Imagem enviada por Christian Alves
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Esta fotografia pertence ao Jornal Público. Foi de lá retirada sem que fosse pedida a devida autorização (mas farei chegar o pedido de utilização). É tão raro ver estas coisas que julgava arredadas há muitos anos das bancadas dos nossos estádios...


E dá-se o extraordinário acaso de hoje ter tido o privilégio de ver a trabalhar dois artistas de dois ramos profissionais distintos, ambos a ver a actividade à beira da extinção: Um calafate e um calceteiro. Ambos, como já escrevi, artistas, ambos com idade suficiente para gozarem já das respectivas reformas. Ao calafate, com quem falo quase todos os dias, não falta nem trabalho nem cansaço; do calceteiro, quase tolhido pela doença, diz que só o faz pelo gozo que ainda lhe dá. E ali fiquei eu, minutos escorridos a fio, a olhar para a arte de correr estopa à força de maço e ferro e ao outro, ao outro o gozo supremo de ouvir dizer "vais partir por ali", martelada firme, os dedos seguros sabe-se lá como, as artroses a querer contrariar a pontaria. E eu ali, a ver vedar um costado, e a ver surgir de um paralelipípedo um, um não, centenas de hexágonos quase perfeitos.


Chegou há dias mas só hoje pude tratar de a publicitar, uma embalagem de Água Benta, cuja rotulagem (distintíssima) aqui reproduzo. Uma vénia ao Carlos Nogueira, qual boticário de serviço a uma multiplicidade de males de fazer inveja ao Doutor Oxley.
Nunca, mas nunca me inscreveria num Mestrado destes! Imaginem que tinha de ir a uma oral com o Tiger Woods...
Sim! É aquela altura do ano em que os utilizadores Mac do Minho se juntam em bandos para a sua migração anual para... mesas mais quentes! O tradicional jantar que já faz parte da lista anual de eventos relativos a este sadio hábito de juntar o frugívoro ao agradável vai realizar-se em Braga no próximo dia 6 de Fevereiro. As inscrições estão abertas e todos os detalhes podem ser encontrados no site da Promais. Vemo-nos por lá!
Quando ontem de manhã olhei para a agenda e percebi que me estava traçado o destino uma refeição a sul, pedi via Twitter algumas recomendações, dado que fazia tempo que não almoçava na região de Vidigueira/Cuba. É verdade que desde Março passado que não visitava Cuba, e a paisagem gastronómica, que está sempre em mutação, poderia surpeender-me e ainda bem que assim pensei. Fiquei positivamente impressionado com a quantidade de réplicas ao meu pedido de pistas para um almoço legitimamente alentejano. Baseados no meu pedido, dúzias de nomes de estabelecimentos foram surgindo na minha timeline e não foi difícil eleger um, principalmente pela localização geográfica e encómios que lhe foram dirigidos. Mas nas minhas agendas há quase sempre lugar ao imprevisto e o dia de hoje não seria excepção. Sucessivos atrasos da logística, um tempo miserável e um carro asmático pesadamente carregado ditaram que os horários fossem sendo torpedeados e que a hora de almoço se aproximasse perigosamente no meio da batalha naval. Isso tudo somado ao facto das instalações do cliente encerrarem por completo durante uma hora, mais a minha posição geográfica na hora da angústia do guarda-redes no momento do penalty fez com que o Grande Arquitecto da Hotelaria me segredasse ao reptiliano "E se fosses mas era almoçar?". Estava em Cuba e foi uma questão de rememorar a lista das referências para esta localidade. Tinha eleito duas para esta hipótese: A Adega da lua e o Lucas. Nesta altura, até o mais desatento dos leitores já percebeu que foi impossível visitar a Adega da Lua (há uma certa fatalidade cósmica que me impele a tentar visitar locais encerrados, principalmente se se tratar de casas de banho ou restaurantes recomendados) e rapidamente se fez a agulha (com um enorme susto automobilístico de permeio). A segunda escolha. O Lucas, veio a revelar-se um enorme erro. Não sendo eu um crítico gastronómico (a prova disso mesmo é que só se usará nesta prosa por uma única vez a palavra "amesendação" e fora do respectivo contexto, ouso colocar-me algumas questões:
Dia cheio, chuva, trabalho e stress. Uma deslocação profissional à Vidigueira, em cuja Escola Profissional, a de Fialho de Almeida, se fez hoje uma instalação de hardware que servirá decerto garbosamente de ferramenta de trabalho para vários dos seus Cursos Profissionais, no caso o de Artes Gráficas, Fotografia e Video, bem como o de Multimédia. Mais do que uma instalação é um prazer ouvir ahhh! e ohhh! de espanto sem que nenhuma máquina esteja ainda ligada. É sempre tempo dos velhos rituais de formação, perceber que no domínio profissional certas escolhas e decisões são tão óbvias quanto bem estudadas. Parabéns à Escola Profissional Fialho de Almeida e aos seus responsáveis e votos de sucesso a todos os formandos.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Imagem Expresso, enviada por Nuno Alexandre
E o ano acabou sem que eu tivesse tido a oportunidade de trazer a este escaparate uma das mais admiráveis Newsletters recebidas em 2009, no caso o da Restaurante Bar Almansor, sito desta feita em Vila Nova de Santo Estêvão. Sendo Al-Manzur, mocinho deveras atreito à espadeirada (levam pelo mesmíssimo preço a indicação de que foi o Rei Mouro que governou a Andaluzia entre 932 e 1002 e que tinha um nome comprido para caraças, que só não foi aproveitado na íntegra para placas de nome de restaurante porque era coisa que não caberia nos frontispícios, Abu Aamir Muhammad Ibn Abdullah Ibn Abi Aamir, Al-Hajib Al-Mansur), dizia eu que sendo o homem dedicado à causa de estripar cristãos e demais malta que lhe aparecesse por diante, deixou escola nos maus-tratos à língua portuguesa, ou isso ou contrataram um copy cristão-copta que deixou marcas de sonho na peça em apreço. A Newsletter está aqui para vossa apreciação e caça à gralha, coisa a que nos poderemos dedicar numa tarde chuvosa, mais a mais que escasseiam por ora os mouros para caçar, e se os há, é de todo politicamente incorrecto fazê-lo. O leitor Jorge Macau, que teve a gentileza de enviar o PDF menciona que nem vale a pena indicar todos os erros, sob pena de ficarmos sem zonas para sombrear, apontou alguns dos quais destaco a ementa natalícia, nomeadamente a "Seia de Natal", coisa pouco própria para a geografia de Santo Estêvão, ou a não menos exótica frase "Dispomos agora de uma carta especifica de take-away, propositadamente diversificada para satisfazer dos gostos mais simples aos mais recatados".