"Tomem bem conta dela" disse-me o chefe de equipa à despedida do Serviço de Urgência do Hospital de Tomar. Agradeci o cuidado, apesar de apenas minutos antes quase ter perdido a paciência numa discussão estúpida sobre o teor de análises sanguíneas. Apenas quis dissipar os meus receios mais profundos quando lhe perguntei se achava razoável que a paciente fizesse duzentos quilómetros rumo a Lisboa, sentada ao meu lado num simples automóvel de passageiros. "Não vejo problemas nisso, é apenas uma situação de trauma, doloroso mas apenas um trauma" disse-me ele. A viagem fez-se, com inúmeras queixas da paciência da paciente. Dores, muitas dores.
Quando hoje uma equipa de Ortopedia de um outro hospital me chamou a uma das paredes do serviço para me explicar uma radiografia, a minha fúria ia-me fazendo perder a razão. "Veja, há três vértebras fracturadas: D5, D6 e D7".
Dr. Francisco Santos, da próxima vez que disser ao familiar de um paciente que os meios de diagnóstico que usou são apenas "gastar dinheiro ao Estado", pense em quanto custa a esse mesmo Estado ter um incompetente como Chefe de Serviço. Vou querer a sua cabeça, Dr. e não é para um TAC.
31 outubro 2007
Back on the chain gang
Fazia tempo que não me tocava uma corrente bloguística... Veio do Bilhas a peregrina ideia de me incluir na sua lista e despachemos isto que é uma pressa. A ideia é pegar no livro mais próximo (não vale ir à procura), abri-lo na página 161, procurar a quinta frase completa e publicá-la no blog. Terminar com uma lista de cinco blogs que venham, espera-se, a fazer o mesmo.
O livro mais próximo é "História do Direito Português (1140-1495)" de Marcello Caetano, tem a página 161 (podia não ter e não sei bem o que faria se isso acontecesse...) e a mesma reza "O grande proprietário tinha sob o seu patrocínio toda uma população de escravos, colonos, clientes livres... sobre os quais exercia o poder de polícia e de jurisdição, quer de direito (no caso dos escravos) quer de facto (nos outros casos).
A minha lista de vítimas para cuscarmos o que andam a ler (*), é a seguinte: Jonasnuts,Instante fatal, Mas certamente que sim!, A página do Mário e o Little Boots.
(*) Apesar de o livro "História do Direito Português" ser o livro mais próximo, manda a decência que deixe aqui lavrado que ele apenas servia de peso a uma colagem de um envelope mais renitente...
O livro mais próximo é "História do Direito Português (1140-1495)" de Marcello Caetano, tem a página 161 (podia não ter e não sei bem o que faria se isso acontecesse...) e a mesma reza "O grande proprietário tinha sob o seu patrocínio toda uma população de escravos, colonos, clientes livres... sobre os quais exercia o poder de polícia e de jurisdição, quer de direito (no caso dos escravos) quer de facto (nos outros casos).
A minha lista de vítimas para cuscarmos o que andam a ler (*), é a seguinte: Jonasnuts,Instante fatal, Mas certamente que sim!, A página do Mário e o Little Boots.
(*) Apesar de o livro "História do Direito Português" ser o livro mais próximo, manda a decência que deixe aqui lavrado que ele apenas servia de peso a uma colagem de um envelope mais renitente...
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Faits Divers
30 outubro 2007
Infracções de Copyright

Acompanhei e contrariei, de 1998 a 2004, algumas das mais originais infracções de copyright ao uso (por vezes hilariante) do logótipo da marca Apple Inc. Sem consultar os meus arquivos recordo-me de um dentista, uma marca de roupa, uma loja online de telefones e, imagine-se, uma clínica de ginecologia e obstetrícia. De 2004 a esta data deixou este assunto de fazer parte das minhas preocupações mas ainda fui coleccionando mentalmente alguns pequenos pecadilhos que aparentemente ninguém quis/soube/pôde contrariar. Talvez agora, com um Take Away de frango assado, alguém se lembre de fazer alguma coisinha.
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Apple
Porque me tratam assim?
Não ficámos sem parte de ti, mãe. Apenas a tua alma foi emprestada a uma dimensão que te há-de devolver inteira e sã um dia que lhe apeteça. Que foste ali abaixo regar duas leiras de milho, segar um braçado de couves e de caminho sachar feijões. Como se voltasses mais logo, já noite escura, cansada mas feliz. Volta mãe, que havemos de velar por sonhos sem homens maus, demónios e gritos horrendos. Volta. Estamos todos à tua espera.
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Biografia
27 outubro 2007
A incerteza do que é certo
Nos momentos em que nos inteiramos das fragilidades das nossas existências depositamos a nossa fé nos lugares e entidades que sempre nos pareceram credíveis. Eu, que desaprendi faz tempo de rezar, deposito na ciência a minha fé e nos milagres das montanhas que essa mesma fé diz mover.
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Biografia
25 outubro 2007
Veneno de rato
Gostava de dizer à pessoa que usou no Google a expressão "Veneno de rato emagrece?" e aqui veio parar, que a resposta é sim, de facto o veneno de rato emagrece, desde que tomado em quantidades industriais...
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Google
24 outubro 2007
Vamos jogar no Totobola
Ora vejamos, 3-0 cá, 0-3 lá. Depois foi 3-0 cá seguidos de 0-3 lá. Humm... Ainda bem que hoje é cá...
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Benfica
Mac user que é Mac user...
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Apple
23 outubro 2007
Vamos comer em qualquer lado
Quando? Dia 26 de Outubro, Sexta Feira
Onde? Restaurante Merendola (N 41º13'45", W 8º37'21") na Maia (sorria, está na Maia)
Ponto de encontro? Ground Zero do Maia Trade Center. porém sem a presença do Achmed
A que horas? 20:00 no Ground Zero, 20:30 no restaurante
Considerações adicionais: Aqui.
Como chegar? Consultando este excepcional mapa!
Assim sendo temos já inscritos:
Daniel, Pedro Aniceto, Menino Camilo, Menina Camilo, Amil, Filipe m., 382 u, Paulo Ferreira, Pedro Cerqueira, Álvaro Amorim, Rui V.Silva, Botinhas, José Augusto Pinto, Mário Coelho. A. Azevedo, L. Araújo, V.Domingos, F. Gomes, JA Salcedo, F.Salcedo, R. Guimarães, Gabriela C., Miguel C., J.Leiras, M.Alves, Miguel Arroz, FM Rodrigues, M. de Barros, E. Barros, I. Forjó (Trinta e um - sim, eu sei nesta lista só estão trinta, mas são mesmo trinta e um "Olarilólela")
Bé, o Daniel diz que já tem o javali...
Onde? Restaurante Merendola (N 41º13'45", W 8º37'21") na Maia (sorria, está na Maia)
Ponto de encontro? Ground Zero do Maia Trade Center. porém sem a presença do Achmed
A que horas? 20:00 no Ground Zero, 20:30 no restaurante
Considerações adicionais: Aqui.
Como chegar? Consultando este excepcional mapa!
Assim sendo temos já inscritos:
Daniel, Pedro Aniceto, Menino Camilo, Menina Camilo, Amil, Filipe m., 382 u, Paulo Ferreira, Pedro Cerqueira, Álvaro Amorim, Rui V.Silva, Botinhas, José Augusto Pinto, Mário Coelho. A. Azevedo, L. Araújo, V.Domingos, F. Gomes, JA Salcedo, F.Salcedo, R. Guimarães, Gabriela C., Miguel C., J.Leiras, M.Alves, Miguel Arroz, FM Rodrigues, M. de Barros, E. Barros, I. Forjó (Trinta e um - sim, eu sei nesta lista só estão trinta, mas são mesmo trinta e um "Olarilólela")
Bé, o Daniel diz que já tem o javali...
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Faits Divers
I have seen things you would not believe
Há poucas coisas que eu não consiga fazer com uma chave de grifos e um bom martelo. A diferença entre mim e um daqueles tipos que diz "Ah! Eu não tenho jeito para essas coisas" é que eu me atiro às reparações e por vezes tenho de arcar com as consequências do desastre. Tendo dito isto, recordo-me de algo sobre o qual já escrevi (mas como tenho imensa vergonha do sucedido nem vou procurar o link...) sobre a última vez que disse a alguém "Ah, mas isso é apenas mudar a torneira...". Se a vossa memória para os momentos menos bons for melhor do que a minha (coisa que tende muito a acontecer com a desgraça alheia), recordar-se-ão de uma mudança de torneira que redundou em bombeiros, pedreiros, polícias e vizinhos irados às duas da manhã. Passaram anos sobre esse infausto acontecimento, não os suficientes para que me tenha esquecido.
Quando há dias percebi que a torneira de serviço de um dos terraços cá da casa vertia água em quantidades cada vez mais apreciáveis, a minha voz interior disse "Está quietinho e chama um canalizador". Eu ouvi-a, eu juro à fé de quem sou que a ouvi. Ela repetiu o aviso durante mais de quinze dias e cumpre-me até dizer que procurei um oficial da arte que cumprisse o desígnio. Se bem que todos os profissionais contactados me olharam de alto a baixo e me disseram com o olhar (e apenas com o olhar) "Fosga-se se pensas que venho de casa do diabo mais velho para te mudar uma torneira, podes tirar o equídeo da chuva". Nenhum mo disse, mas eu seja ceguinho (já faltou bastante mais, é um facto) se não o senti pela espinha abaixo. Hoje, a minha voz interior, quem sabe enrouqueceu e eu fui buscar uma torneira nova. Há momentos em que um tipo merecia que uma mão gigantesca descesse dos céus e o esmagasse até ser necessário retirarem-no à espátula do alcatrão da rua. Há, há momentos assim. Que nunca sucedem.
A torneira nova, que em boa verdade não me mereceu confiança nenhuma desde o momento em que lhe botei (e neste blog é a primeira vez que se usa esta terminologia) as mãos, não cumpriu a sua missão. Desfez-se! Sim! Desfez-se quando a girava na rosca do tubo. Isto parece simples, é simples para quem lê, um nadinha pior para quem o faz. Passei a última meia hora da minha miserável existência de canalizador a tentar retirar um fragmento de rosca de dentro do tubo para poder recolocar a torneira antiga, que mesmo pingando me parece agora uma excepcional torneira. Magoei-me, disse palavrões que não me atrevo a reproduzir, suei que nem um cavalo de corrida e ao fim de muitas tentativas disse para comigo e para os suados comigos de mim "Isto precisava era de uma chave de grifos...". Fui salvo in extremis de ficar à míngua de sede e banhos até alguém vir em meu socorro. Com a maior chave de grifos que já vi na minha vida. A torneira velha voltou ao lugar. Veda agora muito menos do que vedava. Que importa. Amanhã também é dia. E já tenho uma lista telefónica com uma longa lista de canalizadores a quem telefonarei logo pela manhã.
Quando há dias percebi que a torneira de serviço de um dos terraços cá da casa vertia água em quantidades cada vez mais apreciáveis, a minha voz interior disse "Está quietinho e chama um canalizador". Eu ouvi-a, eu juro à fé de quem sou que a ouvi. Ela repetiu o aviso durante mais de quinze dias e cumpre-me até dizer que procurei um oficial da arte que cumprisse o desígnio. Se bem que todos os profissionais contactados me olharam de alto a baixo e me disseram com o olhar (e apenas com o olhar) "Fosga-se se pensas que venho de casa do diabo mais velho para te mudar uma torneira, podes tirar o equídeo da chuva". Nenhum mo disse, mas eu seja ceguinho (já faltou bastante mais, é um facto) se não o senti pela espinha abaixo. Hoje, a minha voz interior, quem sabe enrouqueceu e eu fui buscar uma torneira nova. Há momentos em que um tipo merecia que uma mão gigantesca descesse dos céus e o esmagasse até ser necessário retirarem-no à espátula do alcatrão da rua. Há, há momentos assim. Que nunca sucedem.
A torneira nova, que em boa verdade não me mereceu confiança nenhuma desde o momento em que lhe botei (e neste blog é a primeira vez que se usa esta terminologia) as mãos, não cumpriu a sua missão. Desfez-se! Sim! Desfez-se quando a girava na rosca do tubo. Isto parece simples, é simples para quem lê, um nadinha pior para quem o faz. Passei a última meia hora da minha miserável existência de canalizador a tentar retirar um fragmento de rosca de dentro do tubo para poder recolocar a torneira antiga, que mesmo pingando me parece agora uma excepcional torneira. Magoei-me, disse palavrões que não me atrevo a reproduzir, suei que nem um cavalo de corrida e ao fim de muitas tentativas disse para comigo e para os suados comigos de mim "Isto precisava era de uma chave de grifos...". Fui salvo in extremis de ficar à míngua de sede e banhos até alguém vir em meu socorro. Com a maior chave de grifos que já vi na minha vida. A torneira velha voltou ao lugar. Veda agora muito menos do que vedava. Que importa. Amanhã também é dia. E já tenho uma lista telefónica com uma longa lista de canalizadores a quem telefonarei logo pela manhã.
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Biografia
22 outubro 2007
Filipe Jardim Gonçalves
Pá, pelas minhas contas vais ficar sem mesada durante, digamos, dezasseis gerações?
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Faits Divers
Pragas modernas
Eu não tenho paciência para redes de Social Networking. Ter permanentemente dúzias de pessoas que eu não conheço de lado algum a dizer-me "Eh pá, ainda bem que te encontro, liga-te aí ao convite que acabei de te enviar" ou "O Zé dos Anzóis quer ser seu amigo" tornou-se uma tortura sádica. No more! Agora há uma rede que responde a todos os meus pedidos mais fervorosos. Chama-se Isolatr e tem uma FAQ que é um autêntico luxo!. (Via Paulo Querido).
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Faits Divers
Magic Mirror
http://view.break.com/384045 - Watch more free videos
Um dos mais conseguidos e melhor produzidos "Candid Camera" que já me foi dado ver...
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Faits Divers
A primeira mulher na lua
Depois de ontem mesmo ter tido que "assaltar" uma casa porque alguém se esqueceu da chave no interior, recebo esta preciosidade...
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Faits Divers
21 outubro 2007
Märklin, 25 anos depois
A última vez que me babei frente a uma montra de comboios Märklin foi há vinte e cinco anos frente à montra da muito saudosa "Kermesse de Paris", uma loja de brinquedos técnicos que existiu ao lado do Terminal do Rossio. Nunca tive, mesmo nos meus sonhos mais ousados, nenhum conjunto de comboios e linhas deste fabricante. Porque não era possível e pronto, matava-se o vício em casa dos amigos mais ricos (que à semelhança dos comboios, também não abundavam...), com noitadas no período de férias escolares a montar a traquitana toda, monopolizando muitas vezes múltiplas salas, quartos e corredores. Muitos anos depois de se me terem esgotado os sonhos, tive um cliente (onde anda, Vítor Manuel?), um realizador da RTP, que tinha, ali para os lados de Vila Franca, um armazém, sim, um armazém, onde vi permanentemente montado o maior e mais completo setup de modelos de caminhos de ferro que competia em tamanho e detalhe do cenário com as mais reputadas colecções europeias. Relais, múltiplos switches e inversores, aquilo era muito mais do que um setup, era uma autêntica orquestra ferroviária que me fascinou durante muito tempo. E conheci o Vítor Manuel, porque de uma discussão prática sobre relais, inversores e comandos de controlo de voltagem, que na altura nunca sonhei ser destinada a modelos de comboio, nasceu uma controversa relação entre o programador que eu pensava que viria a ser e o homem que me punha desafios práticos que nada tinham a ver com facturas, recibos e contas correntes. Aprendi muito sobre tomadas de decisão a olhar para uma agulha de caminho de ferro, e bastante mais sobre a não decisão que por norma conduzia ao desastre... Vinte e cinco anos depois, um amigo alertou-me para as novas gerações de comboios Märklin, a geração digital. Quando hoje abri um catálogo da marca, percebi em segundos que se acabou toda uma época analógica, com metros e metros de cabo de corrente a alimentar agulhas, semáforos e demais necessidades. Adeus transformadores, tropeções desastrosos nos fios estendidos e (mal) enrolados por cima das mesas. Hoje, para meu espanto (um espanto um bocado parvo), tudo é digital, com locomotivas, agulhas e semáforos programáveis a partir de uma consola de touch screen. a informação a correr nas linhas para chegar a todos os pontos do circuito. Do velho reóstato passou-se a um terminal de comando com links físicos capazes de permitir autoridade do controlador a detalhes mínimos, impensáveis na era analógica. como as luzes de marcha de uma locomotiva, a capacidade de definir velocidades variáveis de marcha, recuos, mudanças de tramo e muitíssimo mais escolhas. E tudo isto sem contar com a possibilidade de integrar software de comando, controlo e planeamento de pistas. Pensar que o Sr. Märklin começou a fabricar casinhas para bonecas há 140 anos...
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Faits Divers
As coisas que se perdem num coma
Este jovem teve um acidente de automóvel que o deixou em coma durante quatro meses. Como tinha planeado a compra de um iPhone antes da fatalidade que o ia matando, nada como recuperar o tempo em que esteve ausente...
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Apple
Segredos de Polichinelo
E o que me dana quando, com ar dramático e desconfiado, me transmitem informação supostamente confidencial sobre uma empresa, pedindo-me "por tudo" que conserve sigilo, e toda e qualquer pessoa de altos quadros ao mais humilde funcionário do mercado chega ao meu ouvido e diz "Não sei se já sabes, mas..."
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Faits Divers
Quanto custa uma calúnia?

Não sendo um problema pessoal, tem-me feito pensar nas implicações legais e morais que uma alegação falsa pode provocar. Se há gente que procura a "fama" e a exposição mediática a qualquer preço, há também aqueles que não a pretendem e mesmo assim são salpicados pelas repercussões do que é publicado na imprensa. Se eu disser a alguém "Fulana é namorada de sicrano" e sendo isso uma falsa afirmação, é bem capaz de não ter qualquer eco ou consequência, apesar de em termos de comunicação individual poder ser condenável, mas a mesmíssima falsa afirmação pode tomar proporções inacreditáveis se publicada num meio de grande difusão. Levando a coisa às últimas consequências, um tribunal poderia quantificar um valor X a termo indemnizatório pela mentira individual e m valor Y pela mesma mentira propagada por, suponhamos, oitenta mil números. Estou a falar de cor, a especular, não faço a mais leve ideia se a calúnia amplificada é mais cara que aquela que é produzida individualmente. E é tudo tão relativo, pensei hoje durante o meu almoço. Basta uma ligeira nuance para que as coisas escalem ainda mais. Se no caso em apreço se fala de uma pessoa do género feminino, qual era o factor de multiplicação da falsidade se em vez de uma mulher, fosse um homem o fotografado?
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Cidadania
19 outubro 2007
Pedagogia
O gozo supremo de ensinar não se mede a meu ver por notas e exames. O melhor indicador que eu posso encontrar naqueles a quem eu transmiti algum ensinamento é vê-los, eles mesmo, recolher a informação, tratá-la e passar a usar métodos diferentes, que fazem evoluir positivamente alguma faceta do trabalho produzido. E quando são os próprios a dizer "Foi por tua causa que consegui fazer melhor" temos a certeza de que ensinámos bem. Com um duplo benefício, a satisfação do acto pedagógico e o de registar com agrado que os grandes, os sábios, aqueles que reconhecemos como Mestres, têm a humildade e o carácter para agradecer a quem lhes deu a ver que existe outro caminho que nem sempre é o que eles conhecem. Dignifica os grandes enquanto alunos e os pequenos enquanto aprendizes de Mestre.
..."Já agora falo-te de coisa relacionada, as minhas conferências. Também me dão gozo de profissionalismo. Imagina aquela de há dias. Cheguei uma hora antes e ensaiei, com o técnico dos audiovisuais. Levava três colecções de slides e testei qual a melhor para a iluminação da sala. Também o controlo remoto e o volume de som na sua régie, para eu não ficar preso à tribuna e ao microfone e toda a gente me ver de corpo inteiro, solto no palco, a andar quando necessário, a parar com algum "dramatismo" para dar ênfase. No fim, o homem estava embasbacado: ó professor, faz sempre isto?, nunca tinha visto. Respondi-lhe que não, que tinha aprendido com um amigo que verificava sempre se não havia alguma tábua a ranger ou um projector a fazer-lhe uma sombra feia na cara. Respondeu-me ele, para meu gozo: e eu a pensar que eu era profissional!"
..."Já agora falo-te de coisa relacionada, as minhas conferências. Também me dão gozo de profissionalismo. Imagina aquela de há dias. Cheguei uma hora antes e ensaiei, com o técnico dos audiovisuais. Levava três colecções de slides e testei qual a melhor para a iluminação da sala. Também o controlo remoto e o volume de som na sua régie, para eu não ficar preso à tribuna e ao microfone e toda a gente me ver de corpo inteiro, solto no palco, a andar quando necessário, a parar com algum "dramatismo" para dar ênfase. No fim, o homem estava embasbacado: ó professor, faz sempre isto?, nunca tinha visto. Respondi-lhe que não, que tinha aprendido com um amigo que verificava sempre se não havia alguma tábua a ranger ou um projector a fazer-lhe uma sombra feia na cara. Respondeu-me ele, para meu gozo: e eu a pensar que eu era profissional!"
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Biografia
18 outubro 2007
As leis de Kirchoff*
Primeira lei de Kirchoff (lei das correntes e lei dos nós) Num dado nó, a soma das correntes que entram é igual à soma das correntes que saiem. Ou seja, um nó não acumula carga.
Segunda lei de Kirchoff (lei das tensões ou lei das malhas - não confundir com o rei das malhas...) A soma algébricas das tensões, num circuito fechado, é nula.
Baseado nas leis enunciadas acima, equacione as tensões do seguinte diagrama:

* Onde quer que esteja o Sr. Kirchoff, (Gustav Kirchoff, físico alemão que me lixou o juízo escolar durante três miseráveis anos) quero que saibas que apesar de fazer umas piadas sobre as tuas leis, continuo a odiar-te, e tenho a certeza que o farei até ao último dos dias da minha vida, ainda que esta termine com os meus dedos enfiados numa tomada!
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Faits Divers
Where there's a will...
Um fazendeiro levou seu camião até à oficina; como não podia esperar, ele disse que iria a pé para casa, já que morava perto. No caminho para casa, parou na loja de ferragens e comprou um balde e uma lata de tinta. No armazém, ele comprou dois frangos e um ganso. Já fora da loja, ele ficou a dar voltas à cabeça para saber como levar as compras para casa.
Enquanto ele coçava a cabeça, apareceu uma velhinha (não muito velha) que lhe disse estar perdida; ela perguntou:
- Pode me explicar como chegar até a Rua dos Tordos, 1603?
Respondeu o fazendeiro:
- Bem, minha fazenda é ao lado dessa propriedade. Eu até a levaria até lá, mas não posso carregar tudo isso.
A velhinha sugeriu:
- Coloque a lata de tinta dentro do balde; leve o balde numa das mãos, um frango sob cada braço e o ganso na outra mão.
- Muito obrigado, disse o homem; a seguir partiram os dois para o destino.
No caminho, ele disse:
- Vamos cortar caminho e pegar este atalho, pois economizaremos muito tempo.
A velhinha o fitou cautelosamente e disse:
- Eu sou uma viúva solitária e não tenho marido para me defender. Como saberei se quando estivermos no atalho, você não avançará em cima de mim, levantará minha saia para abusar de mim?
O fazendeiro disse:
- Impossível! Estou carregando um balde, um galão de tinta, dois frangos e um ganso. Como eu poderia fazer isso com tudo isso nas mãos?
A velhinha respondeu:
- Coloque o ganso no chão, ponha o balde invertido sobre ele, coloque o galão sobre o balde e eu seguro os frangos...
Enquanto ele coçava a cabeça, apareceu uma velhinha (não muito velha) que lhe disse estar perdida; ela perguntou:
- Pode me explicar como chegar até a Rua dos Tordos, 1603?
Respondeu o fazendeiro:
- Bem, minha fazenda é ao lado dessa propriedade. Eu até a levaria até lá, mas não posso carregar tudo isso.
A velhinha sugeriu:
- Coloque a lata de tinta dentro do balde; leve o balde numa das mãos, um frango sob cada braço e o ganso na outra mão.
- Muito obrigado, disse o homem; a seguir partiram os dois para o destino.
No caminho, ele disse:
- Vamos cortar caminho e pegar este atalho, pois economizaremos muito tempo.
A velhinha o fitou cautelosamente e disse:
- Eu sou uma viúva solitária e não tenho marido para me defender. Como saberei se quando estivermos no atalho, você não avançará em cima de mim, levantará minha saia para abusar de mim?
O fazendeiro disse:
- Impossível! Estou carregando um balde, um galão de tinta, dois frangos e um ganso. Como eu poderia fazer isso com tudo isso nas mãos?
A velhinha respondeu:
- Coloque o ganso no chão, ponha o balde invertido sobre ele, coloque o galão sobre o balde e eu seguro os frangos...
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Faits Divers
17 outubro 2007
Necessaire
Porque será que eu acho que noventa por cento do que está dentro de um "necessaire" é completamente "desnecessaire"?
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Faits Divers
Ladainhas para pão em vias de ser lêvedo
Deus te acrescente,
te livre de má gente
e te tape com a capa da virtude que eu,
da minha parte, já fiz o que pude.
Contributo de Ana Amil
te livre de má gente
e te tape com a capa da virtude que eu,
da minha parte, já fiz o que pude.
Contributo de Ana Amil
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Faits Divers
16 outubro 2007
15 outubro 2007
14 outubro 2007
O sexo e os tribunais
Da minha longa lista de bookmarks acumulados ao longo das últimas semanas, criteriosamente arrumados numa pasta de nome "Para ver" sai agora, direitinho a outra pasta mais definitiva, o "Direito de Pernada", um blog com citações processuais retiradas de processos de tribunais portugueses.
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Faits Divers
Arsonists of the world, ignite!
Um dos últimos insólitos que avistei foi uma igreja. Não é a da Santíssima Trindade a novel construção do Santuário de Fátima. Não pude fotografar porque andava demasiado atrapalhado à procura de uma rua em Corroios, mas o nome ficou-me bem marcado na memória. Nunca tinha sequer ouvido falar de tal congregação, a Igreja de S.João Batista em chamas. Não, não estava a arder, é mesmo este o nome...
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Faits Divers
Ladainhas para pão em vias de ser lêvedo
S. João levede o pão
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé Maria
Deus cresça o pão no forno
A paz e o dono e Deus pelo mundo todo
Em louvor de S. João, que faça pão
Em louvor de S. Vicente, Deus te acrescente
Que a Senhora da Peneda e a Senhora da Carvalheda
Peçam a Deus que este pão nos fique bom
Contributo de Daniel Lemos
Uma bela monografia sobre o pão, promovida pela Câmara Municipal de Boticas, contendo um apreciável número de ladainhas, pode ser encontrada aqui. Contributo de Ana Ferreira.
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé Maria
Deus cresça o pão no forno
A paz e o dono e Deus pelo mundo todo
Em louvor de S. João, que faça pão
Em louvor de S. Vicente, Deus te acrescente
Que a Senhora da Peneda e a Senhora da Carvalheda
Peçam a Deus que este pão nos fique bom
Contributo de Daniel Lemos
Uma bela monografia sobre o pão, promovida pela Câmara Municipal de Boticas, contendo um apreciável número de ladainhas, pode ser encontrada aqui. Contributo de Ana Ferreira.
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Cidadania
13 outubro 2007
Totoloto
Há anos que não assistia a um sorteio do Totoloto na TV. Calhou hoje, foi para o ar logo a seguir a uma interessantíssima entrevista de D.António Marto, bispo de Leiria-Fátima. Curiosamente, a banda sonora do sorteio foi, nem mais nem menos, que o popular "A treze de Maio na Cova da Iria"...
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Faits Divers
12 outubro 2007
Pêpêdê Pêéssedê
Rui Rio, Marcelo Rebelo de Sousa, Nuno Morais Sarmento, Marques Mendes e Pacheco Pereira não foram ao Congresso do PSD. Por questões de solidariedade eu também não vou. Vou antes ao Carrefour.
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Faits Divers
Ladainhas para pão em vias de ser lêvedo
Deus te aumente
Dentro e fora do forno
E que o Diabo coma um corno
Contributo de Daniel Lemos
Actualização: Isto foi enviado pela Amil, mas não é uma ladainha...
Dentro e fora do forno
E que o Diabo coma um corno
Contributo de Daniel Lemos
Actualização: Isto foi enviado pela Amil, mas não é uma ladainha...
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Cidadania
Ladainhas para pão em vias de ser lêvedo
Este post mais não serve que para registar para a posteridade algumas ladainhas populares que são cantadas/rezadas/declamadas no acto de colocar a massa de pão a levedar. Misto de profano e religioso, a ladainha tem como base a invocação da prece que protegerá o acto da levedação da massa a que foi acrescentado o fermento e era, segundo a minha própria experiência, acompanhada do desenho de uma cruz no topo da bola amassada e misturada. Se durante muitos anos pensei que esta fosse uma componente de cariz religioso, mudei de ideias há uns anos quando um profissional de panificação me mostrou a diferença de crescimento da massa num pedaço sem "risco". O "risco", presente na quase totalidade das massas de farinha de trigo, parece permitir mais facilmente a libertação de gases causadas pela fermentação, facilitando o crescimento. A ladainha abaixo, foi enviada pelo leitor JC (cumprimentos aos joelhos da senhora sua mãe!). Convido-vos a perguntar aos vossos velhotes que comeram muito provavelmente o pão que eles mesmo amassaram, as respectivas ladainhas (que há muitas) e a deixá-las aqui, onde lhes darei o devido destaque.
S. Vicente te acrescente…
S. Mamede te levede
S. João te faça pão…
E Deus Nosso Senhor te deite
Sua divina benção
O Senhor te acrescente
E te queira acrescentar
Para comer e mais para dar…
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amén.
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Cidadania
Gralhas, quem as não teme?

Já tinha feito parte do anedotário de imprensa desta semana, mas ainda não tinha conseguido aceder ao documento original do Diário da República onde foi publicado. Trata-se do pior inimigo de revisores e editores, a sempre temida gralha que teima em pousar onde mais estragos pode fazer. Desta vez calhou a um oficial do exército, louvado pelo seu desempenho de implementação de SAP (há coisas fantásticas, não há?). Deixe lá António Santos, antes isto que uma medalha a título póstumo. E olhe, pelo que vou vendo, as batalhas de implementação de SAP causam imensas baixas entre as fileiras de um e de outro lado...
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Faits Divers
Oh "bráda" where art thou? (Audio)
Está online a versão áudio do texto Oh "bráda" where art thou?, gravada pelo Luís Gaspar no seu (nosso) Estúdio Raposa. Além de lhe agradecer a deferência (e o trabalho), diria (como farei daqui a pouco por email) que foi a primeira vez que me apeteceu reescrever um texto depois de o ter escutado. Não que não tenha gostado, longe disso, mas creio que escrever para locução não é exactamente a mesma coisa que para papel ou electrões. Obrigado Luís!
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Faits Divers
eLearning Lisboa 2007
Estou inscrito numa conferência internacional de eLearning que se realiza em Lisboa, com alguma pompa e circunstância durante os próximos dias. Para lá de comunicações cruzadas de variados aspectos em termos de registos, confirmações de registos e outras miudezas, que não abona muito a organização, acabo de receber um email que contém, imagine-se, uma directiva de comportamento! (Teremos cerca de 150 estrangeiros participando, além de alguns oradores. Por favor contribua para favorecer a imagem de Portugal) Não sei quem foi o saloio que se lembrou disto, mas deve ter sido o mesmo que enviou esta comunicação com os endereços de email dos destinatários da mensagem em "aberto".
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Faits Divers
11 outubro 2007
Tânia fan clube
Tânia Ribas de Oliveira, muito provavelmente a miúda a quem todos invejámos o lugar durante o Euro 2004, tem um clube de fans. Que se ocupou do problema da minha TV.
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Faits Divers
10 outubro 2007
A ordem é rica
Estou neste momento a ver na estação pública de televisão uma reportagem sobre documentação falsa. Pode o espectador menos atento considerá-la de boa qualidade e deveras actual. Não o é. Tem quase dois anos... Porque é que não foi exibida antes? Não sei mas posso especular. Quando foi realizada, o Estado Português tinha acabado de lançar um novo modelo de passaporte considerado de "alta segurança". Um dos entrevistados, um detido por falsificação, terá adiantado à reportagem já ter a informação necessária para falsificar o novo modelo de passaporte que ainda nem tinha sido emitido. Isto sou eu a especular, que gosto de especular coisas. Por momentos simpatizei com José Rodrigues dos Santos.
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Cidadania
Assistência em viagem
"Estou sim? É da assistência, o senhor está aí na entrada da A13, não é verdade?"
"Não, não estou, estou a acender o carvão para fazer o almoço..."
"Pois, mas é uma Mercedes carrinha ou carro?"
"Ouça, eu não pedi assistência nenhuma..."
"É que tenho o reboque virado para Norte e vou levar algum tempo a chegar aí. Por acaso não tem por aí onde almoçar, não?"
"..."
"Não, não estou, estou a acender o carvão para fazer o almoço..."
"Pois, mas é uma Mercedes carrinha ou carro?"
"Ouça, eu não pedi assistência nenhuma..."
"É que tenho o reboque virado para Norte e vou levar algum tempo a chegar aí. Por acaso não tem por aí onde almoçar, não?"
"..."
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Faits Divers
Serviço vómito
Aqui o dono do estaminé está disposto a pagar um almoço/jantar requintado ao leitor que me apresentar argumentos que me convençam que ouvir Carlos Castro vomitar veneno e difamação durante quinze minutos por semana e sobre as mais variadas pessoas e temas na RTP1, faz parte do conceito de serviço público.
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Faits Divers
Canal memória
Sete anos. Sete anos depois de ter deixado de ser cliente TV Cabo, recebi hoje um telefonema a perguntar-me porque é que tinha cancelado o contrato. Exemplar!
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Faits Divers
Momento chocante do dia
Um meliante consumou um assalto à loja do Sport Lisboa e Benfica. Um síndico que passava na sua ronda, interpelou-o, perante o enorme saco que o ladrão transportava às costas:
-Que leva aí?
-São rosas, senhor, são rosas...
-Que leva aí?
-São rosas, senhor, são rosas...
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Faits Divers
09 outubro 2007
Manda-me uma carta em correio azul
Ela não me conseguia ver porque estava completamente absorta na tarefa que tinha entre mãos. Cá fora, o bulício e a pressa de uma cidade que regressa a casa já noite densa impediam que mais gente a observasse. Fui eu, apenas eu, o seu voyeur anónimo, sentado que estava na fria e polida pedra da estação de correios. Cá fora o escuro, lá dentro a luz. Sozinha, ela abriu delicadamente a porta da vazia vitrina de exposição e ainda mais delicadamente compôs uma coreografia com envelopes de correio azul dispostos em leque. Recuou e observou a composição, e tal como eu, não gostou do que viu. Baralhou e tornou a dar, recompôs os envelopes, desta vez em escada. Melhorara. Ela também me pareceu contente. De súbito, tomada por um frenesim decorativo, repetiu gestos e formas nas outras prateleiras de vidro. Azuis, verdes e almofadados foram sistematicamente dispostos em várias formas, nuances de posição. Sem lhe ver o rosto, eu percebia que o prazer estava em alta. Quando se acabaram os espaços por preencher, recuou uma vez mais para apreciar o trabalho e bateu palmas de contentamento. Foi nesse momento que ela se sentiu observada e me encarou. Não fui suficientemente rápido a desviar o olhar, mas ainda a vi baixar os olhos, pegar na mala e no casaco e sair da estação agora de luz apagada. Quando rodava a chave na fechadura junto ao chão, sorriu-me envergonhada. "Ficaram bonitos", disse-lhe. Ela não respondeu, ainda corada.
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Faits Divers
Elephants never forget
Passam hoje dez anos sobre a data em que Michael Dell proferiu a famosa frase "Se eu fosse a Apple fechava a porta e devolvia o dinheiro aos accionistas...".
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Apple
08 outubro 2007
Índice iPod
Já havia um Indíce "Big Mac" (que bem me deu jeito em alguns trabalhos comparativos sobre diferentes custos de vida) que mostra as diferenças de preço e acessibilidade de um Menu Big Mac de país para país. Agora foi a Reuters a elaborar um ranking mundial de preço de iPod, que deu ao Brasil o primeiríssimo lugar em termos de custo.
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Apple
Mais um final feliz
Se se recordam de uma entrada de há dias sobre os finais alternativos de "O Pintor de Letreiros", outra turma fez o mesmo exercício. Os resultados foram, ao que me contam, ligeiramente diferentes da turma anterior, mas um dos finais alternativos merece ser destacado.
"Depois parou, olhos o tecto e as traves ao pormenor e pensou que existem coisas que só um ser humano pode fazer. Penso que as máquinas podem fazer letras perfeitas, mas que essas não passam disso mesmo, não existe nelas sentimento, não existe gosto. Desde então determinou-se a mostrar aos outros que as suas letras são especiais, embora não perfeitas, mas ao menos são sentidas e feitas com esforço e dedicação."
"Depois parou, olhos o tecto e as traves ao pormenor e pensou que existem coisas que só um ser humano pode fazer. Penso que as máquinas podem fazer letras perfeitas, mas que essas não passam disso mesmo, não existe nelas sentimento, não existe gosto. Desde então determinou-se a mostrar aos outros que as suas letras são especiais, embora não perfeitas, mas ao menos são sentidas e feitas com esforço e dedicação."
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Faits Divers
07 outubro 2007
Jerónimo, o citador
Corre por estes dias na TSF um clip sonoro de uma intervenção parlamentar de Jerónimo de Sousa, num remate em citação que me fez pensar em localizar-lhe a origem que me parecia vagamente familiar. Tinha as minhas razões, é de António Aleixo e reza:
..."Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério"
..."Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério"
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Faits Divers
06 outubro 2007
De como Inês era morta...
Ponto prévio: Não tenho por hábito escrever histórias macabras e na verdade embora pareça, esta de macabro não tem nada. Mas a verdade é que na caixa de comentários da entrada anterior a conversa derivou para aqueles que já foram e eu prometi contar a história de como conheci a minha avó depois de ela se ter finado uma carrada de anos antes...
Coisa terrena e sem dramas e facilmente comprovável experimentalmente. Sucede que quando eu tinha uns doze/treze anos o meu pai me convocou para uma trasladação dos restos mortais da senhora dona Amália. Ele lá entendeu que eu já tinha idade para "assuntos de adultos" e informou-me que iríamos ao cemitério acompanhar o levantamento dos ossos para uma outra sepultura. Não fiquei lá muito impressionado, não me pareceu de bom tom dar parte fraca e numa bela manhã de Sábado lá fomos ao encontro do coveiro para proceder à operação. Suponho que à segunda cavadela do coveiro na campa em questão eu já estivesse um bocado entediado com a manobra, afinal eu já vira cavar o suficiente nas campanhas da batata do meu avô e aquilo não me pareceu ser nada de entusiasmante, pelo que fui perseguir lagartixas para o muro do fundo do cemitério (ainda hoje é um belo spot de lagartada...) operação que requer olho vivo e mão certeira como alguns de nós bem sabemos...
A verdade é que de quando em vez eu voltava à campa para ver como paravam as modas e numa dessas vezes percebi que o ambiente não era o melhor. O coveiro, que esforçadamente já tinha cavado quanto bastasse, gritava para o meu pai que tinha havido um engano, que não era aquela campa patati, patatá e que corríamos todos perigo de vida pois podíamos morrer todos logo ali... Claro que esqueci de imediato as lagartixas, aquilo sim era muito mais emocionante, a ideia de uma ameaça de morte não era coisa que se desprezasse a um sábado de sol... O coveiro insistia que a urna era "fresca" (assim se designam os enterramentos recentes), o meu pai jurava que não (até eu sabia que aquela era a campa que ele visitava com frequência). Estávamos neste impasse do "é esta, não é esta" quando o coveiro me pediu que fosse à casa do Padre pedir para avisar o Delegado de Saúde, espera aí que já vais, daqui não saio daqui ninguém me tira, isso é que era bom, não querem lá ver o desmancha prazeres. Em enorme alvoroço lá se foi pedindo às poucas pessoas que naquela hora estavam no cemitério (que é pequeno) que saissem, o que consegui fazer já que isso não me obrigava a sair dali e toda a gente tem um certo ascendente quando sussura "Têm ali um morto enganado...".
Veio o Padre, veio mais um "perito" que não me cheirava que fosse autoridade nenhuma porque tinha vindo da taberna (e vai daí não sei e nunca virei a saber) e fez-se ali uma assembleia estranha, tudo a olhar para o fundo do buraco onde ainda só se via terra mas onde se adivinhava o plano liso da urna. Pá daqui, pá dali, lá apareceram as tábuas, as ferragens, o sempre eterno crucifixo, tudo com ar de quem já tinha visto melhores dias de desconjuntado que estava. Nova paragem dos trabalhos, o meu pai um bocado aflito, os outros ainda mais, quando o "dito" perito declara alto e bom som "isto não pode ter vinte anos, é campa enganada com certeza". Cresce a angústia, a emoção já inunda a cena, o que fazemos, tiram-se as tábuas e ficamos já com a certeza. Comigo empoleirado num monte de terra, a tentar não resvalar para dentro do buraco (é um trauma antigo e de cada vez que vejo isto no cinema ainda me lembro da imagem), lá vieram as tábuas, as ferragens, o crucifixo (que me avisaram logo que não era coisa com que se pudesse ficar, tá mal...) e o que aparece debaixo da madeira? Uma bela cobertura de chumbo que alguém em má hora não tivera o vislumbre de retirar... Caso não saibam e aprendi-o mais tarde noutras operações de exumação, quando a cobertura de chumbo (era o que era usado antigamente, agora é apenas zinco) não era retirada, a produção de gases não tem por ende escapar e dá uma forma estranha ao conjunto de chumbo selado, fica oval, parece um menir arredondado.
É nesta altura que chega o Delegado de Saúde, aborrecido que nem um perú de Natal e decreta que só há uma forma de resolver aquilo, que é precisamente furar o chumbo e fugir a sete pés se se ouvir algum silvo que significará que existe gás no interior. Por esta altura já eu estava um bocado azulado de não respirar há uns bons minutos, alguém reparou e disse "Pá, enquanto não furarmos isto podes respirar", ainda bem que avisam quando não fico já aqui, o buraco já está aberto e tudo... Ora surge novo impasse, como é que furamos isto? Há no ar uma certa piedade relativamente à forma, eu alvitro que a picareta que ali jaz (salvo seja) ao lado parece-me um bom método, que não, que nem pensar, aos mortos é devido um certo respeito, nada de andar a picaretar-lhes o chumbo, que parece mal, ao morto há-de fazer uma grande diferença mas ninguém liga aos meus alvitres, ainda é cedo, não tem credibilidade nenhuma o gajo que ainda há minutos apedrejava lagartixas num muro e agora vem para aqui dar conselhos a quem sabe destes ofícios.
Para minha diversão, alvitrei segunda vez, e pasme-se, aceitaram a sugestão. Alguém, eu é que não com toda a certeza!, pegaria na estaca metálica do número da campa, uma placa de ferro negra com os números vazados, dava um instrumento perfeito, até já o tinha visto num filme de vampiros, claro que não citei esta parte pois já me pareceu exagerado, dizia eu do alto meu monte de terra, alguém pega nisto e espeta a coisa no chumbo. Olha que bela ideia, se não o disseram eu pelo menos gostava que o tivessem pensado senão mesmo dito, dá cá isso, parece mesmo a calhar, calhou, a tensão em picos insuportáveis, eu à espera do silvo qual Ben Johnson nos tacos de uma corrida de cem metros, cloc fez a estaca, não há silvo para ninguém, o chumbo furado, a montanha pariu um rato, e por um lado ainda bem porque me lembrara entretanto que tinha um pullover ao fundo do cemitério e ninguém me perdoaria, nem mesmo eu, que um tipo morresse envenenado por gás por causa de um pullover onde me recordo perfeitamente de conseguir caber três vezes.
Furo feito, estamos todos a olhar para o mesmo sítio, a mão do coveiro certeira, a estocar mais duas ou três vezes a plúmbea superfície oval, dá cá isso, agora faço eu, olha que giro há bocado ninguém queria pegar no ferro, agora parecem fazer fila para esburacar, eu cá acho que eles ainda têm esperança de achar uma bolsinha de gás, nem que seja pelo cheiro. Está nisto a assistência, furo aqui e mais ali até que alguém se lembrou de perguntar se haveria por ali uma tesoura de chapa, disparate diz o coveiro, não há tesoura de chapa coisa nenhuma, não faz parte do ferramental, uma picareta, um balde, uma pá e já gozas, isto é, já cavas, quem se haveria de lembrar deste trabalho de não tirar o chumbo, isto é coisa que se faz sempre no funeral e não depois, está aqui um gajo mortinho para ir almoçar (piada duvidosa do narrador) e ainda temos de ir à procura de uma tesoura.
Apareceu, não me perguntem de onde, mas a tesoura apareceu e coube ao coveiro a difícil tarefa de rodear o féretro, zaca, zaca, zaca como quem rasga pano e ao fim de uma pancadaria de zacas, levou a mão à surrada pala do boné e pediu autorização ao meu pai para retirar a cobertura. Há algo de estranhamente místico neste gesto do coveiro que nunca esquecerei, floreados literários à parte. Um tipo pode cuspir nas mãos enquanto cava, ajuda a aumentar o atrito da tracção do cabo. Pode andar à pezada (e à pazada!) em cima da tumba (quem nunca sentiu uma ponta de culpa por pisar uma campa de cemitério que me atire o primeiro torrão...), pode andar a esburacar o chumbo com uma estaca, mas sente-se na obrigação de se descobrir e afivelar um ar piedoso quando está na eminência de um contacto imediato com um corpo morto e enterrado. Adiante, lembro-me deste gesto de enrolar o boné na mão, limpar a testa suada, e perguntar se podia. Pergunta estranha, estávamos ali todos para isso mesmo, engasgados no suspense, não disse eu, mas vi a angústia dos olhos do meu pai, que sem uma palavra assentiu com a cabeça e vamos lá puxar a pesada capa de chumbo para fora do buraco.
Não há forma literária de descrever o que senti ao olhar para dentro do que restava da urna... Quer dizer, há-de haver, eu é que não a quero procurar, talvez seja a minha forma de respeito para com os mortos da mesma maneira que o outro tirou o boné. O corpo estava absolutamente preservado, as mãos de dedos magros postas em prece, um singelo terço de contas negras. A face semi coberta por um véu fino e também ele negro estava absolutamente serena, de olhos fechados, como que dormindo. Quando olhei em pormenor não tive nenhuma espécie de choque. Era a mesma pessoa que me habituara a ver nas fotografias emolduradas que tinha em casa. O meu pai não suportou este avistamento e pela primeira vez eu percebi de facto que aquele era um assunto de adultos no qual eu, de repente, era encarregue. Na ausência dele, caiam em cima de mim, pobre coitado, que ainda agora caçava impiedosamente lagartixas no muro do fundo, as responsabilidades das decisões. Quando todos os olhos se viraram para mim, sugeri que se voltasse a tapar o corpo, agora sem chumbo, que a terra lhe seja leve, assim pensei como se tivesse sido agora. Num outro detalhe místico e de enorme significado, o coveiro passou-me o cabo da pá e aprendi naquele mesmo instante uma outra lição, a de que compete ao sangue tratar dos seus próprios mortos, o simbolismo do primeiro derrube de terra, a mesma que lhe há-de ser leve, assim seja, amén. Quando o fiz, quando verti a primeira porção por cima do corpo seco e verde, nem percebi logo ali o que sucedeu. Só quando me chamaram a atenção é que de facto assimilei que tudo o que ali restava, se dissolvera em pó ao primeiro impacto. Pó, um monte de pó que apenas parecia ter esperado por aquele momento para se desmoronar.
Coisa terrena e sem dramas e facilmente comprovável experimentalmente. Sucede que quando eu tinha uns doze/treze anos o meu pai me convocou para uma trasladação dos restos mortais da senhora dona Amália. Ele lá entendeu que eu já tinha idade para "assuntos de adultos" e informou-me que iríamos ao cemitério acompanhar o levantamento dos ossos para uma outra sepultura. Não fiquei lá muito impressionado, não me pareceu de bom tom dar parte fraca e numa bela manhã de Sábado lá fomos ao encontro do coveiro para proceder à operação. Suponho que à segunda cavadela do coveiro na campa em questão eu já estivesse um bocado entediado com a manobra, afinal eu já vira cavar o suficiente nas campanhas da batata do meu avô e aquilo não me pareceu ser nada de entusiasmante, pelo que fui perseguir lagartixas para o muro do fundo do cemitério (ainda hoje é um belo spot de lagartada...) operação que requer olho vivo e mão certeira como alguns de nós bem sabemos...
A verdade é que de quando em vez eu voltava à campa para ver como paravam as modas e numa dessas vezes percebi que o ambiente não era o melhor. O coveiro, que esforçadamente já tinha cavado quanto bastasse, gritava para o meu pai que tinha havido um engano, que não era aquela campa patati, patatá e que corríamos todos perigo de vida pois podíamos morrer todos logo ali... Claro que esqueci de imediato as lagartixas, aquilo sim era muito mais emocionante, a ideia de uma ameaça de morte não era coisa que se desprezasse a um sábado de sol... O coveiro insistia que a urna era "fresca" (assim se designam os enterramentos recentes), o meu pai jurava que não (até eu sabia que aquela era a campa que ele visitava com frequência). Estávamos neste impasse do "é esta, não é esta" quando o coveiro me pediu que fosse à casa do Padre pedir para avisar o Delegado de Saúde, espera aí que já vais, daqui não saio daqui ninguém me tira, isso é que era bom, não querem lá ver o desmancha prazeres. Em enorme alvoroço lá se foi pedindo às poucas pessoas que naquela hora estavam no cemitério (que é pequeno) que saissem, o que consegui fazer já que isso não me obrigava a sair dali e toda a gente tem um certo ascendente quando sussura "Têm ali um morto enganado...".
Veio o Padre, veio mais um "perito" que não me cheirava que fosse autoridade nenhuma porque tinha vindo da taberna (e vai daí não sei e nunca virei a saber) e fez-se ali uma assembleia estranha, tudo a olhar para o fundo do buraco onde ainda só se via terra mas onde se adivinhava o plano liso da urna. Pá daqui, pá dali, lá apareceram as tábuas, as ferragens, o sempre eterno crucifixo, tudo com ar de quem já tinha visto melhores dias de desconjuntado que estava. Nova paragem dos trabalhos, o meu pai um bocado aflito, os outros ainda mais, quando o "dito" perito declara alto e bom som "isto não pode ter vinte anos, é campa enganada com certeza". Cresce a angústia, a emoção já inunda a cena, o que fazemos, tiram-se as tábuas e ficamos já com a certeza. Comigo empoleirado num monte de terra, a tentar não resvalar para dentro do buraco (é um trauma antigo e de cada vez que vejo isto no cinema ainda me lembro da imagem), lá vieram as tábuas, as ferragens, o crucifixo (que me avisaram logo que não era coisa com que se pudesse ficar, tá mal...) e o que aparece debaixo da madeira? Uma bela cobertura de chumbo que alguém em má hora não tivera o vislumbre de retirar... Caso não saibam e aprendi-o mais tarde noutras operações de exumação, quando a cobertura de chumbo (era o que era usado antigamente, agora é apenas zinco) não era retirada, a produção de gases não tem por ende escapar e dá uma forma estranha ao conjunto de chumbo selado, fica oval, parece um menir arredondado.
É nesta altura que chega o Delegado de Saúde, aborrecido que nem um perú de Natal e decreta que só há uma forma de resolver aquilo, que é precisamente furar o chumbo e fugir a sete pés se se ouvir algum silvo que significará que existe gás no interior. Por esta altura já eu estava um bocado azulado de não respirar há uns bons minutos, alguém reparou e disse "Pá, enquanto não furarmos isto podes respirar", ainda bem que avisam quando não fico já aqui, o buraco já está aberto e tudo... Ora surge novo impasse, como é que furamos isto? Há no ar uma certa piedade relativamente à forma, eu alvitro que a picareta que ali jaz (salvo seja) ao lado parece-me um bom método, que não, que nem pensar, aos mortos é devido um certo respeito, nada de andar a picaretar-lhes o chumbo, que parece mal, ao morto há-de fazer uma grande diferença mas ninguém liga aos meus alvitres, ainda é cedo, não tem credibilidade nenhuma o gajo que ainda há minutos apedrejava lagartixas num muro e agora vem para aqui dar conselhos a quem sabe destes ofícios.
Para minha diversão, alvitrei segunda vez, e pasme-se, aceitaram a sugestão. Alguém, eu é que não com toda a certeza!, pegaria na estaca metálica do número da campa, uma placa de ferro negra com os números vazados, dava um instrumento perfeito, até já o tinha visto num filme de vampiros, claro que não citei esta parte pois já me pareceu exagerado, dizia eu do alto meu monte de terra, alguém pega nisto e espeta a coisa no chumbo. Olha que bela ideia, se não o disseram eu pelo menos gostava que o tivessem pensado senão mesmo dito, dá cá isso, parece mesmo a calhar, calhou, a tensão em picos insuportáveis, eu à espera do silvo qual Ben Johnson nos tacos de uma corrida de cem metros, cloc fez a estaca, não há silvo para ninguém, o chumbo furado, a montanha pariu um rato, e por um lado ainda bem porque me lembrara entretanto que tinha um pullover ao fundo do cemitério e ninguém me perdoaria, nem mesmo eu, que um tipo morresse envenenado por gás por causa de um pullover onde me recordo perfeitamente de conseguir caber três vezes.
Furo feito, estamos todos a olhar para o mesmo sítio, a mão do coveiro certeira, a estocar mais duas ou três vezes a plúmbea superfície oval, dá cá isso, agora faço eu, olha que giro há bocado ninguém queria pegar no ferro, agora parecem fazer fila para esburacar, eu cá acho que eles ainda têm esperança de achar uma bolsinha de gás, nem que seja pelo cheiro. Está nisto a assistência, furo aqui e mais ali até que alguém se lembrou de perguntar se haveria por ali uma tesoura de chapa, disparate diz o coveiro, não há tesoura de chapa coisa nenhuma, não faz parte do ferramental, uma picareta, um balde, uma pá e já gozas, isto é, já cavas, quem se haveria de lembrar deste trabalho de não tirar o chumbo, isto é coisa que se faz sempre no funeral e não depois, está aqui um gajo mortinho para ir almoçar (piada duvidosa do narrador) e ainda temos de ir à procura de uma tesoura.
Apareceu, não me perguntem de onde, mas a tesoura apareceu e coube ao coveiro a difícil tarefa de rodear o féretro, zaca, zaca, zaca como quem rasga pano e ao fim de uma pancadaria de zacas, levou a mão à surrada pala do boné e pediu autorização ao meu pai para retirar a cobertura. Há algo de estranhamente místico neste gesto do coveiro que nunca esquecerei, floreados literários à parte. Um tipo pode cuspir nas mãos enquanto cava, ajuda a aumentar o atrito da tracção do cabo. Pode andar à pezada (e à pazada!) em cima da tumba (quem nunca sentiu uma ponta de culpa por pisar uma campa de cemitério que me atire o primeiro torrão...), pode andar a esburacar o chumbo com uma estaca, mas sente-se na obrigação de se descobrir e afivelar um ar piedoso quando está na eminência de um contacto imediato com um corpo morto e enterrado. Adiante, lembro-me deste gesto de enrolar o boné na mão, limpar a testa suada, e perguntar se podia. Pergunta estranha, estávamos ali todos para isso mesmo, engasgados no suspense, não disse eu, mas vi a angústia dos olhos do meu pai, que sem uma palavra assentiu com a cabeça e vamos lá puxar a pesada capa de chumbo para fora do buraco.
Não há forma literária de descrever o que senti ao olhar para dentro do que restava da urna... Quer dizer, há-de haver, eu é que não a quero procurar, talvez seja a minha forma de respeito para com os mortos da mesma maneira que o outro tirou o boné. O corpo estava absolutamente preservado, as mãos de dedos magros postas em prece, um singelo terço de contas negras. A face semi coberta por um véu fino e também ele negro estava absolutamente serena, de olhos fechados, como que dormindo. Quando olhei em pormenor não tive nenhuma espécie de choque. Era a mesma pessoa que me habituara a ver nas fotografias emolduradas que tinha em casa. O meu pai não suportou este avistamento e pela primeira vez eu percebi de facto que aquele era um assunto de adultos no qual eu, de repente, era encarregue. Na ausência dele, caiam em cima de mim, pobre coitado, que ainda agora caçava impiedosamente lagartixas no muro do fundo, as responsabilidades das decisões. Quando todos os olhos se viraram para mim, sugeri que se voltasse a tapar o corpo, agora sem chumbo, que a terra lhe seja leve, assim pensei como se tivesse sido agora. Num outro detalhe místico e de enorme significado, o coveiro passou-me o cabo da pá e aprendi naquele mesmo instante uma outra lição, a de que compete ao sangue tratar dos seus próprios mortos, o simbolismo do primeiro derrube de terra, a mesma que lhe há-de ser leve, assim seja, amén. Quando o fiz, quando verti a primeira porção por cima do corpo seco e verde, nem percebi logo ali o que sucedeu. Só quando me chamaram a atenção é que de facto assimilei que tudo o que ali restava, se dissolvera em pó ao primeiro impacto. Pó, um monte de pó que apenas parecia ter esperado por aquele momento para se desmoronar.
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Biografia
Bilge pumps suck!
Pronto, eu sei, vocês estão tão interessados em bombas de navios como eu estou em receitas de favas guisadas. Mas a minha curiosidade "acendeu-se" hoje quando li que as naus da Indía estavam equipadas com bombas de sucção, coisa que eu achei absolutamente extraordinária e fiz algumas perguntas. E quando um tipo pergunta coisas a quem sabe, arranja matéria para meses... E não só nas naus tinham efectivamente bombas de sucção, como já os romanos dominavam a matéria com troncos escavados, peles de boi e outras tecnologias de ponta. A quem queira saber mais, resta ler a tese de Thomas Oertling "The history and development of ships bilge pumps". Alguma da informação que Filipe Vieira de Castro e Alexandre Monteiro me forneceram sobre rombos de casco, bombas e naufrágios tem pormenores deliciosos.
..."Sabendo-se que a velocidade do fluxo de entrada de água é proporcional à raiz quadrada da profundidade a que o rombo fica da linha de flutuação - por exemplo, um rombo 16 cm abaixo da linha de flutuação deixa entrar 4 vezes mais água do que um rombo situado 1 cm abaixo da linha de água, para rombos da mesma dimensão e na mesma posição do casco - fácil é calcular que, quando a água que sobe no interior do navio cobre o rombo, o influxo de água passa a fazer-se na razão da raiz quadrada da distância entre a linha de flutuação e o nível da água dentro da embarcação." (Vou pensar nisto da próxima vez que estiver dentro de um barco a afundar-se...)
..."Paradoxalmente, quanto pior fosse o cheiro que emanava do interior do navio, tanto mais contentes estavam as suas tripulações, já que tal era sinal seguro de que o navio era suficientemente estanque, ao não permitir a renovação da água estagnada no interior do porão - ao contrário, se durante o bombear diário do navio, a água viesse limpa e inodora rapidamente se poderia concluir que o navio tinha um rombo na sua estrutura, com todos os perigos daí advenientes. )"
..."Sabendo-se que a velocidade do fluxo de entrada de água é proporcional à raiz quadrada da profundidade a que o rombo fica da linha de flutuação - por exemplo, um rombo 16 cm abaixo da linha de flutuação deixa entrar 4 vezes mais água do que um rombo situado 1 cm abaixo da linha de água, para rombos da mesma dimensão e na mesma posição do casco - fácil é calcular que, quando a água que sobe no interior do navio cobre o rombo, o influxo de água passa a fazer-se na razão da raiz quadrada da distância entre a linha de flutuação e o nível da água dentro da embarcação." (Vou pensar nisto da próxima vez que estiver dentro de um barco a afundar-se...)
..."Paradoxalmente, quanto pior fosse o cheiro que emanava do interior do navio, tanto mais contentes estavam as suas tripulações, já que tal era sinal seguro de que o navio era suficientemente estanque, ao não permitir a renovação da água estagnada no interior do porão - ao contrário, se durante o bombear diário do navio, a água viesse limpa e inodora rapidamente se poderia concluir que o navio tinha um rombo na sua estrutura, com todos os perigos daí advenientes. )"
As minhas desculpas a Alexandre Monteiro por ter baralhado as fontes.
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Faits Divers
05 outubro 2007
Eu tive um cavalo ruço
Não tive nada, não sei montar. Mas sou rapaz para ficar embasbacado de olhos presos ao ecrã a ver um cavalo chamado Belmonte que pertence à quadra de João Moura. Tinha lido em tempos umas referências na imprensa mas o que me chamou a atenção foi uma entrevista a um criador, Manuel Paim, que citou um dos meus cavalos de toureio favoritos, o "Ferrolho" (também pertencente a João Moura), que apontava um grande futuro a este Belmonte. Diz quem sabe que Belmonte nasceu para os touros e quem sou eu para desmentir? De olhos sempre atentos às investidas, parece brincar com o opositor, acelarando e travando à justa medida do necessário. E sai das reuniões a ladear, coisa que impressiona pela rapidez com que consegue resolver os maiores apertos... Quem me ler há-de pensar que o Belmonte era capaz de tourear sem cavaleiro. Pois foi isso mesmo que pensei quando o vi hoje montado por João Moura, filho.
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Faits Divers
04 outubro 2007
Momento "Não está cá o empreiteiro"
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Faits Divers
Tectos de abrir
Há já alguns anos que jurei que jamais voltaria a ter um carro com tecto de abrir. Cansado de avarias parvas, infiltrações irritantes (cheguei a ter de abrir um chapéu de chuva!) e outras anormalidades similares, tomei a decisão que espero cumprir até deixar de conduzir. Mas hoje enviaram-me um link do eBay que poderá fazer com que algumas das "vítimas" dos tectos de abrir possam, eventualmente, reconsiderar as suas posições...
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Faits Divers
A espada de Afonso
Portugal faz hoje oitocentos e sessenta e quatro anos. É obra!
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Cidadania
Surprise!

As adversidades da vidinha acabam por nos prestar excelentes serviços que raramente reconhecemos como tal. É nos tempos difíceis que se confirmam os amigos que temos, que se descobrem alguns que nunca pensámos próximos e em que se revelam aqueles que de facto nunca estiveram connosco. A este último terço vou dedicar especial atenção nos próximos tempos. Sem pressas. Fria e metodicamente acertaremos alguns dos nossos saldos. A gente vê-se.
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Biografia
Ich bin a Mac user (Solução)

Como não há forma de haver quem acerte em mais do que um nome, aqui fica a solução. 1) Luís Lopes da Silva, 2) Alberto João Jardim 3) Belmiro de Azevedo
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02 outubro 2007
Ich bin a Mac user

Dou um doce a quem identificar três das personagens constantes desta fotografia... Email para o suspeito do costume.
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Ora temos aqui uma pedrinha...

Ora temos aqui uma pedrinha dentro da propriedade, isto só empata, vamos lá tentar resolver este problema... Dinamite parece-me fora de questão, temos telhados por perto. Pintá-la de amarelo não a tornaria mais discreta, se o dono fosse imaginativo ou tivesse algum espírito artístico podia pintar-lhe uma face com o resto da paisagem, mas não, tudo o que se lembrou foi de que quanto mais alto estiver a porcaria da antena melhor se "sintoniza" o satélite... Espanta-me que não tenha ido lá para cima a Sra.de Fátima. A foto foi gentilmente cedida pelo leitor Manuel Baptista.
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Cidadania,
Faits Divers
E o barco vai de saída
Alinham à partida, depois de um mais que provável aquecimento na tasca do Noel, as seguintes embarcações: Raposinho, Liberdade, Alto do Moinho, Oliveira e Batista, Cabo da Marinha. Braguinho, Bom regresso, Ana e André, Sempre se fez, José António, Luar do Tejo, Vela Latina, Albatroz, Flor do Cais, Ginjas, Idalina, Senhor do Aflitos, Laurinda, Lagoa Azul, Beatriz, Jorge Martins, Rainha da Paz. Catraia de Lisboa, Estrela da Madrugada, Galdéria, Boneca, Papa Milhas, Ponta da Marinha, Quim Zé. Zérrui, Marta Filipa, Desvairada. Sarilhense, Gavião dos Mares, Nina, Ana Paula e Sempre consegui. Partida às 13 horas da Praia do Rosário, previsão de chegada a Belém (Padrão dos Descobrimentos) pelas 15. Às 16 horas inicia-se o desfile das embarcações até à DocaPesca.
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Faits Divers
The waiting game
Uma das coisas em que sou francamente bom é a esperar pacientemente. Descobri-o hoje num momento de impaciência.
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Faits Divers
Agora e na hora
Da última ocasião em que nos encontrámos, nenhum de nós sabia que haveria de ser das vezes a derradeira.
"Como é? É este ano?" Perguntei-lhe eu, como sempre o fiz, enquanto esfregava as mãos, espicaçando a sua costela sportinguista.
"Claro que é, claro que é, estás bom Pedro? A esperança é sempre a última a morrer".
É. De facto essa velhaca fica cá sempre.
Descansa em paz, Manuel Roque.
"Como é? É este ano?" Perguntei-lhe eu, como sempre o fiz, enquanto esfregava as mãos, espicaçando a sua costela sportinguista.
"Claro que é, claro que é, estás bom Pedro? A esperança é sempre a última a morrer".
É. De facto essa velhaca fica cá sempre.
Descansa em paz, Manuel Roque.
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