31 outubro 2006
A pauta dos prodígios
Zacarias, Zenóbio, Zulmira e Pedro. Quis o destino, esse malandro valdevinos rei da abencerragem e ao mesmo tempo da abençoada desordenação alfabética, que se viesse esta singular concentração de seres humanos a juntar em tardes de estudo, se entendermos como estudo aquele período de desorientação intestinal que antecede de véspera a data do temido exame escolar, por via de uma insólita turma do ensino secundário, grupo aliás que fazia jus ao cardinal do ensino, para quem o mesmo era absoluta e verdadeiramente secundário.
Quis o destino, e o destino quando quer, marca a hora e espero que esteja já em invernais parâmetros quando não chegará sistematicamente atrasado a muitos compromissos sociais, li algures e é capaz de ser verdade, que estas quatro almas se fundissem (muitas outras houve em que de facto se fundiram) numa só, una e facilmente divisível amálgama de temor e ignorância, quando na pedra da cátedra eram chamados à razão e por vezes à pedra ela mesma. Só perdiam a unicidade quando a pauta liceal os escalava pelo nome próprio, sendo que os últimos são por norma os primeiros e eu, malfadado pê de sua graça, avançava com temor e apagada e vil angústia para as mãos do mestre, amaldiçoando pais e padrinhos que bem podiam ter-me empurrado para as profundezas do alfabeto em vez de me fazer avançar logo ali, a mim, para a frente de batalha. Nem por um só instante me recordaria do exército de Antónios, Anas, Afonsos e Ambrósios que tinham tombado nas pedagógicas linhas antes de mim, eram como que varridos da memória, autênticos soldados desconhecidos das guerras examinadoras.
Lembro-me de haver um Serafim, que também ele para fazer justiça ao seu nome, algures pelo segundo período bateu asas e voou, quem sabe se para parte incerta ou para o céu dos estudantes que também o haverá. Como eram boas as maçãs que o Serafim levava na merenda, desculparás Serafim se te não reconhecer na rua, mas a brincar a brincar já passaram trinta anos, estava aqui capaz de recordar as rosadas cores das maçãs camoesas da tua bem aviada merenda, mas do próprio e das suas borbulhas purulentas da acne juvenil, não conseguiria evocar um só ponto negro que fosse. Lembro-me que da letra éfe para a frente era um deserto de nomes, fossem os Franciscos e os Fredericos chamados, e ali estava eu, de sentidos em alerta, poros inundados de suor temeroso e pouco mais, que o resto era a tentativa de superar a humilhação da prova e nunca, mas nunca, abandonar a sala sem que o trio maravilha que se me seguia conseguisse fazer o mesmo. A Zulmira baixava os olhos na dúvida da resposta, logo os outros se concentravam na questão, tentando mentalmente passar-lhe as informações necessárias, o que por regra nunca acontecia, levei anos a perceber que isso da telepatia (e de muitas outros factos da vidinha) só resulta nos filmes.
O Zenóbio, esse era certinho como destino, fatal como os impostos, sabia sempre tudo (e pouco mais do que isso) o que perguntavam aos outros três, parecia uma maldição, dele mesmo dizia que não tinha sorte, até no nome, Zenóbio, ainda hoje não lhe conheço a origem da nomenclatura, pura preguiça pois claro, que qualquer dia vou "à pregunta" como me dizia o meu avô Joaquim que se safou com toda a certeza a estas escolares agruras por ter apenas a quarta classe e já gozas. Não sei de vocês, Zenóbio, Zacarias e Zulmira. Não sei se sois vivos, se sois mortos, gordos, magros ou a caminho de algum ginásio, se continuais ou não a peregrinação dos últimos a serem chamados a qualquer coisa. Não importa. Não importa mesmo nada. Tudo o que sei é que esta tarde vos imaginei e consequentemente imaginei-nos a todos nós, quando empurrei a vidraça da porta de um sujo e esconso prédio em Lisboa e deparei com uma lustrosa placa negra que tinha inscrito "Zenóglio Oliveira - Advogados". Este também deve ter passado maus bocados e era bonito que o inscrevêssemos no clube dos últimos. Até porque indiscutivelmente deve saber bem o que isso significa...
Quis o destino, e o destino quando quer, marca a hora e espero que esteja já em invernais parâmetros quando não chegará sistematicamente atrasado a muitos compromissos sociais, li algures e é capaz de ser verdade, que estas quatro almas se fundissem (muitas outras houve em que de facto se fundiram) numa só, una e facilmente divisível amálgama de temor e ignorância, quando na pedra da cátedra eram chamados à razão e por vezes à pedra ela mesma. Só perdiam a unicidade quando a pauta liceal os escalava pelo nome próprio, sendo que os últimos são por norma os primeiros e eu, malfadado pê de sua graça, avançava com temor e apagada e vil angústia para as mãos do mestre, amaldiçoando pais e padrinhos que bem podiam ter-me empurrado para as profundezas do alfabeto em vez de me fazer avançar logo ali, a mim, para a frente de batalha. Nem por um só instante me recordaria do exército de Antónios, Anas, Afonsos e Ambrósios que tinham tombado nas pedagógicas linhas antes de mim, eram como que varridos da memória, autênticos soldados desconhecidos das guerras examinadoras.
Lembro-me de haver um Serafim, que também ele para fazer justiça ao seu nome, algures pelo segundo período bateu asas e voou, quem sabe se para parte incerta ou para o céu dos estudantes que também o haverá. Como eram boas as maçãs que o Serafim levava na merenda, desculparás Serafim se te não reconhecer na rua, mas a brincar a brincar já passaram trinta anos, estava aqui capaz de recordar as rosadas cores das maçãs camoesas da tua bem aviada merenda, mas do próprio e das suas borbulhas purulentas da acne juvenil, não conseguiria evocar um só ponto negro que fosse. Lembro-me que da letra éfe para a frente era um deserto de nomes, fossem os Franciscos e os Fredericos chamados, e ali estava eu, de sentidos em alerta, poros inundados de suor temeroso e pouco mais, que o resto era a tentativa de superar a humilhação da prova e nunca, mas nunca, abandonar a sala sem que o trio maravilha que se me seguia conseguisse fazer o mesmo. A Zulmira baixava os olhos na dúvida da resposta, logo os outros se concentravam na questão, tentando mentalmente passar-lhe as informações necessárias, o que por regra nunca acontecia, levei anos a perceber que isso da telepatia (e de muitas outros factos da vidinha) só resulta nos filmes.
O Zenóbio, esse era certinho como destino, fatal como os impostos, sabia sempre tudo (e pouco mais do que isso) o que perguntavam aos outros três, parecia uma maldição, dele mesmo dizia que não tinha sorte, até no nome, Zenóbio, ainda hoje não lhe conheço a origem da nomenclatura, pura preguiça pois claro, que qualquer dia vou "à pregunta" como me dizia o meu avô Joaquim que se safou com toda a certeza a estas escolares agruras por ter apenas a quarta classe e já gozas. Não sei de vocês, Zenóbio, Zacarias e Zulmira. Não sei se sois vivos, se sois mortos, gordos, magros ou a caminho de algum ginásio, se continuais ou não a peregrinação dos últimos a serem chamados a qualquer coisa. Não importa. Não importa mesmo nada. Tudo o que sei é que esta tarde vos imaginei e consequentemente imaginei-nos a todos nós, quando empurrei a vidraça da porta de um sujo e esconso prédio em Lisboa e deparei com uma lustrosa placa negra que tinha inscrito "Zenóglio Oliveira - Advogados". Este também deve ter passado maus bocados e era bonito que o inscrevêssemos no clube dos últimos. Até porque indiscutivelmente deve saber bem o que isso significa...
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Biografia
30 outubro 2006
Informação
Até novas em contrário, os comentários deste blog passaram a ser moderados. Pelo facto peço desculpas mas deriva da actuação de um imbecil que não tem mais que fazer.
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Faits Divers
28 outubro 2006
27 outubro 2006
26 outubro 2006
Correia, C.Correia
Tinha, no meu arquivo de memórias, o trabalho de Z. como uma das profissões mais aborrecidas do mundo. Z., foi até há alguns anos atrás, produtor dos mais maravilhosamente chatas profissões do mundo e arredores e falo do trabalho de análise estatística de tráfego automóvel na extinta Junta Autónoma de Estradas. Os mais velhinhos lembrar-se-ão de umas cabinas brancas que a JAE colocava em diversos pontos, onde um profissional contratado registava em folhas codificadas o trânsito automóvel, isso mesmo contava carros. Sentei-me uma vez junto a ele (operação deveras difícil que Z. era gordo e o banco mal chegava para ele), e pouco mais resisti que alguns minutos à profunda monotonia quando o trânsito que passava nos 80 centímetros de fresta era raro, ou no ritmo alucinante quando tudo se passava à nossa frente em fracções de segundo. Z. estava no meu top pessoal até ontem à tarde. Quando entrei no 42 rumo a Xabregas, o autocarro desoladoramente vazio despertou-me a atenção. Apenas o motorista e um passageiro, numa posição curisosa, de prancheta com formulário quadriculado na mão e um cartão identificador ao peito. "C.Correia, Auditor", rezava o plástico, uma foto enorme onde o Sr.Correia exibia um farfalhudo bigode que já não estava a compor o lábio superior do próprio. Sentado no banco da frente, C.Correia escrevia em cada linha, correspondente a cada paragem, o número de passageiros que entrava a bordo. Achei-lhe graça no zelo com que numa das paragens do Mercedes saltitante, riscou um número na linha errada e fazendo estalar a língua no palato se entreteve a apagar os algarismos, abstraindo-se de tal modo que nunca mais se lembrou da paragem seguinte. "Três" disse-lhe eu em surdina, ao ver o olhar inquiridor a tentar relevar a distracção. Ele fez-me um aceno de cabeça e desenhou um três na folha com ar de quem está a tomar nota do destino do mundo. Telefonarei a Z. mais tarde, apenas para lhe dizer que os risquinhos dele são muito menos poéticos que os números de C.Correia.
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Biografia
24 outubro 2006
Mas é que estou mesmo contente
Amanhã vou ter aulas de PowerPoint! Estou tão contente que até parece que vou estrear cadernos e livros novos no primeiro dia de escola. Mas Deus não dorme e ofereceu-me uma lesão na córnea esquerda que me impede de colocar um dos meus vidrinhos favoritos, a lente de contacto do olho esquerdo. Como me disse Q., se calhar vou ver as pessoas mais bonitas, sem rugas e tal... Não posso guiar, o que é mau, (poder posso, mas aposto que os resultados seriam esteticamente mais agradáveis que exercícios de PowerPoint) e o Grande Arquitecto Universal coloca sempre um bocadinho de equilíbrio em tudo o que dirige. Aquilo que eu ia aprender amanhã, já informei que está feito e segundo a opinião de quem já viu, "está muito bem construído e mesmo espectacular". É, como seria óbvio, feito em Keynote. PowerPoint, o tal produto sem o qual as sociedades modernas não conseguem viver. É desta que vou aprender a colocar anjinhos e florinhas! Preparem-se, o mundo não voltará a ser o mesmo.
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Biografia
22 outubro 2006
I have seen the future...
Parece que foi há muito, muito tempo. Mas não,foi apenas em 1981.
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Apple
21 outubro 2006
Top of the Pops
Pronto, está bem, eu sei, dá um nadinha de mau aspecto e é suspeita e fundadamente narcísico, mas não deixa de ser irónico que no mês em que menos material original foi publicado neste blog, ele chegue ao Top 100 do Blogómetro em duas categorias. Ao septuagésimo quarto lugar no Top 100 da média diária de visitas e ao septuagésimo segundo no número médio de páginas visualizadas. A culpa é dos leitores, tá claro! (Para celebrar a efeméride - e em vez de oferecer um jantar como fez o Botinhas - retirei o "Word verification" dos comentários. Quem é amigo, quem é? Pois, já sei, é o Botinhas...
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Faits Divers
Duque de Bgagança no Goságuio!

Confesso, tenho andado tão enterrado em horários que nada sei da vida social (if any!) do Rosário, a pacata aldeia ribeirinha onde moro. Agora, é imperdoável não ter dado pela presença de duas ilustres e mediáticas figuras neste cantinho do Tejo... Carvalho Rodrigues, já um habitué do Clube Naval da Moita, por via da aquisição que fez de uma canoa do Tejo e o sempiterno candidato ao trono de Portugal e Algarves, D.Duarte de Bragança que participaram na regata Moita-Vila Franca levada a efeito há alguns dias. Já tive o prazer de participar numa regata destas, fazendo de lastro numa canoa habilmente regida por Mestre Jaime Costa, mas sem figuras de jetset, o que efectivamente dá outra "cor" ao vernáculo... (Sua Alteza desculpará, mas tirar-me-ia o barquito da frente antes que que lhe desfaça a quilha?) Fica-me uma dúvida e peço aos leitores que eventualmente sejam sabedores destas coisas de simbologia monárquica: Que raio de bandeira é aquela no mastro? A fotografia foi gentilmente cedida por Fábio Domingos.
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Faits Divers
Live at the Hollywood Bowl
Deve haver poucos amigos meus a quem eu não tenha tentado convencer a ver o espectáculo "Monty Phyton Live at The Hollywood Bowl", que durante alguns anos esteve disponível em VHS em alguns clubes de video. Alguns conseguiram alugar a cassete, outros tiveram de me gramar a descrição e a récita do texto de um sketch, The Penultimate Supper, cujo texto sei na íntegra e que considero um dos melhores, se não mesmo o melhor sketch de sempre dos Monty. Finalmente apareceu no You Tube!
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Faits Divers
Spamalot - The show that goes like this
Via "Há vida em Markl", acabei de saber que já existe pelo menos uma razão para ir a Londres. Estreou o SPAMALOT, um dos musicais do ano da Broadway. Para quem se "baba" por Monty Phyton, e para quem o disco "Spamalot-The Original Broadway Show" não serve senão para fazer crescer água na boca, eis um bom pretexto para gastar umas notitas. Este disco (e o espectáculo, bem entendido), contém pelo menos três faixas monumentais. "Diva's Lament" que mesmo depois de já o ter ouvido umas quinhentas vezes me continua a fazer rir, "The song that goes like this" e "You won't succeed on Broadway if you don't have any jews". O Diva's lament (numa lip syncing de uma fã) pode ser ouvido já aqui em baixo.
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Faits Divers
20 outubro 2006
Legendas
Tenho andado a ver alguns episódios da série CSI Las Vegas que perdi nos últimos meses por incompatibilidade de agenda. Tratam-se de ficheiros AVI devidamente pirateados, embora com uma qualidade gráfica absolutamente fora do comum. Há anos que recorro a este método para recuperar episódios que não consegui ver e embora estas piratices venham acompanhadas de ficheiros de legendagem, nunca recorri aos mesmos por ser fluente em língua inglesa. Mas há sempre uma primeira vez para tudo. Há dias, num meio de transporte absolutamente ruidoso, e porque a máquina a que recorri não tem um som por aí além, que fosse capaz de se sobrepor ao som ambiente, tive de recorrer aos tais ficheiros. Experiência inolvidável porque a qualidade da tradução é absurdamente má, mas tão má mesmo, que o espectador se ri à gargalhada do resultado e deixa por completo de conseguir seguir o enredo... Deixo alguns exemplos desta tradução que foi com toda a certeza feita num motor automático de traduções. Na primeira linha encontrarão o original, na linha seguinte a tradução:
"You're free to go"
"É grátis de ir"
"You answered promptly to my page"
"Respondeu depressa à minha página"
"You're free to go"
"É grátis de ir"
"You answered promptly to my page"
"Respondeu depressa à minha página"
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Faits Divers
Quem tem farelos
O cidadão Pedro Aniceto foi hoje amigavelmente advertido pelas autoridades policiais de que estava a cometer uma ilicitude punível com a coima mínima de cinquenta euros, enquanto esfarelava uma bolacha Maria entre os dedos em plena Praça da Figueira, atraindo um consideravelmente grande bando de pombos que aproveitava o maná. O simpático síndico que amigavelmente se lhe dirigiu de sorriso nos lábios, quem sabe envergonhado pela abordagem que me fazia, avisou o desprevenido e quem sabe incauto cidadão Aniceto que estava proibida a alimentação de pombos na via pública. Pediu-lhe o cidadão humildemente que lhe relevasse a falta entre sorrisos forçados de ambos, enquanto a metade da bolacha entre os dedos se acabava de esfarelar já que não me pareceu correcto oferecer ao sindíco uma metade de Maria. Ficámos no entanto amigos, penso eu. À volta, as putas idosas da Praça da Figueira continuavam o seu negócio e um velho de bengala em riste encolhia os ombros e se me dirigia dizendo "São uns malandros! São uns malandros!" enquanto escarrava sonoramente nas lajes da praça. É muito engraçado ser-se um lisboeta.
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Cidadania
19 outubro 2006
The blind's dog
“Os Mac são cada vez mais reconhecidos como a ferramenta ideal para a criação de música”, disse Nuno Oliveira, director de marketing da Apple IMC Portugal".
Extraordinário!
Extraordinário!
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Apple
Holly smoke!

A maior parte das pessoas que me conhece saberá que eu sou, profissionalmente, um informático. É certo que eu tento separar as águas no que a este blog diz respeito e não enveredar por caminhos relativos à informática, porque aqui são meras reflexões de um cão com as ditas. Mas alturas há em que decidimos quebrar regras pela invulgaridade de algumas situações que podem muito bem ter interesse para os dois mundos, o pessoal e o profissional. Atentem bem na descrição técnica desta Fritadeira Tefal e digam-lá se os fritos daqui saídos não serão um manjar tecnológico de primeira apanha. Obrigado ao Miguel Arroz por me ter feito chegar a mais avançada fritadeira que eu jamais conheci. (Clique na imagem para a ver em tamanho decente)
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Faits Divers
18 outubro 2006
Um dia na vida de um Formador
Se há assunto interessante e inesgotável na vida de um ser humano, é a engenharia social de sedimentação das relações de grupo. Conheço-as e dedico-lhes alguma atenção faz muito tempo porque me fascinam as ambientações de indivíduos dentro de um grupo recém formado. As lutas pelo protagonismo, as cedências dos não necessariamente mais fracos mas mais sábios, os movimentos de aliança em torno de um líder, natural ou imposto. Hoje, no papel de formador que me coube, vi pela primeira vez um jogador da minha própria equipa, em cenário virtual de um "estudo caso", atacar os seus próprios membros de cenário perante uma plateia de críticos. Pedi um "time out" e desmontei o personagem a pretexto de um estudo pedagógico sobre o incidente. Não foi bonito de se ver, e a boca soube-me de novo ao sangue de um cenário não virtual. Já tinha saudades.
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Biografia
Um tiro nos cornos
"Um tiro nos cornos, eu dou-lhe um tiro nos cornos!". O homem que vestia um uniforme castanho estava ali à minha frente, perfeitamente fora de si, olhar intenso, como se fora eu o alvo, ou ele estivesse francamente interessado em acertar com precisão "nos cornos" de quem quer que fosse. Não era obviamente à minha pessoa que a raiva dele queria atingir, claro que não era, não o conheço de lado nenhum a não ser dali, do guichet de onde ele por norma espreita e diz "Boa tarde" a quem lhe diz "Boa tarde" como eu tinha agorinha mesmo acabado de fazer. "O senhor desculpe, não é a si que quero dar um tiro nos cornos...", mais me descansa, lá fora chove torrencialmente e nunca fui de correr no molhado, capaz de partir uma perna ou ainda mais prosaicamente os próprios cornos. "É a minha filha, sabe?" Não, não sei, mas aposto que me vais contar mesmo ainda antes de eu dizer ao que venho. "Pôs os cornos ao marido". É pena, alguém um dia acaba por tomar a iniciativa senão em actos, pelo menos em palavras ou não estivessem os tribunais carregadinhos de omissões. Mea culpa que não perguntei, que nem era preciso, de não ter a curiosidade mórbida de saber quem é quem na história do tiro. "Ele deixava-a andar à balda, sabe? Foi bem feito!". Lição número um, os pais não devem deixar os filhos (ou as filhas) "andar à balda" porque se arriscam a querer matar pessoas com um tiro "nos cornos". "E agora ele quer-lhe ficar com a casa, com o carro e com os móveis!". Não sei e nunca saberei, muito menos os caros leitores que tiveram a desdita de acompanhar esta saga desde o início, a não ser que tenham começado pelo meio, pela parte mais sumarenta e ao mesmo tempo mais rija que é exactamente o corno, porque razão os móveis virão em último lugar do elenco, mas é previsível, quem sabe o caruncho já os atingiu, os minou, tão certinho é como eu estar cheio de pressa para falar com o senhor Z. e sem tempo para escutar o drama de quem quer atingir os "cornos" de outro alguém a quem um dia chamou, aposto, querido genro, uma jóia de moço pois então. Mas é dos livros, ele deixou-a "andar à balda", que é como quem diz "à babugem", a respaldar-se na espuma dos dias, nas frestas do tempo, e saberá Deus em quantos milhares mais de lugares comuns, que sim, é nos lugares mais comuns que começam as grandes traições. "Ah, mas eu dou-lhe um tiro nos cornos!". Seja. Se isso for suficiente para eu falar com Z. que me espera às cinco da tarde, despache lá o assunto, sempre é um só tiro, e como é só um, ainda lhe sobrará um corno, um chavelho, uma haste. Que é muito bem capaz de lhe vir a fazer falta quando precisar de uma alavanca para levantar o móvel da sala, "que só esse me custou quase quinhentos contos". Pelo preço, deve ser boa a madeira. Rija como cornos.
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Biografia
16 outubro 2006
Cada um com os seus problemas
Fim de tarde. Um ginecologista aguarda sua última paciente que não chega. Depois de 45 minutos, supõe que já não vem e resolve tomar um Gin tónico para relaxar antes de voltar para casa. Instala-se confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha... É a paciente que chega e com os olhos cheios de lágrimas, pede desculpas pelo atraso. O dia tinha sido difícil.
- Não tem importância - responde o médico. Olhe, eu estava a tomar um Gin tónico enquanto esperava. Quer um também?
- Aceito com prazer - diz a paciente.
Ele serve-lhe um copo, senta-se na sua frente e começam a conversar.De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório. O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- É a minha mulher! Rápido, tire a roupa e abra as pernas...!
- Não tem importância - responde o médico. Olhe, eu estava a tomar um Gin tónico enquanto esperava. Quer um também?
- Aceito com prazer - diz a paciente.
Ele serve-lhe um copo, senta-se na sua frente e começam a conversar.De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório. O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- É a minha mulher! Rápido, tire a roupa e abra as pernas...!
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Faits Divers
15 outubro 2006
À abordagem

Penso ter sido a primeira vez que um fornecedor, cliente, ou mesmo um amigo meu que eu tenha ido esperar a qualquer lado chegou a Lisboa a bordo de um navio de cruzeiro... Neste caso não é completamente inusitado, já que G., um excêntrico "headhunter" grego, tem múltiplas relações e contactos com companhias de pavilhão helénico arvorado e não é a primeira vez que recebo encomendas da mão de capitães de diversas nacionalidades. Mas não é de G. que quero falar, mas sim do facto de devido a um lapso de meridiano e conversas transviadas de "time zone" eu ter chegado à doca do Jardim do Tabaco quase uma hora adiantado. Aproveitei para apreciar a fauna do cais, composta na sua larguíssima maioria por angariadores de circuitos turísticos, motoristas de táxi à espera de um bom "tour" durante a escala, diversificados funcionários de várias companhias de "handling" e manutenção ou dos inefáveis e omnipresentes vendedores de toalhas bordadas que pareces estes últimos perseguir-me por toda a Lisboa desde a minha infância. Aproveitei um recanto da esplanada para me sentar e colocar em dia algumas pequenas tarefas que tinham sobrado de véspera, pequenos "to do" amarfanhados em Post It à mistura com números de telefone anotados nos papéis mais inverosímeis. Os leitores saberão do que falo e caso não saibam o interior das vossas carteiras deve estar um mimo... Deixei para o fim uma operação que há alguns dias esperava ser cumprida, o "pairing" de um telefone com Bluetooth a um computador que nunca tinha tido essa minha atenção. Assim que o Bluetooth do computador ficou operacional, mesmo ainda antes de começar o acasalamento, vi o meu desktop invadido por inúmeros pedidos de ligação da parte de outros equipamentos. É raro fazer estas operações de "pairing" fora de casa e fui aceitando a maioria dos envios que me estavam a fazer. Rapidamente me apercebi que a maioria dos ficheiros recebidos tinham índole sexual, sendo na sua maioria de índole homossexual...
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Apple
14 outubro 2006
Áitéque
Olhei e vi, claramente visto, não o lume santo, mas o programa do curso que estou a frequentar. O módulo desta semana comporta seis horas de Novas Tecnologias. Senti-me tentadíssimo a pedir escusa do mesmo. Com grande pena, vi recusada a pretensão uma vez que, e cito, "Você não pode falhar uma coisa tão basilar como a construção de um PowerPoint, que vai ser um software importantíssimo para a sua formação".
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Apple
Não brincamos em serviço

Quando um dos catamarãs da Soflusa atraca nos pontões de acostagem do Terreiro do Paço, não é novidade que o pessoal de bordo, depois da saída dos passageiros se dirija a vários locais afim de prover necessidades várias. E nem falo das fisiológicas que para essas dispoem estes barcos de instalações sanitárias dedicadas aos funcionários. Falo de um pequeno contentor onde existe uma máquina dispensadora de água, ou do rápido cigarro aspirado junto ao varandim dos pontões que têm inclusivamente nomes de baptismo náutico como se fossem eles próprios barcos sempre amarrados à barra da saia de Lisboa. O que hoje vi, e que me fez rir com gosto, foram três apressados marinheiros de cana de pesca em punho, já devidamente aparelhada a fazer lançamentos durante o curto espaço de tempo em que o navio está acostado. Apreciei a cena, talvez demasiado ostensivamente, já que um deles, deve ter desconfiado do meu ar divertido e se afastou, desengatando o estralho, guardando o chumbo e anzol num dos bolsos, fazendo repousar a cana junto ao portaló.
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Biografia
13 outubro 2006
Sentados sobre uma mina
Inúmeras vezes me interroguei das razões porque em Portugal se não consideram as hipóteses de recuperação e musealização de algum património arqueológico que jaz, identificado e conhecido, no fundo dos leitos de rios como o Arade, ou na costa portuguesa (os meus tão estimados U-Boat). Hoje, ao ver este T34 alemão a ser retirado do fundo de um pântano, coloquei as questões uma vez mais...
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Cidadania
11 outubro 2006
Aerograma
Mueda, 10 de Março de 1972
Meu amor,
Hoje morreu o Rivelino. Disseram que morreu.
É irremediável, mas queria falar disto a alguém.
Sabes? Quando morre alguém nós ficamos um pouco mais sós. Por isso te escrevo, um dia quando te conhecer, quando nos amarmos e quando eu precisar de dizer isto outra vez a alguém, entrego-te este aerograma, para me fazeres companhia.
Aqui, onde estou, a meio mundo de ti e a meia vida de te conhecer, há uma guerra e todos os dias morre alguém, é como se deus fizesse connosco o que eu estou a fazer agora com aquelas latas de cerveja alinhadas na vedação. Hoje a lata em que deus acertou chama-se Rivelino e eu precisava de chorar um pouco.
...
De vez em quando interrompo este aerograma e dou um tiro numa lata de cerveja e não vejo que prazer pode dar isso. É por pura curiosidade que o faço, para ver o que pode ter sentido deus quando o Rivelino morreu.
Falhei. Não é fácil acertar numa lata de cerveja com uma G3 a esta distância. Se aquela lata fosse o Rivelino, eu hoje talvez não tivesse chorado, talvez não estivesse a escrever este aerograma e talvez não te viesse um dia a conhecer. Mas o Rivelino morreu e eu sinto que é imperioso não deixar que isso passe em vão.
Aponto de novo a G3 e a lata aguarda ao longe que a minha pontaria volte a falhar. Eu enchi as latas de areia e quando lhes acerto em cheio elas explodem.
...
Será por isso que dizem que deus pôs uma alma dentro de nós, será que é para ela explodir quando morremos para ser mais divertido?
Excertos do artigo "Aerograma", publicado no Jornal ELO (Associação dos Deficientes das Forças Armadas)
Meu amor,
Hoje morreu o Rivelino. Disseram que morreu.
É irremediável, mas queria falar disto a alguém.
Sabes? Quando morre alguém nós ficamos um pouco mais sós. Por isso te escrevo, um dia quando te conhecer, quando nos amarmos e quando eu precisar de dizer isto outra vez a alguém, entrego-te este aerograma, para me fazeres companhia.
Aqui, onde estou, a meio mundo de ti e a meia vida de te conhecer, há uma guerra e todos os dias morre alguém, é como se deus fizesse connosco o que eu estou a fazer agora com aquelas latas de cerveja alinhadas na vedação. Hoje a lata em que deus acertou chama-se Rivelino e eu precisava de chorar um pouco.
...
De vez em quando interrompo este aerograma e dou um tiro numa lata de cerveja e não vejo que prazer pode dar isso. É por pura curiosidade que o faço, para ver o que pode ter sentido deus quando o Rivelino morreu.
Falhei. Não é fácil acertar numa lata de cerveja com uma G3 a esta distância. Se aquela lata fosse o Rivelino, eu hoje talvez não tivesse chorado, talvez não estivesse a escrever este aerograma e talvez não te viesse um dia a conhecer. Mas o Rivelino morreu e eu sinto que é imperioso não deixar que isso passe em vão.
Aponto de novo a G3 e a lata aguarda ao longe que a minha pontaria volte a falhar. Eu enchi as latas de areia e quando lhes acerto em cheio elas explodem.
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Será por isso que dizem que deus pôs uma alma dentro de nós, será que é para ela explodir quando morremos para ser mais divertido?
Excertos do artigo "Aerograma", publicado no Jornal ELO (Associação dos Deficientes das Forças Armadas)
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Faits Divers
Génios da humanidade
Quem terá sido o génio do Design que planeou, concebeu e conseguiu que fossem fabricados os abrigos de passageiros para pontos de paragem de autocarros urbanos que têm a singularidade de terem tectos e paredes concebidos em vidros transparentes que potenciam o efeito do calor que lhes bate de chapa? Mas serei eu que sou demasiado exigente e que consigo constatar coisas que mais ninguém consegue? (Ou é por ser careca?) Tenho de meditar nisto, mas só depois de comprar uma embalagem de lenços de papel para limpar a transpiração da testa...
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Biografia
10 outubro 2006
As vindimas

Eu sei, porque é público, que Bento XVI é apreciador de Vinho do Porto, mas daí a vê-lo nas vindimas vai um enorme passo...
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Faits Divers
08 outubro 2006
Verde, que te quero verde
É ao percorrer as instalações de um Ministério, fora do horário de expediente normal, que percebemos como é complexa a tarefa de manter reluzentes os vidros, resplandescentes os corredores e aspiradíssimas as alcatifas do espaço. As equipas de funcionárias de uma conhecida empresa de limpezas, avançam numa enorme quantidade de batas azuis, com o objectivo de cumprir as respectivas missões. Procurava eu um contentor de separação de lixos para depositar algumas garrafas de água e copos vazios, restos da tardia reunião, quando percebi que estavam sendo despejados respectivos compartimentos. A separação de lixo faz-se, as pessoas depositam papel, plástico e vidro nos respectivos locais. O enorme saco de plástico negro que a funcionária empunha é que não mente. Criteriosamente, as três divisórias são despejadas no mesmo saco. Para meu contentamento não se tratava do Ministério do Ambiente...
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Cidadania
Come in, Kirk!
Dia vinte e muitos deste mês tenho de apresentar o trabalho final do Curso de Formação de Formadores que actualmente estou a frequentar no IEFP. Dado que elevei (quem sabe se demasiado) a fasquia com a primeira apresentação que recebeu o baptismo de "O Barquinho" (Ou como iniciar a contrafacção de têxteis chineses), uma fábula contada a adultos a fazer de conta que são crianças, obra que esteve em cartaz durante doze minutos com assinaláveis resultados, estou aberto a sugestões temáticas. Podem sugerir o que quiserem, uma vez que estou absolutamente aberto a fugir a assuntos do domínio profissional.
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Faits Divers
Cartas de amor
Querido Blogger:
Tu devolves-me as fotografias, eu devolvo-te as cartas (a única que me escreveste, por sinal...) Estou quase a voltar para casa da mãezinha Wordpress, estando tudo acabado entre nós...
Durante algum tempo achei estranho que o Nuno Markl tivesse tantas queixas do funcionamento da plataforma Blogger. Começo a perceber-lhe as razões. De um dia para o outro metade das imagens deste blog desapareceram e as poucas que não desapareceram viram o seu nome alterado nos links, causando a sua não exibição. Até ao restabelecimento (que terá de ser manual) peço a compreensão dos leitores.
Tu devolves-me as fotografias, eu devolvo-te as cartas (a única que me escreveste, por sinal...) Estou quase a voltar para casa da mãezinha Wordpress, estando tudo acabado entre nós...
Durante algum tempo achei estranho que o Nuno Markl tivesse tantas queixas do funcionamento da plataforma Blogger. Começo a perceber-lhe as razões. De um dia para o outro metade das imagens deste blog desapareceram e as poucas que não desapareceram viram o seu nome alterado nos links, causando a sua não exibição. Até ao restabelecimento (que terá de ser manual) peço a compreensão dos leitores.
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Faits Divers
07 outubro 2006
Próxima estación: Esperanza
Dez reis de gente ia escorregando pelo vidro gorduroso, tentando acompanhar, contando, as mortiças luzes do túnel. Vergado à velocidade da composição, dez reis de gente desistiu da compita, disparando números à toa, sem qualquer sequência. "Vinte e dois, trinta e nove, quarenta e seis, doze, quinze, trinta e um". A lenga lenga só foi interrompida pelo som da instalação sonora que anunciou no habitual timbre feminino "...próxima estação: Martim Moniz". "Pai, quem foi Martim Moniz?". O pai olhou para a mãe, a mãe interrogou os olhos do pai e na luz dos olhos de ambos eu li um enorme vazio. Ia meter-me neste assunto, eu juro que ia, verdade verdadinha, morra quem se negue a acreditar, mas o pai fez um esforço e eu não tive coragem de o desmentir à frente do dez reis de gente. "Filho, Martim Moniz foi um guerreiro que morreu aqui nas lutas contra os romanos...". "Aqui, no Metro, pai? Os romanos já tinham Metro?"
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Biografia
06 outubro 2006
Ménage à trois

"Pá, pois isto não foi fácil... A primeira gaja despachei-a num instante. A segunda gaja ainda a aviei sozinho, agora para a terceira já precisei de ajuda de uns amigos..."
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Faits Divers
Teicocil
Tem nome de medicamento mas não o é, é uma empresa de produtos de ferragem para móveis, portas e armários. Apresentei-lhes hoje uma reclamação sobre um manípulo de porta defeituoso e em cuja identificação tive alguns problemas no que diz respeito à referência. Depois de uma troca de impressões surrealista sobre prazos de garantia, com a minha interlocutora a ter alguns problemas em entender que todos os produtos possuem uma garantia, independentemente de serem parafusos ou fechaduras tecnicamente complexas, recorri à página web da empresa para obter os contactos de email. Fiz o email para três endereços, dois deles devolveram por falta de Host. Recorri de novo ao telefone e pedi a outra funcionária o correcto endereço electrónico. "O melhor é passar-lhe ao meu colega que está na Internet". Assim foi. Foi-me fornecido um endereço genérico cujo domínio não é o da empresa. Pouco me importa. O que eu acho verdadeiramente extraordinário é que a Teicocil exibe na sua homepage uma certificação ISO 9001.
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Biografia
05 outubro 2006
04 outubro 2006
Sparks and Fireworks
A minha lista de "bookmarked sites" começa a ser maior do que a minha capacidade de visita. Mas sempre que me sobram uns minutos (ou em que ganho a coragem de os roubar a outras tarefas), lá vou cumprindo o rol. A maior parte é uma decepção ou não me apela aos sentidos. Não é, em definitivo, o caso deste.
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Faits Divers
Há, mas são verdes
"Bom dia, queria vinte folhas A3 brancas". Não vendemos, só uma resma de quinhentas. De há dois dias a esta parte (é tão engraçada esta expressão, não é?) que ando a ter este diálogo sui generis. Já corri todas as grandes papelarias da Baixa de Lisboa, (muitas das pequenas, também) e parece ser mais fácil encontrar um dealer de cocaína (interrompi, sem querer uma transacção de legalidade duvidosa numa das lojas que visitei...) do que comprar umas reles vinte folhas A3. Pressionado pelo tempo e pela necessidade, passei a incluir nos meus roteiros de busca, as casas de fotocópias, locais que pareciam à partida ter um enorme potencial para alcançar o desiderato (Lembrem-se para vos contar um dia destes a maravilhosa história do Senhor Desiderato). Sem sucesso. As folhas estão ali, como que a abanar-se e a sorrir para mim, mas ninguém as quer vender, parece que um tipo não pode chegar lá e dizer "Eu quero comprar" sem ter de ouvir um "Ah, não vendemos". A última casa de fotocópias que visitei tinha ao balcão um mocinho com um ar ligeiramente alienado. Segundo percebi, era mesmo o gerente do espaço, e foi com ele que entabulei mais um dos meus diálogos previsíveis. "Bom dia, queria vinte folhas A3 brancas". "Não vendemos folhas, só tiramos fotocópias". Muito bem, retorqui, importa-se de tirar vinte cópias de uma folha A3 branca?. "Sim senhor, mas vai querer fotocópias em branco?". Eu querer não quero, mas preciso das folhas A3 brancas. "Ah, pois, percebo...". Pensei que tivesse sido o suficiente para o fazer ver a luz. Infelizmente a única luz que vi foi o clarão da lâmpada da máquina quando ele premiu o dois e o zero no comando da fotocopiadora e a máquina começou placidamente a vomitar papel branco.
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Biografia
03 outubro 2006
E não se pode exterminá-los?

Maus profissionais há em todo o lado, estamos carecas de o saber. Mas porra (isto hoje não está a ser um dia fácil, pardon my french) mas há coisas que tiram um analfabeto do sério, principalmente quando se é confrontado com algo que o cidadão comum com a quarta classe tirada a prestações consegue deduzir em 10 segundos... Anteontem, sem nenhuma pompa e circunstância (a vergonha impede certos excessos) foi inaugurada a passagem pedonal de acesso à estação Sul e Sueste e consequentemente ao terminal de barcos da Soflusa no Terreiro do Paço. Passei lá de fugida na noite da inauguração, entrando por um dos extremos que está situado mesmo em frente às instalações da antiga Bolsa de Valores. Quando desci e vi o aspecto reluzente do revestimento total de chão e paredes em mármore polido cheguei a pensar para com os meus botões que aquele piso era demasiado perigoso quando molhado. Não liguei muito ao assunto dada a pressa que tinha. Hoje, depois de uma valente carga de água à qual fugia a bom fugir desci a escadaria a correr, para me estatelar de imediato ao terceiro degrau, felizmente sem quaisquer consequências. Quando recuperei a dignidade e regressei à posição natural olhei à minha volta e mentalmente enumerei meia dúzia de impropérios. Os degraus tinham uma película generosa de água em cima e a tira anti-derrapante de nada serve porque os degraus estão mal assentes, têm a inclinação para dentro em vez de possuir um desnível para a face aberta (eu não sou arquitecto, mas sei cair como ninguém...). Quando abanei a cabeça em plena desaprovação, um segurança abordou-me dizendo "Não queira saber quantas pessoas já cairam aqui hoje...". Deduzo que sim, o local deve ser atravessado por centenas de milhares de pessoas todos os dias. "Tenha cuidado quando começar a atravessar, encoste-se à parede do lado esquerdo que é o único sítio onde se pode passar sem cair". Assim fiz, mas eu juro que vou saber o nome do inteligente que desenhou 60 metros de corredor com um escoamento mais pequeno do que a minha churrasqueira no jardim. Que designou mármore polido para revestimento de chão de altíssimo tráfego. E peço aos céus que não seja o mesmo licenciado em arquitectura que solucionou o problema do isolamento da água do Tejo nos túneis.
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Biografia
What's the buzz? (Tell me again)
Impõe-se uma correcção ao post anterior (What's the buzz? Tell me what's a-happening). Já é a segunda vez que cometo uma imprecisão nos links do Brenda Stardom Report e quero, além de corrigir, pedir desculpa à Brenda pelo lapso. Assim, o link correcto para o What's the Buzz? é este. (Sorry Brenda, I only kept a few mental notes about the post and I completely forgot about the article URL...). Se querem uma visão desapaixonada sobre o país, escrita por um punho estrangeiro, não deixem de visitar o BS Report com frequência.
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Faits Divers
02 outubro 2006
Schooldaze
Começo hoje uma tarefa a que me auto-obriguei, a de me certificar profissionalmente ao nível da formação. O famosíssimo CAP. Apesar de só hoje se iniciar um mês de Outubro que só deixa mesmo tempo para dormir, dedicarei esta certificação a um imbecil a quem há anos pedi 45 minutos por dia para a deslocação, e que me negou esse tempo porque "isso prejudica a empresa". Esta é para ti, meu atrasado mental. No que estiver ao meu alcance não me esquecerei de te prejudicar em tudo que o possa.
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Biografia
Dependências
Um erro estúpido (no caso de alguém conhecer erros inteligentes, avise-me por favor) num disco de backup fez com que hoje não tenha acesso às minhas bases de dados. Sou tão dependente delas que qualquer operação simples como um telefonema, um fax ou um simples email, acaba por transformar-se num momento de frustração e num impropério exclamativo a relembrar-me que este disco já devia ter ido para o lixo faz tempo... Em tempos, e para evitar este tipo de situação imbecil, tinha pensado em migrar toda a minha informação para um SmartPhone, coisa que acabou por não acontecer por questões financeiras. We shall overcome.
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Biografia
01 outubro 2006
Houseware
Há marcas que nos deixam sulcos profundos, seja porque trabalhámos com elas ou porque de um ponto de vista emocional "mexem" connosco. Tenho vários exemplos, sendo o maior o grupo Hyundai, um gigante coreano que fabrica uma panóplia impressionante de produtos, que vão desde tintas e vernizes a pianos de cauda ou empilhadores. Hoje, quando me disseram "comprei uma varinha mágica", perguntei a marca. "Amstrad, deve ser chinesa...". Não é, é inglesa e já vi de tudo desta gente, de amplificadores e gira-discos, a bicicletas, telefones de video conferência a varinhas mágicas...
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Apito Dourado
"O ouro apreendido durante o processo Apito Dourado afinal é falso". Não comento porque estou a rir-me e tenho algum medo de morrer sufocado...
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Faits Divers
What's the buzz? (Tell me what's a-happening)
Sou leitor regular do Brenda Stardom Report (Greetings, Brenda!) e há coisas sobre as quais esta mulher fala que me fazem perguntar em que planeta é que tenho andado nos últimos dias. Pois no seu último report ela fala de um produto da área da "segurança" (já distribuído em Portugal) que com a emissão de um ruído ultra-sónico, afasta teenagers de certos espaços comerciais. Iam-me saltando as lentes quando percebi o funcionamento básico do sistema, que só é perceptível por ouvidos jovens, já que à medida que envelhecemos o ouvido humano vai perdendo capacidade de escutar certas frequências. A ler (e a reflectir) neste post do Brenda Stardom Report
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