.

Marrafa!

É talvez o único nome que faz tremer de pavor uma aldeia inteira, talvez tão só porque é o único bandido da mesma. E Deus saberá como deve ser aborrecido e custoso ser-se o único fora da lei do lugarejo, sujeito a arcar com a fama de todas as patifarias cometidas num raio de 3 quilómetros bem medidos contadinhos a partir da matriz do Rosário, o que já de si não é fácil mas que duplica a responsabilidade e a má fama do visado se pensarmos que a Matriz do Rosário está plantada na margem do Tejo o que faz com que a área de um círculo traçado a partir da Matriz metade seja dentro de água. Que raio de exemplo se foi arranjar, mas a culpa é, para não variar, do Marrafa...

Marrafa é sobejamente conhecido pelos seus dotes de pilha-galinhas, não que não seja um especialista, não faria negaças a coelhos, patos, borregos, quem sabe uma vaca se preciso fosse e para o carrego tivesse ajudante. Especializou-se na infância, consolidou e progrediu praticando a arte para não perder o dedo, fino ao que consta que não desdenharia uma carteira, umas calças novas do varal, enfim pecadilhos juvenis e forças de hábito que num lugarejo piscatório torna-se lei o ditado do que quer que venha à rede seja gado e prontamente arrecadado. Marrafa tem uma aura, uma mística até que o persegue além da Guarda propriamente dita. De miúdo se habituou à sobrevivência física, mau grado as monumentais malhas do progenitor, da Guarda e de um ou outro felizardo capaz de lhe filar os fundilhos durante uma excursão venatória e não necessariamente por esta ordem. Artista de renome, sobram as histórias de roubo, depena e manjar, tudo no mesmo local, que Marrafa não teve nunca tempo a perder e sabe-se como a ditadura do estômago nos impõe disciplinas complicadas de quebrar. Roubados houve de quem ouvi estas lendas, algumas nem tanto, capazes de lhe entregar o resto da capoeira por troca do segredo de como conseguir depenar um pato sem água quente, acender uma fogueira sem fumo ou grande crepitar, tudo isto debaixo das barbas do vigilante munido de varapau e caçadeira.

Claro que metade disto é obviamente mítico e vem do pó dos tempos, a outra metade não é, que coelhos roubados houve há vinte anos que ainda hoje povoam os pesadelos de habitantes do Rosário, não pelo valor, que um coelho há vinte anos valia apenas um coelho, exactamente o que vale hoje, um bom estufado, mas pelas malas artes e sortilégios do marrafal personagem.

Atrás dos tempos vêm tempos e atrás do Marrafa vem a Guarda (mas isto já sabíamos) e mais quarenta ou cinquenta donos de galinhas sedentos de vingança, uns nem tanto que foram roubados há tantos anos que não sendo já moços agora pouco andam, mais depressa se sentam numa mesa de bisca lambida a trocar resultados da Terceira Liga por garrafas de cerveja fresca, desfiando memórias da grande galeria de bandidos Rosarenses que, por força das circunstâncias sabemos agora ter um único retrato exposto. Não que isso sejam contas de outro Rosário, porque o são do Rosário de hoje que já não é o que foi ontem, a roda do tempo não pára e quando o faz é apenas para meter ar no pneu. Mais uma corrida, mais uma viagem, e levemos uns coelhos para um eventual desjejum.

Foi num destes grupos que hoje desaguei à hora da cafeína percebendo de imediato que a tensão faiscava no ar com vontade de se transmitir por contágio primário. Mal abri a boca para a bica a notícia quase saltou do pacote de 8 gramas de açúcar e se não foi do pacote veio debaixo da chávena, que tão esganada estava por ser conhecida.

"O Marrafa levou dois tiros!", assim de chofre, não os tiros mas o estrondo da notícia.

Pim-pam-pum cada bala mata um pensei eu antes de estacar o movimento cerebral devido ao elevado número de projécteis da lenga-lenga face à crueza da notícia. Havia discussão pesada na sala, as perguntas emergiam como golfadas de sangue dos buracos de bala. "Morreu?" Qual quê, um tipo daqueles não morre assim. Está no hospital entre a vida e a morte, mas aposto já uma Sagres Preta em como ainda vai bifar muita criação antes de se dar ao Criador. Sorrio. Sorrio porque imagino o Criador a fazer um check-in ao Marrafa, preocupado com os seus bípedes, palmípedes e restante galinhame. Queira o próprio conhecer os jardins do paraíso e estou em crer que nem a serpente lhe escapará.

Toda a gente quer conhecer a identidade do recém herói, capaz de pespegar dois balázios na cabeça do Marrafa, sugere-se até um "baixo assinado" para o juíz da Comarca que tamanho feito não merece pena ou castigo, antes um louvor ou até uma tença anual por bons serviços prestados. Nisso e na cerveja fresca há unanimidade!

"Então e quem é que lhe deu os tiros?" Foi aquele tipo gordo lá de baixo do Lugar de Avoenga, aquele que passa a vida bêbado, o que gasta o dinheiro todo nas tabernas...

Regressa o burburinho à conversa, como é das luas que regressem as marés. Ti Chico, o do Mocho como é naturalmente conhecido, embarcadiço de longa viagem, levou a mão à pala do surrado boné. Quando Ti Chico bota sentença é como se fosse um régio decreto, brotam silêncios só quebrados pelos ruídos da mastigação de tremoço.

"Ora, isso até é bom. A Guarda nunca mais o apanha. Ou então se vão prender bêbados, têm de prender a gente todos!"

Literacia

E o seu nome é, pergunto eu depois de alguns minutos de conversa com um eventual fornecedor. "João, João Ferreira". Agradeço e tento saber também o endereço de email. "Ah, ok, tome nota por favor: joaoferreira, joaoferreira, arroba, mail ponto pêtê". João Ferreira tudo junto? "Não, o senhor tem estudos?" Como? "Se tem estudos..." Tenho. "Muito bem, então é joao hífen ferreira". Como é que diria se eu não tivesse estudos? "Ah, aí era joao tracinho ferreira".

16 março 2006

O Futuro, senhores! O Futuro!

Já tinha visto cintos com displays, mas isto, meus caros é uma novidade.

Vista

Não lhes escapa nada... Vista, o próximo lançamento da engenharia de Redmond, quer tão somente dizer "Various Improvements Similar To Apple's".

15 março 2006

E os adultos, Senhor?

Coisas do Demo

Há dias vi um artista a moldar miniaturas de vidro e achei que era um trabalho insano devido à minúcia exigida. Alguém devia avisá-lo de que a fasquia subiu.

Pai

14 março 2006

A fúria

"Ouça! O senhor não me dá lições, eu sou um técnico!". Haverá lá forma mais positiva de começar uma conversa com um funcionário da Portugal Telecom? Duvido. Duvido disso e da explicação que ele dá a uma das minhas vizinhas. "Não posso ligar-lhe o telefone, a equipa que cá veio não passou o cabo desde a rua até à entrada da sua casa e a senhora vai ter de mandar partir o passeio e ver onde está a obstrução! Eles não conseguiram passar o cabo até à caixa e a senhora vai receber uma factura de um serviço que não foi possível realizar por culpa de terceiros...". Muito bem, estou de acordo, mas o senhor já verificou se a conduta está de facto obstruída? "Não é a minha função, eu já vi centenas de condutas obstruídas, pode acontecer por muitas razões, cimento, pedras, pode até ter sido os tipos do gás que tenham feito asneira...". E o senhor acha, honestamente, que uma conduta com quase dez centímetros de diâmetro possa estar obstruída? "Não sei, se não passaram o cabo, por alguma razão foi. O cabo não passa e está tudo dito?". Para mim, não estava. Peço licença e tiro da mala do meu carro uma bicha metálica. Peço licença e introduzo na boca da conduta a ponta do metal e vou introduzindo ao longo da conduta uns bons metros de uma espiral de aço. Não sinto nenhuma obstrução e já lá vão mais de dez metros. Não se importa de abrir a tampa da caixa para vermos se a bicha já lá chegou? "Não é a minha função, eu não tenho de abrir caixas no passeio..." Muito bem, importa-se de sair de cima dela? Abro a pesada tampa no passeio e é com um sorriso que vejo a ponta espreitar na saída do tubo. "Oh carago! Tenho de telefonar aos meus colegas que cá vieram..."

O Barquinho

Republicação de Crónica de 12/2/2004

"Pedro você tem de me ajudar, estou francamente aflita". Claro que escrever esta frase não espelha o estado de pânico com que a voz era decorada, mas foi isto que ouvi no alta voz do telefone. "Tenho um barquinho aceso no tablier do carro e estou numa fila de trânsito". Recomendei calma e consegui com isso ganhar uns preciosos segundos para tentar descodificar a frase. Um barquinho? Mas o que diabo é que faz um barquinho no tablier do seu carro?! Tentei amenizar a questão, mas quem estava a ficar atrapalhado era eu.

Amenizei demasiado, talvez seja desta chuva persistente que poderá estar a chegar-lhe às portas, o pré aviso do universal dilúvio, sei lá. "É um barquinho vermelho!" Vermelho ainda por cima, obrigado pela indicação, estou quase quase a chegar lá. "DOIS! São dois barquinhos!" Oh Diabo! Dois? "Acabou de acender o segundo!". Se com um barquinho ainda achei que não era nada de sério, com dois achei melhor mandar encostar na berma. Ainda suspirei várias vezes, perguntando a mim mesmo porque estranha razão as mulheres decidem desligar as máquinas de lavar roupa se ouvirem um botão de camisa a bater no tambor mas não páram o carro a não ser que este esteja a arder, mas não vale o esforço, há certas coisas que serão sempre como são. "Pronto, já parei, VAI TU OH FILHO DA PUTA! E agora?", se não foi assim foi parecido, também nestas coisas elas serão sempre como são.

Agora vamos tentar raciocinar os dois e tentar saber o que são os barcos de que me fala. "Desculpe Pedro, este filho da puta não era você." Que alívio, não convém mesmo nada estar a insultar quem nos vai ajudar, principalmente quando o problema envolve barquinhos no tablier de um Clio. E depois vieram os pormenores, aqueles que só elas conseguem juntar a uma história e que nos faz arrepelar os cabelos e pensar na frase cinematográfica do "Just the facts, mom! Just the facts!". Quantas curvas fizeram antes do problema acontecer, o facto de terem aberto a tampa da bagageira para guardar o saco das compras de supermercado, o facto de terem pisado o pedal da embraiagem no momento do acendimento da luz, sei lá, uma autêntica fila indiana de pormenores e detalhes que só elas sabem adicionar a uma história, tudo coisas que não interessam à resolução do problema, mas não vale o esforço, há certas coisas que são como são.

"VAI TU MEU CABRÃO DE MERDA!" Há nestes diálogos imprevistos qualquer coisa que me escapa e daí talvez não. Indago do correcto estacionamento na berma. "Talvez esteja um bocadinho saído". Estar "um bocadinho saído" tem uma tradução instantânea na minha alma de macho: Deve estar no meio da estrada. E estava. "Bah!, Três rodas no alcatrão, o que é que eles querem para me buzinar desta maneira?" Nada minha querida, nada. Voltemos ao barquinho. Roda a chave para a primeira posição. Ouço o motor de arranque a trabalhar. Eu disse a primeira posição, não disse a terceira. "Não me grite, Pedro, não me grite". Não estou a gritar estou a falar, não me apetece gritar, estou demasiado cansado da minha vida para lhe estar a gritar, é mesmo só uma sugestão para tentar perceber o que acontece. Vamos lá, com imensa calma rodar a chave para a primeira posição. O que vê? "Não vejo nada, tenho os vidros todos embaciados...". Ainda há esperança para a raça humana? Para esta espécie pelo menos? Ficaram extintos os dinossauros por muito menos, ao que consta, a estupidez humana também tem os seus limites, ou pelo menos eu atinjo-os com relativa facilidade. Se experimentar não olhar através dos vidros embaciados, o que é que vê? "O barquinho está aceso...". Há coisas que são como são.

Não há barquinhos desenhados em tabliers de Clio, muito menos barcos que se acendam , isso são apenas os cacilheiros em dia de festa e hoje a festa está estragada, pelo menos para mim a julgar pelo que chove e para si, a julgar pela adiantada hora, se a casa conseguir chegar virão os filhos, o cão, a roupa de amanhã e a hora a que o marido não vai chegar, porque partiu uma vez e ainda hoje se espera por ele, pelo menos nos registos dos tribunais de família. Ficou o Clio mais os seus barquinhos, e uma angústia que mais parece o Tejo em dia de borrasca. E uma lista telefónica de nomes de amigos comuns que herdaram o papel de consultores para as horas complicadas ou para as aflições em que aqueles que foram arquivados na categoria "Mecânicos" saltam que nem molas de amortecedor. Há coisas que são como são.

Inspiro uma golfada de SG na secreta e adiada esperança de obter um milagre que me explique o enigma do barquinho. Penso na tua figura de fim de dia, no corpo que já não é o mesmo mas que ainda faz voltar muitas cabeças, na enormidade de dias que já passaram sobre a época em que um batalhão de machos entupiria a 25 de Abril apenas para serem prestáveis e por minutos fazerem o papel que sempre na vida evitaram, o de serem galãs por vinte minutos, ou menos caso algo de extraordinário se precipitasse. Mariana há quanto tempo não muda o óleo? "Oh Pedro faz tempo!". Calo-me. Era inevitável e não evito um desvio soez e torpe do meu raciocínio. Talvez a mente dela não esteja tão prevertida como a minha. Talvez. "Este óleo não mudo faz tempo!", quase leio o sorriso na ponta da frase, o "este" martelado letra a letra, a fina brejereice que nunca usaste. O tempo passa por nós e nós tivemos de optar, não foi Mariana? Levo a mão ao pára brisas para ajudar a desembaciar, mas não é no vidro é na alma. Há coisas que são como são.

Maravilha legislativa

Acho que foi hoje que pela primeira vez que me sentei à mesa de um restaurante dotado dessa maravilha legislativa que são os galheteiros invioláveis. Não pude deixar de reparar nas garrafinhas esteticamente agradáveis, de ar escorreito e industrialmente aceitável. Rodei entre os dedos a garrafa de azeite em busca de informação. Nada de estranho ou notório. Veio a salada, propositadamente pedida sem temperos e decidi-me a violar o galheteiro cuja rolha permanecia por abrir pela primeira vez. Tentei forçar os aparentemente frágeis pontos metálicos da rolha, mas não consegui. Veio o velho Santana em meu auxílio e num gesto rápido, com a mão envolta num pano, rodou a cápsula. Com as duas palmas das mãos na quina da mesa, num gesto que lhe é tão peculiar, piscou-me o olho e disse-me: "Caso queiras azeite de azeitonas, também temos!"

13 março 2006

O piropo

Ela fez entrar o carro na bomba de abastecimento com um chiar seco de pneus e um pouco mais de velocidade do que seria aconselhável. Do Mercedes SLK descapotável, saiu um longuíssimo par de pernas coroadas por uma sugestiva mini-saia que depressa atraiu os maxilares inferiores da população masculina do posto de combustíveis. Uma blusa de algodão semi transparente equilibrava-se à volta de um conjunto de lingerie negra, fortemente insinuante. Não demorou até que os primeiros assobios sibilantes se fizessem ouvir, provocando nela um rubor que levou tempo a desvanecer-se. Quando, desajeitadamente deixou cair das mãos esguias a ponta da mangueira e teve de se baixar para a apanhar, a assistência quase deixou de respirar. Quis chamar-lhe a atenção, mas ela ignorou-me ostensivamente. Levantei um braço enquanto abastecia para que ao meu lado ela me visse e me respondesse. Não surtiu efeito. Atirou com a pistola para o suporte com ar enfadado e resmungou qualquer coisa entre dentes. Reencontrei-a na fila da caixa, eu já resignado à indiferença dela, ela com um olhar fulminante que desencorajava qualquer um de lhe dirigir uma palavra que fosse. Paguei e no caminho de regresso ao carro decidi voltar atrás. Era mais forte de que eu. Eu tinha de lhe dizer... Fui friamente recebido. "O que é que você quer? Nunca viu uma mulher? Estúpidos! É sempre a mesma coisa!". Sorri-lhe. Desisti. Ela ficou sem saber que tinha metido gasóleo num magnífico motor a gasolina. O que é que querem? Somos todos iguais...

11 março 2006

Esta estranha vontade de ser espanhol...

Digam-me que a Senhora Sub-Directora Geral da Saúde não disse isto nestes precisos termos. Digam-me, por favor!

10 março 2006

Civilization clashes

Aqui está um video que TODA a gente devia ver. Quer de um lado, quer de outro...

Gripe das aves

O compadre Armando estava sossegadíssimo no seu monte quando vê o seu patrício Lopes subir a estrada. "O que passa homem que vossemecê vem tão afogueado?". "Ai deixe-me cá compadre Armando. estou mesmo preocupado com a gripe das aves...". "Oh compadre Lopes, vossemecê não se rale, homem, isso é só na Ásia!". "Pois é compadre. logo na parte que eu gosto mais..."

09 março 2006

Um homem como todos os outros

Aprendi, ao longo dos últimos anos a gostar da pessoa de Jorge Sampaio. Porque o conheci em matérias de trabalho, estava ele a chegar à Câmara Municipal de Lisboa, logo apreciei (e agradeci) a sua informalidade e facílimo trato. Numa cerimónia pública, de apresentação de vários projectos camarários, num pavilhão de temperatura escaldante, um ambiente horrível pejado de gente, eu tinha de fazer uma demonstração de um produto que era ainda pouco mais que um projecto inexistente na altura em forma de software, coisa que me muito me constrangia. Ele sabia disso, mas as agendas são compostas por assessores e a entourage camarária pedira-me por tudo que aquilo fosse feito, eram apenas uns minutos. Quando entrou na sala e me cumprimentou, lembrou-se que dois dias antes eu lhe tinha pedido que aquela espécie de encenação para "inglês ver" não fosse feita. Apertou-me a mão e em surdina, sorrindo, disse-me "Isto vão ser apenas dois ou três minutos, faça de conta que o programa funciona, mas acima de tudo eu vou fazer de conta de que percebo alguma coisa do assunto...". Quando, quase um ano mais tarde lhe mandei uma mensagem dizendo que o projecto estava instalado e era, salvo melhor opinião, um êxito, ele parecia estar muito melhor informado. Para todos os efeitos, aquele era um homem nada dado à informática. Reencontrámo-nos, muitos anos mais tarde, no Pavilhão das Nações Unidas da Expo 98 quando percebi que Sampaio se interessara pelas suaves formas de um Mac 20th Anniversary. "Ah, mas este é muito mais bonito! Mas continuo sem saber muito disto, o melhor é serem vocês a mexer...". Foi este homem que me encheu de orgulho quando num debate na CNN, remeteu aos seus tamanquinhos um diplomata indonésio, foi este homem que me fez emocionar quando ele mesmo se emocionava com coisas simples e comezinhas. Como foi o caso das duas crianças em risco de exclusão escolar que há anos Sampaio impediu que fossem afastadas de um percurso educativo dito normal e que hoje são duas profissionais. O homem que mandou calar os manifestantes que à sua janela o aplaudiam, porque era tarde e os vizinhos iam ficar aborrecidos. Ou de uma vez que na estação do Metro da Gare do Oriente, expliquei a um iraniano que ia comigo que no fundo da carruagem, viajava em traje de jogging acompanhado pelo seu filho, o Presidente da República Portuguesa. Um homem como os outros, de quem me orgulho enquanto concidadão.

07 março 2006

Li algures...

Perguntaram ao velho humorista, já este jazia no seu leito de moribundo, "Então meu velho, como vais?" ao que este levantou uma das pálpebras e retorquiu "Sapatos de verniz e fato escuro...".

04 março 2006

Chitchat!

These two friends, were having a chat about their countries. The american argued: "C'mon, we have George W.Bush, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash!". "Yeah, right! We have José Sócrates, no wonder, no hope and no cash..."

03 março 2006

Quenócaute!